nheengatu - a língua da amazônia (2020)
documentário sobre a língua geral amazônica na 44ª mostra! não esperava que ia ouvir português de portugal, mas o diretor é de lá. muito boa a música do começo, uma coisa que mistura elementos de cantos e instrumentos indígenas e elementos meio eletrônicos, psicodélicos. que imensidão que é o alto rio negro, as margens cobertas de verde, a água se misturando com o céu a perder de vista... o indígena que trabalhou como intérprete é conhecido de wilmar, faz parte do grupo de tradução dele, olha só! edson baré. compartilhei com o professor esse e um outro documentário, sobre a terra indígena arariboia (tentehar - a arquitetura do sensível), e ele usou na aula, passou a primeira meia horinha :) corrigiu o que o diretor fala no começo, que o nheengatu é uma língua inventada – não é. se relaciona ao tupi-guarani, luã disse que era bem parecido com o nhandewa. palavras do português que vazam pra língua ("pois é", números, "negócio de", "aconteceu")... nos lugares por onde passavam o cara dava um celular pra alguma pessoa e pedia pra filmar o que considerasse importante. numa dessas duas mulheres ficam juntas conversando sobre como esses brancos lucram em cima deles, que iam fazer dinheiro com isso, que uma delas queria um celular desses. muitos lugares cristãos, com frases do tipo "cristo salva!" e "quem ama maria, contente será" pintadas em escolas e etc. um senhor relatando como a religião o salvou da bebida, que não vai contra as tradições dele. diz que foi uma mulher dos eua que trouxe. uma outra falando que agora não sentem mais raiva, não falam mais palavrão. uma coisa doida de "exército de cristo" numa assembleia que reune muita gente, armas de madeira num gesto simbólico de proteção. outro conversando, dizendo que "para nós o lula foi bom", e que "eles querem virar brancos, mas o rosto não permite; a língua pode mudar, mas o rosto não"... no final a cerimônia do jurupari, que um velho diz ser alguma entidade ruim, diferente de jesus. flautas em dessincronizadas como a voz do jurupari, achei uma coisa fantástica, hipnótica. história do filho de um indígena que desapareceu do nada, sem deixar rastros; que pode ter sido os encantados. uma velhinha que fala de "parentes rebaixados", que estão no "tempo do atraso", não são civilizados :( ...sempre essas conversas, entrevistas, onde querem saber o que os indígenas acham da situação da língua, se tá crescendo ou não. o próprio edson diz que não costumava usar com a filha novinha, mas que tá começando agora. que ela ainda não entende por que ele faz isso, que não fala, mas o compreende e responde. "a gente tem direito de não esquecer da nossa cultura." triste, bonito. gostei de ver e de saber que existe.
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silêncio - o poder da quietude em um mundo barulhento (thich nhat hanh)
um dos livros que baixei gratuitamente, só porque andava pensando sobre o silêncio. embarcando nas auto-ajudas, hein. comecei a ler despretenciosamente, já faz tempo, mas depois de um hiato voltei e fez mais sentido, porque talita já tinha ido embora e eu tinha começado a tentar fazer yoga todo dia. (engraçado que, pensando agora, no começo eu tava lendo e pensando em como as meninas eram barulhentas desnecessariamente, às vezes. elas falam que eu sou misteriosa, tenho uma energia muito particular... eu sei que sou silenciosa. acho até que é uma das coisas que fazem com que eu me dê bem com elvira.) compartilhei coisas desse livro com pölzl, que gostou muito do que falei (sobre o mindfulness, a meditação e tudo isso não terem a intenção de colocar novas ideias na nossa cabeça, mas de ajudar a nos esvaziar das ideias que já temos), e com tati, que falou sobre o silêncio em movimento que ia tão bem com a prática de yoga. ambas tem essa proposta de respiração consciente, atenção ao presente... se você for capaz de estar presente, se puder ser livre, poderá ser feliz no aqui e agora. e não precisará correr para lugar nenhum. não é um livro perfeito, é um pouco repetitivo e algumas vezes fiquei chateada pensando que pra algumas