Mostrando postagens com marcador ebooks. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ebooks. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 29 de março de 2021

lidos (4) em março

vizinho, vizinha (roger mello)

livrinho infantil que peguei gratuito na pandemia, pena não dar pra ver as cores no kindle (usei o aplicativo do pc pra isso). um cara e uma mulher que moram um de frente ao outro num prédio, mas só se dão bom dia e comentam sobre o tempo. excêntricos do jeito deles, mas desconhecidos um pro outro. um dia a sobrinha do cara e o neto da mulher abrem as portas e brincam juntos enquanto eles não estão, misturam as casas, tchururu. depois que vão embora fica estranho o silêncio, e termina na expectativa de um falar com o outro. bonitinho, achei legal a proposta de cada ilustrador fazer um apartamento, e o autor o corredor. quem ilustra o cara é mariana massarani e quem ilustra a mulher é graça lima; gostei dessa última que parece colagem e a outra me lembra aqueles livrinhos de mini larousse coloridinhos que eu tenho (olhei aqui e ela ilustra um deles mesmo! o da amazônia). muito bom o jeito diferente de falar as horas aqui:

eu sou malala: a história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo talibã
(malala yousafzai com christina lamb)

quase um ano lendo – comecei na asian readathon de maio... não tem jeito, biografia não é um gênero que me segura, não importa de quem seja. gostei de saber mais sobre malala, com certeza foi valioso, mas tive que persistir; corri pra terminar antes de sair da casa, já que tava emprestando de carol. acho que foi pölzl quem fez a comparação dela com marjane satrapi, de persépolis, no sentido de que as duas tinham pais ativistas e vinham desde cedo com essa atitude de defender certas coisas e tal. não lembro mais muito de persépolis e agora me pergunto se foi isso mesmo, mas acho que faz sentido ter apoio familiar de alguma forma, né. loucura como existem situações e existências que a gente nem imagina, por não fazer parte da nossa realidade. mesmo com ameaças e mortes e bombardeios ela tava lá, resistindo, não sozinha, mas com uma coragem sem comparação. que tenso os relatos depois dos tiros, a questão da infraestrutura hospitalar, ainda tem tudo isso, né... e a tristeza de ficar longe do vale do swat depois do refúgio na inglaterra, bem bonito lá mesmo. parece que no paquistão ela é uma figura polêmica, tem a questão do talibã vê-la como veículo de propaganda do ocidente e tal. antes do ataque ela já fazia umas coisas grandes, tinha escrito um blog pra bbc com um pseudônimo, sido documentada mostrando a rotina de viver e estudar em mingora... não conhecia nada sobre os pachtuns, interessante também (aqui ela fala pachto e urdu!). essa galera que estuda muito e se preocupa em ser o primeiro da sala, hein. há um tempo atrás vi ela comemorando no twitter por ter terminado a faculdade, pandemia já. ela é só dois anos mais velha que eu :~ ah, o alquimista é um dos livros favoritos dela hauhah

the year of the witching (alexis henderson)

tinha começado lá em outubro, porque era um dos livros que teriam discussões ao vivo durante a fortnight frights de seji, mas só li um pouquinho e não voltei mais. na época não me prendeu muito, acho que desanimei com o cenário envolvendo religião e séculos passados, e foi justo quando comecei a releitura de crepúsculo também... mas voltei a ler agora e até cheguei a ter aquele sentimento (infelizmente em falta) de querer saber o que ia acontecer, aproveitava pra ler sempre que podia e tal. imanuelle é a protagonista, fruto da união entre miriam e daniel, um rapaz dos outskirts, que é a periferia onde habitam as pessoas de pele escura. o pai foi queimado na fogueira e a mãe morreu quando dava à luz a ela, depois de ter passado meses dentro da darkwood, a floresta proibida, e desde então a família perdeu o prestígio que tinha em bethel. lá pelos 17 anos de idade imanuelle entra na floresta em busca do bode que tinha que vender e recebe de duas mulheres fantasmagóricas o diário da mãe, e assim ela começa a entender melhor o lance da bruxaria envolvendo seu passado e sua identidade. quando pestes começam a atingir o povoado ela assume a missão de resolver as coisas com as bruxas da floresta e, com uma ajuda do filho do profeta, ela parte pra desafiar as bizarrices todas de uma doutrina opressiva e impiedosa. aliás, só porque eu acho ezra miller um puta cara bonito (e gosto muito do nome também) me aparece um personagem perfeito com esse nome... bom que assim eu posso vibrar por ele instead, já que o ator aparentemente é um escroto, né. queria tanto achar fanart mas até agora nada. falar a verdade que eu só me intriguei com a leitura quando imanuelle vê as lovers na floresta; tava esperando sexo lésbico não! interessante ter isso dentre as quatro bruxas, bem boa a caracterização macabra de cada uma delas. ah, e a avó mãe de daniel sapatona convicta!!! "men cut clothes" and shit heheh. mas pô, muito pouco tempo com ela e a companheira, deu nem tempo de conhecer melhor... até gostei de não ter muito romance com ezra, só no final fica mais direto, mas já que imanuelle tem várias vezes o desejo de "mais" e de se aproximar dele bem que podia ter um sexual awakening. esse negócio de bethel ser meio isolada do resto do mundo me lembrou as muralhas de shingeki no kyojin, mas talvez só tô viciada demais. que bosta essas fés extremamente machistas, os caras super velhos casando com jovens, várias esposas, violência... no geral foi ok mas fiquei sentindo falta de certas coisas, explorar mais a fundo os aspectos que envolvem raça e gênero (apesar de imanuelle ter ficado feministona a partir de algum momento), dar espaço pra alguns desenvolvimentos, etc. e não é um horror muito forte, podia até ser mais, ter mais explicações pro coven de lilith, pra magia na família ward, etc. acho que o mais pesado foram as práticas da própria igreja, na real. os personagens são bons, isso de ezra ser um homem firmeza, o avó abram dando apoio na hora que ela precisava, as bruxas!... que caos aquela cena apocalíptica na igreja, hein. e acabam oferecendo piedade ao escroto do profeta, bem que lilith podia ter cuidado dessa parte. a discussão com seji e convidadas foi legal, fiquei sabendo que vai ter um segundo livro, quem sabe nele isso tudo melhora. gostei de ler uma autora negra desse gênero relativamente novo pra mim, mas que com certeza quero explorar mais.

pai contra mãe (machado de assis)

quanto vale ou é por quilo? é baseado nesse conto e em crônicas de nireu cavalcanti sobre a escravidão do arquivo nacional do rio de janeiro. aqui candinho é um homem que não para em emprego nenhum, mas que se vê na necessidade de trazer dinheiro pra casa se não quiser ter de entregar o filho recém-nascido à roda dos enjeitados. clara, a esposa, costura pra fora junto com a tia, mônica, e já tinham sido despejados da casa por deixarem de pagar três alugueis. quando o filho nasce estão de favor na casa de uma senhora rica, coisa que a tia arrumou, mas sabem que uma quarta boca vai ser mais do que podem dar conta de sustentar. candinho já vinha trabalhando em pegar escravo fugido e tava numa onda de não conseguir competir com os concorrentes quando se depara com o anúncio de arminda, oferecendo 100 mil réis. ele cruza com ela no caminho de levar o filho pra roda, deixa o bebê com o farmacêutico e captura a mulher, que tava grávida. ela aborta e cândido nem quer isso na mente, só volta feliz pra família. "nem todas as crianças vingam", é sua fala final. por causa do filme eu tava imaginando ele negro, mas percebi que no conto não tem caracterização; fiquei pensando nesses nomes todos aludindo à brancura, cândido, neves, clara... e na luta de um pai contra uma mãe, não surpreende quem ganha. a descrição da máscara de folha de flandres que tem no filme vem desse conto – "era grotesca tal máscara, mas a ordem social e humana nem sempre se alcança sem o grotesco, e alguma vez o cruel". machado é outra coisa mesmo, o jeito que conversa com o leitor, a narrativa... "não davam que comer, mas davam que rir, e o riso digeria-se sem esforço", etc. leitura pra disciplina de interpretação.

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

lidos (5) e assistidos (12) em setembro

trinkets season 2 (2020)
poxa, que decepção. um grande clichê de netflix e coisas xóvens em que nada de novo é contado. elodie dura três dias com a cantora sabine, volta pra casa com o acordo do pai não mandá-la pra uma clínica de reabilitação, encontra as amigas pra um último dia sem castigo. moe tá bebendo muito e começou a roubar, sendo que era a única que não era cleptomaníaca. o irmão dela voltou de não sei onde, também, e tá gostando de cozinhar e inventar comidas de larica. o paquera de tabitha (que eu escrevi que era "até bonitinho" na review da primeira temporada???) some do mundo e depois ela descobre que ele usou o cartão dela pra comprar um bocado de coisa, dentre elas um relógio de 1500 dólares que tabitha ruma no chão quando encontra ele trabalhando com sabine. claro. elodie começa um romancezinho com jillian, que ainda tá no armário e é bem bacaninha, gente normal. mas aí dá tudo errado quando elodie vai apresentar uma música naquele bar e sabine aparece do nada e canta junto com ela, porque viu o começo da composição (não parece realista ela conseguir acompanhar tão bem, mas what else is new). noah termina com moe por causa dos vacilos dela, ela desabafa com o colega tosquinho de robótica, ele a beija e a atual namorada do ex de tabitha tira uma foto, CLARO, e aí vem todo um rolê desnecessário desse cara chantageando ela a roubar provas pra ele. no começo ele conta pra polícia que ele mesmo jogou o carro no lago, de raiva, e fica todo esquisito pagando de gentil pra tabitha. acabam descobrindo o esquema de transmissão de tela e documentos e vão acusar/expulsar o colega da robótica, então as três irrealisticamente, mais uma vez, entram na escola de noite e fazem toda uma instalação artística com fotos de tabitha e o ex, hematomas que ele deixou nela e mensagens de ameaça, com um recado de que foram elas que roubaram as provas, mas que era parte de uma história maior. mais um toque de vida irreal com elas felizes na praia, fully dressed, e elodie espalhando as cinzas da mãe. tem uma hora que juntam as famílias das três na casa nova de tabitha pra um jantar de ação de graças e o pai ex-presidiário de moe aparece, convidado pelo irmão, e ela arruma treta. gente, esses estadunidenses não sabem o que é ter família disfuncional, não? coisa mais normal do mundo, pai ausente é o menor dos problemas, o mais comum deles, minha filha. e ela ainda surta ao saber que tabitha e o irmão tão de paquera, ôxe, qual o problema? várias coisas assim que só em série e filme de lá mesmo, uns exageros e conflitos bestas, sei lá. essa gente só vê a família que mora junto, também, cadê a cambada de tios e primos... foi bem arrastado assistir tudo, eu já não aguentava mais. não quero mais isso na minha vida, pelo amor de deus.

