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segunda-feira, 31 de maio de 2021

assistidos em maio (17)

shadow and bone S01 (2021)

descobri que aquele livro preferido de cindy, six of crows, faz parte do universo dessa série ("grishaverse"), e até seji vai ler os livros pra depois assistir, então fiquei com vontade de ver também. consigo imaginar dani no celular, assistindo isso dublado no horário de almoço da times... fantasia young adult, será que achei o ya que aprovo? finalmente entendendo as referências ao tal darkling, the fold, etc. esse muro de fumaça e monstros dividindo um país ao meio, criado por acidente por um grisha, que é uma pessoa capaz de usar o que chamam de little science pra manipular matéria. acreditam que só o oposto dessa escuridão poderia destruí-la, um grisha sun summoner, e alina acaba sendo essa pessoa. num instante ela é arrancada do amigo com quem cresceu num orfanato e passa a ser perseguida everywhere. um trio de vigaristas com o trabalho de capturá-la, uma galera que persegue e mata grishas porque os considera bruxos do mal, gente que vê alina como santa e gente que quer ela morta... nesse vídeo cindy se pergunta se as pessoas que não leram os livros iam conseguir acompanhar tanta informação sobre personagens, world building e etc logo de cara, e realmente senti os primeiros episódios meio pesados nesse sentido; tava até difícil dar conta das legendas, mas depois foi ficando mais tranquilo (só solidifiquei alguns conhecimentos graças aos destaques no instagram da série). vi comentários apreciando o protagonismo também, a representação de uma pessoa mixed-race e os conflitos a partir disso, só não consegui pegar muito o porquê dos shu serem vistos como inimigos, se quem criou a fenda foi uma pessoa do próprio país de ravka (os shu nem aparecem, na real, né). também vi críticas quanto ao uso do racismo individualizado em vez de sistêmico, considerando que tem vários outros personagens de outras etnias que não recebem nem metade do que alina sofre (esse vídeo foi ótimo). uns nomes eslavos, "moi tsar" e "moya tsaritsa", ketterdam baseada numa amsterdam do passado... fiquei pensando que era só ter uma protagonista lésbica e pronto, ela não ia se deixar seduzir pelo malvado metido a galã (velho demais pra alina, aliás – odeio essas coisas nojentas de "esperei por você a minha vida inteira") e já ia ter outro desenrolar. sempre suspeitei desse cara. príncipe caspian, engraçado. e como seria massa ter amizade no centro de tudo, sem brecha pra romance... bem especial a coisa de alina e mal (bonitinho esse menino, viu?); gostei de como os dois se apoiaram na infância e a explicação pra ela não saber que era grisha. novidade (pra mim) ver homossexualidade ser tratada tão casualmente em fantasia, com a colega no little palace falando de ficar com zoya (what a perfect nose she has) e jesper flertando com o cocheiro e se pegando com ele. pelo que vejo com cindy e etc tá aparecendo muito nessas fantasias jovens mais novas, que não acompanho. no começo tava reparando nas imperfeições de cenário e efeitos, as keftas com mangas meio curtas, o chifre do veado com cara de falso, mas no fim não me importei mais. gosto de inej e me pergunto o que move kaz a se comprometer com a liberdade dela; interessante a fé dela também (o olhar lindo emocionado vendo alina conjurar luz no salãozão!). putz, a nova clavícula de alina, que loucura (nojentinho o pedaço de osso na mão do general). bom os alívios cômicos com jesper, de leve. ficava o tempo todo contando pra ver se ia dar six crows heuhue. será que eles vão ficar unidos? alina tinha era que mudar a aparência, corta esse cabelo, minha filha. claro que o darkling ia sobreviver à fenda, né. ah, nina e matthias; gostei muito da personagem dela, o jeitinho que fala, afiada em toda frase, e como é agradável ver um corpo não padrão!... mas vi gente falando que ela não é plus size de verdade e que a netflix descartou uma oportunidade marcante vinda dos livros, que bosta. esses tropes de enemies to lovers, childhood friends to lovers, me sinto jovem me inteirando dessas coisas kkk. simoneandherbooks acha que vai levar mais uns 5 anos pra segunda temporada.

the mitchells vs. the machines (2021)

unalom recomendou pra #sextaremcasa e acabei fazendo isso mesmo. bem comum os filmes e séries do netflix terem contas no instagram agora, né (ou foi sempre assim?); unalom compartilhou essa "entrevista" com o cachorro que dubla o cachorro do filme (real! hauhah) e vi mais coisas legaizinhas lá. me surpreendi demais com como os mitchells se parecem com a gente! o pai fã da natureza e sem habilidades com tecnologia e internet, o irmão sabe-tudo de dinossauros, a irmã anos mais velha indo pra faculdade (e lésbica heheh), a mãe virando uma máquina de destruição kkk. ri alto de verdade em algumas cenas, tipo essa (que tem até a música de era do gelo 3!!!), e fiquei com um sorrisinho praticamente o tempo todo, e depois que terminou também. os créditos com fotos em família me deixaram sensível... fiquei pensando em como não tenho muito ânimo pra brincar com meu irmão e ser criança. eu tava mais disposta até pouco tempo mas nas últimas semanas me sinto como quando eu cuidava dele, tendo um bloqueio total a qualquer atividade criativa ou descontraída que ele me chama pra fazer... antes do filme ele tinha brincado com minha mãe com as coisas que resgatou do baú e isso também me deixou reflexiva. enfim, a irmã do filme é super descolada e doida, faz vídeos e desenha e anima com muitos efeitos, memes, etc. o filme é como se fosse uma das coisas dela afinal, bem nesse estilo soco de informações e estímulos visuais e sonoros e doideiras. é cansativo, devo dizer. a premissa de uma revolta das máquinas é bem clichê, mesmo, mas a história é sobre mais do que isso: katie e o pai sempre tiveram atritos e agora ela finalmente vai poder sair de casa, porque conseguiu entrar na faculdade e vai estudar na califórnia, mas o pai tem a ideia de levá-la até lá de carro pra terem uma viagem em família de despedida. nisso tá sendo lançada uma nova versão dessa inteligência artificial chamada pal, mas claro que a versão descartada arquitetou uma revolta pra capturar os humanos e jogá-los no espaço. de alguma forma os mitchells são os únicos que escapam e, com a ajuda de dois androids que deram defeito e ainda obedecem comandos, vão atrás de inserir o código-bomba no sistema. um filme bem divertido sobre mudanças, amor e criatividade :)

star wars: episode I - the panthom menace (1999)

gosto de como o preto parece uma coruja heh
tive que pesquisar pra entender o nome de qui-gon, pelo amor de deus. não sei se a dublagem desse foi mais confusa ou era só o menor conhecimento que eu tinha mesmo. ewan mcgregor como obi-wan jovem, é aqui que tem o clássico trancinha + rabinho de cavalo e ele é chamado de jovem padawan. (pensei agora em "pequeno gafanhoto" mas isso é de karatê kid, parece.) rainha amidala!!! gosto muito dos penteados elaboradíssimos, engraçado o tanto que mudam, e da maquiagem e das roupas também. percebi que ela mudou de cara, fiquei desconfiada e lembrei de keira knightley não lembrando mais que papel fez em star wars; no fim era estratégia de segurança pra rainha natalie portman. tinham 12 e 16 anos aqui só. a questão com ela é protegê-la de uma galera querendo forçá-la a assinar alguma coisa sobre uma rota de comércio, taxas e sei lá o que mais. o planeta dela é naboo, gosto das muitas cores nas roupas e em tudo. qui-gon e obi-wan trombando com jar jar binx, não dá pra entender nada que ele fala, não esperava que ele fosse tão besta e atrapalhado. legal a cidade secreta do povo dele ser embaixo d'água, um blob de ar em volta. orelhonas que parecem cabelo, eles são bem dinossauros, né. vão pra tatooine pra arranjar uma peça pra nave e encontram
anakin criança.
olhando de perto esses chifres tão estranhos...
 ele e a mãe são escravos, mas não parece muito pesado além da falta de liberdade. totalmente inesperado ele não ter pai, a mãe só ter engravidado do nada, alô jesus?... e c-3po criado por ele! uma corrida doida em que apostam tudo no menino, era nerd e piloto que nem luke, já percebem aí uma quantidade anormal das células de jedi ou sei lá. profecia de alguém que vai trazer o equilíbrio pra força, aham. medo e raiva sendo perigosos mas qui-gon insistindo, declarando kenobi como pronto pra fazer a prova pra poder pegar ele como aprendiz. isso de deixar a mãe pra trás vai dar errado, já tô vendo. darth maul, um sith, cara maul (risos) vermelho com chifres; já fiquei espiando minha mãe pra ver se ela desaprovava, preciso me acostumar que ela não parece ligar mais. por algum motivo ele me chamou a atenção, gostei dos traços do rosto pintado assim e principalmente das roupas, queria poder ter um estilo massa desses. no fim ele mata qui-gon antes de kenobi jogar ele no buraco (por que diabo todos esses lugares tem um buracão pro nada?). o conselho ou sei lá dos jedis com yoda, samuel l. jackson e vários outros aliens, ainda existiam em quantidade nessa época, né. meio confuso o que tá acontecendo, muita informação e personagens novos, tivemos que ver em duas parcelas. bom de ter conhecido personagens importantes e clássicos, mas não gostei muito, não. tão longo, né... esses nomes nunca são o que eu esperava na pronúncia, padmé amidála, ánakin. preciso olhar o original.

catfight (2016)

só tava na minha lista por causa de sandra oh, e boy, was i disappointed. a personagem dela tem um filho que parece da idade dela, me perguntei se era uma pegada pen15 mas era só mais um cara de 20 e poucos designado pra ser adolescente. rica por causa do casamento com um cara feio que aparentemente trabalha com uma empresa que recolhe destroços da guerra ao iraque. é isso mesmo? falam o tempo todo de guerra, bush, oriente médio e terrorismo, humor negro e crítica social foda. encontra com uma colega da faculdade, artista lésbica sem sucesso ajudando a namorada sendo garçonete no evento do marido da ota. ofensinhas sem sensibilidade, se encontram na escadaria e descem a porrada uma na outra, coisa de sangue e quebrar a cara mesmo. sandra oh vai parar no hospital e acorda anos depois, o marido e o filho mortos, suicídio e alistamento na guerra (praticamente a mesma coisa). tudo se inverteu, a amiga tá ricassa com os quadros vermelhos falando sobre a guerra e o capitalismo. tá tentando ter filho com a namorada, eca isso de esperar um cara se masturbar e ir lá botar o sêmen na vagina. brigam de novo, a outra que entra em coma, se reencontram no meio do mato na casa da tia doida da ota, blábláblá. chega pulei várias partes, as brigas, os barulhos de soco mentirosos. que bosta. nada se salva, não. uma personagem artista tem aquela voz fininha que parece de mentira igual aquela brasileira, flavinha, sei lá.

