quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

lidos (2) e assistidos (3) em dezembro

judy moody: judy de bom humor, judy de mau humor, sempre judy moody (megan mcdonald)

menininha mau humorada, melhor amigo rocky, preconceito com um colega de sala nerd que depois ela descobre que tem tudo a ver com ela, irmão mais novo, gatinha ratinha, clube do sapo... li com matheus enquanto tava na casa dos pais, começou sendo um capítulo por dia mas logo ele animou e acabamos lendo pelo menos dois. outra coisa ler pra criança, né, colocar emoção e surpresa na narração e se investir na história. foi uma experiência boa que nunca tinha conseguido com ele, talvez porque não era a hora certa ainda. dessa vez ele sentia minha falta e tá mais velho. o melhor de tudo foi fazer nossas próprias colagens "quem sou eu", igual judy moody fez pra escola! pedi pra minha mãe continuar a série com ele; até onde eu sei tá acontecendo. essa esperança de ser uma influência boa e uma inspiração pro irmão mais novo...

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aschenputtel (rosemarie künzler-behncke, markus zöller)

achei no sebo! a cinderela em alemão hahah. feliz de conseguir ler, afinal a indicação é de 2 anos de idade pra cima... linguagem simples, verbos que eu conheço, etc. bonitinho o jeito de contar, as ilustrações também :) e agora que pölzl tá com uma impressora posso escanear pros colegas lerem.

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soul (2020)

mal comecei a ver propagandas do filme novo da pixar e nalu perguntou se eu conseguia baixar, e assistimos um dia depois de ter sido lançado (a legenda tinha vários defeitos, inclusive). antes de assistir vi comentários no twitter sobre a disney não conseguir deixar um personagem negro com pele negra por um filme inteiro e sobre essa representação sempre burocrática do além-vida, em vez de retratar a perspectiva de outras culturas. enfim, joe gardner é o protagonista, músico que dá aula numa escola de ensino fundamental e não quer aceitar o contrato full-time porque tem esperanças de conseguir fazer o que realmente o cativa (tocar!). a mãe tem uma loja de roupa social e desaprova essas incertezas da vida do filho. e aí joe consegue ser chamado pra tocar com uma saxofonista foda e fica super feliz, mas cai num buraco e morre... no processo de passar adiante ele não se conforma, vira uma espécie de orientador de almas que ainda vão nascer, assume o posto de outra pessoa e fica com uma tal 22 conhecida por nunca ter sido convencida a nascer, mesmo com inúmeros mestres, famosos até. acabam se unindo num acordo de que ele ia nascer no lugar dela e ela ia morrer no lugar dele, mas acabam indo pra terra precipidamente, e joe cai num gato e 22 no corpo de joe. acaba que ela curte estar viva, observa as folhas, se diverte com os pequenos detalhes, mas joe age mal falando que isso não é paixão, é só viver. umas mensagens de que você não é seu talento, de que nossa missão é só viver, e não fazer coisas. joe aprende isso de certa forma, mas magoa a coitada bastante. tem um lugar onde as almas perdidas ficam, não só mortas mas de gente que se aliena pra conseguir seguir... foda. enfim, chorei muito me identificando com 22, apesar de no geral não ter me cativado muito. carol disse que esperava mais, analuísa ficou muito mal porque tem medo de morrer, e no fim ninguém conversou sobre (eu queria, mas tudo bem).

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happiest season (2020)

aff, concordo que abby devia ter ficado com riley no final em vez de perdoado harper. amando ver kristen atuar como ela mesma kkk as meninas admiraram muito ela, inclusive, tiraram até foto do momento em que ela se apoia no balcão durante o natal, encarando harper de longe, chateada. não fui com a cara dessa namorada em nenhum momento, mas bonitinho como kristen é baixinha perto dela. riley foi bem mais legal e mais interessante, compartilhou que se identificava em ser deixada de lado igual quando namorou harper e foi exposta por ela pra escola inteira sozinha. pesado, né. muito bom o amigo gay fada sensata indo resgatar abby daquela casa e dando um sermão tocante sobre o processo de cada pessoa com sair do armário. achei importante de existir pra outras gerações e tal; sempre bom ter mais representatividade em gêneros clichês, afinal. mas nada de mais o filme. foi legalzinho de assistir, passar tempo, dar sorrisinho. umas besteiras que só em comédia romântica, o amigo substituindo o peixe haushu. e o final podia ser outro, não vejo sentido nesse perdão depois de tanta mágoa. fiquei firme o tempo todo. ressignificando datas, né.

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mars season 1 (2016)

carol maratonou essa série inteira nuns dias de férias que deu a si mesma e foi engraçado o tanto que ela se envolveu e vibrou com o que acontecia. todo mundo assistiu pedaços enquanto isso e quando pölzl voltou do natal com os pais ela quis ver também, então resolvemos ver direto (carol embarcou junto pra rever). mistura ficção com documentário, gente falando de ir pra marte e tudo que isso envolve, possíveis problemas, avanços tecnológicos necessários, etc, e tudo sendo ilustrado na historinha. desde estudiosos e escritores até elon musk falando (cuja empresa spacex, por sinal, tem esse nome tosco). negócio de tentarem fazer foguetes reutilizáveis pra ter a capacidade de investir em viagens pra marte. a loucura que é considerar ir pra outro planeta enquanto a terra tá longe de ter os problemas resolvidos. strong female protagonist que ainda por cima gives off lesbian vibes e tem uma irmã gêmea correspondente na terra. problema na aterrissagem (amartissagem?) e caminhada básica de 70km até a base improvisada. segunda leva de gente com um botânico esquisitão que se mata num delírio levando mais 6 pessoas e a estufa toda. o problema da água e das tempestades de areia, gente fazendo coisa em lugares remotos na terra também. efeitos psicológicosss. descoberta de formas primitivas de vida. fiquei pensando em como o ser humano se acha o centro do universo e a última bolacha do pacote, né. se houver vida em outros planetas, qual a probabilidade de se desenvolver igual a gente? ou sequer de se desenvolver, na real, porque tem tudo aquilo de degraus evolutivos. e os milhões e bilhões de anos pra de fato observar alguma coisa...? o tanto de merda que pode acontecer, véi, não dá pra ter esperança. a conclusão é que não tem sentido ir pra marte se não for pra explorar, e que merda.

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

lidos (3) e assistidos (7) em novembro

nheengatu - a língua da amazônia (2020)

documentário sobre a língua geral amazônica na 44ª mostra! não esperava que ia ouvir português de portugal, mas o diretor é de lá. muito boa a música do começo, uma coisa que mistura elementos de cantos e instrumentos indígenas e elementos meio eletrônicos, psicodélicos. que imensidão que é o alto rio negro, as margens cobertas de verde, a água se misturando com o céu a perder de vista... o indígena que trabalhou como intérprete é conhecido de wilmar, faz parte do grupo de tradução dele, olha só! edson baré. compartilhei com o professor esse e um outro documentário, sobre a terra indígena arariboia (tentehar - a arquitetura do sensível), e ele usou na aula, passou a primeira meia horinha :) corrigiu o que o diretor fala no começo, que o nheengatu é uma língua inventada – não é. se relaciona ao tupi-guarani, luã disse que era bem parecido com o nhandewa. palavras do português que vazam pra língua ("pois é", números, "negócio de", "aconteceu")... nos lugares por onde passavam o cara dava um celular pra alguma pessoa e pedia pra filmar o que considerasse importante. numa dessas duas mulheres ficam juntas conversando sobre como esses brancos lucram em cima deles, que iam fazer dinheiro com isso, que uma delas queria um celular desses. muitos lugares cristãos, com frases do tipo "cristo salva!" e "quem ama maria, contente será" pintadas em escolas e etc. um senhor relatando como a religião o salvou da bebida, que não vai contra as tradições dele. diz que foi uma mulher dos eua que trouxe. uma outra falando que agora não sentem mais raiva, não falam mais palavrão. uma coisa doida de "exército de cristo" numa assembleia que reune muita gente, armas de madeira num gesto simbólico de proteção. outro conversando, dizendo que "para nós o lula foi bom", e que "eles querem virar brancos, mas o rosto não permite; a língua pode mudar, mas o rosto não"... no final a cerimônia do jurupari, que um velho diz ser alguma entidade ruim, diferente de jesus. flautas em dessincronizadas como a voz do jurupari, achei uma coisa fantástica, hipnótica. história do filho de um indígena que desapareceu do nada, sem deixar rastros; que pode ter sido os encantados. uma velhinha que fala de "parentes rebaixados", que estão no "tempo do atraso", não são civilizados :( ...sempre essas conversas, entrevistas, onde querem saber o que os indígenas acham da situação da língua, se tá crescendo ou não. o próprio edson diz que não costumava usar com a filha novinha, mas que tá começando agora. que ela ainda não entende por que ele faz isso, que não fala, mas o compreende e responde. "a gente tem direito de não esquecer da nossa cultura." triste, bonito. gostei de ver e de saber que existe.

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silêncio - o poder da quietude em um mundo barulhento (thich nhat hanh)

um dos livros que baixei gratuitamente, só porque andava pensando sobre o silêncio. embarcando nas auto-ajudas, hein. comecei a ler despretenciosamente, já faz tempo, mas depois de um hiato voltei e fez mais sentido, porque talita já tinha ido embora e eu tinha começado a tentar fazer yoga todo dia. (engraçado que, pensando agora, no começo eu tava lendo e pensando em como as meninas eram barulhentas desnecessariamente, às vezes. elas falam que eu sou misteriosa, tenho uma energia muito particular... eu sei que sou silenciosa. acho até que é uma das coisas que fazem com que eu me dê bem com elvira.) compartilhei coisas desse livro com pölzl, que gostou muito do que falei (sobre o mindfulness, a meditação e tudo isso não terem a intenção de colocar novas ideias na nossa cabeça, mas de ajudar a nos esvaziar das ideias que já temos), e com tati, que falou sobre o silêncio em movimento que ia tão bem com a prática de yoga. ambas tem essa proposta de respiração consciente, atenção ao presente... se você for capaz de estar presente, se puder ser livre, poderá ser feliz no aqui e agora. e não precisará correr para lugar nenhum. não é um livro perfeito, é um pouco repetitivo e algumas vezes fiquei chateada pensando que pra algumas pessoas virar essa chavinha não é simples como o autor coloca, por causa de coisas como depressão e ansiedade (portanto, todos temos escolha. você tem uma escolha. seus pensamentos podem fazer com que você e o mundo ao seu redor sofram mais ou menos. caso queira criar uma atmosfera mais amigável e harmoniosa em seu local de trabalho ou comunidade, não comece tentando mudar os demais. sua prioridade deve ser encontrar um espaço de tranquilidade no interior do seu corpo, para assim aprender mais sobre si mesmo. isso inclui tentar reconhecer e compreender seu próprio sofrimento). mas de qualquer forma, pela primeira vez senti que tava num momento possível de conseguir me entregar a isso, e foi realmente bom, tem me feito bem. cada capítulo falava de uma coisa, apesar de tudo voltar pro mindfulness, pro silêncio, pra ilha de si mesmo, e sempre tinha alguma prática no final, algum mantra. preciso revisitar, escrever e deixar à vista, talvez, agora. ao reconhecer pensamentos e desejos, e permitir que eles surjam e desapareçam, você terá espaço para se nutrir e entrar em contato com suas reais aspirações. umas coisas sobre os alimentos que consumimos (sensações, desejo e consciência, pra além da comida mesmo), sobre como nossa consciência afeta a do grupo e vice-versa... até sobre as coisas que cultivamos consciente ou inconscientemente se refletirem nos sonhos, ou escaparem em conversas (! aquela coisa de eu entender muitos sentimentos só quando falo sobre e faço sentido nas palavras). teve coisas interessantes sobre o corpo, também, e tati complementou de maneira absurda: o livro fala que você não é apenas o pequeno corpo que normalmente identifica como "você mesmo", fala dos monges do vietnã que se autoimolaram durante a guerra e sobre como utilizaram o corpo como meio para expressar uma mensagem já que não o enxergavam como eles mesmos, e tati tava contando que não tem gostado de olhar o próprio rosto, de se olhar no espelho, e que ouviu um podcast sobre budismo que diz que o último passo na prática é "cortar a cabeça", e pensou que a gente vai entendendo que não é nosso corpo, mas que tem esse apego a ele e por isso nos sentimos assim, porque queremos nos identificar, ainda. o primeiro passo é parar de pensar. precisamos nos voltar à nossa respiração e acalmar nossos corpos e mentes. isso nos proporcionará mais espaço e clareza para que possamos nomear e reconhecer a ideia, desejo ou emoção que nos perturba, cumprimentá-la e dar a nós mesmos a permissão para nos livrarmos dela. fiquei muito feliz quando vi que agi bem espontaneamente, outro dia, quando talita falou de sentir saudade de zé e eu disse que "acolhia o sentimento dela sem trazê-lo pra mim" (ela até disse que parecia algo que tati diria). mas vai ao encontro disso e até do que vi naquele filme between heaven and earth, que me tocou muito... precisamos oferecer à nossa mente consciente certo descanso e permitir à mente inconsciente que procure uma solução. precisamos “pisar no freio” intelectual e emocional e entregar o problema ou desafio à nossa mente inconsciente, da mesma maneira que, após plantar uma semente, confiamos no trabalho do céu e da terra. nossa mente pensante, ou mente consciente, não é o solo, mas apenas a mão que planta a semente e cultiva o solo por meio da prática da mindfulness frente a tudo o que fazemos durante o dia. a mente inconsciente é o solo fértil que ajudará a semente a germinar. massa. legal também a coisa de, antes de comer, sentir o corpo, acalmar os pensamentos e contemplar a comida, pensando em sua origem; já andava fazendo isso, olhando pro meu prato e agradecendo pela comida, feliz em poder ter tudo isso. e a parte de relacionamentos! (botei essa parte aqui embaixo como imagem.) o silêncio permite uma escuta profunda e uma resposta consciente, que são a chave para uma comunicação plena e honesta. aiai. e a importância de não fazer nada às vezes: a falta de ação é muito importante e não tem nada a ver com inércia ou passividade, trata-se de um estado de abertura dinâmico e criativo. ah, e a coisa de todas as célula do corpo participarem nesse silêncio, é isso, essa entrega. que bom que sinto que tô melhorando. é possível que você guarde muita tristeza, raiva ou solidão no interior do seu corpo. no entanto, quando se conectar com sua inspiração e expiração, poderá entrar em contato com tais sentimentos sem medo de se tornar seu prisioneiro. a respiração consciente é uma maneira de dizer: “não se preocupe, eu estou aqui, eu estou em casa, eu vou cuidar desse sentimento.” :)