la pianiste (2001)
puiupo fez um desenho desse filme que eu achei que fosse paola rodrigues, e fui assistir porque decidi que vou ver logo os filmes que aparecerem assim em vez de colocar na lista. erika é uma professora de piano em viena que mora com a mãe. muito rígida e séria, sem emoções, aparentemente, e meio cruel com os alunos. a mãe também é toda doida, briga com ela por chegar mais tarde, bisbilhota a vida inteira. num evento erika conhece um tal de klemmer, que se interessa por ela e mais tarde aparece na escola dela se candidatando a uma vaga. ele é um bom pianista, já, mas faz as coisas na prepotência, pra chamar atenção dela. ela tem uma aluna, jovem, que é toda sensível e coitadinha; numa apresentação ela chega em cima da hora porque teve diarreia de ansiedade e klemmer a anima e ajuda na hora dela. erika fica com ciúmes, talvez, e quebra um copo e coloca no bolso do casaco da menina; toda uma comoção quando ela veste e se corta e tem que parar de tocar por um tempo. acho que klemmer percebe que foi erika e vai atrás dela, no banheiro, e ali eles começam a se pegar. a professora já tinha ido a um sex-shop umas vezes assistir pornô, até encontrou um aluno lá. a questão é que ela é masoquista, gosta de voyeurismo também, e escreve uma carta enorme pra klemmer detalhando o que quer que ele faça com ela. mas ele fica enojado e a rejeita, e ela vai pedir desculpas e se comporta toda submissa, quer transar ali mesmo. vomita, ele fica confuso, manda ela embora. mas aí aparece na casa dela de noite, todo violento, empurra a mãe dela pro quarto, bate nela, grita falando que ela não pode fazer isso com um homem, blablabla. ele violenta erika perguntando se é isso que ela quer, mas tá tudo errado, ela foi pega de surpresa, tá sendo horrível. muito sangue e machucados, até que ele a estupra, e ela fica lá no torpor. no dia seguinte ou logo depois tem uma apresentação de novo, em que ela vai substituir a aluna machucada, mas em vez disso ela se mata na recepção, com uma facada no peito. que é isso. não gostei muito, apesar de qualquer marco pro cinema; alguém tinha comentado no desenho de puiupo que era a melhor atuação que ela já tinha visto. não sei, me senti meio mal, acho que é a intenção, né. ainda não vi nada mais sobre, acho que é desses filmes que tem um significado pra além do óbvio, ou que eu não vejo tão facilmente. não é minha praia. (da wikipédia: "mick lasalle credited huppert for 'a rich incarnation of a woman we might see on the street and never guess that she contains fires, earthquakes and infernos'".)

super dark times (2017)
gostei muito desse filme. me surpreendeu, de alguma forma, e teve vários detalhezinhos que achei especiais. zach mandando beijinhos igual a mãe enquanto ouve a mensagem dela, tão doce, me lembrou talita e alzi. a maneira que ele pensa e lembra de allison e a própria allison, tão boazinha. é esse tipo de história adolescente que eu quero ver, ouviu, trinkets? tell me something new, something different. enfim, zach e josh são dois amigões, de tempos, e passam muito tempo juntos. um dia encontram daryl e outro menino, mais novo que eles, e zach os chama pra passar tempo porque não quer ser rude, e porque costumava brincar com daryl quando eram crianças. esse menino é meio estranho, muito agitado, xinga bastante, talvez algum retardo mental. eles vão pra casa de josh e ele mostra o quarto do irmão, que tá prestando serviço militar na marinha ou algo assim, e vêem os pôsteres de mulher pelada nas paredes, uma maconha que ele deixou e uma katana dele. inventam de brincar com a espada, cortando caixas de leite jogadas no ar, e claro que ia dar merda, né. mas foi uma merda muito grande: josh e daryl começam a discutir e brigar, e daryl cai sobre a katana quando os dois caem no chão. no desespero zach tira a espada, que foi meio que no pescoço dele, e o menino cai morto depois de sair correndo pra dentro da floresta. loucura, pânico, e os três acabam resolvendo esconder o corpo com folhas secas e jogar a espada num buraco meio oculto. fica tudo estranho entre zach e josh a partir daí, zach quebra a mão socando a parede, josh some da escola por um tempo, todos começam a falar do desaparecimento de daryl. louco que falam isso comentando de como ele era desagradável, também, então tem esse conflito... allison aparece na casa de zach e ele chora no ombro dela, oh. eles se gostam, mas ele não consegue beijá-la, talvez porque sabe que josh também gosta dela, talvez porque tudo tá estranho. na festa de aniversário dela josh leva a maconha do irmão e combina de encontrar um cara pra vender mais pra ele, e quando esse cara aparece morto caído da ponte zach suspeita que foi coisa de josh. ele vai até a floresta e a katana não tá mais lá. corre pra casa de josh, onde ele não tá, mas vê que ele telefonou pra allison, então vai pra lá, e depois pra casa da amiga dela, que é onde os três estão. quando chega josh já matou a amiga e tá torturando allison, VÉI. os dois brigam, josh louco atacando zach, e até perfura ele na perna. no final allison sai numa maca, josh no carro de polícia, meu deus. muito forte, muitos detalhes, a construção é tão bem feita. a primeira cena é de um alce sendo sacrificado porque invadiu a escola quebrando uma janela e se machucando. acho que é allison quem vê quando o policial o mata. uff. lista de puiupo, quero rever já. a atuação também é muito boa.

twilight (stephenie meyer)
não sei o que foi que me atiçou pra ler assim do nada, mas já tava no kindle há um tempo, né. olhei o livro de talita numas horas que me perguntei sobre a tradução; o "de três coisas eu estava convicta" é simplesmente "about three things i was absolutely positive". não tem a cena tosca da floresta de edward pedindo pra ela dizer o que ele é "em alto e bom tom", mas na clareira ele exibe suas capacidades sobre-humanas. engraçado bella descontrolada com os beijos dele, querendo mais haushs. enche o saco a repetição dela falando como ele é perfeito e irresistível; sério que ela desmaiou ao sentir o cheiro dele? no fim ela nem vai na livraria, mas faz a pesquisa sobre vampiros no "site de busca preferido dela". umas lendas de outros lugares. estranho jacob falar dos frios como uma história dos quileute, sem parecer levar a sério a própria cultura. ele tem 15 e bella 17, né. ela paquera ele só pra conseguir informações na praia, coitado. achei a parte de james machucando ela na escola de balé fraca, breve, em comparação à expectativa e ao filme. mas é difícil ler sem se influenciar por já saber tudo. não lembrava nem um pouco da história de alice! james também caçou ela e o vampiro que a protegia na instituição psiquiátrica a transformou. por isso ela não tem memórias da vida humana, ela tinha "problemas mentais". james diz que alguns séculos antes ela teria sido queimada na fogueira pelas visões dela, então já tinha isso também. essa questão dos poderes extras vem de uma intensificação de coisas que eles já tinham quando humanos, afinal. não lembrava bem de jasper ter aquilo de influenciar emoções, também. e carlile ser tão velho!!! 362 anos, histórias de 1600 e pouco, nadou pra frança haush, estudou com os volturi. legal ele ser tão compassivo e determinado. edward veio antes de todo mundo, ia morrer de gripe espanhola. esme pulou do precipício porque tinha perdido o filho... rosalie não lembro se fala agora, mas resgatou emmett e o levou pra carlile, focada também. alice buscou jasper e sentiu de ir até os cullen. difícil imaginar eles sem pensar nos atores; queria construir isso sozinha. edward mais jovem, mais ruivo, emmett de cabelo cacheado, rosalie menos artificial, carlile muito mais jovem (tinha 23 quando virou vampiro). engraçado a descrição de james e laurent como tendo cabelos rente à cabeça e no filme ser totalmente o contrário. nenhuma representatividade aqui, também. surreal isso de os meninos se interessarem tanto em bella. como que o pai sobrevive com bacon e ovos? ela não precisava ter sido tão cruel na briga de mentira com ele. massa que ela teve ideias boas pra esse conflito, emmett apreciando. só foi besta indo sozinha pra james, né. muito mais coisa que no filme essa parte, também; ela escapa de jasper e alice num aeroporto, véi. me pareceu tão na cara o que ia acontecer, tantas pistas de VHS e etc, mas talvez é aquilo de já saber tudo. ela podia ao menos ter telefonado pra mãe antes de sair sozinha pra encontrar o vampiro. aí acorda no hospital e tem aquela conversa desesperada e não-saudável sobre não poder ficar sem edward. ele não promete exatamente o que ela quer, né...

suspiria (1977)
demoramos muito pra terminar esse filme (dividimos em dois, só, mas o intervalo entre as duas partes foi bem grande). uma menina estadunidense vai pra essa escola de dança em algum país de língua alemã, imagino, já que no edifício diz "tanz akademie". o lugar é coordenado e etc por mulheres e só tem alunas mulheres, também, mas é tudo meio esquisito. quando a menina chega tá uma chuvona, e do táxi ela vê uma aluna saindo correndo da escola, parecendo desesperada. nas cenas seguintes essa menina é morta de um jeito esquisito, uma mão peluda na janela, muito sangue mentiroso e desastre de quebrar vidro e cair do segundo andar. de volta pra menina nova, primeiro ela fica no apartamento de uma colega, porque o quarto dela na academia não tá pronto ainda, e a casa dessa colega é toda exagerada nas decorações, que nem a escola. as paredes têm muita informação, o papel de parede super detalhado, e ainda tem um monte de coisa e móveis. muita cor, isso é interessante. depois movem ela pra academia meio que contra a vontade dela, assim meio corrido, como se tivessem decidindo por ela. lá ela recebe comida de um criado deformado que nem o corcunda de notre dame, e parece que na comida tem coisas que sedam ela, fazem-na dormir. uma colega vizinha de quarto tem teorias sobre onde as diretoras vão à noite, porque sempre ouvem passos, e ela conta pra saber a distância. a principalzinha percebe a direção dos passos. a colega acaba morta também, de um jeito muito tosco, com ela se enroscando nuns arames não-farpados depois de fugir por uma janelinha enquanto alguém tentava abrir uma porta de tranca ridiculamente fácil de violar. no fim a menina nova lembra as palavras daquela aluna que viu saindo no começo, algo sobre segredo e uma flor, íris, azul, e seguindo as pistas entra num lugar secreto onde vê as diretoras sendo bruxas juntas. algo sobre uma bruxa grega ter fundado a escola e criado um culto, sobre fazerem o mal pra quem as ofende. a menina era a próxima no radar, mas acaba entrando num quarto onde essa bruxa secular tá, e a mata. a cabeça da cobra que destrói todo o resto. a escola pega fogo e a menina vai embora aliviada. loucura total. o melhor era a música (teve as larvas! o cego morto também... várias coisas. nesse vídeo tem um bom resumo). recomendação de aldivo, claro, que provavelmente viu chapado. quero ver o filme de 2018 pra ver se presta. ah, uma fala, "i once read that names which start with the letter 's' are the names of SNAKES!" hauhsu. fico pensando que esses filmes clássicos ou sei lá não me surpreendem muito, não; não ligo pra coisas significantes assim. que nem la pianiste... (pesquisei aqui e é uma trilogia de filmes baseados num ensaio chamado "suspiria de profundis", sobre as três mães, bruxonas poderosas. massa!)

but i'm a cheerleader (1999)
talita avisou que era beeem bestinha, e era mesmo kkk. aqueles filmes sessão da tarde ruins de propósito, quase. acho natasha lyonne meio estranha no geral, uma cara de velha fumante, e mais ainda sendo uma patricinha líder de torcida aqui. aquele cabelo, o penteado que deixa a cabeça enorme, a faixa... a menina tem fotos de mulheres de bikini no armário da escola e se perde em pensamentos lembrando das colegas cheerleaders (bundas saltantes, seios sendo amassados, pernas à mostra, etc), mas tem um namorado e é cristã. ele quer beijá-la e é horrível, língua pra todo lado e boca parada abertona, ela olhando pro lado distraída. logo no começo os pais já fazem uma intervenção, chamam amigas e até o namorado, pra dizer que acham que ela é lésbica e vão mandá-la pra um acampamento de cura gay, tipo isso. quem busca ela é rupaul, véi, dando uma de machinho recuperado, mas toda hora tá babando pelo filho da dona do lugar, um musculoso afeminado que anda por aí de shortinho. contraditório ser um reformatório e as meninas ficarem juntas num quarto, os meninos em outro. tem 5 passos pra recuperação e o primeiro é admitir que é homossexual, e quando megan (a principal) percebe que é lésbica mesmo chora de um jeito que parece risada, babando kkkkk véi. claro que ela vai se apaixonando por graham, a mais rebeldinha de todos, e começam a paquerar não muito disfarçadamente. tem uma hora que quase todo mundo escapa pra um bar gay, "cocksucker", e lá elas ficam pela primeira vez. várias provas doidas ao longo dos 5 passos; pros meninos tem coisa de consertar carro e pras meninas de limpar casa e cuidar de bebê... tem até simulação de relação sexual, eca. não sei como, mas a diretora não reprova nem megan nem graham, e sim um menino muito viado mesmo, mas no final descobrem que as duas dormiram juntas e megan é expulsa. os pais de graham são muito rígidos e ela não os enfrenta. daí pra recuperá-la megan aparece na cerimônia de graduação e faz um número de torcida super tosco, daqueles "1, 2, 3, 4" e uma rima, com os pompons, e elas fogem na camionete dos ex-ex-gays vizinhos do acampamento kkkk. tem umas conversas deles tentarem saber o que causou a homossexualidade deles, e megan acha que foi o período em que o pai ficou desempregado e a mãe assumiu o papel de provedora da casa. umas coisas assim. ah, bom que tem filme tosqueira lgbt também, pelo menos.

a girl walks home alone at night (2014)
um cara buscando o gato lá longe. vai andando, andando até a casa dele, onde mora com o pai viciado em heroína. trabalha de jardineiro pra uma família rica. um traficante vem cobrar dívidas do pai e toma o carro bonitão dele, pro que ele tinha guardado dinheiro por 2000 e tantos dias. esse traficante paga uma prostituta que começa a fazer sexo oral nele dentro do carro, mas quando ele vê uma pessoa olhando meio de longe faz ela parar e manda ela embora de um jeito rude. depois essa pessoa segue ele andando e o cara a convida pra casa, e ela o observa cheirar cocaína e dançar toscamente pra música eletrônica que põe pra tocar. ele dá o dedo pra ela chupar igual a prostituta fez, mas logo a menina morde e arranca ele fora. muito bom como as presas dela aparecem, bem feito. e ela chupa o sangue dele, porque é uma vampirona descolada. sempre de listrinha, calça e tênis tipo o de talita "vermelho", coberta por aquelas roupas que pegam o cabelo e o corpo (chador?). numa hora ela pega o skate de um menininho e passa a andar por aí assim, de noite. ela conhece o filho do viciado quando cruza com ele saindo da casa do traficante, e ele vê tudo e pega o carro de volta. depois se reencontram quando ele tá voltando de uma festa à fantasia, em que ele se vestiu de drácula, e ela o leva pra casa. bem massa onde ela mora, vários discos e pôsteres pelas paredes. eles têm um romance suave. ele dá brincos de presente pra ela e fura as orelhas dela com um alfinete que ela mesma oferece. ela conhece a prostituta também, diz que sabe que ela é triste, e que guarda dinheiro e tem um sonho. depois o pai viciado do cara vai até ela, porque o cara o expulsou de casa, e a droga forçadamente. a vampira aparece pra protegê-la e o mata, sugando seu sangue. o cara vê o corpo do pai depois, e vê o gato com ela quando vai chamá-la pra ir embora da cidade, mas parece que tá tudo ok. na estrada ele coloca uma música animadinha. bem quieto o filme, preto e branco, se passa no irã... gostei. queria ser uma vampira daora. esse título é muito bom. parece que tem quadrinho!

fierce people (2005)
esse menino chamado finn tem uma mãe massagista e drogada e um pai que nunca conheceu, antropólogo (fruto de uma noite de bimbada), mas que manda pra ele um documentário sobre o povo indígena "ishkanani", da américa do sul. esse nome quer dizer "sociedade feroz" na língua deles, e no filme o pai de finn dá detalhes de como são "os mais violentos" e coisa do tipo. (pesquisando aqui não acho nada factual sobre isso.) ele ia passar o verão na aldeia deles com o pai, mas acaba indo pro casarão desse tal ogden osbourne, suposto amigo da mãe (finn foi pego numa batida policial enquanto comprava cocaína pra mãe). esse amigo é o presidente snow de jogos vorazes, e a neta dele é kristen, que aqui se chama maya. ela tem um irmão, bryce, que é cris evans, e com o tempo os três se amigam. maya já parte pra cima e beija finn, e os dois viram namoradinhos. finn resolve fazer o estudo antropológico dele em cima desses ricos, então, e vê que eles são mais ferozes e misteriosos que ele imaginava. muita intriga familiar, doideira de gente rica; na noite em que ele e maya se aventuram sexualmente eles se pintam inteiros de tinta. noutra noite abordam ele no mato, o agridem e alguém o estupra. vem um negócio sobre crenças dos ishkanani, espírito animal, e o estupro ser a forma mais extrema de humilhação. a mãe quer ir embora mas ele se propõe a resgatar seu coração, ou algo assim, e descobrir quem foi que fez isso. no fim era bryce cuzão idiota ciumento. chega mata o avô, que também foi cuzão de preferir ficar quieto em vez de confrontar o neto publicamente, depois que a mãe descobre que foi ele (um carinha que faz arte com giz no chão desenha o incidente com finn e fala uma frase que bryce sempre diz quando confrontado por ela). maya chega a fazer uma tatuagen no braço, com metal e carvão (?), "fin" (porque desmaiou antes do último 'n')... e ele faz coisas com a empregada, da idade dele, num momento de fragilidade em que ela diz que engravidou e ele chora triste pela vida. por que tudo tem que ter sexo??? odeio isso. no fim ele fica com uma foto da mãe de osbourne com um cara ricão, que ela e o pai dele usaram pra fazer chantagem e ganhar coisa, e assim viraram ricos. uma lição de "ex malo bonum" e etc. não esperava tantas reviravoltas, não foi tão ruim.

i'm thinking of ending things (iain reid)
meu deus do céu, socorro. eu tava querendo ler esse livro desde que vi aquela kat falando sobre ter gostado demais, e porque esse título soa muito bom. aí talita me mostrou o trailer do filme, que saiu dia 4 no netflix, e eu falei que ia ler antes. primeiro que eu nem sei ler livro de terror, né, porque destaquei quase o negócio inteiro. mas talvez seja porque tudo parecia um detalhe importante, tudo fazia sentido e era muito bom. nas últimas duas madrugadas fiquei lendo isso e vou dizer que deu um medinho, viu, mas gostei da atmosfera. me peguei pensando sobre aquilo que julia falou uma vez, de ela estar assistindo sabrina, de bruxaria, e o pai dizer que não era bom se cercar desse tipo de coisa negativa. sinto que posso gostar desse tipo de literatura, mas será que é buscar coisa ruim? só que parecido com esse livro, não sei se vai ter tantos... enfim: quem narra é uma mulher, que nunca diz como chama, e namora esse tal de jake. eles tão viajando de carro pra visitar os pais dele no interior, na fazenda onde cresceu. e ela tá com esse pensamento de terminar com ele, apesar de os dois terem uma conexão intensa, apesar de ela se sentir muito atraída por ele. algo sobre "once this thought arrives, it stays, it lingers". pensa sobre estar sozinha, que é mais vantajoso, mas na verdade não sabe a resposta, o que é melhor. ao longo da viagem ela conversa com ele sobre outras coisas, como sobre um instrutor de direção que teve e que trabalhava com aquilo mais pra poder discutir com as pessoas do que qualquer outra coisa. falam que não tem como você ser o melhor beijador do mundo sozinho, que um beijo precisa de duas pessoas. jake é meio inteligentão, e solta umas coisas profundas às vezes. “sometimes a thought is closer to truth, to reality, than an action. you can say anything, you can do anything, but you can’t fake a thought.” pesado. quando chegam na fazenda ele mostra o estábulo com as ovelhas, e do lado de fora tem duas carcaças de animais mortos; mostra o galinheiro, onde umas galinhas comem os próprios ovos; fala dos porcos que os pais costumavam criar, que tiveram que ser sacrificados porque tinham larvas comendo-os vivos de dentro pra fora. e aí os pais dele: uma mulher que não para de sorrir, sem a unha do dedão do pé, esmaltes vermelhos, diz que tem tinnitus, que ouve sussurros, que tem paralisia do sono. o pai depois diz que ela também tem tricotilomania. diz que tá feliz por conhecer a namorada, que jake precisava disso, agradece por estar sendo tão boa com ele. no banheiro ela tá com o nariz sangrando, comendo as unhas, e na hora de sair os sapatos tão virados pra direção contrária. ela entra no sótão tenebroso, vê uma pintura medonha de uma pessoa com unhas gigantes ao lado de uma criança, várias pinturas assim. quer ir embora em vez de dormir lá, e no tal dairy queen onde param uma atendente diz que tá com medo por ela, que sente muito. e depois jake dirige pra uma escola no meio do nada, pra jogar num lixo os copos das limonadas que compraram, e ele diz ver um homem lá dentro olhando pra eles enquanto se pegavam no carro. ele sai pra confrontá-lo e não volta mais, e a namorada tem que ir lá dentro procurá-lo, mas acaba num labirinto super tenso. no fim ela é jake, tudo é jake, tudo é pensamento e história que ele escreveu. ele é o irmão sobre quem fala pra namorada na volta da viagem, que parou de trabalhar no laboratório e ficou extremamente deprimido. os pais estão mortos. ah, ela recebia ligações do próprio número, que também não contava pra jake, e algumas mensagens de voz falavam que "there's only one question" e "i know you, you shouldn't bite your nails" (algo assim). quando chegou na resposta dessa pergunta eu gelei. tive medo de passar a página. era sobre continuar vivendo ou não, e no fundo eu já sabia, por isso o terror. "what are you waiting for?" repetido por páginas. no fim ele se mata. ao longo do livro tem uns capitulinhos com diálogos sobre o incidente absurdamente sangrento e inesperado, o cara quieto que trabalhava na escola há anos. não sei, achei genial. muito forte, vai me deixar pensando por muito tempo. o pior de tudo é a identificação que eu sinto. é muito real. tem um trecho sobre isso, sobre histórias que dão medo porque são reais, não por terem algo de sobrenatural. porra. arrepiada. (fui ler reviews no goodreads e aparentemente o audiolivro tem mudanças nessa última parte, alternando a voz da namorada e de jake, etc. wow! alguém fala que o livro é curto pra que você releia quando acabar, igual a dupla sugere. loucura)

