depósito de registros/resumos/reviews com o propósito único de preservar memórias
domingo, 28 de fevereiro de 2021
assistidos (8) em fevereiro
boy (2010)
oh!! gostei muito! não procurei se é meio autobiográfico ou não, mas o protagonista é um menino maori ("boy") criado pela vó porque o pai tava preso e é irresponsável. taika interpreta o pai, que surge com dois amigos e vão ficando na casa enquanto a vó tá em outra cidade ajudando algum parente. dão um monte de presentes com cara de roubo (tv, microondas, casacos...), um bocado de criança lá, boy cuidando, fazendo comida simples. também existe um irmão menor, quietinho, magia no olhar, desenhinhos. a mãe morreu no parto e ele se sente culpado. não se aproxima muito do pai, até porque foi depois da morte da mulher que ele sumiu, mas boy o vê como um ídolo e modelo a ser seguido. uma coisa engraçada de gostar de michael jackson, thriller tinha acabado de sair, e o pai com os amigos se chamam de "crazy horses". numa hora pede pra que boy o chame de shogun, uma brisa com samurais e um livro com esse nome. faz um corte de cabelo em boy que mirou no mullet de michael jackson mas saiu uma coisa quase buzzcut cheia de falhas, coitado. ficam fazendo buracos num campo onde ele escondeu uma quantia grande de dinheiro, mas quando boy encontra leva pra um lugar onde fica o bode de estimação dele e o bode destrói tudo. ficava levando maconha pro pai, pegando de uma plantação que o pai de uma amiga tem no meio de um canavial, e no desespero o pai pega tudo pra vender e se dá mal. a amiga aparece de olho roxo também, tadinha. e ela olhava pra boy com carinho, apesar dele gostar de uma menina popularzinha... no final se reaproximam. que gostoso uma hora dos amigos todos brincando em volta de uma casa quebrada, correndo livres, usando a imaginação. foi uma surpresa agradável, resolvemos ver sem planejar muito e todo mundo juntou e gostou. trilha sonora muito boa! e no final thriller com dança haka!!! acho muito legal a existência disso, as caretas :) e a representatividade, né, manda bem demais. tão lindo o atorzinho, também...
nomadland(2020)
essa véia (ok, nem tanto) de three billboards outside ebbing, missouri é muito barra pesada, pô. a cara da dureza. grande potencial sapatão. nesse filme ela mora na própria van, isolada da família e vista como esquisita. trabalha na amazon no fim de ano pra ganhar dinheiro, vai procurando bicos temporários pra ir se mantendo. se chama fern e pölzl e eu escolhemos interpretar pelo alemão, no sentido de distância, mais do que a planta em inglês. amizades muito boas, uma senhora de uns 70 anos que conta que quase se matou, mas percebeu que podia viver viajando e foi morar na estrada. outra senhora pra quem os médicos deram pouco tempo de vida e se despede de um jeito tocante. ver lugares lindos, animais, paisagens. massa que nos créditos várias dessas pessoas interpretam a si mesmas, então acho que tem um pouco de histórias reais. uma coisa muito latente sobre liberdade. tem até um cara que gosta de fern e quer que ela fique com ele na casa do filho, paciente e calmo o jeito que ele age com ela mas no fim ela parte. fica em aberto, na verdade, porque ela volta pra cidade onde viveu com o marido falecido e se desfaz do galpão onde guarda os pertences, visita a casa onde morava, sai pelo portão que dá pro terreno aberto... muita solidão, independência, mas muito legal a parte de ter uma comunidade que se apoia. parece que ela era professora; uma menina lembra de uma poesia que ela falava, fern compartilha com um jovem viajante os versos que jurou pro marido. muito amor e imensidão. gostei. e a trilha sonora, tão certeira... mariana ficou reparando.
hunt for the wilderpeople(2016)
boy subiu as expectativas de todo mundo com taika waititi e fez a gente quebrar a cara aqui. tem a desculpa de que esse não é roteiro original, mas adaptado de um livro infantil... serve? é sobre ricky baker, menino adotado por um casal que mora nas montanhas. a agente que cuidava dele dizia que ele era mal comportado e já tinha passado por várias adoções, mas com essa mulher dá certo, bonitinho até. bolsa térmica pra esquentar a cama, musiquinha de parabéns, cachorro de presente. mas do nada ela morre e ricky decide se meter na floresta depois que o viúvo diz que não pretende continuar com ele. o cara vai tirar ele de lá mas quebra o pé e acabam passando um tempão sumidos. nessa a agente já constrói um negócio absurdo dele ter sequestrado ricky e ser criminoso. um desentendido com caçadores, meses despistando polícia, uma garota bonita, um cara pirado, uma perseguição cuiuda. vai virando uma bobeira de proporções absurdas... no fim eles se reúnem de novo, apesar de ricky ter sido escroto e botado o cara na prisão, e vão morar com a garota e o pai dela (?). poucos momentos engraçados e o que tem de bacana não vale a pena.