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hikari (2017)

que filme lindo. acompanha misako, uma mulher jovem que trabalha com audiodescrição (a disciplina de tradução acabou de tocar nesse assunto, porque entramos em legendagem). o começo do filme é a descrição dela pro que vê ao seu redor, na rua – homens de terno e gravata esperando táxis com a cara fechada, outro olhando o celular, outro o relógio, crianças atravessando na faixa de pedestres... dá pra ver que ela é bem fascinada por isso, sempre buscando detalhar o que vê e faz, achar as palavras certas. fiquei pensando que esse exercício pode ajudar com ansiedades, focar nas sensações, etc. ela tá trabalhando num filme, junto com as pessoas da empresa que faz esse serviço e um grupo de deficientes visuais que avalia o que ela faz, e de início ela recebe críticas a respeito de estar sendo muito subjetiva ou preenchendo com coisa demais, atrapalhando a imaginação. a pessoa mais severa com ela é o sr. nakamori, um ex-fotógrafo que foi perdendo a visão. misako tem uma mãe sendo cuidada em algum lugar do campo (às vezes a visita), e o pai já é falecido. parece que ela era bem ligada a ele; a mãe acha que ele ainda vai chegar do trabalho quando o sol se pôr. misako lembra de cor as coisas na carteira do pai, o que ele deixou pra ela. cena bonita dela fechando os olhos sentada com a mãe, aquelas casas de madeira e portas de correr que dão pro ar livre, uma atmosfera verde, tranquila. de alguma forma ela se aproxima de nakamori, que a convida a tomar chá na casa dele e cozinha pros dois. ela admira a luz refletida em arco-íris por um prisma enquanto comem, descreve a cena, ele aprova. diz que quis um apartamento com muita luz do sol. em outra versão da audiodescrição misako recebe críticas também, dessa vez por não ter conseguido transmitir os sentimentos do filme, por ter deixado tudo muito seco. uma coisa que me abala aí: "como é triste ter as coisas destruídas pelas amarras das palavras". chega a discutir com nakamori, diz que ele nunca expressa nada enquanto assiste e acha que o problema não é a descrição dela, mas a falta de imaginação dele. tem uma hora em que ele se encontra com amigos fotógrafos num bar ou restaurante, e indo embora tropeça e cai feio na rua. percebe que alguém furta a câmera dele, aquelas analógicas que parecem um cofrinho. foi o amigo e ele percebe, vai até o estúdio dele pegar de volta, acende a luz na câmara escura mesmo. nakamori diz que a câmera é o coração dele, mesmo que não possa mais usar :( misako encontra ele depois disso e ele a fotografa, o que pra mim foi ele deixando ela entrar no coração dele. eles vão até um lugar montanhoso de onde ele fez uma fotografia do sol que misako gosta, a pedido dela, e lá ele joga a câmera fora. inesperado! os dois contam que corriam atrás do sol se pondo quando pequenos. e em vez de "ele olha para o céu com esperança" ou "contra o céu plácido" (algo assim), a versão final da audiodescrição dela deixa uma frase assim pra cena final do personagem que sobe uma duna de areia contra o sol: "a sua frente... luz". que tocante. ela chegou a falar com o ator/diretor do filme, e ele diz uma coisa interessante também, que tem gente que quer continuar a vivendo mas tem que morrer, e tem gente que quer morrer mas precisa continuar vivendo (a respeito dele/do personagem ser um idoso, que pode morrer a qualquer hora, e teria preferido morrer, mas tem que continuar). a música, as filmagens bem fechadas no rosto de misa, os devaneios dela... tudo tão doce. uma coisa que me parece muito particular de produções japonesas. que bom que eu vi, último dia no sesc digital. chorei bagarai.

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i may destroy you (2020)

não sei por que ainda não consegui fazer review disso
arabella sendo nome de gente real (ok, protagonista de série, na verdade) e não apenas de música do arctic monkeys

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terra sem pecado (2019)

curta do festival mix brasil, que é tudo sobre diversidade. esse é sobre indígenas lgbt, em formato de entrevista – quatro jovens estudantes da unb compartilhando suas experiências, cada um de um povo. "você não vive sua sexualidade no individual, é tudo no coletivo" e algo da cidade participar na sexualidade, de certa forma. a dificuldade de ser indígena, homossexual e nordestino, e a violência triplicada em ser mulher e tudo isso. um relata queficava em casa pra evitar encontrar pessoas na rua e passar por situações desconfortáveis. outro diz que a cidade foi mais impactante do que a aldeia pra ele. um tem familiares que nem permitem que passe na frente da porta deles :/ é uma liderança num movimento indígena, mas diz que não fala sobre a homossexualidade porque não se sente à vontade. a mulher indígena baniwa tinha um nome lindo: braulina aurora. no começo tem uma imagem com três naus portuguesas onde cada uma é uma coisa: moral, pecado e culpa. preconceito, homofobia e machismo como heranças da colonização, partindo da igreja – absurdamente horrível a história de tibira, né... pensando nas crianças que passam hoje pelo que ele já passou; lembra que só queria conversar ou chorar com alguém :( sem referências... braulina fala de casais que tão juntos há 60 anos :') falam da universidade como fundamental pra desenvolver a autonomia, "minha essência não mudou, mas agora eu sei me defender". show. "saindo da escuridão e dando voz aqueles que ainda não têm essa coragem", "não é só a minha voz, é a voz de outras pessoas também". é isso.

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the act (2019)

não sei por que ainda não consegui fazer review disso²
come on we all know why

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the twilight saga: new moon (2009)

esse filme é maravilhoso!!! ok, nem tanto, mas o primeiro é tão ruim que esse ficou parecendo uma obra de arte, em comparação. e também porque fazia tanto tempo que eu não via; foi revigorante a energia de amizade com jacob, a cor amarelada viva de tudo, a trilha sonora perfeita – aquela cena de victoria na floresta, harry vendo e tendo o ataque cardíaco, os lobos correndo atrás, a águia vista de cima!!! wow –, sei lá. talita criticou o efeito do penhasco, os mergulhos na praia, mas tudo bem, por mim. no filme ela vai dar uma volta de moto com o cara, né, louca. edward é visível nas alucinações porque eles tinham que enfiar robert pattinson em algum lugar. é de lua nova que tenho revistas e o guia oficial ilustrado, então eu não devia ter me surpreendido em gostar tanto desse filme... ahsuhs por quê? putz a cena do reencontro em volterra, perfeita a reação de edward com "heaven" e a surpresa e o sorrisinho desgraçado dele. que raiva desse cara viu, eu fico querendo ser ele, SER, sabe? porque quando que eu vou me identificar com bella ou qualquer personagem visivelmente feminina, afeminada??? gosto dos músculos alongados de robert, em vez dos pocadões de jacob, por exemplo. a desconjuntura da altura e magreza, esquisitice. já tava misturando as coisas pensando que a votação de bella era em crepúsculo (talita pensava que era em eclipse); sempre muito bom rosalie falando que queria que alguém tivesse votado "não" pra ela. e o final com edward pedindo bella em casamento! a respiraçãozinha dela e fim, show. mas não precisava ter tido o conflitinho dos macho alfa entre ele e jacob, né, já falei. jacob tirar a camisa daquele jeito pra limpar o sangue de quando bella bate a cabeça (aliás, que batida agoniante! diretão na pedra, ai) foi tão desnecessário... só imaginei minha mãe vibrando. a cena do cinema, jacob ficando nervosinho com mike, massa. kristen tá linda aqui, hehe. agora, uma coisa que eu nunca vou entender é como edward chegou na itália tão antes delas a ponto de ter conversado com os volturi e resolvido fazer a ceninha dele, sendo que tava no rio de janeiro quando falou com jacob e provavelmente pegou avião não muito antes de bella e alice. chega fiz as contas e não bate. mas o que é que eu tô esperando de um livro sobre vampiros e lobisomens, né kkk

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aleluia, o canto infinito do tincoã (2020)

filme-documentário sobre mateus aleluia, que era membro do grupo os tincoãs, aquele da música que ouvíamos tanto na casa do mato. tati que indicou, tava num tal festival do filme documentário e etnográfico de belo horizonte que teve em novembro. mandou o link no grupo dos micélios e acabei vendo antes deles, e depois não tava mais disponível, então foi só eu mesmo. mostra ele em angola, onde foi viver, parece, e onde ele diz se sentir perfeitamente em casa. o grupo é de cachoeira, na bahia... bem bonito as gravações antigas deles, e as de agora, mateus solo. as histórias dos amigos, da família, dos orixás. uma filmagem absurda dele ouvindo um troncão cortado, encostadinho apoiado na bengala. gostei muito de uma parte em que ele fala sobre o invisível, queria lembrar com exatidão como foi, mas algo sobre as coisas que não vemos existirem desde sempre e serem muito maiores e mais reais do que as coisas que vemos. fez tanto sentido naquele momento, ressoou de uma forma potente. filme curtinho, foi o tempo de eu fazer musculação, praticamente. choreizinho.

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howl's moving castle (diana wynne jones)

ai, que coisa mais linda é esse livro. não esperava que seria tão perfeito, apesar do filme do studio ghibli ser o meu favorito! a escrita é uma delícia, levinha e engraçada, voltando pra umas coisas pragmáticas, pontuais. sophie é tão ranzinza e enxerida, o melhor foi howl falando que quebrou o pescoço pra chegar no castelo da bruxa e quando consegue encontra ela lá tidying up já ahsuhsu. eles só comem ovos com bacon e pão com mel! chega fiquei me perguntando se era gostoso esse último. não lembrava mais de muita coisa, e nem pensei que tinha tudo no filme (ainda não reassisti, mas vi uns gifs por acaso e tem uma criancinha sendo michael, um cachorrinho peludo sendo percival... não lembrava mesmo). a coisa toda de ser a irmã mais velha, um fracasso, não pensar antes de agir. e quando howl diz isso ela pensa antes de agir, presta mais atenção... ai, sabe. ela percebendo os efeitos de howl sobre ela hihi. e achando que é de miss angorian que ele gostava! total não esperava que ela seria o fire demon da bruxa. muito esperto toda essa magia, gostei tanto da fantasia aqui! a própria sophie sendo capaz de dar vida às coisas, ajudando o espantalho sem saber. e que loucura a mistura do príncipe justin e do mago suliman! perfeição ela não indo com a cara de miss angorian e se sentindo melhor por isso quando percebe o estranhamento dela com calcifer: she stared at calcifer in a vague, frowning way, as if she was not sure what she was seeing, and calcifer simply stared back without saying a word. this made Sophie feel better about being so very unfriendly. only people who understood calcifer were really welcome in howl's house. a honestidade de howl sobre ser covarde, a investigaçãozinha secreta sobre sophie... era ela quem ele procurava, afinal. a coisa dele não ser capaz de amar ninguém :( não lembrava também dessa coisa da maldição. e as irmãs, tem irmãs no filme? trocando de lugar porque uma queria ser aprendiz de magia, muito bom. o reencontro de todo mundo no final tocou meu coração. tudo arquitetado por howl pra sophie não partir, quem diria! e calcifer que é uma estrela!!!, pensava que ia morrer, howl fazendo acordo e o coraçãozinho dele lá... ahsush quando o fire demon aperta ele e howl desmaia na hora, e calcifer diz que "he's got a really soft heart!" :) justin e suliman sorrindo um pro outro no fim, um deles com o xale de sophie haushu e howl e ela não dando atenção pra nada acontecendo ao redor, sorrindo um pro outro de mãos dadas, ai meu deus!!! fofurinha a coisa da irmã dele e os sobrinhos, também. no fim ele e suliman são de wales, então parece ter uma intersecção com o mundo real aí, né? vi que a autora era de lá, ou morava lá. gostei da palavra "welshman". fui lendo devagar, um capítulo por vez, tudo em voz alta, porque não queria que acabasse. fui escrevendo no livro também, coisa que quero fazer mais (mas pra isso tenho que ter livros meus, né, só leio coisa emprestada ou da biblioteca quase). sinto que vai ser uma história pra qual vou me voltar sempre; foi tão bom esse quentinho no coração que ela deu, tão raro; queria encontrar mais. queria poder ler em edições físicas os que vem depois, apesar de não parecer serem continuações exatas. agora tenho que voltar pra checar o significado das palavras que circulei enquanto lia (foi legal ver o quão mais eu sei agora, comparado a quando comecei esse livro, anos atrás).

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the yellow wallpaper (charlotte perkins gilman)

era um dos audiolivros gratuitos do audible (na verdade, é a primeira história de um audiolivro com várias histórias de charlotte perkins gilman) e coloquei pra ouvir num desses dias desordenados que tô tendo. é contado em primeira pessoa por essa mulher passando pelo que chamavam de colapso nervoso ou algo do tipo, mas que provavelmente é só depressão mesmo ou depressão pós-parto, e que vai passar um tempo numa casa de campo com o marido pra melhorar. ele e o médico a proíbem de escrever, mas ela mantém um diário em segredo e conta da casa e do que tem ao redor dela. o quarto onde fica tem um papel de parede amarelo, velho e descascado, que ela passa a observar cada vez mais obsessivamente. chega a ser meio possessiva, não gostando quando percebe a empregada olhando pra ele, diz que só ela conhece seus detalhes. ela descreve o padrão do papel de parede como confuso, primeiro pareciam olhos, mas também folhas, e um redemoinho, sei lá. ela vê uma mulher presa nele, e aos poucos a mulher escapa, até que no final é ela mesma, louca. achei muito bom, a atmosfera ficando mais tensa, mas não necessariamente sinistra, por causa da expressividade da narradora. foi menos de 40 minutos; me ocupei desenhando e fazendo coisas com as mãos enquanto ouvia. podia tentar fazer isso com mais frequência.

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kika (1993)

o kasal tava com 30 dias de teste de telecine play, porque analuísa precisava ver um filme pra disciplina de movimentos sociais, e resolveram ver filme com pölzl e comigo. um tempão pra escolher e saiu esse no sorteio, "vai ser bom, é almodóvar", "bom de ter uma carreira consolidada é isso, você não tem filme ruim". claro. filme esquisito da zorra, totalmente inesperado, humor negro desconfortável. kika é uma maquiadora, mulher de uns 40 anos meio perua, que conhece o americano nicholas quando o maqueia pra um programa tosquinho em que uma senhorinha o entrevista lendo as perguntas numa folha (no fim diz que não vai ler o livro dele porque não enxerga muito bem, mas que vai recomendar pro filho). kika tá interessada em nicholas e quando ele a chama pra casa dele pensa que é pra transarem, mas era pra ela maquiar o enteado dele, ramón, que supostamente tinha morrido, mas era só um dos acessos de catalepsia dele. dali um tempo ele e kika é que tão juntos, e nicholas é amante dela. no começo a esposa dele se mata e deixa um bilhete pra ramón, tudo meio esquisito, nicholas com um tiro no braço como se ela tivesse ameaçado ele, mas no fim ele é um serial killer. escreve os próprios crimes, afinal; trecho interessante sobre matar ser como cortar as unhas – antes de fazer parece que vai demorar mais do que realmente demora, e depois parece que vai levar tempo até precisar fazer de novo mas quando menos espera já tem que fazer mais uma vez. tem uma personagem muito doida, andrea caracortada, que é ex (?) de ramón e apresentadora de um programa bizarro, "o pior do dia" ou algo assim, em que ela se veste toda macabra. meio elvira e aquelas outras relacionadas. essa andrea vive aparecendo em cima de nicholas ou ramón ou kika vestindo uma roupa de marciana com uma câmera na cabeça, cheia de perguntas, enxerida e cheia dos contatos misteriosos. a empregada de kika e ramón é juana, lesbicona mas bem feminina, e tem um irmão preso que era ator pornô. diz que ele tem problemas na cabeça e que deixava ele abusar dela pra não ir nas vizinhas, que desde pequeno fazia sexo com as cabras e vacas, jesus. ele foge da prisão numa procissão esquisita onde homens mascarados se chicoteiam, e aparece na casa de kika, e a estupra. dois policiais imprestáveis avisados por um voyeur que no fim é ramón, chegam lá e têm dificuldade de tirar o cara de kika, tá lá tentando bater o recorde de gozar 4 vezes sem "tirar". andrea descobre os crimes de nicholas e os dois se matam no final, ramón salvo pela catalepsia, kika chegando nos últimos momentos de nicholas. termina com ela dando carona pra outro bonitão em vez de ir atrás da ambulância de ramón, se livrando dessa galera estranha, pelo menos. bem exaltada ela, aquelas coisas de espanhol falando estridente e super rápido, faladeira, emocionada. tudo doido, nojento, nicholas dublado... podia viver sem essa tranquilo.

