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segunda-feira, 31 de maio de 2021

assistidos em maio (17)

shadow and bone S01 (2021)

descobri que aquele livro preferido de cindy, six of crows, faz parte do universo dessa série ("grishaverse"), e até seji vai ler os livros pra depois assistir, então fiquei com vontade de ver também. consigo imaginar dani no celular, assistindo isso dublado no horário de almoço da times... fantasia young adult, será que achei o ya que aprovo? finalmente entendendo as referências ao tal darkling, the fold, etc. esse muro de fumaça e monstros dividindo um país ao meio, criado por acidente por um grisha, que é uma pessoa capaz de usar o que chamam de little science pra manipular matéria. acreditam que só o oposto dessa escuridão poderia destruí-la, um grisha sun summoner, e alina acaba sendo essa pessoa. num instante ela é arrancada do amigo com quem cresceu num orfanato e passa a ser perseguida everywhere. um trio de vigaristas com o trabalho de capturá-la, uma galera que persegue e mata grishas porque os considera bruxos do mal, gente que vê alina como santa e gente que quer ela morta... nesse vídeo cindy se pergunta se as pessoas que não leram os livros iam conseguir acompanhar tanta informação sobre personagens, world building e etc logo de cara, e realmente senti os primeiros episódios meio pesados nesse sentido; tava até difícil dar conta das legendas, mas depois foi ficando mais tranquilo (só solidifiquei alguns conhecimentos graças aos destaques no instagram da série). vi comentários apreciando o protagonismo também, a representação de uma pessoa mixed-race e os conflitos a partir disso, só não consegui pegar muito o porquê dos shu serem vistos como inimigos, se quem criou a fenda foi uma pessoa do próprio país de ravka (os shu nem aparecem, na real, né). também vi críticas quanto ao uso do racismo individualizado em vez de sistêmico, considerando que tem vários outros personagens de outras etnias que não recebem nem metade do que alina sofre (esse vídeo foi ótimo). uns nomes eslavos, "moi tsar" e "moya tsaritsa", ketterdam baseada numa amsterdam do passado... fiquei pensando que era só ter uma protagonista lésbica e pronto, ela não ia se deixar seduzir pelo malvado metido a galã (velho demais pra alina, aliás – odeio essas coisas nojentas de "esperei por você a minha vida inteira") e já ia ter outro desenrolar. sempre suspeitei desse cara. príncipe caspian, engraçado. e como seria massa ter amizade no centro de tudo, sem brecha pra romance... bem especial a coisa de alina e mal (bonitinho esse menino, viu?); gostei de como os dois se apoiaram na infância e a explicação pra ela não saber que era grisha. novidade (pra mim) ver homossexualidade ser tratada tão casualmente em fantasia, com a colega no little palace falando de ficar com zoya (what a perfect nose she has) e jesper flertando com o cocheiro e se pegando com ele. pelo que vejo com cindy e etc tá aparecendo muito nessas fantasias jovens mais novas, que não acompanho. no começo tava reparando nas imperfeições de cenário e efeitos, as keftas com mangas meio curtas, o chifre do veado com cara de falso, mas no fim não me importei mais. gosto de inej e me pergunto o que move kaz a se comprometer com a liberdade dela; interessante a fé dela também (o olhar lindo emocionado vendo alina conjurar luz no salãozão!). putz, a nova clavícula de alina, que loucura (nojentinho o pedaço de osso na mão do general). bom os alívios cômicos com jesper, de leve. ficava o tempo todo contando pra ver se ia dar six crows heuhue. será que eles vão ficar unidos? alina tinha era que mudar a aparência, corta esse cabelo, minha filha. claro que o darkling ia sobreviver à fenda, né. ah, nina e matthias; gostei muito da personagem dela, o jeitinho que fala, afiada em toda frase, e como é agradável ver um corpo não padrão!... mas vi gente falando que ela não é plus size de verdade e que a netflix descartou uma oportunidade marcante vinda dos livros, que bosta. esses tropes de enemies to lovers, childhood friends to lovers, me sinto jovem me inteirando dessas coisas kkk. simoneandherbooks acha que vai levar mais uns 5 anos pra segunda temporada.

the mitchells vs. the machines (2021)

unalom recomendou pra #sextaremcasa e acabei fazendo isso mesmo. bem comum os filmes e séries do netflix terem contas no instagram agora, né (ou foi sempre assim?); unalom compartilhou essa "entrevista" com o cachorro que dubla o cachorro do filme (real! hauhah) e vi mais coisas legaizinhas lá. me surpreendi demais com como os mitchells se parecem com a gente! o pai fã da natureza e sem habilidades com tecnologia e internet, o irmão sabe-tudo de dinossauros, a irmã anos mais velha indo pra faculdade (e lésbica heheh), a mãe virando uma máquina de destruição kkk. ri alto de verdade em algumas cenas, tipo essa (que tem até a música de era do gelo 3!!!), e fiquei com um sorrisinho praticamente o tempo todo, e depois que terminou também. os créditos com fotos em família me deixaram sensível... fiquei pensando em como não tenho muito ânimo pra brincar com meu irmão e ser criança. eu tava mais disposta até pouco tempo mas nas últimas semanas me sinto como quando eu cuidava dele, tendo um bloqueio total a qualquer atividade criativa ou descontraída que ele me chama pra fazer... antes do filme ele tinha brincado com minha mãe com as coisas que resgatou do baú e isso também me deixou reflexiva. enfim, a irmã do filme é super descolada e doida, faz vídeos e desenha e anima com muitos efeitos, memes, etc. o filme é como se fosse uma das coisas dela afinal, bem nesse estilo soco de informações e estímulos visuais e sonoros e doideiras. é cansativo, devo dizer. a premissa de uma revolta das máquinas é bem clichê, mesmo, mas a história é sobre mais do que isso: katie e o pai sempre tiveram atritos e agora ela finalmente vai poder sair de casa, porque conseguiu entrar na faculdade e vai estudar na califórnia, mas o pai tem a ideia de levá-la até lá de carro pra terem uma viagem em família de despedida. nisso tá sendo lançada uma nova versão dessa inteligência artificial chamada pal, mas claro que a versão descartada arquitetou uma revolta pra capturar os humanos e jogá-los no espaço. de alguma forma os mitchells são os únicos que escapam e, com a ajuda de dois androids que deram defeito e ainda obedecem comandos, vão atrás de inserir o código-bomba no sistema. um filme bem divertido sobre mudanças, amor e criatividade :)

star wars: episode I - the panthom menace (1999)

gosto de como o preto parece uma coruja heh
tive que pesquisar pra entender o nome de qui-gon, pelo amor de deus. não sei se a dublagem desse foi mais confusa ou era só o menor conhecimento que eu tinha mesmo. ewan mcgregor como obi-wan jovem, é aqui que tem o clássico trancinha + rabinho de cavalo e ele é chamado de jovem padawan. (pensei agora em "pequeno gafanhoto" mas isso é de karatê kid, parece.) rainha amidala!!! gosto muito dos penteados elaboradíssimos, engraçado o tanto que mudam, e da maquiagem e das roupas também. percebi que ela mudou de cara, fiquei desconfiada e lembrei de keira knightley não lembrando mais que papel fez em star wars; no fim era estratégia de segurança pra rainha natalie portman. tinham 12 e 16 anos aqui só. a questão com ela é protegê-la de uma galera querendo forçá-la a assinar alguma coisa sobre uma rota de comércio, taxas e sei lá o que mais. o planeta dela é naboo, gosto das muitas cores nas roupas e em tudo. qui-gon e obi-wan trombando com jar jar binx, não dá pra entender nada que ele fala, não esperava que ele fosse tão besta e atrapalhado. legal a cidade secreta do povo dele ser embaixo d'água, um blob de ar em volta. orelhonas que parecem cabelo, eles são bem dinossauros, né. vão pra tatooine pra arranjar uma peça pra nave e encontram
anakin criança.
olhando de perto esses chifres tão estranhos...
 ele e a mãe são escravos, mas não parece muito pesado além da falta de liberdade. totalmente inesperado ele não ter pai, a mãe só ter engravidado do nada, alô jesus?... e c-3po criado por ele! uma corrida doida em que apostam tudo no menino, era nerd e piloto que nem luke, já percebem aí uma quantidade anormal das células de jedi ou sei lá. profecia de alguém que vai trazer o equilíbrio pra força, aham. medo e raiva sendo perigosos mas qui-gon insistindo, declarando kenobi como pronto pra fazer a prova pra poder pegar ele como aprendiz. isso de deixar a mãe pra trás vai dar errado, já tô vendo. darth maul, um sith, cara maul (risos) vermelho com chifres; já fiquei espiando minha mãe pra ver se ela desaprovava, preciso me acostumar que ela não parece ligar mais. por algum motivo ele me chamou a atenção, gostei dos traços do rosto pintado assim e principalmente das roupas, queria poder ter um estilo massa desses. no fim ele mata qui-gon antes de kenobi jogar ele no buraco (por que diabo todos esses lugares tem um buracão pro nada?). o conselho ou sei lá dos jedis com yoda, samuel l. jackson e vários outros aliens, ainda existiam em quantidade nessa época, né. meio confuso o que tá acontecendo, muita informação e personagens novos, tivemos que ver em duas parcelas. bom de ter conhecido personagens importantes e clássicos, mas não gostei muito, não. tão longo, né... esses nomes nunca são o que eu esperava na pronúncia, padmé amidála, ánakin. preciso olhar o original.

catfight (2016)

só tava na minha lista por causa de sandra oh, e boy, was i disappointed. a personagem dela tem um filho que parece da idade dela, me perguntei se era uma pegada pen15 mas era só mais um cara de 20 e poucos designado pra ser adolescente. rica por causa do casamento com um cara feio que aparentemente trabalha com uma empresa que recolhe destroços da guerra ao iraque. é isso mesmo? falam o tempo todo de guerra, bush, oriente médio e terrorismo, humor negro e crítica social foda. encontra com uma colega da faculdade, artista lésbica sem sucesso ajudando a namorada sendo garçonete no evento do marido da ota. ofensinhas sem sensibilidade, se encontram na escadaria e descem a porrada uma na outra, coisa de sangue e quebrar a cara mesmo. sandra oh vai parar no hospital e acorda anos depois, o marido e o filho mortos, suicídio e alistamento na guerra (praticamente a mesma coisa). tudo se inverteu, a amiga tá ricassa com os quadros vermelhos falando sobre a guerra e o capitalismo. tá tentando ter filho com a namorada, eca isso de esperar um cara se masturbar e ir lá botar o sêmen na vagina. brigam de novo, a outra que entra em coma, se reencontram no meio do mato na casa da tia doida da ota, blábláblá. chega pulei várias partes, as brigas, os barulhos de soco mentirosos. que bosta. nada se salva, não. uma personagem artista tem aquela voz fininha que parece de mentira igual aquela brasileira, flavinha, sei lá.

star wars: episode II - attack of the clones (2002)

well, this was even worse. uns 10 anos se passam, upgrade de anakin, mas adolescente chato que acha que sabe tudo e é melhor que o mestre. obi-wan bem rude com ele também, briguinhas e desentendimentos, um manda e o outro desobedece. não é possível que esse cara acha que tenha alguma chance com amidala, que conheceu ele pirralho, né? E DE FATO ACONTECE ALGO??? tudo errado, que nojo. fascista do caramba, fazendo piada com ditadura porque acha que a democracia não tá funcionando, como se apaixona por um cara desses? ela agora é senadora, foi rainha por dois mandatos, "uma das mais jovens a assumir o posto". ainda tão atrás dela, dessa vez pra matar; uma das sósias é pega nessa. um caçador de recompensas, um planeta que não aparece nos mapas, clonadores. adoreiiiii esses aliens, olha esses olhos, a altura...
e esse enfeitinho na cabeça hehe *-*
minha mãe achou que lembrava avatar, ok né. tão fazendo um exército absurdo encomendado pelo antigo líder da república; ele foi morto logo depois e ninguém ficou sabendo dessa. o atual é um cabeça-branca que não parece boa pinta, viu, tô achando que o imperador lá da frente vai ser ele. elegem ele como líder provisório do conselho galáctico (nesse ponto nem sei mais se tô inventando nomes), daí pra dar um golpe é dois tempos, já viu. amidala deixando jar jar responsável, really?... voltando pra naboo pra se proteger, anakin como protetor, história de amor do caramba. "i don't like sand" e blébléblé. pesadelos com a mãe, vai pra tatooine e descobre que foi vendida pra um cara que casou com ela. quando chega nele ela foi capturada pelos não sei o quê da areia que aparecem lá naquele primeiro filme; anakin vai atrás e acha ela à beira da morte, massacra todo mundo quando ela não resiste. a musiquinha de darth vader começando a aparecer de leve... ele tem um meio-irmão com cara de mais velho, hum. vão ajudar obi-wan, que seguiu o caçador de recompensas que foi molde pros clones, alguma-coisa fett; o nome com isso que já ouvi é do "filho", cópia inalterada que ele pediu, boba fett. mandaloriano? aquele escudinho legal. ah, os clones são os stormtroopers! acabam sendo úteis pra enfrentar o ex-jedi interpretado por saruman, liderança dos separatistas. padmé, obi-wan e anakin contra bichões numa arena, ani tendo o braço cortado, final com aparente casamento nojento, aff. única coisa que eu gosto nele é o apelido, ani. ok, ele é bom de olhar também, mas é abrir a boca que já estraga. deprimente como às vezes padmé usa armas e atira toda desconjuntada. ah, a cena na linha de produção robótica... pensei que anakin ia perder o braço ali. c-3po voltando a ser alívio cômico. espero que os próximos sejam melhores.

