vizinho, vizinha (roger mello)
livrinho infantil que peguei gratuito na pandemia, pena não dar pra ver as cores no kindle (usei o aplicativo do pc pra isso).
um cara e uma mulher que moram um de frente ao outro num prédio, mas só se dão bom dia e comentam sobre o tempo. excêntricos do jeito deles, mas desconhecidos um pro outro. um dia a sobrinha do cara e o neto da mulher abrem as portas e brincam juntos enquanto eles não estão, misturam as casas, tchururu. depois que vão embora fica estranho o silêncio, e termina na expectativa de um falar com o outro. bonitinho, achei legal a proposta de cada ilustrador fazer um apartamento, e o autor o corredor. quem ilustra o cara é mariana massarani e quem ilustra a mulher é graça lima; gostei dessa última que parece colagem e a outra me lembra aqueles livrinhos de mini larousse coloridinhos que eu tenho (olhei aqui e ela ilustra um deles mesmo! o da
amazônia). muito bom o jeito diferente de falar as horas aqui:

eu sou malala: a história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo talibã
(malala yousafzai com christina lamb)
quase um ano lendo – comecei na asian readathon de maio... não tem jeito, biografia não é um gênero que me segura, não importa de quem seja. gostei de saber mais sobre malala, com certeza foi valioso, mas tive que persistir; corri pra terminar antes de sair da casa, já que tava emprestando de carol. acho que foi pölzl quem fez a comparação dela com marjane satrapi, de persépolis, no sentido de que as duas tinham pais ativistas e vinham desde cedo com essa atitude de defender certas coisas e tal. não lembro mais muito de persépolis e agora me pergunto se foi isso mesmo, mas acho que faz sentido ter apoio familiar de alguma forma, né. loucura como existem situações e existências que a gente nem imagina, por não fazer parte da nossa realidade. mesmo com ameaças e mortes e bombardeios ela tava lá, resistindo, não sozinha, mas com uma coragem sem comparação. que tenso os relatos depois dos tiros, a questão da infraestrutura hospitalar, ainda tem tudo isso, né... e a tristeza de ficar longe do vale do swat depois do refúgio na inglaterra, bem bonito lá mesmo. parece que no paquistão ela é uma figura polêmica, tem a questão do talibã vê-la como veículo de propaganda do ocidente e tal. antes do ataque ela já fazia umas coisas grandes, tinha escrito um blog pra bbc com um pseudônimo, sido documentada mostrando a rotina de viver e estudar em mingora... não conhecia nada sobre os pachtuns, interessante também (aqui ela fala pachto e urdu!). essa galera que estuda muito e se preocupa em ser o primeiro da sala, hein. há um tempo atrás vi ela comemorando no twitter por ter terminado a faculdade, pandemia já. ela é só dois anos mais velha que eu :~ ah, o alquimista é um dos livros favoritos dela hauhah
the year of the witching (alexis henderson)
tinha começado lá em outubro, porque era um dos livros que teriam discussões ao vivo durante a
fortnight frights de
seji, mas só li um pouquinho e não voltei mais. na época não me prendeu muito, acho que desanimei com o cenário envolvendo religião e séculos passados, e foi justo quando comecei a releitura de
crepúsculo também... mas voltei a ler agora e até cheguei a ter aquele sentimento (infelizmente em falta) de querer saber o que ia acontecer, aproveitava pra ler sempre que podia e tal. imanuelle é a protagonista, fruto da união entre miriam e daniel, um rapaz dos outskirts, que é a periferia onde habitam as pessoas de pele escura. o pai foi queimado na fogueira e a mãe morreu quando dava à luz a ela, depois de ter passado meses dentro da darkwood, a floresta proibida, e desde então a família perdeu o prestígio que tinha em bethel. lá pelos 17 anos de idade imanuelle entra na floresta em busca do bode que tinha que vender e recebe de duas mulheres fantasmagóricas o diário da mãe, e assim ela começa a entender melhor o lance da bruxaria envolvendo seu passado e sua identidade.
