mc jess (2018)
o melhor do festival. mc jess é jéssica, que trabalha vendendo fones de ouvido no trem e mora na favela. já começa com jess recebendo sexo oral de uma menina que não dá pra saber se é namorada real, ainda mais porque ela diz que vai precisar ficar um tempo quieta porque "tão começando a reparar". jess visita os pais no aniversário da mãe e almoçam juntos, a irmãzinha contando de um exorcismo que o pai fez e ela foi junto. questão de minutos pro pai jogar na cara de jess que ela não estuda, só quer saber de fazer música e não trabalhar. massa como passa pra ela contando pra paquerinha sobre o almoço, terminando a história da discussão. a menina incentiva ela a ir num evento de slam que ela viu no facebook (legal isso de mostrar algo que viu e lembrou dela, bem real) e ela vai, fala de ser sapatão, de evangelho, ser negra. a poesia termina com ela encarando a câmera, e passa pro formato documentário dela falando o que aquilo significa pra ela. muito bom o que ela diz, que o jovem que escreve passou por muitas escolhas até chegar lá, negando o crime, as drogas, sobrevivendo. a narrativa de jess misturava mulheres falando sobre escrever e recitar em slam, show demais. gostei de como é a filmagem também, essas coisas cotidianas tipo ela botando miojo pra ferver. a poesia que jess já faz chamando as pessoas pra comprar o que ela vende... fiquei pensando sobre como esses trabalhadores informais tão nessa pandemia. foda.
para costurar folhas secas (2017)
para costurar folhas secas (2017)
duas mulheres negras, aparentemente namoradas. a mais alta entrega um dvd pra outra e é pariah! surpresa. de mãos dadas rodando e filmando, "você é a mulher mais linda que eu já vi" e a outra "eu sei disso!", e apesar de parecer forçado não achei ruim. elas caminham pela cidade, acho que são paulo, e perto do fim se beijam perto de luedji luna tocando no meio de uma caçadona. nessa hora nalu e mari se amaram. são abordadas por um cara trans vestido que nem evangélico e segurando uma bíblia com um arco-íris na capa, e fala extasiado umas palavras poéticas. se despedem onde começou, algo parecendo uma estação, e já tão sérias e tristes. a que recebeu o filme joga ele numa lixeira quando vai embora (não deixei de pensar "poxa vida"). sinto que não captei tudo tão bem, por causa de atenção mesmo, mas dá pra assistir no youtube.
o enterro prematuro (edgar allan poe)
esse conto foi diferente. o narrador não começou falando de si mesmo, e sim desse assunto de enterro de gente que na verdade tá viva. deu vários exemplos conhecidos, que não sei se são reais, tipo um de uma mulher que foi enterrada e o ex resgatou porque ele foi abrir o caixão pra pegar o cabelo dela e ela despertou. até que chega no relato do próprio narrador, que começa com ele falando que tinha catalepsia, uma doença em que a pessoa às vezes cai numa parálise dos músculos que pode durar muitas horas. segundo quem tá narrando, pode demorar até dias pra pessoa voltar ao normal, e a preocupação dele era ter um episódio longe da família e dos amigos, que são as pessoas que sabem da condição dele, e ser dado como morto e enterrado antes da hora. ele se preocupa muito com isso e fica meio obcecado, mandando reformar o mausoléu da família pra ser possível de abrir de dentro, botando uma corda dentro do caixão que dá num sino do lado de fora, usando um caixão confortável, abastecendo o negócio de água e comida, deixando chegar ar e luz... doideira, claro, e aí acontece dele entrar em estado cataléptico e despertar num lugar que não é a cova que ele preparou pra si mesmo. ele começa a ficar desesperado mas logo ouve uma voz chamando ele e alguém tocando seu braço, e no fim ele só tava em alguma caverna onde tinha chegado numa escalada com amigos. depois disso ele se livra do fascínio com a morte e deixa de pensar tanto sobre esse medo que ele diz ser, indiscutivelmente, o maior de todos os possíveis (nada a ver isso aí), e acaba que essas apreensões dele "haviam sido menos a consequência do que a causa" da doença dele, e o cara se cura. como assim um final "feliz"? ok né, inesperado.
o encontro marcado (edgar allan poe)
achei que começou bem, um cenário diferente. um cara numa gôndola nas águas de veneza, que tavam completamente negras por causa da escuridão da noite. do nada um grito e luzes de tochas, gente indo ver, e o que aconteceu foi que uma criança caiu de uma janela pro rio. a mãe tá na beira do canal parecendo uma estátua, pálida e com um semblante sólido, como descreve o narrador. ela é uma marquesa muito respeitada e admirada na itália. um cara mergulha e salva a criança, levando-a à mulher, e alguém pega logo e leva ela pra dentro. a mulher recobra a cor e diz a ele "venceste — uma hora após o raiar do dia — encontrar-nos-emos — que seja!"... o narrador oferece uma carona pro cara, todo encharcado, porque já se conheciam, e ele convida o outro a visitá-lo em sua casa cedíssimo no próximo dia. ele vai e descreve o monte de coisas que o amigo tem na casa, muitas pinturas e vasos e esculturas, vitrais nas janelas, mil estímulos visuais, e mesmo assim nada conseguia prender o olhar. o rosto desse cara também é descrito assim, olhos cativantes, cabelos pretos e maxilar divino, mas "não exibia qualquer expressão decididamente determinante a ficar gravada na memória; uma fisionomia vista e instantaneamente esquecida — mas esquecida com um desejo vago e incessante de trazer de volta à lembrança". o cara-narrador descobre um poema que o cara-amigo tinha escrito, falando de como uma mulher era antes sua vida e agora ele vivia como que num sonho, sem propósito, e no fim ele (o amigo) morre assim que o dia nasce com a taça de veneno que tomou. em seguida a notícia de que a marquesa também morreu, e o encontro marcado era entre esses dois, então, romeu e julieta repaginado. essa atmosfera de sonho, bem assim de ver coisas fascinantes mas nunca segurar a atenção numa só, achei massa. só não entendi o papel da criança nisso tudo.
o enterro prematuro (edgar allan poe)
esse conto foi diferente. o narrador não começou falando de si mesmo, e sim desse assunto de enterro de gente que na verdade tá viva. deu vários exemplos conhecidos, que não sei se são reais, tipo um de uma mulher que foi enterrada e o ex resgatou porque ele foi abrir o caixão pra pegar o cabelo dela e ela despertou. até que chega no relato do próprio narrador, que começa com ele falando que tinha catalepsia, uma doença em que a pessoa às vezes cai numa parálise dos músculos que pode durar muitas horas. segundo quem tá narrando, pode demorar até dias pra pessoa voltar ao normal, e a preocupação dele era ter um episódio longe da família e dos amigos, que são as pessoas que sabem da condição dele, e ser dado como morto e enterrado antes da hora. ele se preocupa muito com isso e fica meio obcecado, mandando reformar o mausoléu da família pra ser possível de abrir de dentro, botando uma corda dentro do caixão que dá num sino do lado de fora, usando um caixão confortável, abastecendo o negócio de água e comida, deixando chegar ar e luz... doideira, claro, e aí acontece dele entrar em estado cataléptico e despertar num lugar que não é a cova que ele preparou pra si mesmo. ele começa a ficar desesperado mas logo ouve uma voz chamando ele e alguém tocando seu braço, e no fim ele só tava em alguma caverna onde tinha chegado numa escalada com amigos. depois disso ele se livra do fascínio com a morte e deixa de pensar tanto sobre esse medo que ele diz ser, indiscutivelmente, o maior de todos os possíveis (nada a ver isso aí), e acaba que essas apreensões dele "haviam sido menos a consequência do que a causa" da doença dele, e o cara se cura. como assim um final "feliz"? ok né, inesperado.