infinity train S01 (2019)

não lembro onde foi que vi teaser de algo mais recente, mas me interessei e baixei a primeira temporada pra ver como era. a protagonista é uma menina chamada tulip, empolgada pra um acampamento de desenvolvimento de jogos, mas que tem os planos arruinados pelos pais recém-separados que se atrapalharam na organização pra levar ela até lá. ela sai sozinha e no meio do nada aparece esse trem indicando a cidade que ela precisa ir como destino, então ela entra. logo descobre que cada vagão é uma meio que uma prova que ela tem que passar, um número na palma da mão que vai diminuindo conforme ela vai avançando; só chega no 0 quando admite sentimentos e atitudes em relação ao que tá acontecendo na vida dela. acompanham ela um robôzinho que ela chama de one-one e um corgi chamado atticus, rei da corgilândia. engraçadinho eles, gosto do lado mórbido de one-one (tem um "glad-one" e um "sad-one"). uma gata fazendo acordos, um robô com tentáculos do mal, uma condutora impostora com o objetivo de refazer o amor que perdeu (one-one é o verdadeiro condutor! nem ele sabia). rapidinho de ver, terminei de uma vez. umas coisas meio sombrias de leve, coisas pra revelar ainda provavelmente, mas não sei se me interesso o suficiente pra continuar. (talvez sim porque acabei de ver que a próxima temporada é com o reflexo liberto de tulip, um vídeo sobre transexualidade, hum?) bom pra passar o tempo, treinar inglês, etc. do cartoon network.

nation estate (2012)

curta da 2º mostra de cinema árabe feminino promovido pelo centro cultural banco do brasil do rio de janeiro. a diretora é larissa sansour, palestina, que recebe o foco na primeira sessão da mostra, de 19 a 25 de maio. ela é a protagonista aqui, uma mulher aparentemente chegando de uma viagem, andando com uma mala de rodinhas por um edifício futurístico. pega um elevador, ao lado do qual há uma placa enorme de destinos possíveis em cada andar. onde desce é onde mora, um apartamento hermético, branco esterilizado, comida em marmitas auto-esquentantes, janela de vidro de onde se vê israel (imagino). o prédio é a palestina, uma solução vertical pra questão do estado judaico e etc. uma crítica, uma piada. curtinho, efeitos parecendo de mentira, fiquei pensando que podia ser mais interessante como uma animação. música árabe, comida também. tô vendo tudo dia 25 então priorizei os filmes mais curtos e os da palestina.

a space exodus (2008)

"jerusalem, we have a problem". larissa sansour de novo, como diretora e personagem, uma astronauta a caminho da lua. "um pequeno passo para uma palestina, mas um grande salto para a humanidade". música de 2001: uma odisseia no espaço mas com instrumentos típicos da música árabe. acho que nunca tinha visto o nome larissa em alguém de outro país. bem simples e direto, como o outro. okzinho.

have you ever killed a bear – or becoming jamila (2012/2013)

sobre jamila, ícone revolucionário da resistência argelina à colonização francesa que revolucionou também o olhar sobre a mulher no mundo árabe. uma performance de marwa arsanios (what a cool name) em que ela reflete sobre as representações dessa personagem histórica, as atrizes que a encenaram, uma suposta "maldição" depois de interpretá-la – "todos os papeis que você fizer vão te afetar". reconheci a cena de jamila no bar, olhando em volta, colocando a bolsa no chão e empurrando pra perto do balcão com o pé, saindo antes da explosão das bombas caseiras. não soube dizer na hora que era do filme la battaglia di algeri, mas que massa revisitar agora. a batalha de argel foi uma das discussões que tivemos na disciplina de teoria literária lá no primeiro semestre da faculdade, em contraponto a l'étranger de albert camus. revisitei a resenha que fiz sobre o filme e achei até que bem escrita, interessante. bem boa essa música que é da trilha sonora do filme e foi usada no curta.

quarta-feira, 31 de março de 2021

assistidos (8) em março

m-8: quando a morte socorre a vida (2019)

tinha visto o trailer um tempo atrás e achado incrível, carol também, e surpreendentemente foi colocado no netflix, então assistimos. o protagonista é maurício, garoto que entra na faculdade de medicina e percebe que mais corpos negros passam por lá como objetos de estudo em anatomia do que como alunos, e que ele tem mais a ver com esses corpos do que com os colegas de classe. a solidão nesse sentimento é profunda e pega muito pesado, especialmente quando ele conecta os pontos e começa a suspeitar que um corpo do laboratório (identificado como “m-8”) pode ser de um dos jovens desaparecidos buscados por mães fazendo protestos nas ruas da cidade. pior ainda quando ele vivencia situações de racismo, tanto na rua quanto na “escola” (como diz a mãe dele), que mostram que pra um negro estar ali existem muitas mais camadas a atravessar do que pra qualquer outra pessoa. cida, a mãe, é auxiliar de enfermeira e criou ele sozinha – facilmente a personagem mais foda do filme –, e quando maurício volta pra casa ferido e começa a faltar nas aulas ela dá um sermão de abalar as estruturas, lembrando ele de como ela nunca abaixou a cabeça diante dos obstáculos da vida e sempre se esforçou muito pra dar uma vida digna ao filho. ela frequenta um terreiro de umbanda e estar lá vendo o m-8 querendo falar com ele ajuda maurício a ter coragem de fazer algo pelos mortos. ele descobre que o corpo foi dado como indigente e que chegou no hospital com hematomas internos, o que pode ser considerado morte suspeita, mas claro que foi registrado como morte acidental. o protocolo da universidade diz que depois das aulas do semestre os corpos são encaminhados pra uma vala comum da prefeitura, mas com a ajuda de funcionários negros ele consegue tirar o m-8 de lá e fazer um funeral simbólico pra essas mães. cena sensível demais. e é isso, não foi tão uau como o trailer prometia mas gostei. muitas reviews falando sobre a resistência do cinema brasileiro em deixar o formalismo de lado, dos diálogos e atuações engessadas, das situações estereotipadas forçando um didatismo, mas acho que tem sentido nisso também, fazer o quê. que bom que tá no mainstream, numa plataforma tão acessível e acessada, pelo menos. baseado num livro que eu pensei que era de augusto cury por causa de algum comentário no youtube (é não!).

my octopus teacher (2020)

tinha começado a ver com carol lá em janeiro, mas continuamos/terminamos só agora. um cara volta pra onde cresceu, na áfrica do sul, e descobre um polvinho quando passa a mergulhar perto de casa. de alguma forma ele reconhece o polvo sempre que vai lá e meio que se tornam amigos, se acostumam à presença um do outro, e assim ele vai acompanhando o bichinho durante quase um ano. cê tem noção do que é mergulhar todo santo dia? ele fala do frio, aquela coisa louca da temperatura eletrizante, mas não deixo de ficar chocada com a habilidade de usar aquele coiso de sugar oxigênio da superfície. só isso e os pés de pato, é tudo que o cara usa pra passear debaixo d'água. ele é fotógrafo, se não me engano, e a máquina fotográfica dele é um negócio absurdo. a melhor parte desse documentário são as imagens, as cores, as formas, as criaturas! o oceano é incomparável, não tem jeito, uma beleza imensa. engraçado às vezes o aparente exagero do cara nas metáforas sobre a própria vida que via no polvo, mas no fim ele aprendeu muita coisa e se reconectou com várias outras também, então massa. aprendi que a diferença entre polvos e polvas é mais simples do que eu imaginava, e várias outras coisas interessantes sobre polvos também, aqui (muito boa a energia dessa mulher). curioso e válido assistir se houver a oportunidade de aproveitar o hd 4k.

toc toc (2017)

a aluna bruna, lá atrás, tinha me indicado esse filme por causa do assunto de transtorno obsessivo compulsivo, que ela tinha muito forte na época de enfermeira. já tinha ele na minha lista mas não sabia que era sobre isso antes dela me falar, apesar do título. é sobre várias pessoas, com diferentes obsessões, que marcam consulta com um doutor aparentemente muito prestigiado, mas quando chegam no consultório se dão conta de que tão todas designadas pro mesmo horário e ainda por cima o cara não chega nunca, então acaba virando uma terapia em grupo que resolvem fazer entre si. me arrependi de ter demorado tanto pra ver! cada vez que assisto um filme em espanhol eu fico querendo ver mais e mais; é muito bom, muito singular o jeito que as coisas funcionam, o humor, a atuação. o final me pegou muito de surpresa, em nenhum momento suspeitei que o doutor sempre esteve entre eles! achei que a representação de tourette's talvez tenha ficado meio torta, com base no que eu conheço, mas quem sou eu pra falar alguma coisa. não acho que seja considerado um transtorno obsessivo compulsivo mas faz algum sentido (também não pesquisei pra confirmar nada). além do velho reconheci a mulher religiosa, ela faz a lésbica de kika! bem diferente aqui, muitos anos depois, né. o cara das linhas achei bem galã, não vou mentir, e muito bom ele e a menina das repetições sendo casal! fofa demais ela também. não sabia da existência da aritmomania, que loucura. a recepcionista sendo só uma atriz, hehe. as loucuras da mulher germofóbica no banheiro! naquela parte em que todo mundo se desespera pra acudir a velha vi que o bonitinho pisou numa linha e achei que tinha sido erro, daí me surpreendi quando apontaram que tinha acontecido hehe. legal a conclusão deles esquecerem das obsessões quando tão envolvidos em outra coisa. e a amizade que se forma, o grupo no whats haushus e o nome!!! genial. ecolalia, né, aparece isso em tics também. parece ter boas críticas, mas gostaria de ver alguma review de alguém com toc pra saber se foi respeitoso. eu gostei bastante.

love on the spectrum (2019)

minissérie documental que acompanha diferentes pessoas no espectro autista que querem se relacionar amorosamente. vi com carol e gostava de como ela vibrava nos encontros, a gente ficava triste de verdade quando parecia uma coisa e no final era outra. os pais parecem ser firmeza e a especialista que ajuda eles é interessante; tinha achado bom as canetinhas coloridas e os esqueminhas que ela desenha pra falar das coisas mas depois de procurar reviews own-voice me toquei que é bem infantilização de pessoas no espectro... real a complexidade que é se relacionar, muito fácil take for granted (apesar de eu estar no grupo de gente que acha dificílimo também), mas entendi que é problemático essa representação de autistas como seres assexuais que precisam decorar regrinhas sociais pra se relacionem de maneira convencional. algumas dicas até são relevantes, como manter o encontro num 50/50, não sufocar de perguntas e virar entrevistador, não dar respostas definitivas que não dão margem pra conversa se desenvolver... gostei bastante de olivia, o senso de humor dela e a personalidade! achei tão daora o carinha que ela conhece e faz cerâmica, não esperava que fosse ficar na amizade mas bom também, afinal. michael tem muitas certezas, meio desesperador hushs mas ele é bem doce, mesmo. maddi é muito gente boa e engraçada e mark a coisa mais carinhosa, muito sensível, pô... lotus e o date no campo de girassois, mdsss, muito linda ela, toda nervosa hihi. massa ver como cada pessoa é única, como é mesmo um espectro :)) bom de ouvir os sotaques australianos (a "especialista" tinha o mais louco!), e que linda a cidade. o casal perfeito do primeiro episódiooo, e o outro do final mais fofinho ainda, ah! indiquei pra minha mãe. carol e eu gostamos do jeito de mostrar os gostos e desgostos dos pretendentes (referência a amélie poulain que só percebi revendo o filme) mas vi uma crítica falando que é meio nada a ver mencionar coisas/barulhos que eles não gostam e mostrar/tocar mesmo assim; verdade. pelo menos foi melhor que terrace house, que abandonei agora que não tenho a companhia de pölzl pra saber de tsubasa e shion.

back to the future (1985)

sabe que eu acho que nunca tinha assistido? quis ver com a família e fiquei incomodada do começo ser maçante demais pra uma criança de 10 anos. desnecessário a flertação toda, claro que ia ter uma nojeira da mãe tendo crush no filho, né... e ela pensando que o nome dele era calvin klein por causa da cueca kkk fiquei pensando nas minhas/de talita com as variações absurdas. feliz pelo ator principal ser tão baixinho, 165cm hehe. no começo eu tava achando o pai e a mãe muito esquisitos e logo suspeitei que era maquiagem pra aparentarem mais velhos porque com a viagem no tempo iam aparecer como jovens, dito e feito. gosto da cara e do estilo do pai de marty jovem, aquelas belezas estranhas notáveis, mas vendo ele atualmente percebo o potencial de pinta de vilão ou personagem esquisitão (ele faz o valete em alice in wonderland!). muito bom o ator que faz o professor, a melhor caracterização é sem dúvida a dele. aquele final dando brecha pro próximo filme, não esperava. não tem um negócio de 2019 nesse universo? tenho a impressão de ter visto algo assim um tempo atrás, mas pode ser de outro filme clássico. não achei muito bom não, mas interessante ver a evolução das histórias de viagem no tempo. sempre tô dentro. ah, massa também descobrir que mcfly é um sobrenome possível ahushu. que sorte voltar pro presente com um upgrade, hein. muito bom o estilo dos anos 80.

mononoke hime (1997)

não tem muitos filmes do studio ghibli dublados no netflix, queria assistir com mãe e irmão e percebi isso (já tá na hora de se acostumarem com legenda, mas né). coloquei princesa mononoke mas não lembrava que era tão longo, ainda bem que eu pedi pausa pra xixi na metade. muito bem feito o comentário sobre exploração de recursos naturais, desmatamento, desequilíbrio entre homem e natureza, etc. a metáfora da raiva, mágoa, fúria é muito boa!... uma contaminação mesmo, ashitaka resistindo, lutando contra, tentando agir como ponte, pacifista. a questão de gênero e deficiência na cidade de lady eboshi (mais sobre isso na wikipedia). o deus da floresta, como é bonito o florescer a cada passo... gosto dessas histórias que têm romance mas esse não é o tema central, que nem howl's moving castle. e é tão importante ver histórias em que o bem e o mal não estão bem divididos e solidificados, em que os personagens não são moralmente determinados... acho que esse é um dos meus favoritos, mesmo. não lembrava nem um pouco que a princesa não se chamava mononoke e sim san – the term mononoke is not a name, but a japanese word for supernatural, shape-shifting beings that possess people and cause suffering, disease, or death. não me conformo nunca em como é possível existirem trilhas sonoras tão potentes, que trazem tantas emoções à tona. moved me to tearsss. esse filme é muito maravilhoso, que bom que existe. sempre fico tensa quando percebo que as coisas que chamo minha mãe pra assistir falam de demônios e coisas do tipo. ainda bem que os kodamas ficam fofinhas depois de parecerem macabros hehe. eu lembro que fiz um desenho de san uma vez, na época do cv, talvez só da máscara. algum dia tiro foto pra deixar aqui.

loving vincent (2017)

na primeira aula de interpretação usamos van gogh como exemplo pra falar de como o quanto que a gente sabe do autor influencia na interpretação da obra – primeiro vimos só as pinturas, depois trechos de cartas dele pro irmão theo, depois a música (que eu não lembrava mas já tinha ouvido antes, a julgar pelo like nesse vídeo), o episódio de doctor who, uma audiodescrição... por fim ficou o filme como recomendação. teve um tempo que ele tava no netflix, né? não tava mais, baixei mesmo. que loucura fazer uma animação em que cada frame é pintado a mão, com tinta a óleo. mais de 63 mil frames! parece que o ator que interpreta vincent é polonês e mal fala inglês, escolheram pela semelhança de aparência e tiveram que dublar as falas dele. bonitinho o ator/personagem que conduz o filme, naquele terninho amarelo com o chapéuzinho. conta sobre as últimas semanas de vida de van gogh, depois dele sair da instituição onde se internou quando mutilou a própria orelha. não sei até que ponto é real a coisa do tiro na barriga, os amigos festeiros, o médico aspirante a artista obcecado por van gogh. quanta tristeza, quanta doçura também. isso de vincent querer ser visto como alguém que sentia muito... em doctor who falam bem. mais de 800 pinturas em uma década é muita coisa, putz. li as partes dele naquele livro tudo sobre arte, show o que ele fez e as inspirações que tinha, o legado que deixou. gostei da mocinha sorridente da hospedaria; não esperava saoirse ronan como romancezinho. muito bom as partes em que as pinturas dele viram parte da realidade! espero que a produção tenha sido boa pros artistas, sem muita pressão e condições ruins de trabalho... me emocionei com o filme, foi gostosinho de ver. acho que gosto mais de van gogh agora, tenho mais interesse. quero ler essas cartas dele, são publicadas pela l&pm aqui, pelo que eu vi.

quanto vale ou é por quilo? (2015)

paralelos entre os séculos xviii e xxi, estruturas de escravidão que não parecem ter mudado tanto assim de lá pra cá. filantropia e projetos de caridade mascarando um mercado de lucro e exploração capitalista. vítimas e reféns desse sistema de merda do caralho. corpos negros e periféricos na mão de brancos ricos corrompidos. as mesmas atrizes representando personagens diferentes, uma senhora de escravos que fazia tudo visando lucro e uma mulher com um projeto de ajudar os necessitados, uma escrava fugida arrastada de volta pro dono mesmo grávida e uma professora batendo de frente contra os empresários super faturando o laboratório de informática na periferia. angry black woman e macho branco estúpido. ainda bem que perde uma orelha e uns dedos. a "amiga" da mulher da ong se vendo sem saída nos acordos, oferecendo uma menina "limpinha e quietinha" pra ficar no lugar dela, negra, claro. o crime, sequestros, captação de recursos x redistribuição de renda. muita coisa aqui, a narrativa é bem única, chega a ser documental. e esse título... forte. não conhecia. tem a ver com um conto de machado de assis e umas crônicas retiradas de relatos factuais. incômodo, importante. final ambíguo.

domingo, 31 de janeiro de 2021

assistidos (17) em janeiro

mars S02 (2018)

não sei se tem muito mais coisa pra dizer além do que eu já disse sobre a S01. a maior diferença dessa é que chega uns caras de uma empresa chamada lukrum (só com esse nome já dá pra imaginar as merdas, né) que só faz causar conflito. eles tão lá pra extrair coisa do solo e abusam da boa vontade da galera das antigas pra ter água, energia, etc. a doutora francesa descobre que tá grávida do galã espanhol (carol gosta muito dele) justo quando ela tinha avisado que ia voltar pra terra, sem chance agora. as loucuras da extração de petróleo no oceano aqui na terra, como pode existir aquelas plataformas monstruosas? e os derramamentos, puta que pariu. ativistas do greenpeace e afins, gente muito comprometida e disposta a arriscar a própria liberdade pra defender causas ambientais. pior que é urgente de verdade, né, véi. a irmã de hana morre de câncer :( tinha saído da presidência (não é bem esse o cargo né, mas enfim) pra poder viajar mas não aguenta chegar em marte, ninguém sabia de nada. que pesado que deve ser perder um irmão gêmeo. tempestade solar! contágio que se resolve da maneira mais simples! relações entre países rivaizinhos! termina com a esperança pro futuro, a bebê nascida, que loucura criar uma criança em MARTE. coitada, né, crescendo sem nenhuma companhia da idade dela, sem poder ir pra terra também porque o corpo não vai ser adaptado pra isso, já dá pra pensar nela aborrecente putona com os pais por deixarem ela existir. marsquakes em vez de earthquakes heuhue muito bom. hana e a colega da imsf sendo mais espertas que o escroto corporativo, in your face, bitch. a gente só fez passar stress com essa série, falar a verdade, viu. interessante mas nunca que eu reveria igual carol fez.

j'ai perdu mon corps (2019)

depois de um tempão pensando em que filme assistir e de 10 minutos gastos num filme em espanhol extremamente idiota, sobrou só carol, pölzl e eu e concordamos em ver uma animação potencialmente triste. queria ver essa há algum tempo, só não tinha acontecido ainda. começa com um cara no chão, choque no rosto, sangue e a mão decepada caída ao lado dele. mais tarde a mão escapa de uma geladeira de partes do corpo (onde diabos é isso? muitos olhos!), foge pela janela, enfrenta uma pomba, é atacada por ratos... fica intercalando com a história do cara, naoufel. tem uma pintinha na mão, perto da base dos dedos de fazer paz e amor. quando criança ele gravava os sons das coisas naqueles aparelinhos pra colocar fita cassete e ouvir com fones, muito show. a mãe era violoncelista, ele aprendia piano. queria ser pianista e astronauta. os pais morrem num acidente de carro e ele tava gravando, putz! triste os sonhos sendo esquecidos e a vida ficando miserável. ele adulto trabalha de entregador de pizza, sempre se atrasando, desanimado e ainda tendo que dar os trocados que ganha pro parente em cujo apartamento mora. numa noite de chuva em que ele se acidenta conhece gabrielle, mas só pelo interfone do prédio onde ela mora no 35º andar. conversa profunda e prolongada, massa. depois ele procura por ela na lista telefônica e descobre a oficina de marcenaria do tio dela, e consegue virar aprendiz dele e se mudar pra um quartinho super massa no lugar. ele gosta do que faz, mas quando passa um tempo e ele conta pra menina que a seguiu e por isso achou o tio e etc ela não gosta, óbvio. fez um iglu de madeira legal no telhado, mas poxa. desconta numa briga com um cara aleatório, volta pra casa com um soco, se distrai tentando capturar uma mosca igual fazia quando o pai ainda era vivo e o orientava sobre como conseguir isso, e pimba, relógio preso na máquina de serrar, mão brutalmente decepada. que agonia deve ser. no final a mão o encontra dormindo no quartinho, mas não se conecta de volta no pulso. termina com gabrielle encontrando a fita cassete no aparelho, o som de naoufel saltando do prédio, susto de ser suicídio, mas era pra pular num guindaste ali em frente. grito de vitória. neve caindo, suspiro. parece que tudo vai ficar bem. que bonito. gostei muito. fico com essa vontade de ir pra outro lugar e ter outra vida, fazer essas coisas diferentes, sei lá. trabalhar numa biblioteca que nem a menina, gravar sons como naoufel, escalar prédios em busca do horizonte. poder respirar e ter calma.

sib (1998)

documentário sobre duas irmãs iranianas de 13 anos de idade que há 11 anos viviam trancadas em casa. a mãe é cega e o pai fazia tudo, então quando saía deixava elas dentro de casa porque a mulher não podia tomar conta de outro jeito, e porque tinha medo por serem garotas. muito muito humilde tudo, o cara nem emprego tem, vive de dinheiro e comidas que dão pra ele. triste como em certas culturas as pessoas com deficiência são simplesmente inválidas, né. a mãe só aparece cobrindo o corpo todo, nem o rosto mostra. as irmãs parecem ter um retardo mental, mas pode ser por causa da privação de socialização; parece que os pais mal falavam com elas também. falam murmurando, fazendo barulhos só, ou usam palavras chave, frases prontas. o pai parece ter alguma coisinha também, meio velho ele. gêmeas não-idênticas, fiquei pensando naquilo de pra que ser gêmeo se for pra não ser idêntico haushu. os vizinhos que fizeram um abaixo assinado, uma assistente social levou elas mas depois devolveram sob a promessa de que os pais mudariam algumas coisas. muito louco o método dessa assistente social, tem uma hora que ela simplesmente aparece e tranca o cara pra dentro da casa, leva a chave, põe as irmãs pra fora de casa e manda elas irem fazer amigos, dá um serrote pro cara cortar as barras do portão e diz que se não fizer isso vai levar as meninas. elas ganham espelhos da assistente, bonitinho elas sorrindo e brincando com água. roubam picolés de um meninho que vende, uma vizinha paga, até uma cabra toma junto. querem comprar maçãs, depois conhecem duas meninas brincando de amarelinha, uma tagarela pra cacete. termina com elas indo buscar o pai pra comprar um relógio pra elas igual uma das meninas tem, depois da assistente dar a chave na mão delas pra tirarem o pai de lá se conseguissem. pesado tudo. carol que tinha que ver pra uma disciplina.

klaus (2019)

carol queria ver uma animação e nalu falou dessa no netflix. um cara folgado, que estudava pra ser carteiro mas tem pai rico, é mandado pra uma ilha no fim do mundo como punição. só pode sair de lá depois de mandar 3 mil cartas, se não me engano, mas o problema é que geral se odeia nesse lugar. as crianças não vão pra escola, só tem briga e más intenções, mas um dia o cara descobre um morador isolado com um depósito cheio de brinquedos e convence as crianças a mandarem cartas pra ele se quisessem ganhar brinquedos. nessa a escola é reativada (a professora tinha começado a vender peixe), a coisa toda de se comportar é inventada, e o lugar vai melhorando, estruturalmente e nos relacionamentos interpessoais também. as duas famílias inimigas que centralizam os desentendimentos querem acabar com isso e planejam um jeito de atrapalhar tudo, mas klaus (o cara isolado que fez os brinquedos) é mais esperto. acolhem o carteiro, apesar de descobrirem o acordo dele com o pai e por que ele tava ali, e no fim todos estão felizes e ele com a professora e klaus morre em paz depois de alguns anos (os brinquedos eram pros filhos que não chegaram a nascer, e depois a mulher morreu). okzinho, gostei da criatividade pra inventar os costumes natalinos (vão expandindo o megócio pra outras vilas e tal). ah, tem uma menininha indígena do povo sámi, margu, que habita o que hoje é a noruega. inesperadíssimo! fofinha demais, muito massa que não fizeram ela falando inglês :)

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

lidos (3) e assistidos (7) em novembro

nheengatu - a língua da amazônia (2020)

documentário sobre a língua geral amazônica na 44ª mostra! não esperava que ia ouvir português de portugal, mas o diretor é de lá. muito boa a música do começo, uma coisa que mistura elementos de cantos e instrumentos indígenas e elementos meio eletrônicos, psicodélicos. que imensidão que é o alto rio negro, as margens cobertas de verde, a água se misturando com o céu a perder de vista... o indígena que trabalhou como intérprete é conhecido de wilmar, faz parte do grupo de tradução dele, olha só! edson baré. compartilhei com o professor esse e um outro documentário, sobre a terra indígena arariboia (tentehar - a arquitetura do sensível), e ele usou na aula, passou a primeira meia horinha :) corrigiu o que o diretor fala no começo, que o nheengatu é uma língua inventada – não é. se relaciona ao tupi-guarani, luã disse que era bem parecido com o nhandewa. palavras do português que vazam pra língua ("pois é", números, "negócio de", "aconteceu")... nos lugares por onde passavam o cara dava um celular pra alguma pessoa e pedia pra filmar o que considerasse importante. numa dessas duas mulheres ficam juntas conversando sobre como esses brancos lucram em cima deles, que iam fazer dinheiro com isso, que uma delas queria um celular desses. muitos lugares cristãos, com frases do tipo "cristo salva!" e "quem ama maria, contente será" pintadas em escolas e etc. um senhor relatando como a religião o salvou da bebida, que não vai contra as tradições dele. diz que foi uma mulher dos eua que trouxe. uma outra falando que agora não sentem mais raiva, não falam mais palavrão. uma coisa doida de "exército de cristo" numa assembleia que reune muita gente, armas de madeira num gesto simbólico de proteção. outro conversando, dizendo que "para nós o lula foi bom", e que "eles querem virar brancos, mas o rosto não permite; a língua pode mudar, mas o rosto não"... no final a cerimônia do jurupari, que um velho diz ser alguma entidade ruim, diferente de jesus. flautas em dessincronizadas como a voz do jurupari, achei uma coisa fantástica, hipnótica. história do filho de um indígena que desapareceu do nada, sem deixar rastros; que pode ter sido os encantados. uma velhinha que fala de "parentes rebaixados", que estão no "tempo do atraso", não são civilizados :( ...sempre essas conversas, entrevistas, onde querem saber o que os indígenas acham da situação da língua, se tá crescendo ou não. o próprio edson diz que não costumava usar com a filha novinha, mas que tá começando agora. que ela ainda não entende por que ele faz isso, que não fala, mas o compreende e responde. "a gente tem direito de não esquecer da nossa cultura." triste, bonito. gostei de ver e de saber que existe.

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silêncio - o poder da quietude em um mundo barulhento (thich nhat hanh)

um dos livros que baixei gratuitamente, só porque andava pensando sobre o silêncio. embarcando nas auto-ajudas, hein. comecei a ler despretenciosamente, já faz tempo, mas depois de um hiato voltei e fez mais sentido, porque talita já tinha ido embora e eu tinha começado a tentar fazer yoga todo dia. (engraçado que, pensando agora, no começo eu tava lendo e pensando em como as meninas eram barulhentas desnecessariamente, às vezes. elas falam que eu sou misteriosa, tenho uma energia muito particular... eu sei que sou silenciosa. acho até que é uma das coisas que fazem com que eu me dê bem com elvira.) compartilhei coisas desse livro com pölzl, que gostou muito do que falei (sobre o mindfulness, a meditação e tudo isso não terem a intenção de colocar novas ideias na nossa cabeça, mas de ajudar a nos esvaziar das ideias que já temos), e com tati, que falou sobre o silêncio em movimento que ia tão bem com a prática de yoga. ambas tem essa proposta de respiração consciente, atenção ao presente... se você for capaz de estar presente, se puder ser livre, poderá ser feliz no aqui e agora. e não precisará correr para lugar nenhum. não é um livro perfeito, é um pouco repetitivo e algumas vezes fiquei chateada pensando que pra algumas pessoas virar essa chavinha não é simples como o autor coloca, por causa de coisas como depressão e ansiedade (portanto, todos temos escolha. você tem uma escolha. seus pensamentos podem fazer com que você e o mundo ao seu redor sofram mais ou menos. caso queira criar uma atmosfera mais amigável e harmoniosa em seu local de trabalho ou comunidade, não comece tentando mudar os demais. sua prioridade deve ser encontrar um espaço de tranquilidade no interior do seu corpo, para assim aprender mais sobre si mesmo. isso inclui tentar reconhecer e compreender seu próprio sofrimento). mas de qualquer forma, pela primeira vez senti que tava num momento possível de conseguir me entregar a isso, e foi realmente bom, tem me feito bem. cada capítulo falava de uma coisa, apesar de tudo voltar pro mindfulness, pro silêncio, pra ilha de si mesmo, e sempre tinha alguma prática no final, algum mantra. preciso revisitar, escrever e deixar à vista, talvez, agora. ao reconhecer pensamentos e desejos, e permitir que eles surjam e desapareçam, você terá espaço para se nutrir e entrar em contato com suas reais aspirações. umas coisas sobre os alimentos que consumimos (sensações, desejo e consciência, pra além da comida mesmo), sobre como nossa consciência afeta a do grupo e vice-versa... até sobre as coisas que cultivamos consciente ou inconscientemente se refletirem nos sonhos, ou escaparem em conversas (! aquela coisa de eu entender muitos sentimentos só quando falo sobre e faço sentido nas palavras). teve coisas interessantes sobre o corpo, também, e tati complementou de maneira absurda: o livro fala que você não é apenas o pequeno corpo que normalmente identifica como "você mesmo", fala dos monges do vietnã que se autoimolaram durante a guerra e sobre como utilizaram o corpo como meio para expressar uma mensagem já que não o enxergavam como eles mesmos, e tati tava contando que não tem gostado de olhar o próprio rosto, de se olhar no espelho, e que ouviu um podcast sobre budismo que diz que o último passo na prática é "cortar a cabeça", e pensou que a gente vai entendendo que não é nosso corpo, mas que tem esse apego a ele e por isso nos sentimos assim, porque queremos nos identificar, ainda. o primeiro passo é parar de pensar. precisamos nos voltar à nossa respiração e acalmar nossos corpos e mentes. isso nos proporcionará mais espaço e clareza para que possamos nomear e reconhecer a ideia, desejo ou emoção que nos perturba, cumprimentá-la e dar a nós mesmos a permissão para nos livrarmos dela. fiquei muito feliz quando vi que agi bem espontaneamente, outro dia, quando talita falou de sentir saudade de zé e eu disse que "acolhia o sentimento dela sem trazê-lo pra mim" (ela até disse que parecia algo que tati diria). mas vai ao encontro disso e até do que vi naquele filme between heaven and earth, que me tocou muito... precisamos oferecer à nossa mente consciente certo descanso e permitir à mente inconsciente que procure uma solução. precisamos “pisar no freio” intelectual e emocional e entregar o problema ou desafio à nossa mente inconsciente, da mesma maneira que, após plantar uma semente, confiamos no trabalho do céu e da terra. nossa mente pensante, ou mente consciente, não é o solo, mas apenas a mão que planta a semente e cultiva o solo por meio da prática da mindfulness frente a tudo o que fazemos durante o dia. a mente inconsciente é o solo fértil que ajudará a semente a germinar. massa. legal também a coisa de, antes de comer, sentir o corpo, acalmar os pensamentos e contemplar a comida, pensando em sua origem; já andava fazendo isso, olhando pro meu prato e agradecendo pela comida, feliz em poder ter tudo isso. e a parte de relacionamentos! (botei essa parte aqui embaixo como imagem.) o silêncio permite uma escuta profunda e uma resposta consciente, que são a chave para uma comunicação plena e honesta. aiai. e a importância de não fazer nada às vezes: a falta de ação é muito importante e não tem nada a ver com inércia ou passividade, trata-se de um estado de abertura dinâmico e criativo. ah, e a coisa de todas as célula do corpo participarem nesse silêncio, é isso, essa entrega. que bom que sinto que tô melhorando. é possível que você guarde muita tristeza, raiva ou solidão no interior do seu corpo. no entanto, quando se conectar com sua inspiração e expiração, poderá entrar em contato com tais sentimentos sem medo de se tornar seu prisioneiro. a respiração consciente é uma maneira de dizer: “não se preocupe, eu estou aqui, eu estou em casa, eu vou cuidar desse sentimento.” :)

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hikari (2017)

que filme lindo. acompanha misako, uma mulher jovem que trabalha com audiodescrição (a disciplina de tradução acabou de tocar nesse assunto, porque entramos em legendagem). o começo do filme é a descrição dela pro que vê ao seu redor, na rua – homens de terno e gravata esperando táxis com a cara fechada, outro olhando o celular, outro o relógio, crianças atravessando na faixa de pedestres... dá pra ver que ela é bem fascinada por isso, sempre buscando detalhar o que vê e faz, achar as palavras certas. fiquei pensando que esse exercício pode ajudar com ansiedades, focar nas sensações, etc. ela tá trabalhando num filme, junto com as pessoas da empresa que faz esse serviço e um grupo de deficientes visuais que avalia o que ela faz, e de início ela recebe críticas a respeito de estar sendo muito subjetiva ou preenchendo com coisa demais, atrapalhando a imaginação. a pessoa mais severa com ela é o sr. nakamori, um ex-fotógrafo que foi perdendo a visão. misako tem uma mãe sendo cuidada em algum lugar do campo (às vezes a visita), e o pai já é falecido. parece que ela era bem ligada a ele; a mãe acha que ele ainda vai chegar do trabalho quando o sol se pôr. misako lembra de cor as coisas na carteira do pai, o que ele deixou pra ela. cena bonita dela fechando os olhos sentada com a mãe, aquelas casas de madeira e portas de correr que dão pro ar livre, uma atmosfera verde, tranquila. de alguma forma ela se aproxima de nakamori, que a convida a tomar chá na casa dele e cozinha pros dois. ela admira a luz refletida em arco-íris por um prisma enquanto comem, descreve a cena, ele aprova. diz que quis um apartamento com muita luz do sol. em outra versão da audiodescrição misako recebe críticas também, dessa vez por não ter conseguido transmitir os sentimentos do filme, por ter deixado tudo muito seco. uma coisa que me abala aí: "como é triste ter as coisas destruídas pelas amarras das palavras". chega a discutir com nakamori, diz que ele nunca expressa nada enquanto assiste e acha que o problema não é a descrição dela, mas a falta de imaginação dele. tem uma hora em que ele se encontra com amigos fotógrafos num bar ou restaurante, e indo embora tropeça e cai feio na rua. percebe que alguém furta a câmera dele, aquelas analógicas que parecem um cofrinho. foi o amigo e ele percebe, vai até o estúdio dele pegar de volta, acende a luz na câmara escura mesmo. nakamori diz que a câmera é o coração dele, mesmo que não possa mais usar :( misako encontra ele depois disso e ele a fotografa, o que pra mim foi ele deixando ela entrar no coração dele. eles vão até um lugar montanhoso de onde ele fez uma fotografia do sol que misako gosta, a pedido dela, e lá ele joga a câmera fora. inesperado! os dois contam que corriam atrás do sol se pondo quando pequenos. e em vez de "ele olha para o céu com esperança" ou "contra o céu plácido" (algo assim), a versão final da audiodescrição dela deixa uma frase assim pra cena final do personagem que sobe uma duna de areia contra o sol: "a sua frente... luz". que tocante. ela chegou a falar com o ator/diretor do filme, e ele diz uma coisa interessante também, que tem gente que quer continuar a vivendo mas tem que morrer, e tem gente que quer morrer mas precisa continuar vivendo (a respeito dele/do personagem ser um idoso, que pode morrer a qualquer hora, e teria preferido morrer, mas tem que continuar). a música, as filmagens bem fechadas no rosto de misa, os devaneios dela... tudo tão doce. uma coisa que me parece muito particular de produções japonesas. que bom que eu vi, último dia no sesc digital. chorei bagarai.

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i may destroy you (2020)

não sei por que ainda não consegui fazer review disso
arabella sendo nome de gente real (ok, protagonista de série, na verdade) e não apenas de música do arctic monkeys

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terra sem pecado (2019)

curta do festival mix brasil, que é tudo sobre diversidade. esse é sobre indígenas lgbt, em formato de entrevista – quatro jovens estudantes da unb compartilhando suas experiências, cada um de um povo. "você não vive sua sexualidade no individual, é tudo no coletivo" e algo da cidade participar na sexualidade, de certa forma. a dificuldade de ser indígena, homossexual e nordestino, e a violência triplicada em ser mulher e tudo isso. um relata queficava em casa pra evitar encontrar pessoas na rua e passar por situações desconfortáveis. outro diz que a cidade foi mais impactante do que a aldeia pra ele. um tem familiares que nem permitem que passe na frente da porta deles :/ é uma liderança num movimento indígena, mas diz que não fala sobre a homossexualidade porque não se sente à vontade. a mulher indígena baniwa tinha um nome lindo: braulina aurora. no começo tem uma imagem com três naus portuguesas onde cada uma é uma coisa: moral, pecado e culpa. preconceito, homofobia e machismo como heranças da colonização, partindo da igreja – absurdamente horrível a história de tibira, né... pensando nas crianças que passam hoje pelo que ele já passou; lembra que só queria conversar ou chorar com alguém :( sem referências... braulina fala de casais que tão juntos há 60 anos :') falam da universidade como fundamental pra desenvolver a autonomia, "minha essência não mudou, mas agora eu sei me defender". show. "saindo da escuridão e dando voz aqueles que ainda não têm essa coragem", "não é só a minha voz, é a voz de outras pessoas também". é isso.