the twilight saga: breaking dawn - part 1(2011)
por acaso tem samba o ano inteiro no rio de janeiro? que esquisito ver gente se beijando na rua e dançando e eles decidindo fazer igual. tava tão prevendo uma vergonha alheia com edward falando português que me surpreendi quando ele conversou com kaure de um jeito aceitável (mas ainda formal, "ajudá-la", "eu a amo" heueh). bella fica horrível grávida, né... muito estranho parar pra pensar que na real a menina tem 18 ou 19 anos e tá ali encantada num bebê assassino. no parto jacob fica parecendo que olha pra renesmee, mas hora que tem o imprinting mesmo é a cena mais tosca, daquelas de lembrar falas do passado e flashbacks e flashforwards até, why!!! podia ter tido os pesadelos dela com a criança imortal. o tempo todo ela achando que ia ser um menino, não foi de verdade porque jacob não podia ser gay, é? não tem muita explicação pra essa parte. o cabelo de bella podia estar mais ajeitadinho no casamento, achei. os discursos no microfone kkk até bella ri da mãe cantando a lullaby. foi mudando a iluminação ao longo dos filmes, né. acho que nunca vi eles tão bem quanto nas cenas na ilha.
the twilight saga: breaking dawn - part 2(2012)
putz, a vergonha alheia com esse nem se compara. quem achou que era uma boa ideia usar cgi na cara de um bebê??? quem se importaria se pegassem crianças diferentes pra ir fazendo as fases de renesmee? ugh. não sei se é porque assisti tudo interrompido, lendo o livro e depois voltando pro filme, mas senti que tudo era meio corrido ou enfiado uma coisa atrás da outra, tipo, não tem nem um momentinho de calmaria ou contemplação... os efeitos parecem tão medíocres, o jeito que eles pulam voando às vezes, a maquiagem!!! até a maquiagem tava ruim, dakota fanning tava toda esquisita, coitada. e as músicas deixaram de ser boas em eclipse, mesmo. edward tocando o piano pra chamar renesmee achei a coisa mais fofa. bem pouco dos ~shape-shifters~ (não lembrava dessa correção engraçada), super simplificado a coisa de receberem o recado de alice quando ela vai embora, o encontro com j. jenks também... e charlie indo ver bella dois segundos depois dela virar vampira, quase nada falado sobre a dificuldade de estar perto dele, aff. a "névoa" do poder de alec muito tosca, meu deus... o discurso daora que era de garrett claro que enfiaram em edward, né, além de deslocar total (na real nem sei se foi isso, porque teve uma conversa sobre lutar na casa)... aliás, lee pace! <3 sinceramente um dos melhores vampiros visualmente e etc, os cullen me dão agonia demais (e os volturi pior ainda, né). o final com bella abaixando o escudo dos pensamentos dela foi uma ótima desculpa pra fazer retrospectiva da saga. enfim livre!