pessoas virar essa chavinha não é simples como o autor coloca, por causa de coisas como depressão e ansiedade (portanto, todos temos escolha. você tem uma escolha. seus pensamentos podem fazer com que você e o mundo ao seu redor sofram mais ou menos. caso queira criar uma atmosfera mais amigável e harmoniosa em seu local de trabalho ou comunidade, não comece tentando mudar os demais. sua prioridade deve ser encontrar um espaço de tranquilidade no interior do seu corpo, para assim aprender mais sobre si mesmo. isso inclui tentar reconhecer e compreender seu próprio sofrimento). mas de qualquer forma, pela primeira vez senti que tava num momento possível de conseguir me entregar a isso, e foi realmente bom, tem me feito bem. cada capítulo falava de uma coisa, apesar de tudo voltar pro mindfulness, pro silêncio, pra ilha de si mesmo, e sempre tinha alguma prática no final, algum mantra. preciso revisitar, escrever e deixar à vista, talvez, agora. ao reconhecer pensamentos e desejos, e permitir que eles surjam e desapareçam, você terá espaço para se nutrir e entrar em contato com suas reais aspirações. umas coisas sobre os alimentos que consumimos (sensações, desejo e consciência, pra além da comida mesmo), sobre como nossa consciência afeta a do grupo e vice-versa... até sobre as coisas que cultivamos consciente ou inconscientemente se refletirem nos sonhos, ou escaparem em conversas (! aquela coisa de eu entender muitos sentimentos só quando falo sobre e faço sentido nas palavras). teve coisas interessantes sobre o corpo, também, e tati complementou de maneira absurda: o livro fala que você não é apenas o pequeno corpo que normalmente identifica como "você mesmo", fala dos monges do vietnã que se autoimolaram durante a guerra e sobre como utilizaram o corpo como meio para expressar uma mensagem já que não o enxergavam como eles mesmos, e tati tava contando que não tem gostado de olhar o próprio rosto, de se olhar no espelho, e que ouviu um podcast sobre budismo que diz que o último passo na prática é "cortar a cabeça", e pensou que a gente vai entendendo que não é nosso corpo, mas que tem esse apego a ele e por isso nos sentimos assim, porque queremos nos identificar, ainda. o primeiro passo é parar de pensar. precisamos nos voltar à nossa respiração e acalmar nossos corpos e mentes. isso nos proporcionará mais espaço e clareza para que possamos nomear e reconhecer a ideia, desejo ou emoção que nos perturba, cumprimentá-la e dar a nós mesmos a permissão para nos livrarmos dela. fiquei muito feliz quando vi que agi bem espontaneamente, outro dia, quando talita falou de sentir saudade de zé e eu disse que "acolhia o sentimento dela sem trazê-lo pra mim" (ela até disse que parecia algo que tati diria). mas vai ao encontro disso e até do que vi naquele filme between heaven and earth, que me tocou muito... precisamos oferecer à nossa mente consciente certo descanso e permitir à mente inconsciente que procure uma solução. precisamos “pisar no freio” intelectual e emocional e entregar o problema ou desafio à nossa mente inconsciente, da mesma maneira que, após plantar uma semente, confiamos no trabalho do céu e da terra. nossa mente pensante, ou mente consciente, não é o solo, mas apenas a mão que planta a semente e cultiva o solo por meio da prática da mindfulness frente a tudo o que fazemos durante o dia. a mente inconsciente é o solo fértil que ajudará a semente a germinar. massa. legal também a coisa de, antes de comer, sentir o corpo, acalmar os pensamentos e contemplar a comida, pensando em sua origem; já andava fazendo isso, olhando pro meu prato e agradecendo pela comida, feliz em poder ter tudo isso. e a parte de relacionamentos! (botei essa parte aqui embaixo como imagem.) o silêncio permite uma escuta profunda e uma resposta consciente, que são a chave para uma comunicação plena e honesta. aiai. e a importância de não fazer nada às vezes: a falta de ação é muito importante e não tem nada a ver com inércia ou passividade, trata-se de um estado de abertura dinâmico e criativo. ah, e a coisa de todas as célula do corpo participarem nesse silêncio, é isso, essa entrega. que bom que sinto que tô melhorando. é possível que você guarde muita tristeza, raiva ou solidão no interior do seu corpo. no entanto, quando se conectar com sua inspiração e expiração, poderá entrar em contato com tais sentimentos sem medo de se tornar seu prisioneiro. a respiração consciente é uma maneira de dizer: “não se preocupe, eu estou aqui, eu estou em casa, eu vou cuidar desse sentimento.” :)