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the act (2019)

não sei por que ainda não consegui fazer review disso²
come on we all know why

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the twilight saga: new moon (2009)

esse filme é maravilhoso!!! ok, nem tanto, mas o primeiro é tão ruim que esse ficou parecendo uma obra de arte, em comparação. e também porque fazia tanto tempo que eu não via; foi revigorante a energia de amizade com jacob, a cor amarelada viva de tudo, a trilha sonora perfeita – aquela cena de victoria na floresta, harry vendo e tendo o ataque cardíaco, os lobos correndo atrás, a águia vista de cima!!! wow –, sei lá. talita criticou o efeito do penhasco, os mergulhos na praia, mas tudo bem, por mim. no filme ela vai dar uma volta de moto com o cara, né, louca. edward é visível nas alucinações porque eles tinham que enfiar robert pattinson em algum lugar. é de lua nova que tenho revistas e o guia oficial ilustrado, então eu não devia ter me surpreendido em gostar tanto desse filme... ahsuhs por quê? putz a cena do reencontro em volterra, perfeita a reação de edward com "heaven" e a surpresa e o sorrisinho desgraçado dele. que raiva desse cara viu, eu fico querendo ser ele, SER, sabe? porque quando que eu vou me identificar com bella ou qualquer personagem visivelmente feminina, afeminada??? gosto dos músculos alongados de robert, em vez dos pocadões de jacob, por exemplo. a desconjuntura da altura e magreza, esquisitice. já tava misturando as coisas pensando que a votação de bella era em crepúsculo (talita pensava que era em eclipse); sempre muito bom rosalie falando que queria que alguém tivesse votado "não" pra ela. e o final com edward pedindo bella em casamento! a respiraçãozinha dela e fim, show. mas não precisava ter tido o conflitinho dos macho alfa entre ele e jacob, né, já falei. jacob tirar a camisa daquele jeito pra limpar o sangue de quando bella bate a cabeça (aliás, que batida agoniante! diretão na pedra, ai) foi tão desnecessário... só imaginei minha mãe vibrando. a cena do cinema, jacob ficando nervosinho com mike, massa. kristen tá linda aqui, hehe. agora, uma coisa que eu nunca vou entender é como edward chegou na itália tão antes delas a ponto de ter conversado com os volturi e resolvido fazer a ceninha dele, sendo que tava no rio de janeiro quando falou com jacob e provavelmente pegou avião não muito antes de bella e alice. chega fiz as contas e não bate. mas o que é que eu tô esperando de um livro sobre vampiros e lobisomens, né kkk

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aleluia, o canto infinito do tincoã (2020)

filme-documentário sobre mateus aleluia, que era membro do grupo os tincoãs, aquele da música que ouvíamos tanto na casa do mato. tati que indicou, tava num tal festival do filme documentário e etnográfico de belo horizonte que teve em novembro. mandou o link no grupo dos micélios e acabei vendo antes deles, e depois não tava mais disponível, então foi só eu mesmo. mostra ele em angola, onde foi viver, parece, e onde ele diz se sentir perfeitamente em casa. o grupo é de cachoeira, na bahia... bem bonito as gravações antigas deles, e as de agora, mateus solo. as histórias dos amigos, da família, dos orixás. uma filmagem absurda dele ouvindo um troncão cortado, encostadinho apoiado na bengala. gostei muito de uma parte em que ele fala sobre o invisível, queria lembrar com exatidão como foi, mas algo sobre as coisas que não vemos existirem desde sempre e serem muito maiores e mais reais do que as coisas que vemos. fez tanto sentido naquele momento, ressoou de uma forma potente. filme curtinho, foi o tempo de eu fazer musculação, praticamente. choreizinho.

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howl's moving castle (diana wynne jones)

ai, que coisa mais linda é esse livro. não esperava que seria tão perfeito, apesar do filme do studio ghibli ser o meu favorito! a escrita é uma delícia, levinha e engraçada, voltando pra umas coisas pragmáticas, pontuais. sophie é tão ranzinza e enxerida, o melhor foi howl falando que quebrou o pescoço pra chegar no castelo da bruxa e quando consegue encontra ela lá tidying up já ahsuhsu. eles só comem ovos com bacon e pão com mel! chega fiquei me perguntando se era gostoso esse último. não lembrava mais de muita coisa, e nem pensei que tinha tudo no filme (ainda não reassisti, mas vi uns gifs por acaso e tem uma criancinha sendo michael, um cachorrinho peludo sendo percival... não lembrava mesmo). a coisa toda de ser a irmã mais velha, um fracasso, não pensar antes de agir. e quando howl diz isso ela pensa antes de agir, presta mais atenção... ai, sabe. ela percebendo os efeitos de howl sobre ela hihi. e achando que é de miss angorian que ele gostava! total não esperava que ela seria o fire demon da bruxa. muito esperto toda essa magia, gostei tanto da fantasia aqui! a própria sophie sendo capaz de dar vida às coisas, ajudando o espantalho sem saber. e que loucura a mistura do príncipe justin e do mago suliman! perfeição ela não indo com a cara de miss angorian e se sentindo melhor por isso quando percebe o estranhamento dela com calcifer: she stared at calcifer in a vague, frowning way, as if she was not sure what she was seeing, and calcifer simply stared back without saying a word. this made Sophie feel better about being so very unfriendly. only people who understood calcifer were really welcome in howl's house. a honestidade de howl sobre ser covarde, a investigaçãozinha secreta sobre sophie... era ela quem ele procurava, afinal. a coisa dele não ser capaz de amar ninguém :( não lembrava também dessa coisa da maldição. e as irmãs, tem irmãs no filme? trocando de lugar porque uma queria ser aprendiz de magia, muito bom. o reencontro de todo mundo no final tocou meu coração. tudo arquitetado por howl pra sophie não partir, quem diria! e calcifer que é uma estrela!!!, pensava que ia morrer, howl fazendo acordo e o coraçãozinho dele lá... ahsush quando o fire demon aperta ele e howl desmaia na hora, e calcifer diz que "he's got a really soft heart!" :) justin e suliman sorrindo um pro outro no fim, um deles com o xale de sophie haushu e howl e ela não dando atenção pra nada acontecendo ao redor, sorrindo um pro outro de mãos dadas, ai meu deus!!! fofurinha a coisa da irmã dele e os sobrinhos, também. no fim ele e suliman são de wales, então parece ter uma intersecção com o mundo real aí, né? vi que a autora era de lá, ou morava lá. gostei da palavra "welshman". fui lendo devagar, um capítulo por vez, tudo em voz alta, porque não queria que acabasse. fui escrevendo no livro também, coisa que quero fazer mais (mas pra isso tenho que ter livros meus, né, só leio coisa emprestada ou da biblioteca quase). sinto que vai ser uma história pra qual vou me voltar sempre; foi tão bom esse quentinho no coração que ela deu, tão raro; queria encontrar mais. queria poder ler em edições físicas os que vem depois, apesar de não parecer serem continuações exatas. agora tenho que voltar pra checar o significado das palavras que circulei enquanto lia (foi legal ver o quão mais eu sei agora, comparado a quando comecei esse livro, anos atrás).

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the yellow wallpaper (charlotte perkins gilman)

era um dos audiolivros gratuitos do audible (na verdade, é a primeira história de um audiolivro com várias histórias de charlotte perkins gilman) e coloquei pra ouvir num desses dias desordenados que tô tendo. é contado em primeira pessoa por essa mulher passando pelo que chamavam de colapso nervoso ou algo do tipo, mas que provavelmente é só depressão mesmo ou depressão pós-parto, e que vai passar um tempo numa casa de campo com o marido pra melhorar. ele e o médico a proíbem de escrever, mas ela mantém um diário em segredo e conta da casa e do que tem ao redor dela. o quarto onde fica tem um papel de parede amarelo, velho e descascado, que ela passa a observar cada vez mais obsessivamente. chega a ser meio possessiva, não gostando quando percebe a empregada olhando pra ele, diz que só ela conhece seus detalhes. ela descreve o padrão do papel de parede como confuso, primeiro pareciam olhos, mas também folhas, e um redemoinho, sei lá. ela vê uma mulher presa nele, e aos poucos a mulher escapa, até que no final é ela mesma, louca. achei muito bom, a atmosfera ficando mais tensa, mas não necessariamente sinistra, por causa da expressividade da narradora. foi menos de 40 minutos; me ocupei desenhando e fazendo coisas com as mãos enquanto ouvia. podia tentar fazer isso com mais frequência.

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kika (1993)

o kasal tava com 30 dias de teste de telecine play, porque analuísa precisava ver um filme pra disciplina de movimentos sociais, e resolveram ver filme com pölzl e comigo. um tempão pra escolher e saiu esse no sorteio, "vai ser bom, é almodóvar", "bom de ter uma carreira consolidada é isso, você não tem filme ruim". claro. filme esquisito da zorra, totalmente inesperado, humor negro desconfortável. kika é uma maquiadora, mulher de uns 40 anos meio perua, que conhece o americano nicholas quando o maqueia pra um programa tosquinho em que uma senhorinha o entrevista lendo as perguntas numa folha (no fim diz que não vai ler o livro dele porque não enxerga muito bem, mas que vai recomendar pro filho). kika tá interessada em nicholas e quando ele a chama pra casa dele pensa que é pra transarem, mas era pra ela maquiar o enteado dele, ramón, que supostamente tinha morrido, mas era só um dos acessos de catalepsia dele. dali um tempo ele e kika é que tão juntos, e nicholas é amante dela. no começo a esposa dele se mata e deixa um bilhete pra ramón, tudo meio esquisito, nicholas com um tiro no braço como se ela tivesse ameaçado ele, mas no fim ele é um serial killer. escreve os próprios crimes, afinal; trecho interessante sobre matar ser como cortar as unhas – antes de fazer parece que vai demorar mais do que realmente demora, e depois parece que vai levar tempo até precisar fazer de novo mas quando menos espera já tem que fazer mais uma vez. tem uma personagem muito doida, andrea caracortada, que é ex (?) de ramón e apresentadora de um programa bizarro, "o pior do dia" ou algo assim, em que ela se veste toda macabra. meio elvira e aquelas outras relacionadas. essa andrea vive aparecendo em cima de nicholas ou ramón ou kika vestindo uma roupa de marciana com uma câmera na cabeça, cheia de perguntas, enxerida e cheia dos contatos misteriosos. a empregada de kika e ramón é juana, lesbicona mas bem feminina, e tem um irmão preso que era ator pornô. diz que ele tem problemas na cabeça e que deixava ele abusar dela pra não ir nas vizinhas, que desde pequeno fazia sexo com as cabras e vacas, jesus. ele foge da prisão numa procissão esquisita onde homens mascarados se chicoteiam, e aparece na casa de kika, e a estupra. dois policiais imprestáveis avisados por um voyeur que no fim é ramón, chegam lá e têm dificuldade de tirar o cara de kika, tá lá tentando bater o recorde de gozar 4 vezes sem "tirar". andrea descobre os crimes de nicholas e os dois se matam no final, ramón salvo pela catalepsia, kika chegando nos últimos momentos de nicholas. termina com ela dando carona pra outro bonitão em vez de ir atrás da ambulância de ramón, se livrando dessa galera estranha, pelo menos. bem exaltada ela, aquelas coisas de espanhol falando estridente e super rápido, faladeira, emocionada. tudo doido, nojento, nicholas dublado... podia viver sem essa tranquilo.

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hauru no ugoku shiro (2004)

meu deussssss, meu coração. como que eu só tinha assistido esse filme uma vez na vida??? o studio ghibli é muito especial, capricha em cada detalhezinho que é absurdo. o cachorrinho heen se virando pra voltar a ficar de pé depois que sophie carrega ele escadaria acima, calcifer corando de vergoinha de sophie ter elogiado ele, as estrelinhas caindo, as figuras de sombra dançando de mãos dadas que aparecem com os feitiços, o quarto de howl!!! não lembrava nem um pouco que suliman aqui era uma mulher, não desaparecida como no livro mas feiticeira real, e malvada ainda por cima. muito menos que ela desmagicava a bruxa das terras abandonadas (! tradução) e que sophie trazia ela pra turma! michael criancinha, não quer que ela é embora, fala sobre família... vi em algum lugar uma discussão sobre howl saber que sophie tava amaldiçoada e que na verdade tinha 18 anos, mas não concordo com essa idade não, viu. ela é a mais velha das irmãs, afinal, e howl é descrito como estando nos seus ~late twenties~, então acredito que ela tá por aí também, pelo menos próxima de 25. e encontra uma família prontinha T_T a coisa dela ver a infância de howl e ele ter salvado/feito o pacto com calcifer tão novinho, um coração de criança... não vou reclamar do número bem maior de cenas sugestivamente românticas no filme, aliás. e sophie indo e voltando nas idades, quando dorme, oh! ou será que é só o que howl enxerga? muito louco isso dele se transformar num passarão, show. anti-war bird boy!!! miyasaki pega sempre nisso né, foi uma adaptação muito boa pra história do livro. no original nem é nada de mais, afinal, só a bruxa consumida pelo demônio do fogo dela e ele querendo um novo coração. um pouco otimista demais suliman perceber o que tá fazendo no final e decidir acabar com a guerra assim, de uma hora pra outra. o espantalho quase não apareceu de volta à forma humana, mas encaixou bem nessa de ser príncipe e parar com essa palhaçada também. a questão do beijo do amor verdadeiro não vi necessidade, mas tudo bem. ai, tão doce sophie falando com a "vovó" pra ela devolver o coração de howl, "você o quer tanto assim?" e a resposta certeira. olha esse amor, sabe. me despedaçou. não tinha pensado nisso mas realmente quase que só tem uma música esse filme auhsuh a que eu gosto tanto (aliás, chega chorei com essa interpretação incrível!). essa é bem bonita também. aqui fanny é mãe de sophie mesmo, ou pelo menos é assim que ela a chama, em vez de madrasta. queria que tivesse um pouco mais evidente que sophie também é meio mágica, talvez nos chapéus ou com o espantalho... eles limpando a casa e lavando roupa <3 essa sophie é um pouco menos ranzinza que a do livro, né. howl é apaixonante mesmo uhaush nível gay que eu queria ser, que nem brau. não teve wales ou família de howl no filme também, nem mais de uma irmã pra sophie, nem mrs. fairfax. mas quero rever já. que lindo eles andando voando já logo no comecinho! desde lá sophie já tava dando pala da paixão kkk. bom demais ele de toalhinha na cintura fazendo drama pela cor do cabelo, o rêgo aparecendo quando senta na cadeira, sophie cuidando dele e subindo ele pro banheiro :') é isso, perfeição.