ssa-i-bo-geu-ji-man-gwen-chan-a(2006)
...ou i'm a cyborg, but that's ok. conheci por causa de lily wilke, parece que ela gosta bastante. young-goon é uma jovem tipo susanna de garota interrompida que é internada numa instituição psiquiátrica depois de quase morrer cortando o próprio pulso pra se ligar a fios elétricos. a avó tinha sido internada porque só comia rabanete e cuidava de ratos como se fossem filhos, mas young-goon ficou com a dentadura dela e a usa pra conversar com a máquina de venda, com as luzes ou com o relógio. ela não se alimenta porque tá convencida de que vai quebrar se ingerir comida, mas por isso a bateria dela tá sempre baixa (tem que iluminar até o dedão do pé, mas só a unha do dedinho acende..). nesse lugar tem vários pacientes peculiares: uma mentirosa compulsiva, uma viciada em produtos de beleza que come a comida de young-goon, uma menina que só olha as coisas pelo espelho, um cara que se acha culpado por tudo e só anda pra trás, e park il-sun, um cleptomaníaco que usa máscara de coelho e acaba ajudando young-goon nas coisas dela. a missão dela é matar os médicos, e pra isso ela não pode ter simpatia, nem gratidão ou hesitação, então faz um acordo com il-sun pra ele tomar a simpatia dela. muito fofo ele fingindo instalar um conversor de calorias em energia pra convencer ela a comer, e depois todo mundo comemorando quando ela consegue engolir uma colher de arroz :') ela chora de um jeito bom de ver, bem criança mas bonito. ela é muito bonita, na verdade. ficou com as sobrancelhas descoloridas depois do incidente com os fios no pulso... cabelo volumosão, azul na raiz hehe. il-sun beija ela de um jeito bom também, carinhoso. ele tem uma coisa com desaparecer, os dentes sumirem, ficar pequeno. no final decifram o que a avó diz ser o propósito da vida de young-goon, que é exterminar o mundo, e ficam no topo de um morro no meio da chuva esperando um raio pra carregar ela com um bocadão de volts. massa! esquisitinho e fofo e engraçado e triste. quero ver mais filmes coreanos e mais filmes na vibe de god help the girl, que também conheci por lily. reconheci a palavra pra avó por causa de um quadrinho do monge han, "halmoni".
o tempo todo que olhava pra cara do ator principal eu pensava que ele chamava casey (e chama mesmo, irmão de ben affleck). não sei se a voz dele é feia mesmo ou só parece muito velha. rooney mara é a esposa, sabe, pô. moram numa casa simplezinha que dá medo nela porque faz uns barulhos. o cara morre num acidente de carro bem em frente da casa, e daí em diante é um fantasma coberto por lençol branco. na casa vizinha tem um fantasma também, que dá oi pra ele e diz estar esperando alguém que não lembra mais. distorção do tempo massa; "i just had it tuned" pro piano quando ainda tava vivo e a esposa dizendo que "that was a year ago". escreve uma música e mostra pra ela, quando começou achei ruinzinha mas a letra conversa mais com o fantasma do que qualquer outra coisa. futuro e passado, uma família latina, uma festinha com um cara chato niihilista, conglomerado futurístico, demolição, brancos pioneiros mortos por indígenas. por algum motivo o cara gostava da casa, queria ficar nela, e a esposa não entendia. o barulho no piano foi o fantasma desolado quando ele cedeu e disse que podiam ir. ela se mudou muito na vida e deixava recados escondidos pra caso um dia voltasse; o tempo todo o fantasma tentando arrancar o papelzinho de onde ela enfiou no batente da porta. no final, fechando o ciclo, ele consegue tirar, e assim que abre, puf. bem melancólico e devagar, foi bom de ver. rooney mara cinco minutos comendo uma torta, doido essa coisa de dar comida de consolo pra viúvos, né. não vou mentir, fiquei desejando uma torta dessas. gostei bastante da grandeza dessa música.
i care a lot(2020)
what? rosamund pike interpretando uma sapatão golpista do caralho. velhinhos, sabe, tipo, quem faz isso??? maldade destilada real. uma parceria com médicos que exageram diagnósticos pra dizer que não são mais capazes de se cuidarem sozinhos e aí serem cuidados pelo estado e mandados pra um asilo. marla é curadora e assume o controle das fortunas e administra os gastos, lucrando ao máximo porque sonha em ser podre de rica. mas então ela mexe com uma senhora cujas aparências enganam – jennifer usa uma identidade falsa há décadas e na verdade tem um negócio criminoso misterioso com o filho tyrion lannister. aí vem as ameaças, tentativas de homicídio, fugas improváveis, habilidades cuiudas e assim por diante. claro que o chefão percebe que essa doida é especialmente talentosa e propõe que se juntem pra ter um negócio gigantesco envolvendo desde curadores até remédios, e logo ela tá subindo na vida e toda toda. o fim é um cara lá do começo, que ela tinha proibido de visitar a mãe porque supostamente a estressava, dando um tiro nela pra dar o troco, e assim ela morre. kkk véi. assim, surpreendente, de um jeito estranho, mas foi interessante de ver, me entreteu depois de um jantar com as meninas. construindo uma imagem de que lésbicas também podem ser gente ruim, né, importante. bem netflix, mas é aquilo de ter filme com protagonista LGBT em diferentes gêneros... só que ainda extremamente branco, pra variar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário