quarta-feira, 31 de março de 2021

assistidos (8) em março

m-8: quando a morte socorre a vida (2019)

tinha visto o trailer um tempo atrás e achado incrível, carol também, e surpreendentemente foi colocado no netflix, então assistimos. o protagonista é maurício, garoto que entra na faculdade de medicina e percebe que mais corpos negros passam por lá como objetos de estudo em anatomia do que como alunos, e que ele tem mais a ver com esses corpos do que com os colegas de classe. a solidão nesse sentimento é profunda e pega muito pesado, especialmente quando ele conecta os pontos e começa a suspeitar que um corpo do laboratório (identificado como “m-8”) pode ser de um dos jovens desaparecidos buscados por mães fazendo protestos nas ruas da cidade. pior ainda quando ele vivencia situações de racismo, tanto na rua quanto na “escola” (como diz a mãe dele), que mostram que pra um negro estar ali existem muitas mais camadas a atravessar do que pra qualquer outra pessoa. cida, a mãe, é auxiliar de enfermeira e criou ele sozinha – facilmente a personagem mais foda do filme –, e quando maurício volta pra casa ferido e começa a faltar nas aulas ela dá um sermão de abalar as estruturas, lembrando ele de como ela nunca abaixou a cabeça diante dos obstáculos da vida e sempre se esforçou muito pra dar uma vida digna ao filho. ela frequenta um terreiro de umbanda e estar lá vendo o m-8 querendo falar com ele ajuda maurício a ter coragem de fazer algo pelos mortos. ele descobre que o corpo foi dado como indigente e que chegou no hospital com hematomas internos, o que pode ser considerado morte suspeita, mas claro que foi registrado como morte acidental. o protocolo da universidade diz que depois das aulas do semestre os corpos são encaminhados pra uma vala comum da prefeitura, mas com a ajuda de funcionários negros ele consegue tirar o m-8 de lá e fazer um funeral simbólico pra essas mães. cena sensível demais. e é isso, não foi tão uau como o trailer prometia mas gostei. muitas reviews falando sobre a resistência do cinema brasileiro em deixar o formalismo de lado, dos diálogos e atuações engessadas, das situações estereotipadas forçando um didatismo, mas acho que tem sentido nisso também, fazer o quê. que bom que tá no mainstream, numa plataforma tão acessível e acessada, pelo menos. baseado num livro que eu pensei que era de augusto cury por causa de algum comentário no youtube (é não!).

my octopus teacher (2020)

tinha começado a ver com carol lá em janeiro, mas continuamos/terminamos só agora. um cara volta pra onde cresceu, na áfrica do sul, e descobre um polvinho quando passa a mergulhar perto de casa. de alguma forma ele reconhece o polvo sempre que vai lá e meio que se tornam amigos, se acostumam à presença um do outro, e assim ele vai acompanhando o bichinho durante quase um ano. cê tem noção do que é mergulhar todo santo dia? ele fala do frio, aquela coisa louca da temperatura eletrizante, mas não deixo de ficar chocada com a habilidade de usar aquele coiso de sugar oxigênio da superfície. só isso e os pés de pato, é tudo que o cara usa pra passear debaixo d'água. ele é fotógrafo, se não me engano, e a máquina fotográfica dele é um negócio absurdo. a melhor parte desse documentário são as imagens, as cores, as formas, as criaturas! o oceano é incomparável, não tem jeito, uma beleza imensa. engraçado às vezes o aparente exagero do cara nas metáforas sobre a própria vida que via no polvo, mas no fim ele aprendeu muita coisa e se reconectou com várias outras também, então massa. aprendi que a diferença entre polvos e polvas é mais simples do que eu imaginava, e várias outras coisas interessantes sobre polvos também, aqui (muito boa a energia dessa mulher). curioso e válido assistir se houver a oportunidade de aproveitar o hd 4k.