sábado, 31 de outubro de 2020

lidos (1) e assistidos (16) em outubro

little women (2019)
frances ha contando a história das irmãs march. toda hora eu achava que tava faltando a quinta, mas isso é coisa de orgulho e preconceito. sempre tem uma irmã que toca piano e adoece e outra jovem rebeldezinha, é muito fácil confundir. parece que a ideia foi contar o que não tinha sido contado, então tem bastante coisa que se passa depois do que tem no livro, ou antes. se me lembro bem tem uma sequência pra história, afinal, mas acho que nunca vi por aí. saoirse ronan é bonita demais, não tem jeito. muito europeia, tho. e o amiguinho timothy chalamet lá com sua grande cara de menino doente. pernas tortas e cara de moleque. gostei muito de amy adulta falando sobre a realidade da mulher naquele tempo, casamento e tal. meio desapontada com ela casando com laurie; ela mesma fala que sempre ficou em segundo plano, depois de jo, e no fim cede à proposta de dele. muito estranho hermione sendo outra pessoa, aliás. ela tem uma cara meio simplona, né. muito bom o acordo com o cara que publica o livro de jo, com ela ficando com um homem no final. a mãe delas é tão legal. que dó da família pobre; elas pareciam morar bem perto deles, e de tudo, afinal. na parte de jo com a irmã doente na praia pausei pra chorar, não tanto pelo filme, mas porque tava mal. pensando que queria poder ter uma vida diferente, recomeçar em outro lugar, me sentir capaz. jo fala disso, de ser capaz de deter as coisas, mudar, transformar. que bonito essa coisa de sempre ter criado histórias. a união da família, as amizades fortes. triste, de certo modo. no geral, um filme ok. acho que esperava me surpreender mais.

elena (2012)
petra costa, diretora de olmo e a gaivota e outras coisas, falando sobre a irmã que se suicidou aos 20 anos. era 13 anos mais velha, morava em nova york pra estudar, era atriz, dançava. foi ficando triste, perdendo o brilho, vendo o quanto ainda era pequena diante dos desafios dessa vida. mexeu muito comigo essa coisa de ter uma irmã pequena, que não compreende pelo que a outra tá passando. pensei muito em como eu chorava e chorava enquanto tinha que cuidar de meu irmão, em como eu não tinha capacidade de tratar ele bem. petra passou um tempo fazendo acompanhamento psicológico, apresentava coisas de transtorno obsessivo compulsivo, dizia que queria morrer e se recusava a falar sobre a irmã. o que motivou o documentário foi ela ter encontrado os escritos de elena na época em que tava deprimida, bem quando estava com a mesma idade que ela tinha quando morreu. diz ter se identificado demais, e tem toda a questão das duas parecerem muito, todo mundo falar, e petra ter essa espécie de expectativa de que ela supere a irmã. "agora você é mais velha que elena", diz a mãe quando ela passa dos 20. a mãe participa também, lembrando e contando. tem também um amigo de elena, última pessoa com quem ela falou... doloroso, sensível. meio bilíngues, elas, com essa coisa de nova york. me tocou também a fala de petra sobre tudo o que ela produz, toda a inspiração dela vir de elena, que vive nela, através dela, ou que petra vive por elena. não sei o que fazer com isso. essa identificação e dor, catarse. enfim, incrível.

der himmel über berlin (1987)
vi com pölzl, que disse que gostava desse filme e sugeriu que assistíssemos juntas. vimos sem legenda, então devo ter entendido menos que 20% das falas, mas o que entendi foi legal. em algumas partes alguém falava francês ou inglês e aparecia a legenda em alemão, o que me pareceu uma boa estratégia de estudo, também. é sobre esses anjos que observam e protegem as pessoas na terra, de forma passiva. muito bom a atmosfera e as músicas, uma coisa meio mundo dos shinigamis de death note. acontece que um dos dois anjos principais se apaixona por uma trapezista de um circo, e fica sonhando com ser humano. ele acaba virando homem, mesmo, e os dois se encontram de um jeito bem bonito, predestinado. ela fala por um tempão sobre o encontro deles, que ela ansiava, apesar de não saber quem ele era. ela deixou o circo, tava com várias inquietações. muitas coisas existencialistas, os pensamentos sendo ouvidos pelos anjos. show de nick cave. coisas melancólicas e esteticamente agradáveis. a perspectiva dos anjos é sempre em preto e branco, e quando o principal se torna humano a primeira coisa que faz é perguntar qual cor é qual. ich weiss jetzt, was kein engel weiss. bonito. vai ser massa rever com legenda pra confirmar hipóteses, mas pölzl brincou de rever quando nosso nível de alemão for melhor e tive essa ideia de rever todo ano, pra acompanhar o progresso. quem sabe.

swallow (2019)
sugestão de pölzl; vimos eu, ela, carol e talits. uma mulher chamada hunter (!), toda fofinha, bochechas sempre rosadas, cabelo loiro e franjinha, voz fina, casada com um cara empresário ricão, richie (haha). moram numa casa absurda e fica lá sozinha enquanto ele trabalha. engravida, felicidades, uhul. por algum motivo só tem contato com a família do marido, e parece que enxergam ela como alguém que não tinha habilidade pra ser nada na vida, e que o casamento com richie foi a melhor chance que teve. uma conversa estranha da sogra perguntando se ela era fake it ou tinha make it. um dia ela tá lendo um livro de autoajuda que diz pra todo dia fazer algo de que se orgulha, e adivinha o que ela faz? swallow coisas, claro! quando sai no cocô e ela pega pra guardar fica toda orgulhosa de si mesma, feliz, começa uma coleção. vai ficando pior, engole um negócio pontiagudo, afiado. vai parar no hospital, cirurgia de emergência, e descobrem mais um monte de lixo lá dentro. colocam ela pra fazer terapia e ela diz gostar das texturas na boca, coisa e tal. uma brisa de estar no controle de alguma coisa, pelo menos. pra mim tem a ver com as coisas que ela engole metaforicamente na vida. numa das sessões ela solta que foi concebida quando a mãe foi estuprada, que o pai foi pra cadeia e tudo. diz como se não fosse nada de mais, como se não fosse uma questão pra ela, nem pra mãe. a terapeuta fica chocada, mas a cuzona responde diretamente à família do cara, e hunter pega ele ouvindo isso da mulher e fica malzona, né. na casa deles botaram um cara sírio pra vigiar ela, que no fim acaba sendo a única pessoa que realmente se importa com ela. bonito a cena dele se esgueirando pra baixo da cama junto. ele a ajuda a fugir quando tão levando ela pra uma clínica psiquiátrica. ia ficar lá por 7 meses, então imagino que o bebê ainda tá com 2. ela aborta, depois do marido ligar pra ela e mudar da água pro vinho quando ela diz que não quer voltar. nunca tinha visto aborto tomando pílula. termina com ela indo num banheiro público, a água da privada toda vermelha. quando sai fica filmando lá dentro e talita viu uma mulher roubando a bolsa de outra! entendeu que é pra mostrar o tanto de coisa que a gente não sabe que as pessoas tão passando, as coisas que a gente não sabe que acontecem no banheiro público. antes ainda ela tinha ido confrontar o pai, numa festinha de aniversário dele ainda por cima, pra ouvir dele que ela não tinha culpa de nada nem era igual a ele. que pesado, né. acabei pesquisando sobre esse distúrbio (pica, o nome! que deselegante), que já conhecia, e é até bem comum; muitas crianças tem, afinal. gostei do filme, esses assuntos diferentes e esquisitos. atuação, narração, cenário, tudo muito bem feito. gostei dessa review. 

der traumhafte weg (2006)
um dos filmes da mostra de diretoras alemãs no sesc digital. meio confuso esse, li uma sinopse depois que falava algo que eu nem percebi (que o casal encontra o outro 30 anos depois, sei lá). pouquíssimas falas, tudo bem devagar, todo mundo triste. ativou o modo duolingo em pölzl e eu ahushu ficamos falando o que víamos e sabíamos. alle sind traurig in diesem film. um cara que queria ser ator, na grécia com a namoradinha, mas tem que voltar pra onde a mãe tá porque ela tá mal de saúde. consegue morfina e aplica nela, pra morrer sem dor. que horror deve ser estar em dor constantemente. o pai ficou cego, também. o cara passa a viver na rua com um cachorro. triste. outra mulher é atriz também, diz algo sobre atuar que eu não lembro mais, talvez aquilo de poder viver outras coisas além da própria vida. uma filha muito esportiva, quebra o braço usando uma escada. é adaptação de livro, tenho que pesquisar mais pra entender direito. diferentão, bom que foi assim calmo, raro, né.

twilight (2008)
não tinha reparado das últimas vezes, mas agora que tenho a referência do livro fresca vejo que edward e bella passam tempo juntos batendo papo muito mais no filme do que no livro, e gosto disso, porque deixa a coisa toda da dependência um do outro um pouco mais plausível (ainda não justificável, mas menos súbita do que o livro faz parecer). sinto que vi o primeiro filme muito mais vezes que os outros, e é o pior, né, véi... tudo muito azul e artificial ahsuhu aquela sobrancelha definida de edward. que chato que fizeram a cena de jacob dando o recado de billy pra bella diferente; super podia ter deixado pacífico do jeito do livro em vez de edward chegar e tirar ela todo possessivo e escroto. agora que fico vendo memes de crepúsculo o tempo todo fico preenchendo tudo com coisa engraçada; na cena do baile victoria tava bem à vista e edward não captou o pensamento dela, claro... muito bom bella apontando os peitos de jessica e elogiando o vestido ahushsau meme de que kristen sempre foi claramente gay porque essa é a cena em que ela parece mais confortável, tru. fiquei pensando, depois de ler lua nova também, que a história é sim interessante, a proposta é sim legal, e que dava pra ser um filme menos vergonha alheia (senti tantas!) se tivesse tentado um pouco mais, até o livro dava pra ser melhorzinho. a cena do pescador sendo atacado pelo bando de james, ruinzinha né haushu. fiquei dando replay em várias coisinhas, o filme vai passando rápido demais pra se atentar pros detalhes. alice perfeita jogando baseball, essas coisas. sabe que acho robert pattinson bem bonito? fico querendo ser ele, sei lá. emo king (meme) ele vestido pro jogo hauhsu. bella dá buongiorno pra esme, né! até rosalie ri dela falando sobre virar a refeição. edward nem pra desamassar a van de tyler na hora lá do salvamento. e depois no hospital conversando audivelmente com carlisle e rosalie sobre expor a família... tenho visto que as pessoas acham os adolescentes desse filme muito accurate, mike e eric tosquinhos brincando com minhoca, "how you likin' the rain, gurl?", surfar na internet, ~la push~ haushu, e real também. as informações que bella consegue de jacob na praia nem são muito úteis, comparado ao livro, e acho muito nada a ver como bella pesquisa sobre os quileute, acha um livro de histórias do povo, vai na livraria independente comprar (isso é legal), dá só uma olhadinha e acha "os frios" lá, e aí volta pro computador pra pesquisar isso ahushsuhsus. james ameaçando a mãe de mentira também, por que a menina não liga pra mãe pra confirmar primeiro, gente? e ela foge no hotel, nem tem nada de aeroporto, né. alice e jasper lesaram aí, hein. meio desconexa a cena de edward de óculos escuros chegando na escola com bella, todo pimpolho, e eles nem tinham feito nada além de conversar bizarramente na clareira. a reação dela sabendo que a caminhonete era dela, muito kristen! não lembrava que quando stephenie meyer aparece na lanchonete chegam até a falar o nome dela entregando o ~garden burguer~ dela (hayley williams chama hambúrguer vegetariano disso numa conversa aleatória velhíssima com robert pattinson). adoro como bella é mais atenta do que edward espera. "it's the fluorescents" é bem mais engraçado em inglês haha.

anne+ season 1 (2018)
série holandesa de graça no youtube. sobre anne, estudante de letras barra jornalista que mora em amsterdã. poucos episódios de poucos minutos, mas muito legaizinhos e com legenda em tudo que é língua. cada episódio conta a história dela com alguma ex, até chegar à situação atual dela solteira. primeiro a namorada do ensino médio que se também mudou pra amsterdã pra estudar, depois uma nóia que dá um pé na bunda dela por não querer se drogar com ela e ir pra balada, depois uma sara que queria uma one-time thing e partiu o coração dela, depois a chefe que se apaixonou por ela, depois uma perfeita mas não assumida, depois a primeira revisitando e virando algo. muito bom ela conversando com a amiga e falando alguma coisa de kristen stewart. ela tem um pôster de carol e em alguma hora menciona orphan black, que aparentemente também é cultura lésbica. bonitinha essa anne, viu. ver isso tudo me deixou pensando na experiência que eu não tenho, e em como relacionamentos podem ser essa coisa banal. a musiquinha de abertura (e as fotos que aparecem nela, também) é massa, animadinha. tem essa amiga legal e um amigo fiel, também, gosto de ver isso barra queria ter. parece que a segunda temporada saiu só na tv, mas qualquer hora procuro pra piratear. gostosinho de ver, de maratonar. não consigo achar essa língua bonita, muito estranho a mistura de coisas que parecem alemão e o retroflexo forte...

toprak (2020)
primeiro filme da mostra internacional de cinema de são paulo que vimos! pölzl e eu, no caso. diz que é produção de alemanha e turquia, mas a gente tá tendo azar com filme em língua alemã, viu. mas massa ser em turco. é sobre burak, adolescente que perdeu os pais num acidente quando criança, e então mora com a avó e o tio cemil numa vilazinha. eles têm uma plantação de romãs e vendem numa banquinha na estrada, solitários. no começo para um cara procurando flores, e burak faz um buquê bonito com galhos com folhas e umas romãs. vão juntos à mesquita, que tem um lugar com torneiras pra lavar os pés, braços e rosto antes de entrar; não conhecia, legal. burak tá estudando pras provas, com a intenção de ir pra universidade, mas o tio fica desencorajando e insistindo pra que ele continue vivendo ali, fazendo o de sempre. uma hora a avó adoece e descobrem que tá com câncer, mas não têm dinheiro pra operação. na hora do susto ligam pra um conhecido que tem carro, que chega em dois segundos. louco que nessas comunidades deve ser assim mesmo, uma pessoa que tem os meios de ajudar outras e tal. cemil fala com um cara que empresta dinheiro pros outros e combina que vai vender um rim pra pagar a cirurgia da mãe, véi. mas claro que ela morre, de qualquer forma, e ele fica todo mal com dores e a ferida sangrando errado. se entrega à bebida, não vai mais à mesquita (tô achando que é outro nome que eles usam), nem vender romãs. burak recebe uma carta dizendo que ele foi admitido na universidade, mas esconde do tio. no dia que levaram a vó pro hospital ele logo em seguida limpou a casa toda, ficou os dias lá sozinho, cuidando de tudo. tem uma hora que ele queima o lixo, porque um cara vem notificar que o caminhão do lixo não vai mais passar. pölzl ficou vendo simbologias, a questão da fruta ser a romã, essa coisa da limpeza... o próprio fogo, né (esse foi eu que pensei). uma hora sozinho em casa, o tio acorda em meio às bebidas, sentado à mesa de onde não sai mais, e vai se banhar, mas cai e morre. que horrível, a expressão dele ali numa poça d'água, de cueca, com a atadura bem visível. bem triste os enterros, o cara do carro e mais outros cavando a cova. e aí vem burak saindo da casa com as coisas dele num saco e deixando o portão aberto, !!!!! isso me chocou de um tanto. podia ter acabado aí, mas tem uma cena pequena dele numa biblioteca, feliz, e o último take é ele sorrindo pra câmera. não achei que precisava disso, destoa de tudo que vem antes, do ambiente e a energia. a gente já sabia que ele ia estudar agora, afinal. achei um filme muito bom, muita coisa pra pensar, né? dá pra entender a solidão do tio, também, imagina ver todo mundo indo embora, não entender o que tem pra além dessa vida que ele conhece. uma hora ele fala da mãe de burak, que ela lia muito, tudo, e ele não entendia o que tinha de interessante naquilo. tem uma menina da idade de burak, também, que quer ir embora mas o pai não permite. ia se casar com um cara que achava bonito, mas era mentira; no fim vão casá-la com um homem da idade de cemil. triste. burak dá pra trás em ajudar ela; uma perspectiva bem outra, né, ser mulher no meio disso tudo. linda a paisagem, o silêncio, a simplicidade.

between heaven and earth (2019)
filme de palestina, luxemburgo e islândia, da mostra internacional de cinema também. salma e o marido, tamer, vão para israel para se divorciar, a desejo dela, mas não conseguem por causa de uma incongruência entre o que tamer fala e o que consta nos documentos oficiais (ele diz que o pai morreu em beirute, mas no sistema tem outra cidade). parece que o pai dele era um intelectual e revolucionário famoso. eles têm só umas 70 horas em israel pra fazer tudo, e vão atrás de uma tal hagar, que também foi revolucionária, e que tem um filho chamado tamir. não entendi bem esses emaranhados todos; no final tamer visita ela num asilo e entende que foi ela quem mandou matar os pais dele, coisa que ele lembra de quando era pequenininho. não entendi se ele foi adotado pelo cara famoso ou era pai mesmo e morreu aí. mas a questão maior é a separação, salma mostrando pra ele porque precisa disso, os conflitos de visão que os dois têm. numa hora em que se perdem (porque tamer não sabe hebraico) eles encontram uma mulher armada que mora na beira da estrada, massa. quando tão indo embora ela conta uma história sobre uma noiva que caiu no mar por onde vão passar, que não teve tempo de desfrutar da felicidade que sentia em se casar. diz que quando nos apaixonamos damos início a um ciclo de vidas e mortes. várias coisas poéticas nesse filme, que eu gostei bastante. quando discutem sobre o divórcio ela diz que sempre tentou fazer ele feliz pra se sentir amada, que foi se perdendo pouco a pouco nesse processo, e que no fim não sabia mais quem era... ela abortou, também, e fala sobre como nem nessa hora, quando mais precisava de apoio, sentiu que ele tava lá por ela. "não podia ter me feito um café da manhã, pelo menos?"...putz. eu me vendo nas coisas, um frio na barriga. meu deus, e quando visitam os pais de salma e depois ela tá falando sobre a dificuldade que tem de lidar com o pai? tamer vira e diz que pelo menos ela tem um pai, e ela responde uma coisa que me tocou demais: algo como "eu tô compartilhando uma experiência minha e você fica me trazendo pro seu mundo!"... é isso, sabe. numa hora dão carona pra um carinha, não sei se muçulmano ou budista, apesar de israelense, e ele fala sobre como essa espiritualidade o preenche, dá sentido pra vida dele. que ele só viu isso quando o coração dele tava quebrado, mas que precisa estar quebrado pra luz entrar, mesmo. salma acaba acompanhando ele pra festinha pra onde ele tá indo, pra ver os amigos tocarem, e lá eles dançam e ele diz que dança e música levam ao êxtase, e não pude deixar de pensar no kasal como complementares perfeitas. "se for de coração, é mágico". diz pra ela colocar a mão no coração, ouvi-lo, girar e se soltar. tão bonito. enquanto isso tamer tá sendo paquerado, e tudo bem. igual toprak, o final decepciona de leve: ela e tamer sentados esperando serem chamados pra se divorciar, e o número deles sendo repetido três vezes sem que eles saiam do lugar. puff. mas gostei, ainda assim. também deram carona pra um casal judeu francês, todo briguento mas que começam a se beijar quando o cara diz que tá lá porque queria se aventurar com a esposa, e quando deixam eles no ponto de ônibus dá pra ver que continuaram abraçados apaixonadamente. risos. nessa hora mariana acordou e disse "quanta carona né" kkkk. ela se esforçou pra não dormir dessa vez, mas nem assim, coitada.

new moon (stephenie meyer)
bem mais legal que twilight. quanta cena morna nesses contrastes livro-filme! lá com os volturi não acontece nada de mais, não tem aquela luta com edward massa em que ele trinca o rosto, pena. aro beija jane nos lábios, véi. não tô lembrando de detalhes sobre a idade dela e do irmão, mas naqueles curtas e nos memes parece que eram crianças, uns 12 anos ou menos. gosto dos momentos em que dá pra ver a personalidade de bella, o senso de humor dela (acho até bom). muito massa a brincadeira da idade baseada em experiências haushu. jacob sendo best friend! pô, ela surpresa de estar rindo e se divertindo de verdade... tão saudável, olha isso em comparação com o absurdo de não poder nem mesmo pensar no nome do ex-namorado. i mean, ela diz i was like a lost moon―my planet destroyed in some cataclysmic, disaster-movie scenario of desolation―that continued, nevertheless, to circle in a tight little orbit around the empty space left behind, ignoring the laws of gravity. jacob também respeita ela, diz que é porque presta atenção!!!, sabe. ele fica chatinho depois de virar lobo e de alice voltar, né, poxa. o fandom falando de como a autora estragou ele, tudo aquilo do imprinting também. ah, ainda tem o jeito que ela fala dos quileute, "superstições", desprezando as crenças do povo... que merda. e ele não podendo contar o segredo que não é dele, bella descobrindo chocada, tranquilona lá entre os montros. vampire girl e wolf girl, hehe. mas aff ela achando que eles são mais monstros que os vampiros, antes de entender tudo... de novo aquilo do livro dar todas as pistas pras coisas que vão acontecer, e pra gente que já sabe tudo é bem óbvio (pensando no bando de sam e etc). não lembrava do encontro na clareira com laurent e os lobos aparecendo, woof... o cinema com mike kkk coitado, todo cagado. deve ser massa pular de um penhasco, hein. e a paz de aceitar que vai morrer. as alucinações dela nunca foram visuais, então! é só o filme. que estranho isso, na real. coisas de heaven and hell na visão e edward. fico pensando nos memes (ou não) de que vampiros ficam presos no estado em que são transformados, então ele é pra sempre um angsty teenager hsuhu. os meses que passam só com os nomes, que nem no filme... pesadíssimo quando charlie conta pra alice como foi em detalhes. forbidden to remember, terrified to forget; it was a hard line to walk. dorzinha de se ver em bella às vezes. e essa coisa dela se perguntar se devia se contentar com jacob, deixar que ele a amasse romanticamente, etc... é uma coisa a se pensar, realmente. quando edward volta eles têm aquela conversa atrás da casa, jacob parece que tá terminando a amizade. até achei que edward foi tranquilo, aposto que no filme é mais um enfrentamento. não sabia que a refeição dos volturi vinha de outro lugar, sei lá, não podem caçar em volterra ("a cidade mais segura de ataques de vampiros, portanto", irônico). tô ansiosa pra ver o filme, lembro de ser um grande avanço em comparação com o primeiro. e a trilha sonora!!! aiai.

1986 (2019)
mostra de novo. se passa na bielorússia, apesar de ser coprodução alemã; tô vendo que pölzl e eu não vamos conseguir ver nada em alemão nesse festival. o pai de lena tá na prisão, por causa de algo a ver com sonegar impostos, acho, mas também tinha um negócio ilegal de venda de metal da área isolada por causa de chernobyl. ela insiste em continuar isso e dirige o caminhão dele e tudo, faz uns trabalhos ainda. numa vez que tinha que cruzar alguma fronteira ela leva o namorado, viktor, e por causa disso o cara que tá designando trabalhos pra ela perde a confiança nela e decide que não vai mais contratá-la. ela estuda em outra cidade, aparentemente, e tem mais de 20 anos, apesar da cara de adolescente. o namorado parece meio velho pra ela, tipo 25 pra cima, mas talvez seja pelas covas de espinha no rosto. ele é asiático. lena pede dinheiro emprestado pra um cara no começo desses trabalhos dela, e o cara beija ela e dá em cima de um jeito nojento. tem um momento que viktor tá viajando com uma amiga na suécia e ela fica paranóica porque ele diz ter perdido o celular e não se falam por alguns dias. quando ele volta ela o confronta e parece que ele traiu ela mesmo. sai revoltada, até se machuca batendo a mão em alguma coisa que corta, mas noutra hora diz que estão quites porque também o traiu. não sei se ela tava considerando o beijo no cara uma traição. eles continuam juntos mas ela não tá muito bem, fica sempre achando que tem algo com ele e mulheres em volta, trata ele super mal. acaba que ele termina com ela. não acontece muita coisa nesse filme, muitas cenas de estrada, trem, carro. uma atmosfera triste. a fala do diretor apresentando o filme caiu melhor depois de ter assistido; tem coisa acontecendo hoje na bielorússia que eu não sabia, também, ditadura e manifestações. na escola de lena tem uma aula falando sobre como é o país mais rico dos ex-soviéticos, que é o que mais investe em saúde, mas tem problemas também, né. fui ler review e achei uma que diz que o contato de lena com o lugar do desastre nuclear cria uma coisa de "sedução do mal mais profundo", o que termina com ela se rendendo à floresta, na última viagem que faz, sozinha. acho que construi expectativas demais pra esse filme, mas entendo essa coisa de chernobyl pairando sobre tudo, ela presa a esse trabalho porque precisa do dinheiro, deprimida, sei lá.

a'e mimiu haw - a história dos cantos (2019)
um cantor guajajara da aldeia maçaranduba, tribo indígena caru, no maranhão, contando como seu povo aprendeu seus cantos sagrados com os pássaros, as rãs, todos os animais. massa como às vezes tem coisa em português no meio da língua dele (tenetehara, suponho, se for como tô aprendendo com ricardo em morfologia); "como foi", "aconteceu", "de onde", "a toa"... achei os cantos dele tão lindos, tão bons de ouvir; queria achar fora do filme pra poder reouvir sempre. como deve ser incrível aprender com a natureza assim, conhecer a mata. em morfologia a'e significa ele e haw é um nominalizador.