o encontro marcado (edgar allan poe)
achei que começou bem, um cenário diferente. um cara numa gôndola nas águas de veneza, que tavam completamente negras por causa da escuridão da noite. do nada um grito e luzes de tochas, gente indo ver, e o que aconteceu foi que uma criança caiu de uma janela pro rio. a mãe tá na beira do canal parecendo uma estátua, pálida e com um semblante sólido, como descreve o narrador. ela é uma marquesa muito respeitada e admirada na itália. um cara mergulha e salva a criança, levando-a à mulher, e alguém pega logo e leva ela pra dentro. a mulher recobra a cor e diz a ele "venceste — uma hora após o raiar do dia — encontrar-nos-emos — que seja!"... o narrador oferece uma carona pro cara, todo encharcado, porque já se conheciam, e ele convida o outro a visitá-lo em sua casa cedíssimo no próximo dia. ele vai e descreve o monte de coisas que o amigo tem na casa, muitas pinturas e vasos e esculturas, vitrais nas janelas, mil estímulos visuais, e mesmo assim nada conseguia prender o olhar. o rosto desse cara também é descrito assim, olhos cativantes, cabelos pretos e maxilar divino, mas "não exibia qualquer expressão decididamente determinante a ficar gravada na memória; uma fisionomia vista e instantaneamente esquecida — mas esquecida com um desejo vago e incessante de trazer de volta à lembrança". o cara-narrador descobre um poema que o cara-amigo tinha escrito, falando de como uma mulher era antes sua vida e agora ele vivia como que num sonho, sem propósito, e no fim ele (o amigo) morre assim que o dia nasce com a taça de veneno que tomou. em seguida a notícia de que a marquesa também morreu, e o encontro marcado era entre esses dois, então, romeu e julieta repaginado. essa atmosfera de sonho, bem assim de ver coisas fascinantes mas nunca segurar a atenção numa só, achei massa. só não entendi o papel da criança nisso tudo.
silêncio: uma fábula (edgar allan poe)
procurei uma leitura de algum dos contos que ainda não lemos e essa foi a primeira que tava igual à tradução do livro que eu tenho. um demônio contando a história pra um cara, que diz achar ela uma das mais bonitas ou algo assim. o demônio descreve um lugar inóspito, um rio cor de açafrão cercado por um deserto, nenúfares na água, uma floresta sombria, bem essa atmosfera tensa (e ainda teve essa música do vídeo, né). uma pedra onde se lê "desolação", um cara vestido de grego que senta nela e fica parecendo aflito. começa uma tempestade e o homem levanta a cabeça pra dar atenção, e o demônio amaldiçoa o lugar com a maldição do silêncio, e a palavra na pedra passa a ser essa. o homem se desespera com tudo mudo e foge. fim. ôxe. não gostei não, não peguei nada de especial.
babyji (abha dawesar)
dentre 3 livros de autoras indianas que eu podia ter escolhido pra asian readathon eu peguei esse porque o clube lesbos curitiba ia promover uma discussão online, e foi de longe a pior escolha. não teve uma parte boa esse livro, sério, é péssimo. a protagonista se chama anamika, uma estudante de 16 anos que se acha a cereja do bolo e age como se fosse a pessoa mais inteligente e madura do mundo. já nas primeiras páginas essa mulher encontra ela na escola que tá tentando matricular o filho de 5 anos e chama anamika pra um café gelado na manhã seguinte (quê?), e elas começam a ter um caso. no mesmo dia anamika vê uma mulher da comunidade humilde perto de onde mora e dali a pouco ela vira criada da família, e claro que a menina aproveita a posição de superioridade pra provocá-la e seduzi-la. sendo a melhor aluna da sala e monitora da escola, anamika abusa da posição de poder que tem pra "inspecionar" o uniforme curto da colega sheela, e daí pra diante fica forçando as coisas com ela pra ter um terceiro caso. a coitada é abusada no ônibus e um dia na casa dela anamika a penetra violentamente mesmo sheela tendo dito que não queria. aí anamika fala pra si mesma que não foi estupro, que só forçou sheela a acelerar algo que já queria fazer, que ela não deveria ser tão dura consigo mesma, mas com qualquer outra coisa ela é adulta e responsável, né. sheela diz que overreacted, véi, sério? ela chama a criada de rani, que é um nome genérico, e nem se importa em perguntar o nome real da coitada. dorme com ela todas as noites quando rani passa a morar na casa dela, depois do marido tê-la agredido. várias vezes anamika a trata como uma posse, fala que ela é um brinquedo, usa ela pra "compensar os espaços vazios que a outra deixou"... forçou sexo na primeira vez também. porra. como se não bastasse, o pai do melhor amigo também se atrai por ela e fica provocando com palavras, tocando intimamente, dá um beijo. não é nem um pouco realista a maneira como todas as pessoas se atraem por ela, como os adultos a consideram madura ou como ela consegue manipular todos e conseguir o que bem quiser. esse pai do amigo dá lolita pra ela ler e ela se imagina como humbert humbert, véi, e sheela como a ninfeta dela. chega a falar que se identifica com ele e tudo. tem um colega na classe dela de uma casta inferior que fica xingando ela, que é brahmin, e mesmo ele tendo arranjado de explodirem uma bomba nela e deixado uma camisinha usada na carteira de sheela, anamika ainda tenta protegê-lo e fazer acordos pra "salvá-lo", porque "um bom líder não rejeita as ovelhas negras". a única coisa que coloca a história na realidade é uma tal de mandal comission que dava mais cadeiras pra estudantes de castas inferiores nas universidades, e anamika se mostra contra isso. tem brahmins se incendiando em protesto, mas ela também acha isso idiota e fútil. eu comecei a grifar as coisas bizarras que ela falava mas chegou num ponto que quase toda página era uma merda tremenda. zero simpatia pela personagem principal, zero aprofundamento nem desenvolvimento de qualquer personagem, zero enredo também, porque todo conflitinho é resolvido como se não fosse nada. sempre a mesma coisa, ela falando dos estudos, fugindo de noite da casa dos pais, blá blá blá. esse é aquele tipo de livro que pode muito ser pego pra representar lesbianidade ou sei lá e vai ser muito prejudicial, sabe? ela objetifica demais todas as mulheres, imagina até as professoras nuas, sente ciúme das "amantes" e fica querendo controlar como elas se portam e vestem, considera os colegas imaturos, repudia a mulher adulta por beber cerveja e fumar maconha uma vez (!!!), fica mudando de humor o tempo todo e fazendo birra, fica se perguntando sobre o sentido da vida e quer a "verdade" (???), fica poetizando física, se exibe falando das leituras (kundera, dostoievsky, "eu tento evitar bestsellers", AFF). uma mísera coisinha sobre binariedade ser construto ocidental, que as coisas não eram só preto no branco.
território do brincar (2015)
outro documentário que analuísa precisava ver pra uma disciplina, mas dormiu a maior parte do tempo. esse é mais baraka, só umas filmagens de crianças brincando e fazendo brinquedos, sem narração ou conversa. uma hora tem um menino mais crescido falando de imitar pássaros, de como fica feliz quando consegue pegar um pássaro, mas acho que só. vários lugares diferentes, de uma aldeia indígena até um condomínio chique com cara de filme, apesar desse último ser o que menos aparece. absurda a criatividade surpreendente das crianças, brinquedos simples ou então construídos com o que cada um tem. umas coisas chocantes de uns menininhos usando chumbo pra fazer um barquinho ou então usando um facão enorme pra cortar madeira e montar uma carrocinha. meninos do mangue, matando pássaro e pegando calango. aqueles pensamentos e sentimentos sobre a presença/falta de independência e estímulo, de criatividade mesmo. muito bom e gostoso de ver. pipas, fantasias, gororobas de comer de mentira, casinhas em miniatura, histórias de dar medo em volta de uma fogueira de noite. muita riqueza na infância e no mundo enorme que é o brasil.
the first grader (2010)
uma nova política de educação gratuita para todos no quênia e kimani ng'ang'a maruge, um senhor de 84 anos, aparecendo na escola porque quer aprender a ler. uma multidão pra matricular os filhos, 200 alunos em 50 carteiras, e o velho insiste indo lá mais de uma vez. primeiro não tinha os dois cadernos e o lápis apontado, depois faltava o uniforme, mas na terceira não tinha desculpa e a professora jane não resistiu. algumas coisas trazem flashes de lembranças pra ele, e não deve ter tido uma em que eu não chorei. fiquei mal pensando no quanto o ser humano é perverso e o quanto as minorias sofreram na mão dos brancos, sentindo vontade de não existir. muita violência, os britânicos queimando casas e assassinando mulheres e crianças, torturando os rebeldes brutalmente. maruge, que era quicuio, foi parte da resistência, os mau mau. viu a mulher e o filho bebê serem mortos na sua frente, teve o ouvido furado por um lápis, foi chicoteado pendurado de cabeça pra baixo. ele queria aprender a ler porque tem uma carta, e no final ele acaba pedindo pra professora ler pra ele (e eu já tava pensando que era porque ele tinha sentido que ia morrer, mas não). era o governo reconhecendo a luta dele e reconhecendo o direito dele de receber uma indenização em compensação pelo tempo que foi prisioneiro em diversos campos de concentração ao longo de uma década ou mais. várias ameaças a ele e à professora, o dono ou sei lá da escola fazendo com que jane fosse transferida, os pais reclamando e celebrando a nova professora mas sendo recebidos por uma rebelião das criancinhas que espantou ela huash. maruge animadão com o alfabeto, bom com os números, inspiração que ganhou fama e foi parar no guinness book e na onu. morreu em 2009, com 89 ou 90 anos.
euphoria season 1 (2019)
me surpreendeu a ponto de eu reassistir tudo com as meninas depois de terminar de ver com talita. trilha sonora forte, cores e luzes, cada episódio se aprofundando em um personagem do núcleo central. rue narrando sempre, como se soubesse de tudo, o que me fez pensar no final (depois de ver pela segunda vez) que é porque ela pode ter morrido. quando criança ela foi diagnosticada com um bocado de coisa, toc e ansiedade principalmente, e já passou a tomar muitos remédios. quando o pai adoeceu de câncer ela começou a pegar comprimidos dele e foi virando vício. a série começa com ela saindo do centro religioso de reabilitação, toda cética e correndo pra se drogar de novo. teve overdose no verão, a irmã mais nova encontrou ela caída dura no próprio vômito, pesadão. falta às reuniões com os narcóticos anônimos e suborna um cara pra conseguir certificado de que foi, pra mentir pra mãe. pede pra amiga lexi mijar num pote de tylenol pra ela amarrar na coxa e fingir que é a própria urina quando a mãe quer fazer teste. o dealer dela é fez, personagem muito bom, todo brisadão mas querido. tem um irmão ajudante mó criança mas todo gângster, engraçado que nem explica. eles cuidam da vô acamada, em aparelhos. uma vez rue tá lá quando o fornecedor dele chega, cara invocadíssimo, que acaba drogando rue com fentanil e tirando dinheiro de fez de propósito. nessa rue fica malzona e jules faz ela prometer que vai parar de se drogar, porque não quer ser amiga de alguém que pode morrer assim. jules é nova na cidade, toda sailor moon, estilosa e criativa. loira altona, mas trans. o pai dela parece bem bacana. o episódio sobre a infância e juventude dela deve ser o mais chocante pra mim, com aquela música ainda. jules fica se encontrando com caras mais velhos em hotéis de estrada só pra ser comida, numa brisa de conquistar homens pra conquistar feminilidade e então destrui-la. gosto tanto da cena em que ela fala sobre ser trans, ir subindo de nível, fazer isso. chorei largado. a questão é que o pai de nate fica com ela numa dessas, mark de grey's anatomy!, e ele tem uma coleção de gravações de encontros assim. mas o cara é um magnata da cidade, todo reputação e essa merda, então tem que manter a aparência. nate é um cuzão líder do time de futebol americano, e a namorada é maddy, líder de