star wars: episode II - attack of the clones (2002)

well, this was even worse. uns 10 anos se passam, upgrade de anakin, mas adolescente chato que acha que sabe tudo e é melhor que o mestre. obi-wan bem rude com ele também, briguinhas e desentendimentos, um manda e o outro desobedece. não é possível que esse cara acha que tenha alguma chance com amidala, que conheceu ele pirralho, né? E DE FATO ACONTECE ALGO??? tudo errado, que nojo. fascista do caramba, fazendo piada com ditadura porque acha que a democracia não tá funcionando, como se apaixona por um cara desses? ela agora é senadora, foi rainha por dois mandatos, "uma das mais jovens a assumir o posto". ainda tão atrás dela, dessa vez pra matar; uma das sósias é pega nessa. um caçador de recompensas, um planeta que não aparece nos mapas, clonadores. adoreiiiii esses aliens, olha esses olhos, a altura...
e esse enfeitinho na cabeça hehe *-*
minha mãe achou que lembrava avatar, ok né. tão fazendo um exército absurdo encomendado pelo antigo líder da república; ele foi morto logo depois e ninguém ficou sabendo dessa. o atual é um cabeça-branca que não parece boa pinta, viu, tô achando que o imperador lá da frente vai ser ele. elegem ele como líder provisório do conselho galáctico (nesse ponto nem sei mais se tô inventando nomes), daí pra dar um golpe é dois tempos, já viu. amidala deixando jar jar responsável, really?... voltando pra naboo pra se proteger, anakin como protetor, história de amor do caramba. "i don't like sand" e blébléblé. pesadelos com a mãe, vai pra tatooine e descobre que foi vendida pra um cara que casou com ela. quando chega nele ela foi capturada pelos não sei o quê da areia que aparecem lá naquele primeiro filme; anakin vai atrás e acha ela à beira da morte, massacra todo mundo quando ela não resiste. a musiquinha de darth vader começando a aparecer de leve... ele tem um meio-irmão com cara de mais velho, hum. vão ajudar obi-wan, que seguiu o caçador de recompensas que foi molde pros clones, alguma-coisa fett; o nome com isso que já ouvi é do "filho", cópia inalterada que ele pediu, boba fett. mandaloriano? aquele escudinho legal. ah, os clones são os stormtroopers! acabam sendo úteis pra enfrentar o ex-jedi interpretado por saruman, liderança dos separatistas. padmé, obi-wan e anakin contra bichões numa arena, ani tendo o braço cortado, final com aparente casamento nojento, aff. única coisa que eu gosto nele é o apelido, ani. ok, ele é bom de olhar também, mas é abrir a boca que já estraga. deprimente como às vezes padmé usa armas e atira toda desconjuntada. ah, a cena na linha de produção robótica... pensei que anakin ia perder o braço ali. c-3po voltando a ser alívio cômico. espero que os próximos sejam melhores.

infinity train S01 (2019)

não lembro onde foi que vi teaser de algo mais recente, mas me interessei e baixei a primeira temporada pra ver como era. a protagonista é uma menina chamada tulip, empolgada pra um acampamento de desenvolvimento de jogos, mas que tem os planos arruinados pelos pais recém-separados que se atrapalharam na organização pra levar ela até lá. ela sai sozinha e no meio do nada aparece esse trem indicando a cidade que ela precisa ir como destino, então ela entra. logo descobre que cada vagão é uma meio que uma prova que ela tem que passar, um número na palma da mão que vai diminuindo conforme ela vai avançando; só chega no 0 quando admite sentimentos e atitudes em relação ao que tá acontecendo na vida dela. acompanham ela um robôzinho que ela chama de one-one e um corgi chamado atticus, rei da corgilândia. engraçadinho eles, gosto do lado mórbido de one-one (tem um "glad-one" e um "sad-one"). uma gata fazendo acordos, um robô com tentáculos do mal, uma condutora impostora com o objetivo de refazer o amor que perdeu (one-one é o verdadeiro condutor! nem ele sabia). rapidinho de ver, terminei de uma vez. umas coisas meio sombrias de leve, coisas pra revelar ainda provavelmente, mas não sei se me interesso o suficiente pra continuar. (talvez sim porque acabei de ver que a próxima temporada é com o reflexo liberto de tulip, um vídeo sobre transexualidade, hum?) bom pra passar o tempo, treinar inglês, etc. do cartoon network.

nation estate (2012)

curta da 2º mostra de cinema árabe feminino promovido pelo centro cultural banco do brasil do rio de janeiro. a diretora é larissa sansour, palestina, que recebe o foco na primeira sessão da mostra, de 19 a 25 de maio. ela é a protagonista aqui, uma mulher aparentemente chegando de uma viagem, andando com uma mala de rodinhas por um edifício futurístico. pega um elevador, ao lado do qual há uma placa enorme de destinos possíveis em cada andar. onde desce é onde mora, um apartamento hermético, branco esterilizado, comida em marmitas auto-esquentantes, janela de vidro de onde se vê israel (imagino). o prédio é a palestina, uma solução vertical pra questão do estado judaico e etc. uma crítica, uma piada. curtinho, efeitos parecendo de mentira, fiquei pensando que podia ser mais interessante como uma animação. música árabe, comida também. tô vendo tudo dia 25 então priorizei os filmes mais curtos e os da palestina.

a space exodus (2008)

"jerusalem, we have a problem". larissa sansour de novo, como diretora e personagem, uma astronauta a caminho da lua. "um pequeno passo para uma palestina, mas um grande salto para a humanidade". música de 2001: uma odisseia no espaço mas com instrumentos típicos da música árabe. acho que nunca tinha visto o nome larissa em alguém de outro país. bem simples e direto, como o outro. okzinho.

have you ever killed a bear – or becoming jamila (2012/2013)

sobre jamila, ícone revolucionário da resistência argelina à colonização francesa que revolucionou também o olhar sobre a mulher no mundo árabe. uma performance de marwa arsanios (what a cool name) em que ela reflete sobre as representações dessa personagem histórica, as atrizes que a encenaram, uma suposta "maldição" depois de interpretá-la – "todos os papeis que você fizer vão te afetar". reconheci a cena de jamila no bar, olhando em volta, colocando a bolsa no chão e empurrando pra perto do balcão com o pé, saindo antes da explosão das bombas caseiras. não soube dizer na hora que era do filme la battaglia di algeri, mas que massa revisitar agora. a batalha de argel foi uma das discussões que tivemos na disciplina de teoria literária lá no primeiro semestre da faculdade, em contraponto a l'étranger de albert camus. revisitei a resenha que fiz sobre o filme e achei até que bem escrita, interessante. bem boa essa música que é da trilha sonora do filme e foi usada no curta.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

assistidos em abril (10)

chung hing sam lam (1994)

finalmente vi chungking express; não lembro como descobri, talvez através de ing lee, que gosta do diretor (wong kar-wai). me apaixonei pela personagem de faye desde a primeira vez que vi algo com ela, talvez essa thumbnail (queria TANTO que meu cabelo ficasse assim espetadinho nesse comprimento). já tinha ouvido essa música, sem ver o clipe pro filme continuar surpresa; boa demais – e faye que canta!

ai, fala sério, não sei se quero ser ela ou beijar ela :~

essa é uma das personagens de destaque, mas o filme tem dois núcleos diferentes, então não tem bem um principal. nos dois tem um policial e é sobre romance; primeiro um mais jovem (e bonito) que levou um fora recentemente e tá no processo de aceitar isso, comprando latas de abacaxi com vencimento pra 1º de maio, o aniversário dele. determina que se até lá a ex não retornar vai ser a data de vencimento do amor deles. quando não encontra mais latas sendo vendidas ele come todas de uma vez, fiquei só pensando intoxicação alimentar que eu teria se fizesse isso. ele costuma sair pra correr quando tá triste pra gastar líquido no suor e não sobrar pras lágrimas; é assim meio bobinho. encontra uma mulher misteriosa no bar tarde da noite, que usa óculos escuros e peruca e tá envolvida em algum lance de contrabando com uns caras indianos, e ela dorme num quarto de hotel enquanto ele passa a noite se empanturrando de comida (me identifiquei). depois ela telefona pra desejar feliz aniversário, bem quando ele tinha perdido as esperanças de ser lembrado :) ele frequenta uma lanchonete em que a tal faye começa a trabalhar, cruza com ela e assim o foco troca. outro policial sempre vai lá e faye se interessa nele, mas o cara tem namorada, uma aeromoça. ele sempre leva o mesmo lanche pra ela, e um dia decide ouvir a sugestão do dono de levar algo diferente, mas depois de um tempo leva um fora também. nisso tudo faye só de olho, atenta a tudo, toda distraidinha e espontânea, sua coisinha linda do caramba. e música torando no rádio. um dia a ex aparece e deixa uma carta pro cara, que todo mundo da lanchonete lê antes dele (técnicas de abrir envelope sem estragar o papel que eu nem conhecia). ela deixa uma chave também e faye começa a ir no apartamento do cara quando descobre o endereço, fica mexendo nas coisas, arrumando e passando tempo como se não houvesse amanhã. um dia dá de cara com ele quando tá prestes a entrar, desculpas esfarrapadas e vergonhinha. na rua se trombam várias vezes, uma loucura essa cidade, aliás (hong kong). no fim ele chama ela pra um encontro, mas em vez de ir pro bar califórnia ela vai pra cidade, que já tinha dito que queria visitar. acaba com ela voltando depois de um ano, aeromoça (já???), o cara comandando a lanchonete, esperando por ela. ai meu deussss. adorei essa forma de contar história, de falar de romance. tão divertidinho também, a coisa de mexer na casa, o jeito que o policial conversa com os panos de limpeza e os bichos de pelúcia, o apartamento chorando... nossa, muito bom. parece que esse diretor é bem falado mesmo, preciso ver os outros filmes dele :)

star wars: episode iv - a new hope (1977)

qual não foi minha surpresa ao ouvir, lá em dezembro, minha mãe dizer espontaneamente que tinha vontade de ver todos os filmes de star wars! surgia assim uma faísca de um desejo em comum que nos uniria. tive que pesquisar qual a ordem em que devia assistir os filmes; aparentemente a de lançamento é a recomendada pra quem não tem nenhum contato com a série, já que é como ela foi pretendida para ser vista, e também pra não estragar as surpresas. empolgante aquela música dramática e o texto correndo no início, show ver isso pela primeira vez assim de verdade, sem ser referência ou recorte. c-3po e r2d2 conduzindo a história, não imaginei que eles não iam ser parte da galera desde sempre; princesa leia que despacha os dois da nave dos rebeldes em segredo quando darth vader e o império a invadem. já começa assim capturada, pô, tamo mal hein. explodem o planeta dela a sangue frio mesmo ela supostamente revelando onde a base da rebelião tava localizada, putz. o oficial lá da nave parece um cadáver, me lembrou os memes do príncipe philip. luke criado pelos tios, curiosidade pela mensagem de leia em r2d2 e a missão pra ben kenobi, morte cruel da família (os corpos ali torrados!) e olha aí a jornada do herói bem na cara. a ~força~ abrindo os caminhos, energia que flui em tudo, não sabia que tinha um cunho meio religioso e que só sobrava darth vader como praticante conhecido. a musiquinha no bar, super reconhecível! star wars é de um nível que nem dá pra mapear a extensão das referências, né, vai saber de onde conheço. e ninguém dando a mínima pro braço amputado ou pro sujeito morto, só mais um dia normal ahhushu. chewbacca aparecendo primeiro, co-piloto de indiana jones – então é ele o tal han solo... a millenium falcon também super reconhecível, gosto do puxão no brilho das estrelas quando ativa a velocidade da luz. ai meu deus a tensão sexual entre os caras e leia, why... uma perseguiçãozinha básica dentro da nave inimiga pra resgatar ela, um lixão com uma serpente na água que afoga luke just because, geral com uma mira ruim do caramba kkk. morte de obi-wan e explosões com som no espaço hehe. gostosa a ideia de uma base rebelde, planos comunistas, colegas pilotando naves. ataque certeiro à estrela da morte, claro que seria luke quem conseguiria! e claro que darth vader ia estar fora dela quando a destruíssem... final feliz com medalhinhas, uhul. no fundo tava me preparando pra achar entediante ou geek demais pro meu gosto mas achei realmente bom, super dá vontade de acompanhar e saber mais. nem tinha me dado conta que esses filmes são da década que minha mãe nasceu, deve ter sido bem massa gostar de ficção científica desde essa época. eu confundi stormtroopers com jedis na primeira vez que apareceram e meu irmão me corrigiu, dá pra acreditar?