american ultra (2015)
filmografia de kristen, netflix. atorzinho de comédias e a rede social (que nem vi), mike, e ela namorada, phoebe. pelo menos tem protagonismo maior aqui. eles iam viajar pro havaí, onde mike ia pedir phoebe em casamento, mas ele tem ataque de pânico e não conseguem. parece coisa comum dele, sempre acontece quando ele tenta deixar a cidade. detalhe que é uma cidadezinha do estado de virginia, mas tem um aeroporto com vôo pro havaí... ok né. enfim, eles são muito drogados, o cara trabalha numa lojinha de conveniência na estrada, ela num escritório qualquer. mas lá vem cia envolvida, um programa desativado pelo governo, experimentos com pessoas infratoras. mike foi o único bem sucedido mas tava enlouquecendo, então apagaram a memória dele e o mandaram pra esse lugar, com phoebe supervisionando. mas ela se apaixonou e abandonou a vida antiga pra ficar com ele, meh. claro que isso é revelado no meio da fuga doida deles e mike se sente traído e a rejeita, né. claro que tem uns personagens loucos obcecados por violência que são mandados atrás dele. um monte de clichê de filme estadunidense, um cara no controle da operação agindo macho-escrotamente, uma mulher que quer salvar mike e ativou essa habilidade de combate absurda dele. no fim deixam-no viver porque ele vale 400 milhões de dólares ou sei lá, matou sozinho 17 agente brutos blablabla, e ele vai pras filipinas numa missão de matar gente. QUE BOSTA. que perspectiva de vida é essa? e essa imagem que os eua passam sempre... perda de tempo, hein. só por kristen.

ligeia (edgar allan poe)
como sempre, umas quatro páginas de descrição antes de qualquer coisa acontecer. ligeia é uma mulher alta, de cabelos e olhos escuros, nariz levemente aquilino, feições que não correspondem aos modelos de beleza clássicos, mas que o fascinam justamente por isso. coisa de o estranhamento vir por conta de alguma diferença nas proporções. ligeia é descrita como muito inteligente, conhecedora das línguas clássicas e modernas da europa, e o narrador era meramente iluminado por ela. ele passou tanto tempo falando dos olhos que talita já imaginou que no fim ele ia os arrancar ahsuhs. ela se abate, cai doente, e acaba morrendo. antes pediu pra ele ler um poema dela, sobre um verme vermelho que devora a humanidade com seus dentes afiados, e lamenta por não haver salvação, "nem uma única vez deverá o conquistador ser o conquistado?"... tem um trecho de um tal de glanvill que aparece citado antes do conto, que o narrador fala e que ligeia recita nas últimas palavras dela: "o homem não se entrega aos anjos, tampouco à morte incondicionalmente, salvo apenas pela debilidade de sua frágil vontade". conexãozinha com i'm thinking of ending things, de leve. essa coisa de vontade de viver, deus ser a vontade (isso é parte do trecho). depois disso o cara se casa de novo com uma tal lady rowena trevanion, de tremaine, que eu achei um puta nome de drag. ela é loira e tem olhos azuis, e o cara diz ter ódio por ela, ôxe. vão morar numa abadia que ele comprou e decorou exageradamente, gastando dinheiro e enfeitando as paredes, e claro que ela se adoece também. fica numa de aparentar morta, recuperar o rubor nas faces, até que se levanta e vira ligeia. ok, né. fora esse negócio de pensar sobre a vontade, não me chamou a atenção.

hereditary (2018)
acho que esse filme concorreu com parasita ao oscar, né? tava na lista de puiupo mas ia ver de qualquer jeito por isso. a intenção era ver com julia um dia... começa com o enterro de uma senhora, mãe de annie e vó de charlie e peter. a menina charlie, 13 anos, tinha uma ligação maior com a avó, e fica malzinha pensando em quem vai cuidar dela quando a mãe morrer. annie trabalha fazendo miniaturas, e a primeira cena é muito boa, com uma transição do quarto da maquete pro real. charlie parece ter alguma coisa, o rosto parece meio deformado, algo de cromossomos, talvez. baixinha. ela desenha e constrói brinquedos, e corta fora a cabeça de uma pomba que bateu no vidro da sala de aula dela e morreu. nessa hora ela vê uma mulher do lado de fora da escola olhando pra ela, não lembro se a chamando pelo nome, mas sorrindo, esquisita. logo depois peter pede pra ir numa festa e a mãe deixa contanto que ele leve charlie, e claro que ele acaba deixando ela sozinha pra fumar maconha com os colegas. ela come um bolo que tem nozes, e ela é alérgica, então começa a ter dificuldade de respirar e peter sai correndo com ela no carro. cena horrível: ela abre a janela do carro pra tomar ar, põe a cabeça pra fora, e na estrada tinha um bicho morto, aparentemente, do qual peter desvia; mas tinha um poste de madeira na beira da estrada e charlie bate a cabeça ali e morre. peter fica chocado e só dirige de volta pra casa, entra e se deita na cama, e dá pra ouvir a mãe indo procurar a menina e chorando copiosamente quando vê o que aconteceu. pedindo pra morrer... pesadíssimo. a cabeça dela foi decepada, véi, isso é possível? no poste tinha um símbolo igual ao colar que a avó usava. annie vai pra um grupo de apoio a pessoas que perderam entes queridos depois da morte da mãe, e por aí que ficamos sabendo que a mãe tinha transtorno dissociativo de identidade, que o pai tinha depressão psicótica e se matou de fome e que o irmão era esquizofrênico. depois da morte de charlie ela não vai mais, mas uma senhora chamada joan a oferece ajuda, e depois se encontram pra conversar. annie conta que é sonâmbula e uma vez jogou solvente de tinta nos filhos e nela e acordou com o fósforo na mão, aceso. diz que tem uma relação ruim com peter, que nunca a perdoou por isso, e ela também não consegue perdoá-lo por charlie, agora. depois de um tempo joan diz pra ela que conseguiu consolo com uma médium, e mostra como conversa com o neto, ao que annie fica muito abalada e em pânico. ela tem um pesadelo muito bom em que discute com peter e de repente eles estão encharcados e começam a pegar fogo. acaba que ela invoca a filha, mas tudo fica mais violento, bizarro. peter começa a ver coisas, e um dia joan aparece do lado de fora da escola falando umas coisas pra ele também. "get out!" numa aula ele é possuído ou sei lá e esmaga a própria cara na carteira, horrível. no fim annie descobre que joan era amiga próxima da mãe, e acha o corpo da mãe no sótão, decapitado e com aquele sinal pintado na parede. o marido tinha sido informado da violação do túmulo mas não contou pra ela. ela pede que ele queime o caderno de desenhos de charlie, onde apareceram desenhos de peter chorando, e o cara pega fogo. antes tinha acontecido com ela, mas só o braço. no fim ela fica possuidona, andando pelo ar e pelas paredes, perseguindo peter, e se apunhala violentamente no pescoço. aparece uns velhos pelados sorrindo, aquela que charlie viu e um cara que tava no velório também, e todos são parte desse negócio da avó. ela era rainha e peter vai ser o rei, paimon, um dos oito reis do inferno. annie e a mãe sem cabeça venerando ele, horrível o corpo em putrefação da vó. a cabeça de charlie sobre uma escultura de madeira. os véio pelado venerando também, joan o coroando. que é isso, véi. essas coisas tipo suspiria, que tem uma mitologia toda por trás, é sinistro, hein. mas não assustei nem fiquei com muito medo, esperava mais isso, de acordo com um tweet que vi (não esse, mas com essa cena). tinha coisa de peter ter sido indesejado, de annie ter tentado abortar, e a avó ter desejado que charlie fosse um homem. paimon preferia corpos masculinos.

catch that kid (2004)
kristen (maddy) tem dois amigos, austin e gus, e gosta de escalar. a mãe é bette porter!!! trabalha freelance pra uma empresa de segurança que tá montando um sistema pra um banco cujo dono é um típico macho cuzão (mais um pra lista desses filmes toscos). e o pai tem uma pista de kart mas era alpinista, só parou porque caiu 30m numa escalada livre no topo do everest. no começo ele reclama de uma dor na cabeça e eu já falei: tumor no cérebro. ele desmaia em outra hora e parece que era algo na coluna, na verdade, onde ele ficou com cicatriz dessa queda aí, mas a cirurgia custa 250 mil dólares. então, não surpreendentemente, os três amigos resolvem assaltar o banco pra roubar esse dinheiro e ajudar o pai. gus ajuda o irmão mais velho nas corridas de kart, na parte mecânica, e fica encarregado de turbinar uns carrinhos pra eles entrarem no estacionamento; austin é nerd das câmeras e computadores, e fica responsável por fajutar filmagens e contornar o sistema pra violarem. tem rottweilers, também, que tão provisórios na segurança porque bette (molly, na verdade) não terminou de desenvolver tudo ainda, e o comando pra eles pararem é, supostamente, "ausfahrt", em alemão (qual o sentido?). o dono do banco ignora as recomendações dela e vai dar uma festa de inauguração, e as crianças vão aproveitar o evento pra fazer o assalto. muito mentira esses seguranças idiotões, que ficam se exibindo com negócio de dar choque, gritando e achando que sabem lutar karatê, ou então distraídos assistindo the simpsons. esses filmes de sessão da tarde, né... sinto que é uma percepção infantil dos adultos, historinhas surreais. os dois amigos de maddy ficam disputando ela, ainda por cima, e a coitada tem que chantagear os dois pra que ajudem no negócio. sendo que os dois gostam do pai dela, não era pra ser mais importante?? depois que roubam eles descobrem o colar de metade de coração que ela deu pros dois e abandonam ela, véi. e ainda tem o irmãozinho bebê que ela teve que levar junto porque a mãe ia trabalhar. muita mentira na escalada dela, se segurando só com as mãos e ainda tirando uma pra digitar "madeline" como senha, porque é claro que vai ser assim fácil. haushus pior que achei mais interessante que but i'm a cheerleader, se bobear. mentira. mas foi okzinho, leve depois de hereditary. filmografia de kristen check.

