segunda-feira, 30 de setembro de 2019

lidos (1) e assistidos (16) de setembro

advantageous (2015)
filme que não lembro de onde tirei. se passa num futuro em que as chamadas de vídeo usam hologramas e tem umas naves sobrevoando a cidade fazendo vigilância. gwen koh é uma mulher adulta que trabalha como porta-voz de uma empresa de engenharia biomédica e cirurgia plástica, mas perde o emprego por causa da idade. o mundo tá começando a apresentar um recuo das mulheres no mercado de trabalho, as empresas parando de contratar e prevendo uma volta ao ambiente doméstico. gwen tem uma filha e precisa de dinheiro pra colocar ela numa boa escola, e propõe ser cobaia da nova tecnologia da empresa lá – uma cirurgia plástica invasiva que a coloca num corpo mais novo, de outra pessoa. ainda não tá perfeito e ela fica tendo que tomar injeção a cada 2 horas, sente dor constantemente, tem a memória um pouco afetada, e ainda por cima revelam depois que o que realmente é feito é uma cópia da mente original dela, que deixa de existir. o vínculo com a filha enfraquece, elas se sentem estranhas uma com a outra, a menina tem que ficar ajudando. toda esperta e crítica, mas também sofre. diz que não entende porque tá viva, qual o ponto de existir. parece que o pai é marido de uma prima de gwen. elas não tem contato com ninguém. triste, tenso, tudo bem parado, as crianças nem brincam. combinou com o dia chuvoso e escuro.

arrival (2016)
gosto muito desse filme. massa pra saber sobre linguística, descobri melhor por ele mesmo, na faculdade vira e mexe mencionam. uma professora universitária é chamada pra ajudar o governo dos eua quando 12 naves alienígenas surgem na terra. não fazem nada, parecem pacíficos, e os cara tão entrando dentro das cápsulas pra se "comunicar" com eles. ela tem que interpretar, mas pra entender tem que ensinar vocabulário, ter parâmetros. começa bem mostrando uma lousa escrito HUMAN, porque só então eles usam a escrita deles, com símbolos circulares feitos no ar com algo que parece tinta (eles parecem polvos, com 7 "tentáculos" – os chamam de heptapódes). ela se apresenta, mostra ações/verbos, etc. tá trabalhando com um cara da física. conforme vão estudando a escrita dos heptapódes ela vai tendo visões de uma criança, aparentemente filha dela, e coisas acontecendo. show que primeiro você pensa que são flashbacks, e na verdade são parte do futuro – a língua dos aliens é circular porque entendem a realidade de forma não-linear, e portanto sabem o futuro, e a linguista tá aprendendo a fazer isso já que tá aprendendo a língua deles. sapir-wholf e aquilo de se inserir numa nova perspectiva do mundo, interessante. a questão toda é que dali três mil anos os heptapódes vão precisar da ajuda dos humanos, e estão lá agora pra fazer uma troca – dão a nós essa "arma", que é a língua e esse conhecimento do futuro, pra que os ajudemos quando vier a hora. legal que ela acessa o futuro pra ter informação pra resolver o presente, como falar com o governante da china e impedi-lo de liderar um ataque às naves. no final ela fica com o outro cientista, que vai ser marido dela e pai da menina (que vai morrer e por isso já sabe que ele vai deixá-la quando ela contar antes de acontecer), e diz que já tinha se esquecido como era bom abraçá-lo. quero ler o conto em que o filme foi baseado desde a primeira vez que vi, mas não consegui ainda (é caro comprar e nenhuma biblioteca tem). tem matéria sobre arrival no blog da linguística, e quero ler isso aqui também.