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hauru no ugoku shiro (2004)

meu deussssss, meu coração. como que eu só tinha assistido esse filme uma vez na vida??? o studio ghibli é muito especial, capricha em cada detalhezinho que é absurdo. o cachorrinho heen se virando pra voltar a ficar de pé depois que sophie carrega ele escadaria acima, calcifer corando de vergoinha de sophie ter elogiado ele, as estrelinhas caindo, as figuras de sombra dançando de mãos dadas que aparecem com os feitiços, o quarto de howl!!! não lembrava nem um pouco que suliman aqui era uma mulher, não desaparecida como no livro mas feiticeira real, e malvada ainda por cima. muito menos que ela desmagicava a bruxa das terras abandonadas (! tradução) e que sophie trazia ela pra turma! michael criancinha, não quer que ela é embora, fala sobre família... vi em algum lugar uma discussão sobre howl saber que sophie tava amaldiçoada e que na verdade tinha 18 anos, mas não concordo com essa idade não, viu. ela é a mais velha das irmãs, afinal, e howl é descrito como estando nos seus ~late twenties~, então acredito que ela tá por aí também, pelo menos próxima de 25. e encontra uma família prontinha T_T a coisa dela ver a infância de howl e ele ter salvado/feito o pacto com calcifer tão novinho, um coração de criança... não vou reclamar do número bem maior de cenas sugestivamente românticas no filme, aliás. e sophie indo e voltando nas idades, quando dorme, oh! ou será que é só o que howl enxerga? muito louco isso dele se transformar num passarão, show. anti-war bird boy!!! miyasaki pega sempre nisso né, foi uma adaptação muito boa pra história do livro. no original nem é nada de mais, afinal, só a bruxa consumida pelo demônio do fogo dela e ele querendo um novo coração. um pouco otimista demais suliman perceber o que tá fazendo no final e decidir acabar com a guerra assim, de uma hora pra outra. o espantalho quase não apareceu de volta à forma humana, mas encaixou bem nessa de ser príncipe e parar com essa palhaçada também. a questão do beijo do amor verdadeiro não vi necessidade, mas tudo bem. ai, tão doce sophie falando com a "vovó" pra ela devolver o coração de howl, "você o quer tanto assim?" e a resposta certeira. olha esse amor, sabe. me despedaçou. não tinha pensado nisso mas realmente quase que só tem uma música esse filme auhsuh a que eu gosto tanto (aliás, chega chorei com essa interpretação incrível!). essa é bem bonita também. aqui fanny é mãe de sophie mesmo, ou pelo menos é assim que ela a chama, em vez de madrasta. queria que tivesse um pouco mais evidente que sophie também é meio mágica, talvez nos chapéus ou com o espantalho... eles limpando a casa e lavando roupa <3 essa sophie é um pouco menos ranzinza que a do livro, né. howl é apaixonante mesmo uhaush nível gay que eu queria ser, que nem brau. não teve wales ou família de howl no filme também, nem mais de uma irmã pra sophie, nem mrs. fairfax. mas quero rever já. que lindo eles andando voando já logo no comecinho! desde lá sophie já tava dando pala da paixão kkk. bom demais ele de toalhinha na cintura fazendo drama pela cor do cabelo, o rêgo aparecendo quando senta na cadeira, sophie cuidando dele e subindo ele pro banheiro :') é isso, perfeição.

sábado, 31 de outubro de 2020

lidos (1) e assistidos (16) em outubro

little women (2019)
frances ha contando a história das irmãs march. toda hora eu achava que tava faltando a quinta, mas isso é coisa de orgulho e preconceito. sempre tem uma irmã que toca piano e adoece e outra jovem rebeldezinha, é muito fácil confundir. parece que a ideia foi contar o que não tinha sido contado, então tem bastante coisa que se passa depois do que tem no livro, ou antes. se me lembro bem tem uma sequência pra história, afinal, mas acho que nunca vi por aí. saoirse ronan é bonita demais, não tem jeito. muito europeia, tho. e o amiguinho timothy chalamet lá com sua grande cara de menino doente. pernas tortas e cara de moleque. gostei muito de amy adulta falando sobre a realidade da mulher naquele tempo, casamento e tal. meio desapontada com ela casando com laurie; ela mesma fala que sempre ficou em segundo plano, depois de jo, e no fim cede à proposta de dele. muito estranho hermione sendo outra pessoa, aliás. ela tem uma cara meio simplona, né. muito bom o acordo com o cara que publica o livro de jo, com ela ficando com um homem no final. a mãe delas é tão legal. que dó da família pobre; elas pareciam morar bem perto deles, e de tudo, afinal. na parte de jo com a irmã doente na praia pausei pra chorar, não tanto pelo filme, mas porque tava mal. pensando que queria poder ter uma vida diferente, recomeçar em outro lugar, me sentir capaz. jo fala disso, de ser capaz de deter as coisas, mudar, transformar. que bonito essa coisa de sempre ter criado histórias. a união da família, as amizades fortes. triste, de certo modo. no geral, um filme ok. acho que esperava me surpreender mais.

elena (2012)
petra costa, diretora de olmo e a gaivota e outras coisas, falando sobre a irmã que se suicidou aos 20 anos. era 13 anos mais velha, morava em nova york pra estudar, era atriz, dançava. foi ficando triste, perdendo o brilho, vendo o quanto ainda era pequena diante dos desafios dessa vida. mexeu muito comigo essa coisa de ter uma irmã pequena, que não compreende pelo que a outra tá passando. pensei muito em como eu chorava e chorava enquanto tinha que cuidar de meu irmão, em como eu não tinha capacidade de tratar ele bem. petra passou um tempo fazendo acompanhamento psicológico, apresentava coisas de transtorno obsessivo compulsivo, dizia que queria morrer e se recusava a falar sobre a irmã. o que motivou o documentário foi ela ter encontrado os escritos de elena na época em que tava deprimida, bem quando estava com a mesma idade que ela tinha quando morreu. diz ter se identificado demais, e tem toda a questão das duas parecerem muito, todo mundo falar, e petra ter essa espécie de expectativa de que ela supere a irmã. "agora você é mais velha que elena", diz a mãe quando ela passa dos 20. a mãe participa também, lembrando e contando. tem também um amigo de elena, última pessoa com quem ela falou... doloroso, sensível. meio bilíngues, elas, com essa coisa de nova york. me tocou também a fala de petra sobre tudo o que ela produz, toda a inspiração dela vir de elena, que vive nela, através dela, ou que petra vive por elena. não sei o que fazer com isso. essa identificação e dor, catarse. enfim, incrível.

der himmel über berlin (1987)
vi com pölzl, que disse que gostava desse filme e sugeriu que assistíssemos juntas. vimos sem legenda, então devo ter entendido menos que 20% das falas, mas o que entendi foi legal. em algumas partes alguém falava francês ou inglês e aparecia a legenda em alemão, o que me pareceu uma boa estratégia de estudo, também. é sobre esses anjos que observam e protegem as pessoas na terra, de forma passiva. muito bom a atmosfera e as músicas, uma coisa meio mundo dos shinigamis de death note. acontece que um dos dois anjos principais se apaixona por uma trapezista de um circo, e fica sonhando com ser humano. ele acaba virando homem, mesmo, e os dois se encontram de um jeito bem bonito, predestinado. ela fala por um tempão sobre o encontro deles, que ela ansiava, apesar de não saber quem ele era. ela deixou o circo, tava com várias inquietações. muitas coisas existencialistas, os pensamentos sendo ouvidos pelos anjos. show de nick cave. coisas melancólicas e esteticamente agradáveis. a perspectiva dos anjos é sempre em preto e branco, e quando o principal se torna humano a primeira coisa que faz é perguntar qual cor é qual. ich weiss jetzt, was kein engel weiss. bonito. vai ser massa rever com legenda pra confirmar hipóteses, mas pölzl brincou de rever quando nosso nível de alemão for melhor e tive essa ideia de rever todo ano, pra acompanhar o progresso. quem sabe.

swallow (2019)
sugestão de pölzl; vimos eu, ela, carol e talits. uma mulher chamada hunter (!), toda fofinha, bochechas sempre rosadas, cabelo loiro e franjinha, voz fina, casada com um cara empresário ricão, richie (haha). moram numa casa absurda e fica lá sozinha enquanto ele trabalha. engravida, felicidades, uhul. por algum motivo só tem contato com a família do marido, e parece que enxergam ela como alguém que não tinha habilidade pra ser nada na vida, e que o casamento com richie foi a melhor chance que teve. uma conversa estranha da sogra perguntando se ela era fake it ou tinha make it. um dia ela tá lendo um livro de autoajuda que diz pra todo dia fazer algo de que se orgulha, e adivinha o que ela faz? swallow coisas, claro! quando sai no cocô e ela pega pra guardar fica toda orgulhosa de si mesma, feliz, começa uma coleção. vai ficando pior, engole um negócio pontiagudo, afiado. vai parar no hospital, cirurgia de emergência, e descobrem mais um monte de lixo lá dentro. colocam ela pra fazer terapia e ela diz gostar das texturas na boca, coisa e tal. uma brisa de estar no controle de alguma coisa, pelo menos. pra mim tem a ver com as coisas que ela engole metaforicamente na vida. numa das sessões ela solta que foi concebida quando a mãe foi estuprada, que o pai foi pra cadeia e tudo. diz como se não fosse nada de mais, como se não fosse uma questão pra ela, nem pra mãe. a terapeuta fica chocada, mas a cuzona responde diretamente à família do cara, e hunter pega ele ouvindo isso da mulher e fica malzona, né. na casa deles botaram um cara sírio pra vigiar ela, que no fim acaba sendo a única pessoa que realmente se importa com ela. bonito a cena dele se esgueirando pra baixo da cama junto. ele a ajuda a fugir quando tão levando ela pra uma clínica psiquiátrica. ia ficar lá por 7 meses, então imagino que o bebê ainda tá com 2. ela aborta, depois do marido ligar pra ela e mudar da água pro vinho quando ela diz que não quer voltar. nunca tinha visto aborto tomando pílula. termina com ela indo num banheiro público, a água da privada toda vermelha. quando sai fica filmando lá dentro e talita viu uma mulher roubando a bolsa de outra! entendeu que é pra mostrar o tanto de coisa que a gente não sabe que as pessoas tão passando, as coisas que a gente não sabe que acontecem no banheiro público. antes ainda ela tinha ido confrontar o pai, numa festinha de aniversário dele ainda por cima, pra ouvir dele que ela não tinha culpa de nada nem era igual a ele. que pesado, né. acabei pesquisando sobre esse distúrbio (pica, o nome! que deselegante), que já conhecia, e é até bem comum; muitas crianças tem, afinal. gostei do filme, esses assuntos diferentes e esquisitos. atuação, narração, cenário, tudo muito bem feito. gostei dessa review. 

der traumhafte weg (2006)
um dos filmes da mostra de diretoras alemãs no sesc digital. meio confuso esse, li uma sinopse depois que falava algo que eu nem percebi (que o casal encontra o outro 30 anos depois, sei lá). pouquíssimas falas, tudo bem devagar, todo mundo triste. ativou o modo duolingo em pölzl e eu ahushu ficamos falando o que víamos e sabíamos. alle sind traurig in diesem film. um cara que queria ser ator, na grécia com a namoradinha, mas tem que voltar pra onde a mãe tá porque ela tá mal de saúde. consegue morfina e aplica nela, pra morrer sem dor. que horror deve ser estar em dor constantemente. o pai ficou cego, também. o cara passa a viver na rua com um cachorro. triste. outra mulher é atriz também, diz algo sobre atuar que eu não lembro mais, talvez aquilo de poder viver outras coisas além da própria vida. uma filha muito esportiva, quebra o braço usando uma escada. é adaptação de livro, tenho que pesquisar mais pra entender direito. diferentão, bom que foi assim calmo, raro, né.

twilight (2008)
não tinha reparado das últimas vezes, mas agora que tenho a referência do livro fresca vejo que edward e bella passam tempo juntos batendo papo muito mais no filme do que no livro, e gosto disso, porque deixa a coisa toda da dependência um do outro um pouco mais plausível (ainda não justificável, mas menos súbita do que o livro faz parecer). sinto que vi o primeiro filme muito mais vezes que os outros, e é o pior, né, véi... tudo muito azul e artificial ahsuhu aquela sobrancelha definida de edward. que chato que fizeram a cena de jacob dando o recado de billy pra bella diferente; super podia ter deixado pacífico do jeito do livro em vez de edward chegar e tirar ela todo possessivo e escroto. agora que fico vendo memes de crepúsculo o tempo todo fico preenchendo tudo com coisa engraçada; na cena do baile victoria tava bem à vista e edward não captou o pensamento dela, claro... muito bom bella apontando os peitos de jessica e elogiando o vestido ahushsau meme de que kristen sempre foi claramente gay porque essa é a cena em que ela parece mais confortável, tru. fiquei pensando, depois de ler lua nova também, que a história é sim interessante, a proposta é sim legal, e que dava pra ser um filme menos vergonha alheia (senti tantas!) se tivesse tentado um pouco mais, até o livro dava pra ser melhorzinho. a cena do pescador sendo atacado pelo bando de james, ruinzinha né haushu. fiquei dando replay em várias coisinhas, o filme vai passando rápido demais pra se atentar pros detalhes. alice perfeita jogando baseball, essas coisas. sabe que acho robert pattinson bem bonito? fico querendo ser ele, sei lá. emo king (meme) ele vestido pro jogo hauhsu. bella dá buongiorno pra esme, né! até rosalie ri dela falando sobre virar a refeição. edward nem pra desamassar a van de tyler na hora lá do salvamento. e depois no hospital conversando audivelmente com carlisle e rosalie sobre expor a família... tenho visto que as pessoas acham os adolescentes desse filme muito accurate, mike e eric tosquinhos brincando com minhoca, "how you likin' the rain, gurl?", surfar na internet, ~la push~ haushu, e real também. as informações que bella consegue de jacob na praia nem são muito úteis, comparado ao livro, e acho muito nada a ver como bella pesquisa sobre os quileute, acha um livro de histórias do povo, vai na livraria independente comprar (isso é legal), dá só uma olhadinha e acha "os frios" lá, e aí volta pro computador pra pesquisar isso ahushsuhsus. james ameaçando a mãe de mentira também, por que a menina não liga pra mãe pra confirmar primeiro, gente? e ela foge no hotel, nem tem nada de aeroporto, né. alice e jasper lesaram aí, hein. meio desconexa a cena de edward de óculos escuros chegando na escola com bella, todo pimpolho, e eles nem tinham feito nada além de conversar bizarramente na clareira. a reação dela sabendo que a caminhonete era dela, muito kristen! não lembrava que quando stephenie meyer aparece na lanchonete chegam até a falar o nome dela entregando o ~garden burguer~ dela (hayley williams chama hambúrguer vegetariano disso numa conversa aleatória velhíssima com robert pattinson). adoro como bella é mais atenta do que edward espera. "it's the fluorescents" é bem mais engraçado em inglês haha.

anne+ season 1 (2018)
série holandesa de graça no youtube. sobre anne, estudante de letras barra jornalista que mora em amsterdã. poucos episódios de poucos minutos, mas muito legaizinhos e com legenda em tudo que é língua. cada episódio conta a história dela com alguma ex, até chegar à situação atual dela solteira. primeiro a namorada do ensino médio que se também mudou pra amsterdã pra estudar, depois uma nóia que dá um pé na bunda dela por não querer se drogar com ela e ir pra balada, depois uma sara que queria uma one-time thing e partiu o coração dela, depois a chefe que se apaixonou por ela, depois uma perfeita mas não assumida, depois a primeira revisitando e virando algo. muito bom ela conversando com a amiga e falando alguma coisa de kristen stewart. ela tem um pôster de carol e em alguma hora menciona orphan black, que aparentemente também é cultura lésbica. bonitinha essa anne, viu. ver isso tudo me deixou pensando na experiência que eu não tenho, e em como relacionamentos podem ser essa coisa banal. a musiquinha de abertura (e as fotos que aparecem nela, também) é massa, animadinha. tem essa amiga legal e um amigo fiel, também, gosto de ver isso barra queria ter. parece que a segunda temporada saiu só na tv, mas qualquer hora procuro pra piratear. gostosinho de ver, de maratonar. não consigo achar essa língua bonita, muito estranho a mistura de coisas que parecem alemão e o retroflexo forte...