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hikari (2017)
que filme lindo. acompanha misako, uma mulher jovem que trabalha com audiodescrição (a disciplina de tradução acabou de tocar nesse assunto, porque entramos em legendagem). o começo do filme é a descrição dela pro que vê ao seu redor, na rua – homens de terno e gravata esperando táxis com a cara fechada, outro olhando o celular, outro o relógio, crianças atravessando na faixa de pedestres... dá pra ver que ela é bem fascinada por isso, sempre buscando detalhar o que vê e faz, achar as palavras certas. fiquei pensando que esse exercício pode ajudar com ansiedades, focar nas sensações, etc. ela tá trabalhando num filme, junto com as pessoas da empresa que faz esse serviço e um grupo de deficientes visuais que avalia o que ela faz, e de início ela recebe críticas a respeito de estar sendo muito subjetiva ou preenchendo com coisa demais, atrapalhando a imaginação. a pessoa mais severa com ela é o sr. nakamori, um ex-fotógrafo que foi perdendo a visão. misako tem uma mãe sendo cuidada em algum lugar do campo (às vezes a visita), e o pai já é falecido. parece que ela era bem ligada a ele; a mãe acha que ele ainda vai chegar do trabalho quando o sol se pôr. misako lembra de cor as coisas na carteira do pai, o que ele deixou pra ela. cena bonita dela fechando os olhos sentada com a mãe, aquelas casas de madeira e portas de correr que dão pro ar livre, uma atmosfera verde, tranquila. de alguma forma ela se aproxima de nakamori, que a convida a tomar chá na casa dele e cozinha pros dois. ela admira a luz refletida em arco-íris por um prisma enquanto comem, descreve a cena, ele aprova. diz que quis um apartamento com muita luz do sol. em outra versão da audiodescrição misako recebe críticas também, dessa vez por não ter conseguido transmitir os sentimentos do filme, por ter deixado tudo muito seco. uma coisa que me abala aí: "como é triste ter as coisas destruídas pelas amarras das palavras". chega a discutir com nakamori, diz que ele nunca expressa nada enquanto assiste e acha que o problema não é a descrição dela, mas a falta de imaginação dele. tem uma hora em que ele se encontra com amigos fotógrafos num bar ou restaurante, e indo embora tropeça e cai feio na rua. percebe que alguém furta a câmera dele, aquelas analógicas que parecem um cofrinho. foi o amigo e ele percebe, vai até o estúdio dele pegar de volta, acende a luz na câmara escura mesmo. nakamori diz que a câmera é o coração dele, mesmo que não possa mais usar :( misako encontra ele depois disso e ele a fotografa, o que pra mim foi ele deixando ela entrar no coração dele. eles vão até um lugar montanhoso de onde ele fez uma fotografia do sol que misako gosta, a pedido dela, e lá ele joga a câmera fora. inesperado! os dois contam que corriam atrás do sol se pondo quando pequenos. e em vez de "ele olha para o céu com esperança" ou "contra o céu plácido" (algo assim), a versão final da audiodescrição dela deixa uma frase assim pra cena final do personagem que sobe uma duna de areia contra o sol: "a sua frente... luz". que tocante. ela chegou a falar com o ator/diretor do filme, e ele diz uma coisa interessante também, que tem gente que quer continuar a vivendo mas tem que morrer, e tem gente que quer morrer mas precisa continuar vivendo (a respeito dele/do personagem ser um idoso, que pode morrer a qualquer hora, e teria preferido morrer, mas tem que continuar). a música, as filmagens bem fechadas no rosto de misa, os devaneios dela... tudo tão doce. uma coisa que me parece muito particular de produções japonesas. que bom que eu vi, último dia no sesc digital. chorei bagarai.