war of the worlds (2005)
começa com a mesma frase de abertura do livro, aquilo de "no one would have thought...", só que atualizado pro século XXI, hehe. tom cruise sendo o personagem principal, tendo que se salvar enquanto cuida dos filhos que nem moram com ele, mas vieram passar o fim de semana. ele vendo de perto o buraco abrir no asfalto, a coisinha sair, várias pessoas serem pulverizadas pelos raios que as máquinas soltam perto dele. antes teve uma tempestade de raios estranha, que na verdade foi por onde os alienígenas desceram pra operar as máquinas supostamente enterradas há muito tempo. não tem isso no livro, que eu me lembre; só caiu ou surgiu umas coisas, de onde saíram cápsulas, em que os bichos tavam. no livro só tem o cara e a esposa dele, são separados, pensa que morreu mas conseguem se juntar no final. no filme tem o filho adolescente se separando do pai e da irmã porque quer ficar com o exército pra ver e ajudar, e no fim se reencontrando, já na casa da vó onde tudo tá ok. interessante como juntam dois personagens no cara da casa subterrânea – aquele clérico que passa duas semanas escondido com o principal e fica doido, não respeita o racionamento de comida e tem que ser morto (não lembro se se matou sem querer ou se o principal se encarrega disso, igual no filme) e o ex-soldado com umas ideias até que boas. "isso não é uma guerra, é um genocídio" e etc. não lembrava que eu gostava bastante da musiquinha que a menina canta, hushabye mountain... mesma coisa da planta vermelha esquisita, mas acho que no livro não era relacionado ao sangue das vítimas. não falam nada no filme dela não gostar de água. engraçado que no filme já tem tecnologia pra fazer parar de funcionar, mas no livro o máximo que aconteceu foi ter apagões e os trens pararem de operar. gosto do barulho dos bichão também. vitória das bactérias e encerramento usando o trecho sobre isso.

plunge (2014)
curta lésbico. leve vergonha alheia do amorzinho e beijo no começo. uma de cabelo curto e ota mais feminina. de maiôzinho a de cabelo curto, as duas com cores fortes. ah, dirigiram pra um lago, ficaram lá um tempo. se levantam pra ir pra um pedaço mais alto de onde dá pra saltar e o fazem, mas só a de cabelo curto cai na água. olha em volta e não tem ninguém, só as coisas dela na beira do lago. se veste com roupas diferentes pra ir embora, a cara fechada, outro carro. fim. legal até, entendi que era ela relembrando o que tinham feito juntas, mas agora já não existe.

turning point (2015)
curta de mistery guitar man. uma mulher usando um traje espacial ou anti-radioatividade numa casa abandonada. na verdade ela começa sem a proteção pra cabeça, desacordada, e fica desesperada que ficou "exposta". fala com um cara por walkie-talkie, avisa de onde tá, pergunta dos outros da equipe. ele diz que só ela fez contato, que vão enviar resgate. ela toma umas precauções, passa um spray que vaza por um furo na perna, sei lá, mas no final tá contaminada mesmo. tosse sangue e começa a ficar esquisita, cores de morte, meio devagar. talita pegou dois nomes de lugares que são de walking dead. não fica claro no que ela se transformaria, mas parece zumbi mesmo. se amarra num lugar, diz ao cara que ia tentar não ser um perigo pra equipe de resgate. no final ela acorda, se desamarra, tudo parece mais claro e bonito, e não dá pra saber nada com certeza. talvez é ela descobrindo que não tem nada de errado no contágio, ou é parte da contaminação, ou sei lá. ok.