quando pestes começam a atingir o povoado ela assume a missão de resolver as coisas com as bruxas da floresta e, com uma ajuda do filho do profeta, ela parte pra desafiar as bizarrices todas de uma doutrina opressiva e impiedosa. aliás, só porque eu acho ezra miller um puta cara bonito (e gosto muito do nome também) me aparece um personagem perfeito com esse nome... bom que assim eu posso vibrar por ele instead, já que o ator aparentemente é um escroto, né. queria tanto achar fanart mas até agora nada.
falar a verdade que eu só me intriguei com a leitura quando imanuelle vê as lovers na floresta; tava esperando sexo lésbico não! interessante ter isso dentre as quatro bruxas, bem boa a caracterização macabra de cada uma delas. ah, e a avó mãe de daniel sapatona convicta!!! "men cut clothes" and shit heheh. mas pô, muito pouco tempo com ela e a companheira, deu nem tempo de conhecer melhor... até gostei de não ter muito romance com ezra, só no final fica mais direto, mas já que imanuelle tem várias vezes o desejo de "mais" e de se aproximar dele bem que podia ter um sexual awakening. esse negócio de bethel ser meio isolada do resto do mundo me lembrou as muralhas de
shingeki no kyojin, mas talvez só tô viciada demais.
que bosta essas fés extremamente machistas, os caras super velhos casando com jovens, várias esposas, violência... no geral foi ok mas fiquei sentindo falta de certas coisas, explorar mais a fundo os aspectos que envolvem raça e gênero (apesar de imanuelle ter ficado feministona a partir de algum momento), dar espaço pra alguns desenvolvimentos, etc. e não é um horror muito forte, podia até ser mais,
ter mais explicações pro coven de lilith, pra magia na família ward, etc. acho que o mais pesado foram as práticas da própria igreja, na real. os personagens são bons, isso de ezra ser um homem firmeza,
o avó abram dando apoio na hora que ela precisava, as bruxas!...
que caos aquela cena apocalíptica na igreja, hein. e acabam oferecendo piedade ao escroto do profeta, bem que lilith podia ter cuidado dessa parte. a
discussão com seji e convidadas foi legal, fiquei sabendo que vai ter um segundo livro, quem sabe nele isso tudo melhora. gostei de ler uma autora negra desse gênero relativamente novo pra mim, mas que com certeza quero explorar mais.
pai contra mãe (machado de assis)
quanto vale ou é por quilo? é baseado nesse conto e em crônicas de nireu cavalcanti sobre a escravidão do arquivo nacional do rio de janeiro. aqui candinho é um homem que não para em emprego nenhum, mas que se vê na necessidade de trazer dinheiro pra casa se não quiser ter de entregar o filho recém-nascido à roda dos enjeitados.
clara, a esposa, costura pra fora junto com a tia, mônica, e já tinham sido despejados da casa por deixarem de pagar três alugueis. quando o filho nasce estão de favor na casa de uma senhora rica, coisa que a tia arrumou, mas sabem que uma quarta boca vai ser mais do que podem dar conta de sustentar. candinho já vinha trabalhando em pegar escravo fugido e tava numa onda de não conseguir competir com os concorrentes quando se depara com o anúncio de arminda, oferecendo 100 mil réis.
ele cruza com ela no caminho de levar o filho pra roda, deixa o bebê com o farmacêutico e captura a mulher, que tava grávida. ela aborta e cândido nem quer isso na mente, só volta feliz pra família. "nem todas as crianças vingam", é sua fala final. por causa do filme eu tava imaginando ele negro, mas percebi que no conto não tem caracterização; fiquei pensando nesses nomes todos aludindo à brancura, cândido, neves, clara...
e na luta de um pai contra uma mãe, não surpreende quem ganha. a descrição da máscara de folha de flandres que tem no filme vem desse conto –
"era grotesca tal máscara, mas a ordem social e humana nem sempre se alcança sem o grotesco, e alguma vez o cruel". machado é outra coisa mesmo, o jeito que conversa com o leitor, a narrativa...
"não davam que comer, mas davam que rir, e o riso digeria-se sem esforço", etc. leitura pra disciplina de interpretação.
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