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segunda-feira, 30 de novembro de 2020

lidos (3) e assistidos (7) em novembro

nheengatu - a língua da amazônia (2020)

documentário sobre a língua geral amazônica na 44ª mostra! não esperava que ia ouvir português de portugal, mas o diretor é de lá. muito boa a música do começo, uma coisa que mistura elementos de cantos e instrumentos indígenas e elementos meio eletrônicos, psicodélicos. que imensidão que é o alto rio negro, as margens cobertas de verde, a água se misturando com o céu a perder de vista... o indígena que trabalhou como intérprete é conhecido de wilmar, faz parte do grupo de tradução dele, olha só! edson baré. compartilhei com o professor esse e um outro documentário, sobre a terra indígena arariboia (tentehar - a arquitetura do sensível), e ele usou na aula, passou a primeira meia horinha :) corrigiu o que o diretor fala no começo, que o nheengatu é uma língua inventada – não é. se relaciona ao tupi-guarani, luã disse que era bem parecido com o nhandewa. palavras do português que vazam pra língua ("pois é", números, "negócio de", "aconteceu")... nos lugares por onde passavam o cara dava um celular pra alguma pessoa e pedia pra filmar o que considerasse importante. numa dessas duas mulheres ficam juntas conversando sobre como esses brancos lucram em cima deles, que iam fazer dinheiro com isso, que uma delas queria um celular desses. muitos lugares cristãos, com frases do tipo "cristo salva!" e "quem ama maria, contente será" pintadas em escolas e etc. um senhor relatando como a religião o salvou da bebida, que não vai contra as tradições dele. diz que foi uma mulher dos eua que trouxe. uma outra falando que agora não sentem mais raiva, não falam mais palavrão. uma coisa doida de "exército de cristo" numa assembleia que reune muita gente, armas de madeira num gesto simbólico de proteção. outro conversando, dizendo que "para nós o lula foi bom", e que "eles querem virar brancos, mas o rosto não permite; a língua pode mudar, mas o rosto não"... no final a cerimônia do jurupari, que um velho diz ser alguma entidade ruim, diferente de jesus. flautas em dessincronizadas como a voz do jurupari, achei uma coisa fantástica, hipnótica. história do filho de um indígena que desapareceu do nada, sem deixar rastros; que pode ter sido os encantados. uma velhinha que fala de "parentes rebaixados", que estão no "tempo do atraso", não são civilizados :( ...sempre essas conversas, entrevistas, onde querem saber o que os indígenas acham da situação da língua, se tá crescendo ou não. o próprio edson diz que não costumava usar com a filha novinha, mas que tá começando agora. que ela ainda não entende por que ele faz isso, que não fala, mas o compreende e responde. "a gente tem direito de não esquecer da nossa cultura." triste, bonito. gostei de ver e de saber que existe.

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silêncio - o poder da quietude em um mundo barulhento (thich nhat hanh)