yume (1990)
várias histórias que são inspiradas em sonhos do diretor, akira kurosawa. primeiro um menininho que não devia ver o ritual de acasalamento das raposas, que foi uma procissão de gente mascarada tocando uns negócios por um caminho na floresta, e já que elas pegaram ele assistindo ele precisa se matar. depois um menino um pouco maior seguindo uma menina misteriosa até onde tinham pessegueiros, que foram todos cortados, e encontrando uns espíritos rancorosos com isso, que dançam pra ele e entendem que ele também sofre. depois um grupo de alpinistas numa montanha numa nevasca, tentando seguir, e um deles quase morrendo e sendo levado por um espírito esquisito. então um ex-oficial do exército voltando pra casa e passando por um túnel onde encontra um cachorro latindo esquisito, e depois encontra todo o batalhão dele que morreu na guerra, não sabendo que estão mortos. aí um cara num museu vendo obras de van gogh, entrando dentro de um quadro com uns corvos e encontrando ele, que fala sobre as coisas o compelirem a pintar. o mesmo cara agora no monte fuji, que tá em erupção, e várias usinas nucleares em volta explodindo também, e uma multidão correndo e supostamente se jogando no mar, e nuvens coloridas radioativas que causam câncer e leucemia e sei lá mais o quê. depois o cara andando numa montanha e encontrando um demônio de um chifre, que conta que já foi humano e fala sobre como era mesquinho, como as coisas estão diferentes agora, que tem dentes de leão (a flor) gigantes na montanha, que os demônios choram de dor causada pelos chifres de noite. por fim ele numa aldeia de moinhos, falando com um velho, que conta como vivem ali, como o homem se esqueceu da natureza, como as coisas estão sujas e como tentam se aproximar de como era antes, e no final indo acompanhar uma procissão festejante até o cemitério, porque uma moradora morreu. legal, o cara que se repete ouve muito mais do que fala, e os que falam falam coisas interessantes. filme que tati pediu pra talita baixar.

circumstance (2011)
talita pensava que era indiano mas no fim era iraniano o filme. a língua que falam é persa, na verdade. duas amigas, uma mais doidinha (atafeh), filha de um cara rico, família não muito religiosa, e outra mais quieta (shireen), que mora com os tios e tem que seguir as coisas de religião, inclusive casamento arranjado. falam de fugir pra dubai, levarem uma vida menos oprimida, e parece que atafeh tá querendo ser mais livre mesmo enquanto shireen entende como uma oportunidade pra elas ficarem juntas. inesperado que é ela quem dá o primeiro passo no romance. se beijam, dormem juntas, até fazem coisas. isso tudo viajando pra praia com a família de atafeh. o irmão dela voltou há pouco tempo pra casa, parece que tinha se envolvido com drogas, e quando volta tá bastante muçulmano e ruim, coloca câmeras pela casa toda, se junta a uma polícia moralista, uns caras que vão atrás de gente fazendo coisa proibida pelo governo pra punir. numa festa ele vê as duas, corre atrás até, bate num cara. parece que tá fazendo isso pra se convencer de não voltar pra essas coisas, na real. elas têm uns colegas ativistas que dublam filmes e documentários, umas coisas pornô, um discurso daquele gay milk que foi importante pro movimento LGBT. vão presas, mas o pai paga pra tirar. o irmão tira shireen porque tá interessado nela. dá os dotes e aquelas coisas pra se casarem. elas se distanciam, apesar de morarem na mesma casa depois do casamento. o irmão não deixa nem ela cantar em público. descobre pelas câmeras o romance delas numa vez que shireen vai conversar com atafeh, dizendo que fez aquilo por ela, pra poder estar com ela. eles brigam, ele a estupra mas a besta faz carinho no rosto quando ele para chorando dizendo que não consegue (não sei o quê exatamente). no final atafeh compra uma passagem pra dubai, vai embora sozinha. tudo isso elas com 16, 17 anos.