toprak (2020)
primeiro filme da mostra internacional de cinema de são paulo que vimos! pölzl e eu, no caso. diz que é produção de alemanha e turquia, mas a gente tá tendo azar com filme em língua alemã, viu. mas massa ser em turco. é sobre burak, adolescente que perdeu os pais num acidente quando criança, e então mora com a avó e o tio cemil numa vilazinha. eles têm uma plantação de romãs e vendem numa banquinha na estrada, solitários. no começo para um cara procurando flores, e burak faz um buquê bonito com galhos com folhas e umas romãs. vão juntos à mesquita, que tem um lugar com torneiras pra lavar os pés, braços e rosto antes de entrar; não conhecia, legal. burak tá estudando pras provas, com a intenção de ir pra universidade, mas o tio fica desencorajando e insistindo pra que ele continue vivendo ali, fazendo o de sempre. uma hora a avó adoece e descobrem que tá com câncer, mas não têm dinheiro pra operação. na hora do susto ligam pra um conhecido que tem carro, que chega em dois segundos. louco que nessas comunidades deve ser assim mesmo, uma pessoa que tem os meios de ajudar outras e tal. cemil fala com um cara que empresta dinheiro pros outros e combina que vai vender um rim pra pagar a cirurgia da mãe, véi. mas claro que ela morre, de qualquer forma, e ele fica todo mal com dores e a ferida sangrando errado. se entrega à bebida, não vai mais à mesquita (tô achando que é outro nome que eles usam), nem vender romãs. burak recebe uma carta dizendo que ele foi admitido na universidade, mas esconde do tio. no dia que levaram a vó pro hospital ele logo em seguida limpou a casa toda, ficou os dias lá sozinho, cuidando de tudo. tem uma hora que ele queima o lixo, porque um cara vem notificar que o caminhão do lixo não vai mais passar. pölzl ficou vendo simbologias, a questão da fruta ser a romã, essa coisa da limpeza... o próprio fogo, né (esse foi eu que pensei). uma hora sozinho em casa, o tio acorda em meio às bebidas, sentado à mesa de onde não sai mais, e vai se banhar, mas cai e morre. que horrível, a expressão dele ali numa poça d'água, de cueca, com a atadura bem visível. bem triste os enterros, o cara do carro e mais outros cavando a cova. e aí vem burak saindo da casa com as coisas dele num saco e deixando o portão aberto, !!!!! isso me chocou de um tanto. podia ter acabado aí, mas tem uma cena pequena dele numa biblioteca, feliz, e o último take é ele sorrindo pra câmera. não achei que precisava disso, destoa de tudo que vem antes, do ambiente e a energia. a gente já sabia que ele ia estudar agora, afinal. achei um filme muito bom, muita coisa pra pensar, né? dá pra entender a solidão do tio, também, imagina ver todo mundo indo embora, não entender o que tem pra além dessa vida que ele conhece. uma hora ele fala da mãe de burak, que ela lia muito, tudo, e ele não entendia o que tinha de interessante naquilo. tem uma menina da idade de burak, também, que quer ir embora mas o pai não permite. ia se casar com um cara que achava bonito, mas era mentira; no fim vão casá-la com um homem da idade de cemil. triste. burak dá pra trás em ajudar ela; uma perspectiva bem outra, né, ser mulher no meio disso tudo. linda a paisagem, o silêncio, a simplicidade.

between heaven and earth (2019)
filme de palestina, luxemburgo e islândia, da mostra internacional de cinema também. salma e o marido, tamer, vão para israel para se divorciar, a desejo dela, mas não conseguem por causa de uma incongruência entre o que tamer fala e o que consta nos documentos oficiais (ele diz que o pai morreu em beirute, mas no sistema tem outra cidade). parece que o pai dele era um intelectual e revolucionário famoso. eles têm só umas 70 horas em israel pra fazer tudo, e vão atrás de uma tal hagar, que também foi revolucionária, e que tem um filho chamado tamir. não entendi bem esses emaranhados todos; no final tamer visita ela num asilo e entende que foi ela quem mandou matar os pais dele, coisa que ele lembra de quando era pequenininho. não entendi se ele foi adotado pelo cara famoso ou era pai mesmo e morreu aí. mas a questão maior é a separação, salma mostrando pra ele porque precisa disso, os conflitos de visão que os dois têm. numa hora em que se perdem (porque tamer não sabe hebraico) eles encontram uma mulher armada que mora na beira da estrada, massa. quando tão indo embora ela conta uma história sobre uma noiva que caiu no mar por onde vão passar, que não teve tempo de desfrutar da felicidade que sentia em se casar. diz que quando nos apaixonamos damos início a um ciclo de vidas e mortes. várias coisas poéticas nesse filme, que eu gostei bastante. quando discutem sobre o divórcio ela diz que sempre tentou fazer ele feliz pra se sentir amada, que foi se perdendo pouco a pouco nesse processo, e que no fim não sabia mais quem era... ela abortou, também, e fala sobre como nem nessa hora, quando mais precisava de apoio, sentiu que ele tava lá por ela. "não podia ter me feito um café da manhã, pelo menos?"...putz. eu me vendo nas coisas, um frio na barriga. meu deus, e quando visitam os pais de salma e depois ela tá falando sobre a dificuldade que tem de lidar com o pai? tamer vira e diz que pelo menos ela tem um pai, e ela responde uma coisa que me tocou demais: algo como "eu tô compartilhando uma experiência minha e você fica me trazendo pro seu mundo!"... é isso, sabe. numa hora dão carona pra um carinha, não sei se muçulmano ou budista, apesar de israelense, e ele fala sobre como essa espiritualidade o preenche, dá sentido pra vida dele. que ele só viu isso quando o coração dele tava quebrado, mas que precisa estar quebrado pra luz entrar, mesmo. salma acaba acompanhando ele pra festinha pra onde ele tá indo, pra ver os amigos tocarem, e lá eles dançam e ele diz que dança e música levam ao êxtase, e não pude deixar de pensar no kasal como complementares perfeitas. "se for de coração, é mágico". diz pra ela colocar a mão no coração, ouvi-lo, girar e se soltar. tão bonito. enquanto isso tamer tá sendo paquerado, e tudo bem. igual toprak, o final decepciona de leve: ela e tamer sentados esperando serem chamados pra se divorciar, e o número deles sendo repetido três vezes sem que eles saiam do lugar. puff. mas gostei, ainda assim. também deram carona pra um casal judeu francês, todo briguento mas que começam a se beijar quando o cara diz que tá lá porque queria se aventurar com a esposa, e quando deixam eles no ponto de ônibus dá pra ver que continuaram abraçados apaixonadamente. risos. nessa hora mariana acordou e disse "quanta carona né" kkkk. ela se esforçou pra não dormir dessa vez, mas nem assim, coitada.

new moon (stephenie meyer)
bem mais legal que twilight. quanta cena morna nesses contrastes livro-filme! lá com os volturi não acontece nada de mais, não tem aquela luta com edward massa em que ele trinca o rosto, pena. aro beija jane nos lábios, véi. não tô lembrando de detalhes sobre a idade dela e do irmão, mas naqueles curtas e nos memes parece que eram crianças, uns 12 anos ou menos. gosto dos momentos em que dá pra ver a personalidade de bella, o senso de humor dela (acho até bom). muito massa a brincadeira da idade baseada em experiências haushu. jacob sendo best friend! pô, ela surpresa de estar rindo e se divertindo de verdade... tão saudável, olha isso em comparação com o absurdo de não poder nem mesmo pensar no nome do ex-namorado. i mean, ela diz i was like a lost moonmy planet destroyed in some cataclysmic, disaster-movie scenario of desolation―that continued, nevertheless, to circle in a tight little orbit around the empty space left behind, ignoring the laws of gravity. jacob também respeita ela, diz que é porque presta atenção!!!, sabe. ele fica chatinho depois de virar lobo e de alice voltar, né, poxa. o fandom falando de como a autora estragou ele, tudo aquilo do imprinting também. ah, ainda tem o jeito que ela fala dos quileute, "superstições", desprezando as crenças do povo... que merda. e ele não podendo contar o segredo que não é dele, bella descobrindo chocada, tranquilona lá entre os montros. vampire girl e wolf girl, hehe. mas aff ela achando que eles são mais monstros que os vampiros, antes de entender tudo... de novo aquilo do livro dar todas as pistas pras coisas que vão acontecer, e pra gente que já sabe tudo é bem óbvio (pensando no bando de sam e etc). não lembrava do encontro na clareira com laurent e os lobos aparecendo, woof... o cinema com mike kkk coitado, todo cagado. deve ser massa pular de um penhasco, hein. e a paz de aceitar que vai morrer. as alucinações dela nunca foram visuais, então! é só o filme. que estranho isso, na real. coisas de heaven and hell na visão e edward. fico pensando nos memes (ou não) de que vampiros ficam presos no estado em que são transformados, então ele é pra sempre um angsty teenager hsuhu. os meses que passam só com os nomes, que nem no filme... pesadíssimo quando charlie conta pra alice como foi em detalhes. forbidden to remember, terrified to forget; it was a hard line to walk. dorzinha de se ver em bella às vezes. e essa coisa dela se perguntar se devia se contentar com jacob, deixar que ele a amasse romanticamente, etc... é uma coisa a se pensar, realmente. quando edward volta eles têm aquela conversa atrás da casa, jacob parece que tá terminando a amizade. até achei que edward foi tranquilo, aposto que no filme é mais um enfrentamento. não sabia que a refeição dos volturi vinha de outro lugar, sei lá, não podem caçar em volterra ("a cidade mais segura de ataques de vampiros, portanto", irônico). tô ansiosa pra ver o filme, lembro de ser um grande avanço em comparação com o primeiro. e a trilha sonora!!! aiai.

1986 (2019)
mostra de novo. se passa na bielorússia, apesar de ser coprodução alemã; tô vendo que pölzl e eu não vamos conseguir ver nada em alemão nesse festival. o pai de lena tá na prisão, por causa de algo a ver com sonegar impostos, acho, mas também tinha um negócio ilegal de venda de metal da área isolada por causa de chernobyl. ela insiste em continuar isso e dirige o caminhão dele e tudo, faz uns trabalhos ainda. numa vez que tinha que cruzar alguma fronteira ela leva o namorado, viktor, e por causa disso o cara que tá designando trabalhos pra ela perde a confiança nela e decide que não vai mais contratá-la. ela estuda em outra cidade, aparentemente, e tem mais de 20 anos, apesar da cara de adolescente. o namorado parece meio velho pra ela, tipo 25 pra cima, mas talvez seja pelas covas de espinha no rosto. ele é asiático. lena pede dinheiro emprestado pra um cara no começo desses trabalhos dela, e o cara beija ela e dá em cima de um jeito nojento. tem um momento que viktor tá viajando com uma amiga na suécia e ela fica paranóica porque ele diz ter perdido o celular e não se falam por alguns dias. quando ele volta ela o confronta e parece que ele traiu ela mesmo. sai revoltada, até se machuca batendo a mão em alguma coisa que corta, mas noutra hora diz que estão quites porque também o traiu. não sei se ela tava considerando o beijo no cara uma traição. eles continuam juntos mas ela não tá muito bem, fica sempre achando que tem algo com ele e mulheres em volta, trata ele super mal. acaba que ele termina com ela. não acontece muita coisa nesse filme, muitas cenas de estrada, trem, carro. uma atmosfera triste. a fala do diretor apresentando o filme caiu melhor depois de ter assistido; tem coisa acontecendo hoje na bielorússia que eu não sabia, também, ditadura e manifestações. na escola de lena tem uma aula falando sobre como é o país mais rico dos ex-soviéticos, que é o que mais investe em saúde, mas tem problemas também, né. fui ler review e achei uma que diz que o contato de lena com o lugar do desastre nuclear cria uma coisa de "sedução do mal mais profundo", o que termina com ela se rendendo à floresta, na última viagem que faz, sozinha. acho que construi expectativas demais pra esse filme, mas entendo essa coisa de chernobyl pairando sobre tudo, ela presa a esse trabalho porque precisa do dinheiro, deprimida, sei lá.

a'e mimiu haw - a história dos cantos (2019)
um cantor guajajara da aldeia maçaranduba, tribo indígena caru, no maranhão, contando como seu povo aprendeu seus cantos sagrados com os pássaros, as rãs, todos os animais. massa como às vezes tem coisa em português no meio da língua dele (tenetehara, suponho, se for como tô aprendendo com ricardo em morfologia); "como foi", "aconteceu", "de onde", "a toa"... achei os cantos dele tão lindos, tão bons de ouvir; queria achar fora do filme pra poder reouvir sempre. como deve ser incrível aprender com a natureza assim, conhecer a mata. em morfologia a'e significa ele e haw é um nominalizador.

a arca dos zo'e (1993)
wilmar passou na aula de 28/10. um indígena waiãpi, do amapá, voa até a aldeia dos zo'é, no norte do pará, pra conhecê-los e documentá-los. isso é do projeto vídeo nas aldeias desse tal vincent carelli, que também produziu a'e mimiu haw, afinal. no começo parece ter alguma dificuldade de comunicação em razão das línguas que falam, mas depois conversam tranquilamente, discutem as diferenças entre os dois povos, o que os brancos já mudaram pros waiãpi e tal. acham bonito a tanga dele, pedem pra trazer da próxima vez que visitar. matam macaco e anta pra comer juntos, que bocadão de carne! tem partes do primeiro indígena mostrando as filmagens dos zo'é pra seu povo, explicando como vivem, comparando. diz ter ficado com vergonha no início, porque eles andam todos nus, mas que depois se acostumou de novo. bonito o encontro, e triste pensar no quanto os brancos arruinaram. wilmar falou de uma freira que conheceu no início da vida dele de indigenista, e que ela dizia visitar uma aldeia uma vez por mês pra dar banho nas crianças, que não se higienizavam direito. uma maneira de se colocar no lugar do outro de toda distorcida, né, "consertando" o que não te agradaria se fosse você no lugar do outro. que merda. mas o filme é legal! ficar com esse sentimento.

el paraiso de la serpiente (2019)
mais um da mostra, dessa vez a história se passando no méxico. o diretor diz, na apresentação do filme, ter inserido várias ideias de lao-tsé no filme, mas acho que não conheço nada que consiga reconhecer. filmes de poucas falas, contemplativos. massa ser preto branco, bonito. tem essa frase recorrente, "todo lo creíble es una imagen de la verdad", mas quando pesquisei caiu em william blake. pode ser que ele tenha mencionado esse autor, também. começa com sky e o avô (bem jovem, afinal) resgatando um homem da estrada, de perto de um carro capotado. ele não se lembra de nada, nem de quem é. por uns dias ele fica sendo meio que prisioneiro, porque o mantém preso, mas acaba que o avô conclui que ele não serve pra nada e manda sky deixá-lo no deserto. lá uma menininha cega o encontra e fala que vai presenteá-lo com a fala, e ele volta pro povoado como um profeta, curando o menino que não pode andar, o velho ficando cego, e até o padre quando ele adoece. sky pede pra abençoar o galo de rinha dele e eles ganham a briga, reestabelecendo as pazes entre as famílias. nessa hora o profeta diz pro avô um negócio que achei massa: olhos de fogo, nariz de ar, boca de água, barba de terra. fiquei chateada por não poder ter a terra. tem um menino, coroinha, que ajuda sempre o padre e tem uma rivalidadezinha com sky, porque eles gostam da mesma menina. essa menina pede pro profeta ensiná-la a fazer milagres também, e tem uma hora massa em que ela, sky e o cara meditam juntos, guiados por ele. se vêem mergulhando num rio, em paz. tem uma peste rolando nesse povoado, também, algumas pessoas morrendo. conflito entre a religião e esse cara desconhecido que chega do nada fazendo milagre. tem duas velhas fazendo umas coisas por fora também, mas parece que se comunicam com esse padre. elas fazem uma maldição pro cara e ele termina esfaqueado, mas não mostra por quem. sky tá por perto e encontra o corpo, e o coroinha tá por lá também, com uma faca... eles lutam e podiam ter se matado, mas sky o poupa. no final tá ele e a menina nadando num rio, coisa mais linda, e essa cena é colorida. uma serpente passa por eles, mas nada de mal acontece. achei esse menino sky bonito de um jeito que eu acho massa, e o coroinha também. fico querendo ser menino. o profeta tem aquelas caras fundas nas bochechas, uma boca bem marcada. muitos traços indígenas no méxico, né. e esse misticismo misterioso, o deserto. sky também quer deixar o povoado, mas o avô não permite, tipo toprak. quantas vidas. ahh, super erro de sequência numa hora que sky aparece de cabelo cortado pra "expulsar" o coroinha de perto da menina enquanto ela ordena uma cabra, mas depois tá de cabelo grande ainda quando fala com o profeta e no fim tá cortado de novo quando enfrenta o menino!