um dos livros que baixei gratuitamente, só porque andava pensando sobre o silêncio. embarcando nas auto-ajudas, hein. comecei a ler despretenciosamente, já faz tempo, mas depois de um hiato voltei e fez mais sentido, porque talita já tinha ido embora e eu tinha começado a tentar fazer yoga todo dia. (engraçado que, pensando agora, no começo eu tava lendo e pensando em como as meninas eram barulhentas desnecessariamente, às vezes. elas falam que eu sou misteriosa, tenho uma energia muito particular... eu sei que sou silenciosa. acho até que é uma das coisas que fazem com que eu me dê bem com elvira.) compartilhei coisas desse livro com pölzl, que gostou muito do que falei (sobre o mindfulness, a meditação e tudo isso não terem a intenção de colocar novas ideias na nossa cabeça, mas de ajudar a nos esvaziar das ideias que já temos), e com tati, que falou sobre o silêncio em movimento que ia tão bem com a prática de yoga. ambas tem essa proposta de respiração consciente, atenção ao presente... se você for capaz de estar presente, se puder ser livre, poderá ser feliz no aqui e agora. e não precisará correr para lugar nenhum. não é um livro perfeito, é um pouco repetitivo e algumas vezes fiquei chateada pensando que pra algumas pessoas virar essa chavinha não é simples como o autor coloca, por causa de coisas como depressão e ansiedade (portanto, todos temos escolha. você tem uma escolha. seus pensamentos podem fazer com que você e o mundo ao seu redor sofram mais ou menos. caso queira criar uma atmosfera mais amigável e harmoniosa em seu local de trabalho ou comunidade, não comece tentando mudar os demais. sua prioridade deve ser encontrar um espaço de tranquilidade no interior do seu corpo, para assim aprender mais sobre si mesmo. isso inclui tentar reconhecer e compreender seu próprio sofrimento). mas de qualquer forma, pela primeira vez senti que tava num momento possível de conseguir me entregar a isso, e foi realmente bom, tem me feito bem. cada capítulo falava de uma coisa, apesar de tudo voltar pro mindfulness, pro silêncio, pra ilha de si mesmo, e sempre tinha alguma prática no final, algum mantra. preciso revisitar, escrever e deixar à vista, talvez, agora. ao reconhecer pensamentos e desejos, e permitir que eles surjam e desapareçam, você terá espaço para se nutrir e entrar em contato com suas reais aspirações. umas coisas sobre os alimentos que consumimos (sensações, desejo e consciência, pra além da comida mesmo), sobre como nossa consciência afeta a do grupo e vice-versa... até sobre as coisas que cultivamos consciente ou inconscientemente se refletirem nos sonhos, ou escaparem em conversas (! aquela coisa de eu entender muitos sentimentos só quando falo sobre e faço sentido nas palavras). teve coisas interessantes sobre o corpo, também, e tati complementou de maneira absurda: o livro fala que você não é apenas o pequeno corpo que normalmente identifica como "você mesmo", fala dos monges do vietnã que se autoimolaram durante a guerra e sobre como utilizaram o corpo como meio para expressar uma mensagem já que não o enxergavam como eles mesmos, e tati tava contando que não tem gostado de olhar o próprio rosto, de se olhar no espelho, e que ouviu um podcast sobre budismo que diz que o último passo na prática é "cortar a cabeça", e pensou que a gente vai entendendo que não é nosso corpo, mas que tem esse apego a ele e por isso nos sentimos assim, porque queremos nos identificar, ainda. o primeiro passo é parar de pensar. precisamos nos voltar à nossa respiração e acalmar nossos corpos e mentes. isso nos proporcionará mais espaço e clareza para que possamos nomear e reconhecer a ideia, desejo ou emoção que nos perturba, cumprimentá-la e dar a nós mesmos a permissão para nos livrarmos dela. fiquei muito feliz quando vi que agi bem espontaneamente, outro dia, quando talita falou de sentir saudade de zé e eu disse que "acolhia o sentimento dela sem trazê-lo pra mim" (ela até disse que parecia algo que tati diria). mas vai ao encontro disso e até do que vi naquele filme between heaven and earth, que me tocou muito... precisamos oferecer à nossa mente consciente certo descanso e permitir à mente inconsciente que procure uma solução. precisamos “pisar no freio” intelectual e emocional e entregar o problema ou desafio à nossa mente inconsciente, da mesma maneira que, após plantar uma semente, confiamos no trabalho do céu e da terra. nossa mente pensante, ou mente consciente, não é o solo, mas apenas a mão que planta a semente e cultiva o solo por meio da prática da mindfulness frente a tudo o que fazemos durante o dia. a mente inconsciente é o solo fértil que ajudará a semente a germinar. massa. legal também a coisa de, antes de comer, sentir o corpo, acalmar os pensamentos e contemplar a comida, pensando em sua origem; já andava fazendo isso, olhando pro meu prato e agradecendo pela comida, feliz em poder ter tudo isso. e a parte de relacionamentos! (botei essa parte aqui embaixo como imagem.) o silêncio permite uma escuta profunda e uma resposta consciente, que são a chave para uma comunicação plena e honesta. aiai. e a importância de não fazer nada às vezes: a falta de ação é muito importante e não tem nada a ver com inércia ou passividade, trata-se de um estado de abertura dinâmico e criativo. ah, e a coisa de todas as célula do corpo participarem nesse silêncio, é isso, essa entrega. que bom que sinto que tô melhorando. é possível que você guarde muita tristeza, raiva ou solidão no interior do seu corpo. no entanto, quando se conectar com sua inspiração e expiração, poderá entrar em contato com tais sentimentos sem medo de se tornar seu prisioneiro. a respiração consciente é uma maneira de dizer: “não se preocupe, eu estou aqui, eu estou em casa, eu vou cuidar desse sentimento.” :)