star wars: episode v - the empire strikes back (1980)

uma ótima continuação! terminou e eu tava suspeitando que tinha visto que esse era um dos favoritos dos fãs e acho que é mesmo, dá pra entender porquê. já começa com luke apanhando de um bichão e precisando ser resgatado; achei estranho que não tava reconhecendo ele, chega fui olhar se tinham trocado de ator (acabei de ir procurar fotos pra dizer que nunca mais achei ele bonitinho como no primeiro filme e vi que o cara fraturou o rosto num acidente de carro... me sinto mal agora ahushu mas concordo que veio a calhar pra dar uma aparência mais experiente e madura).
parece que usaram cartilagem da orelha dele pra reconstruir o nariz :|
daí vem um drama idiota de han pressionando leia a "admitir" que gosta dele e por isso não quer que ele vá embora (porque, esqueci de mencionar, no filme anterior ele já tinha partido quando os rebeldes começam a atacar a estrela da morte, mas volta no último momento pra dar uma força – bem previsível, afinal)... beijo em luke só pra provocar, whyyyy. são atacados pelo império com uns veículos que parecem um bichão pernudo, vi aqui que chamam "all terain armored transport" (at-at), e depois de resolver isso luke parte pro planeta que o espírito de obi-wan falou pra ele ir. é aqui que aparece yoda! muito bom a sintaxe toda doida dele, me faz pensar em como deve ter ficado em diferentes línguas (nota mental: olhar a versão alemã). gostei do "try not. do or do not. there is no try" enquanto eles treinam; parece que é uma citação popular dele. confesso que xinguei luke de burro várias vezes por causa da impaciência e das decisões precipitadas dele; tem certeza que não é melhor ouvir a criaturinha verde de 900 anos de idade, meu filho??? é claro que ia ter uma armadilha esperando onde ele viu os amigos precisando de ajuda!!! esperto eles terem se alojado dentro de um asteroide antes, numa tempestade de meteoritos, e depois escapado com o lixo da nave do império heuhe. personagem novo, lando calrissian, amigo massa de han! mas teve que trair ele por causa da ameaça do império :/ pobre c-3po desmantelado sendo carregado nas costas de chewbacca. enfim a luta de luke e vader, o menino tá se superestimando como iniciado na força, eita um braço decepado! sempre a expectativa do maior spoiler da história do cinema, fiquei chocada que minha mãe não sabia huahsush. o coitado fica na fossa depois dessa, né, mas óbvio que iam reconstruir o braço facilmente, pelo menos. ah, o pessoal do mal testa o congelamento em han solo, muito a cara dele responder "eu sei" pro "eu te amo" desolado de leia se despedindo, né. essa review no letterboxd kkk
muito bom um universo em que a preocupação com a atmosfera dos planetas ter ar respirável simplesmente não existe, aliás. e acho interessante como r2d2 consegue andar tranquilamente em qualquer superfície huehue. queria ser fluente em mais de 6 milhões de formas de comunicação que nem c-3po.

quarta-feira, 31 de março de 2021

assistidos (8) em março

m-8: quando a morte socorre a vida (2019)

tinha visto o trailer um tempo atrás e achado incrível, carol também, e surpreendentemente foi colocado no netflix, então assistimos. o protagonista é maurício, garoto que entra na faculdade de medicina e percebe que mais corpos negros passam por lá como objetos de estudo em anatomia do que como alunos, e que ele tem mais a ver com esses corpos do que com os colegas de classe. a solidão nesse sentimento é profunda e pega muito pesado, especialmente quando ele conecta os pontos e começa a suspeitar que um corpo do laboratório (identificado como “m-8”) pode ser de um dos jovens desaparecidos buscados por mães fazendo protestos nas ruas da cidade. pior ainda quando ele vivencia situações de racismo, tanto na rua quanto na “escola” (como diz a mãe dele), que mostram que pra um negro estar ali existem muitas mais camadas a atravessar do que pra qualquer outra pessoa. cida, a mãe, é auxiliar de enfermeira e criou ele sozinha – facilmente a personagem mais foda do filme –, e quando maurício volta pra casa ferido e começa a faltar nas aulas ela dá um sermão de abalar as estruturas, lembrando ele de como ela nunca abaixou a cabeça diante dos obstáculos da vida e sempre se esforçou muito pra dar uma vida digna ao filho. ela frequenta um terreiro de umbanda e estar lá vendo o m-8 querendo falar com ele ajuda maurício a ter coragem de fazer algo pelos mortos. ele descobre que o corpo foi dado como indigente e que chegou no hospital com hematomas internos, o que pode ser considerado morte suspeita, mas claro que foi registrado como morte acidental. o protocolo da universidade diz que depois das aulas do semestre os corpos são encaminhados pra uma vala comum da prefeitura, mas com a ajuda de funcionários negros ele consegue tirar o m-8 de lá e fazer um funeral simbólico pra essas mães. cena sensível demais. e é isso, não foi tão uau como o trailer prometia mas gostei. muitas reviews falando sobre a resistência do cinema brasileiro em deixar o formalismo de lado, dos diálogos e atuações engessadas, das situações estereotipadas forçando um didatismo, mas acho que tem sentido nisso também, fazer o quê. que bom que tá no mainstream, numa plataforma tão acessível e acessada, pelo menos. baseado num livro que eu pensei que era de augusto cury por causa de algum comentário no youtube (é não!).

my octopus teacher (2020)

tinha começado a ver com carol lá em janeiro, mas continuamos/terminamos só agora. um cara volta pra onde cresceu, na áfrica do sul, e descobre um polvinho quando passa a mergulhar perto de casa. de alguma forma ele reconhece o polvo sempre que vai lá e meio que se tornam amigos, se acostumam à presença um do outro, e assim ele vai acompanhando o bichinho durante quase um ano. cê tem noção do que é mergulhar todo santo dia? ele fala do frio, aquela coisa louca da temperatura eletrizante, mas não deixo de ficar chocada com a habilidade de usar aquele coiso de sugar oxigênio da superfície. só isso e os pés de pato, é tudo que o cara usa pra passear debaixo d'água. ele é fotógrafo, se não me engano, e a máquina fotográfica dele é um negócio absurdo. a melhor parte desse documentário são as imagens, as cores, as formas, as criaturas! o oceano é incomparável, não tem jeito, uma beleza imensa. engraçado às vezes o aparente exagero do cara nas metáforas sobre a própria vida que via no polvo, mas no fim ele aprendeu muita coisa e se reconectou com várias outras também, então massa. aprendi que a diferença entre polvos e polvas é mais simples do que eu imaginava, e várias outras coisas interessantes sobre polvos também, aqui (muito boa a energia dessa mulher). curioso e válido assistir se houver a oportunidade de aproveitar o hd 4k.

toc toc (2017)

a aluna bruna, lá atrás, tinha me indicado esse filme por causa do assunto de transtorno obsessivo compulsivo, que ela tinha muito forte na época de enfermeira. já tinha ele na minha lista mas não sabia que era sobre isso antes dela me falar, apesar do título. é sobre várias pessoas, com diferentes obsessões, que marcam consulta com um doutor aparentemente muito prestigiado, mas quando chegam no consultório se dão conta de que tão todas designadas pro mesmo horário e ainda por cima o cara não chega nunca, então acaba virando uma terapia em grupo que resolvem fazer entre si. me arrependi de ter demorado tanto pra ver! cada vez que assisto um filme em espanhol eu fico querendo ver mais e mais; é muito bom, muito singular o jeito que as coisas funcionam, o humor, a atuação. o final me pegou muito de surpresa, em nenhum momento suspeitei que o doutor sempre esteve entre eles! achei que a representação de tourette's talvez tenha ficado meio torta, com base no que eu conheço, mas quem sou eu pra falar alguma coisa. não acho que seja considerado um transtorno obsessivo compulsivo mas faz algum sentido (também não pesquisei pra confirmar nada). além do velho reconheci a mulher religiosa, ela faz a lésbica de kika! bem diferente aqui, muitos anos depois, né. o cara das linhas achei bem galã, não vou mentir, e muito bom ele e a menina das repetições sendo casal! fofa demais ela também. não sabia da existência da aritmomania, que loucura. a recepcionista sendo só uma atriz, hehe. as loucuras da mulher germofóbica no banheiro! naquela parte em que todo mundo se desespera pra acudir a velha vi que o bonitinho pisou numa linha e achei que tinha sido erro, daí me surpreendi quando apontaram que tinha acontecido hehe. legal a conclusão deles esquecerem das obsessões quando tão envolvidos em outra coisa. e a amizade que se forma, o grupo no whats haushus e o nome!!! genial. ecolalia, né, aparece isso em tics também. parece ter boas críticas, mas gostaria de ver alguma review de alguém com toc pra saber se foi respeitoso. eu gostei bastante.

love on the spectrum (2019)

minissérie documental que acompanha diferentes pessoas no espectro autista que querem se relacionar amorosamente. vi com carol e gostava de como ela vibrava nos encontros, a gente ficava triste de verdade quando parecia uma coisa e no final era outra. os pais parecem ser firmeza e a especialista que ajuda eles é interessante; tinha achado bom as canetinhas coloridas e os esqueminhas que ela desenha pra falar das coisas mas depois de procurar reviews own-voice me toquei que é bem infantilização de pessoas no espectro... real a complexidade que é se relacionar, muito fácil take for granted (apesar de eu estar no grupo de gente que acha dificílimo também), mas entendi que é problemático essa representação de autistas como seres assexuais que precisam decorar regrinhas sociais pra se relacionem de maneira convencional. algumas dicas até são relevantes, como manter o encontro num 50/50, não sufocar de perguntas e virar entrevistador, não dar respostas definitivas que não dão margem pra conversa se desenvolver... gostei bastante de olivia, o senso de humor dela e a personalidade! achei tão daora o carinha que ela conhece e faz cerâmica, não esperava que fosse ficar na amizade mas bom também, afinal. michael tem muitas certezas, meio desesperador hushs mas ele é bem doce, mesmo. maddi é muito gente boa e engraçada e mark a coisa mais carinhosa, muito sensível, pô... lotus e o date no campo de girassois, mdsss, muito linda ela, toda nervosa hihi. massa ver como cada pessoa é única, como é mesmo um espectro :)) bom de ouvir os sotaques australianos (a "especialista" tinha o mais louco!), e que linda a cidade. o casal perfeito do primeiro episódiooo, e o outro do final mais fofinho ainda, ah! indiquei pra minha mãe. carol e eu gostamos do jeito de mostrar os gostos e desgostos dos pretendentes (referência a amélie poulain que só percebi revendo o filme) mas vi uma crítica falando que é meio nada a ver mencionar coisas/barulhos que eles não gostam e mostrar/tocar mesmo assim; verdade. pelo menos foi melhor que terrace house, que abandonei agora que não tenho a companhia de pölzl pra saber de tsubasa e shion.

back to the future (1985)

sabe que eu acho que nunca tinha assistido? quis ver com a família e fiquei incomodada do começo ser maçante demais pra uma criança de 10 anos. desnecessário a flertação toda, claro que ia ter uma nojeira da mãe tendo crush no filho, né... e ela pensando que o nome dele era calvin klein por causa da cueca kkk fiquei pensando nas minhas/de talita com as variações absurdas. feliz pelo ator principal ser tão baixinho, 165cm hehe. no começo eu tava achando o pai e a mãe muito esquisitos e logo suspeitei que era maquiagem pra aparentarem mais velhos porque com a viagem no tempo iam aparecer como jovens, dito e feito. gosto da cara e do estilo do pai de marty jovem, aquelas belezas estranhas notáveis, mas vendo ele atualmente percebo o potencial de pinta de vilão ou personagem esquisitão (ele faz o valete em alice in wonderland!). muito bom o ator que faz o professor, a melhor caracterização é sem dúvida a dele. aquele final dando brecha pro próximo filme, não esperava. não tem um negócio de 2019 nesse universo? tenho a impressão de ter visto algo assim um tempo atrás, mas pode ser de outro filme clássico. não achei muito bom não, mas interessante ver a evolução das histórias de viagem no tempo. sempre tô dentro. ah, massa também descobrir que mcfly é um sobrenome possível ahushu. que sorte voltar pro presente com um upgrade, hein. muito bom o estilo dos anos 80.

mononoke hime (1997)

não tem muitos filmes do studio ghibli dublados no netflix, queria assistir com mãe e irmão e percebi isso (já tá na hora de se acostumarem com legenda, mas né). coloquei princesa mononoke mas não lembrava que era tão longo, ainda bem que eu pedi pausa pra xixi na metade. muito bem feito o comentário sobre exploração de recursos naturais, desmatamento, desequilíbrio entre homem e natureza, etc. a metáfora da raiva, mágoa, fúria é muito boa!... uma contaminação mesmo, ashitaka resistindo, lutando contra, tentando agir como ponte, pacifista. a questão de gênero e deficiência na cidade de lady eboshi (mais sobre isso na wikipedia). o deus da floresta, como é bonito o florescer a cada passo... gosto dessas histórias que têm romance mas esse não é o tema central, que nem howl's moving castle. e é tão importante ver histórias em que o bem e o mal não estão bem divididos e solidificados, em que os personagens não são moralmente determinados... acho que esse é um dos meus favoritos, mesmo. não lembrava nem um pouco que a princesa não se chamava mononoke e sim san – the term mononoke is not a name, but a japanese word for supernatural, shape-shifting beings that possess people and cause suffering, disease, or death. não me conformo nunca em como é possível existirem trilhas sonoras tão potentes, que trazem tantas emoções à tona. moved me to tearsss. esse filme é muito maravilhoso, que bom que existe. sempre fico tensa quando percebo que as coisas que chamo minha mãe pra assistir falam de demônios e coisas do tipo. ainda bem que os kodamas ficam fofinhas depois de parecerem macabros hehe. eu lembro que fiz um desenho de san uma vez, na época do cv, talvez só da máscara. algum dia tiro foto pra deixar aqui.

loving vincent (2017)

na primeira aula de interpretação usamos van gogh como exemplo pra falar de como o quanto que a gente sabe do autor influencia na interpretação da obra – primeiro vimos só as pinturas, depois trechos de cartas dele pro irmão theo, depois a música (que eu não lembrava mas já tinha ouvido antes, a julgar pelo like nesse vídeo), o episódio de doctor who, uma audiodescrição... por fim ficou o filme como recomendação. teve um tempo que ele tava no netflix, né? não tava mais, baixei mesmo. que loucura fazer uma animação em que cada frame é pintado a mão, com tinta a óleo. mais de 63 mil frames! parece que o ator que interpreta vincent é polonês e mal fala inglês, escolheram pela semelhança de aparência e tiveram que dublar as falas dele. bonitinho o ator/personagem que conduz o filme, naquele terninho amarelo com o chapéuzinho. conta sobre as últimas semanas de vida de van gogh, depois dele sair da instituição onde se internou quando mutilou a própria orelha. não sei até que ponto é real a coisa do tiro na barriga, os amigos festeiros, o médico aspirante a artista obcecado por van gogh. quanta tristeza, quanta doçura também. isso de vincent querer ser visto como alguém que sentia muito... em doctor who falam bem. mais de 800 pinturas em uma década é muita coisa, putz. li as partes dele naquele livro tudo sobre arte, show o que ele fez e as inspirações que tinha, o legado que deixou. gostei da mocinha sorridente da hospedaria; não esperava saoirse ronan como romancezinho. muito bom as partes em que as pinturas dele viram parte da realidade! espero que a produção tenha sido boa pros artistas, sem muita pressão e condições ruins de trabalho... me emocionei com o filme, foi gostosinho de ver. acho que gosto mais de van gogh agora, tenho mais interesse. quero ler essas cartas dele, são publicadas pela l&pm aqui, pelo que eu vi.

quanto vale ou é por quilo? (2015)

paralelos entre os séculos xviii e xxi, estruturas de escravidão que não parecem ter mudado tanto assim de lá pra cá. filantropia e projetos de caridade mascarando um mercado de lucro e exploração capitalista. vítimas e reféns desse sistema de merda do caralho. corpos negros e periféricos na mão de brancos ricos corrompidos. as mesmas atrizes representando personagens diferentes, uma senhora de escravos que fazia tudo visando lucro e uma mulher com um projeto de ajudar os necessitados, uma escrava fugida arrastada de volta pro dono mesmo grávida e uma professora batendo de frente contra os empresários super faturando o laboratório de informática na periferia. angry black woman e macho branco estúpido. ainda bem que perde uma orelha e uns dedos. a "amiga" da mulher da ong se vendo sem saída nos acordos, oferecendo uma menina "limpinha e quietinha" pra ficar no lugar dela, negra, claro. o crime, sequestros, captação de recursos x redistribuição de renda. muita coisa aqui, a narrativa é bem única, chega a ser documental. e esse título... forte. não conhecia. tem a ver com um conto de machado de assis e umas crônicas retiradas de relatos factuais. incômodo, importante. final ambíguo.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

assistidos (8) em fevereiro

boy (2010)

oh!! gostei muito! não procurei se é meio autobiográfico ou não, mas o protagonista é um menino maori ("boy") criado pela vó porque o pai tava preso e é irresponsável. taika interpreta o pai, que surge com dois amigos e vão ficando na casa enquanto a vó tá em outra cidade ajudando algum parente. dão um monte de presentes com cara de roubo (tv, microondas, casacos...), um bocado de criança lá, boy cuidando, fazendo comida simples. também existe um irmão menor, quietinho, magia no olhar, desenhinhos. a mãe morreu no parto e ele se sente culpado. não se aproxima muito do pai, até porque foi depois da morte da mulher que ele sumiu, mas boy o vê como um ídolo e modelo a ser seguido. uma coisa engraçada de gostar de michael jackson, thriller tinha acabado de sair, e o pai com os amigos se chamam de "crazy horses". numa hora pede pra que boy o chame de shogun, uma brisa com samurais e um livro com esse nome. faz um corte de cabelo em boy que mirou no mullet de michael jackson mas saiu uma coisa quase buzzcut cheia de falhas, coitado. ficam fazendo buracos num campo onde ele escondeu uma quantia grande de dinheiro, mas quando boy encontra leva pra um lugar onde fica o bode de estimação dele e o bode destrói tudo. ficava levando maconha pro pai, pegando de uma plantação que o pai de uma amiga tem no meio de um canavial, e no desespero o pai pega tudo pra vender e se dá mal. a amiga aparece de olho roxo também, tadinha. e ela olhava pra boy com carinho, apesar dele gostar de uma menina popularzinha... no final se reaproximam. que gostoso uma hora dos amigos todos brincando em volta de uma casa quebrada, correndo livres, usando a imaginação. foi uma surpresa agradável, resolvemos ver sem planejar muito e todo mundo juntou e gostou. trilha sonora muito boa! e no final thriller com dança haka!!! acho muito legal a existência disso, as caretas :) e a representatividade, né, manda bem demais. tão lindo o atorzinho, também...

nomadland (2020)

essa véia (ok, nem tanto) de three billboards outside ebbing, missouri é muito barra pesada, pô. a cara da dureza. grande potencial sapatão. nesse filme ela mora na própria van, isolada da família e vista como esquisita. trabalha na amazon no fim de ano pra ganhar dinheiro, vai procurando bicos temporários pra ir se mantendo. se chama fern e pölzl e eu escolhemos interpretar pelo alemão, no sentido de distância, mais do que a planta em inglês. amizades muito boas, uma senhora de uns 70 anos que conta que quase se matou, mas percebeu que podia viver viajando e foi morar na estrada. outra senhora pra quem os médicos deram pouco tempo de vida e se despede de um jeito tocante. ver lugares lindos, animais, paisagens. massa que nos créditos várias dessas pessoas interpretam a si mesmas, então acho que tem um pouco de histórias reais. uma coisa muito latente sobre liberdade. tem até um cara que gosta de fern e quer que ela fique com ele na casa do filho, paciente e calmo o jeito que ele age com ela mas no fim ela parte. fica em aberto, na verdade, porque ela volta pra cidade onde viveu com o marido falecido e se desfaz do galpão onde guarda os pertences, visita a casa onde morava, sai pelo portão que dá pro terreno aberto... muita solidão, independência, mas muito legal a parte de ter uma comunidade que se apoia. parece que ela era professora; uma menina lembra de uma poesia que ela falava, fern compartilha com um jovem viajante os versos que jurou pro marido. muito amor e imensidão. gostei. e a trilha sonora, tão certeira... mariana ficou reparando.

hunt for the wilderpeople (2016)

boy subiu as expectativas de todo mundo com taika waititi e fez a gente quebrar a cara aqui. tem a desculpa de que esse não é roteiro original, mas adaptado de um livro infantil... serve? é sobre ricky baker, menino adotado por um casal que mora nas montanhas. a agente que cuidava dele dizia que ele era mal comportado e já tinha passado por várias adoções, mas com essa mulher dá certo, bonitinho até. bolsa térmica pra esquentar a cama, musiquinha de parabéns, cachorro de presente. mas do nada ela morre e ricky decide se meter na floresta depois que o viúvo diz que não pretende continuar com ele. o cara vai tirar ele de lá mas quebra o pé e acabam passando um tempão sumidos. nessa a agente já constrói um negócio absurdo dele ter sequestrado ricky e ser criminoso. um desentendido com caçadores, meses despistando polícia, uma garota bonita, um cara pirado, uma perseguição cuiuda. vai virando uma bobeira de proporções absurdas... no fim eles se reúnem de novo, apesar de ricky ter sido escroto e botado o cara na prisão, e vão morar com a garota e o pai dela (?). poucos momentos engraçados e o que tem de bacana não vale a pena.

the twilight saga: breaking dawn - part 1 (2011)

por acaso tem samba o ano inteiro no rio de janeiro? que esquisito ver gente se beijando na rua e dançando e eles decidindo fazer igual. tava tão prevendo uma vergonha alheia com edward falando português que me surpreendi quando ele conversou com kaure de um jeito aceitável (mas ainda formal, "ajudá-la", "eu a amo" heueh). bella fica horrível grávida, né... muito estranho parar pra pensar que na real a menina tem 18 ou 19 anos e tá ali encantada num bebê assassino. no parto jacob fica parecendo que olha pra renesmee, mas hora que tem o imprinting mesmo é a cena mais tosca, daquelas de lembrar falas do passado e flashbacks e flashforwards até, why!!! podia ter tido os pesadelos dela com a criança imortal. o tempo todo ela achando que ia ser um menino, não foi de verdade porque jacob não podia ser gay, é? não tem muita explicação pra essa parte. o cabelo de bella podia estar mais ajeitadinho no casamento, achei. os discursos no microfone kkk até bella ri da mãe cantando a lullaby. foi mudando a iluminação ao longo dos filmes, né. acho que nunca vi eles tão bem quanto nas cenas na ilha.

the twilight saga: breaking dawn - part 2 (2012)

putz, a vergonha alheia com esse nem se compara. quem achou que era uma boa ideia usar cgi na cara de um bebê??? quem se importaria se pegassem crianças diferentes pra ir fazendo as fases de renesmee? ugh. não sei se é porque assisti tudo interrompido, lendo o livro e depois voltando pro filme, mas senti que tudo era meio corrido ou enfiado uma coisa atrás da outra, tipo, não tem nem um momentinho de calmaria ou contemplação... os efeitos parecem tão medíocres, o jeito que eles pulam voando às vezes, a maquiagem!!! até a maquiagem tava ruim, dakota fanning tava toda esquisita, coitada. e as músicas deixaram de ser boas em eclipse, mesmo. edward tocando o piano pra chamar renesmee achei a coisa mais fofa. bem pouco dos ~shape-shifters~ (não lembrava dessa correção engraçada), super simplificado a coisa de receberem o recado de alice quando ela vai embora, o encontro com j. jenks também... e charlie indo ver bella dois segundos depois dela virar vampira, quase nada falado sobre a dificuldade de estar perto dele, aff. a "névoa" do poder de alec muito tosca, meu deus... o discurso daora que era de garrett claro que enfiaram em edward, né, além de deslocar total (na real nem sei se foi isso, porque teve uma conversa sobre lutar na casa)... aliás, lee pace! <3 sinceramente um dos melhores vampiros visualmente e etc, os cullen me dão agonia demais (e os volturi pior ainda, né). o final com bella abaixando o escudo dos pensamentos dela foi uma ótima desculpa pra fazer retrospectiva da saga. enfim livre!