a queda da casa de usher (edgar allan poe)
esse era mais fácil de acompanhar, entender. sem enrolações. lembro de ler pra minha mãe quando teve aquela peça na biblioteca. um cara vai visitar o amigo de infância, roderick usher, e descreve a residência da família como tendo uma atmosfera tenebrosa particular. um lago escuro onde ele vê tudo invertido enquanto recobra a coragem de ir até lá, porque se enche de assombro e inquietude ao avistar a casa. ele acha estranho como a pedra das paredes tem apenas uma rachadura, do teto até a terra em direção ao lago, apesar de muito antiga. coberta de musgo e cercada de árvores e plantas secas, though. ele tá lá porque o amigo usher tá doente, com algo esquisito que o dá sensibilidade extrema dos sentidos, além da aparência doentia e fraca. não suporta a luz, só aguenta ouvir alguns instrumentos de corda, só consegue se alimentar com isso ou aquilo... usher compartilha a angústia em ser o último dos usher, quando a irmã morrer, e claro que a coitada tá mais perto da morte que ele. ela tá na casa e o amigo chega a vê-la uma vez, e pouco tempo depois ela morre mesmo. os dois colocam o corpo dela num caixão e o levam pra uma espécie de porão da casa, abaixo de onde o amigo tá hospedado, que costumava servir como calabouço, porque usher quer esperar duas semanas pra enterrar. o cara diz que a irmã tinha o busto e as feições coradas, "por conta da doença", e já suspeitei que ia ter enterro prematuro, né. numa noite de tempestade o amigo acorda perturbado e usher aparece meio abalado também, e o cara começa a ler um livro pra ele (poe dá uma alfinetada no autor, dizendo que era prolixo e estúpido demais pra ser um dos favoritos de usher, mas que servia pra mantê-lo distraído). a cada parágrafo tem uma descrição de barulho, e vai acontecendo igual na casa, de um jeito meio abafado. era a irmã saindo da câmara e aparecendo na porta do quarto, só pra correr pro irmão (ah, eram gêmeos e muito próximos), ao que o amigo sai correndo chocado. usher diz saber que ela estava viva há dias, por causa dos sentidos aguçados, mas que não ousara falar sobre. assim que o cara deixa a casa ela desaba, rachando pela fenda antes fraca, e a descrição é bem massa – a luz da lua antes vista com dificuldade através dessa rachadura, até aparecer inteira quando o edifício desmorona no lago. teve uma canção de usher sobre um reino/trono antes brilhante e primoroso e agora decadente, etc. interessante. gosto desse, não tenho reclamações. só fica repetitivo esse negócio de enterrar gente viva, mas porque é uma coletânea de contos de horror de poe, né, acho que originalmente não estavam assim juntos.

cold creek manor (2003)
meu deus, que filme ruim. tensão desnecessária, antagonista extremamente previsível, nada de interessante. kristen chama kristen nesse. ela tem um irmão mais novo, uma mãe businesswoman e um pai que faz documentários, e moram em nova york. começa com eles se atrasando pra escola porque a mãe saiu cedo pra viajar de avião e não ajustou o alarme, então tão perdendo hora. o pai leva de carro, tem engarrafamento e tudo, e quando eles saem e têm que atravessar a rua o menininho é atropelado. nada demais, só caiu e levou um sustão, mas depois a mãe diz que ele foi "very nearly killed". aí resolvem se mudar pra uma casa de campo, e acabam nessa tal cold creek manor, que era dessa tal família massie. estranho que tem mil coisas dos antigos moradores lá, móveis, pertences e até roupas, e na hora da mudança a família aparece vendendo. nunca mais se fala nisso, mas pensando agora não faz muito sentido, porque o último massie ainda tá lá vivão. é um tal de dale, que passou 3 anos na prisão por "um acidente do qual não teve culpa". ele aparece invadindo a casa já, se autoconvida pro almoço, come que nem um porco, fuma em todo lugar e pede um emprego pro cara novo dono. a mulher não acha nada dele, mas kristen o odeia e o pai desconfia dele também. tem um incidente com uma cobra na piscina em que dale vai lá salvar as crianças, mas depois aparecem cobras por todos os lados da casa e ele se demite sentindo o climão que ficou. discussão no bar, ele mete um socão na namorada irmã da xerife, persegue o outro de carro e mata o cavalo da coitada kristen. ela faz uma amiguinha chamada stephanie kkk meu momento. o pai acha um aparelho de dente na frente de casa, com dentes até, e percebe umas coisas estranhas a partir da fala do pai de dale, com quem falou no asilo em que está internado ou sei lá. parece que dale matou os dois filhos e a esposa. ele tinha dito que a família se mandou, sumiu pelo país. e daí que tem um poema tenso sobre uma tal garganta do diabo que no fim é onde o doido jogou os corpos. ele mata a xerife brutalmente e persegue o casal, mas acaba morrendo caído do teto (com ajuda do cara). acaba com a (ex-)namorada de dale botando uma flor no túmulo dele e as crianças felizes na piscina e a mãe satisfeita olhando da janela??? muito sem sentido. dai-me forças pra assistir essa filmografia bosta, kristen.

o colóquio de monos e una (edgar allan poe)
aqui estou eu fazendo review mais de um mês depois de ter lido, o que significa que não lembro nada muito bem, obviamente. mas sei que achei esse conto interessante. bem filosoficão, viajado, mas é curto, então leria de novo. esses dois seres, que ambos os nomes remetem à unidade, conversando sobre a vida após a morte. como se um tivesse esperado o outro. algo a ver com o tempo, também, muito tempo passando, uma espera imóvel mas consciente. detalhes sobre como monos morreu e o que fizeram com ele depois. até que foi legal.

zathura: a space adventure (2005)
eu gosto bastante desse filme, apesar de talita não ter achado nada de mais. além de kristen tem josh hutcherson, que eu gostava também por causa de ponte para terabítia. o irmão mais novo é muito fofinho, véi. kristen é a irmã mais velha absolutamente raivosa. até o pai eu achei legal, tranquilo, nem quando gritou pareceu bruto. o coitado de danny quer atenção mas walter é um chato que não quer saber dele, fica chamando de bebê, humilhando por não saber fazer as coisas. até que danny encontra esse jogo no porão e tudo o que sai nas cartas acontece de verdade, começando com uma chuva de meteoros. bem sessão da tarde, um conflito após o outro e a casa sendo destruída inteira. a irmã é congelada logo no começo, então quase não tem kristen, mas no que aparece tá tranquila de atuação. quando ela retorna tão no meio de uma invasão de zorgons e ela gama no astronauta, que no fim é walter ahsuhs. eu lembrava desse plot twist, não com os detalhes dele ter jogado 15 anos atrás e ter desejado que o irmão não tivesse nascido na hora da estrela cadente, nem com danny reaparecendo e os dois sumindo felizes. robô com defeito e depois reprogramado, gravidade de um tal t-alguma-coisa, astronauta resgatado, tripulante ejetado porque trapaceou, danny resgatando o jogo da nave dos reptilianos... engraçado a bicicleta orbitando em volta da casa o tempo todo e no final caindo do céu no gramado. em comparação com os últimos filmes que vimos esse é massa, pura aventura, ficção científica huhsu. sempre confundo zathura e jumanji.

o escaravelho de ouro (edgar allan poe)
um cara cujo amigo, william legrand, coleciona conchas e caça besouros, ou algo assim. ele tem um companheiro chamado júpiter, negro alforriado que continua trabalhando pra legrand. um dia os dois encontram um escaravelho diferente, que júpiter chama de "escaravelho de ouro" por causa do peso grande, e depois de mostrar ao amigo um desenho do bicho legrand fica encafifado com isso. no papel que usou o amigo viu uma caveira, e no fim legrand explica que o símbolo só apareceu por causa dele ter aproximado o papiro ao fogo. tinha mais um sinal, também, de um cabrito, e legrand concluiu que aquilo era algo do pirata escocês william kidd (lembranças de one piece aqui). conseguiu fazer aparecer uma mensagem esquentando o negócio por completo, e decifrou o código fazendo correspondências com o inglês. massa isso, e nem tão difícil, como legrand mesmo diz; ele percebeu qual símbolo se repetia mais (8), estabelecendo que correspondia à letra 'e', que é a mais comum do inglês, e assim por diante. a mensagem dava instruções para encontrar algo que, legrand supôs e estava correto, um tesouro enorme, e um dia convidou o amigo pra ir atrás disso, junto a júpiter. meio bosta as menções a ele como "preto velho" ou falando algo sobre incapacidade ou falta de inteligência, ainda mais depois que eles quase não encontram nada porque júpiter tomou o lado direito como esquerdo. engraçado que usaram o escaravelho pendurado numa corda só pra tirar com a cara do amigo, dando um ar de misticismo que nem precisava. 40 páginas, super longo, mas interessante por ser menos de horror e mais de mistério, enigma. não esperava isso, talita gostou. no lugar onde o tesouro estava enterrado tinha alguns esqueletos, que legrand concluiu serem das pessoas que ajudaram o capitão kidd a enterrar tudo.

os assassinatos da rue morgue (edgar allan poe)
poxa, como eu queria já ter feito essa review. um mês de atraso daqui pra baixo. tudo errado, né, indo totalmente contra minha própria ideia pra essas reviews. mas esse eu conheço bem e lembrava de outro momento, será que li pra algo importante? em tradução vivi recomendou e eu até mandei um arquivo pra ela, mas não reli nessa hora, só agora mesmo. sabia que era o orangotango e tal, apesar de não saber dizer os detalhes. bem sangrento, né, os assassinatos. um pouco confuso a resolução com o marinheiro, não entendi o que fizeram com o bicho. engraçado o tanto de gente dando pitaco errado sobre a língua que o assassino falava. meio linguística essa história, mesmo. bem longa, também. "negar o que é, explicar o que não é".

o mistério de marie roget (edgar allan poe)
o cara metido a investigador da rue morgue de volta aqui. esse conto não acabava mais. mil voltas nas coisas que as pessoas achavam que tinha acontecido, um jornal contra o outro e o escambau. foi baseado num crime que realmente aconteceu, no começo até fala disso, das correspondências. só não tenho certeza se edgar allan poe solucionou antes de ser resolvido no mundo real ou foi mudando coisas. uma demora pra ser simplesmente um cara arrastando a mulher até o rio. nem lembro direito, mas não valeu muito a pena, não. agora talita tá vendo dupin por aí, pelo menos tem dessas, né, de pegar mais referências.