crisálida 1ª  temporada (2019)
a série em libras e português que entrou no netflix recentemente! se passa em santa catarina, em volta da ufsc, onde tem o curso de libras que une os personagens principais. quatro episódios só, infelizmente, mas descobri que tem um curta que veio antes. tem várias cenas em que os atores tão bem mais jovens, diferentes, então deve ser por isso, daí. no primeiro tem morgana sendo atropelada na bicicleta e jaks tentando ajudar e descobrindo que ela era surda e sem libras ficava foda. ele decide fazer o curso, então, e acaba encontrando ela de novo. começam a namorar, mas ele fica insistindo pra transarem, pelo que eu entendi, e ela tá indo mais devagar com isso. tudo acaba quando ele a leva pra comer na casa dos pais, que ficam visivelmente chocados e a tratam meio mal, falando em "doença" e agindo como se ela não estivesse ali. foda isso, né. a sinopse desse episódio diz que são um casal muito diferente, "ela é branca e surda, e ele é negro", mas na real ela é amarela, pô. quiseram colocar como se a família de jaks estivesse sendo preconceituosa apesar do que passam pela cor da pele, mas faltou considerar isso também. o segundo episódio é sobre valentina e alan, casal surdo que tem uma filha ouvinte, e as dificuldades que isso apresenta na vida deles. a menina rouba uma boneca de uma loja porque quer alguém pra conversar (em português, apesar de saber libras) em casa; pede pra mãe fingir que é o pai, de quem ela parece gostar mais, porque ele tá viajando... ela se perde num parque, porque valentina cochilou, e quando a irmã ouvinte chega pra ajudar ela não diz o que o dono do parque realmente falou pra valentina, o que também causa um atrito. essa irmã dela tá pela faculdade também, e é paquerinha de rubens, cuja mãe tá aprendendo libras também, mas cujo pai acha que ele tem que usar aparelho e falar. o pai prefere gastar dinheiro com isso em vez de pagar uma intérprete pra ele na escola (ele tá no nono ano apesar de ter 17 anos, inclusive). quando finalmente conseguem a intérprete, aliás, ela pergunta à mãe se ela já considerou colocar rubens numa escola bilíngue... até o bigode atrapalha, mas depois de um tempo ele tira e entende. o professor de libras parece se interessar pela mãe, que tá meio baqueada por isso tudo também, pelo marido ser difícil. parece que rubens ficou surdo porque caiu da banheira quando bebê, num momento em que ela saiu pra pegar a toalha que esqueceu. foda. não sei bem em qual episódio teve o que, mas o intérprete da faculdade, que tá trabalhando num processo em que o réu é surdo, é uma drag queen chamada hanna diva. o advogado do caso tá meio em cima dela, também, e a namorada começa a desconfiar que tá sendo traída depois de achar um batom no banheiro dele, de ver ele ensinando "você quer jantar comigo?" pra uma fonoaudióloga bonitona aluna do curso de libras, e porque ele nunca vai nas festas com ela (porque vai de hanna diva, e ninguém sabe que é ele). ele mora com gustavo, que desenvolve um projeto super massa de uma pulseira cartão de crédito pra festas, mas o cara da empresa pra quem ele tá tentando vender não quer mais saber de nada quando descobre que ele é surdo. porra. enfim, várias histórias massa, se entrelaçando porque todos interagem. a segunda temporada tá confirmada, parece, mas tem essa complicação de pandemia agora. muito bom que entrou pra uma plataforma popularzona, que pode dar uma visibilidade necessária pra esse assunto. polzl mesmo me viu assistindo e disse que tem 0 contato com a cultura surda... espero que isso mude.

se escuchan aullidos (2019)
que filme inesperado! também é da mostra, no caso. bem improvisado, muito cara de feito em casa, por amadores. indie, né. até a apresentação do diretor foi assim, ele gravando em formato de celular, se dirigindo à filha, falando como ia ser o filme e que ela mesma ia atuar, que não sei quem ia fazer o papel de vários personagens, etc e tal. é isso mesmo: uma menina, fabiana, sozinha por aí com a espingarda herdada do avô, tentando fugir dos limites que a mãe coloca, querendo tomar chuva e andar de bicicleta. várias histórias do pai, sussuradas no ouvido dela por ele mesmo, que nunca mostra o rosto. massa ela repetindo o que ele vai ditando, sorrindo genuinamente com as coisas engraçadas. muito bom isso de uma pessoa fazer vários personagens, acho que nunca vi um filme que tenha isso. numa hora ele é o cara de uma pulqueria cujos muros os amigos do pai de fabiana picham (não sei se reais ou também na cabeça dela), e aí ele discute com o cara encarregado de olhar ela no bairro ou condomínio. cada hora ia pra um lado dela e mudava um pouco a camisa, trocando de personagem ahsuh. como é bom de ouvir esse espanhol, as expressões e o jeito de falar. as falas de fabiana quando tava triste ou sofrendo são ótimas, também, a voz comunica muito. o que ela quer fazer é buscar o lago texcoco, que era muito grande no passado mas foi drenado pra construção daquele povoado. ela diz que o pai nadava nele quando mais jovem, e agora só tem uma poça de concreto, e outra pior ainda no leito pedregoso e isolado. umas reflexões massa sobre isso, pessoas locais entrevistadas que nem documentário. um deles canta em náhuatl, que língua linda, também... às vezes o rei poeta, nezahualcóyotl, que é um personagem importante do méxico, segue fabiana (atrás do cantor duas pessoas seguram um quadro dele, um agave ao fundo e tal). ela diz que ele sempre escapava, fugia, se curava de ferimentos. esse cara que cantou conta um pouco das histórias sobre "neza" (como fabiana às vezes se refere a ele), que ele tinha uma plantação de ervas medicinais na montanha, que tinha conhecimentos avançados de hidráulica e fez um sistema de irrigação que ia até as ervas dele. gostei muito de tudo, desse jeito pitoresco de tudo, das músicas, do cenário, de fabiana. me lembra muito gabriella, o formato do rosto, a cor da pele, as expressões. que bonito essa coisa da infância/juventude efervilhante, curiosa, inquieta. ela fala que não gosta de números, que prefere ler, que queria poder brincar com os meninos na educação física, que quer ser ela mesma, que não sabe o que quer ser (o pai queria ser ladrão ou espião). tem alguma lenda, também, de uma mulher lobo, e numa hora ela chama uma amiga pra ir com ela até o restinho do lago, pra conseguir passar pelo guarda que não deixa ele avançar. é uma mulher toda coberta de pelos, mas não sei se é real (no caso, aquele distúrbio chamado hipertricose ou hirsutismo) ou não. me deu vontade de viver outra vida, falar espanhol, sair sem rumo pra descobrir coisas. quero aprender mais sobre astecas, também, e ver mais filmes desse diretor. mais coisa pra ler aqui.

under the tuscan sun (2003)
filme escolhido por pölzl pra vermos no dia em que mariana foi viajar e analuísa tava triste. sobre frances, crítica literária e escritora que descobre que seu marido tem um caso pesado e se divorcia, e que acaba indo pra toscana num tour gay que era pra ser do casal de amigas lésbicas. sandra oh é uma delas! a grávida (por isso não puderam mais viajar)! e a outra é a atriz que faz addison irmã-de-derek em grey's anatomy (!), puta casal hein. mas ver esse gif me fez pensar que elas não são lésbicas muito convincentes, também. acho que nunca vi sandra oh tão jovem, fiquei deslumbrada com ela... frances compra uma casa na toscana porque decide se arriscar a ~ir pelos caminhos inusitados do destino~ e começa uma reforma, contratando um grupo engraçado de caras poloneses. um deles é jovenzinho e paquera a filha do vizinho que tem um pomarzão de oliveiras, outro só faz tremer e olhar pra ela paralisado, outro é um professor de literatura caladão. casa de 300 anos que só conseguiu ficar porque uma pomba cagou na cabeça dela e esse foi o sinal pra velhinha que tava vendendo. uma torneira numa parede aleatória, um bocado de jornal velho amontoado, vários móveis que vieram junto. tem uma loira, também não-italiana mas acho que inglesa em vez de estadunidense, que é quase uma entidade em tudo quanto é lugar dessa cidade. parece que era atriz, e agora vive desfrutando do que pode, toda chique e cheia de si. o corretor de imóveis consola frances uma hora em que ela tá se achando doida por ter uma casa pra uma vida que ainda não tem dizendo que construiram uma ferrovia num dos pontos mais altos dos alpes antes mesmo de ter um trem pra fazer aquela viagem... também faz um comentário péssimo nessa hora, que ela não pode ficar triste porque senão vai ser obrigado a fazer amor com ela e sempre foi um marido fiel... af. queria que tivesse menos romance. primeiro ela tem um caso com um tal marcello, que ela esbarra e finge que é marido dela pra se livrar de uns caras que começam a importunar ela na rua sem sentido. mas as coisas vão acontecendo, a amiga grávida (chama patti) vai visitar ela, e passa um tempão sem se ver, e no final claro que ele já partiu pra outra. patti, coitada, foi abandonada pela outra, que disse que não queria mais ser mãe, véi. foda. tão linda nas roupinhas massa que usa. ficam lá morando juntas, no final o bebê nasce, o casal adolescente se casa na casa dela (nossa que frase foi essa), e pronto, taí as coisas que ela queria ter na vida. termina com um tal ed chegando nela perguntando de uma crítica que fez pra ele, com ares de romance. why. foi legalzinho de ver com as meninas, levinho, mas nada de mais também. se não fosse sandra oh... e a itália é bonita mesmo, hein, não tem jeito. essas coisas todas de pedra, velhas, os campos verdes, o mar.

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

lidos (5) e assistidos (12) em setembro

trinkets season 2 (2020)
poxa, que decepção. um grande clichê de netflix e coisas xóvens em que nada de novo é contado. elodie dura três dias com a cantora sabine, volta pra casa com o acordo do pai não mandá-la pra uma clínica de reabilitação, encontra as amigas pra um último dia sem castigo. moe tá bebendo muito e começou a roubar, sendo que era a única que não era cleptomaníaca. o irmão dela voltou de não sei onde, também, e tá gostando de cozinhar e inventar comidas de larica. o paquera de tabitha (que eu escrevi que era "até bonitinho" na review da primeira temporada???) some do mundo e depois ela descobre que ele usou o cartão dela pra comprar um bocado de coisa, dentre elas um relógio de 1500 dólares que tabitha ruma no chão quando encontra ele trabalhando com sabine. claro. elodie começa um romancezinho com jillian, que ainda tá no armário e é bem bacaninha, gente normal. mas aí dá tudo errado quando elodie vai apresentar uma música naquele bar e sabine aparece do nada e canta junto com ela, porque viu o começo da composição (não parece realista ela conseguir acompanhar tão bem, mas what else is new). noah termina com moe por causa dos vacilos dela, ela desabafa com o colega tosquinho de robótica, ele a beija e a atual namorada do ex de tabitha tira uma foto, CLARO, e aí vem todo um rolê desnecessário desse cara chantageando ela a roubar provas pra ele. no começo ele conta pra polícia que ele mesmo jogou o carro no lago, de raiva, e fica todo esquisito pagando de gentil pra tabitha. acabam descobrindo o esquema de transmissão de tela e documentos e vão acusar/expulsar o colega da robótica, então as três irrealisticamente, mais uma vez, entram na escola de noite e fazem toda uma instalação artística com fotos de tabitha e o ex, hematomas que ele deixou nela e mensagens de ameaça, com um recado de que foram elas que roubaram as provas, mas que era parte de uma história maior. mais um toque de vida irreal com elas felizes na praia, fully dressed, e elodie espalhando as cinzas da mãe. tem uma hora que juntam as famílias das três na casa nova de tabitha pra um jantar de ação de graças e o pai ex-presidiário de moe aparece, convidado pelo irmão, e ela arruma treta. gente, esses estadunidenses não sabem o que é ter família disfuncional, não? coisa mais normal do mundo, pai ausente é o menor dos problemas, o mais comum deles, minha filha. e ela ainda surta ao saber que tabitha e o irmão tão de paquera, ôxe, qual o problema? várias coisas assim que só em série e filme de lá mesmo, uns exageros e conflitos bestas, sei lá. essa gente só vê a família que mora junto, também, cadê a cambada de tios e primos... foi bem arrastado assistir tudo, eu já não aguentava mais. não quero mais isso na minha vida, pelo amor de deus.

la pianiste (2001)
puiupo fez um desenho desse filme que eu achei que fosse paola rodrigues, e fui assistir porque decidi que vou ver logo os filmes que aparecerem assim em vez de colocar na lista. erika é uma professora de piano em viena que mora com a mãe. muito rígida e séria, sem emoções, aparentemente, e meio cruel com os alunos. a mãe também é toda doida, briga com ela por chegar mais tarde, bisbilhota a vida inteira. num evento erika conhece um tal de klemmer, que se interessa por ela e mais tarde aparece na escola dela se candidatando a uma vaga. ele é um bom pianista, já, mas faz as coisas na prepotência, pra chamar atenção dela. ela tem uma aluna, jovem, que é toda sensível e coitadinha; numa apresentação ela chega em cima da hora porque teve diarreia de ansiedade e klemmer a anima e ajuda na hora dela. erika fica com ciúmes, talvez, e quebra um copo e coloca no bolso do casaco da menina; toda uma comoção quando ela veste e se corta e tem que parar de tocar por um tempo. acho que klemmer percebe que foi erika e vai atrás dela, no banheiro, e ali eles começam a se pegar. a professora já tinha ido a um sex-shop umas vezes assistir pornô, até encontrou um aluno lá. a questão é que ela é masoquista, gosta de voyeurismo também, e escreve uma carta enorme pra klemmer detalhando o que quer que ele faça com ela. mas ele fica enojado e a rejeita, e ela vai pedir desculpas e se comporta toda submissa, quer transar ali mesmo. vomita, ele fica confuso, manda ela embora. mas aí aparece na casa dela de noite, todo violento, empurra a mãe dela pro quarto, bate nela, grita falando que ela não pode fazer isso com um homem, blablabla. ele violenta erika perguntando se é isso que ela quer, mas tá tudo errado, ela foi pega de surpresa, tá sendo horrível. muito sangue e machucados, até que ele a estupra, e ela fica lá no torpor. no dia seguinte ou logo depois tem uma apresentação de novo, em que ela vai substituir a aluna machucada, mas em vez disso ela se mata na recepção, com uma facada no peito. que é isso. não gostei muito, apesar de qualquer marco pro cinema; alguém tinha comentado no desenho de puiupo que era a melhor atuação que ela já tinha visto. não sei, me senti meio mal, acho que é a intenção, né. ainda não vi nada mais sobre, acho que é desses filmes que tem um significado pra além do óbvio, ou que eu não vejo tão facilmente. não é minha praia. (da wikipédia: "mick lasalle credited huppert for 'a rich incarnation of a woman we might see on the street and never guess that she contains fires, earthquakes and infernos'".)

super dark times (2017)
gostei muito desse filme. me surpreendeu, de alguma forma, e teve vários detalhezinhos que achei especiais. zach mandando beijinhos igual a mãe enquanto ouve a mensagem dela, tão doce, me lembrou talita e alzi. a maneira que ele pensa e lembra de allison e a própria allison, tão boazinha. é esse tipo de história adolescente que eu quero ver, ouviu, trinkets? tell me something new, something different. enfim, zach e josh são dois amigões, de tempos, e passam muito tempo juntos. um dia encontram daryl e outro menino, mais novo que eles, e zach os chama pra passar tempo porque não quer ser rude, e porque costumava brincar com daryl quando eram crianças. esse menino é meio estranho, muito agitado, xinga bastante, talvez algum retardo mental. eles vão pra casa de josh e ele mostra o quarto do irmão, que tá prestando serviço militar na marinha ou algo assim, e vêem os pôsteres de mulher pelada nas paredes, uma maconha que ele deixou e uma katana dele. inventam de brincar com a espada, cortando caixas de leite jogadas no ar, e claro que ia dar merda, né. mas foi uma merda muito grande: josh e daryl começam a discutir e brigar, e daryl cai sobre a katana quando os dois caem no chão. no desespero zach tira a espada, que foi meio que no pescoço dele, e o menino cai morto depois de sair correndo pra dentro da floresta. loucura, pânico, e os três acabam resolvendo esconder o corpo com folhas secas e jogar a espada num buraco meio oculto. fica tudo estranho entre zach e josh a partir daí, zach quebra a mão socando a parede, josh some da escola por um tempo, todos começam a falar do desaparecimento de daryl. louco que falam isso comentando de como ele era desagradável, também, então tem esse conflito... allison aparece na casa de zach e ele chora no ombro dela, oh. eles se gostam, mas ele não consegue beijá-la, talvez porque sabe que josh também gosta dela, talvez porque tudo tá estranho. na festa de aniversário dela josh leva a maconha do irmão e combina de encontrar um cara pra vender mais pra ele, e quando esse cara aparece morto caído da ponte zach suspeita que foi coisa de josh. ele vai até a floresta e a katana não tá mais lá. corre pra casa de josh, onde ele não tá, mas vê que ele telefonou pra allison, então vai pra lá, e depois pra casa da amiga dela, que é onde os três estão. quando chega josh já matou a amiga e tá torturando allison, VÉI. os dois brigam, josh louco atacando zach, e até perfura ele na perna. no final allison sai numa maca, josh no carro de polícia, meu deus. muito forte, muitos detalhes, a construção é tão bem feita. a primeira cena é de um alce sendo sacrificado porque invadiu a escola quebrando uma janela e se machucando. acho que é allison quem vê quando o policial o mata. uff. lista de puiupo, quero rever já. a atuação também é muito boa.

twilight (stephenie meyer)
não sei o que foi que me atiçou pra ler assim do nada, mas já tava no kindle há um tempo, né. olhei o livro de talita numas horas que me perguntei sobre a tradução; o "de três coisas eu estava convicta" é simplesmente "about three things i was absolutely positive". não tem a cena tosca da floresta de edward pedindo pra ela dizer o que ele é "em alto e bom tom", mas na clareira ele exibe suas capacidades sobre-humanas. engraçado bella descontrolada com os beijos dele, querendo mais haushs. enche o saco a repetição dela falando como ele é perfeito e irresistível; sério que ela desmaiou ao sentir o cheiro dele? no fim ela nem vai na livraria, mas faz a pesquisa sobre vampiros no "site de busca preferido dela". umas lendas de outros lugares. estranho jacob falar dos frios como uma história dos quileute, sem parecer levar a sério a própria cultura. ele tem 15 e bella 17, né. ela paquera ele só pra conseguir informações na praia, coitado. achei a parte de james machucando ela na escola de balé fraca, breve, em comparação à expectativa e ao filme. mas é difícil ler sem se influenciar por já saber tudo. não lembrava nem um pouco da história de alice! james também caçou ela e o vampiro que a protegia na instituição psiquiátrica a transformou. por isso ela não tem memórias da vida humana, ela tinha "problemas mentais". james diz que alguns séculos antes ela teria sido queimada na fogueira pelas visões dela, então já tinha isso também. essa questão dos poderes extras vem de uma intensificação de coisas que eles já tinham quando humanos, afinal. não lembrava bem de jasper ter aquilo de influenciar emoções, também. e carlile ser tão velho!!! 362 anos, histórias de 1600 e pouco, nadou pra frança haush, estudou com os volturi. legal ele ser tão compassivo e determinado. edward veio antes de todo mundo, ia morrer de gripe espanhola. esme pulou do precipício porque tinha perdido o filho... rosalie não lembro se fala agora, mas resgatou emmett e o levou pra carlile, focada também. alice buscou jasper e sentiu de ir até os cullen. difícil imaginar eles sem pensar nos atores; queria construir isso sozinha. edward mais jovem, mais ruivo, emmett de cabelo cacheado, rosalie menos artificial, carlile muito mais jovem (tinha 23 quando virou vampiro). engraçado a descrição de james e laurent como tendo cabelos rente à cabeça e no filme ser totalmente o contrário. nenhuma representatividade aqui, também. surreal isso de os meninos se interessarem tanto em bella. como que o pai sobrevive com bacon e ovos? ela não precisava ter sido tão cruel na briga de mentira com ele. massa que ela teve ideias boas pra esse conflito, emmett apreciando. só foi besta indo sozinha pra james, né. muito mais coisa que no filme essa parte, também; ela escapa de jasper e alice num aeroporto, véi. me pareceu tão na cara o que ia acontecer, tantas pistas de VHS e etc, mas talvez é aquilo de já saber tudo. ela podia ao menos ter telefonado pra mãe antes de sair sozinha pra encontrar o vampiro. aí acorda no hospital e tem aquela conversa desesperada e não-saudável sobre não poder ficar sem edward. ele não promete exatamente o que ela quer, né...

suspiria (1977)
demoramos muito pra terminar esse filme (dividimos em dois, só, mas o intervalo entre as duas partes foi bem grande). uma menina estadunidense vai pra essa escola de dança em algum país de língua alemã, imagino, já que no edifício diz "tanz akademie". o lugar é coordenado e etc por mulheres e só tem alunas mulheres, também, mas é tudo meio esquisito. quando a menina chega tá uma chuvona, e do táxi ela vê uma aluna saindo correndo da escola, parecendo desesperada. nas cenas seguintes essa menina é morta de um jeito esquisito, uma mão peluda na janela, muito sangue mentiroso e desastre de quebrar vidro e cair do segundo andar. de volta pra menina nova, primeiro ela fica no apartamento de uma colega, porque o quarto dela na academia não tá pronto ainda, e a casa dessa colega é toda exagerada nas decorações, que nem a escola. as paredes têm muita informação, o papel de parede super detalhado, e ainda tem um monte de coisa e móveis. muita cor, isso é interessante. depois movem ela pra academia meio que contra a vontade dela, assim meio corrido, como se tivessem decidindo por ela. lá ela recebe comida de um criado deformado que nem o corcunda de notre dame, e parece que na comida tem coisas que sedam ela, fazem-na dormir. uma colega vizinha de quarto tem teorias sobre onde as diretoras vão à noite, porque sempre ouvem passos, e ela conta pra saber a distância. a principalzinha percebe a direção dos passos. a colega acaba morta também, de um jeito muito tosco, com ela se enroscando nuns arames não-farpados depois de fugir por uma janelinha enquanto alguém tentava abrir uma porta de tranca ridiculamente fácil de violar. no fim a menina nova lembra as palavras daquela aluna que viu saindo no começo, algo sobre segredo e uma flor, íris, azul, e seguindo as pistas entra num lugar secreto onde vê as diretoras sendo bruxas juntas. algo sobre uma bruxa grega ter fundado a escola e criado um culto, sobre fazerem o mal pra quem as ofende. a menina era a próxima no radar, mas acaba entrando num quarto onde essa bruxa secular tá, e a mata. a cabeça da cobra que destrói todo o resto. a escola pega fogo e a menina vai embora aliviada. loucura total. o melhor era a música (teve as larvas! o cego morto também... várias coisas. nesse vídeo tem um bom resumo). recomendação de aldivo, claro, que provavelmente viu chapado. quero ver o filme de 2018 pra ver se presta. ah, uma fala, "i once read that names which start with the letter 's' are the names of SNAKES!" hauhsu. fico pensando que esses filmes clássicos ou sei lá não me surpreendem muito, não; não ligo pra coisas significantes assim. que nem la pianiste... (pesquisei aqui e é uma trilogia de filmes baseados num ensaio chamado "suspiria de profundis", sobre as três mães, bruxonas poderosas. massa!)

but i'm a cheerleader (1999)
talita avisou que era beeem bestinha, e era mesmo kkk. aqueles filmes sessão da tarde ruins de propósito, quase. acho natasha lyonne meio estranha no geral, uma cara de velha fumante, e mais ainda sendo uma patricinha líder de torcida aqui. aquele cabelo, o penteado que deixa a cabeça enorme, a faixa... a menina tem fotos de mulheres de bikini no armário da escola e se perde em pensamentos lembrando das colegas cheerleaders (bundas saltantes, seios sendo amassados, pernas à mostra, etc), mas tem um namorado e é cristã. ele quer beijá-la e é horrível, língua pra todo lado e boca parada abertona, ela olhando pro lado distraída. logo no começo os pais já fazem uma intervenção, chamam amigas e até o namorado, pra dizer que acham que ela é lésbica e vão mandá-la pra um acampamento de cura gay, tipo isso. quem busca ela é rupaul, véi, dando uma de machinho recuperado, mas toda hora tá babando pelo filho da dona do lugar, um musculoso afeminado que anda por aí de shortinho. contraditório ser um reformatório e as meninas ficarem juntas num quarto, os meninos em outro. tem 5 passos pra recuperação e o primeiro é admitir que é homossexual, e quando megan (a principal) percebe que é lésbica mesmo chora de um jeito que parece risada, babando kkkkk véi. claro que ela vai se apaixonando por graham, a mais rebeldinha de todos, e começam a paquerar não muito disfarçadamente. tem uma hora que quase todo mundo escapa pra um bar gay, "cocksucker", e lá elas ficam pela primeira vez. várias provas doidas ao longo dos 5 passos; pros meninos tem coisa de consertar carro e pras meninas de limpar casa e cuidar de bebê... tem até simulação de relação sexual, eca. não sei como, mas a diretora não reprova nem megan nem graham, e sim um menino muito viado mesmo, mas no final descobrem que as duas dormiram juntas e megan é expulsa. os pais de graham são muito rígidos e ela não os enfrenta. daí pra recuperá-la megan aparece na cerimônia de graduação e faz um número de torcida super tosco, daqueles "1, 2, 3, 4" e uma rima, com os pompons, e elas fogem na camionete dos ex-ex-gays vizinhos do acampamento kkkk. tem umas conversas deles tentarem saber o que causou a homossexualidade deles, e megan acha que foi o período em que o pai ficou desempregado e a mãe assumiu o papel de provedora da casa. umas coisas assim. ah, bom que tem filme tosqueira lgbt também, pelo menos.

a girl walks home alone at night (2014)
um cara buscando o gato lá longe. vai andando, andando até a casa dele, onde mora com o pai viciado em heroína. trabalha de jardineiro pra uma família rica. um traficante vem cobrar dívidas do pai e toma o carro bonitão dele, pro que ele tinha guardado dinheiro por 2000 e tantos dias. esse traficante paga uma prostituta que começa a fazer sexo oral nele dentro do carro, mas quando ele vê uma pessoa olhando meio de longe faz ela parar e manda ela embora de um jeito rude. depois essa pessoa segue ele andando e o cara a convida pra casa, e ela o observa cheirar cocaína e dançar toscamente pra música eletrônica que põe pra tocar. ele dá o dedo pra ela chupar igual a prostituta fez, mas logo a menina morde e arranca ele fora. muito bom como as presas dela aparecem, bem feito. e ela chupa o sangue dele, porque é uma vampirona descolada. sempre de listrinha, calça e tênis tipo o de talita "vermelho", coberta por aquelas roupas que pegam o cabelo e o corpo (chador?). numa hora ela pega o skate de um menininho e passa a andar por aí assim, de noite. ela conhece o filho do viciado quando cruza com ele saindo da casa do traficante, e ele vê tudo e pega o carro de volta. depois se reencontram quando ele tá voltando de uma festa à fantasia, em que ele se vestiu de drácula, e ela o leva pra casa. bem massa onde ela mora, vários discos e pôsteres pelas paredes. eles têm um romance suave. ele dá brincos de presente pra ela e fura as orelhas dela com um alfinete que ela mesma oferece. ela conhece a prostituta também, diz que sabe que ela é triste, e que guarda dinheiro e tem um sonho. depois o pai viciado do cara vai até ela, porque o cara o expulsou de casa, e a droga forçadamente. a vampira aparece pra protegê-la e o mata, sugando seu sangue. o cara vê o corpo do pai depois, e vê o gato com ela quando vai chamá-la pra ir embora da cidade, mas parece que tá tudo ok. na estrada ele coloca uma música animadinha. bem quieto o filme, preto e branco, se passa no irã... gostei. queria ser uma vampira daora. esse título é muito bom. parece que tem quadrinho!

fierce people (2005)
esse menino chamado finn tem uma mãe massagista e drogada e um pai que nunca conheceu, antropólogo (fruto de uma noite de bimbada), mas que manda pra ele um documentário sobre o povo indígena "ishkanani", da américa do sul. esse nome quer dizer "sociedade feroz" na língua deles, e no filme o pai de finn dá detalhes de como são "os mais violentos" e coisa do tipo. (pesquisando aqui não acho nada factual sobre isso.) ele ia passar o verão na aldeia deles com o pai, mas acaba indo pro casarão desse tal ogden osbourne, suposto amigo da mãe (finn foi pego numa batida policial enquanto comprava cocaína pra mãe). esse amigo é o presidente snow de jogos vorazes, e a neta dele é kristen, que aqui se chama maya. ela tem um irmão, bryce, que é cris evans, e com o tempo os três se amigam. maya já parte pra cima e beija finn, e os dois viram namoradinhos. finn resolve fazer o estudo antropológico dele em cima desses ricos, então, e vê que eles são mais ferozes e misteriosos que ele imaginava. muita intriga familiar, doideira de gente rica; na noite em que ele e maya se aventuram sexualmente eles se pintam inteiros de tinta. noutra noite abordam ele no mato, o agridem e alguém o estupra. vem um negócio sobre crenças dos ishkanani, espírito animal, e o estupro ser a forma mais extrema de humilhação. a mãe quer ir embora mas ele se propõe a resgatar seu coração, ou algo assim, e descobrir quem foi que fez isso. no fim era bryce cuzão idiota ciumento. chega mata o avô, que também foi cuzão de preferir ficar quieto em vez de confrontar o neto publicamente, depois que a mãe descobre que foi ele (um carinha que faz arte com giz no chão desenha o incidente com finn e fala uma frase que bryce sempre diz quando confrontado por ela). maya chega a fazer uma tatuagen no braço, com metal e carvão (?), "fin" (porque desmaiou antes do último 'n')... e ele faz coisas com a empregada, da idade dele, num momento de fragilidade em que ela diz que engravidou e ele chora triste pela vida. por que tudo tem que ter sexo??? odeio isso. no fim ele fica com uma foto da mãe de osbourne com um cara ricão, que ela e o pai dele usaram pra fazer chantagem e ganhar coisa, e assim viraram ricos. uma lição de "ex malo bonum" e etc. não esperava tantas reviravoltas, não foi tão ruim.

i'm thinking of ending things (iain reid)
meu deus do céu, socorro. eu tava querendo ler esse livro desde que vi aquela kat falando sobre ter gostado demais, e porque esse título soa muito bom. aí talita me mostrou o trailer do filme, que saiu dia 4 no netflix, e eu falei que ia ler antes. primeiro que eu nem sei ler livro de terror, né, porque destaquei quase o negócio inteiro. mas talvez seja porque tudo parecia um detalhe importante, tudo fazia sentido e era muito bom. nas últimas duas madrugadas fiquei lendo isso e vou dizer que deu um medinho, viu, mas gostei da atmosfera. me peguei pensando sobre aquilo que julia falou uma vez, de ela estar assistindo sabrina, de bruxaria, e o pai dizer que não era bom se cercar desse tipo de coisa negativa. sinto que posso gostar desse tipo de literatura, mas será que é buscar coisa ruim? só que parecido com esse livro, não sei se vai ter tantos... enfim: quem narra é uma mulher, que nunca diz como chama, e namora esse tal de jake. eles tão viajando de carro pra visitar os pais dele no interior, na fazenda onde cresceu. e ela tá com esse pensamento de terminar com ele, apesar de os dois terem uma conexão intensa, apesar de ela se sentir muito atraída por ele. algo sobre "once this thought arrives, it stays, it lingers". pensa sobre estar sozinha, que é mais vantajoso, mas na verdade não sabe a resposta, o que é melhor. ao longo da viagem ela conversa com ele sobre outras coisas, como sobre um instrutor de direção que teve e que trabalhava com aquilo mais pra poder discutir com as pessoas do que qualquer outra coisa. falam que não tem como você ser o melhor beijador do mundo sozinho, que um beijo precisa de duas pessoas. jake é meio inteligentão, e solta umas coisas profundas às vezes. “sometimes a thought is closer to truth, to reality, than an action. you can say anything, you can do anything, but you can’t fake a thought.” pesado. quando chegam na fazenda ele mostra o estábulo com as ovelhas, e do lado de fora tem duas carcaças de animais mortos; mostra o galinheiro, onde umas galinhas comem os próprios ovos; fala dos porcos que os pais costumavam criar, que tiveram que ser sacrificados porque tinham larvas comendo-os vivos de dentro pra fora. e aí os pais dele: uma mulher que não para de sorrir, sem a unha do dedão do pé, esmaltes vermelhos, diz que tem tinnitus, que ouve sussurros, que tem paralisia do sono. o pai depois diz que ela também tem tricotilomania. diz que tá feliz por conhecer a namorada, que jake precisava disso, agradece por estar sendo tão boa com ele. no banheiro ela tá com o nariz sangrando, comendo as unhas, e na hora de sair os sapatos tão virados pra direção contrária. ela entra no sótão tenebroso, vê uma pintura medonha de uma pessoa com unhas gigantes ao lado de uma criança, várias pinturas assim. quer ir embora em vez de dormir lá, e no tal dairy queen onde param uma atendente diz que tá com medo por ela, que sente muito. e depois jake dirige pra uma escola no meio do nada, pra jogar num lixo os copos das limonadas que compraram, e ele diz ver um homem lá dentro olhando pra eles enquanto se pegavam no carro. ele sai pra confrontá-lo e não volta mais, e a namorada tem que ir lá dentro procurá-lo, mas acaba num labirinto super tenso. no fim ela é jake, tudo é jake, tudo é pensamento e história que ele escreveu. ele é o irmão sobre quem fala pra namorada na volta da viagem, que parou de trabalhar no laboratório e ficou extremamente deprimido. os pais estão mortos. ah, ela recebia ligações do próprio número, que também não contava pra jake, e algumas mensagens de voz falavam que "there's only one question" e "i know you, you shouldn't bite your nails" (algo assim). quando chegou na resposta dessa pergunta eu gelei. tive medo de passar a página. era sobre continuar vivendo ou não, e no fundo eu já sabia, por isso o terror. "what are you waiting for?" repetido por páginas. no fim ele se mata. ao longo do livro tem uns capitulinhos com diálogos sobre o incidente absurdamente sangrento e inesperado, o cara quieto que trabalhava na escola há anos. não sei, achei genial. muito forte, vai me deixar pensando por muito tempo. o pior de tudo é a identificação que eu sinto. é muito real. tem um trecho sobre isso, sobre histórias que dão medo porque são reais, não por terem algo de sobrenatural. porra. arrepiada. (fui ler reviews no goodreads e aparentemente o audiolivro tem mudanças nessa última parte, alternando a voz da namorada e de jake, etc. wow! alguém fala que o livro é curto pra que você releia quando acabar, igual a dupla sugere. loucura)

american ultra (2015)
filmografia de kristen, netflix. atorzinho de comédias e a rede social (que nem vi), mike, e ela namorada, phoebe. pelo menos tem protagonismo maior aqui. eles iam viajar pro havaí, onde mike ia pedir phoebe em casamento, mas ele tem ataque de pânico e não conseguem. parece coisa comum dele, sempre acontece quando ele tenta deixar a cidade. detalhe que é uma cidadezinha do estado de virginia, mas tem um aeroporto com vôo pro havaí... ok né. enfim, eles são muito drogados, o cara trabalha numa lojinha de conveniência na estrada, ela num escritório qualquer. mas lá vem cia envolvida, um programa desativado pelo governo, experimentos com pessoas infratoras. mike foi o único bem sucedido mas tava enlouquecendo, então apagaram a memória dele e o mandaram pra esse lugar, com phoebe supervisionando. mas ela se apaixonou e abandonou a vida antiga pra ficar com ele, meh. claro que isso é revelado no meio da fuga doida deles e mike se sente traído e a rejeita, né. claro que tem uns personagens loucos obcecados por violência que são mandados atrás dele. um monte de clichê de filme estadunidense, um cara no controle da operação agindo macho-escrotamente, uma mulher que quer salvar mike e ativou essa habilidade de combate absurda dele. no fim deixam-no viver porque ele vale 400 milhões de dólares ou sei lá, matou sozinho 17 agente brutos blablabla, e ele vai pras filipinas numa missão de matar gente. QUE BOSTA. que perspectiva de vida é essa? e essa imagem que os eua passam sempre... perda de tempo, hein. só por kristen.

ligeia (edgar allan poe)
como sempre, umas quatro páginas de descrição antes de qualquer coisa acontecer. ligeia é uma mulher alta, de cabelos e olhos escuros, nariz levemente aquilino, feições que não correspondem aos modelos de beleza clássicos, mas que o fascinam justamente por isso. coisa de o estranhamento vir por conta de alguma diferença nas proporções. ligeia é descrita como muito inteligente, conhecedora das línguas clássicas e modernas da europa, e o narrador era meramente iluminado por ela. ele passou tanto tempo falando dos olhos que talita já imaginou que no fim ele ia os arrancar ahsuhs. ela se abate, cai doente, e acaba morrendo. antes pediu pra ele ler um poema dela, sobre um verme vermelho que devora a humanidade com seus dentes afiados, e lamenta por não haver salvação, "nem uma única vez deverá o conquistador ser o conquistado?"... tem um trecho de um tal de glanvill que aparece citado antes do conto, que o narrador fala e que ligeia recita nas últimas palavras dela: "o homem não se entrega aos anjos, tampouco à morte incondicionalmente, salvo apenas pela debilidade de sua frágil vontade". conexãozinha com i'm thinking of ending things, de leve. essa coisa de vontade de viver, deus ser a vontade (isso é parte do trecho). depois disso o cara se casa de novo com uma tal lady rowena trevanion, de tremaine, que eu achei um puta nome de drag. ela é loira e tem olhos azuis, e o cara diz ter ódio por ela, ôxe. vão morar numa abadia que ele comprou e decorou exageradamente, gastando dinheiro e enfeitando as paredes, e claro que ela se adoece também. fica numa de aparentar morta, recuperar o rubor nas faces, até que se levanta e vira ligeia. ok, né. fora esse negócio de pensar sobre a vontade, não me chamou a atenção.

hereditary (2018)
acho que esse filme concorreu com parasita ao oscar, né? tava na lista de puiupo mas ia ver de qualquer jeito por isso. a intenção era ver com julia um dia... começa com o enterro de uma senhora, mãe de annie e vó de charlie e peter. a menina charlie, 13 anos, tinha uma ligação maior com a avó, e fica malzinha pensando em quem vai cuidar dela quando a mãe morrer. annie trabalha fazendo miniaturas, e a primeira cena é muito boa, com uma transição do quarto da maquete pro real. charlie parece ter alguma coisa, o rosto parece meio deformado, algo de cromossomos, talvez. baixinha. ela desenha e constrói brinquedos, e corta fora a cabeça de uma pomba que bateu no vidro da sala de aula dela e morreu. nessa hora ela vê uma mulher do lado de fora da escola olhando pra ela, não lembro se a chamando pelo nome, mas sorrindo, esquisita. logo depois peter pede pra ir numa festa e a mãe deixa contanto que ele leve charlie, e claro que ele acaba deixando ela sozinha pra fumar maconha com os colegas. ela come um bolo que tem nozes, e ela é alérgica, então começa a ter dificuldade de respirar e peter sai correndo com ela no carro. cena horrível: ela abre a janela do carro pra tomar ar, põe a cabeça pra fora, e na estrada tinha um bicho morto, aparentemente, do qual peter desvia; mas tinha um poste de madeira na beira da estrada e charlie bate a cabeça ali e morre. peter fica chocado e só dirige de volta pra casa, entra e se deita na cama, e dá pra ouvir a mãe indo procurar a menina e chorando copiosamente quando vê o que aconteceu. pedindo pra morrer... pesadíssimo. a cabeça dela foi decepada, véi, isso é possível? no poste tinha um símbolo igual ao colar que a avó usava. annie vai pra um grupo de apoio a pessoas que perderam entes queridos depois da morte da mãe, e por aí que ficamos sabendo que a mãe tinha transtorno dissociativo de identidade, que o pai tinha depressão psicótica e se matou de fome e que o irmão era esquizofrênico. depois da morte de charlie ela não vai mais, mas uma senhora chamada joan a oferece ajuda, e depois se encontram pra conversar. annie conta que é sonâmbula e uma vez jogou solvente de tinta nos filhos e nela e acordou com o fósforo na mão, aceso. diz que tem uma relação ruim com peter, que nunca a perdoou por isso, e ela também não consegue perdoá-lo por charlie, agora. depois de um tempo joan diz pra ela que conseguiu consolo com uma médium, e mostra como conversa com o neto, ao que annie fica muito abalada e em pânico. ela tem um pesadelo muito bom em que discute com peter e de repente eles estão encharcados e começam a pegar fogo. acaba que ela invoca a filha, mas tudo fica mais violento, bizarro. peter começa a ver coisas, e um dia joan aparece do lado de fora da escola falando umas coisas pra ele também. "get out!" numa aula ele é possuído ou sei lá e esmaga a própria cara na carteira, horrível. no fim annie descobre que joan era amiga próxima da mãe, e acha o corpo da mãe no sótão, decapitado e com aquele sinal pintado na parede. o marido tinha sido informado da violação do túmulo mas não contou pra ela. ela pede que ele queime o caderno de desenhos de charlie, onde apareceram desenhos de peter chorando, e o cara pega fogo. antes tinha acontecido com ela, mas só o braço. no fim ela fica possuidona, andando pelo ar e pelas paredes, perseguindo peter, e se apunhala violentamente no pescoço. aparece uns velhos pelados sorrindo, aquela que charlie viu e um cara que tava no velório também, e todos são parte desse negócio da avó. ela era rainha e peter vai ser o rei, paimon, um dos oito reis do inferno. annie e a mãe sem cabeça venerando ele, horrível o corpo em putrefação da vó. a cabeça de charlie sobre uma escultura de madeira. os véio pelado venerando também, joan o coroando. que é isso, véi. essas coisas tipo suspiria, que tem uma mitologia toda por trás, é sinistro, hein. mas não assustei nem fiquei com muito medo, esperava mais isso, de acordo com um tweet que vi (não esse, mas com essa cena). tinha coisa de peter ter sido indesejado, de annie ter tentado abortar, e a avó ter desejado que charlie fosse um homem. paimon preferia corpos masculinos.

catch that kid (2004)
kristen (maddy) tem dois amigos, austin e gus, e gosta de escalar. a mãe é bette porter!!! trabalha freelance pra uma empresa de segurança que tá montando um sistema pra um banco cujo dono é um típico macho cuzão (mais um pra lista desses filmes toscos). e o pai tem uma pista de kart mas era alpinista, só parou porque caiu 30m numa escalada livre no topo do everest. no começo ele reclama de uma dor na cabeça e eu já falei: tumor no cérebro. ele desmaia em outra hora e parece que era algo na coluna, na verdade, onde ele ficou com cicatriz dessa queda aí, mas a cirurgia custa 250 mil dólares. então, não surpreendentemente, os três amigos resolvem assaltar o banco pra roubar esse dinheiro e ajudar o pai. gus ajuda o irmão mais velho nas corridas de kart, na parte mecânica, e fica encarregado de turbinar uns carrinhos pra eles entrarem no estacionamento; austin é nerd das câmeras e computadores, e fica responsável por fajutar filmagens e contornar o sistema pra violarem. tem rottweilers, também, que tão provisórios na segurança porque bette (molly, na verdade) não terminou de desenvolver tudo ainda, e o comando pra eles pararem é, supostamente, "ausfahrt", em alemão (qual o sentido?). o dono do banco ignora as recomendações dela e vai dar uma festa de inauguração, e as crianças vão aproveitar o evento pra fazer o assalto. muito mentira esses seguranças idiotões, que ficam se exibindo com negócio de dar choque, gritando e achando que sabem lutar karatê, ou então distraídos assistindo the simpsons. esses filmes de sessão da tarde, né... sinto que é uma percepção infantil dos adultos, historinhas surreais. os dois amigos de maddy ficam disputando ela, ainda por cima, e a coitada tem que chantagear os dois pra que ajudem no negócio. sendo que os dois gostam do pai dela, não era pra ser mais importante?? depois que roubam eles descobrem o colar de metade de coração que ela deu pros dois e abandonam ela, véi. e ainda tem o irmãozinho bebê que ela teve que levar junto porque a mãe ia trabalhar. muita mentira na escalada dela, se segurando só com as mãos e ainda tirando uma pra digitar "madeline" como senha, porque é claro que vai ser assim fácil. haushus pior que achei mais interessante que but i'm a cheerleader, se bobear. mentira. mas foi okzinho, leve depois de hereditary. filmografia de kristen check.

a queda da casa de usher (edgar allan poe)
esse era mais fácil de acompanhar, entender. sem enrolações. lembro de ler pra minha mãe quando teve aquela peça na biblioteca. um cara vai visitar o amigo de infância, roderick usher, e descreve a residência da família como tendo uma atmosfera tenebrosa particular. um lago escuro onde ele vê tudo invertido enquanto recobra a coragem de ir até lá, porque se enche de assombro e inquietude ao avistar a casa. ele acha estranho como a pedra das paredes tem apenas uma rachadura, do teto até a terra em direção ao lago, apesar de muito antiga. coberta de musgo e cercada de árvores e plantas secas, though. ele tá lá porque o amigo usher tá doente, com algo esquisito que o dá sensibilidade extrema dos sentidos, além da aparência doentia e fraca. não suporta a luz, só aguenta ouvir alguns instrumentos de corda, só consegue se alimentar com isso ou aquilo... usher compartilha a angústia em ser o último dos usher, quando a irmã morrer, e claro que a coitada tá mais perto da morte que ele. ela tá na casa e o amigo chega a vê-la uma vez, e pouco tempo depois ela morre mesmo. os dois colocam o corpo dela num caixão e o levam pra uma espécie de porão da casa, abaixo de onde o amigo tá hospedado, que costumava servir como calabouço, porque usher quer esperar duas semanas pra enterrar. o cara diz que a irmã tinha o busto e as feições coradas, "por conta da doença", e já suspeitei que ia ter enterro prematuro, né. numa noite de tempestade o amigo acorda perturbado e usher aparece meio abalado também, e o cara começa a ler um livro pra ele (poe dá uma alfinetada no autor, dizendo que era prolixo e estúpido demais pra ser um dos favoritos de usher, mas que servia pra mantê-lo distraído). a cada parágrafo tem uma descrição de barulho, e vai acontecendo igual na casa, de um jeito meio abafado. era a irmã saindo da câmara e aparecendo na porta do quarto, só pra correr pro irmão (ah, eram gêmeos e muito próximos), ao que o amigo sai correndo chocado. usher diz saber que ela estava viva há dias, por causa dos sentidos aguçados, mas que não ousara falar sobre. assim que o cara deixa a casa ela desaba, rachando pela fenda antes fraca, e a descrição é bem massa – a luz da lua antes vista com dificuldade através dessa rachadura, até aparecer inteira quando o edifício desmorona no lago. teve uma canção de usher sobre um reino/trono antes brilhante e primoroso e agora decadente, etc. interessante. gosto desse, não tenho reclamações. só fica repetitivo esse negócio de enterrar gente viva, mas porque é uma coletânea de contos de horror de poe, né, acho que originalmente não estavam assim juntos.