ssa-i-bo-geu-ji-man-gwen-chan-a (2006)

...ou i'm a cyborg, but that's ok. conheci por causa de lily wilke, parece que ela gosta bastante. young-goon é uma jovem tipo susanna de garota interrompida que é internada numa instituição psiquiátrica depois de quase morrer cortando o próprio pulso pra se ligar a fios elétricos. a avó tinha sido internada porque só comia rabanete e cuidava de ratos como se fossem filhos, mas young-goon ficou com a dentadura dela e a usa pra conversar com a máquina de venda, com as luzes ou com o relógio. ela não se alimenta porque tá convencida de que vai quebrar se ingerir comida, mas por isso a bateria dela tá sempre baixa (tem que iluminar até o dedão do pé, mas só a unha do dedinho acende..). nesse lugar tem vários pacientes peculiares: uma mentirosa compulsiva, uma viciada em produtos de beleza que come a comida de young-goon, uma menina que só olha as coisas pelo espelho, um cara que se acha culpado por tudo e só anda pra trás, e park il-sun, um cleptomaníaco que usa máscara de coelho e acaba ajudando young-goon nas coisas dela. a missão dela é matar os médicos, e pra isso ela não pode ter simpatia, nem gratidão ou hesitação, então faz um acordo com il-sun pra ele tomar a simpatia dela. muito fofo ele fingindo instalar um conversor de calorias em energia pra convencer ela a comer, e depois todo mundo comemorando quando ela consegue engolir uma colher de arroz :') ela chora de um jeito bom de ver, bem criança mas bonito. ela é muito bonita, na verdade. ficou com as sobrancelhas descoloridas depois do incidente com os fios no pulso... cabelo volumosão, azul na raiz hehe. il-sun beija ela de um jeito bom também, carinhoso. ele tem uma coisa com desaparecer, os dentes sumirem, ficar pequeno. no final decifram o que a avó diz ser o propósito da vida de young-goon, que é exterminar o mundo, e ficam no topo de um morro no meio da chuva esperando um raio pra carregar ela com um bocadão de volts. massa! esquisitinho e fofo e engraçado e triste. quero ver mais filmes coreanos e mais filmes na vibe de god help the girl, que também conheci por lily. reconheci a palavra pra avó por causa de um quadrinho do monge han, "halmoni".

poster redesign por @lou2209

a ghost story (2017)

o tempo todo que olhava pra cara do ator principal eu pensava que ele chamava casey (e chama mesmo, irmão de ben affleck). não sei se a voz dele é feia mesmo ou só parece muito velha. rooney mara é a esposa, sabe, pô. moram numa casa simplezinha que dá medo nela porque faz uns barulhos. o cara morre num acidente de carro bem em frente da casa, e daí em diante é um fantasma coberto por lençol branco. na casa vizinha tem um fantasma também, que dá oi pra ele e diz estar esperando alguém que não lembra mais. distorção do tempo massa; "i just had it tuned" pro piano quando ainda tava vivo e a esposa dizendo que "that was a year ago". escreve uma música e mostra pra ela, quando começou achei ruinzinha mas a letra conversa mais com o fantasma do que qualquer outra coisa. futuro e passado, uma família latina, uma festinha com um cara chato niihilista, conglomerado futurístico, demolição, brancos pioneiros mortos por indígenas. por algum motivo o cara gostava da casa, queria ficar nela, e a esposa não entendia. o barulho no piano foi o fantasma desolado quando ele cedeu e disse que podiam ir. ela se mudou muito na vida e deixava recados escondidos pra caso um dia voltasse; o tempo todo o fantasma tentando arrancar o papelzinho de onde ela enfiou no batente da porta. no final, fechando o ciclo, ele consegue tirar, e assim que abre, puf. bem melancólico e devagar, foi bom de ver. rooney mara cinco minutos comendo uma torta, doido essa coisa de dar comida de consolo pra viúvos, né. não vou mentir, fiquei desejando uma torta dessas. gostei bastante da grandeza dessa música.

i care a lot (2020)

what? rosamund pike interpretando uma sapatão golpista do caralho. velhinhos, sabe, tipo, quem faz isso??? maldade destilada real. uma parceria com médicos que exageram diagnósticos pra dizer que não são mais capazes de se cuidarem sozinhos e aí serem cuidados pelo estado e mandados pra um asilo. marla é curadora e assume o controle das fortunas e administra os gastos, lucrando ao máximo porque sonha em ser podre de rica. mas então ela mexe com uma senhora cujas aparências enganam – jennifer usa uma identidade falsa há décadas e na verdade tem um negócio criminoso misterioso com o filho tyrion lannister. aí vem as ameaças, tentativas de homicídio, fugas improváveis, habilidades cuiudas e assim por diante. claro que o chefão percebe que essa doida é especialmente talentosa e propõe que se juntem pra ter um negócio gigantesco envolvendo desde curadores até remédios, e logo ela tá subindo na vida e toda toda. o fim é um cara lá do começo, que ela tinha proibido de visitar a mãe porque supostamente a estressava, dando um tiro nela pra dar o troco, e assim ela morre. kkk véi. assim, surpreendente, de um jeito estranho, mas foi interessante de ver, me entreteu depois de um jantar com as meninas. construindo uma imagem de que lésbicas também podem ser gente ruim, né, importante. bem netflix, mas é aquilo de ter filme com protagonista LGBT em diferentes gêneros... só que ainda extremamente branco, pra variar.

domingo, 31 de janeiro de 2021

assistidos (17) em janeiro

mars S02 (2018)

não sei se tem muito mais coisa pra dizer além do que eu já disse sobre a S01. a maior diferença dessa é que chega uns caras de uma empresa chamada lukrum (só com esse nome já dá pra imaginar as merdas, né) que só faz causar conflito. eles tão lá pra extrair coisa do solo e abusam da boa vontade da galera das antigas pra ter água, energia, etc. a doutora francesa descobre que tá grávida do galã espanhol (carol gosta muito dele) justo quando ela tinha avisado que ia voltar pra terra, sem chance agora. as loucuras da extração de petróleo no oceano aqui na terra, como pode existir aquelas plataformas monstruosas? e os derramamentos, puta que pariu. ativistas do greenpeace e afins, gente muito comprometida e disposta a arriscar a própria liberdade pra defender causas ambientais. pior que é urgente de verdade, né, véi. a irmã de hana morre de câncer :( tinha saído da presidência (não é bem esse o cargo né, mas enfim) pra poder viajar mas não aguenta chegar em marte, ninguém sabia de nada. que pesado que deve ser perder um irmão gêmeo. tempestade solar! contágio que se resolve da maneira mais simples! relações entre países rivaizinhos! termina com a esperança pro futuro, a bebê nascida, que loucura criar uma criança em MARTE. coitada, né, crescendo sem nenhuma companhia da idade dela, sem poder ir pra terra também porque o corpo não vai ser adaptado pra isso, já dá pra pensar nela aborrecente putona com os pais por deixarem ela existir. marsquakes em vez de earthquakes heuhue muito bom. hana e a colega da imsf sendo mais espertas que o escroto corporativo, in your face, bitch. a gente só fez passar stress com essa série, falar a verdade, viu. interessante mas nunca que eu reveria igual carol fez.

j'ai perdu mon corps (2019)

depois de um tempão pensando em que filme assistir e de 10 minutos gastos num filme em espanhol extremamente idiota, sobrou só carol, pölzl e eu e concordamos em ver uma animação potencialmente triste. queria ver essa há algum tempo, só não tinha acontecido ainda. começa com um cara no chão, choque no rosto, sangue e a mão decepada caída ao lado dele. mais tarde a mão escapa de uma geladeira de partes do corpo (onde diabos é isso? muitos olhos!), foge pela janela, enfrenta uma pomba, é atacada por ratos... fica intercalando com a história do cara, naoufel. tem uma pintinha na mão, perto da base dos dedos de fazer paz e amor. quando criança ele gravava os sons das coisas naqueles aparelinhos pra colocar fita cassete e ouvir com fones, muito show. a mãe era violoncelista, ele aprendia piano. queria ser pianista e astronauta. os pais morrem num acidente de carro e ele tava gravando, putz! triste os sonhos sendo esquecidos e a vida ficando miserável. ele adulto trabalha de entregador de pizza, sempre se atrasando, desanimado e ainda tendo que dar os trocados que ganha pro parente em cujo apartamento mora. numa noite de chuva em que ele se acidenta conhece gabrielle, mas só pelo interfone do prédio onde ela mora no 35º andar. conversa profunda e prolongada, massa. depois ele procura por ela na lista telefônica e descobre a oficina de marcenaria do tio dela, e consegue virar aprendiz dele e se mudar pra um quartinho super massa no lugar. ele gosta do que faz, mas quando passa um tempo e ele conta pra menina que a seguiu e por isso achou o tio e etc ela não gosta, óbvio. fez um iglu de madeira legal no telhado, mas poxa. desconta numa briga com um cara aleatório, volta pra casa com um soco, se distrai tentando capturar uma mosca igual fazia quando o pai ainda era vivo e o orientava sobre como conseguir isso, e pimba, relógio preso na máquina de serrar, mão brutalmente decepada. que agonia deve ser. no final a mão o encontra dormindo no quartinho, mas não se conecta de volta no pulso. termina com gabrielle encontrando a fita cassete no aparelho, o som de naoufel saltando do prédio, susto de ser suicídio, mas era pra pular num guindaste ali em frente. grito de vitória. neve caindo, suspiro. parece que tudo vai ficar bem. que bonito. gostei muito. fico com essa vontade de ir pra outro lugar e ter outra vida, fazer essas coisas diferentes, sei lá. trabalhar numa biblioteca que nem a menina, gravar sons como naoufel, escalar prédios em busca do horizonte. poder respirar e ter calma.

sib (1998)

documentário sobre duas irmãs iranianas de 13 anos de idade que há 11 anos viviam trancadas em casa. a mãe é cega e o pai fazia tudo, então quando saía deixava elas dentro de casa porque a mulher não podia tomar conta de outro jeito, e porque tinha medo por serem garotas. muito muito humilde tudo, o cara nem emprego tem, vive de dinheiro e comidas que dão pra ele. triste como em certas culturas as pessoas com deficiência são simplesmente inválidas, né. a mãe só aparece cobrindo o corpo todo, nem o rosto mostra. as irmãs parecem ter um retardo mental, mas pode ser por causa da privação de socialização; parece que os pais mal falavam com elas também. falam murmurando, fazendo barulhos só, ou usam palavras chave, frases prontas. o pai parece ter alguma coisinha também, meio velho ele. gêmeas não-idênticas, fiquei pensando naquilo de pra que ser gêmeo se for pra não ser idêntico haushu. os vizinhos que fizeram um abaixo assinado, uma assistente social levou elas mas depois devolveram sob a promessa de que os pais mudariam algumas coisas. muito louco o método dessa assistente social, tem uma hora que ela simplesmente aparece e tranca o cara pra dentro da casa, leva a chave, põe as irmãs pra fora de casa e manda elas irem fazer amigos, dá um serrote pro cara cortar as barras do portão e diz que se não fizer isso vai levar as meninas. elas ganham espelhos da assistente, bonitinho elas sorrindo e brincando com água. roubam picolés de um meninho que vende, uma vizinha paga, até uma cabra toma junto. querem comprar maçãs, depois conhecem duas meninas brincando de amarelinha, uma tagarela pra cacete. termina com elas indo buscar o pai pra comprar um relógio pra elas igual uma das meninas tem, depois da assistente dar a chave na mão delas pra tirarem o pai de lá se conseguissem. pesado tudo. carol que tinha que ver pra uma disciplina.

