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coisas sem review, mas de que eu anotei trechos


a monster calls (2016)

Belief is half of all healing. Belief in the cure, belief in the future that awaits. Your belief is valuable, so you must be careful where you put it and in whom.

only lovers left alive (2013)

— How can you have lived for so long and still not get it? This self-obsession, it's a waste of living... that could be spent on surviving things, appreciating nature, nurturing kindness and friendship. And dancing! You've been pretty lucky in love, though, if I may say so.
— Tell me now about entanglement. Einstein's spooky action at a distance. Is it related to quantum theory?
— Mm. No, I mean, it's not a theory, it's proven.
— How does it go again?
— When you separate an entwined particle and you move both parts away from the other, even at opposite ends of the universe, if you alter or affect one, the other will be identically altered or affected. Spooky.

janela da alma (2001)

Se o olho é a janela da alma, então você tem que olhar por essa janela com outro olho. E esse outro olho também é a janela da alma, e pra ver você tem que olhar pela janela com outro olho... Quer dizer, a janela não olha, quem olha é um olho através da janela.
Não devemos falar a língua dos outros nem utilizar o olhar dos outros, porque nesse caso existimos através do outro. É preciso existir por si mesmo.
Sua visão é mais seletiva, eu acho, e você é mais consciente do que realmente vê. Se eu não uso meus óculos eu sinto que vejo demais e eu não quero ver tanto assim, eu quero ver mais enquadrado.
O ato de olhar e ver não é só olhar lá fora, não só olhar para o que é visível, mas também, eu acho, olhar para o que é invisível, e de certa forma isso é o que queremos dizer com imaginação.
E o que eu amava tanto sobre livros era que qualquer coisa que eles te davam não estava realmente dentro do livro, era o que você acrescentava, como criança, que fazia a história acontecer. Era como se, sendo uma criança, você pudesse ler por entre as linhas e adicionar toda sua imaginação. Sua imaginação realmente completa as palavras. E eu senti que quando comecei a ver filmes eu os via da mesma forma. Eu queria ler por entre as linhas...

welcome to pine point (2011)

Memory is funny. Specific and vague. Visceral and unreliable. Truth, and fiction.








mr. robot (S01/2015)

How do I take off a mask when it stops being a mask? When it's as much a part of me as me?
There's a saying – "the devil is at his strongest while we're looking the other way". Like a program running in the background silently. While we're busy doing other shit. "Daemons", they call them. They perform action without user interaction. Monitoring, logging, notifications, primal urges, repressed memories, unconscious habits. They're always there, always active.
How do we know if we're in control? That we're not just making the best of what comes at us and that's it? And trying to constantly pick between two shitty options.

terra sonâmbula (mia couto)

O que faz andar a estrada? É o sonho. Enquanto a gente sonhar a estrada permanecerá viva. É para isso que servem os caminhos, para nos fazerem parentes do futuro.
Se dizia daquela terra que era sonâmbula. Porque enquanto os homens dormiam, a terra se movia espaços e tempos afora. Quando despertavam, os habitantes olhavam o novo rosto da paisagem e sabiam que, naquela noite, eles tinham sido visitados pela fantasia do sonho.
O que faz andar a estrada? É o sonho. Enquanto a gente sonhar a estrada permanecerá viva. É para isso que servem os caminhos, para nos fazerem parentes do futuro.
A paisagem se mestiçara de tristezas nunca vistas, em cores que se pegavam à boca. Eram cores sujas, tão sujas que tinham perdido toda a leveza, esquecidas da ousadia de levantar asas pelo azul. Aqui, o céu se tornara impossível. E os viventes se acostumaram ao chão, em resignada aprendizagem da morte.
A vida, amigos, já não me admite. Estou condenado a uma terra perpétua, como a baleia que esfalece na praia. Se um dia me arriscar num outro lugar, hei de levar comigo a estrada que não me deixa sair de mim.

a menina submersa: memórias (caitlín r. kiernan)

Fantasmas são essas lembranças fortes demais para serem esquecidas, ecoando ao longo dos anos e se recusando a serem apagadas pelo tempo. Não imagino que quando Saltonstall pintou A menina submersa, quase cem anos antes de eu vê-lo pela primeira vez, tenha feito uma pausa para considerar todas as pessoas que poderia assombrar. Essa é mais uma característica dos fantasmas, uma característica muito importante: você tem de tomar cuidado porque assombrações são contagiosas.
Mas a parte triste das janelas é que a maioria delas abre para os dois lados. Elas permitem que você olhe para fora, mas também deixam que alguma outra coisa que acontece olhe para dentro.
E o mundo está cheio de sereias. Sempre há um canto de sereia que te seduz para o naufrágio. Alguns de nós podem ser mais suscetíveis que outros, mas sempre há uma sereia. Ela pode estar conosco durante toda a vida ou pode estar aí há muitos anos ou décadas antes de nós a encontrarmos ou de ela nos encontrar. Mas quando ela encontra você, se tivermos sorte seremos Odisseu amarrado ao mastro do navio, ouvindo a canção com perfeita clareza, mas transportado em segurança por uma tripulação cujos ouvidos foram preenchidos com cera de abelha. Se não tivermos sorte alguma, seremos outro tipo de marinheiro, que dá um passo para fora do convés para se afogar no mar.
Aqui tem uma coisa que anotei nos dois lados de um guardanapo de uma cafeteria há alguns dias: "Nenhuma história tem começo e nenhuma história tem fim. Começos e fins podem ser entendidos como algo que serve a um propósito, a uma intenção momentânea e provisória, mas são, em sua natureza fundamental, arbitrários e existem apenas como uma ideia conveniente na mente humana. As vidas são confusas e, quando começamos a relacioná-las, ou relacionar partes delas, não podemos mais discernir os momentos precisos e objetivos de quando certo evento começou. Todos os começos são arbitrários."
A mente de uma pessoa, como posso chamá-la, afeta seu corpo, copo posso chamá-lo? Nesse caso, isso é bruxaria pessoal ou bruxaria interna. A mente de uma pessoa pode afetar os corpos de outras pessoas e outras coisas de fora? Em caso afirmativo, é isso o que posso chamar de bruxaria externa. – Charles Fort, Lo! (1931)

longa jornada noite adentro (eugene o'neill)

Fechou-se ainda mais sobre si mesma, e encontrou refúgio e alívio em um sonho onde a realidade presente não passa de uma aparência que se deve aceitar e dissimular com a maior indiferença – e até com cruel cinismo – ou ignorar por completo.
O passado é presente, não é? E o futuro também. Todos tentamos ficar fora disso, mas a vida não nos deixa.
A névoa estava onde eu queria estar. No caminho, a alguns passos daqui, não se podia ver esta casa. Nem se adivinhava sequer a sua presença. Nem tampouco a das outras casas da avenida. Só se podia distinguir alguma coisa a poucos metros de distância. Não encontrei vivalma... Tudo era irreal. Até o menor ruído. Nada parecia ser o que realmente é. Era isto que eu desejava. Estar a sós comigo mesmo num outro mundo, onde a verdade é mentira, e a vida pode ocultar-se de si mesma. Mais adiante do porto – onde a estrada se cruza com a praia – perdi até a noção de que estava em terra firme. A neblina e o mar pareciam confundir-se. Era como se eu caminhasse para o fundo do mar. Como se há muito, muito tempo, eu me tivesse afogado. Como se eu fosse um fantasma surgido da bruma, e o nevoeiro o fantasma do mar. Era uma tal sensação de paz: não ser mais do que um fantasma dentro de outro fantasma!

a redoma de vidro (sylvia plath)

Eu via minha vida se ramificando à minha frente como a figueira verde daquele conto. Da ponta de cada galho, como um enorme figo púrpura, um futuro maravilhoso acenava e cintilava. Um desses figos era um lar feliz com marido e filhos, outro era uma poeta famosa, outro, uma professora brilhante, outro era Ê Gê, a fantástica editora, outro era feito de viagens à Europa, África e América do Sul, outro era Constantin e Sócrates e Átila e um monte de amantes com nomes estranhos e profissões excêntricas, outro era uma campeã olímpica de remo, e acima desses figos havia muitos outros que eu não conseguia enxergar. Me vi sentada embaixo da árvore, morrendo de fome, simplesmente porque não conseguia decidir com qual figo eu ficaria. Eu queria todos eles, mas escolher um significava perder todo o resto, e enquanto eu ficava ali sentada, incapaz de tomar uma decisão, os figos começaram a encolher e ficar pretos e, um por um, desabaram no chão aos meus pés.
Pensei que o começo com letra minúscula significava que nada jamais começava pra valer, mas apenas fluía do que acontecera antes.
Resolvi que nadaria até estar cansada demais para voltar. Enquanto avançava, eu sentia o coração batendo como um motor surdo nos meus ouvidos. Eu sou eu sou eu sou.
O que havia de tão diferente entre nós, no Belsize, e as garotas jogando bridge, fofocando e estudando na universidade para onde eu estava prestes a retornar? Aquelas garotas também viviam dentro de um tipo de redoma.

além do bem e do mal (friedrich nietzsche)

Em certos casos, raros e isolados, pode ser que intervenha uma tal vontade de verdade, algum ânimo excessivo e aventureiro, uma ambição metafísica de manter um posto perdido, que afinal preferirá sempre um punhado de "certeza" a toda uma carroça de belas possibilidades; talvez haja inclusive fanáticos puritanos da consciência, que prefiram um nada seguro a algo incerto para deitar e morrer.
(...) a saber, que um pensamento vem quando "ele" quer, e não quando "eu" quero (...)

eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios (marçal aquino)

De acordo com o professor Schianberg (op.cit.), não é possível determinar o momento exato em que uma pessoa se apaixona. Se fosse, ele afirma, bastaria um termômetro para comprovar sua teoria de que, nesse instante, a temperatura corporal se eleva vários graus. Uma febre, nossa única sequela divina. Schianberg diz mais: ao se apaixonar, um "homem de sangue quente" experimenta o desamparo de sentir-se vulnerável. Ele não caçou; foi caçado.
Por que somos seduzidos por algumas coisas e por outras não?, indaga o professor Benjamin Schianberg. (Lavínia não se interessava por fotos com gente. Eu tentava compreender o mundo fotografando gente.) Se dominássemos os nossos impulsos, ele escreve, não seríamos mais felizes com isso, mas é certo que muita coisa seria evitada – guerras, inclusive.
O que acontece é que, quando estou com você, eu me perdoo por todas as lutas que a vida venceu por pontos, e me esqueço completamente que gente como eu, no fim, acaba saindo mais cedo de bares, de brigas e de amores para não pagar a conta. Isso eu poderia ter dito a ela. Mas não disse.

a letra escarlate (nathaniel hawthorne)

Vós lhe seguis todos os passos. Estais sempre ao seu lado, dormindo ou acordado. Vós lhe investigais os pensamentos. Vós lhe estais rasgando, ulcerando o coração. Tendes a sua existência como presa, e dia a dia o fazeis morrer de uma morte viva.

o grande gatsby (f. scott fitzgerald)

Em meus anos mais vulneráveis de juventude, meu pai me deu um conselho que jamais esqueci: — Sempre que tiver vontade de criticar alguém — ele disse —, lembre-se de que ninguém teve as oportunidades que você teve.
E assim, com o sol e as explosões de folhas brotando nas árvores, à maneira como as coisas crescem num filme acelerado, tive aquela certeza familiar de que a vida se renovava a cada verão. 
E assim avançamos, botes contra a corrente, impelidos incessantemente de volta ao passado.

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