torcida. quando criança ele descobriu os dvds pornô do pai e desde então vive nessa paranoia, além da pressão enorme de ser o filho perfeito do cara dono de meia cidade. ele se passa por outra pessoa e começa a conversar com jules, que fica toda apaixonadinha, só pra depois a ameaçar usando os nudes que ela mesmo mandou pra ele. e não dá pra saber o quanto ele realmente se sente amaldiçoado pelo mesmo gosto do pai ou só é doentio demais, mesmo. e o próprio pai dele fica todo deprimente com essa questão de nate ter tanto ódio dentro de si, chega a implorar pra jules não contar pra ninguém sobre eles quando a vê no parque de diversões da cidade. e rue tá gostando dela, mas jules fica agindo de um jeito muito egocêntrico. no final ela vai pra ny sozinha quando rue dá pra trás e achei muito simbólico, como se rue tivesse testando o que nate disse sobre jules ir embora assim que possível, e vendo o quanto a própria melhora vai ter que ser uma jornada individual de rue. gostei dela ter reconhecido isso e ficado, mas AQUELA CENA FINAL MARAVILHOSA tem tanta cara de morte. mas pode ser uma morte dessa velha rue, coisa de transformação mesmo, né. fez dizendo "till then"... putz, será que vai ser morto pelo chefão que viu sangue no dinheiro que arrumou? a mãe de rue se engraçando com o pai de jules... lexi personagem tão bacana. cassie pô, quanta merda na vida hein. mãe depressiva e alcólatra, pai viciado, namorado que parecia legal mas foi ruim, aborto. anna que jules conhece e fica em ny é aquela atriz não-binária de trinkets. maddy também, véi, nate agredindo ela toda hora, a coitada é muito forte e merece muito mais que isso. latina ela. aaah e tem kat ainda! makeover de dominatrix, toda ryca, e cadê os pais dessas crianças pra perceber tudo o que acontece? massa que ela se liga nos vacilos e fica com o carinha que gosta dela desde antes. talita não gosta que não falam sobre umas coisas óbvias, tipo raça, apesar de tratar de bipolaridade e depressão. gosto do fato dos personagens terem várias facetas, de não dar pra acusar todo mundo 100% e tal. queria ser como rue fisicamente.
little fires everywhere (celeste ng)
tinha escrito e perdi tudo por causa de internet não funcionando e pc travando, mas como já escrevi demais sobre isso por enquanto vou só copiar o que botei no caderno de leituras que comecei:
otouto no otto (gengoroh tagame)
mangá curtinho de gengoroh tagame, 'o marido do meu irmão'. yaichi vive no japão com a filhinha kana e eles são surpreendidos pela visita de mike, canadense que foi casado com o irmão gêmeo falecido de yaichi, ryouji. ele visita o japão porque tinha prometido ir com o marido um dia. ao longo das três semanas que mike passa com eles yaichi vai repensando e lidando com seus próprios preconceitos, e passa a entender melhor e fazer as pazes com essa parte da vida do irmão de que não fez parte. coisa de ryouji ter contado casualmente quando ainda era jovens e yaichi não ter nunca tocado no assunto, essa questão de fingir que não existe. o irmão era a única família ainda viva e mesmo assim ficaram um tempão sem se falar, depois que ele foi estudar e viver no canadá. triste. achei massa que mostra essa transformação em yaichi, que acaba vendo na própria vida aspectos igualmente não-convencionais (pai solo, divorciado) que também não merecem ser invalidados ou discriminados. a mãe chega a visitar kana, vai numa viagem com eles também, boa convivência. uma boa abordagem de uma perspectiva diferente. um pouco repetitivo as conversas sobre refeição e o próprio foco que a comida recebe toda hora, "quer x?", "então vamos comer!", mas nada de mais. kana toda animada em ter um tio canadense. esquisito ela tocando os músculos do peitoral de mike, peludo. umas coisas extras no mangá com ele explicando sobre casamento homossexual, bandeiras lgbt e tal, legal (fiquei chocada que falam logo da bandeira dos furry e de bdsm ahushs). descobri que também tem uma live-action em 3 episódios, com atores bem iguais aos personagens (exceto que mike é gordo, e não musculoso, mas prefiro assim. até yaichi era super musculoso no mangá, pra que isso).
little fires everywhere (2020)
fiquei um tempo sem querer continuar, mas vi o resto de uma vez antes da live da asian readathon pra discutir a série. estranhamento com essa mia, fazendo careta e reagindo a tudo, ameaçando chorar toda hora. no livro mia é tão quieta, misteriosa, fala só o necessário e o importante. meio querendo não ver pra não estragar. coisa de mãe e filha bem cinema, "i love you so much" em batidas na parede, blábláblá. JACKSON AVERY como joe ryan, ok. esses pesadelos de mia distorcem demais, véi. sifudê os comentários ridículos de elena sobre ações afirmativas pra entrar na universidade. pearl muito baba ovo de elena, mostrando até os poemas... nem parece que tem moody. negócio de entrar no ferro velho juntos e aff mia GRITANDO com pearl. ok, a pegada é muito mais sobre racismo. no livro não falam da cor delas, né. fizeram izzy lésbica, hum. "not your puppet" na testa, show. elena tem dia certo pra transar kkkk mas qual é essa de mia transar "com quem quer, quando quer"... isso de pauline ser parceira dela, pegou meio mal hein. odeio essa abertura. a maleta de comida de elena é igual o coiso de transportar órgãos de grey's anatomy, avery que trouxe né. wtf esse book club e mia se metendo, ficando pra beber e conversar com elena depois?? "parts of us that we're afraid to look at". em série eles têm que pegar o que era narração e botar na boca dos personagens pra gente poder ter acesso, né. nem sempre fica bom. "so much in common" só porque bryan e pearl são negros -_- mia indo atrás de may ling e se oferecendo pra fotografar o aniversário, véi... bebe já invade a casa assim?? raiva de como mia dá pala dos sentimentos sempre. horrível os peitos de bojo enormes. bryan muito mais legal, educando lexie o tempo todo, tentando na real porque ela só fala bosta, né. lexie tem muita cara de criança, véi, até estranho ela ser a mais velha e transar. izzy super cara de bebê também. putz os 70 centavos que negaram pra bebe mas deixaram izzy passar... mais essa agora, mia vendendo a única pintura de pauline que tem pra pagar advogado pra bebe, tudo diferente. elena investigando bebe... que beijo FEIO de pearl e trip, eca. um cheque pra bebe ficar quieta, putz. que história é essa de trip brochar e ser cuzão com pearl na primeira vez, merda. "you didn't make good choices, you had good choices" woah. e já tão uma contra a outra explicitamente. annasophia robb fazendo elena jovem! muita cara de alien né. essas boquinhas sem lábio... izzy alfinetando elena com mia no ny times, boa. mia super dura com lexie e izzy. massa o banheiro no meio dos quartos pra compartilhar. suborno com cupcakes, elena, really? então o amigo em ny é ex de elena. segura: "you're still the same sad person living a sad life. you stuck to your plan. it's not my job to make your life bearable"! mudaram a atriz de mia sendo que na foto e nos pesadelos é a mais velha, oxe. um tempão mostrando a gravidez não esperada de izzy, a mãe de elena mandando um "you're acting as if it's a choice". fizeram a foto da mulher/aranha ser um autoretrato, monstro, deusa, mãe, poder. e foda também, isso de planejar a vida inteira, ficar infeliz, não ter saída. um compromisso com você de um passadão. ~amiga~ de izzy no armário, literalmente. levando lição de mia sobre a arte com as bonecas, show. "is fighting for another person's child worth losing your own?", ameaçou mermo. todo mundo tem apelido e elena só não usa com izzy... pô. "linda is not going to lose her baby. because people like bebe chow don't win" :( bill ficando como bonzinho porque não perguntou do que mia fez. se mandando pra "comprar chupeta" kkk. massa também: "you're not an exception because you want to be" sobre izzy e a arte dela. "you don't get to challenge people and not let them challenge you back". outro: "if we can't say it with words we find another way. we're artists. there's always another way" :') PUTA MERDA elena que conta dos ryans pra pearl. elena cortou izzy das fotos de natal, véi, que pesado. na corte, "SE ELA ERA PERFEITA POR QUE VOCÊ MUDOU O NOME?", PORRA. achei meio simples a conversa entre mia e pearl e como se resolvem. izzy vai tacar fogo em tudo, ta chorando e impulsiva, mas TODOS OS FILHOS CONVERSANDO e então ELES QUE INCENDEIAM! massa essa mudança, mais sentido. e no fim elena pro policial "i did it", YES YOU DID BITCH. uma faísca de mudança, quem sabe. "was i the bird or was i the cage?" vocalizado como poema. o melhor foram esses finais repensados, mas a sutileza do livro é muito única. acho que se não tivesse lido ia ter gostado mais do dramalhão da série.