klaus (2019)

carol queria ver uma animação e nalu falou dessa no netflix. um cara folgado, que estudava pra ser carteiro mas tem pai rico, é mandado pra uma ilha no fim do mundo como punição. só pode sair de lá depois de mandar 3 mil cartas, se não me engano, mas o problema é que geral se odeia nesse lugar. as crianças não vão pra escola, só tem briga e más intenções, mas um dia o cara descobre um morador isolado com um depósito cheio de brinquedos e convence as crianças a mandarem cartas pra ele se quisessem ganhar brinquedos. nessa a escola é reativada (a professora tinha começado a vender peixe), a coisa toda de se comportar é inventada, e o lugar vai melhorando, estruturalmente e nos relacionamentos interpessoais também. as duas famílias inimigas que centralizam os desentendimentos querem acabar com isso e planejam um jeito de atrapalhar tudo, mas klaus (o cara isolado que fez os brinquedos) é mais esperto. acolhem o carteiro, apesar de descobrirem o acordo dele com o pai e por que ele tava ali, e no fim todos estão felizes e ele com a professora e klaus morre em paz depois de alguns anos (os brinquedos eram pros filhos que não chegaram a nascer, e depois a mulher morreu). okzinho, gostei da criatividade pra inventar os costumes natalinos (vão expandindo o megócio pra outras vilas e tal). ah, tem uma menininha indígena do povo sámi, margu, que habita o que hoje é a noruega. inesperadíssimo! fofinha demais, muito massa que não fizeram ela falando inglês :)

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

lidos (2) e assistidos (3) em dezembro

judy moody: judy de bom humor, judy de mau humor, sempre judy moody (megan mcdonald)

menininha mau humorada, melhor amigo rocky, preconceito com um colega de sala nerd que depois ela descobre que tem tudo a ver com ela, irmão mais novo, gatinha ratinha, clube do sapo... li com matheus enquanto tava na casa dos pais, começou sendo um capítulo por dia mas logo ele animou e acabamos lendo pelo menos dois. outra coisa ler pra criança, né, colocar emoção e surpresa na narração e se investir na história. foi uma experiência boa que nunca tinha conseguido com ele, talvez porque não era a hora certa ainda. dessa vez ele sentia minha falta e tá mais velho. o melhor de tudo foi fazer nossas próprias colagens "quem sou eu", igual judy moody fez pra escola! pedi pra minha mãe continuar a série com ele; até onde eu sei tá acontecendo. essa esperança de ser uma influência boa e uma inspiração pro irmão mais novo...

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aschenputtel (rosemarie künzler-behncke, markus zöller)

achei no sebo! a cinderela em alemão hahah. feliz de conseguir ler, afinal a indicação é de 2 anos de idade pra cima... linguagem simples, verbos que eu conheço, etc. bonitinho o jeito de contar, as ilustrações também :) e agora que pölzl tá com uma impressora posso escanear pros colegas lerem.

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soul (2020)

mal comecei a ver propagandas do filme novo da pixar e nalu perguntou se eu conseguia baixar, e assistimos um dia depois de ter sido lançado (a legenda tinha vários defeitos, inclusive). antes de assistir vi comentários no twitter sobre a disney não conseguir deixar um personagem negro com pele negra por um filme inteiro e sobre essa representação sempre burocrática do além-vida, em vez de retratar a perspectiva de outras culturas. enfim, joe gardner é o protagonista, músico que dá aula numa escola de ensino fundamental e não quer aceitar o contrato full-time porque tem esperanças de conseguir fazer o que realmente o cativa (tocar!). a mãe tem uma loja de roupa social e desaprova essas incertezas da vida do filho. e aí joe consegue ser chamado pra tocar com uma saxofonista foda e fica super feliz, mas cai num buraco e morre... no processo de passar adiante ele não se conforma, vira uma espécie de orientador de almas que ainda vão nascer, assume o posto de outra pessoa e fica com uma tal 22 conhecida por nunca ter sido convencida a nascer, mesmo com inúmeros mestres, famosos até. acabam se unindo num acordo de que ele ia nascer no lugar dela e ela ia morrer no lugar dele, mas acabam indo pra terra precipidamente, e joe cai num gato e 22 no corpo de joe. acaba que ela curte estar viva, observa as folhas, se diverte com os pequenos detalhes, mas joe age mal falando que isso não é paixão, é só viver. umas mensagens de que você não é seu talento, de que nossa missão é só viver, e não fazer coisas. joe aprende isso de certa forma, mas magoa a coitada bastante. tem um lugar onde as almas perdidas ficam, não só mortas mas de gente que se aliena pra conseguir seguir... foda. enfim, chorei muito me identificando com 22, apesar de no geral não ter me cativado muito. carol disse que esperava mais, analuísa ficou muito mal porque tem medo de morrer, e no fim ninguém conversou sobre (eu queria, mas tudo bem).

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happiest season (2020)

aff, concordo que abby devia ter ficado com riley no final em vez de perdoado harper. amando ver kristen atuar como ela mesma kkk as meninas admiraram muito ela, inclusive, tiraram até foto do momento em que ela se apoia no balcão durante o natal, encarando harper de longe, chateada. não fui com a cara dessa namorada em nenhum momento, mas bonitinho como kristen é baixinha perto dela. riley foi bem mais legal e mais interessante, compartilhou que se identificava em ser deixada de lado igual quando namorou harper e foi exposta por ela pra escola inteira sozinha. pesado, né. muito bom o amigo gay fada sensata indo resgatar abby daquela casa e dando um sermão tocante sobre o processo de cada pessoa com sair do armário. achei importante de existir pra outras gerações e tal; sempre bom ter mais representatividade em gêneros clichês, afinal. mas nada de mais o filme. foi legalzinho de assistir, passar tempo, dar sorrisinho. umas besteiras que só em comédia romântica, o amigo substituindo o peixe haushu. e o final podia ser outro, não vejo sentido nesse perdão depois de tanta mágoa. fiquei firme o tempo todo. ressignificando datas, né.

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mars season 1 (2016)

carol maratonou essa série inteira nuns dias de férias que deu a si mesma e foi engraçado o tanto que ela se envolveu e vibrou com o que acontecia. todo mundo assistiu pedaços enquanto isso e quando pölzl voltou do natal com os pais ela quis ver também, então resolvemos ver direto (carol embarcou junto pra rever). mistura ficção com documentário, gente falando de ir pra marte e tudo que isso envolve, possíveis problemas, avanços tecnológicos necessários, etc, e tudo sendo ilustrado na historinha. desde estudiosos e escritores até elon musk falando (cuja empresa spacex, por sinal, tem esse nome tosco). negócio de tentarem fazer foguetes reutilizáveis pra ter a capacidade de investir em viagens pra marte. a loucura que é considerar ir pra outro planeta enquanto a terra tá longe de ter os problemas resolvidos. strong female protagonist que ainda por cima gives off lesbian vibes e tem uma irmã gêmea correspondente na terra. problema na aterrissagem (amartissagem?) e caminhada básica de 70km até a base improvisada. segunda leva de gente com um botânico esquisitão que se mata num delírio levando mais 6 pessoas e a estufa toda. o problema da água e das tempestades de areia, gente fazendo coisa em lugares remotos na terra também. efeitos psicológicosss. descoberta de formas primitivas de vida. fiquei pensando em como o ser humano se acha o centro do universo e a última bolacha do pacote, né. se houver vida em outros planetas, qual a probabilidade de se desenvolver igual a gente? ou sequer de se desenvolver, na real, porque tem tudo aquilo de degraus evolutivos. e os milhões e bilhões de anos pra de fato observar alguma coisa...? o tanto de merda que pode acontecer, véi, não dá pra ter esperança. a conclusão é que não tem sentido ir pra marte se não for pra explorar, e que merda.

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

lidos (3) e assistidos (7) em novembro

nheengatu - a língua da amazônia (2020)

documentário sobre a língua geral amazônica na 44ª mostra! não esperava que ia ouvir português de portugal, mas o diretor é de lá. muito boa a música do começo, uma coisa que mistura elementos de cantos e instrumentos indígenas e elementos meio eletrônicos, psicodélicos. que imensidão que é o alto rio negro, as margens cobertas de verde, a água se misturando com o céu a perder de vista... o indígena que trabalhou como intérprete é conhecido de wilmar, faz parte do grupo de tradução dele, olha só! edson baré. compartilhei com o professor esse e um outro documentário, sobre a terra indígena arariboia (tentehar - a arquitetura do sensível), e ele usou na aula, passou a primeira meia horinha :) corrigiu o que o diretor fala no começo, que o nheengatu é uma língua inventada – não é. se relaciona ao tupi-guarani, luã disse que era bem parecido com o nhandewa. palavras do português que vazam pra língua ("pois é", números, "negócio de", "aconteceu")... nos lugares por onde passavam o cara dava um celular pra alguma pessoa e pedia pra filmar o que considerasse importante. numa dessas duas mulheres ficam juntas conversando sobre como esses brancos lucram em cima deles, que iam fazer dinheiro com isso, que uma delas queria um celular desses. muitos lugares cristãos, com frases do tipo "cristo salva!" e "quem ama maria, contente será" pintadas em escolas e etc. um senhor relatando como a religião o salvou da bebida, que não vai contra as tradições dele. diz que foi uma mulher dos eua que trouxe. uma outra falando que agora não sentem mais raiva, não falam mais palavrão. uma coisa doida de "exército de cristo" numa assembleia que reune muita gente, armas de madeira num gesto simbólico de proteção. outro conversando, dizendo que "para nós o lula foi bom", e que "eles querem virar brancos, mas o rosto não permite; a língua pode mudar, mas o rosto não"... no final a cerimônia do jurupari, que um velho diz ser alguma entidade ruim, diferente de jesus. flautas em dessincronizadas como a voz do jurupari, achei uma coisa fantástica, hipnótica. história do filho de um indígena que desapareceu do nada, sem deixar rastros; que pode ter sido os encantados. uma velhinha que fala de "parentes rebaixados", que estão no "tempo do atraso", não são civilizados :( ...sempre essas conversas, entrevistas, onde querem saber o que os indígenas acham da situação da língua, se tá crescendo ou não. o próprio edson diz que não costumava usar com a filha novinha, mas que tá começando agora. que ela ainda não entende por que ele faz isso, que não fala, mas o compreende e responde. "a gente tem direito de não esquecer da nossa cultura." triste, bonito. gostei de ver e de saber que existe.

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silêncio - o poder da quietude em um mundo barulhento (thich nhat hanh)