toc toc (2017)

a aluna bruna, lá atrás, tinha me indicado esse filme por causa do assunto de transtorno obsessivo compulsivo, que ela tinha muito forte na época de enfermeira. já tinha ele na minha lista mas não sabia que era sobre isso antes dela me falar, apesar do título. é sobre várias pessoas, com diferentes obsessões, que marcam consulta com um doutor aparentemente muito prestigiado, mas quando chegam no consultório se dão conta de que tão todas designadas pro mesmo horário e ainda por cima o cara não chega nunca, então acaba virando uma terapia em grupo que resolvem fazer entre si. me arrependi de ter demorado tanto pra ver! cada vez que assisto um filme em espanhol eu fico querendo ver mais e mais; é muito bom, muito singular o jeito que as coisas funcionam, o humor, a atuação. o final me pegou muito de surpresa, em nenhum momento suspeitei que o doutor sempre esteve entre eles! achei que a representação de tourette's talvez tenha ficado meio torta, com base no que eu conheço, mas quem sou eu pra falar alguma coisa. não acho que seja considerado um transtorno obsessivo compulsivo mas faz algum sentido (também não pesquisei pra confirmar nada). além do velho reconheci a mulher religiosa, ela faz a lésbica de kika! bem diferente aqui, muitos anos depois, né. o cara das linhas achei bem galã, não vou mentir, e muito bom ele e a menina das repetições sendo casal! fofa demais ela também. não sabia da existência da aritmomania, que loucura. a recepcionista sendo só uma atriz, hehe. as loucuras da mulher germofóbica no banheiro! naquela parte em que todo mundo se desespera pra acudir a velha vi que o bonitinho pisou numa linha e achei que tinha sido erro, daí me surpreendi quando apontaram que tinha acontecido hehe. legal a conclusão deles esquecerem das obsessões quando tão envolvidos em outra coisa. e a amizade que se forma, o grupo no whats haushus e o nome!!! genial. ecolalia, né, aparece isso em tics também. parece ter boas críticas, mas gostaria de ver alguma review de alguém com toc pra saber se foi respeitoso. eu gostei bastante.

love on the spectrum (2019)

minissérie documental que acompanha diferentes pessoas no espectro autista que querem se relacionar amorosamente. vi com carol e gostava de como ela vibrava nos encontros, a gente ficava triste de verdade quando parecia uma coisa e no final era outra. os pais parecem ser firmeza e a especialista que ajuda eles é interessante; tinha achado bom as canetinhas coloridas e os esqueminhas que ela desenha pra falar das coisas mas depois de procurar reviews own-voice me toquei que é bem infantilização de pessoas no espectro... real a complexidade que é se relacionar, muito fácil take for granted (apesar de eu estar no grupo de gente que acha dificílimo também), mas entendi que é problemático essa representação de autistas como seres assexuais que precisam decorar regrinhas sociais pra se relacionem de maneira convencional. algumas dicas até são relevantes, como manter o encontro num 50/50, não sufocar de perguntas e virar entrevistador, não dar respostas definitivas que não dão margem pra conversa se desenvolver... gostei bastante de olivia, o senso de humor dela e a personalidade! achei tão daora o carinha que ela conhece e faz cerâmica, não esperava que fosse ficar na amizade mas bom também, afinal. michael tem muitas certezas, meio desesperador hushs mas ele é bem doce, mesmo. maddi é muito gente boa e engraçada e mark a coisa mais carinhosa, muito sensível, pô... lotus e o date no campo de girassois, mdsss, muito linda ela, toda nervosa hihi. massa ver como cada pessoa é única, como é mesmo um espectro :)) bom de ouvir os sotaques australianos (a "especialista" tinha o mais louco!), e que linda a cidade. o casal perfeito do primeiro episódiooo, e o outro do final mais fofinho ainda, ah! indiquei pra minha mãe. carol e eu gostamos do jeito de mostrar os gostos e desgostos dos pretendentes (referência a amélie poulain que só percebi revendo o filme) mas vi uma crítica falando que é meio nada a ver mencionar coisas/barulhos que eles não gostam e mostrar/tocar mesmo assim; verdade. pelo menos foi melhor que terrace house, que abandonei agora que não tenho a companhia de pölzl pra saber de tsubasa e shion.

back to the future (1985)

sabe que eu acho que nunca tinha assistido? quis ver com a família e fiquei incomodada do começo ser maçante demais pra uma criança de 10 anos. desnecessário a flertação toda, claro que ia ter uma nojeira da mãe tendo crush no filho, né... e ela pensando que o nome dele era calvin klein por causa da cueca kkk fiquei pensando nas minhas/de talita com as variações absurdas. feliz pelo ator principal ser tão baixinho, 165cm hehe. no começo eu tava achando o pai e a mãe muito esquisitos e logo suspeitei que era maquiagem pra aparentarem mais velhos porque com a viagem no tempo iam aparecer como jovens, dito e feito. gosto da cara e do estilo do pai de marty jovem, aquelas belezas estranhas notáveis, mas vendo ele atualmente percebo o potencial de pinta de vilão ou personagem esquisitão (ele faz o valete em alice in wonderland!). muito bom o ator que faz o professor, a melhor caracterização é sem dúvida a dele. aquele final dando brecha pro próximo filme, não esperava. não tem um negócio de 2019 nesse universo? tenho a impressão de ter visto algo assim um tempo atrás, mas pode ser de outro filme clássico. não achei muito bom não, mas interessante ver a evolução das histórias de viagem no tempo. sempre tô dentro. ah, massa também descobrir que mcfly é um sobrenome possível ahushu. que sorte voltar pro presente com um upgrade, hein. muito bom o estilo dos anos 80.

mononoke hime (1997)

não tem muitos filmes do studio ghibli dublados no netflix, queria assistir com mãe e irmão e percebi isso (já tá na hora de se acostumarem com legenda, mas né). coloquei princesa mononoke mas não lembrava que era tão longo, ainda bem que eu pedi pausa pra xixi na metade. muito bem feito o comentário sobre exploração de recursos naturais, desmatamento, desequilíbrio entre homem e natureza, etc. a metáfora da raiva, mágoa, fúria é muito boa!... uma contaminação mesmo, ashitaka resistindo, lutando contra, tentando agir como ponte, pacifista. a questão de gênero e deficiência na cidade de lady eboshi (mais sobre isso na wikipedia). o deus da floresta, como é bonito o florescer a cada passo... gosto dessas histórias que têm romance mas esse não é o tema central, que nem howl's moving castle. e é tão importante ver histórias em que o bem e o mal não estão bem divididos e solidificados, em que os personagens não são moralmente determinados... acho que esse é um dos meus favoritos, mesmo. não lembrava nem um pouco que a princesa não se chamava mononoke e sim san – the term mononoke is not a name, but a japanese word for supernatural, shape-shifting beings that possess people and cause suffering, disease, or death. não me conformo nunca em como é possível existirem trilhas sonoras tão potentes, que trazem tantas emoções à tona. moved me to tearsss. esse filme é muito maravilhoso, que bom que existe. sempre fico tensa quando percebo que as coisas que chamo minha mãe pra assistir falam de demônios e coisas do tipo. ainda bem que os kodamas ficam fofinhas depois de parecerem macabros hehe. eu lembro que fiz um desenho de san uma vez, na época do cv, talvez só da máscara. algum dia tiro foto pra deixar aqui.

loving vincent (2017)

na primeira aula de interpretação usamos van gogh como exemplo pra falar de como o quanto que a gente sabe do autor influencia na interpretação da obra – primeiro vimos só as pinturas, depois trechos de cartas dele pro irmão theo, depois a música (que eu não lembrava mas já tinha ouvido antes, a julgar pelo like nesse vídeo), o episódio de doctor who, uma audiodescrição... por fim ficou o filme como recomendação. teve um tempo que ele tava no netflix, né? não tava mais, baixei mesmo. que loucura fazer uma animação em que cada frame é pintado a mão, com tinta a óleo. mais de 63 mil frames! parece que o ator que interpreta vincent é polonês e mal fala inglês, escolheram pela semelhança de aparência e tiveram que dublar as falas dele. bonitinho o ator/personagem que conduz o filme, naquele terninho amarelo com o chapéuzinho. conta sobre as últimas semanas de vida de van gogh, depois dele sair da instituição onde se internou quando mutilou a própria orelha. não sei até que ponto é real a coisa do tiro na barriga, os amigos festeiros, o médico aspirante a artista obcecado por van gogh. quanta tristeza, quanta doçura também. isso de vincent querer ser visto como alguém que sentia muito... em doctor who falam bem. mais de 800 pinturas em uma década é muita coisa, putz. li as partes dele naquele livro tudo sobre arte, show o que ele fez e as inspirações que tinha, o legado que deixou. gostei da mocinha sorridente da hospedaria; não esperava saoirse ronan como romancezinho. muito bom as partes em que as pinturas dele viram parte da realidade! espero que a produção tenha sido boa pros artistas, sem muita pressão e condições ruins de trabalho... me emocionei com o filme, foi gostosinho de ver. acho que gosto mais de van gogh agora, tenho mais interesse. quero ler essas cartas dele, são publicadas pela l&pm aqui, pelo que eu vi.

quanto vale ou é por quilo? (2015)

paralelos entre os séculos xviii e xxi, estruturas de escravidão que não parecem ter mudado tanto assim de lá pra cá. filantropia e projetos de caridade mascarando um mercado de lucro e exploração capitalista. vítimas e reféns desse sistema de merda do caralho. corpos negros e periféricos na mão de brancos ricos corrompidos. as mesmas atrizes representando personagens diferentes, uma senhora de escravos que fazia tudo visando lucro e uma mulher com um projeto de ajudar os necessitados, uma escrava fugida arrastada de volta pro dono mesmo grávida e uma professora batendo de frente contra os empresários super faturando o laboratório de informática na periferia. angry black woman e macho branco estúpido. ainda bem que perde uma orelha e uns dedos. a "amiga" da mulher da ong se vendo sem saída nos acordos, oferecendo uma menina "limpinha e quietinha" pra ficar no lugar dela, negra, claro. o crime, sequestros, captação de recursos x redistribuição de renda. muita coisa aqui, a narrativa é bem única, chega a ser documental. e esse título... forte. não conhecia. tem a ver com um conto de machado de assis e umas crônicas retiradas de relatos factuais. incômodo, importante. final ambíguo.

segunda-feira, 29 de março de 2021

lidos (4) em março

vizinho, vizinha (roger mello)

livrinho infantil que peguei gratuito na pandemia, pena não dar pra ver as cores no kindle (usei o aplicativo do pc pra isso). um cara e uma mulher que moram um de frente ao outro num prédio, mas só se dão bom dia e comentam sobre o tempo. excêntricos do jeito deles, mas desconhecidos um pro outro. um dia a sobrinha do cara e o neto da mulher abrem as portas e brincam juntos enquanto eles não estão, misturam as casas, tchururu. depois que vão embora fica estranho o silêncio, e termina na expectativa de um falar com o outro. bonitinho, achei legal a proposta de cada ilustrador fazer um apartamento, e o autor o corredor. quem ilustra o cara é mariana massarani e quem ilustra a mulher é graça lima; gostei dessa última que parece colagem e a outra me lembra aqueles livrinhos de mini larousse coloridinhos que eu tenho (olhei aqui e ela ilustra um deles mesmo! o da amazônia). muito bom o jeito diferente de falar as horas aqui:

eu sou malala: a história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo talibã
(malala yousafzai com christina lamb)

quase um ano lendo – comecei na asian readathon de maio... não tem jeito, biografia não é um gênero que me segura, não importa de quem seja. gostei de saber mais sobre malala, com certeza foi valioso, mas tive que persistir; corri pra terminar antes de sair da casa, já que tava emprestando de carol. acho que foi pölzl quem fez a comparação dela com marjane satrapi, de persépolis, no sentido de que as duas tinham pais ativistas e vinham desde cedo com essa atitude de defender certas coisas e tal. não lembro mais muito de persépolis e agora me pergunto se foi isso mesmo, mas acho que faz sentido ter apoio familiar de alguma forma, né. loucura como existem situações e existências que a gente nem imagina, por não fazer parte da nossa realidade. mesmo com ameaças e mortes e bombardeios ela tava lá, resistindo, não sozinha, mas com uma coragem sem comparação. que tenso os relatos depois dos tiros, a questão da infraestrutura hospitalar, ainda tem tudo isso, né... e a tristeza de ficar longe do vale do swat depois do refúgio na inglaterra, bem bonito mesmo. parece que no paquistão ela é uma figura polêmica, tem a questão do talibã vê-la como veículo de propaganda do ocidente e tal. antes do ataque ela já fazia umas coisas grandes, tinha escrito um blog pra bbc com um pseudônimo, sido documentada mostrando a rotina de viver e estudar em mingora... não conhecia nada sobre os pachtuns, interessante também (aqui ela fala pachto e urdu!). essa galera que estuda muito e se preocupa em ser o primeiro da sala, hein. há um tempo atrás vi ela comemorando no twitter por ter terminado a faculdade, pandemia já. ela é só dois anos mais velha que eu :~ ah, o alquimista é um dos livros favoritos dela hauhah

the year of the witching (alexis henderson)

tinha começado lá em outubro, porque era um dos livros que teriam discussões ao vivo durante a fortnight frights de seji, mas só li um pouquinho e não voltei mais. na época não me prendeu muito, acho que desanimei com o cenário envolvendo religião e séculos passados, e foi justo quando comecei a releitura de crepúsculo também... mas voltei a ler agora e até cheguei a ter aquele sentimento (infelizmente em falta) de querer saber o que ia acontecer, aproveitava pra ler sempre que podia e tal. imanuelle é a protagonista, fruto da união entre miriam e daniel, um rapaz dos outskirts, que é a periferia onde habitam as pessoas de pele escura. o pai foi queimado na fogueira e a mãe morreu quando dava à luz a ela, depois de ter passado meses dentro da darkwood, a floresta proibida, e desde então a família perdeu o prestígio que tinha em bethel. lá pelos 17 anos de idade imanuelle entra na floresta em busca do bode que tinha que vender e recebe de duas mulheres fantasmagóricas o diário da mãe, e assim ela começa a entender melhor o lance da bruxaria envolvendo seu passado e sua identidade. quando pestes começam a atingir o povoado ela assume a missão de resolver as coisas com as bruxas da floresta e, com uma ajuda do filho do profeta, ela parte pra desafiar as bizarrices todas de uma doutrina opressiva e impiedosa. aliás, só porque eu acho ezra miller um puta cara bonito (e gosto muito do nome também) me aparece um personagem perfeito com esse nome... bom que assim eu posso vibrar por ele instead, já que o ator aparentemente é um escroto, né. queria tanto achar fanart mas até agora nada. falar a verdade que eu só me intriguei com a leitura quando imanuelle vê as lovers na floresta; tava esperando sexo lésbico não! interessante ter isso dentre as quatro bruxas, bem boa a caracterização macabra de cada uma delas. ah, e a avó mãe de daniel sapatona convicta!!! "men cut clothes" and shit heheh. mas pô, muito pouco tempo com ela e a companheira, deu nem tempo de conhecer melhor... até gostei de não ter muito romance com ezra, só no final fica mais direto, mas já que imanuelle tem várias vezes o desejo de "mais" e de se aproximar dele bem que podia ter um sexual awakening. esse negócio de bethel ser meio isolada do resto do mundo me lembrou as muralhas de shingeki no kyojin, mas talvez só tô viciada demais. que bosta essas fés extremamente machistas, os caras super velhos casando com jovens, várias esposas, violência... no geral foi ok mas fiquei sentindo falta de certas coisas, explorar mais a fundo os aspectos que envolvem raça e gênero (apesar de imanuelle ter ficado feministona a partir de algum momento), dar espaço pra alguns desenvolvimentos, etc. e não é um horror muito forte, podia até ser mais, ter mais explicações pro coven de lilith, pra magia na família ward, etc. acho que o mais pesado foram as práticas da própria igreja, na real. os personagens são bons, isso de ezra ser um homem firmeza, o avó abram dando apoio na hora que ela precisava, as bruxas!... que caos aquela cena apocalíptica na igreja, hein. e acabam oferecendo piedade ao escroto do profeta, bem que lilith podia ter cuidado dessa parte. a discussão com seji e convidadas foi legal, fiquei sabendo que vai ter um segundo livro, quem sabe nele isso tudo melhora. gostei de ler uma autora negra desse gênero relativamente novo pra mim, mas que com certeza quero explorar mais.

pai contra mãe (machado de assis)

quanto vale ou é por quilo? é baseado nesse conto e em crônicas de nireu cavalcanti sobre a escravidão do arquivo nacional do rio de janeiro. aqui candinho é um homem que não para em emprego nenhum, mas que se vê na necessidade de trazer dinheiro pra casa se não quiser ter de entregar o filho recém-nascido à roda dos enjeitados. clara, a esposa, costura pra fora junto com a tia, mônica, e já tinham sido despejados da casa por deixarem de pagar três alugueis. quando o filho nasce estão de favor na casa de uma senhora rica, coisa que a tia arrumou, mas sabem que uma quarta boca vai ser mais do que podem dar conta de sustentar. candinho já vinha trabalhando em pegar escravo fugido e tava numa onda de não conseguir competir com os concorrentes quando se depara com o anúncio de arminda, oferecendo 100 mil réis. ele cruza com ela no caminho de levar o filho pra roda, deixa o bebê com o farmacêutico e captura a mulher, que tava grávida. ela aborta e cândido nem quer isso na mente, só volta feliz pra família. "nem todas as crianças vingam", é sua fala final. por causa do filme eu tava imaginando ele negro, mas percebi que no conto não tem caracterização; fiquei pensando nesses nomes todos aludindo à brancura, cândido, neves, clara... e na luta de um pai contra uma mãe, não surpreende quem ganha. a descrição da máscara de folha de flandres que tem no filme vem desse conto – "era grotesca tal máscara, mas a ordem social e humana nem sempre se alcança sem o grotesco, e alguma vez o cruel". machado é outra coisa mesmo, o jeito que conversa com o leitor, a narrativa... "não davam que comer, mas davam que rir, e o riso digeria-se sem esforço", etc. leitura pra disciplina de interpretação.