cold creek manor (2003)
meu deus, que filme ruim. tensão desnecessária, antagonista extremamente previsível, nada de interessante. kristen chama kristen nesse. ela tem um irmão mais novo, uma mãe businesswoman e um pai que faz documentários, e moram em nova york. começa com eles se atrasando pra escola porque a mãe saiu cedo pra viajar de avião e não ajustou o alarme, então tão perdendo hora. o pai leva de carro, tem engarrafamento e tudo, e quando eles saem e têm que atravessar a rua o menininho é atropelado. nada demais, só caiu e levou um sustão, mas depois a mãe diz que ele foi "very nearly killed". aí resolvem se mudar pra uma casa de campo, e acabam nessa tal cold creek manor, que era dessa tal família massie. estranho que tem mil coisas dos antigos moradores lá, móveis, pertences e até roupas, e na hora da mudança a família aparece vendendo. nunca mais se fala nisso, mas pensando agora não faz muito sentido, porque o último massie ainda tá lá vivão. é um tal de dale, que passou 3 anos na prisão por "um acidente do qual não teve culpa". ele aparece invadindo a casa já, se autoconvida pro almoço, come que nem um porco, fuma em todo lugar e pede um emprego pro cara novo dono. a mulher não acha nada dele, mas kristen o odeia e o pai desconfia dele também. tem um incidente com uma cobra na piscina em que dale vai lá salvar as crianças, mas depois aparecem cobras por todos os lados da casa e ele se demite sentindo o climão que ficou. discussão no bar, ele mete um socão na namorada irmã da xerife, persegue o outro de carro e mata o cavalo da coitada kristen. ela faz uma amiguinha chamada stephanie kkk meu momento. o pai acha um aparelho de dente na frente de casa, com dentes até, e percebe umas coisas estranhas a partir da fala do pai de dale, com quem falou no asilo em que está internado ou sei lá. parece que dale matou os dois filhos e a esposa. ele tinha dito que a família se mandou, sumiu pelo país. e daí que tem um poema tenso sobre uma tal garganta do diabo que no fim é onde o doido jogou os corpos. ele mata a xerife brutalmente e persegue o casal, mas acaba morrendo caído do teto (com ajuda do cara). acaba com a (ex-)namorada de dale botando uma flor no túmulo dele e as crianças felizes na piscina e a mãe satisfeita olhando da janela??? muito sem sentido. dai-me forças pra assistir essa filmografia bosta, kristen.

o colóquio de monos e una (edgar allan poe)
aqui estou eu fazendo review mais de um mês depois de ter lido, o que significa que não lembro nada muito bem, obviamente. mas sei que achei esse conto interessante. bem filosoficão, viajado, mas é curto, então leria de novo. esses dois seres, que ambos os nomes remetem à unidade, conversando sobre a vida após a morte. como se um tivesse esperado o outro. algo a ver com o tempo, também, muito tempo passando, uma espera imóvel mas consciente. detalhes sobre como monos morreu e o que fizeram com ele depois. até que foi legal.

zathura: a space adventure (2005)
eu gosto bastante desse filme, apesar de talita não ter achado nada de mais. além de kristen tem josh hutcherson, que eu gostava também por causa de ponte para terabítia. o irmão mais novo é muito fofinho, véi. kristen é a irmã mais velha absolutamente raivosa. até o pai eu achei legal, tranquilo, nem quando gritou pareceu bruto. o coitado de danny quer atenção mas walter é um chato que não quer saber dele, fica chamando de bebê, humilhando por não saber fazer as coisas. até que danny encontra esse jogo no porão e tudo o que sai nas cartas acontece de verdade, começando com uma chuva de meteoros. bem sessão da tarde, um conflito após o outro e a casa sendo destruída inteira. a irmã é congelada logo no começo, então quase não tem kristen, mas no que aparece tá tranquila de atuação. quando ela retorna tão no meio de uma invasão de zorgons e ela gama no astronauta, que no fim é walter ahsuhs. eu lembrava desse plot twist, não com os detalhes dele ter jogado 15 anos atrás e ter desejado que o irmão não tivesse nascido na hora da estrela cadente, nem com danny reaparecendo e os dois sumindo felizes. robô com defeito e depois reprogramado, gravidade de um tal t-alguma-coisa, astronauta resgatado, tripulante ejetado porque trapaceou, danny resgatando o jogo da nave dos reptilianos... engraçado a bicicleta orbitando em volta da casa o tempo todo e no final caindo do céu no gramado. em comparação com os últimos filmes que vimos esse é massa, pura aventura, ficção científica huhsu. sempre confundo zathura e jumanji.

o escaravelho de ouro (edgar allan poe)
um cara cujo amigo, william legrand, coleciona conchas e caça besouros, ou algo assim. ele tem um companheiro chamado júpiter, negro alforriado que continua trabalhando pra legrand. um dia os dois encontram um escaravelho diferente, que júpiter chama de "escaravelho de ouro" por causa do peso grande, e depois de mostrar ao amigo um desenho do bicho legrand fica encafifado com isso. no papel que usou o amigo viu uma caveira, e no fim legrand explica que o símbolo só apareceu por causa dele ter aproximado o papiro ao fogo. tinha mais um sinal, também, de um cabrito, e legrand concluiu que aquilo era algo do pirata escocês william kidd (lembranças de one piece aqui). conseguiu fazer aparecer uma mensagem esquentando o negócio por completo, e decifrou o código fazendo correspondências com o inglês. massa isso, e nem tão difícil, como legrand mesmo diz; ele percebeu qual símbolo se repetia mais (8), estabelecendo que correspondia à letra 'e', que é a mais comum do inglês, e assim por diante. a mensagem dava instruções para encontrar algo que, legrand supôs e estava correto, um tesouro enorme, e um dia convidou o amigo pra ir atrás disso, junto a júpiter. meio bosta as menções a ele como "preto velho" ou falando algo sobre incapacidade ou falta de inteligência, ainda mais depois que eles quase não encontram nada porque júpiter tomou o lado direito como esquerdo. engraçado que usaram o escaravelho pendurado numa corda só pra tirar com a cara do amigo, dando um ar de misticismo que nem precisava. 40 páginas, super longo, mas interessante por ser menos de horror e mais de mistério, enigma. não esperava isso, talita gostou. no lugar onde o tesouro estava enterrado tinha alguns esqueletos, que legrand concluiu serem das pessoas que ajudaram o capitão kidd a enterrar tudo.

os assassinatos da rue morgue (edgar allan poe)
poxa, como eu queria já ter feito essa review. um mês de atraso daqui pra baixo. tudo errado, né, indo totalmente contra minha própria ideia pra essas reviews. mas esse eu conheço bem e lembrava de outro momento, será que li pra algo importante? em tradução vivi recomendou e eu até mandei um arquivo pra ela, mas não reli nessa hora, só agora mesmo. sabia que era o orangotango e tal, apesar de não saber dizer os detalhes. bem sangrento, né, os assassinatos. um pouco confuso a resolução com o marinheiro, não entendi o que fizeram com o bicho. engraçado o tanto de gente dando pitaco errado sobre a língua que o assassino falava. meio linguística essa história, mesmo. bem longa, também. "negar o que é, explicar o que não é".

o mistério de marie roget (edgar allan poe)
o cara metido a investigador da rue morgue de volta aqui. esse conto não acabava mais. mil voltas nas coisas que as pessoas achavam que tinha acontecido, um jornal contra o outro e o escambau. foi baseado num crime que realmente aconteceu, no começo até fala disso, das correspondências. só não tenho certeza se edgar allan poe solucionou antes de ser resolvido no mundo real ou foi mudando coisas. uma demora pra ser simplesmente um cara arrastando a mulher até o rio. nem lembro direito, mas não valeu muito a pena, não. agora talita tá vendo dupin por aí, pelo menos tem dessas, né, de pegar mais referências.

unorthodox (2020)
!!! wow. esther, uma menina de 19 anos nascida e criada numa comunidade de judeus ultra-ortodoxos no brooklyn. cresceu com a vó e a tia, e primeiro pensei que era órfã, mas a mãe vive em berlim, só não é mais parte da comunidade e por isso tiraram a filha dela. vive com outra mulher, também. esty se casa com yanky, que parece um menino doce no começo, mas com o tempo vai aparecendo o quanto a mãe tá enveredada em tudo na vida deles. esty tem dificuldade em fazer sexo, e uma mulher (irmã de yakov, não tenho certeza) diz que ela tem vaginismo, e passa aqueles acessórios bizarros pra ir melhorando. como sempre, me pergunto o quanto disso é uma condição mesmo e o quanto é só pressão da sociedade. dá tanto pra viver sem penetração no sexo... mas enfim, com isso passa muito tempo sem eles sequer conseguirem fazer sexo, e a mãe tá sabendo, pressionando, fazendo a cabeça de yakov. um dia ela deixa ele forçar mais, fica lá sentindo muita dor e sofrendo, enquanto ele sente prazer e sorri depois, ai :( mesmo assim chega uma hora em que ele pede o divórcio, sendo que esty descobriu que tá grávida e tava pronta pra contar pra ele. não só por isso, mas por tudo, ela vai atrás da ajuda da professora de piano que aluga um imóvel da famíla dela, com quem fez aulas por algum tempo. a mulher consegue documentos pra ela e, assim que consegue, ela pega um vôo pra berlim, fugindo. menina esperta, fica de olho nuns alunos de uma escola de música e se junta ao grupinho, vai pra "praia" (um lago) com eles, deixa a peruca lá (pô, jogasse no lixo direito né minha filha). tem isso né, não entendo completamente, mas as mulheres casadas raspam a cabeça e usam uma peruquinha (da peruca eu sabia por disobedience). ela dorme escondida dentro da escola (que, por sinal, não dificulta em nada uma invasão dessas), vai pra uma festinha com eles, fica com um cara! que é legal, mas tão peludo. ela vai prestar uma prova pra entrar no lugar, mas uma das colegas diz que ela não tem chance no piano. acaba que no dia ela canta, em vez de tocar, e quando pedem uma segunda música ela canta em iídiche. linda demais essa cena. as mulheres ultra-ortodoxas não podem cantar! a mãe assiste, yanky também, porque foi pra berlim com o primo moishe perseguir ela. esse moishe é um escroto que encontra esty e deixa um revólver pra ela se matar ou voltar. faz pressão falando dos judeus que morreram ali, que ela não sabe fazer nada na vida e não tem pra onde ir. a mãe a acolhe, quando descobre que tá lá. a vó não responde no telefone, depois morre... yanky chega a cortar os cachinhos pra ela voltar com ele, diz que vai ficar lá vivendo com ela, mas a questão não é ele, né, ela não pode fazer isso... triste, pena. muitas coisas de tradição que eu não conhecia, massa também ter tanto iídiche. minissérie adaptada do livro autobiográfico dela, show. ah, véi, essa atriz é tão pequenininha!!! e tem 25 anos na real. parece muito uma criança, chega a ser estranho quando veste umas roupas muito adultonas. enfim, gostei bastante da série.

o rei peste (edgar allan poe)
dois amigos fugindo de um bar porque não pagaram a bebida. se enveredam por uma parte da cidade que tinha sido abandonada, evacuada por causa da peste. um cenário meio tenso, chernobyl (na minha interpretação). encontram um grupo de pessoas mais doidas ainda, num delírio de nobreza prestes a morrer. algum desentendimento, um negócio de bebida quebrado, gente saindo correndo. só estranho.

mean girls (2004)
lindsey lohan, há quanto tempo! talita e eu vimos esse filme clássico que eu nunca tinha assistido. engraçado os estudos dos populares, e não sabia que a amiga de verdade ia ser lésbica (ou não) gótica! e o amigo almost too gay to function. o plano era destruir regina george, mas cady acaba virando ela. sacanagem os vacilos dela com os amigos bons. meio torto as coisas de áfrica, né, ela querendo se juntar aos estudantes negros e falando em outra língua. que absurdo deve ser ir pra escola pela primeira vez tão velha já. coisas de engordar, pô. on wednesdays we wear pink e etc. negócio de pedir desculpas no ginásio depois do caos que regina causa espalhando as páginas do próprio livro de falar mal dos outros. diz que foi as duas outras amigas e cady. deus me livre essas gangues de meninas populares. no fim tem atropelamento por ônibus e talita foi estudar onde surgiu essa coisa de certos filmes. muito cara de todo mundo em pânico. normal o filme, nada diferente do que eu esperava, assim. não é o tipo de coisa que me chama atenção ou me faz decorar trechos e ficar citando por aí, que nem tem gente que faz. mas também, com o que eu faço isso, além de crepúsculo?

leonizando (edgar allan poe)
quê? um cara com um nariz fascinante que consegue coisas por causa da admiração dos outros. na verdade é só um nariz comprido, reto. sei lá, né. taí o tipo de coisa que me faz pensar em cotejar a tradução com o original pra ver as soluções que usaram. muitas referências que eu não faço a menor ideia do que se trata. pareceu um pouco um conto pequeno que enfiaram pra completar o livro. feliz de ter terminado!

50 shades of grey (2015)
vimos pra celebrar o último dia de talita antes da viagem. despedida com humor. o tipo de filme que eu só veria assim, mesmo: com amigos, pra criticar e dar risada. só assim pra todo mundo ficar acordado, também. sabia muita coisa por causa desse vídeo, e talita também ficava contando o que ia acontecer por que tinha falado pra ela. consigo entender como pode ser gratificante ser submisso a alguém, ter responsabilidades tiradas de você, não ter que escolher. às vezes dá vontade de não ter consciência própria e só seguir um roteiro, mesmo. mas tô longe de entender a brisa de associar dor a prazer. acabou que tivemos várias conversas a partir daí, também, sobre o que é construído socialmente, o que atrai certas coisas, etc. do tipo, quem gosta de bdsm tem necessariamente que ter tido algum trauma, alguma história pesada? sei lá, né. aquele vídeo fala muito bem de tudo, resumindo bem também (do tipo, grey ter sido idiota em realmente mostrar ~o quão ruim poderia ser~ quando anastasia pede, sendo que ela não tinha noção de nada, por não ser da coisa, e obviamente ia ser assustada/espantada daquele jeito). engraçado ver bella e edward nas coisas (anastasia trabalhando numa loja de ferramentas, discutindo o contrato com ele!, sendo "salva" do possível relacionamento saudável com um outro carinha...). às vezes dou risada sozinha lembrando da cena em que anastasia manda um email com uma resposta meio ácida pra grey e na hora mariana disse "ai falei" e foi muito engraçado kkkkkk. que loucura. agora vamos esperar talita voltar pra continuar os filmes haushu