um dos livros que baixei gratuitamente, só porque andava pensando sobre o silêncio. embarcando nas auto-ajudas, hein. comecei a ler despretenciosamente, já faz tempo, mas depois de um hiato voltei e fez mais sentido, porque talita já tinha ido embora e eu tinha começado a tentar fazer yoga todo dia. (engraçado que, pensando agora, no começo eu tava lendo e pensando em como as meninas eram barulhentas desnecessariamente, às vezes. elas falam que eu sou misteriosa, tenho uma energia muito particular... eu sei que sou silenciosa. acho até que é uma das coisas que fazem com que eu me dê bem com elvira.) compartilhei coisas desse livro com pölzl, que gostou muito do que falei (sobre o mindfulness, a meditação e tudo isso não terem a intenção de colocar novas ideias na nossa cabeça, mas de ajudar a nos esvaziar das ideias que já temos), e com tati, que falou sobre o silêncio em movimento que ia tão bem com a prática de yoga. ambas tem essa proposta de respiração consciente, atenção ao presente... se você for capaz de estar presente, se puder ser livre, poderá ser feliz no aqui e agora. e não precisará correr para lugar nenhum. não é um livro perfeito, é um pouco repetitivo e algumas vezes fiquei chateada pensando que pra algumas pessoas virar essa chavinha não é simples como o autor coloca, por causa de coisas como depressão e ansiedade (portanto, todos temos escolha. você tem uma escolha. seus pensamentos podem fazer com que você e o mundo ao seu redor sofram mais ou menos. caso queira criar uma atmosfera mais amigável e harmoniosa em seu local de trabalho ou comunidade, não comece tentando mudar os demais. sua prioridade deve ser encontrar um espaço de tranquilidade no interior do seu corpo, para assim aprender mais sobre si mesmo. isso inclui tentar reconhecer e compreender seu próprio sofrimento). mas de qualquer forma, pela primeira vez senti que tava num momento possível de conseguir me entregar a isso, e foi realmente bom, tem me feito bem. cada capítulo falava de uma coisa, apesar de tudo voltar pro mindfulness, pro silêncio, pra ilha de si mesmo, e sempre tinha alguma prática no final, algum mantra. preciso revisitar, escrever e deixar à vista, talvez, agora. ao reconhecer pensamentos e desejos, e permitir que eles surjam e desapareçam, você terá espaço para se nutrir e entrar em contato com suas reais aspirações. umas coisas sobre os alimentos que consumimos (sensações, desejo e consciência, pra além da comida mesmo), sobre como nossa consciência afeta a do grupo e vice-versa... até sobre as coisas que cultivamos consciente ou inconscientemente se refletirem nos sonhos, ou escaparem em conversas (! aquela coisa de eu entender muitos sentimentos só quando falo sobre e faço sentido nas palavras). teve coisas interessantes sobre o corpo, também, e tati complementou de maneira absurda: o livro fala que você não é apenas o pequeno corpo que normalmente identifica como "você mesmo", fala dos monges do vietnã que se autoimolaram durante a guerra e sobre como utilizaram o corpo como meio para expressar uma mensagem já que não o enxergavam como eles mesmos, e tati tava contando que não tem gostado de olhar o próprio rosto, de se olhar no espelho, e que ouviu um podcast sobre budismo que diz que o último passo na prática é "cortar a cabeça", e pensou que a gente vai entendendo que não é nosso corpo, mas que tem esse apego a ele e por isso nos sentimos assim, porque queremos nos identificar, ainda. o primeiro passo é parar de pensar. precisamos nos voltar à nossa respiração e acalmar nossos corpos e mentes. isso nos proporcionará mais espaço e clareza para que possamos nomear e reconhecer a ideia, desejo ou emoção que nos perturba, cumprimentá-la e dar a nós mesmos a permissão para nos livrarmos dela. fiquei muito feliz quando vi que agi bem espontaneamente, outro dia, quando talita falou de sentir saudade de zé e eu disse que "acolhia o sentimento dela sem trazê-lo pra mim" (ela até disse que parecia algo que tati diria). mas vai ao encontro disso e até do que vi naquele filme between heaven and earth, que me tocou muito... precisamos oferecer à nossa mente consciente certo descanso e permitir à mente inconsciente que procure uma solução. precisamos “pisar no freio” intelectual e emocional e entregar o problema ou desafio à nossa mente inconsciente, da mesma maneira que, após plantar uma semente, confiamos no trabalho do céu e da terra. nossa mente pensante, ou mente consciente, não é o solo, mas apenas a mão que planta a semente e cultiva o solo por meio da prática da mindfulness frente a tudo o que fazemos durante o dia. a mente inconsciente é o solo fértil que ajudará a semente a germinar. massa. legal também a coisa de, antes de comer, sentir o corpo, acalmar os pensamentos e contemplar a comida, pensando em sua origem; já andava fazendo isso, olhando pro meu prato e agradecendo pela comida, feliz em poder ter tudo isso. e a parte de relacionamentos! (botei essa parte aqui embaixo como imagem.) o silêncio permite uma escuta profunda e uma resposta consciente, que são a chave para uma comunicação plena e honesta. aiai. e a importância de não fazer nada às vezes: a falta de ação é muito importante e não tem nada a ver com inércia ou passividade, trata-se de um estado de abertura dinâmico e criativo. ah, e a coisa de todas as célula do corpo participarem nesse silêncio, é isso, essa entrega. que bom que sinto que tô melhorando. é possível que você guarde muita tristeza, raiva ou solidão no interior do seu corpo. no entanto, quando se conectar com sua inspiração e expiração, poderá entrar em contato com tais sentimentos sem medo de se tornar seu prisioneiro. a respiração consciente é uma maneira de dizer: “não se preocupe, eu estou aqui, eu estou em casa, eu vou cuidar desse sentimento.” :)

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hikari (2017)

que filme lindo. acompanha misako, uma mulher jovem que trabalha com audiodescrição (a disciplina de tradução acabou de tocar nesse assunto, porque entramos em legendagem). o começo do filme é a descrição dela pro que vê ao seu redor, na rua – homens de terno e gravata esperando táxis com a cara fechada, outro olhando o celular, outro o relógio, crianças atravessando na faixa de pedestres... dá pra ver que ela é bem fascinada por isso, sempre buscando detalhar o que vê e faz, achar as palavras certas. fiquei pensando que esse exercício pode ajudar com ansiedades, focar nas sensações, etc. ela tá trabalhando num filme, junto com as pessoas da empresa que faz esse serviço e um grupo de deficientes visuais que avalia o que ela faz, e de início ela recebe críticas a respeito de estar sendo muito subjetiva ou preenchendo com coisa demais, atrapalhando a imaginação. a pessoa mais severa com ela é o sr. nakamori, um ex-fotógrafo que foi perdendo a visão. misako tem uma mãe sendo cuidada em algum lugar do campo (às vezes a visita), e o pai já é falecido. parece que ela era bem ligada a ele; a mãe acha que ele ainda vai chegar do trabalho quando o sol se pôr. misako lembra de cor as coisas na carteira do pai, o que ele deixou pra ela. cena bonita dela fechando os olhos sentada com a mãe, aquelas casas de madeira e portas de correr que dão pro ar livre, uma atmosfera verde, tranquila. de alguma forma ela se aproxima de nakamori, que a convida a tomar chá na casa dele e cozinha pros dois. ela admira a luz refletida em arco-íris por um prisma enquanto comem, descreve a cena, ele aprova. diz que quis um apartamento com muita luz do sol. em outra versão da audiodescrição misako recebe críticas também, dessa vez por não ter conseguido transmitir os sentimentos do filme, por ter deixado tudo muito seco. uma coisa que me abala aí: "como é triste ter as coisas destruídas pelas amarras das palavras". chega a discutir com nakamori, diz que ele nunca expressa nada enquanto assiste e acha que o problema não é a descrição dela, mas a falta de imaginação dele. tem uma hora em que ele se encontra com amigos fotógrafos num bar ou restaurante, e indo embora tropeça e cai feio na rua. percebe que alguém furta a câmera dele, aquelas analógicas que parecem um cofrinho. foi o amigo e ele percebe, vai até o estúdio dele pegar de volta, acende a luz na câmara escura mesmo. nakamori diz que a câmera é o coração dele, mesmo que não possa mais usar :( misako encontra ele depois disso e ele a fotografa, o que pra mim foi ele deixando ela entrar no coração dele. eles vão até um lugar montanhoso de onde ele fez uma fotografia do sol que misako gosta, a pedido dela, e lá ele joga a câmera fora. inesperado! os dois contam que corriam atrás do sol se pondo quando pequenos. e em vez de "ele olha para o céu com esperança" ou "contra o céu plácido" (algo assim), a versão final da audiodescrição dela deixa uma frase assim pra cena final do personagem que sobe uma duna de areia contra o sol: "a sua frente... luz". que tocante. ela chegou a falar com o ator/diretor do filme, e ele diz uma coisa interessante também, que tem gente que quer continuar a vivendo mas tem que morrer, e tem gente que quer morrer mas precisa continuar vivendo (a respeito dele/do personagem ser um idoso, que pode morrer a qualquer hora, e teria preferido morrer, mas tem que continuar). a música, as filmagens bem fechadas no rosto de misa, os devaneios dela... tudo tão doce. uma coisa que me parece muito particular de produções japonesas. que bom que eu vi, último dia no sesc digital. chorei bagarai.

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i may destroy you (2020)

não sei por que ainda não consegui fazer review disso
arabella sendo nome de gente real (ok, protagonista de série, na verdade) e não apenas de música do arctic monkeys

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terra sem pecado (2019)

curta do festival mix brasil, que é tudo sobre diversidade. esse é sobre indígenas lgbt, em formato de entrevista – quatro jovens estudantes da unb compartilhando suas experiências, cada um de um povo. "você não vive sua sexualidade no individual, é tudo no coletivo" e algo da cidade participar na sexualidade, de certa forma. a dificuldade de ser indígena, homossexual e nordestino, e a violência triplicada em ser mulher e tudo isso. um relata queficava em casa pra evitar encontrar pessoas na rua e passar por situações desconfortáveis. outro diz que a cidade foi mais impactante do que a aldeia pra ele. um tem familiares que nem permitem que passe na frente da porta deles :/ é uma liderança num movimento indígena, mas diz que não fala sobre a homossexualidade porque não se sente à vontade. a mulher indígena baniwa tinha um nome lindo: braulina aurora. no começo tem uma imagem com três naus portuguesas onde cada uma é uma coisa: moral, pecado e culpa. preconceito, homofobia e machismo como heranças da colonização, partindo da igreja – absurdamente horrível a história de tibira, né... pensando nas crianças que passam hoje pelo que ele já passou; lembra que só queria conversar ou chorar com alguém :( sem referências... braulina fala de casais que tão juntos há 60 anos :') falam da universidade como fundamental pra desenvolver a autonomia, "minha essência não mudou, mas agora eu sei me defender". show. "saindo da escuridão e dando voz aqueles que ainda não têm essa coragem", "não é só a minha voz, é a voz de outras pessoas também". é isso.

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the act (2019)

não sei por que ainda não consegui fazer review disso²
come on we all know why

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the twilight saga: new moon (2009)

esse filme é maravilhoso!!! ok, nem tanto, mas o primeiro é tão ruim que esse ficou parecendo uma obra de arte, em comparação. e também porque fazia tanto tempo que eu não via; foi revigorante a energia de amizade com jacob, a cor amarelada viva de tudo, a trilha sonora perfeita – aquela cena de victoria na floresta, harry vendo e tendo o ataque cardíaco, os lobos correndo atrás, a águia vista de cima!!! wow –, sei lá. talita criticou o efeito do penhasco, os mergulhos na praia, mas tudo bem, por mim. no filme ela vai dar uma volta de moto com o cara, né, louca. edward é visível nas alucinações porque eles tinham que enfiar robert pattinson em algum lugar. é de lua nova que tenho revistas e o guia oficial ilustrado, então eu não devia ter me surpreendido em gostar tanto desse filme... ahsuhs por quê? putz a cena do reencontro em volterra, perfeita a reação de edward com "heaven" e a surpresa e o sorrisinho desgraçado dele. que raiva desse cara viu, eu fico querendo ser ele, SER, sabe? porque quando que eu vou me identificar com bella ou qualquer personagem visivelmente feminina, afeminada??? gosto dos músculos alongados de robert, em vez dos pocadões de jacob, por exemplo. a desconjuntura da altura e magreza, esquisitice. já tava misturando as coisas pensando que a votação de bella era em crepúsculo (talita pensava que era em eclipse); sempre muito bom rosalie falando que queria que alguém tivesse votado "não" pra ela. e o final com edward pedindo bella em casamento! a respiraçãozinha dela e fim, show. mas não precisava ter tido o conflitinho dos macho alfa entre ele e jacob, né, já falei. jacob tirar a camisa daquele jeito pra limpar o sangue de quando bella bate a cabeça (aliás, que batida agoniante! diretão na pedra, ai) foi tão desnecessário... só imaginei minha mãe vibrando. a cena do cinema, jacob ficando nervosinho com mike, massa. kristen tá linda aqui, hehe. agora, uma coisa que eu nunca vou entender é como edward chegou na itália tão antes delas a ponto de ter conversado com os volturi e resolvido fazer a ceninha dele, sendo que tava no rio de janeiro quando falou com jacob e provavelmente pegou avião não muito antes de bella e alice. chega fiz as contas e não bate. mas o que é que eu tô esperando de um livro sobre vampiros e lobisomens, né kkk

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aleluia, o canto infinito do tincoã (2020)

filme-documentário sobre mateus aleluia, que era membro do grupo os tincoãs, aquele da música que ouvíamos tanto na casa do mato. tati que indicou, tava num tal festival do filme documentário e etnográfico de belo horizonte que teve em novembro. mandou o link no grupo dos micélios e acabei vendo antes deles, e depois não tava mais disponível, então foi só eu mesmo. mostra ele em angola, onde foi viver, parece, e onde ele diz se sentir perfeitamente em casa. o grupo é de cachoeira, na bahia... bem bonito as gravações antigas deles, e as de agora, mateus solo. as histórias dos amigos, da família, dos orixás. uma filmagem absurda dele ouvindo um troncão cortado, encostadinho apoiado na bengala. gostei muito de uma parte em que ele fala sobre o invisível, queria lembrar com exatidão como foi, mas algo sobre as coisas que não vemos existirem desde sempre e serem muito maiores e mais reais do que as coisas que vemos. fez tanto sentido naquele momento, ressoou de uma forma potente. filme curtinho, foi o tempo de eu fazer musculação, praticamente. choreizinho.

