terça-feira, 31 de dezembro de 2019

lidos (11) e assistidos (15) em dezembro

the end of the f***ing world S02 (2019)
pô, véi, chorei com essa temporada, o final e tudo. quando bonnie percebe que alyssa e james não tem nada de maldade por ter matado o professor, que o cara era abusador, e aí decide se matar e eles caem em cima dela pra impedir. uma frase boa, what do i do? what do i do with all the pain? (fui lá conferir e já tô quase chorando de novo) e james assustado porque pensou que alyssa tinha ido se matar na casa do professor... sei lá, me tocou bastante tudo. muito boa personagem essa bonnie, muito bom como todo mundo nessa série é esquisito. alyssa deprimida, mudada, se casando pra ver se sentia alguma coisa. a irmã do menino morando com a namorada muda haush. bem ruim a coisa de punição da mãe de bonnie, mas quando ela manda ela comer o batom fiquei pensando que é um trechinho perfeito pra ensinar a diferença de "eat" pra "it". a bala escrito o nome de alyssa errado, as cinzas do pai de james que ficaram nojentas. sabia que alguém ia se ferir naquele chifre de veado no hotel, lugar muito nada a ver de estar, altura ruim demais. agonia de sairem do restaurante logo após pedir a comida, sem nem levar pra viagem.

three billboards outside ebbing, missouri (2017)
assistimos no avião. louco ter uns personagens engraçados de tão idiotas no meio do drama todo. muito fortes umas cenas, em especial aquela que o policial joga o menino pela janela, que é isso. tive que parar pra respirar. a mulher muito butch (pensava que ia ser casal com a ota da loja que ela trabalhava), super impulsiva e cheia de atitude, massa. coragem. pensei que o filho ia ser todo religioso por causa do padre na casa no começo (e também porque esse ator tem uma cara de chatildo). o pai e a namorada adolescente, mds... que horrível as circunstâncias da morte da menina também, a briga dela com a mãe e as malditas palavras sobre estupro e morte. putz, tem o chefe de polícia que se mata brutalmente também, que é isso. e o anão, coitado. muito bom no geral, legal ter assistido.

spider-man: into the spider-verse (2018)
tinha visto (sem assistir) um vídeo sobre a música nesse filme e fiquei prestando atenção enquanto assistia. legal aquela primeira, que o menino gosta. muito bom o homem-aranha da pancinha, parece que ele seria o do tobey maguire que é o melhor. mais velho e tal. voz ótima por sinal. também previ que o tio ia ser o cara do mal, putz. aquele barulho de elefante (!) apavorante. e aquele porco-aranha, mds haushus. gwen sendo aranha também, legal, mas meio blé a coisa delicada de bailarina. legal que o menino faz grafitti e pode ficar invisível (e o que mais?). estranho como pode fazer um portal interdimensional dentro de um lugar pequeno daqueles mas ô, não dá pra falar sobre absurdices em desenho de super-herói, né. mas bem bonito aquele monte de cores no final. absurdo de grande aquele vilão também.

akira (1988)
gostei bastante da trilha sonora. meio confuso ainda a existência de akira, mas muito louco. dá pra imaginar a questão de bomba nuclear e acidente radioativo pro japão. e 1988, técnicas de animação inovadoras, massa. medo dos bichos de pelúcia no quarto, aquela música também. legal que tem poderes incontroláveis, a coisa de amplificar a questão de tetsuo com kaneda e tal. no começo pensava que ele que seria o principal. legal as motos também, apesar de não fazer sentido serem estudantes jovens que não tem nada mas isso sim. as crianças parecem velhos porque são mesmo, é isso? nojento isso de andar/cair no esgoto, viu. botei o filme pra começar só porque tava sem rumo na vida mas fiquei vidrada até o fim. talita não gostou muito e laiz acha superestimado, mas ok. ing lee e outras artistas que eu gosto lançaram coletânea de contos inspirados em akira pra homenagear, por isso quis ver. agora quero ler. 

germes (cynthia b.)
aqui dá início um bocado de zines de tiago de salvador. esse lembra demais aquele feuchtgebiete, deu vontade de rever. a menina tá numa festa e vai fazer xixi no banheiro, senta na privada, pega algum germe nojento que explode pelo corpo dela todo. saindo pelo nariz, olhos, ouvido... vai num médico que tira um pouco, mas ainda tá lá nojenta no ônibus indo embora. no banco da frente tem um bebê com a boca no banco onde as pessoas seguram; os dois se juntam numa germezeira louca. haush mds.

bastião da justiça (dw ribatski & gabriel goés)
um herói bolsominion. seduz uma beata mas bate nela quando tão prestes a fazer sexo, diz que ele escolheu esperar, e depois que ela sai ele vai atrás como bastião da justiça pra punir a "vadia". tá matando um monte de gente, maconheiros, viados transando no mato... bem louco. bem ruim (de pensar).

fired (ricardo coimbra)
um cara empenhado em fazer a empresa que trabalha ganhar um prêmio de melhor lugar pra trabalhar e sei lá o quê. fica fazendo umas dinâmicas chatas de coach, chamando os funcionários de "colaboradores" e essa chatice toda. só tinha um cara que não participava (os outros eram tudo com cara de sofrimento). ele vai no escritório do cara e fica lá sem falar nada um tempão, só escutando o outro falar que precisa que todo mundo teja nessa junto pra ganharem o prêmio. começa a ficar descontrolado, xingar, até que o cara tira um isqueiro com spray e taca fogo no escritório, fired né. quando os outros abrem o chato tá com a bunda pelada pra cima falando pro outro comer ele se quiser... jesus. engraçado, bom até.

a mediocrização dos afetos (fabiane langona)
bem chato. negócio de como usam a palavra "amor" hoje em dia. um coração feio contando.

roomates - mórbida diferença (bruno maron)
um cara feio de óculos e calvo acorda e logo já vem o cara que mora com ele falar sobre hipocrisia, sociedade, identidade, um bilhão de coisas com nomes complexos e tristezas existênciais, todo raivoso, atacando o oto. sai e deixa ele lá processando tudo, sofrendo. vai o feio falar que ficou abalado e o cara tá no quarto de boa falando que tava brincando ahsuhu véi. muito bom. o quarto com pôster de taylor swift e papertoy de pikachu. desenhos feio pique puiupo, doideiras.

areia #1 (thiago sá & aline zouvi)
parece que é o primeiro de uma série de zines sobre sonhos sonhados pelo autor aí. a ilustradora é da unicamp, do iel? acho que sim. parecido com o próximo; uma coisa de vila pequena, igreja, padre, limiar entre a fé e não sei o quê. nada demais.

mary (magno costa)
sem falas, curtinho, quadrado. capa bonita com umas árvores vistas de baixo, os galhos sem folha formando o título. é uma bruxa que queimam, época da igreja forte, parece. depois que ela morre as coisas começam a dar errado pra vila e pro pastor que comandou tudo, como se estivessem amaldiçoados. simples, massa contar tudo só com imagens. terminei essa review e começou uma música chamada mary no spotify...

babilônia (jéssica groke)
capa bonita, laranja, parecendo giz de cera, o título escrito como pixação vertical em prédio alto. desenhos dentro feito com carvão, bonito os traços certos, simples, gostei bastante. umas cinzas que apareciam na casa da personagem, até um dia começar a cair papeizinhos queimando, com o que parece ser versículos da bíblia falando da babilônia, pecados, sei lá. ela sai correndo, encontra um monstrão, foge até uma porta mas lá só tem mais. bem massa.



iron man (2008)
pra seguir com a lista dos filmes da marvel. bem metido ele, né, 2s pra admitir que queria ser reconhecido como homem de ferro sim, no final. não sabia que o negócio no peito tinha sido feito por outra pessoa pra salvar a vida dele. e por que deixar sempre exposto, não é perigoso tomar tiro lá e morrer? bem improvável as coisas, construir aquilo tudo sem terem percebido nada antes (na caverna), ainda dar errado e deixar a armadura toda lá despedaçada. assim que vi o velho careca imaginei que ele fosse ser o vilão. chato a quantidade de mulher que esse cara consegue, nada a ver. me fez pensar no quão superficial e tudo igual é filme de herói. pelo menos tem uma crítica a produção de armas e responsabilização pelas coisas.

cumbe (marcelo d'salete)
histórias de negros na época da escravidão no brasil. primeiro um planejando fugir e querendo que a parceira também vá, mas a mata quando ela se recusa pois a tratam bem na casa grande; depois uma outra que também trabalha dentro da casa grande, dá à luz ao filho e a senhora joga ele num poço (sumidouro), e então ela mata o senhor; vários escravos se unindo pra uma rebelião, mas os brancos os descobrem e os matam, apesar deles terem tido umas baixas também; por fim uma vingança por um senhor ter estuprado a irmã pequena de um negro, todos os escravos libertos e fogo na fazenda toda. parece que tem uma certa progressão nisso, tipo, primeiro um plano individual e insano, depois vingança e (mais) motivação, uma tentativa falha e então uma união que prospera. massa, muita pesquisa envolvida, no fim tem glossário e referências bibliográficas bem interessantes. tem um bicho de boca na nuca parecendo lobo, medo.

the incredible hulk (2008)
filme podre, meu deus. a abertura que mostra toda a transformação de bruce em hulk, ele descontrolado machucando gente, se separando da namorada também cientista, fugindo do governo que quer usar as células dele como arma. o filme começa na favela da rocinha (?!) com bruce trabalhando numa fábrica de bebidas, com uns caras ridículos que claramente não são brasileiros. o pior é o oriental dentuço chamando ele de gringo. ele faz aula de alguma arte marcial e o professor ensina a se acalmar, diminuir os batimentos cardíacos (coisa que ele precisa pra não virar hulk). descobrem ele de um jeito mentiroso (mandam procurar um branco na fábrica) e quando ele acorda de ter virado hulk já tá na guatemala. vai andando de um jeito mais mentiroso ainda até os estados unidos, onde encontra a ex-parceira, que ajuda ele a chegar até um biólogo com quem ele conversava de outro jeito mentiroso. mas claro que o cara tinha multiplicado as células dele de um jeito mentiroso e tinha intenção de usar pra curar doença e a zorra toda. eles conseguem conter um episódio de transformação dele mas não curam; o que acontece é que um soldado besta do governo toma um soro que eles já tinham e injeta o que o cientista tirou de bruce pra virar um bichão feio destruidor. luta entre eles, os maus percebendo que hulk é legal, separação do casal de novo, etc. no final vem tony stark chamar o comandante pra participar ~daquela coisa~.

bongolê bongoró (vários artistas)
negócio chato cheio de quadrinho de macho falando de sexo. a lombada diz "manual de educação doméstica fascículo 3", algo assim, uma das coisas boas. a maioria falando enrolado, umas histórias sem sentido, várias coisas escritas afinal. um tema de loteria e enriquecer em comum. uns textos me lembravam daquelas aulas sobre recursividade e etc da linguagem humana, podia mandar pra charlotte e aquiles usarem. algumas coisas a gente ria, mas raro. longo demais também. aqui umas partes boas.

 







iron man 2 (2010)
tony stark promovendo uma feira de ciências típica da empresa dele durar um ano. falando sobre como ele tem trazido a paz pro mundo, que o futuro é o que importa, o que vão deixar pra posteridade, blá blá blá. o governo tentando tomar iron man como posse pública, pra ser uma arma de estado, preocupado com gente que tenta tecnologias similares pra fazer maldade. um russo feio com um palito de dente nojento inventa um negócio de choque com um reatorzinho que nem o dele, vai pra corrida de fórmula 1 ou sei lá que tony resolveu participar com o carro das indústrias stark, e ataca ele. conversando quando ele já tá preso o cara diz pra tony que o paládio do geradorzinho dele é um jeito bem ruim de morrer. no caso, tá durando cada vez menos a plaquinha que ele bota no negócio, além de deixar o sangue dele com um bocado de toxicidade. tony tá assim inconsequente, faz uma festa onde ele destrói a casa inteira com a armadura, e o amigo chefe de num sei o quê do exército leva uma delas pro governo. mas tem um idiota que produz armamento, mesmo ator do policial ruim de two billboards outside ebbing, missouri, que tira o russo da prisão pra produzir um iron man pra ele que o permita acabar com tony. claro que o russo faz as coisas conforme os próprios planos e controla os robô tudo pra ir atrás de tony, né. a essa altura a s.h.i.e.l.d. já entrou em contato com ele e falou que ele precisa de outro elemento pro gerador, que ele inventa por causa da planta da cidade do futuro que o pai deixou e dedicou a ele, puta mentira improvável, mas normal. viúva negra aparece como assistente nova dele quando pepper vira a presidente das indústrias stark (mas é espiã da s.h.i.e.l.d., no caso). no final ele consegue derrotar o cara por causa desse novo negócio, que faz o geradorzinho triangular. beijo do casalzinho no final, etc, etc.

thor (2011)
deus do trovão, filho de odin, tá sendo nomeado rei de asgard mas é interrompido por uns gigantes de gelo invadindo o cofre de armas tentando recuperar um cubo potentão deles. loki, irmão de thor, que deixou eles entrarem, e era só pra pregar uma peça no irmão e retardar mais um pouco o reinado dele. acaba que thor vai pra jotunheim se vingar e provoca guerra entre as raças, o que mostra a impulsividade e falta de juízo dele, então odin o bane pra terra. ele chega numa tempestade que natalie portman tá estudando e fica por aí com ela, um velho cientista também (amigo dela) e uma menina que não sei se é irmã, mas tem uns comentários engraçados. mjölnir, o martelo de thor, tá caído feito a espada do rei arthur que ninguém consegue levantar, nem mesmo thor, porque ainda tá indigno. em asgard loki descobre que é filho de laufey, o reizão dos gigantes de gelo, e que odin só adotou ele porque era um bebê no meio do campo de uma batalha que tiveram no passado. loki se autoproclama rei enquanto odin tá doente num sono mágico lá, conta umas mentiras pra thor e manda um tal de destruidor pra matar ele. nessa thor recupera a dignidade, o martelo voa pra ele, ele destrói o bichão e volta pra asgard, não sem antes dar um beijinho em natalie portman. qual a necessidade de ter romancezinho em tudo que é filme, véi. enfim, lá ele resolve as coisas todas, loki cai no espaço quando thor destrói a bifrost, odin fica orgulhoso dele, blá blá blá. no final dá pra ver o cientista amigo da ota seguindo ordens de loki. a s.h.i.e.l.d. que faz a instalação ao redor do martelo pra estudar, e gavião arqueiro aparece pra fazer nada.

death note (2006-2007)
muito bom! quero ver quanto tempo vai levar pra trilha sonora sair da minha cabeça. ryuk deixa um dos death notes que tem cair na terra porque tá entediado, e yagami light o pega e começa a usar pra julgar criminosos. não demora pra polícia entrar em ação, e logo vem l enfrentar kira nos desafios. lind l. taylor morrendo pra mostrar que kira precisa do nome e do rosto pra matar. os primeiros episódios são ótimos por causa desses embates que eles têm. e light é muito cheio das manhas, véi, como pode planejar tudo tão bem? e nerd que é nerd mesmo sabe de tudo, né, até hackear coisa e fazer telefonemas pro presidente dos eua. triste ver l ser morto, mais ainda por não ter ficado claro se ele morreu convencido de que light era kira. na verdade não entendo por que rem achou necessário fazer aquilo naquela hora; l nem ia fazer nada com misa ainda. e que menina cagada também, ganhou uns anos de vida porque o shinigami matou pra proteger ela e morreu, depois vira o segundo kira e perde metade da vida restante no acordo dos olhos, aí esquece tudo e perde metade de novo quando volta a ser kira e renova o acordo, só pra no fim esquecer de novo e ficar viúva. não lembrava de muita coisa, nem que o desenho que eu fiz do carinha escrevendo no death note loucamente era teru mikami, o x-kira. bem devoto a "deus", hein. os dois já tão insanos no final, aquelas risadas e gritos e atitudes exageradas. mello morre sequestrando a outra kira mas não entendo por que tinha que ser ele dirigindo o caminhão e fazendo tudo isso. near fofinho brincando, e sei lá essas habilidades mentirosas de uma pessoa gênio desvendar tudo a esse ponto. mas massa que deu um passo a frente de light na coisa do death note falso. tenso o olho de mikami olhando pela frestinha da porta pra matar todos, terror. e light fica sendo o falso l pra poder manipular as investigações em benefício próprio e pra ficar por dentro do que tá rolando só, né, porque podia ter se afastado e continuado as coisas de kira longe. louco como ele é psicopata e manipulador. e os shinigamis tomando ordens deles, aceitando tomar ordens... mas não tô entendendo como foi que a polícia ficou com dois death notes, se light devolve um pro shinigami feio que chegou em mello e diz que "só precisamos de um" (fingindo que tem só mais um, mas tem dois). ele deu o de rem pra polícia quando ele vira areia? não, ele esconde, parece. só se deu o que era de misa, mas como, quando? a irmã de light ficou em choque, pelo jeito. e até o pai faz o acordo dos olhos, véi! não lembrava nem um pouco. a segunda parte (depois da morte de l) é mais fraca mesmo, o grupo de gente que sobrou investigando kira deixa light muito no controle, aquilo dos encontros terem só escutas e não câmeras foi demais. mikami mexendo os lábios falando que não tinha shinigami e o pessoal de near acreditando ser espontâneo, também, estranho. o empresário estúpido querendo casar com misa, nossa, um rolê todo pra pegar ele. a coisa de light renunciando caderno, rem e ryuku trocando de posse... até raye penber vai pro limbo entre o céu e o inferno por causa de ter usado o death note, mesmo sem saber que era, né. triste a morte da noiva dele, tão esperta mas caiu na ladainha de light. enfim, foi bom rever, ainda tem mais um bocado de filme e etc. ler o mangá um dia seria interessante também. bem bosta as personagens mulheres da história serem menos importantes e usadas por homens, né. música muito parecida com akira, aquele "da da da-da"...

captain america: the first avenger (2011)
o melhorzinho desses da marvel que a gente tem visto, viu. capitão américa é o único que não se acha, não fica impressionando as mulheres, não erra estupidamente, entende os oprimidos... no começo steve era fraquinho, cheio de problema de saúde, mas queria muito servir o país na segunda guerra mundial. tem um amigo que tá indo pra guerra, bucky, e um cientista fugido de hitler ouve a conversa de que ele queria muito poder fazer alguma coisa. então convida ele pra esse projeto de um soro que causa mutação imediata nos músculos, metabolismo 4x mais rápido e tal. steve topa, mostra que é muito mais inteligente e nobre que os colegas da divisão, e finalmente vira fortão e alto com o negócio. fica famoso porque na mesma hora um espião nazista (que na verdade é da tal hidra) infiltrado rouba um tubo do soro (por que diabos deixaram sobrar um?) e sai matando gente pra fugir, e steve o detém um pouco mentirosamente (socão quebrando vidro embaixo d'água). em vez de continuar no exército vira garoto propaganda, sai fazendo performances musicais pra chamar gente pra se alistar, já como capitão américa. tem hq e tudo. numa hora que reencontra a agente carter descobre que o amigo bucky tá desaparecido e vai atrás pra resgatar soldados capturados. tavam sendo usados pela hidra como mão de obra. essa hidra era a divisão de invenções ou sei lá do exército nazista, mas se separou quando o tal schmidt (smith de matrix) arruma um cubo poderoso de odin (e thor não tem nada a declarar sobre isso pelo jeito né). caveira vermelha, feioso demais, capitão américa resgatando 400 homens e destruindo os pontos todos onde a hidra constrói coisa. no fim precisam deter schmidt porque ele tá indo destruir a costa leste norte-americana, e steve tem que mandar a aeronave no chão pra impedir que os mísseis sejam lançados. por que não se saiu com paraquedas não sei. fica lá 70 anos em coma, perde o encontro que marcou com carter, acorda com nick fury. engraçado carter dando beijo e falando pra ir pegar schmidt, e o capitão dirigindo o carro "eu não vou te dar beijo". pai de tony stark envolvido em muitas coisas, trabalhando pro exército e ajudando steve! ele acha o cubo no final, caído no mar. bucky morre.

the avengers (2012)
natasha (viúva negra) capturada sendo interrogada, mas na verdade era ela interrogando os caras. vai buscar bruce (hulk, mudado pra mark ruffalo) na índia, que achava que tava escondido mas a s.h.i.e.l.d. observava de longe, e vão pra uma nave cuiuda gigantesca que tá servindo de sede da coisa e pros vingadores. tony stark fica alimentando caraminhola na cabeça dos outros pra tentar descobrir o que a s.h.i.e.l.d. realmente quer com o tesseract (aquele cubo que o caveira vermelha arrumou e que ficou com o pai de stark, mas loki chegou roubando e possuindo erik selvig e o gavião arqueiro), e descobrem que tem uma iniciativa de construir arma nuclear e não sei o quê. acaba que tá todo mundo discutindo, confrontando nick fury, e ele querendo explicar que seria pra se defender da imensidão do universo, e natasha querendo falar que loki (capturado) tem interesse no hulk, e a essa altura bruce tá com o cetro de loki mandando um discurso de ódio sem perceber. coisa do próprio loki mesmo, fazer todo mundo se desentender e desunir os vingadores pra derrotá-los. nessa gavião arqueiro rompe a invisibilidade da nave, explode uma turbina, provoca a raiva de hulk, e no fim tá ele caído em algum lugar e thor em outro e tudo doido. com erik loki faz um portal pros monstrão com quem fez acordo, que não são os gigantes de gelo, e sim uns bicho-máquina feio, bem no prédio novo auto-sustentado de tony stark. lutam um bocado, capitão américa comanda a polícia, gavião arqueiro (trazido de volta) atira as flechas dele com uns defeitos (de acordo com esse vídeo), hulk aparentemente "esmaga" controladamente (só os monstros e não os colegas), mas quem faz mais coisa é iron man mesmo, que quase morre; chega a ir pro espaço no portal, até. boa a última cena deles todos em silêncio numa lanchonete comendo shawarma. phil morre, o cara da s.h.i.e.l.d. que apareceu primeiro e mais que todo mundo. grande fã do capitão américa. talita comentou que esse ator de hulk parece brasileiro, e também achei, sei lá. ele parece gente normal.

iron man 3 (2013)
um terrorista que se chama de "o mandarim" ameaçando o presidente dos eua e fazendo uma série de ataques que ele chama de "lições". era só um ator bestão servindo de rosto pro vilão real, um cara que queria conversar com tony na suíça em 1999 e que ele abandonou no telhado. ele desenvolveu um negócio junto com a cientista com quem tony ficou na mesma noite que regenera e melhora o código genético das pessoas, num processo que envolve elas ficando quentes feito lava e se explodindo nos ataques terroristas às vezes. tony tinha ameaçado o mandarim, dado até o endereço da casa dele, e claro que recebe um bombardeio em troca. tinha feito dezenas de armaduras, uma delas especialmente pra vestir pepper e proteger ela. tony acaba indo parar em outro estado pra investigar um dos caras que se explodiu, recebe ajuda de um garotinho, fica tendo crise de ansiedade e nova york vira trigger, etc etc. no fim faz cirurgia pra finalmente arrumar direito o negócio dos estilhaços no coração e supostamente joga o mini-reator no porto onde a casa ficava antes. o vilão morre, pepper (que recebeu o negócio de regeneração doido e ficou toda lutadora pra proteger tony) aparentemente volta ao normal (não sei como), o garotinho recebe um bocado de equipamento de última geração como recompensa... nada de mais, bem homem de ferro em conflito existencial, mais humano. tem a coisa das armaduras todas se autocontrolarem (jarvis, né) pra lutar com os caras-lava.

thor: the dark world (2013)
me pergunto por que as pessoas querem esses filmes de herói cheio de pancadaria e tiros e destruição. gastar um bocado só pra isso, as mesmas coisas sempre, raramente com alguma história boa pra se tirar disso. até quando é sobre deuses nórdicos eles conseguem enfiar umas naves e tecnologia que solta tiros e raios laser, véi. um tal de éter que é uma arma de destruição do mundo, que transforma toda matéria em matéria escura; coisa de uns tais elfos negros (dark elves) que reinavam no começo do universo e querem voltar. natalie portman descobre um lugar onde a gravidade tá meio doida e tem um portal doido e acaba indo pra onde esse éter foi escondido pelo pai de odin na guerra contra os elfos; claro que ela toca no negócio e ele entra nela, causando explosões em quem toca nela depois. pensei que ia ver uma natalie portman do mal, que é raro, mas nem isso; tiraram dela antes. loki fingindo a própria morte pra no final fingir ser odin e assumir o trono; não mostra como fez essa parte, só thor admitindo que não saberia ser rei e prefere ficar defendendo os mundos e beijando natalie portman. o tal erik, cientista do primeiro filme que foi controlado por loki nos vingadores, tá meio doido; melhor cena é thor chegando com natalie na terra e falando pra ele que loki tava morto, e ele "graças a deus" ahsuh. e thor deixando mjölnir pendurado junto com casacos. de resto é só loucura de portais e o martelo correndo pelo universo pra ir pra onde thor tá e os elfos destruindo as coisas e matando a esposa de odin (que não é freya, mas frigga. como assim). isso tudo envolvia todos os 9 realms, incluindo a terra; por que pra isso não precisou dos vingadores? no fim os amigos de thor dão o éter (acho) pra um tal de colecionador, que diz "uma já foi. agora faltam 5"... mencionaram alguma coisa de gema do infinito, sei lá, coisa do próximo filme pelo jeito.

captain america: the winter soldier (2014)
explosão, destruição, gente apanhando. sabia que o amigo de steve rogers ia voltar do mal, só não sei onde ou quando descobri isso. no começo ele trabalhando com natasha pra uma tal de s.t.r.i.k.e., e ela com uma missão diferente dele (recuperar informações sigilosas da s.h.i.e.l.d.); logo nick fury é atacado só pra fazerem uma perseguição de carro absurda (ele foge fazendo um buraco no asfalto com um sabre de luz), aparece no apartamento de steve e "morre" na cirurgia (volta com hill escondido num tipo de caverna ou sei lá). steve e natasha nessa de fugir da própria s.h.i.e.l.d. e descobrir qual é disso tudo; claro que era um negócio mentiroso da zorra: a mente do dr. zola feiudo lá da hidra conservada num bocado de computador velho. ele fez um algoritmo que analisa a vida toda da pessoa e consegue prever o futuro dela, pra decidir se é uma ameaça à hidra (que resistiu infiltrada na s.h.i.e.l.d. etc etc) e matar o quanto antes. tão fazendo uma arma que usa satélites pra localizar alvos, e planejam matar 20 milhões de pessoas pra "proteger 7 bilhões". ah, steve faz um novo amiguinho, sam, que lutava pro exército com um traje que voava (falcão). eles dois mais viúva negra (com ajuda de nick e hill – ah, ela apareceu em os vingadores, robin! massa) se infiltram no prédio de nome feio da s.h.i.e.l.d., avisam geral sobre o que tá acontecendo e lutam com os maus. steve no final se recusando a atacar buck, que é esse soldado invernal (quando caiu do trem foi recuperado pela hidra, que afinal tinha feito uns experimentos nele quando ficou capturado antes de steve resgatar a galera, né). a cena pós-créditos é um negócio que não entendi nada, com aquela ladainha de falar tipo "hidra, s.h.i.e.l.d., eles acabaram mas ~nós~ somos maiores" e blá blá blá, mostrando uns tais de gêmeos parecendo mutantes.

guardians of the galaxy (2014)
começa com a mãe de um menino, peter, morrendo de câncer. ele não pega na mão dela e ela diz que um dia o pai dele ia buscá-lo, algo sobre ele (o pai) ser um anjo (não sei o quão metafórico é isso). ele sai correndo do hospital e é abduzido, e corta pra 20 e tantos anos depois, ele sendo um saqueador e pegando um tal de orbe. isso é uma bolota que guarda uma das joias do infinito, capaz de destruir uma civilização inteira só de tocar o chão do planeta. quem quer isso é ronan, um cara azul dessa raça ou sei lá kree, que trabalhava pro titã thanos mas se rebela contra ele pra ser o próprio vilãozão. peter é preso junto com rocket (um guaxinim), groot (uma árvore) e gamora (uma mulher verde filha de thanos, adotiva na verdade, que tá é traindo ele e ronan). eles concordam em se ajudar a fugir da prisão pra venderem o orbe pro colecionador (aquele que já tem o éter) e dividirem o dinheiro, e arranjam um tal de drax (fortão cinza e vermelho que usa palavras difíceis) na fuga. engraçado rocket explicando o plano e groot indo logo pra parte prática, tendo que apressar tudo. no fim eles conseguem o apoio dos saqueadores pra lutar contra ronan, avisam o país/cidade que ele quer destruir e recebem ajuda da patrulha/polícia de lá também, e recuperam a joia com peter segurando, apesar dele ser matéria orgânica (o que, tecnicamente, o negócio destrói – precisa de um grande poder pra usá-la e tal). no fim ele descobre que é só metade terráqueo, que o pai é antigo como o universo, mas não diz quem é. enganam o líder dos saqueadores que criou peter e deixam a joia com a cidade salva, viram os guardiões da galáxia. legalzinho até, umas músicas dos anos 70 numa fita que a mãe fez pra peter, personagens engraçados. muitos personagens apresentados, meio difícil, mas melhorzinho que os outros filmes por enquanto.

avengers: age of ultron (2015)
eles todos recuperando o cetro de loki e enfrentando os gêmeos. o menino é super rápido e a menina tem poder de telecinese e controle de mentes. ela faz tony stark ter uma visão dos medos dele, mas acaba que isso faz ele ir adiante num plano doido de proteger o mundo de ataques como o de nova york. de novo essa coisa de prevenir guerras gerar problemas por antecipação, falta de liberdade, etc. ele descobre dentro da joia do cetro uma inteligência artificial feito jarvis, mas bem mais desenvolvida. aí acha uma boa ideia integrar a nova a ele, mas o que acontece é que a nova ataca jarvis (sei lá como) e vira o vilão, ultron. tá em todo lugar, acessando internet e tudo feito jarvis mesmo, e ainda habitando corpos de metal feito as armaduras de tony. usa uma doutora coreana pra fabricar tecido orgânico pra fazer um corpo, que acaba sendo pego pelos vingadores antes que ele faça a transferência. tony aproveita pra botar jarvis no lugar, e thor ajuda dando a energia com um raio (tinham tentado interromper de novo). o resultado tem a voz de jarvis, mas finalmente o ator aparecendo (é aquele branquelo do código da vinci); parece uma versão pacífica de ultron, e eles sabem que podem confiar nele porque o cara levanta o martelo de thor... então é digno, sem discussão. ultron juntou um bocado de vibranium (que dessa vez tony explica que vem de wakanda!) e tá fazendo um meteoro que vai usar pra destruir o mundo, porque não vê diferença entre salvação e condenação da humanidade. quer que o ser humano evolua. no fim a cidade inteira de sokovia é explodida, a galera corre pra salvar as pessoas, o menino rápido morre e gavião arqueiro (que tem uma família isolada no campo) não (apesar de parecer muito que ia), hulk some (começo de romance com natasha, um negócio de canção de ninar pra trazer bruce de volta, etc), thor já fala que parece ter gente mexendo com as joias do universo... nada mencionado sobre como se informaram sobre a joia de guardiões da galáxia. no final aparece thanos. coiseirada da zorra.

magra de ruim (sirlanney)
esperava mais, mas já tinha visto umas reviews no skoob falando que era só um compilado de artes dela através dos anos, e não uma hq sequencial. não gosto tanto do traço de sirlanney também, e os assuntos são sempre similares, sei lá. fala bastante de ser ruim no que faz, não ganhar dinheiro, estar deprimida, sexo. gostei de um que fez citando trópico de câncer de henry miller, em que o autor ou o narrador diz que toda a literatura já saiu dele, que não há mais livros a escrever, e que agora é o homem mais feliz do mundo, mesmo não tendo dinheiro, recursos ou esperança. fiquei pensando sobre essa ideia da arte que uma pessoa é capaz de produzir terminar, se libertar dela; interessante. me identifiquei com uns quadrinhos sobre procrastinação e não conseguir fazer nada. alguém fala no começo que sirlanney é bi, mas no livro todo só tem uma vez que ela fala de mulheres; o resto é tudo homem, paixão por homem, sexo com homem... pena.

sábado, 30 de novembro de 2019

lidos (3) e assistidos (6) em novembro

als wir träumten (2015)
único filme da mini-mostra em comemoração aos 30 anos da queda do muro de berlim que vi. norma que montou, esse foi o último dia/filme de 3. baseado num livro de mesmo nome, que ela disse gostar muito. sobre a juventude de um grupo de amigos nos tempos seguintes à queda do muro, em leipzig (norma estudou lá, acho que é de lá também). muita doideira, carros roubados, direção alcoolizada, destruição de coisas. uns se envolvem com drogas, um vendendo e outro se viciando (esse morre). o principalzinho fica preso por uns meses, intencionalmente, pra ver se melhorava as coisas pra mãe e pra vida. apanhou feio de uma gangue (skinheads?) de gente otária, só porque gostava da namoradinha de um. "Sternchen", estrelinha. reconheci várias coisas em alemão, mas não dava pra anotar tudo. quem sabe assistindo de novo. mas a música tema é muito boa!

paprika (2006)
vi de novo com talita pra poder fazer review. um aparelho que pode ver os sonhos das pessoas, controlar, sei lá. paprika é essa mulher que consegue entrar nos sonhos, conversar, fazer qualquer coisa. depois de um tempo de filme dá pra entender que ela é a cientista séria da empresa que fabrica esse aparelho, mas ainda não sei por que ela tem essa capacidade extra. um dos caras que trabalhava no negócio rouba ele e usa pra criar um sonho/delírio coletivo absurdo. difícil dizer o sentido das coisas nesse filme. o gordão que gosta da mulher (paprika) também cai no sono infinito nesse sonho doido. a cidade toda um caos. no fim é o velho nojento diretor da empresa que tá tramando coisa, usa outro cientista do grupo pra conseguir as coisas, cena agoniante dele arrancando a "roupa" de paprika da mulher, rasgando a pele dela pregada como borboleta numa mesa. tudo muito surreal. gosto da trilha sonora, pra variar. massa e confuso os encontros virtuais (?) do policial com paprika no barzinho. e no fim ele perseguindo a si próprio, suicídio ou ele matando o amigo, etc.

die legende von paul und paula (1975)
esses dois moram na mesma rua, um de frente pro outro, em prédios. paula trabalha um bocado, tem uma filha criança e um filho menorzinho. não tem marido, não sei por quê. um dia sai pra curtir de noite e vê paul no clube. acho que ele tá com a mulher e dança com ela, ou com outra pessoa, e um velho feio com paula. mas no final, indo embora, o próprio velho troca e eles saem juntos. ficam de amor e sexo e se vêem de vez em quando. paula toda dramática, emocionada num concerto de cordas, aplaudindo antes de terminar e tudo. numa vez prepara toda uma recepção pra paul na casa dela, junta camas, enche de comida... nojentinho aquela mistura de comida e sexo, mas é breve. alguma coisa sobre a família dela ser meio doidinha, ter coisa de barco, sei lá. o filho pequeno morre atropelado, se não me engano. em algum momento ela engravida e o médico diz que ela pode morrer se tiver o filho, mas ela não se importa. por quê, véi? sério que precisa de uma criança no romance? claro que ela morre e o cara fica com os filhos que sobraram, né. o ator que faz paul é ulrich velho em dark!

einheit spd-kpd (1946)
sei lá, alguma coisa sobre a união dessas duas coisas na alemanha. dois partidos, um comunista e outro socialista. curtinho, uns 15 minutos, vi errado esperando que fosse die mauer.

die mauer (1990)
sobre a queda do muro de berlim. foi o segundo filme da mini-mostra. umas movimentações ao redor do muro, gente levando pedaço de recordação (aquela história de que tio jr. tem um, mas nunca se sabe da veracidade). turistas virando o ano novo lá. gente subindo de um jeito confuso, como se fosse só um degrauzão num pedaço. e as máquinas tirando as placas inteiras, como que já pensando em botar em museu. interessante, doido de pensar. ficou 30 anos de pé, né.

wer die erde liebt (1973)
pelo que eu entendi é um documentário sobre um tal festival da juventude da alemanha soviética que aconteceu nesse ano em berlim oriental. angela davis tava lá, jovem, altona né. falou em alemão no microfone. mensagens de incentivo e inspiração, felicidade pelo socialismo e sei lá. um bocado de apresentações musicais, gente com cara de hippie, falas anti-imperialistas. reconheci frases como "Frieden für alle", "Solidarität mit dem Vietnamesischen Volk", "Revolutionares Völke der Welt", "Die Jugend der DDR grüßt" e "Die Jugend der Welt". umas músicas/gritos tipo "Wir, wir, wir! Und zusammen!" e "Solidarität / Das ist unser Lied". num momentinho breve, em que se via a multidão filmada de cima, achei uma bandeira do brasil dançando lá no meio.

read this outside (joseph kendrick)
li duas vezes, a segunda traduzindo (revisão de talita). planos de alguma hora fazer uma versão em português. mas na verdade nem tudo é bom: tem uma página inteira sobre steve roggenbuck e outra sobre durianriders, e atualmente os dois foram acusados de abuso ou coisa pior. bom as partes sobre a vida de joseph, como a viagem de bicicleta em que acampou na floresta. excesso de falação sobre lil b the based god, mas engraçado. difícil entender se a tradução devia ser informal ou não muito, porque joseph faz umas frases tão bem feitinhas... caça-palavras que na verdade tem os opostos das palavras que ele coloca na lista de encontrar, que são coisas ruins. não esperava que todos os livros que ele recomenda no "further reading" teriam traduções em português. coisa de budismo e mindfullness. coisa de anotar sonho pra ter sonho lúcido, uns melhores momentos também. tô voltando a anotar, deu uma reanimada.