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i may destroy you (2020)
não sei por que ainda não consegui fazer review disso
arabella sendo nome de gente real (ok, protagonista de série, na verdade) e não apenas de música do arctic monkeys
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terra sem pecado (2019)
curta do festival mix brasil, que é tudo sobre diversidade. esse é sobre indígenas lgbt, em formato de entrevista – quatro jovens estudantes da unb compartilhando suas experiências, cada um de um povo. "você não vive sua sexualidade no individual, é tudo no coletivo" e algo da cidade participar na sexualidade, de certa forma. a dificuldade de ser indígena, homossexual e nordestino, e a violência triplicada em ser mulher e tudo isso. um relata queficava em casa pra evitar encontrar pessoas na rua e passar por situações desconfortáveis. outro diz que a cidade foi mais impactante do que a aldeia pra ele. um tem familiares que nem permitem que passe na frente da porta deles :/ é uma liderança num movimento indígena, mas diz que não fala sobre a homossexualidade porque não se sente à vontade. a mulher indígena baniwa tinha um nome lindo: braulina aurora. no começo tem uma imagem com três naus portuguesas onde cada uma é uma coisa: moral, pecado e culpa. preconceito, homofobia e machismo como heranças da colonização, partindo da igreja – absurdamente horrível a história de tibira, né... pensando nas crianças que passam hoje pelo que ele já passou; lembra que só queria conversar ou chorar com alguém :( sem referências... braulina fala de casais que tão juntos há 60 anos :') falam da universidade como fundamental pra desenvolver a autonomia, "minha essência não mudou, mas agora eu sei me defender". show. "saindo da escuridão e dando voz aqueles que ainda não têm essa coragem", "não é só a minha voz, é a voz de outras pessoas também". é isso.
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the act (2019)
não sei por que ainda não consegui fazer review disso²
come on we all know why
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the twilight saga: new moon (2009)
esse filme é maravilhoso!!! ok, nem tanto, mas o primeiro é tão ruim que esse ficou parecendo uma obra de arte, em comparação. e também porque fazia tanto tempo que eu não via; foi revigorante a energia de amizade com jacob, a cor amarelada viva de tudo, a trilha sonora perfeita – aquela cena de victoria na floresta, harry vendo e tendo o ataque cardíaco, os lobos correndo atrás, a águia vista de cima!!! wow –, sei lá. talita criticou o efeito do penhasco, os mergulhos na praia, mas tudo bem, por mim. no filme ela vai dar uma volta de moto com o cara, né, louca. edward é visível nas alucinações porque eles tinham que enfiar robert pattinson em algum lugar. é de lua nova que tenho revistas e o guia oficial ilustrado, então eu não devia ter me surpreendido em gostar tanto desse filme... ahsuhs por quê? putz a cena do reencontro em volterra, perfeita a reação de edward com "heaven" e a surpresa e o sorrisinho desgraçado dele. que raiva desse cara viu, eu fico querendo ser ele, SER, sabe? porque quando que eu vou me identificar com bella ou qualquer personagem visivelmente feminina, afeminada??? gosto dos músculos alongados de robert, em vez dos pocadões de jacob, por exemplo. a desconjuntura da altura e magreza, esquisitice. já tava misturando as coisas pensando que a votação de bella era em crepúsculo (talita pensava que era em eclipse); sempre muito bom rosalie falando que queria que alguém tivesse votado "não" pra ela. e o final com edward pedindo bella em casamento! a respiraçãozinha dela e fim, show. mas não precisava ter tido o conflitinho dos macho alfa entre ele e jacob, né, já falei. jacob tirar a camisa daquele jeito pra limpar o sangue de quando bella bate a cabeça (aliás, que batida agoniante! diretão na pedra, ai) foi tão desnecessário... só imaginei minha mãe vibrando. a cena do cinema, jacob ficando nervosinho com mike, massa. kristen tá linda aqui, hehe. agora, uma coisa que eu nunca vou entender é como edward chegou na itália tão antes delas a ponto de ter conversado com os volturi e resolvido fazer a ceninha dele, sendo que tava no rio de janeiro quando falou com jacob e provavelmente pegou avião não muito antes de bella e alice. chega fiz as contas e não bate. mas o que é que eu tô esperando de um livro sobre vampiros e lobisomens, né kkk
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aleluia, o canto infinito do tincoã (2020)
filme-documentário sobre mateus aleluia, que era membro do grupo os tincoãs, aquele da música que ouvíamos tanto na casa do mato. tati que indicou, tava num tal festival do filme documentário e etnográfico de belo horizonte que teve em novembro. mandou o link no grupo dos micélios e acabei vendo antes deles, e depois não tava mais disponível, então foi só eu mesmo. mostra ele em angola, onde foi viver, parece, e onde ele diz se sentir perfeitamente em casa. o grupo é de cachoeira, na bahia... bem bonito as gravações antigas deles, e as de agora, mateus solo. as histórias dos amigos, da família, dos orixás. uma filmagem absurda dele ouvindo um troncão cortado, encostadinho apoiado na bengala. gostei muito de uma parte em que ele fala sobre o invisível, queria lembrar com exatidão como foi, mas algo sobre as coisas que não vemos existirem desde sempre e serem muito maiores e mais reais do que as coisas que vemos. fez tanto sentido naquele momento, ressoou de uma forma potente. filme curtinho, foi o tempo de eu fazer musculação, praticamente. choreizinho.
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howl's moving castle (diana wynne jones)
ai, que coisa mais linda é esse livro. não esperava que seria tão perfeito, apesar do filme do studio ghibli ser o meu favorito! a escrita é uma delícia, levinha e engraçada, voltando pra umas coisas pragmáticas, pontuais. sophie é tão ranzinza e enxerida, o melhor foi howl falando que quebrou o pescoço pra chegar no castelo da bruxa e quando consegue encontra ela lá tidying up já ahsuhsu. eles só comem ovos com bacon e pão com mel! chega fiquei me perguntando se era gostoso esse último. não lembrava mais de muita coisa, e nem pensei que tinha tudo no filme (ainda não reassisti, mas vi uns gifs por acaso e tem uma criancinha sendo michael, um cachorrinho peludo sendo percival... não lembrava mesmo). a coisa toda de ser a irmã mais velha, um fracasso, não pensar antes de agir. e quando howl diz isso ela pensa antes de agir, presta mais atenção... ai, sabe. ela percebendo os efeitos de howl sobre ela hihi. e achando que é de miss angorian que ele gostava! total não esperava que ela seria o fire demon da bruxa. muito esperto toda essa magia, gostei tanto da fantasia aqui! a própria sophie sendo capaz de dar vida às coisas, ajudando o espantalho sem saber. e que loucura a mistura do príncipe justin e do mago suliman! perfeição ela não indo com a cara de miss angorian e se sentindo melhor por isso quando percebe o estranhamento dela com calcifer: she stared at calcifer in a vague, frowning way, as if she was not sure what she was seeing, and calcifer simply stared back without saying a word. this made Sophie feel better about being so very unfriendly. only people who understood calcifer were really welcome in howl's house. a honestidade de howl sobre ser covarde, a investigaçãozinha secreta sobre sophie... era ela quem ele procurava, afinal. a coisa dele não ser capaz de amar ninguém :( não lembrava também dessa coisa da maldição. e as irmãs, tem irmãs no filme? trocando de lugar porque uma queria ser aprendiz de magia, muito bom. o reencontro de todo mundo no final tocou meu coração. tudo arquitetado por howl pra sophie não partir, quem diria! e calcifer que é uma estrela!!!, pensava que ia morrer, howl fazendo acordo e o coraçãozinho dele lá... ahsush quando o fire demon aperta ele e howl desmaia na hora, e calcifer diz que "he's got a really soft heart!" :) justin e suliman sorrindo um pro outro no fim, um deles com o xale de sophie haushu e howl e ela não dando atenção pra nada acontecendo ao redor, sorrindo um pro outro de mãos dadas, ai meu deus!!! fofurinha a coisa da irmã dele e os sobrinhos, também. no fim ele e suliman são de wales, então parece ter uma intersecção com o mundo real aí, né? vi que a autora era de lá, ou morava lá. gostei da palavra "welshman". fui lendo devagar, um capítulo por vez, tudo em voz alta, porque não queria que acabasse. fui escrevendo no livro também, coisa que quero fazer mais (mas pra isso tenho que ter livros meus, né, só leio coisa emprestada ou da biblioteca quase). sinto que vai ser uma história pra qual vou me voltar sempre; foi tão bom esse quentinho no coração que ela deu, tão raro; queria encontrar mais. queria poder ler em edições físicas os que vem depois, apesar de não parecer serem continuações exatas. agora tenho que voltar pra checar o significado das palavras que circulei enquanto lia (foi legal ver o quão mais eu sei agora, comparado a quando comecei esse livro, anos atrás).
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the yellow wallpaper (charlotte perkins gilman)
era um dos audiolivros gratuitos do audible (na verdade, é a primeira história de um audiolivro com várias histórias de charlotte perkins gilman) e coloquei pra ouvir num desses dias desordenados que tô tendo. é contado em primeira pessoa por essa mulher passando pelo que chamavam de colapso nervoso ou algo do tipo, mas que provavelmente é só depressão mesmo ou depressão pós-parto, e que vai passar um tempo numa casa de campo com o marido pra melhorar. ele e o médico a proíbem de escrever, mas ela mantém um diário em segredo e conta da casa e do que tem ao redor dela. o quarto onde fica tem um papel de parede amarelo, velho e descascado, que ela passa a observar cada vez mais obsessivamente. chega a ser meio possessiva, não gostando quando percebe a empregada olhando pra ele, diz que só ela conhece seus detalhes. ela descreve o padrão do papel de parede como confuso, primeiro pareciam olhos, mas também folhas, e um redemoinho, sei lá. ela vê uma mulher presa nele, e aos poucos a mulher escapa, até que no final é ela mesma, louca. achei muito bom, a atmosfera ficando mais tensa, mas não necessariamente sinistra, por causa da expressividade da narradora. foi menos de 40 minutos; me ocupei desenhando e fazendo coisas com as mãos enquanto ouvia. podia tentar fazer isso com mais frequência.
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kika (1993)
o kasal tava com 30 dias de teste de telecine play, porque analuísa precisava ver um filme pra disciplina de movimentos sociais, e resolveram ver filme com pölzl e comigo. um tempão pra escolher e saiu esse no sorteio, "vai ser bom, é almodóvar", "bom de ter uma carreira consolidada é isso, você não tem filme ruim". claro. filme esquisito da zorra, totalmente inesperado, humor negro desconfortável. kika é uma maquiadora, mulher de uns 40 anos meio perua, que conhece o americano nicholas quando o maqueia pra um programa tosquinho em que uma senhorinha o entrevista lendo as perguntas numa folha (no fim diz que não vai ler o livro dele porque não enxerga muito bem, mas que vai recomendar pro filho). kika tá interessada em nicholas e quando ele a chama pra casa dele pensa que é pra transarem, mas era pra ela maquiar o enteado dele, ramón, que supostamente tinha morrido, mas era só um dos acessos de catalepsia dele. dali um tempo ele e kika é que tão juntos, e nicholas é amante dela. no começo a esposa dele se mata e deixa um bilhete pra ramón, tudo meio esquisito, nicholas com um tiro no braço como se ela tivesse ameaçado ele, mas no fim ele é um serial killer. escreve os próprios crimes, afinal; trecho interessante sobre matar ser como cortar as unhas – antes de fazer parece que vai demorar mais do que realmente demora, e depois parece que vai levar tempo até precisar fazer de novo mas quando menos espera já tem que fazer mais uma vez. tem uma personagem muito doida, andrea caracortada, que é ex (?) de ramón e apresentadora de um programa bizarro, "o pior do dia" ou algo assim, em que ela se veste toda macabra. meio elvira e aquelas outras relacionadas. essa andrea vive aparecendo em cima de nicholas ou ramón ou kika vestindo uma roupa de marciana com uma câmera na cabeça, cheia de perguntas, enxerida e cheia dos contatos misteriosos. a empregada de kika e ramón é juana, lesbicona mas bem feminina, e tem um irmão preso que era ator pornô. diz que ele tem problemas na cabeça e que deixava ele abusar dela pra não ir nas vizinhas, que desde pequeno fazia sexo com as cabras e vacas, jesus. ele foge da prisão numa procissão esquisita onde homens mascarados se chicoteiam, e aparece na casa de kika, e a estupra. dois policiais imprestáveis avisados por um voyeur que no fim é ramón, chegam lá e têm dificuldade de tirar o cara de kika, tá lá tentando bater o recorde de gozar 4 vezes sem "tirar". andrea descobre os crimes de nicholas e os dois se matam no final, ramón salvo pela catalepsia, kika chegando nos últimos momentos de nicholas. termina com ela dando carona pra outro bonitão em vez de ir atrás da ambulância de ramón, se livrando dessa galera estranha, pelo menos. bem exaltada ela, aquelas coisas de espanhol falando estridente e super rápido, faladeira, emocionada. tudo doido, nojento, nicholas dublado... podia viver sem essa tranquilo.
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hauru no ugoku shiro (2004)
meu deussssss, meu coração. como que eu só tinha assistido esse filme uma vez na vida??? o studio ghibli é muito especial, capricha em cada detalhezinho que é absurdo. o cachorrinho heen se virando pra voltar a ficar de pé depois que sophie carrega ele escadaria acima, calcifer corando de vergoinha de sophie ter elogiado ele, as estrelinhas caindo, as figuras de sombra dançando de mãos dadas que aparecem com os feitiços, o quarto de howl!!! não lembrava nem um pouco que suliman aqui era uma mulher, não desaparecida como no livro mas feiticeira real, e malvada ainda por cima. muito menos que ela desmagicava a bruxa das terras abandonadas (! tradução) e que sophie trazia ela pra turma! michael criancinha, não quer que ela é embora, fala sobre família... vi em algum lugar uma discussão sobre howl saber que sophie tava amaldiçoada e que na verdade tinha 18 anos, mas não concordo com essa idade não, viu. ela é a mais velha das irmãs, afinal, e howl é descrito como estando nos seus ~late twenties~, então acredito que ela tá por aí também, pelo menos próxima de 25. e encontra uma família prontinha T_T a coisa dela ver a infância de howl e ele ter salvado/feito o pacto com calcifer tão novinho, um coração de criança... não vou reclamar do número bem maior de cenas sugestivamente românticas no filme, aliás. e sophie indo e voltando nas idades, quando dorme, oh! ou será que é só o que howl enxerga? muito louco isso dele se transformar num passarão, show. anti-war bird boy!!! miyasaki pega sempre nisso né, foi uma adaptação muito boa pra história do livro. no original nem é nada de mais, afinal, só a bruxa consumida pelo demônio do fogo dela e ele querendo um novo coração. um pouco otimista demais suliman perceber o que tá fazendo no final e decidir acabar com a guerra assim, de uma hora pra outra. o espantalho quase não apareceu de volta à forma humana, mas encaixou bem nessa de ser príncipe e parar com essa palhaçada também. a questão do beijo do amor verdadeiro não vi necessidade, mas tudo bem. ai, tão doce sophie falando com a "vovó" pra ela devolver o coração de howl, "você o quer tanto assim?" e a resposta certeira. olha esse amor, sabe. me despedaçou. não tinha pensado nisso mas realmente quase que só tem uma música esse filme auhsuh a que eu gosto tanto (aliás, chega chorei com essa interpretação incrível!). essa é bem bonita também. aqui fanny é mãe de sophie mesmo, ou pelo menos é assim que ela a chama, em vez de madrasta. queria que tivesse um pouco mais evidente que sophie também é meio mágica, talvez nos chapéus ou com o espantalho... eles limpando a casa e lavando roupa <3 essa sophie é um pouco menos ranzinza que a do livro, né. howl é apaixonante mesmo uhaush nível gay que eu queria ser, que nem brau. não teve wales ou família de howl no filme também, nem mais de uma irmã pra sophie, nem mrs. fairfax. mas quero rever já. que lindo eles andando voando já logo no comecinho! desde lá sophie já tava dando pala da paixão kkk. bom demais ele de toalhinha na cintura fazendo drama pela cor do cabelo, o rêgo aparecendo quando senta na cadeira, sophie cuidando dele e subindo ele pro banheiro :') é isso, perfeição.