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howl's moving castle (diana wynne jones)

ai, que coisa mais linda é esse livro. não esperava que seria tão perfeito, apesar do filme do studio ghibli ser o meu favorito! a escrita é uma delícia, levinha e engraçada, voltando pra umas coisas pragmáticas, pontuais. sophie é tão ranzinza e enxerida, o melhor foi howl falando que quebrou o pescoço pra chegar no castelo da bruxa e quando consegue encontra ela lá tidying up já ahsuhsu. eles só comem ovos com bacon e pão com mel! chega fiquei me perguntando se era gostoso esse último. não lembrava mais de muita coisa, e nem pensei que tinha tudo no filme (ainda não reassisti, mas vi uns gifs por acaso e tem uma criancinha sendo michael, um cachorrinho peludo sendo percival... não lembrava mesmo). a coisa toda de ser a irmã mais velha, um fracasso, não pensar antes de agir. e quando howl diz isso ela pensa antes de agir, presta mais atenção... ai, sabe. ela percebendo os efeitos de howl sobre ela hihi. e achando que é de miss angorian que ele gostava! total não esperava que ela seria o fire demon da bruxa. muito esperto toda essa magia, gostei tanto da fantasia aqui! a própria sophie sendo capaz de dar vida às coisas, ajudando o espantalho sem saber. e que loucura a mistura do príncipe justin e do mago suliman! perfeição ela não indo com a cara de miss angorian e se sentindo melhor por isso quando percebe o estranhamento dela com calcifer: she stared at calcifer in a vague, frowning way, as if she was not sure what she was seeing, and calcifer simply stared back without saying a word. this made Sophie feel better about being so very unfriendly. only people who understood calcifer were really welcome in howl's house. a honestidade de howl sobre ser covarde, a investigaçãozinha secreta sobre sophie... era ela quem ele procurava, afinal. a coisa dele não ser capaz de amar ninguém :( não lembrava também dessa coisa da maldição. e as irmãs, tem irmãs no filme? trocando de lugar porque uma queria ser aprendiz de magia, muito bom. o reencontro de todo mundo no final tocou meu coração. tudo arquitetado por howl pra sophie não partir, quem diria! e calcifer que é uma estrela!!!, pensava que ia morrer, howl fazendo acordo e o coraçãozinho dele lá... ahsush quando o fire demon aperta ele e howl desmaia na hora, e calcifer diz que "he's got a really soft heart!" :) justin e suliman sorrindo um pro outro no fim, um deles com o xale de sophie haushu e howl e ela não dando atenção pra nada acontecendo ao redor, sorrindo um pro outro de mãos dadas, ai meu deus!!! fofurinha a coisa da irmã dele e os sobrinhos, também. no fim ele e suliman são de wales, então parece ter uma intersecção com o mundo real aí, né? vi que a autora era de lá, ou morava lá. gostei da palavra "welshman". fui lendo devagar, um capítulo por vez, tudo em voz alta, porque não queria que acabasse. fui escrevendo no livro também, coisa que quero fazer mais (mas pra isso tenho que ter livros meus, né, só leio coisa emprestada ou da biblioteca quase). sinto que vai ser uma história pra qual vou me voltar sempre; foi tão bom esse quentinho no coração que ela deu, tão raro; queria encontrar mais. queria poder ler em edições físicas os que vem depois, apesar de não parecer serem continuações exatas. agora tenho que voltar pra checar o significado das palavras que circulei enquanto lia (foi legal ver o quão mais eu sei agora, comparado a quando comecei esse livro, anos atrás).

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the yellow wallpaper (charlotte perkins gilman)

era um dos audiolivros gratuitos do audible (na verdade, é a primeira história de um audiolivro com várias histórias de charlotte perkins gilman) e coloquei pra ouvir num desses dias desordenados que tô tendo. é contado em primeira pessoa por essa mulher passando pelo que chamavam de colapso nervoso ou algo do tipo, mas que provavelmente é só depressão mesmo ou depressão pós-parto, e que vai passar um tempo numa casa de campo com o marido pra melhorar. ele e o médico a proíbem de escrever, mas ela mantém um diário em segredo e conta da casa e do que tem ao redor dela. o quarto onde fica tem um papel de parede amarelo, velho e descascado, que ela passa a observar cada vez mais obsessivamente. chega a ser meio possessiva, não gostando quando percebe a empregada olhando pra ele, diz que só ela conhece seus detalhes. ela descreve o padrão do papel de parede como confuso, primeiro pareciam olhos, mas também folhas, e um redemoinho, sei lá. ela vê uma mulher presa nele, e aos poucos a mulher escapa, até que no final é ela mesma, louca. achei muito bom, a atmosfera ficando mais tensa, mas não necessariamente sinistra, por causa da expressividade da narradora. foi menos de 40 minutos; me ocupei desenhando e fazendo coisas com as mãos enquanto ouvia. podia tentar fazer isso com mais frequência.

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kika (1993)

o kasal tava com 30 dias de teste de telecine play, porque analuísa precisava ver um filme pra disciplina de movimentos sociais, e resolveram ver filme com pölzl e comigo. um tempão pra escolher e saiu esse no sorteio, "vai ser bom, é almodóvar", "bom de ter uma carreira consolidada é isso, você não tem filme ruim". claro. filme esquisito da zorra, totalmente inesperado, humor negro desconfortável. kika é uma maquiadora, mulher de uns 40 anos meio perua, que conhece o americano nicholas quando o maqueia pra um programa tosquinho em que uma senhorinha o entrevista lendo as perguntas numa folha (no fim diz que não vai ler o livro dele porque não enxerga muito bem, mas que vai recomendar pro filho). kika tá interessada em nicholas e quando ele a chama pra casa dele pensa que é pra transarem, mas era pra ela maquiar o enteado dele, ramón, que supostamente tinha morrido, mas era só um dos acessos de catalepsia dele. dali um tempo ele e kika é que tão juntos, e nicholas é amante dela. no começo a esposa dele se mata e deixa um bilhete pra ramón, tudo meio esquisito, nicholas com um tiro no braço como se ela tivesse ameaçado ele, mas no fim ele é um serial killer. escreve os próprios crimes, afinal; trecho interessante sobre matar ser como cortar as unhas – antes de fazer parece que vai demorar mais do que realmente demora, e depois parece que vai levar tempo até precisar fazer de novo mas quando menos espera já tem que fazer mais uma vez. tem uma personagem muito doida, andrea caracortada, que é ex (?) de ramón e apresentadora de um programa bizarro, "o pior do dia" ou algo assim, em que ela se veste toda macabra. meio elvira e aquelas outras relacionadas. essa andrea vive aparecendo em cima de nicholas ou ramón ou kika vestindo uma roupa de marciana com uma câmera na cabeça, cheia de perguntas, enxerida e cheia dos contatos misteriosos. a empregada de kika e ramón é juana, lesbicona mas bem feminina, e tem um irmão preso que era ator pornô. diz que ele tem problemas na cabeça e que deixava ele abusar dela pra não ir nas vizinhas, que desde pequeno fazia sexo com as cabras e vacas, jesus. ele foge da prisão numa procissão esquisita onde homens mascarados se chicoteiam, e aparece na casa de kika, e a estupra. dois policiais imprestáveis avisados por um voyeur que no fim é ramón, chegam lá e têm dificuldade de tirar o cara de kika, tá lá tentando bater o recorde de gozar 4 vezes sem "tirar". andrea descobre os crimes de nicholas e os dois se matam no final, ramón salvo pela catalepsia, kika chegando nos últimos momentos de nicholas. termina com ela dando carona pra outro bonitão em vez de ir atrás da ambulância de ramón, se livrando dessa galera estranha, pelo menos. bem exaltada ela, aquelas coisas de espanhol falando estridente e super rápido, faladeira, emocionada. tudo doido, nojento, nicholas dublado... podia viver sem essa tranquilo.

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hauru no ugoku shiro (2004)

meu deussssss, meu coração. como que eu só tinha assistido esse filme uma vez na vida??? o studio ghibli é muito especial, capricha em cada detalhezinho que é absurdo. o cachorrinho heen se virando pra voltar a ficar de pé depois que sophie carrega ele escadaria acima, calcifer corando de vergoinha de sophie ter elogiado ele, as estrelinhas caindo, as figuras de sombra dançando de mãos dadas que aparecem com os feitiços, o quarto de howl!!! não lembrava nem um pouco que suliman aqui era uma mulher, não desaparecida como no livro mas feiticeira real, e malvada ainda por cima. muito menos que ela desmagicava a bruxa das terras abandonadas (! tradução) e que sophie trazia ela pra turma! michael criancinha, não quer que ela é embora, fala sobre família... vi em algum lugar uma discussão sobre howl saber que sophie tava amaldiçoada e que na verdade tinha 18 anos, mas não concordo com essa idade não, viu. ela é a mais velha das irmãs, afinal, e howl é descrito como estando nos seus ~late twenties~, então acredito que ela tá por aí também, pelo menos próxima de 25. e encontra uma família prontinha T_T a coisa dela ver a infância de howl e ele ter salvado/feito o pacto com calcifer tão novinho, um coração de criança... não vou reclamar do número bem maior de cenas sugestivamente românticas no filme, aliás. e sophie indo e voltando nas idades, quando dorme, oh! ou será que é só o que howl enxerga? muito louco isso dele se transformar num passarão, show. anti-war bird boy!!! miyasaki pega sempre nisso né, foi uma adaptação muito boa pra história do livro. no original nem é nada de mais, afinal, só a bruxa consumida pelo demônio do fogo dela e ele querendo um novo coração. um pouco otimista demais suliman perceber o que tá fazendo no final e decidir acabar com a guerra assim, de uma hora pra outra. o espantalho quase não apareceu de volta à forma humana, mas encaixou bem nessa de ser príncipe e parar com essa palhaçada também. a questão do beijo do amor verdadeiro não vi necessidade, mas tudo bem. ai, tão doce sophie falando com a "vovó" pra ela devolver o coração de howl, "você o quer tanto assim?" e a resposta certeira. olha esse amor, sabe. me despedaçou. não tinha pensado nisso mas realmente quase que só tem uma música esse filme auhsuh a que eu gosto tanto (aliás, chega chorei com essa interpretação incrível!). essa é bem bonita também. aqui fanny é mãe de sophie mesmo, ou pelo menos é assim que ela a chama, em vez de madrasta. queria que tivesse um pouco mais evidente que sophie também é meio mágica, talvez nos chapéus ou com o espantalho... eles limpando a casa e lavando roupa <3 essa sophie é um pouco menos ranzinza que a do livro, né. howl é apaixonante mesmo uhaush nível gay que eu queria ser, que nem brau. não teve wales ou família de howl no filme também, nem mais de uma irmã pra sophie, nem mrs. fairfax. mas quero rever já. que lindo eles andando voando já logo no comecinho! desde lá sophie já tava dando pala da paixão kkk. bom demais ele de toalhinha na cintura fazendo drama pela cor do cabelo, o rêgo aparecendo quando senta na cadeira, sophie cuidando dele e subindo ele pro banheiro :') é isso, perfeição.