1984 (george orwell)
demorei pra ler por causa da faculdade e da vida, mas puta merda, que livro bom. já tinha certas espectativas por ser o que é, mas superou demais, nunca que eu poderia esperar qualquer coisa daquilo. tudo muito perfeito, bem pensado, meticulosamente planejado. é o extremo da distopia; não tem como qualquer outra coisa ser mais absurdamente completo do que 1984. anotei tanta citação que deu quase outro livro, mas por elas dá pra ter uma noção do que é essa história. o livro de o'brien, véi, come pode. o fim é muito bom também. acho que não vou esquecer de nada desse livro. foi massa ler em inglês também, bem tranquilo, gostei bastante do ritmo.

"Don't you see that the whole aim of Newspeak is to narrow the range of thought? In the end we shall make thoughtcrime literally impossible, because there will be no words in which to express it. (...) Every year fewer and fewer words, and the range of consciousness always a little smaller. Even now, of course, there's no reason or excuse for committing thoughtcrime. It's merely a question of self-discipline, reality-control. But in the end there won't be any need for that. The Revolution will be complete when the language is perfect. (...)"
"Even the literature of the Party will change. Even the slogans will change. How could you have a slogan like 'freedom is slavery' when the concept of freedom has been abolished? The whole climate of thought will be different. In fact there will be no thought, as we understand it now. Orthodoxy means not thinking—not needing to think. Orthodoxy is unconsciousness."
Quickly, with an occasional crackle of twigs, they threaded their way back to the clearing. When they were once inside the ring of saplings she turned and faced him. They were both breathing fast, but the smile had reappeared round the corners of her mouth. She stook looking at him for an instant, then felt at the zipper of her overalls. And, yes! It was almost as in his dream. Almost as swiftly as he had imagined it, she had torn her clothes off, and when she flung them aside it was with that same magnificent gesture by which a whole civilization seemed to be annihilated. (...)
"Listen. The more men you've had, the more I love you. Do you understand that?"

"Yes, perfectly."

"I hate purity. I hate goodness. I don't want any virtue to exist anywhere. I want everyone to be corrupt to the bones."
"Well, then, I ought to suit you, dear. I'm corrupt to the bones."
"You like doing this? I don't mean simply me; I mean the thing in itself?"
"I adore it."
That was above all what he wanted to hear. Not merely the love of one person, but the animal instinct, the simple undifferentiated desire: that was the force that would tear the Party to pieces.
(...) In the old days, he thought, a man looked at a girl's body and saw that it was desirable, and that was the end of the story. But you could not have pure love or lust nowadays. No emotion was pure, because everything was mixed up with fear and hatred. Their embrace had been a battle, the climax a victory. It was a blow struck against the Party. It was a political act.
She began to enlarge upon the subject. With Julia, everything came back to her own sexuality. As soon as this was touched upon in any way she was capable of great acuteness. Unlike Winston, she had grasped the inner meaning of the Party's sexual puritanism. It was not merely that the sex instinct created a world of its own which was outside the Party's control and which therefore had to be destroyed if possible. What was more important was that sexual privation induced hysteria, which was desirable because it could be transformed into war fever and leader worship. The way she put it was: "When you make love you're using up energy; and afterwards you feel happy and don't give a damn for anything. They can't bear you to feel like that. They want you to be bursting with energy all the time. All this marching up and down and cheering and waving flags is simply sex gone sour. If you're happy inside yourself, why should you get excited about Big Brother and the Three-Year Plans and the Two Minutes Hate and all the rest of their bloody rot?" That was very true, he thought. There was a direct, intimate connection between chastity and political orthodoxy. For how could the fear, the hatred, and the lunatic credulity which the Party needed in its members be kept at the right pitch except by bottling down some powerful instinct and using it as a driving force? The sex impulse was dangerous to the Party, and the Party had turned it to account. They had played a similar trick with the instinct of parenthood. The family could not actually be abolished, and, indeed, people were encouraged to be fond of their children in almost the old-fashioned way. The children, on the other hand, were sistematically turned against their parents and taught to spy on them and report their deviations. The family had become in effect an extension of the Thought Police. It was a device by means of which everyone could be surrounded night and day by informers who knew him intimately.
(...) From the moment when the machine first made its appearance it was clear to all thinking people that the need for human drudgery, and therefore to a great extent for human inequality, had disappeared. If the machine were used deliberately for that end, hunger, overwork, dirt, illiteracy, and disease could be eliminated within a few generations. And in fact, without being used for any such purpose, but by a sort of automatic process—by producing wealth which it was sometimes impossible not to distribute—the machine did raise the living standards of the average human being very greatly over a period of about fifty years at the end of the nineteenth and the beginning of the twentieth centuries.But it was also clear that an all-round increase in wealth threatened the destruction—indeed, in some sense was the destruction—of a hierarchical society. In a world in which everyone worked short hours, had enough to eat, lived in a house with a bathroom and a refrigerator, and possessed a motorcar or even an airplane, the most obvious and perhaps the most important form of inequality would already have disappeared. If it once became general, wealth would confer no distinction. It was possible, no doubt, to imagine a society in which wealth, in the sense of personal possessions and luxuries, should be evenly distributed, while power remained in the hands of a small privileged caste. But in practice such a society could not long remain stable. For if leisure and security were enjoyed by all alike, the great mass of human beings who are normally stupefied by poverty would become literate and would learn to think for themselves; and when once they had done this, they would sooner or later realize that the privileged minority had no function, and they would sweep it away. In the long run, a hierarchical society was only possible on a basis of poverty and ignorance.
(...) And at the same time the consciousness of being at war, and therefore in danger, makes the handing-over of all power to a small caste seem the natural, unavoidable condition of survival.War, it will be seen, not only accomplishes the necessary destruction, but accomplishes it in a psychologically acceptable way. In principle it would be quite simple to waste the surplus labor of the world by building temples and pyramids, by digging holes and filling them up again, or even by producing vast quantities of good and then setting fire to them. But this would provide only the economic and not the emotional basis for a hierarchical society. (...)
(...) The problem is the same for all three superstates. It is absolutely necessary to their structure that there should be no contact with foreigners except, to a limited extent, with war prisoners and colored slaves. Even the official ally of the moment is always regarded with the darkest suspicion. War prisoners apart, the average citizen of Oceania never sets eyes on a citizen of either Eurasia or Eastasia, and he is forbidden the knowledge of foreign languages. If he were allowed contact with foreigners he would discover that they are creatures similar to himself and that most of what he has been told about them is lies. The sealed world in which he lives would be broken, and the fear, hatred, and self-righteousness on which his morale depends might evaporate. It is therefore realized on all sides that however often Persia, or Egypt, or Java, or Ceylon may change hands, the main frontiers must never be crossed by anything except bombs.
(...) The best books, he perceived, are those that tell you what you know already. (...)
In principle, membership in these three groups is not hereditary. The child of Inner Party parents is in theory not born into the Inner Party. Admission to either branch of the Party is by examination, taken at the age of sixteen. Nor is there any racial discrimination, or any marked domination of one province by another. Jews, Negroes, South Americans of pure Indian blood are to be found in the highest ranks of the Party, and the administrator of any area are always drawn from the inhabitants of that area. In no part of Oceania do the inhabitants have the feeling that they are a colonial population ruled from a distant capital. Oceania has no capital, and its titular head is a person whose whereabouts nobody knows. Except that English is its chief lingua franca and Newspeak its official language, it is not centralized in any way. Its rulers are not held together by blood ties but by adherence to a common doctrine. (...)
The alteration of the past is necessary for two reasons, one of which is subsidiary and, so to speak, precautionary. The subsidiary reason is that the Party member, like the proletarian, tolerates present-day conditions partly because he has no standards of comparison. He must be cut off from the past, just as he must be cut off from foreign countries, because it is necessary for him to believe that he is better off than his ancestors and that the average level of material comfort is constantly rising. But by far the more important reason for the readjustment of the past is the need to safeguard the infallibility of the Party. It is not merely that speeches, statistics, and records of every kind must be constantly brought up to dat in order to show that the predictions of the Party were in all cases right. It is also that no change of doctrine or in political alignment can ever be admitted. For to change one's mind, or even one's policy, is a confession of weakness. (...)
The mutability of the past is the central tenet of Ingsoc. Past events, it is argued, have no objective existence, but survive only in written records and in human memories. The past is whatever the records and the memories agree upon. And since the Party is in full control of all records, and in equally in full control of the minds of its members, it follows that the past is whatever the Party chooses to make it. It also follows that though the past is alterable, it never has been altered in any specific instance. For when it has been re-created in whatever shape is needed at the moment, then this new version is the past, and no different past can ever have existed. This holds good even when, as often happens, the same event has to be altered out of recognition several times in the course of a year. At all times the Party is in possession of absolute truth, and clearly the absolute can never have been different from what it is now. It will be seen that the control of the past depends above all on the training of memory. To make sure that all written records agree with the orthodoxy of the moment is merely a mechanical act. But it is also necessary to remember that events happened in the desired manner. And if it is necessary to rearrange one's memories or to tamper with written records, then it is necessary to forget that one has done so. The trick of doing this can be learned like any other mental technique. It is learned by the majority of Party members, and certainly by all who are intelligent as well as orthodox. In Oldspeak it is called, quite frankly, "reality control." In Newspeak it is called doublethink, although doublethink comprises much else as well.
"But how can you stop people remembering things?" cried Winston, again momentarily forgetting the dial. "It is involuntary. It is outside oneself. How can you control memory? You have not controlled mine!"

O'Brien's manner grew stern again. He laid his hand on the dial. "On the contrary," he said, "you have not controlled it. That is what has brought you here. You are here because you have failed in humility, in self-discipline. You would not make the act of submission which is the price of sanity. You preferred to be a lunatic, a minority of one. Only the disciplined mind can see reality, Winston. You believe that reality is something objective, external, existing in its own right. You also believe that the nature of reality is self-evident. When you delude yourself into thinking that you see something, you assume that everyone else sees the same thing as you. But I tell you, Winston, that reality is not external. Reality exists in the human minds, and nowhere else. Not in the individual mind, which can make mistakes, and in any case soon perishes; only in the mind of the Party, which is collective and immortal. Whatever the Party holds to be truth is truth. It is impossible to see reality except by looking through the eyes of the Party. That is the fact that you have got to relearn, Winston. It needs an act of self-destruction, an effort of the will. You must humble yourself before you can become sane."
O'Brien smiled slightly. "You are a flaw in the pattern, Winston. You are a stain that must be wiped out. Did I not tell you just now that we are different from the persecutors of the past? We are not content with negative obedience, not even with the most abject submission. When finally you surrender to us, it must be of your own free will. We do not destroy the heretic because he resists us; so long as he resists us we never destroy him. We convert him, we capture his inner mind, we reshape him. We burn all evil and all illusion out of him; we bring him over to our side, not in appearance, but genuinely, heart and soul. We make him one of ourselves before we kill him. It is intolerable to us that an erroneous thought should exist anywhere in the world, however secret and powerless it may be. Even in the instant of death we cannot permit any deviation. In the old days the heretic walked to the stake still a heretic, proclaiming his heresy, exulting it. Even the victim of the Russian purges could carry rebellion locked up in his skull as he walked down the passage waiting for the bullet. But we make the brain perfect before we blow it out. The command of the old despotisms was 'Thou shalt not.' The command of the totalitarians was 'Thou shalt.' Our command is 'Thou art.' No one whom we bring to this place ever stands out against us. Everyone is washed clean. (...)

hamoni (monge han)
dá pra ler no perfil dele. sobre a avó coreana, quando ela tava morrendo. fala de como ela era o centro da família, dos impasses pelas línguas diferentes, do quanto se sentiu enxergado na última vez que se olharam. ele tem essa coisa de desenhar três olhos, só um aberto, e quando a pessoa tá morrendo os outros abrem; interessante, queria saber se tem alguma crença envolvida ou é só artístico. bem bonito o quadrinho, triste. curtinho.

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

lidos (5) e assistidos (6) em outubro

the good place S02 (2017-2018)
resolvemos terminar de ver the good place e até que foi melhor do que a gente esperava. começa com tudo recomeçando, eleanor recebendo o próprio bilhete e tentando entender o que é chidi. ele tá tendo que escolher entre duas mulheres que supostamente poderiam igualmente ser sua alma gêmea. tahani tá com um cara baixinho que mora numa casa minúscula. jason tá de alma gêmea com um monge igual jianyu, que não deixa ele sozinho nunca. queriam que eleanor causasse na festa de boas vindas mas quem faz isso é tahani. de alguma forma eles se reúnem todos em pouquíssimo tempo e eleanor descobre que é o bad place, e michael recomeça de novo, sem shawn saber (ele não tinha permitido mais que duas tentativas). isso acontece centas de vezes. vicky, que era a eleanor de verdade antes, tá insatisfeita com os papéis menores que recebe, e ameaça de contar dos inúmeros reboots que michael fez se ele não deixar ela no controle a partir da coisa seguinte. mas acaba que ele conta pros humanos dessa situação, pedindo ajuda, e eles se unem. eleanor fica sabendo por mindy que já ficou com chidi numas vezes e fica com "efeito verônica" (passa a imaginar eles juntos e começa a gostar dele, sendo que antes não tinham nada). michael começa a tomar aulas de ética com eles, sofre uma crise existencial huahs, aprende umas coisas humanas. jason e tahani dormem juntos e passam a namorar, tendo janet como terapeuta de casal, mas aí ela começa a dar defeito e descobrem que é por causa do que teve com jason no passado, que ela não pode mentir (fingir estar ok com o relacionamento dele e tahani). ela cria um tal de derek pra ser o namorado de consolo dela, todo bestão, e depois de resolverem tudo mandam ele com cocaína pra mindy haush. shawn aparece pra elogiar michael e diz que vão adotar o plano de tortura dele, e seguindo umas coisas que michael deixa passar enquanto age como demônio ruinzão os humanos se juntam a ele pra tentar ir pro good place, mas ele nunca soube como. tahani quer "falar com o gerente" e resolvem fazer isso mesmo, ir até a juíza do universo pra apresentarem o caso e ver o que ela acha. os humanos (exceto eleanor, mas ela finge que não) falham no teste que ela dá a eles e são condenados ao bad place mesmo, mas michael argumenta que o sistema de pontos deve estar corrompido e propõe que recomecem a linha do tempo deles, salvando-os da morte e vendo se melhorariam dali em diante. eleanor melhora por uns meses, preocupada com o mundo, mas perde o entusiasmo, e michael secretamente vai encontrá-la tentando fazer com que os quatro se encontrem de novo.

the good place S03 (2018-2019)
michael vai pra terra inúmeras vezes, pra interferir um pouco em cada um dos quatro humanos, até que se encontrem. chidi começa um estudo com uma neurocienstista legal, simone, pra saber o impacto de experiências de quase morte na tomada de decisões das vítimas (só os quatro participam, parece). ele começa a dar aula de ética pra eles também, porque eleanor queria ser uma pessoa melhor, mas não vejo muito sentido nisso. chidi começa a namorar simone. ah, aquele demônio (o diabo?) trevor aparece pra ser parte do estudo também, e tenta afastá-los dizendo que a amizade deles pode interferir, tentando fazer tahani e jason ficarem, sendo animado exagerado, mas acaba que não consegue. a juíza descobre e quer terminar o experimento, mas michael e janet fogem pra terra. bobeira isso que ela não pode fazer nada (ou só não faz nada), e que ela não sabe das coisas antes mesmo sendo a poderosa juíza do universo. um monte de interferência dos dois até que os humanos os descobrem, eles revelam a realidade, explicam como funciona o tempo (jeremy bearimy, o pingo do i sendo terças-feiras e julho, acho, e nunca haushus). todos passam um tempo fazendo algo separados – chidi doido fazendo chili com doces e falando de consequencialismo e niilismo, tahani se casando com jason pra dar seu dinheiro a ele e doando um bocado pra gente na rua, eleanor devolvendo a carteira e os cacareco de um cara. ela descobre que a mãe não morreu, mas sim fingiu ter morrido pra não pagar um dívida, e que agora tá bem mais responsável; se sente mal por não ter recebido as partes boas mas depois fica ok. simulador de realidade virtual de janet onde chidi tenta terminar com simone e eleanor dá em cima dela hsuhs. tahani faz as pazes com a irmã, que também tem complexo com os pais e a coisa da competição entre elas. todos vão até o canadá pra que michael e janet conheçam doug forcett, aquele cara que acertou uns 90% de como o pós-vida realmente funcionava, mas o esforço exagerado dele em ganhar pontos positivos faz dele uma pessoa miserável. os demônios vão pra terra atrás deles e eles brigam, janet toda lutadora, e no fim vão os seis pro vácuo de janet. os humanos ficam todos com a aparência dela huahs. michael e ela vão falar com os contabilizadores de pontos e vêem que faz centenas de anos que ninguém vai pro good place, e acha que o bad place tá trapaceando algo, mas na real é que as coisas só foram ficando mais e mais complicadas e praticamente nenhum ponto positivo fica integral, sempre tem desconto de mil coisas ruins relacionadas. ihop e tahani com um bicho verde lesmento que alteram a realidade pra parecer uma echarpe, mas ela não pode tocar haush. a juíza vai à terra e vê como é tudo horrível mesmo, e decidem refazer o experimento do bairro de michael com novos participantes. jason começa a namorar janet e eleanor, chidi. um romancezinho desnecessário até terem que apagar as memórias de chidi porque escolheram simone pro novo experimento, e ele pode arruinar tudo. eleanor como arquiteta porque michael tá tendo crise de pânico.

ideias para adiar o fim do mundo (ailton krenak)
livro que esse pensador indígena lançou nesse ano, compilando umas falas que ele fez em eventos. comprei pra dar pra tati e pra casa do mato, já que ela e rômulo sempre falam dele. li antes de entregar a ela porque é curtinho. gostei de ele ter dito umas coisas meio pró-apocalipse, de querer que acabe o mundo mesmo, apesar do título. ele também diz o que acha que ajudaria a melhorar, mas no geral foram coisas importantes de lembrar e pensar. destaquei vários trechos e eles resumem bem do que se trata:

A ideia de que os brancos europeus podiam sair colonizando o resto do mundo estava sustentada na premissa de que havia uma humanidade esclarecida que precisava ir ao encontro da humanidade obscurecida, trazendo-a para essa luz incrível. Esse chamado para o seio da civilização sempre foi justificado pela noção de que existe um jeito de estar aqui na Terra, uma certa verdade, ou uma concepção de verdade, que guiou muitas escolhas feitas em diferentes períodos da história. (p.11)
Por que nos causa desconforto a sensação de estar caindo? A gente não fez outra coisa nos últimos tempos senão despencar. Cair, cair, cair. Então por que estamos grilados agora com a queda? Vamos aproveitar toda a nossa capacidade crítica e criativa para construir paraquedas coloridos. Vamos pensar no espaço não como um lugar confinado, mas como o cosmos onde a gente pode despencar em paraquedas coloridos. (p.30)
(...) se nós imprimimos no planeta Terra uma marca tão pesada que até caracteriza uma era, que pode permanecer mesmo depois de já não estarmos aqui, pois estamos exaurindo as fontes da vida que nos possibilitam prosperar e sentir que estávamos em casa, sentir até, em alguns períodos, que tínhamos uma casa comum que podia ser cuidada por todos, é por estarmos mais uma vez diante do dilema a que já aludi: excluímos da vida, localmente, as formas de organização que não estão integradas ao mundo da mercadoria, pondo em risco todas as outras formas de viver – pelo menos as que fomos animados a pensar como possíveis, em que havia corresponsabilidade com os lugares onde vivemos e o respeito pelo direito à vida dos seres, e não só dessa abstração que nos permitimos constituir como 'uma' humanidade, que exclui todas as outras e todos os outros seres. (p.47)
Quando despersonalizamos o rio, a montanha, quando tiramos deles os seus sentidos, considerando que isso é atributo exclusivo dos humanos, nós liberamos esses lugares para que se tornem resíduos da atividade industrial e extrativista. Do nosso divórcio das integrações e interações com a nossa mãe, a Terra, resulta que ela está nos deixando órfãos, não só aos que em diferente graduação são chamados de índios, indígenas ou povos indígenas, mas a todos. (p.49)
Se já houve outras configurações da Terra, inclusive sem a gente aqui, por que é que nos apegamos tanto a esse retrato com a gente aqui? (...) Essa configuração mental é mais do que uma ideologia, é uma construção do imaginário coletivo – várias gerações se sucedendo, camadas de desejos, projeções, visões, períodos inteiros de ciclos de vida dos nossos ancestrais que herdamos e fomos burilando, retocando, até chegar à imagem com a qual nos sentimos identificados. (...) O fim do mundo talvez seja uma breve interrupção de um estado de prazer extasiante que a gente não quer perder. (p.58)
De que lugar se projetam os paraquedas? Do lugar onde são possíveis as visões e o sonho. (...) Não o sonho comumente referenciado de quando se está cochilando ou que a gente banaliza "estou sonhando com o meu próximo emprego, com o próximo carro", mas que é uma experiência transcendente na qual o casulo do humano implode, se abrindo para outras visões da vida não limitada. Talvez seja outra palavra para o que costumamos chamar de natureza. Não é nomeada porque só conseguimos nomear o que experimentamos. O sonho como experiência de pessoas iniciadas numa tradição para sonhar. (...) São lugares com conexão com o mundo que partilhamos; não é um mundo paralelo, mas que tem uma potência diferente. (p.65)
Quando, por vezes, me falam em imaginar outro mundo possível, é no sentido de reordenamento das relações e dos espaços, de novos entendimentos sobre como podemos nos relacionar com aquilo que se admite ser a natureza, como se a gente não fosse natureza. (p.67)

allure (2017)
aquela atriz de thirteen e across the universe. tilera revolts mas trabalha de faxineira pra uma empresa e com o pai. vai limpar a casa de uma mulher e ela tem uma filha de 16 anos que toca piano. se interessa por ela, aproveita que ela tem um pôster do nirvana pra falar disso, fica dizendo que tá feliz em ver ela quando vai lá. um dia a mãe da menina (eva) diz a ela que pretende se mudar com o parceiro, e eva não gosta nem quer. laura (a faxineira) consola a menina e diz que ela pode ir morar com ela, e aí começa um negócio doido de laura ser extremamente dependente e controladora. a polícia até procura por eva e laura tranca a menina num quarto porque achou que ela não ligou pro fato de que laura podia ir presa se descobrissem que ela tava lá, porque ela comentou que talvez devesse avisar a mãe que tava bem. laura fica forçando um romance que a coitada nem quer, mas mesmo com os exageros dela eva não consegue ir embora, deve sentir que laura precisa mais dela do que ela de laura. a menina não consegue transar, fica assustada, claro, e laura se prostitui igual no começo da história, mas apanha de um cara que ela tinha humilhado. ela mente e diz que foi o pai, que ele voltou a tocá-la, e bota eva contra ele. o pai até pede perdão pelo que fazia, mostra que se preocupa com laura, mas ela só fode tudo. maltrata o irmão cadeirante também, não quer que eva tenha banda com ele nem sejam amigos, super possessiva e violenta. no final eva se aproveita de um apagão numa piscina que elas tavam e foge, de maiô na neve. termina com laura falando pro pai que tá sozinha e que tá ok com isso, que vai tentar continuar assim e que precisa de distância das pessoas. bom de ser lésbico mas não focado em romance; ficamos refletindo sobre qual seriam os problemas da mulher e tal, se seria a mesma coisa contar a história com um homem no papel dela. doideira.

green book (2018)
um descendente de italianos que trabalha tipo de segurança num bar é contratado por um músico pra ser motorista dele. o músico (don) é negro e o cara (tony) já começa o filme jogando no lixo uns copos de vidro que dois encanadores negros usaram na casa dele depois de um conserto, mas com o músico ele foi bem melhor do que isso fez esperar. tony é nojentão e todo bruto, come se lambuzando enquanto dirige, e vai amolecendo don, que era todo boas maneiras e frescuras chiques. negócio de kfc ser de gente negra e ele nem conhecer. ao longo da tour os dois se aproximam, um aprende com o outro, e no final é massa que don dirige na neve pra conseguir que tony chegue em tempo pro natal com a família, e depois ainda aparece pra passar a ceia junto. todo mundo dando boas-vindas e sendo legal, dá uma esperançazinha. tem umas coisas que metem don em problema, tipo ficar de paquera com outro cara num lugar de piscinas e saunas e nudez. tony ajudando oferecendo dinheiro pra policiais e don ofendido, mas é o que dá pra fazer. eles vão presos uma hora por alguma explosão impulsiva de tony, e don tira eles de lá fazendo uma ligação (também humilhante) pro governador. ah, don toca piano, muito bonito, por sinal. uma bosta que nos lugares que ele toca só tem branco ruim; numa vez ele tava indo pro banheiro dentro da casa e o cara falou que pra ele era lá fora (ele preferiu voltar pro hotel e usar lá). o ápice foi num lugar em cujo restaurante ele não podia comer por causa de uma merda de tradição; tony dá um soco no cara e eles desistem do show lá, porque pelo amor de deus. triste as apresentações em que don tá com machucados na cara de ter apanhado. muito bom que depois dessa do restaurante eles saem pra comer num barzinho simples, mas que tem um pianinho e uns músicos (e muita gente negra); ele começa a tocar lá e fica bem mais feliz e as pessoas admiradas. tudo isso inspirado em história real, uma amizade que foi até os dois morrerem. green book é um livrinho de viagem com lugares "black people-friendly" pra eles pararem.

tamagotchi (2019)
curta lésbico produzido pelas meninas do canal amena, com íris amiga de talita sendo protagonista. um cenário meio futurista, as pessoas fazendo dinheiro vendendo dados, uns números aparecendo em volta das pessoas tipo black mirror. íris (não lembro o nome da personagem) decide desligar o wi-fi e ficar longe da internet um pouco, e logo conhece uma tal de ágata que fica de romancezinho com ela. diálogos irreais e não espontâneos como sempre, do tipo "você quer me perguntar algo?" e a resposta ser "o que você queria ser quando crescesse?" e "você já se apaixonou?"... no fim a mulher some, era só uma funcionária de uma empresa que precisava fazer a menina voltar pra internet, voltar a ficar mal e tomar remédio, dar lucro pra outra empresa. esperava mais. íris tava ok atuando, boa até. de novo ansiosa, que nem aquele curta de camie.

beloved (jaeliu)
manhwa yuri que achei num app que baixei. sobre essa oftalmologista de 34 anos que se envolve com uma menina numa festa, e no outro dia de manhã olhando as coisas dela descobre que ela tem 16 anos. todo lugar que tem o manhwa avisa que a idade de consentimento na china é 14 anos, o que não faz ser menos bizarro, né. acaba que as duas voltam a se ver, a menina nem tem família direito (ou não se preocupam), vai morar com a doutora e tudo. ela tem um amigo gay, também médico, cuja família espera que fique com ela e tal. parece que ela ainda tava tentando superar o término com outra mulher, mais uma médica do mesmo hospital, mó grey's anatomy. muito bonito o traço e as cores, pintado como aquarela. levemente sensual. diz que tá terminado com 18 capítulos mas nenhum lugar passa do 16...