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hikari (2017)

que filme lindo. acompanha misako, uma mulher jovem que trabalha com audiodescrição (a disciplina de tradução acabou de tocar nesse assunto, porque entramos em legendagem). o começo do filme é a descrição dela pro que vê ao seu redor, na rua – homens de terno e gravata esperando táxis com a cara fechada, outro olhando o celular, outro o relógio, crianças atravessando na faixa de pedestres... dá pra ver que ela é bem fascinada por isso, sempre buscando detalhar o que vê e faz, achar as palavras certas. fiquei pensando que esse exercício pode ajudar com ansiedades, focar nas sensações, etc. ela tá trabalhando num filme, junto com as pessoas da empresa que faz esse serviço e um grupo de deficientes visuais que avalia o que ela faz, e de início ela recebe críticas a respeito de estar sendo muito subjetiva ou preenchendo com coisa demais, atrapalhando a imaginação. a pessoa mais severa com ela é o sr. nakamori, um ex-fotógrafo que foi perdendo a visão. misako tem uma mãe sendo cuidada em algum lugar do campo (às vezes a visita), e o pai já é falecido. parece que ela era bem ligada a ele; a mãe acha que ele ainda vai chegar do trabalho quando o sol se pôr. misako lembra de cor as coisas na carteira do pai, o que ele deixou pra ela. cena bonita dela fechando os olhos sentada com a mãe, aquelas casas de madeira e portas de correr que dão pro ar livre, uma atmosfera verde, tranquila. de alguma forma ela se aproxima de nakamori, que a convida a tomar chá na casa dele e cozinha pros dois. ela admira a luz refletida em arco-íris por um prisma enquanto comem, descreve a cena, ele aprova. diz que quis um apartamento com muita luz do sol. em outra versão da audiodescrição misako recebe críticas também, dessa vez por não ter conseguido transmitir os sentimentos do filme, por ter deixado tudo muito seco. uma coisa que me abala aí: "como é triste ter as coisas destruídas pelas amarras das palavras". chega a discutir com nakamori, diz que ele nunca expressa nada enquanto assiste e acha que o problema não é a descrição dela, mas a falta de imaginação dele. tem uma hora em que ele se encontra com amigos fotógrafos num bar ou restaurante, e indo embora tropeça e cai feio na rua. percebe que alguém furta a câmera dele, aquelas analógicas que parecem um cofrinho. foi o amigo e ele percebe, vai até o estúdio dele pegar de volta, acende a luz na câmara escura mesmo. nakamori diz que a câmera é o coração dele, mesmo que não possa mais usar :( misako encontra ele depois disso e ele a fotografa, o que pra mim foi ele deixando ela entrar no coração dele. eles vão até um lugar montanhoso de onde ele fez uma fotografia do sol que misako gosta, a pedido dela, e lá ele joga a câmera fora. inesperado! os dois contam que corriam atrás do sol se pondo quando pequenos. e em vez de "ele olha para o céu com esperança" ou "contra o céu plácido" (algo assim), a versão final da audiodescrição dela deixa uma frase assim pra cena final do personagem que sobe uma duna de areia contra o sol: "a sua frente... luz". que tocante. ela chegou a falar com o ator/diretor do filme, e ele diz uma coisa interessante também, que tem gente que quer continuar a vivendo mas tem que morrer, e tem gente que quer morrer mas precisa continuar vivendo (a respeito dele/do personagem ser um idoso, que pode morrer a qualquer hora, e teria preferido morrer, mas tem que continuar). a música, as filmagens bem fechadas no rosto de misa, os devaneios dela... tudo tão doce. uma coisa que me parece muito particular de produções japonesas. que bom que eu vi, último dia no sesc digital. chorei bagarai.