steven universe: the movie (2019)
lançaram nos primeiros dias de setembro. é um musical que se passa uns anos depois dos últimos episódios de steven universe, em que as crystal gems lutam contra white diamond e steven a derrota. no filme as diamantes tão amigáveis e white diamond tá aprendendo a ser boa, quer que steven fique em homeworld. construíram um portal de lá pra terra até. ficam cantando sobre como tá tudo ótimo, que tiveram final feliz e etc. aí acontece de uma gem chegar numa nave de seringa, toda elástica, me lembrando luffy. uma maquiagem dramática como se fosse borrado de choro. spinel (a gem) clama que steven (pink) era amiga dela, mas fica mais ofendida ainda de ver que rose nem falou sobre ela pra ninguém. pérola parecia reconhecê-la, mas spinel desfaz elas todas antes de qualquer informação ser dada. steven consegue desfazê-la com a arma dela, e parece que o que ela faz é "rebobinar" a gem pra um estágio bem inicial, apagar as memórias e tudo. enquanto isso a nave de spinel tá pregada no solo, injetando uma substância rosa que destrói toda vida orgânica. aí steven passa a trabalhar pra reconstruir todo mundo, começando por fazer saphire e ruby virarem garnet. bismuth, peridot e lapis tão de boa e o ajudam como podem. na verdade até spinel faz isso, porque quando ela volta diz que vai ser a melhor amiga de steven. fica tentando brincar, animá-lo. depois de viverem certas experiências cruciais as gems voltam ao normal, e a primeira foi amethyst. precisam de pérola pra ela contar quem foi spinel, mas o que acontece é ela voltar ao normal. conta a steven que pink diamond a abandonou no planeta que elas tinham pra brincar quando recebeu a terra de presente das gems. que ela ficou lá milhares de anos esperando rose voltar, porque supostamente aquilo era uma brincadeira. steven vai conversando com ela e mostrando que ela precisa de outra pessoa, que ela pode recomeçar, mudar. ele quase morre porque foi atingido pela arma também, e não tava evoluindo porque esqueceu que o poder era mudar. várias músicas, as melhores sendo a de garnet e a de spinel. no fim ela resolve ir embora pra homeworld com as diamonds, que têm atenção de sobra pra dar, e ela só sabe entreter. ok, nada muito incrível, mas dei risadas e fiquei cantando depois. fusão absurda de steven e greg!

bacurau (2019)
puiupo recomendou, tati viu, carolzinha chamou pra ir ao cinema. uma coisa meio distopia, ficção científica brasileira. um povoado minúsculo chamado bacurau, onde todo mundo se conhece e ninguém gosta do prefeito. tem uma travesti que mora no comecinho da cidade que avisa de quem tá chegando, todo mundo se informa talvez por um grupo da cidade no zap. um dia o cara do caminhão de água chega com o tanque baleado, vazando água. depois os cavalos de uma fazenda por perto fogem todos pro povoado e uns caras vão investigar. encontram o dono e os moradores da fazenda mortos, assassinados brutalmente. indo embora encontram um casal de motocicleta, vestidos como se estivessem fazendo trilha, que os matam. tinham passado em bacurau antes, chamado atenção porque usavam capacete, gente do sudeste. eles tão a serviço de uns gringos, parece que a intenção deles é matar os habitantes todos, como se fosse um jogo com pontuação pra isso e tudo. ficam disputando quem vão matar. vão atrás de lunga, criminoso procurado, pra lidarem com o que tá acontecendo. engraçado que todo mundo toma uma sementinha que um velho dá e participa do combate. matam os estrangeiros, botam um velho alemão num porão da cidade. bacurau tem um museu que mostra coisas do cangaço, a dona até manda deixar as marcas de sangue dos gringos como parte. parece que foi o prefeito que vendeu bacurau, tiraram do mapa até. massa de existir, muito o que falar sobre, essa questão de máfia local proteger, reapropriação frente a estrangeiros, poder do povo, tecnologia. punkzera.

driving miss daisy (1989)
fabi da wizard tinha me recomendado isso naquela época. sabia que tinha questão de racismo, sul dos eua. uma senhora judia, boa de vida, que quase se acidenta tirando o carro da garagem. o filho decide que ela precisa de um motorista e paga um cara pra isso, não jovem mas não tão velho, bem humorado, negro. a senhora já tem uma empregada negra, idela, que tá na casa desde quando era jovem. engraçado a sinceridade dela, poucas palavras. a senhora não deixa o homem conversar com ela, diz que vai atrapalhar o serviço que ela tem pra fazer. mais pra frente morre descascando ervilha. miss daisy é bem teimosa e cabeça dura, demora pra aceitar que ele a leve pros lugares, mas com o tempo vão se acostumando um com o outro. ela ensina ele a ler (tinha sido professora). viajam pra casa de um parente velho dela até, sofrem preconceito de policiais achando estranho um negro e uma judia num carro bom. numa vez que ela ia pra sinagoga o lugar foi bombardeado. hoke (motorista) fala de quando era pequeno e viu alguém da família enforcado numa árvore, as mãos atadas. me lembrei daquela música, que fala de strange fruit, coisa triste demais. ela passa a apoiar martin luther king, vai num jantar que ele deu, e hoke fica de fora ouvindo pelo rádio porque ela deixou pra falar sobre (mal convidou) pra ele na ida pro lugar. os anos passam e acontece de um dia ela acordar achando que tá atrasada pra escola, que perdeu os papéis dos alunos, que gostavam dela porque ela devolvia no dia seguinte e agora ia decepcioná-los. hoke tenta ajudar, acalmar, e ela diz que ele é o melhor amigo dela. no fim o filho tá vendendo a casa, ela morando num asilo, hoke e ele a visitando e ela querendo conversar com hoke só, falando de estarem levando a vida. musiquinha legal.