a arca dos zo'e (1993)
wilmar passou na aula de 28/10. um indígena waiãpi, do amapá, voa até a aldeia dos zo'é, no norte do pará, pra conhecê-los e documentá-los. isso é do projeto vídeo nas aldeias desse tal vincent carelli, que também produziu a'e mimiu haw, afinal. no começo parece ter alguma dificuldade de comunicação em razão das línguas que falam, mas depois conversam tranquilamente, discutem as diferenças entre os dois povos, o que os brancos já mudaram pros waiãpi e tal. acham bonito a tanga dele, pedem pra trazer da próxima vez que visitar. matam macaco e anta pra comer juntos, que bocadão de carne! tem partes do primeiro indígena mostrando as filmagens dos zo'é pra seu povo, explicando como vivem, comparando. diz ter ficado com vergonha no início, porque eles andam todos nus, mas que depois se acostumou de novo. bonito o encontro, e triste pensar no quanto os brancos arruinaram. wilmar falou de uma freira que conheceu no início da vida dele de indigenista, e que ela dizia visitar uma aldeia uma vez por mês pra dar banho nas crianças, que não se higienizavam direito. uma maneira de se colocar no lugar do outro de toda distorcida, né, "consertando" o que não te agradaria se fosse você no lugar do outro. que merda. mas o filme é legal! ficar com esse sentimento.

el paraiso de la serpiente (2019)
mais um da mostra, dessa vez a história se passando no méxico. o diretor diz, na apresentação do filme, ter inserido várias ideias de lao-tsé no filme, mas acho que não conheço nada que consiga reconhecer. filmes de poucas falas, contemplativos. massa ser preto branco, bonito. tem essa frase recorrente, "todo lo creíble es una imagen de la verdad", mas quando pesquisei caiu em william blake. pode ser que ele tenha mencionado esse autor, também. começa com sky e o avô (bem jovem, afinal) resgatando um homem da estrada, de perto de um carro capotado. ele não se lembra de nada, nem de quem é. por uns dias ele fica sendo meio que prisioneiro, porque o mantém preso, mas acaba que o avô conclui que ele não serve pra nada e manda sky deixá-lo no deserto. lá uma menininha cega o encontra e fala que vai presenteá-lo com a fala, e ele volta pro povoado como um profeta, curando o menino que não pode andar, o velho ficando cego, e até o padre quando ele adoece. sky pede pra abençoar o galo de rinha dele e eles ganham a briga, reestabelecendo as pazes entre as famílias. nessa hora o profeta diz pro avô um negócio que achei massa: olhos de fogo, nariz de ar, boca de água, barba de terra. fiquei chateada por não poder ter a terra. tem um menino, coroinha, que ajuda sempre o padre e tem uma rivalidadezinha com sky, porque eles gostam da mesma menina. essa menina pede pro profeta ensiná-la a fazer milagres também, e tem uma hora massa em que ela, sky e o cara meditam juntos, guiados por ele. se vêem mergulhando num rio, em paz. tem uma peste rolando nesse povoado, também, algumas pessoas morrendo. conflito entre a religião e esse cara desconhecido que chega do nada fazendo milagre. tem duas velhas fazendo umas coisas por fora também, mas parece que se comunicam com esse padre. elas fazem uma maldição pro cara e ele termina esfaqueado, mas não mostra por quem. sky tá por perto e encontra o corpo, e o coroinha tá por lá também, com uma faca... eles lutam e podiam ter se matado, mas sky o poupa. no final tá ele e a menina nadando num rio, coisa mais linda, e essa cena é colorida. uma serpente passa por eles, mas nada de mal acontece. achei esse menino sky bonito de um jeito que eu acho massa, e o coroinha também. fico querendo ser menino. o profeta tem aquelas caras fundas nas bochechas, uma boca bem marcada. muitos traços indígenas no méxico, né. e esse misticismo misterioso, o deserto. sky também quer deixar o povoado, mas o avô não permite, tipo toprak. quantas vidas. ahh, super erro de sequência numa hora que sky aparece de cabelo cortado pra "expulsar" o coroinha de perto da menina enquanto ela ordena uma cabra, mas depois tá de cabelo grande ainda quando fala com o profeta e no fim tá cortado de novo quando enfrenta o menino!

crisálida 1ª  temporada (2019)
a série em libras e português que entrou no netflix recentemente! se passa em santa catarina, em volta da ufsc, onde tem o curso de libras que une os personagens principais. quatro episódios só, infelizmente, mas descobri que tem um curta que veio antes. tem várias cenas em que os atores tão bem mais jovens, diferentes, então deve ser por isso, daí. no primeiro tem morgana sendo atropelada na bicicleta e jaks tentando ajudar e descobrindo que ela era surda e sem libras ficava foda. ele decide fazer o curso, então, e acaba encontrando ela de novo. começam a namorar, mas ele fica insistindo pra transarem, pelo que eu entendi, e ela tá indo mais devagar com isso. tudo acaba quando ele a leva pra comer na casa dos pais, que ficam visivelmente chocados e a tratam meio mal, falando em "doença" e agindo como se ela não estivesse ali. foda isso, né. a sinopse desse episódio diz que são um casal muito diferente, "ela é branca e surda, e ele é negro", mas na real ela é amarela, pô. quiseram colocar como se a família de jaks estivesse sendo preconceituosa apesar do que passam pela cor da pele, mas faltou considerar isso também. o segundo episódio é sobre valentina e alan, casal surdo que tem uma filha ouvinte, e as dificuldades que isso apresenta na vida deles. a menina rouba uma boneca de uma loja porque quer alguém pra conversar (em português, apesar de saber libras) em casa; pede pra mãe fingir que é o pai, de quem ela parece gostar mais, porque ele tá viajando... ela se perde num parque, porque valentina cochilou, e quando a irmã ouvinte chega pra ajudar ela não diz o que o dono do parque realmente falou pra valentina, o que também causa um atrito. essa irmã dela tá pela faculdade também, e é paquerinha de rubens, cuja mãe tá aprendendo libras também, mas cujo pai acha que ele tem que usar aparelho e falar. o pai prefere gastar dinheiro com isso em vez de pagar uma intérprete pra ele na escola (ele tá no nono ano apesar de ter 17 anos, inclusive). quando finalmente conseguem a intérprete, aliás, ela pergunta à mãe se ela já considerou colocar rubens numa escola bilíngue... até o bigode atrapalha, mas depois de um tempo ele tira e entende. o professor de libras parece se interessar pela mãe, que tá meio baqueada por isso tudo também, pelo marido ser difícil. parece que rubens ficou surdo porque caiu da banheira quando bebê, num momento em que ela saiu pra pegar a toalha que esqueceu. foda. não sei bem em qual episódio teve o que, mas o intérprete da faculdade, que tá trabalhando num processo em que o réu é surdo, é uma drag queen chamada hanna diva. o advogado do caso tá meio em cima dela, também, e a namorada começa a desconfiar que tá sendo traída depois de achar um batom no banheiro dele, de ver ele ensinando "você quer jantar comigo?" pra uma fonoaudióloga bonitona aluna do curso de libras, e porque ele nunca vai nas festas com ela (porque vai de hanna diva, e ninguém sabe que é ele). ele mora com gustavo, que desenvolve um projeto super massa de uma pulseira cartão de crédito pra festas, mas o cara da empresa pra quem ele tá tentando vender não quer mais saber de nada quando descobre que ele é surdo. porra. enfim, várias histórias massa, se entrelaçando porque todos interagem. a segunda temporada tá confirmada, parece, mas tem essa complicação de pandemia agora. muito bom que entrou pra uma plataforma popularzona, que pode dar uma visibilidade necessária pra esse assunto. polzl mesmo me viu assistindo e disse que tem 0 contato com a cultura surda... espero que isso mude.

se escuchan aullidos (2019)
que filme inesperado! também é da mostra, no caso. bem improvisado, muito cara de feito em casa, por amadores. indie, né. até a apresentação do diretor foi assim, ele gravando em formato de celular, se dirigindo à filha, falando como ia ser o filme e que ela mesma ia atuar, que não sei quem ia fazer o papel de vários personagens, etc e tal. é isso mesmo: uma menina, fabiana, sozinha por aí com a espingarda herdada do avô, tentando fugir dos limites que a mãe coloca, querendo tomar chuva e andar de bicicleta. várias histórias do pai, sussuradas no ouvido dela por ele mesmo, que nunca mostra o rosto. massa ela repetindo o que ele vai ditando, sorrindo genuinamente com as coisas engraçadas. muito bom isso de uma pessoa fazer vários personagens, acho que nunca vi um filme que tenha isso. numa hora ele é o cara de uma pulqueria cujos muros os amigos do pai de fabiana picham (não sei se reais ou também na cabeça dela), e aí ele discute com o cara encarregado de olhar ela no bairro ou condomínio. cada hora ia pra um lado dela e mudava um pouco a camisa, trocando de personagem ahsuh. como é bom de ouvir esse espanhol, as expressões e o jeito de falar. as falas de fabiana quando tava triste ou sofrendo são ótimas, também, a voz comunica muito. o que ela quer fazer é buscar o lago texcoco, que era muito grande no passado mas foi drenado pra construção daquele povoado. ela diz que o pai nadava nele quando mais jovem, e agora só tem uma poça de concreto, e outra pior ainda no leito pedregoso e isolado. umas reflexões massa sobre isso, pessoas locais entrevistadas que nem documentário. um deles canta em náhuatl, que língua linda, também... às vezes o rei poeta, nezahualcóyotl, que é um personagem importante do méxico, segue fabiana (atrás do cantor duas pessoas seguram um quadro dele, um agave ao fundo e tal). ela diz que ele sempre escapava, fugia, se curava de ferimentos. esse cara que cantou conta um pouco das histórias sobre "neza" (como fabiana às vezes se refere a ele), que ele tinha uma plantação de ervas medicinais na montanha, que tinha conhecimentos avançados de hidráulica e fez um sistema de irrigação que ia até as ervas dele. gostei muito de tudo, desse jeito pitoresco de tudo, das músicas, do cenário, de fabiana. me lembra muito gabriella, o formato do rosto, a cor da pele, as expressões. que bonito essa coisa da infância/juventude efervilhante, curiosa, inquieta. ela fala que não gosta de números, que prefere ler, que queria poder brincar com os meninos na educação física, que quer ser ela mesma, que não sabe o que quer ser (o pai queria ser ladrão ou espião). tem alguma lenda, também, de uma mulher lobo, e numa hora ela chama uma amiga pra ir com ela até o restinho do lago, pra conseguir passar pelo guarda que não deixa ele avançar. é uma mulher toda coberta de pelos, mas não sei se é real (no caso, aquele distúrbio chamado hipertricose ou hirsutismo) ou não. me deu vontade de viver outra vida, falar espanhol, sair sem rumo pra descobrir coisas. quero aprender mais sobre astecas, também, e ver mais filmes desse diretor. mais coisa pra ler aqui.

under the tuscan sun (2003)
filme escolhido por pölzl pra vermos no dia em que mariana foi viajar e analuísa tava triste. sobre frances, crítica literária e escritora que descobre que seu marido tem um caso pesado e se divorcia, e que acaba indo pra toscana num tour gay que era pra ser do casal de amigas lésbicas. sandra oh é uma delas! a grávida (por isso não puderam mais viajar)! e a outra é a atriz que faz addison irmã-de-derek em grey's anatomy (!), puta casal hein. mas ver esse gif me fez pensar que elas não são lésbicas muito convincentes, também. acho que nunca vi sandra oh tão jovem, fiquei deslumbrada com ela... frances compra uma casa na toscana porque decide se arriscar a ~ir pelos caminhos inusitados do destino~ e começa uma reforma, contratando um grupo engraçado de caras poloneses. um deles é jovenzinho e paquera a filha do vizinho que tem um pomarzão de oliveiras, outro só faz tremer e olhar pra ela paralisado, outro é um professor de literatura caladão. casa de 300 anos que só conseguiu ficar porque uma pomba cagou na cabeça dela e esse foi o sinal pra velhinha que tava vendendo. uma torneira numa parede aleatória, um bocado de jornal velho amontoado, vários móveis que vieram junto. tem uma loira, também não-italiana mas acho que inglesa em vez de estadunidense, que é quase uma entidade em tudo quanto é lugar dessa cidade. parece que era atriz, e agora vive desfrutando do que pode, toda chique e cheia de si. o corretor de imóveis consola frances uma hora em que ela tá se achando doida por ter uma casa pra uma vida que ainda não tem dizendo que construiram uma ferrovia num dos pontos mais altos dos alpes antes mesmo de ter um trem pra fazer aquela viagem... também faz um comentário péssimo nessa hora, que ela não pode ficar triste porque senão vai ser obrigado a fazer amor com ela e sempre foi um marido fiel... af. queria que tivesse menos romance. primeiro ela tem um caso com um tal marcello, que ela esbarra e finge que é marido dela pra se livrar de uns caras que começam a importunar ela na rua sem sentido. mas as coisas vão acontecendo, a amiga grávida (chama patti) vai visitar ela, e passa um tempão sem se ver, e no final claro que ele já partiu pra outra. patti, coitada, foi abandonada pela outra, que disse que não queria mais ser mãe, véi. foda. tão linda nas roupinhas massa que usa. ficam lá morando juntas, no final o bebê nasce, o casal adolescente se casa na casa dela (nossa que frase foi essa), e pronto, taí as coisas que ela queria ter na vida. termina com um tal ed chegando nela perguntando de uma crítica que fez pra ele, com ares de romance. why. foi legalzinho de ver com as meninas, levinho, mas nada de mais também. se não fosse sandra oh... e a itália é bonita mesmo, hein, não tem jeito. essas coisas todas de pedra, velhas, os campos verdes, o mar.