unorthodox (2020)
!!! wow. esther, uma menina de 19 anos nascida e criada numa comunidade de judeus ultra-ortodoxos no brooklyn. cresceu com a vó e a tia, e primeiro pensei que era órfã, mas a mãe vive em berlim, só não é mais parte da comunidade e por isso tiraram a filha dela. vive com outra mulher, também. esty se casa com yanky, que parece um menino doce no começo, mas com o tempo vai aparecendo o quanto a mãe tá enveredada em tudo na vida deles. esty tem dificuldade em fazer sexo, e uma mulher (irmã de yakov, não tenho certeza) diz que ela tem vaginismo, e passa aqueles acessórios bizarros pra ir melhorando. como sempre, me pergunto o quanto disso é uma condição mesmo e o quanto é só pressão da sociedade. dá tanto pra viver sem penetração no sexo... mas enfim, com isso passa muito tempo sem eles sequer conseguirem fazer sexo, e a mãe tá sabendo, pressionando, fazendo a cabeça de yakov. um dia ela deixa ele forçar mais, fica lá sentindo muita dor e sofrendo, enquanto ele sente prazer e sorri depois, ai :( mesmo assim chega uma hora em que ele pede o divórcio, sendo que esty descobriu que tá grávida e tava pronta pra contar pra ele. não só por isso, mas por tudo, ela vai atrás da ajuda da professora de piano que aluga um imóvel da famíla dela, com quem fez aulas por algum tempo. a mulher consegue documentos pra ela e, assim que consegue, ela pega um vôo pra berlim, fugindo. menina esperta, fica de olho nuns alunos de uma escola de música e se junta ao grupinho, vai pra "praia" (um lago) com eles, deixa a peruca lá (pô, jogasse no lixo direito né minha filha). tem isso né, não entendo completamente, mas as mulheres casadas raspam a cabeça e usam uma peruquinha (da peruca eu sabia por disobedience). ela dorme escondida dentro da escola (que, por sinal, não dificulta em nada uma invasão dessas), vai pra uma festinha com eles, fica com um cara! que é legal, mas tão peludo. ela vai prestar uma prova pra entrar no lugar, mas uma das colegas diz que ela não tem chance no piano. acaba que no dia ela canta, em vez de tocar, e quando pedem uma segunda música ela canta em iídiche. linda demais essa cena. as mulheres ultra-ortodoxas não podem cantar! a mãe assiste, yanky também, porque foi pra berlim com o primo moishe perseguir ela. esse moishe é um escroto que encontra esty e deixa um revólver pra ela se matar ou voltar. faz pressão falando dos judeus que morreram ali, que ela não sabe fazer nada na vida e não tem pra onde ir. a mãe a acolhe, quando descobre que tá lá. a vó não responde no telefone, depois morre... yanky chega a cortar os cachinhos pra ela voltar com ele, diz que vai ficar lá vivendo com ela, mas a questão não é ele, né, ela não pode fazer isso... triste, pena. muitas coisas de tradição que eu não conhecia, massa também ter tanto iídiche. minissérie adaptada do livro autobiográfico dela, show. ah, véi, essa atriz é tão pequenininha!!! e tem 25 anos na real. parece muito uma criança, chega a ser estranho quando veste umas roupas muito adultonas. enfim, gostei bastante da série.

o rei peste (edgar allan poe)
dois amigos fugindo de um bar porque não pagaram a bebida. se enveredam por uma parte da cidade que tinha sido abandonada, evacuada por causa da peste. um cenário meio tenso, chernobyl (na minha interpretação). encontram um grupo de pessoas mais doidas ainda, num delírio de nobreza prestes a morrer. algum desentendimento, um negócio de bebida quebrado, gente saindo correndo. só estranho.

mean girls (2004)
lindsey lohan, há quanto tempo! talita e eu vimos esse filme clássico que eu nunca tinha assistido. engraçado os estudos dos populares, e não sabia que a amiga de verdade ia ser lésbica (ou não) gótica! e o amigo almost too gay to function. o plano era destruir regina george, mas cady acaba virando ela. sacanagem os vacilos dela com os amigos bons. meio torto as coisas de áfrica, né, ela querendo se juntar aos estudantes negros e falando em outra língua. que absurdo deve ser ir pra escola pela primeira vez tão velha já. coisas de engordar, pô. on wednesdays we wear pink e etc. negócio de pedir desculpas no ginásio depois do caos que regina causa espalhando as páginas do próprio livro de falar mal dos outros. diz que foi as duas outras amigas e cady. deus me livre essas gangues de meninas populares. no fim tem atropelamento por ônibus e talita foi estudar onde surgiu essa coisa de certos filmes. muito cara de todo mundo em pânico. normal o filme, nada diferente do que eu esperava, assim. não é o tipo de coisa que me chama atenção ou me faz decorar trechos e ficar citando por aí, que nem tem gente que faz. mas também, com o que eu faço isso, além de crepúsculo?

leonizando (edgar allan poe)
quê? um cara com um nariz fascinante que consegue coisas por causa da admiração dos outros. na verdade é só um nariz comprido, reto. sei lá, né. taí o tipo de coisa que me faz pensar em cotejar a tradução com o original pra ver as soluções que usaram. muitas referências que eu não faço a menor ideia do que se trata. pareceu um pouco um conto pequeno que enfiaram pra completar o livro. feliz de ter terminado!

50 shades of grey (2015)
vimos pra celebrar o último dia de talita antes da viagem. despedida com humor. o tipo de filme que eu só veria assim, mesmo: com amigos, pra criticar e dar risada. só assim pra todo mundo ficar acordado, também. sabia muita coisa por causa desse vídeo, e talita também ficava contando o que ia acontecer por que tinha falado pra ela. consigo entender como pode ser gratificante ser submisso a alguém, ter responsabilidades tiradas de você, não ter que escolher. às vezes dá vontade de não ter consciência própria e só seguir um roteiro, mesmo. mas tô longe de entender a brisa de associar dor a prazer. acabou que tivemos várias conversas a partir daí, também, sobre o que é construído socialmente, o que atrai certas coisas, etc. do tipo, quem gosta de bdsm tem necessariamente que ter tido algum trauma, alguma história pesada? sei lá, né. aquele vídeo fala muito bem de tudo, resumindo bem também (do tipo, grey ter sido idiota em realmente mostrar ~o quão ruim poderia ser~ quando anastasia pede, sendo que ela não tinha noção de nada, por não ser da coisa, e obviamente ia ser assustada/espantada daquele jeito). engraçado ver bella e edward nas coisas (anastasia trabalhando numa loja de ferramentas, discutindo o contrato com ele!, sendo "salva" do possível relacionamento saudável com um outro carinha...). às vezes dou risada sozinha lembrando da cena em que anastasia manda um email com uma resposta meio ácida pra grey e na hora mariana disse "ai falei" e foi muito engraçado kkkkkk. que loucura. agora vamos esperar talita voltar pra continuar os filmes haushu

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

lidos (3) e assistidos (2) em agosto

macanudo #2 (liniers)
livro de tirinhas que mariana trouxe já faz tempo. tinha lido um pedaço já, terminei só agora. tem umas engraçadas, criativas, fofas, bobinhas... não é muito consistente, nem todas achei boas sacadas. algumas vezes me perguntei sobre a tradução, já que o original é em espanhol. dava pra fazer um trabalho em cima, hein, qualquer hora vou olhar isso. no geral é uma leitura boa pra passar o tempo, nada de mais. podia botar aqui minhas preferidas mas vai dar um trabalho de achar... mas é fácil de reler, também, então pronto.

rafiki (2018)
aquele filme queniano lésbico que pensei em passar na times, mas desisti porque nem tem tanto inglês assim, falam mais suahíli. vi com talita porque tava disponível no "cinema #emcasacomsesc" (acabei de ver que tem as duas irenes lá! que morgana do literalmente vlogando participou na produção, se não me engano. show). gosto muito das cores, das decorações caprichadas nas casas... sofá, pano que separa cômodos, coberta de oncinha, paredes. me parece uma coisa bem áfrica, né, e acho massa pensar em outras estéticas. a história parte de kena, que mora com a mãe e trabalha na vendinha do pai, que é candidato a algum cargo político na cidade. ela tem dois amigos, blacksta e um outro gratuitamente homofóbico, e eles costumam se reunir na lanchonete de uma senhora fofoqueira. um dia ziki chama a atenção de kena, e elas vão se aproximando apesar da outra ser filha do rival político do pai dela. muito estilosa, essa ziki, viu. gosto de como kena se veste, me identifico. as duas se paqueram e começam a namorar em segredo, nesse romeu e julieta lésbico moderno. foda ouvir o pastor pregando na igreja contra o "homossexualismo" e ziki querendo pegar na mão de kena. elas ficam juntas numa kombi abandonada perto do campo de futebol, bem style, bonito o romance. mas as pessoas começam a estranhar e um dia pegam as duas juntas lá, e as agridem pesadamente. cenas fortes, véi. que horror. acaba que ziki desencanta e trata aquilo tudo como uma brincadeira, impossível de ser real, e é mandada pra londres pra estudar, enquanto kena fica pra se tornar médica. no fim contam pra ela que ziki voltou, anos passados, e a última cena é kena numa colina perto de onde ziki morava, sentindo uma mão no ombro e se virando sorrindo. achei bonito, apesar de muito triste, também. muito doce as partes delas começando a se paquerar, os beijos tímidos, o deslumbramento. fiquei sentida. acho kena bem bonita, também. massa ter filmes assim, quero ver mais. "rafiki" quer dizer "amigas". parece que foi proibido/banido no país :( lá é foda em questão de homofobia, criminalidade.

la importancia de llamarse ernesto (oscar wilde)
um dos livrinhos lá da casa do mato; peguei em algum momento de querer distrair do mundo. é uma peça em três atos, sobre esse tal jack (apelido de john) que diz se chamar ernest pra conquistar a mulher em quem é interessado, e pra outro grupo de conhecidos diz ter um irmão mais novo chamado ernest, que usa como desculpa pra se sair quando der vontade. no primeiro ato ele se declara pra essa tal gwendolen, que por algum motivo diz só poder amar um homem chamado ernest (ele até testa perguntar sobre seu próprio nome, só pra ouvi-la rejeitando totalmente), e conta pro amigo algernon que diz ter um irmão fictício que usa em benefício próprio; algernon também tem uma história dessas, algo sobre "bunbury", pra poder se retirar pro campo (se passa entre londres e o condado de hertfordshire). jack tem uma pupila, cecily, que ama o tal ernest, coitada. no segundo ato algernon aparece na casa dela fingindo ser ele, e os dois trocam declarações e já combinam o casamento (essa menina é meio doida, inventou toda uma história com ernest, um noivado de tempos, uma briguinha pra depois reatarem...); engraçado que jack chega contando que o irmão morreu, todo de luto, só pro amigo se revelar dali a pouco. no terceiro ato tem uma reviravolta ainda maior: gwendolen conhece cecily, ambas revelam estar comprometidas com um tal de ernest, gwendolen não sabia de nada do suposto irmão mais velho dele... quando jack aparece cecily fala que é o tutor dela, e quando algy aparece gwendolen diz que ele é seu primo (assim que jack a conhece, aliás). confessam as mentiras, os dois prestes a serem rebatizados pelo padre ou sei lá do lugar, mas ainda vem coisa: a mãe de gwendolen, lady bracknell, reconhece a governanta de cecily, miss prism, porque 28 anos atrás ela trabalhava pra família dela e saiu com um livro e um bebê, o filho da irmã de lady bracknell, que se perderam (ela inverteu as bolsas, algo besta do tipo). e assim se dão conta de que o bebê era jack, que foi mesmo criado pelo avô ou sei lá de cecily, adotado. ou seja, ele é o irmão mais velho de algernon mesmo, e se chama ernest, por ser primogênito (mesmo nome do pai). ôxe, hein. no fim os casais ficam juntos, só não entendi porque cecily não reclama do nome real de algernon não ser ernest (ela também veio com esse papo). no prólogo explicam mais sobre o título, que faz mais sentido em inglês (the importance of being earnest), pela sonoridade do adjetivo earnest e do nome ernest... uma crítica sobre a sociedade da época (1895, mais ou menos), essa coisa de honestidade, aparências, bobageiras. foi legal, esperava menos.

gräns (2018)
comecei aqui a missão de assistir filmes que me interessam logo após ter visto alguém falar sobre ou qualquer coisa do tipo. nesse caso foi puiupo que tweetou sobre filmes com os designs favoritos de monstros/criaturas dela, e por pouco não via border (o título em inglês), mas lembrei que tinha na plataforma do sesc onde vimos rafiki. filme sueco categorizado como romance e fantasia, mas só fui ver isso depois de ter começado a assistir (faz sentido) (esse pôster é tão bonito). a protagonista é tina, que trabalha supervisionando as pessoas que chegam em um porto na suécia. ela tem uma espécie de sexto sentido que a permite farejar emoções nas pessoas, e a partir disso aponta quem está transportando algo ilegal. o que ela sabe é que foi atingida por um raio quando criança, e por isso tem essa habilidade, mas além de tudo ela tem uma aparência que a wikipédia descreve como "neanderthal"; numa hora ela diz que é uma deformidade cromossômica (acho que já vi ou li sobre). quando ela pega um cara com um cartão de memória com pornografia infantil as autoridades pedem ajuda dela pra prosseguir a investigação. um dia passa um cara na fronteira que a intriga demais, mas não acham nada de anormal com ele. ele sorri de um jeito tenso e parece muito com ela, fisicamente. em outro momento ela pede pra revistá-lo por completo, e descobrem que ele tem genitália feminina e uma cicatriz no cóccix, o que deixa tina constrangida. ela também tem uma cicatriz assim, porque caiu numa pedra quando criança, segundo o pai. ela acaba indo atrás dele e eles se aproximam, porque ela se sente diferente e atraída; ela até o convida a ficar na casa de hóspedes que tem junto à dela (tina mora com um cara que tem cachorras de competição, mas não se interessa em se envolver sexualmente com ele, porque a machuca). os dois tem medo de tempestade, e numa conversa depois de um beijo vore diz que o que eles têm não é uma deformidade, que ela não deveria escutar os humanos. eles transam e tina o penetra, surpresa em ter um pênis ereto (parece um clitóris comprido), e vore diz que ela é um troll. só que aí ela encontra um bebê na geladeira dele (ele sempre tá com uma barrigona e numa noite deu à luz!) e fica sabendo que aquilo é um hiisi, um embrião não fertilizado que morre em pouco tempo e é fisicamente maleável. turns out que vore é o traficante de bebês ligado ao caso de pornografia infantil, porque ele tem essa ideia de estimular a maldade e o corrompimento moral entre os humanos como vingança pelo que fizeram com os trolls (o que ele faz é trocar bebês humanos por esses hiisi, que saem dele regularmente). what! tina discorda com isso e o denuncia pra polícia, certamente omitindo as partes fantásticas, mas ele pula no mar, de algemas, e desaparece. ela põe o pai na parede e ele revela que a adotou depois que seus pais morreram no hospital psiquiátrico onde faziam torturas e experimentos neles. what!! o nome real de tina é reva, que ela acha lindo (concordo). revolta. termina com ela recebendo uma caixona onde tem um bebê troll e um cartão postal da finlândia, onde vore disse haver uma colônia de trolls em segredo. what!!! achei esse filme incrível, inesperadíssimo e muito diferente. vi com talita e carol, que ficou meio estranhada, mas acho que curtiram. palavras suecas que lembro e reconheci: helvete e flicka.

por que eu não converso mais com pessoas brancas sobre raça (reni eddo-lodge)
tava lendo esse há alguns meses, já. demorei porque por um tempo fiquei mal demais pra pegar em leituras pesadas. quando voltei li alguns trechos pra talita, sobre feminismo negro e outras partes que me chamaram a atenção. cada capítulo foca num âmbito, contando histórias, falando sobre o sistema, sobre privilégio branco, sobre feminismo e sobre raça e classe. muito completo e bem escrito, com alguns relatos pessoais e mais pontuais, já que a escritora é jornalista. ela fala da grã-bretanha e usa muitos detalhes históricos, mas tudo reverbera aqui no brasil e no mundo também (interessante pensar as diferenças e semelhanças entre esse livro e pequeno manual antirracista). o único problema foram as inúmeras vezes em que tinha algo errado com a tradução/edição: vários trechos esquisitos, erros de escrita e etc, uma pena. quem escreve o prefácio é a gabi do canal de pretas, gosto dela. "Eu parei de falar sobre raça com pessoas brancas porque eu não acredito que desistir é um sinal de fraqueza. Às vezes é sobre autopreservação." muito doloroso, mas absurdamente importante e necessário. massa que ficou esses dias gratuito pra baixar, porque conversa com muita coisa que vem acontecendo agora, que vem sido falado nas manifestações. aprendi e refleti sobre muita coisa, mas sei que ainda tenho muito o que pensar e voltar e fazer. alguns dos destaques que eu fiz:

A jornada para entender o racismo estrutural ainda exige que as pessoas de cor priorizem os sentimentos brancos. Mesmo que eles consigam te ouvir, eles não estão realmente escutando. (...) Quem realmente gostaria de ser alertado sobre um sistema estrutural que o beneficia à custa de outros?

Eu não posso ter uma conversa com as pessoas sobre detalhes de um problema se elas sequer reconhecem que o problema existe. Pior ainda é a pessoa branca que pode estar disposta a considerar a possibilidade do racismo dito, mas que pensa que entramos nessa conversa como iguais. Nós não entramos.

Diante de um esquecimento coletivo, precisamos lutar para lembrar.

uma definição para racismo institucional:

(...) racismo institucional, explicou o relatório, é “o fracasso coletivo de uma organização em fornecer um serviço adequado e profissional às pessoas por causa de sua cor, cultura ou origem étnica. Pode ser visto ou detectado em processos, atitudes e comportamentos que resultam em discriminação por preconceito inconsciente, ignorância, falta de pensamento e estereotipagem racistas que prejudicam as minorias étnicas.”

Dizemos a nós mesmos que pessoas boas não podem ser racistas. Parece que pensamos que o verdadeiro racismo só existe nos corações das pessoas más. Dizemos a nós mesmos que o racismo é sobre valores morais, quando, em vez disso, é sobre a estratégia de sobrevivência do poder sistêmico.

É muito provável que homens brancos altamente qualificados e bem remunerados sejam patrões, chefes, CEOs, professores-chefes ou vice-reitores em universidades. Eles são quase certamente pessoas em posições que influenciam a vida de outras. Eles são quase certamente o tipo de pessoas que estabelecem culturas organizacionais. É improvável que eles se gabem de suas políticas com colegas ou conhecidos por causa do estigma social de estarem associados a visões racistas. Porém, o racismo deles é encoberto.

sobre não ver raça e sobre o padrão ser branco:

Não ver raça pouco faz para desconstruir estruturas racistas ou melhorar materialmente as condições às quais as pessoas de cor estão sujeitas diariamente. Para desmantelar estruturas injustas e racistas, precisamos ver raça. Precisamos ver quem se beneficia de sua raça, quem é desproporcionalmente impactado por estereótipos negativos sobre sua raça e a quem o poder e o privilégio são concedidos – merecidos ou não – por causa de sua raça, sua classe e seu gênero. Ver raça é essencial para mudar o sistema.

O neutro é branco. O padrão é branco. Porque nós nascemos em um roteiro já escrito que nos diz o que esperar de estranhos devido à sua cor de pele, sotaques e status social, toda a humanidade é codificada como branca. A negritude, no entanto, é considerada a “outra” e, portanto, de se suspeitar. Aqueles que são codificados como uma ameaça em nossa representação coletiva da humanidade não são brancos.

(...) privilégio branco é a ausência das consequências negativas do racismo. Uma ausência de discriminação estrutural, uma ausência da sua raça sendo vista como um problema em primeiro lugar, uma ausência de “menos chances de sucesso por causa da minha raça”. É uma ausência de olhares engraçados direcionados a você porque acredita-se que você esteja no lugar errado; uma ausência de expectativas culturais; uma ausência da violência promulgada em seus antepassados por causa da cor de suas peles; uma ausência de uma vida inteira de marginalização sutil e divisória – exclusão da narrativa de ser humano.

a diferença entre racismo e preconceito (muito massa pra se entender por que não existe racismo reverso):

Existe uma diferença entre racismo e preconceito. Existe uma definição não-atribuída de racismo que o define como preconceito mais poder. Os desfavorecidos pelo racismo podem certamente ser cruéis, vingativos e preconceituosos. Todo mundo tem a capacidade de ser desagradável com outras pessoas, de julgá-las antes de conhecê-las. Entretanto, simplesmente não há pessoas negras o suficiente em posições de poder para promulgar o racismo contra pessoas brancas no tipo de grande escala que atualmente opera contra pessoas negras. Os negros estão super-representados nos lugares e espaços onde o preconceito poderia realmente ter efeito? A resposta é quase sempre não.

essa fala famosa de martin luther king jr. que me faz pensar em performative allyship e etc:

Martin Luther King Jr. também refletiu: “Primeiro, devo confessar que, nos últimos anos, tenho sido gravemente desapontado com os moderados brancos. Cheguei quase à lamentável conclusão de que o grande obstáculo dos negros no caminho da liberdade não é o Conselheiro do Cidadão Branco ou o Ku Klux Klanner, mas o moderado branco que se dedica mais à ‘ordem’ do que à justiça; que prefere uma paz negativa, que é a ausência de tensão, à uma paz positiva que é a presença da justiça; que constantemente diz: ‘Eu concordo com você no objetivo que você procura, mas não posso concordar com seus métodos diretos’; que, paternalisticamente, sente que pode definir o tempo de liberdade de outro homem; que vive pelo mito do tempo e que constantemente aconselha o negro a esperar até uma ‘estação mais conveniente’.” (...) “A compreensão superficial das pessoas de boa vontade é mais frustrante do que a incompreensão absoluta das pessoas de má vontade. A aceitação indiferente é muito mais desconcertante do que a rejeição total.”

sobre relacionamentos inter-raciais e adoção transracial! putz:

Agora, quando vejo um casal inter-racial, me sinto desconfortável, embora esteja em um relacionamento interracial. Quando vejo um pai branco com um mestiço, penso: ‘Esse filho vai ter o que precisa?’. Porque não tive o que eu precisava. Acho que, para pessoas brancas que estão em relacionamentos inter-raciais, ou que têm filhos mestiços, ou que adotam transracialmente, a única maneira de isso funcionar é se eles realmente se comprometerem em ser antirracistas. Ser humilde e aprender que eles são racistas, mesmo quando pensam que não são.” (...) pais brancos que adotam filhos de cor assumem uma nova responsabilidade de serem conscientes em relação à raça. Eles embarcam em uma jornada muito nova de autodescoberta e têm o dever de não mais se comprometer com as políticas limitantes da neutralidade racial. Eles têm esse dever porque uma criança negra não pode ser sobrecarregada com a responsabilidade de enfrentar os preconceitos do mundo por conta própria. Nem todos os pais brancos dedicam tempo para aprender.

sobre monumentos históricos! foda:

Um debate nacional sobre se a estátua deveria cair se seguiu. Os estudantes negros que se manifestaram foram acusados de serem antidemocráticos. “Cecil Rhodes era um racista”, dizia uma manchete, “mas você não pode apagá-lo da história.” Essa foi uma conclusão estranha a ser tirada, porque fazer campanha para derrubar uma estátua não é o mesmo que deletar o nome de Cecil Rhodes dos livros de história. A campanha Rhodes Must Fall não queria que Rhodes fosse apagado da história. Em vez disso, eles estavam questionando se ele deveria ser tão abertamente celebrado. Os oponentes da campanha – que incluíam Lord Patten, o chanceler da Universidade de Oxford – disseram que, ao exercer seu direito democrático de protestar, os estudantes estavam na verdade interferindo na liberdade de expressão. Ao fazer um barulho, interrompendo o cotidiano e apontando o problema, eles se tornaram o problema. De alguma forma, não era crível que Lorde Patten simplesmente quisesse um debate livre e justo e uma troca saudável de ideias em seu campus. Parecia que ele só queria o silêncio, o tipo de paz forçada que fervia de ressentimento, do tipo que requer que alguns sofram para que outros se sintam confortáveis.

sobre vitimização branca:

Para as pessoas que se opõem ao antirracismo com base na liberdade de expressão, a oposição a disparidades raciais grosseiras é uma questão de “ofensa”, em vez das condições materiais altamente desiguais que as pessoas afetadas por ela carregam como fardo. Estar em uma posição em que suas vidas são tão confortáveis que eles realmente não têm nada material para se opor, os falsos defensores do “discurso livre” gastam todo seu tempo livre injuriando contra a “cultura ofensiva”. Quando focam em ofensas, ao invés de sua própria cumplicidade em um sistema drasticamente injusto, eles transferem, com sucesso, a responsabilidade de consertar o sistema dos beneficiados por ele para aqueles mais inclinados a perder por causa dele. Combater o racismo passa de conversas sobre justiça para conversas sobre sensibilidade. Aqueles que são repetidamente atingidos pelas tendências do racismo de impedir suas chances de vida são aconselhados a endurecer e a ficarem mais fortes.

sobre personagens negros, véi! é isso:

É no cinema, na televisão e nos livros que vemos as manifestações mais potentes do branco como a suposição padrão. Um personagem não pode simplesmente ser negro sem um aviso prévio para um assumido público branco. Personagens negros como protagonistas são considerados como não-identificáveis (com exceção de um punhado de estrelas hollywoodianas notáveis). Quando o casting para filmes e para a TV dá um passo fora da branquitude, fãs repetidamente revelam seu lado obscuro, expressando sua irritação, desgosto e decepção. O medo de personagens negros é o medo de um planeta negro.

(...) As pessoas brancas estão tão acostumadas a ver um reflexo de si mesmas em todas as representações da humanidade, em todos os momentos, que só percebem quando isso é tirado delas.

sobre minoria modelo! véi. hermione:

Hermione, negra ou mestiça, suportando insultos cuspidos de “sangue-ruim” de seus colegas, afastada de seus pais, dita que é especial e parte de uma raça completamente diferente, pode estar muito interessada em assimilar, em ser aceita. Não é de se admirar que ela tenha tentado tanto. Não é de admirar que ela tenha feito o dever de casa de seus amigos e tenha sido a primeira a levantar a mão na aula. Ela era a minoria-modelo. Uma Hermione negra ou mestiça movimentando-se para libertar elfos domésticos, depois de seis ou sete anos sofrendo insultos raciais, pode não ter coragem de desafiar seus colegas, e em vez disso poderia ter se agarrado a algo que ela sentia que realmente poderia mudar.

sobre a tarefa de educar:

Um século depois, em 1984, a feminista negra, ativista e poeta Audre Lorde escreveu em Sister Outsider: Essays and Speeches: “As mulheres de hoje ainda estão sendo convocadas a atravessar a lacuna da ignorância masculina e educar os homens quanto à nossa existência e nossa necessidades. Essa é uma ferramenta antiga e primária de todos os opressores para manter os oprimidos ocupados com as preocupações do mestre. Agora ouvimos dizer que é tarefa das mulheres de cor educar as mulheres brancas – diante de uma tremenda resistência – em relação à nossa existência, nossas diferenças, nossos papéis relativos à nossa sobrevivência conjunta. Isto é um desvio de energias e uma repetição trágica do pensamento patriarcal racista.”

sobre a necessidade do feminismo negro:

bell hooks se apresentou em 1981, escrevendo em Ain’t I a Woman: Black Women and Feminism: “O processo começa com a aceitação da mulher individual de que… as mulheres, sem exceção, são socializadas para serem racistas, classistas e sexistas, em graus variados, e nos rotular de feministas não muda o fato de que devemos conscientemente trabalhar para nos livrar do legado da socialização negativa. É óbvio que muitas mulheres se apropriaram do feminismo para servir a seus próprios fins, especialmente aquelas mulheres brancas que estiveram na vanguarda do movimento; mas, em vez de me resignar a essa apropriação, escolho reapropriar o termo ‘feminismo’, para me concentrar no fato de que ser ‘feminista’, em qualquer sentido autêntico do termo, é querer, para todas as pessoas, mulher e homem, a libertação do machismo, padrões de gênero, dominação e opressão.”

O feminismo branco em si não é particularmente ameaçador. Torna-se um problema quando suas ideias dominam – representadas como universais, para serem aplicadas a todas as mulheres. É um problema porque consideramos a humanidade através do prisma da branquitude. É inevitável que o feminismo não ficasse imune a isso. Consequentemente, o feminismo branco reforça sua posição quando aqueles que o desafiam são considerados causadores de problemas. Quando escrevo sobre o feminismo branco, não estou reduzindo as mulheres brancas à cor de sua pele. A branquitude é uma posição política, e desafiá-la em espaços feministas não é um olho por olho porque o preconceito precisa de poder para ser eficaz. (...) Quando as feministas brancas ignoram a raça, elas inicialmente não estão vindo de um lugar de malícia – embora a oposição delas possa muito rapidamente evoluir ao ponto de espumar quando suas políticas são desafiadas. Em vez disso, aprendi que elas vêm de um lugar muito parecido com o meu. Nós todos crescemos em um mundo dominado por brancos. Este é o contexto no qual as feministas brancas estão trabalhando, beneficiando e reproduzindo um sistema que elas mal percebem. No entanto, suas habilidades de análise crítica são muito boas em identificar sistemas exclusivos, como gênero, dos quais elas não se beneficiam.

sobre o que o feminismo deve ser:

O feminismo não é sobre igualdade e, certamente, não é sobre deslizar silenciosamente para um mundo de trabalho criado por e para os homens. O feminismo, no seu melhor, é um movimento que trabalha para libertar todas as pessoas que foram marginalizadas econômica, social e culturalmente por um sistema ideológico que foi projetado para que elas fracassem. Isso significa pessoas com deficiência, negros, trans, mulheres e pessoas não-binárias, pessoas LGB e pessoas da classe trabalhadora. (...) Além das exigências óbvias – o fim da violência sexual, o fim do hiato salarial – o feminismo deve estar consciente da classe e ciente da cultura limitante da binariedade de gênero. É necessário que ele reconheça que as pessoas com deficiência não são inerentemente defeituosas, mas sim que as pessoas sem deficiência falharam na criação de um mundo físico que serve a todos. O feminismo precisa exigir moradias acessíveis, decentes e seguras e uma renda básica universal. Ele deve exigir pagamento para mães em tempo integral e creches gratuitas para mães que trabalham fora. Deve reconhecer que vivemos em um mundo em que as mulheres são constantemente instigadas a serem cobiçadas, mas punem as profissionais do sexo por usarem essa situação para ganhar a vida. O feminismo precisa reconhecer completamente que a sexualidade é fluida, e precisamos sonhar com um mundo onde as pessoas não sejam violentamente policiadas por transgredirem os rígidos papéis sociais de gênero. O feminismo precisa reivindicar um mundo no qual a história racista é reconhecida e explicada, na qual as reparações são distribuídas, nas quais a raça é completamente desconstruída.

A igualdade é boa como uma demanda transitória, mas é desonesto não reconhecê-la pelo que é – o caminho mais fácil. Há uma diferença entre dizer “queremos ser incluídas” e dizer “queremos reconstruir seu sistema exclusivo”. A primeira é mais prontamente aceita no mainstream.

sobre mulheres negras raivosas e emasculação (!):

Que mulheres negras raivosas parecem emascular homens é sexista porque faz suposições sobre as
características dos homens que inevitavelmente limitam o escopo de sua humanidade. Para acreditar na emasculação, você tem que acreditar que a masculinidade é sobre poder, força e domínio. Esses traços supostamente deveriam ser grandes nos homens, mas são muito pouco atraentes nas mulheres. Especialmente nas negras raivosas.

sobre mobilidade social:

Mudar de classe exige um mínimo de sucesso e, se você não é branco, o sucesso é uma faca de dois gumes. Mesmo se você trabalhar muito e se ver no seu melhor, haverá um debate sobre se isso aconteceu por causa de sua raça, ou apesar disso.

e por fim, sobre o papel de cada um na luta antirracista:

O trabalho antirracista – a logística, a estratégia, a organização – precisa ser liderado por aqueles no cume da injustiça. Entretanto, também acredito que os brancos que reconhecem o racismo têm um papel extremamente importante. Essa parte não pode ser feita enquanto sentem culpa deliberadamente. (...) Pessoas brancas, vocês precisam falar com outras pessoas brancas sobre raça. Sim, vocês podem ser taxados como radicais, mas têm muito menos a perder. Conversem com outras pessoas brancas que confiam em você. Conversem com pessoas brancas nas áreas de sua vida nas quais você tem influência. Se vocês se sentirem sobrecarregados por seu privilégio não merecido, tentem usá-lo para algo e usem-no onde for necessário. Mas não sejam antirracistas em prol de uma audiência. Ser branco e antirracista em sua vida privada ou profissional, onde há muito poucos elogios a serem encontrados, é muito mais difícil, mas, em última análise, mais significativo.

Se você está enojado com o que vê, e sente o fogo correndo em suas veias, então depende de você. Você não precisa ser o líder de um movimento global ou um nome de peso. Pode ser tão em pequena escala quanto diminuir as relações de poder distorcidas em seu local de trabalho. Pode ser transmitindo conhecimento e habilidades para aqueles que não teriam acesso a eles de outra forma. Pode ser de forma criativa. Pode ser informal. Pode ser o seu trabalho. Não importa o que seja, contanto que você esteja fazendo alguma coisa.