gia (1998)
angelina jolie interpretando essa modelo que se destacou por ter uma personalidade forte e marcante, toda doida, falava e fazia o que queria, uns negócio ousado. vai da filadélfia pra nova york com uns 17 anos e começa a carreira, se apaixona por uma mulher envolvida com modelos também. mimada nas atitudes, uma cena dela chorando querendo que a mãe fique e ela dizendo que não podia, e então gia jogando as coisas dela pra fora e mandando sair então. começa a usar drogas, muitas, e fica viciada em heroína. se destruindo, problemática nos ensaios, sem rumo na vida. os pais se separaram quando era criança, a mãe saiu de casa. um ex dela aparece pra interná-la, a mãe ainda quer que ela seja modelo, fica falando do tanto de dinheiro que ela ganhou e teria se não tivesse usado tanta droga... descobrem que ela tá com pneumonia por causa de aids, primeiro caso numa mulher que os médicos cuidam lá. fica internada no hospital, muito mal, caindo cabelo e com feridas feias. sarcoma de kaposi e hemorragias, bem horrível. morre aos 26. o filme tem umas cenas intercaladas, com os personagens que conheciam gia falando dela, como se fosse documentário. músicas de trompete chatas do caramba. observações de não acharmos angelina bonita, corpo estranho.

interstellar (2014)
já fiz uma "review" aqui, só comentando que era um filmão (já era a segunda vez que eu assistia) e deixando o link de uma explicação do fim e de uma timeline. rever depois de ter visto gia foi bom pra pensar sobre filmes bons e ruins. interstellar é bastante longo mas pareceu mais curto que gia. acho que posso responder interstellar quando me perguntarem qual meu filme preferido, não como o único mas um dos (arrival também estaria na lista, por exemplo). recheado de coisas interessantes: futuro da terra, espaço, viagem no tempo, tristeza, raiva, felicidade, mentira, traição, drama... coisas inexploradas e portanto livres pra interpretação (e olha que pelo que eu me lembro essa história foi o mais cientificamente precisa possível). e a trilha sonora! boa demais. sei tudo o que acontece, então não preciso de review. muito massa a coisa de buraco negro, pensar o tempo como outra dimensão física, a coisa da gravidade, o mundo diferente.

la piel que habito (2011)
sessão cinema com carolzinha e julia. um cirurgião plástico famoso, bem sucedido, que na verdade mantém uma mulher como prisoneira na casa. tá fabricando uma pele mais forte, resistente ao fogo, dura demais pra mosquitos, etc. usa a mulher como experimento, refez toda a pele dela. aos poucos vai tendo flashbacks que explicam a história toda. o médico tinha uma esposa e uma filha, e há uns 12 anos atrás a mulher tinha conhecido o filho da empregada desde sempre e se apaixonaram. fugiram juntos mas teve um acidente de carro que queimou o corpo inteiro da mulher. ela ficou muito mal, o marido fez de tudo pra salvá-la, reconstruir a pele. não tinha mais espelho na casa, ficava tudo escuro, mas mesmo assim um dia ela foi abrir a janela pra ver a filha cantar e cruzou com seu reflexo no vidro, e se suicidou. a filha ficou traumatizada, passou a fazer tratamento, e quando era mais velha finalmente saiu pra socializar numa festa. só que aí um cara se aproximou dela, tendo tomado alguma droga, e quis fazer sexo. ela tava falando esquisitices que ele entendeu por brisa de droga também, e só depois de ter começado percebeu que ela tava chocada lá deitada. não sei direito como, mas ele esbarrou nela e ela desmaiou. o cara foi embora, mas o médico foi atrás dele e o sequestrou. foi fazendo modificações, começando por uma vaginoplastia, e acabou que a mulher dos experimentos é esse cara. vincent, vera. o cara que fugiu com a mulher falecida reaparece, parece que passou um tempo no brasil, e vê que tem uma mulher sendo vigiada na casa. tá convencido de que é a esposa do cara, que ficou melhor, etc. parece que ele reconstruiu vincent de modo a ficar parecido com a mulher mesmo. o cara a tira do quarto e a estupra, e o doutor o mata. a partir daí vera fica livre, vai até fazer compras com a empregada, e fica de romance com o doutor. numa oportunidade dá um tiro nele e na mulher e foge de volta pra loja de roupas da mãe, onde trabalhava. termina com ela chorando e contando. massa, julia comentou que revendo fica claro pra ela a transformação, porque os flashbacks de vera são vincent. doido ficar torcendo pra quem também fez coisa errada. interessante pensar sobre o depois. atriz de habitación en roma, antonio banderas.

see you yesterday (2019)
esperava muito mais. tinha visto trailer ou proposta há um tempo atrás e assisti agora que saiu no netflix. um casal de amigos estudantes de ensino médio ou sei lá, bons em ciência. constroem uma máquina do tempo que botam numa mochila e leva eles pra horas, dias atrás. acontece do irmão da menina ser morto por um policial que o confunde com um assaltante de uma lojinha por perto, e decidem voltar no tempo pra impedir isso. mas fazem besteira e quem morre é o amigo, e daí pra diante a menina quer fazer tudo sozinha. só confusão e besteira desnecessária, ela é muito teimosa e faz as coisas tudo errado. muito improvável tudo o que têm também, equipamentos numa garagem, uma realidade virtual mentirosa pra eles consertarem a mochila. ok que quiseram botar a questão de jovens negros mortos pela polícia e gente negra na ciência e tecnologia, mas ficou pior que filme de sessão da tarde. tem spike lee em alguma coisa, produção talvez, afrofuturismo. tivemos que assistir quebrado em dois.

ghost (1990)
tínhamos visto o final mês passado, daí assistimos do início até onde começamos. sam wheat, banqueiro, tá se mudando pra um apartamento legal com a namorada molly, escultora. eles têm um amigo que trabalha com sam, que ajuda eles na mudança e tá sempre junto. numa noite o casal tá andando de volta pra casa e um cara tenta assaltar sam, e acaba atirando nele e o mata. isso bem quando ela propôs que se casassem e contestava que ele nunca dizia que a amava, apenas "ditto" (idem). sam fica como fantasma, vendo tudo o que acontece, mas ninguém o vê. as coisas e pessoas o atravessam, ele fica todo surpreso, agoniado. fica perto de molly, na casa, e consegue fazer o gato sibilar. vê quando o cara que o matou invade a casa com uma chave da porta e o segue até onde ele mora. na mesma rua tem uma vidente que promete entrar em contato com entes queridos partidos, mas é tudo de mentira. só que sam fica observando e comentando a falsidade e ela o escuta. então ele pede ajuda, e ela vai atrás de molly pra alertá-la do perigo. molly vai à polícia, o que sam queria, e descobre que oda mae brown (a mulher) tem ficha por identidade falsa, já ficou presa, e começa a desacreditar. o amigo se oferece pra ir checar o endereço que a mulher deu (passado por sam), e sam acompanha, só pra descobrir que foi ele que tramou tudo. ele morrer não era parte do plano, mas sim o assaltante pegar uma agenda de sam que tinha um código de acesso a uma conta milionária no banco. agora quem tá em perigo é oda mae brown, e juntos ela e sam retiram o dinheiro da tal conta e doam pra umas freiras (engraçado oda mae lutando pra deixar o dinheiro ir). o assaltante morre quando sai correndo de sam, que tá bagunçando tudo na casa dele e na rua; o amigo morre por acidente quando o vidro da janela cai nele enquanto luta contra molly e oda mae. no final elas conseguem ver sam, molly o beija, fim. música famosa. cena da cerâmica enquanto ainda tava vivo. oda mae deixa ele entrar no corpo dela pra eles dançarem! pena que não mostra como se fosse a mulher. muito boa essa personagem. demi moore tão linda, pena que hétero. cabelinho e estilo massa.

life of pi (yann martel)
começa na índia, contando da família de piscine molitor patel. ele tem esse nome por causa de um tio que adorava nadar, e a piscina favorita era uma francesa com esse nome. aprende a nadar com ele. o pai tem um zoológico; fala muito de animais. um dia o pai mostra pra pi e o irmão mais velho (ambos crianças) como o tigre é o animal mais perigoso, dando uma cabra pra ele assassinar. fala do perigo de cada animal, terminando no porquinho da índia que não tem perigo (mas só porque os que têm são domesticados). quando muda de escola pi passa a se apresentar assim, enfatizando o "pi" pra pararem de fazer piadinhas do tipo "pissing molitor patel". me perguntava se era [pi] ou [paj] mas o irmão brincou com "lemon pie", então acho que o segundo. pi sempre foi religioso, e começou a seguir o cristianismo e o islamismo além do hinduísmo. o professor de biologia e o muçulmano tinham o mesmo nome. uma vez se encontram, além do padre, com pi e a família, e discutem sobre ele ter 3 crenças. ele diz que só quer amar a deus. no começo tinha mais coisas intercaladas, uns pedaços em itálico em que o escritor conhecia pi adulto. pi que narra, e no início fala de morar no canadá, da saudade da índia, de ter estudado zoologia e teologia por causa do professor e das religiões. o navio afunda quando tão se mudando, levando vários animais que o pai vendeu. ninguém sobrevive, e no barco estão ele, uma zebra, uma hiena e o tigre. um orangotango chega boiando num cacho de bananas que afunda. a hiena come a zebra viva, que tava com uma pata quebrada, e depois o orangotango. o tigre só se revela depois, apesar de a primeira cena de pi no bote é ele oferecendo um remo pra ajudar ele a subir, e logo caindo em si e tentando afastá-lo. ele mata a hiena. as descrições dessas coisas são horríveis. pi vive do lado de cima da lona que cobre o barco, depois constrói uma jangada. descobre um compartimento com provisões, equipamentos, mas pesca também. alimenta richard parker (o tigre) também, cuida dele, delimita a área de cada um. usa um apito pra mantê-lo sob controle. muita dor e dificuldades, passa 227 dias no mar. encontra uma ilha feita de alga onde moram suricatos, descobre depois de umas semanas que a ilha é carnívora (encontra "frutas" com dentes humanos dentro). no final tem ele contanto a história pra autoridades japonesas responsáveis pelo navio; não acreditam e pi conta uma versão em que o orangotango é a mãe, a hiena é o cozinheiro, a zebra um taiwanês, o tigre ele. diz pra acreditarem na história que gostarem mais, se não fizer diferença, e isso me deixa pensando no que é real. esperava que fosse ter mais coisa de deus, mas talvez eu perdi alguma coisa. no começo o autor tá falando que alguém contou a ele essa história e falou pra ele ir atrás de pi, então parece que tudo aconteceu de fato. preciso digerir ainda, pesquisar sobre, talvez ver o filme. mas gostei bastante de ler. [editado: li essa review e essa. gostei do que disseram e de como não foi uma interpretação subjetiva, mas totalmente baseada no que o livro fornece... eu pensei nessa coisa de poder escolher a melhor história (citação abaixo) como uma possibilidade pra entender a história, que o leitor também pode escolher, mas massa relacionar com escolher a fé também. as coisas com água, piscine, o mar fazendo sofrer e ajudando, deus. quero ver o filme agora.]

The matter is difficult to put into words. For fear, real fear, such as shakes you to your foundation, such as you feel when you are brought face to face with your mortal end, nestles in your memory like a gangrene: it seeks to rot everything, even the words with which to speak of it. So you must fight hard to express it. You must fight hard to shine the lights of words upon it. Because if you don't, if your fear becomes a wordless darkness that you avoid, perhaps even manage to forget, you open yourself to further attacks of fear because you never truly fought the opponent who defeated you.
To be a castaway is to be a point perpetually at the centre of a circle. However much things may appear to change—the sea may shift from whisper to rage, the sky might go from fresh blue to blinding white to darkest black—the geometry never changes. Your gaze is always a radius. The circumference is ever great. In fact, the circles multiply. To be a castaway is to be caught in a harrowing ballet of circles. You are at the centre of one circle, while above you two opposing circles spin about. The sun distresses you like a crowd, a noisy, invasive crowd that makes you cup your ears, that makes you close your eyes, that makes you want to hide. The moon distresses you by silently reminding you of your solitude; you open your eyes wide to escape your loneliness. When you look up, you sometimes wonder if at the centre of a solar storm, if in the middle of the Sea of Tranquility, there isn't another one like you also looking up, also trapped by geometry, also struggling with fear, rage, madness, hopelessness, apathy.
"So you want another story?"
"Uhh...no. We would like to know what really happened."

"Doesn't the telling of something always become a story?"

"Uhh...perhaps in English. In Japanese a story would have an element of invention in it. We don't want any invention. We want the 'straight facts', as you say in English."
"Isn't telling about something—using words, English of Japanese—already something of an invention? Isn't just looking upon this world already something of an invention?"
"Uhh..."
"The world isn't just the way it is. It is how we understand it, no? And in understanding something, we bring something to it, no? Doesn't that make life a story?"

salt and fire (2016)
mais um dos filmes que talita baixou pra tati. três cientistas viajam pra um lugar na américa do sul onde aconteceu um desastre natural, que só falam melhor mais pra frente. parece que era um lago que secou e virou uma planície enorme de sal, que se expande em 800km² por ano. quando chegam são recebidos por uma galera estranha, um cara que diz ser ministro de não sei o quê, mostra uma carta falando pra irem pra uma cidade lá. voam num avião menor e quando chegam são sequestrados, pegam a mulher pra conversar, ela é a chefe da delegação. protegidos pela ONU. o líder é o CEO da empresa que causou o desastre, assumiu o controle há pouco tempo, e tá desconsolado com tudo. fica falando sobre outras perspectivas, cita um versículo bíblico, mostra um corredor em roma que tem uma afresco anamórfico que sempre quis ver, sei lá. conversam, ela livre dentro da casa antiga. pegam ela um dia e vão até o deserto de sal; tem um vulcão perto, o cara diz que tá tendo tremores recorrentes e que, se o vulcão entrar em erupção, vai ter uma catástrofe mundial que destruirá a espécie humana. daí abandonam ela numa ilha no meio do sal, com dois meninos quase cegos, huáscar e atahualpa (nomes dos últimos reis incas), e provisões pra uma semana. quando voltam o cara diz que é pai deles, que os adotou porque a mãe morreu por causa da toxicidade do local, e que eles tão ficando cegos pelo mesmo motivo. diz que vai se entregar às autoridades e sabe que será preso, e pede pra tirar umas fotos com o tablet dela (engraçadas, brincando com perspectiva, uma colher e um dinossauro de brinquedo). termina com o cara da cadeira de rodas motorizado (que senta nela quando tá cansado da vida) mandando ela pro deserto com uma garrafa enorme de champanhe, dizendo que é a isca pra atrair os alienígenas. aquele lugar é a maior área plana do planeta, e satélites calculam a distância até o chão usando ali. meio doido, mas não ruim. daquele werner herzog.