maunder (paula puiupo)
quadrinho que puiupo publicou por essa editora da letônia. uma avó barbiezinha gigante, uma pessoinha com rabinho construindo uma máquina de não sei o quê. conversam sobre acessar o passado, aceitar a realidade. eventually everything will grow out of proportion and merge. even individuality. that's the first thing that goes, really. bonito, uns contornos coloridos como se fosse holográfico ou sei lá, legal o jeito que ela fez. meio sem sentido como sempre, mas gostei. não sabia, mas parece que "maunder" é inglês e significa zombar, falar aereamente, proceder com indiferença, vaguear, divagar.

limite (juarez machado)
carolzinha chegou com esse livro falando que tinha comprado num sebo. nem tem o título na capa, só o nome do autor e da livraria, mas no skoob achei assim, "limite". só tem ilustrações, nas páginas da direita; sobre um homenzinho preso dentro de um quadrinho e tentando sair. atira um canhão e a bola cai no pé dele, bota fogo na bordinha e a fumaça forma uma tempestade, uma fada aparece mas diminui o tamanho do quadrado em vez de resolver. ele se sentindo preso, sonhando com estar livre. até que pinta tudo de preto e sai pela luz da lanterna, só pra ver que tava num quadrado maiorzão. engraçado ele tirando um bocado de ferramentas do nada. uns pézão, mãozona.

split (2016)
finalmente; julia disse que ia ver e fomos junto, apesar de eu estar atrasada em coisas da faculdade. começa com uma menina aparentemente deslocada das outras numa festa de aniversário. o pai de uma delas vai levar elas pras suas casas, mas parando no mercado vem um homem e ataca ele, assume o cara e as sequestra. a menina deslocada (casey) é a mais esperta e calma, observadora; quando ele pega uma delas pra fazer sei lá o que casey diz pra ela se mijar, e com isso a menina consegue se livrar. o cara aparece de outros jeitos, com outras roupas, falando diferente, e logo casey se toca que ele tem alguma coisa (não sei se ela entende totalmente, mas ele tem transtorno dissociativo de identidade). ele vai numa terapeuta e tal, muito boa por sinal, porque sabe que aconteceu alguma mudança nas identidades que dominam, e que outras tão no controle (umas não tão seguras). a questão toda é que eles (os alters) sentem que tem uma nova chegando, algo avassalador e sobrenatural, e precisam das jovens como sacrifícios. eles seguem uma ideia de que quem nunca sofreu nada é impuro, tem que morrer mesmo, e no final é isso que salva casey de ser morta/comida junto com as outras – ela tem cicatrizes de abuso do tio, pelo jeito. não dá pra entender se no fim ela se recusa a ir embora com o tio ou se consegue contar pra policial o que acontece. achei o filme muito bom, apesar dos possíveis problemas que pode relacionar a quem tem o transtorno; acabei voltando a ver um bocado de coisa sobre isso, aqueles vídeos que eu via há anos atrás e tal. chega fiz um trabalho sobre.

esôfago (lana maciel)
livro de poemas que emprestei de mateus (*zênite) sem planejar, só porque uma amiga dela tava devolvendo na mesma hora que a gente tava conversando sobre escrever e poesia. foi bom, melhor do que esperava, até. umas coisas suicidas (talita comentou da contradição de ela falar "venci a depressão" em um poema e ter outro que diz "se minhas rugas puderem aparecer", tipo, se ela conseguir envelhecer sem morrer antes... mas o primeiro pode ser a outra pessoa do poema que falou. enfim), outras parecendo lésbicas. me fez lembrar umas escritas naquela revista que tijn me deu; preciso reler e fazer review. a escritora é conhecida de zênite, e talita reconheceu ela quando o perfil dela apareceu pra mim no facebook. tem uma que fala de "pizzas no macunaíma"; me pergunto se é aquela pizzaria de onde pedimos pizza no fim das reformas da casa do mato. abaixo umas poesias que gostei; cansei de editar infinitamente o negócio de formatar como citação pra ficar bonitinho, vai ficar que nem texto mesmo.

Corpo

tenho os olhos em órbita
pareço estar perdida
enxergo por dentro
o que não entendo por fora

tenho as mãos delicadamente calejadas
a linha do coração é quebrada
mas a linha da vida é contínua
faço cartografia das dores que vivi

tenho o intestino preso
por mentiras e jabuticabas
tenho o intestino preso
porque às vezes me falta
fibra para enfrentar a vida.

A náusea da criação

eu me sinto aqui
com as mãos espalmadas
mostrando as unhas roídas
faço poemas mentais
penso sobre o ritmo
dos astros
e a falta de direção
da minha vida
penso sobre as putas
e o dinheiro que gasto
com roupas livros e comida
à toa
penso sobre as viagens
que planejo e nunca faço
penso sobre o uso dos porquês
e sobre como minha letra fica feia
quando escrevo com pressa
ou escrevo para você
penso que não sei ser prolixa
porque tudo é um tiro
não sou uma dama que finge
sapateio no meio da rua
às três da tarde quando
o sol queima as patas caninas
e os pés dos mendigos
penso que nunca consigo falar
devagar e de maneira organizada
porque penso rápido demais e
abraço o mundo
com inúmeros braços curtos
imitango uma frágil barata.

Meet me in...

se existe reencarnação
quero estar contigo
nas próximas vidas
talvez desejar isso gere um carma
ou mais músicas melodramáticas
mas eu não me importo de passar
mais uma noite ouvindo Belchior
esperando que você realmente queira
viver comigo correr perigo morrer comigo
sei que às vezes minhas palavras cortam
e nosso passado talvez não seja mais
tão limpo e puro como um comercial de sabão em pó
mas acho que nosso domingos ainda provam
que somos uma dupla melhor do que Sandy & Júnior
talvez você goste de mim pelo que sou
talvez eu não precise aprender esperanto
para te convencer a papear comigo mais uma noite
talvez você queira me ouvir tagarelas madrugadas afora
talvez você queira me levar na mala
das curvas de Santos, Marília, Natal e Rio Claro
dentre todos esses talvez
as duas únicas certezas são que ainda quero
escrever para você e segurar sua mão
depois de mais um dia de trabalho
é certo que você não gosta dos meus poemas
e talvez esse poema não devesse existir.
uma respiração dolorida –
ou talvez três anos de cumplicidade
valem mais do que um beijo
e coisas literárias
no fundo eu sempre fujo da autobiografia
no entanto, hoje não quero fugir de você
das pipocas e das pizzas no Macunaíma
hoje não posso esquecer do que sinto
por você.

Diálogos desconexos de duas pessoas que ainda estão conectadas

gatos vira-latas subindo a ladeira de casa. o sol escaldante de almas desérticas. prosa poética cabe em uma xícara de chá? estamos surdos por causa das buzinas no trânsito infernal de são paulo. axilas úmidas, testa brilhando, pequeno ataque cardíaco ao te encontrar subindo e descendo a francisco glicério em busca de um hambúrguer de soja. desvio o olhar – ainda não perdi esse hábito –, tua boca deve estar úmida.

inaugurei meu apartamento semana passada, minhas costas têm 40 anos, só dancei por 15 minutos. que dia é hoje? setembro não chove, agosto passou muito rápido. há quantos anos não nos vemos. você juntou as tralhas, senhora duas caras? deve estar ouvindo norah jones todos os dias.

meu relógio quebrou, o ônibus 600 ainda passa por aqui? mas espera aí, você mal falou de você. preciso ir, parar no próximo bar para vomitar pensamentos em um guardanapo sujo, mais sujo que a minha mão que segura o corrimão do ônibus, o salgado, amarra o sapato e depois rói as unhas cheias de bactérias. preciso beber cerveja glacial, que continua sendo barata assim como eu continuo sendo pobre. hoje é terça-feira, detesto terças-feiras. estamos falando demais – ainda não perdemos esse hábito.

até logo, me telefona quando puder, a gente toma um café. pode ser um chá? não temos mais tempo para prosas poéticas. minha gastrite não me deixa. continuo vomitando, mas venci a depressão. você não está entendendo nada do que eu digo, eu quero ir embora.

aperto de mão leve para disfarçar um coração apertado. nossa ligação é um axioma. teu tênis de andar de skate faz barulho no asfalto. ou esse barulho vem do meu coração? (ou do estômago?)

Matrioskas

minha avó disse uma vez
que os fios que ligam nós
mulheres são ancestrais
não sei se é verdade mas

sei que daria metade
do meu cordão umbilical
para ter a Frida Kahlo
na árvore da minha família

embora eu me esforce
para recuperar
nossa história
ainda sei que falta

especialmente do que vem
de mim e do suor que dedico
tentando me manter respirando
tentando construir uma história

nos escombros do mundo
não sei se o que sobra
do meu corpo é carne ou
coisas que me impuseram

Os últimos latidos

Se minhas rugas puderem aparecer, gostaria que o meu corpo repousasse em uma casa de vó, cheia de cachorros lambendo a própria bunda, lambendo o meu rosto. Também quero chás, água morna e sem gosto, paredes descascadas. Antes de dormir, os pés no chão.
Estou viva.