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i may destroy you (2020)

não sei por que ainda não consegui fazer review disso
arabella sendo nome de gente real (ok, protagonista de série, na verdade) e não apenas de música do arctic monkeys

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terra sem pecado (2019)

curta do festival mix brasil, que é tudo sobre diversidade. esse é sobre indígenas lgbt, em formato de entrevista – quatro jovens estudantes da unb compartilhando suas experiências, cada um de um povo. "você não vive sua sexualidade no individual, é tudo no coletivo" e algo da cidade participar na sexualidade, de certa forma. a dificuldade de ser indígena, homossexual e nordestino, e a violência triplicada em ser mulher e tudo isso. um relata queficava em casa pra evitar encontrar pessoas na rua e passar por situações desconfortáveis. outro diz que a cidade foi mais impactante do que a aldeia pra ele. um tem familiares que nem permitem que passe na frente da porta deles :/ é uma liderança num movimento indígena, mas diz que não fala sobre a homossexualidade porque não se sente à vontade. a mulher indígena baniwa tinha um nome lindo: braulina aurora. no começo tem uma imagem com três naus portuguesas onde cada uma é uma coisa: moral, pecado e culpa. preconceito, homofobia e machismo como heranças da colonização, partindo da igreja – absurdamente horrível a história de tibira, né... pensando nas crianças que passam hoje pelo que ele já passou; lembra que só queria conversar ou chorar com alguém :( sem referências... braulina fala de casais que tão juntos há 60 anos :') falam da universidade como fundamental pra desenvolver a autonomia, "minha essência não mudou, mas agora eu sei me defender". show. "saindo da escuridão e dando voz aqueles que ainda não têm essa coragem", "não é só a minha voz, é a voz de outras pessoas também". é isso.

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the act (2019)

não sei por que ainda não consegui fazer review disso²
come on we all know why

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the twilight saga: new moon (2009)

esse filme é maravilhoso!!! ok, nem tanto, mas o primeiro é tão ruim que esse ficou parecendo uma obra de arte, em comparação. e também porque fazia tanto tempo que eu não via; foi revigorante a energia de amizade com jacob, a cor amarelada viva de tudo, a trilha sonora perfeita – aquela cena de victoria na floresta, harry vendo e tendo o ataque cardíaco, os lobos correndo atrás, a águia vista de cima!!! wow –, sei lá. talita criticou o efeito do penhasco, os mergulhos na praia, mas tudo bem, por mim. no filme ela vai dar uma volta de moto com o cara, né, louca. edward é visível nas alucinações porque eles tinham que enfiar robert pattinson em algum lugar. é de lua nova que tenho revistas e o guia oficial ilustrado, então eu não devia ter me surpreendido em gostar tanto desse filme... ahsuhs por quê? putz a cena do reencontro em volterra, perfeita a reação de edward com "heaven" e a surpresa e o sorrisinho desgraçado dele. que raiva desse cara viu, eu fico querendo ser ele, SER, sabe? porque quando que eu vou me identificar com bella ou qualquer personagem visivelmente feminina, afeminada??? gosto dos músculos alongados de robert, em vez dos pocadões de jacob, por exemplo. a desconjuntura da altura e magreza, esquisitice. já tava misturando as coisas pensando que a votação de bella era em crepúsculo (talita pensava que era em eclipse); sempre muito bom rosalie falando que queria que alguém tivesse votado "não" pra ela. e o final com edward pedindo bella em casamento! a respiraçãozinha dela e fim, show. mas não precisava ter tido o conflitinho dos macho alfa entre ele e jacob, né, já falei. jacob tirar a camisa daquele jeito pra limpar o sangue de quando bella bate a cabeça (aliás, que batida agoniante! diretão na pedra, ai) foi tão desnecessário... só imaginei minha mãe vibrando. a cena do cinema, jacob ficando nervosinho com mike, massa. kristen tá linda aqui, hehe. agora, uma coisa que eu nunca vou entender é como edward chegou na itália tão antes delas a ponto de ter conversado com os volturi e resolvido fazer a ceninha dele, sendo que tava no rio de janeiro quando falou com jacob e provavelmente pegou avião não muito antes de bella e alice. chega fiz as contas e não bate. mas o que é que eu tô esperando de um livro sobre vampiros e lobisomens, né kkk

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aleluia, o canto infinito do tincoã (2020)

filme-documentário sobre mateus aleluia, que era membro do grupo os tincoãs, aquele da música que ouvíamos tanto na casa do mato. tati que indicou, tava num tal festival do filme documentário e etnográfico de belo horizonte que teve em novembro. mandou o link no grupo dos micélios e acabei vendo antes deles, e depois não tava mais disponível, então foi só eu mesmo. mostra ele em angola, onde foi viver, parece, e onde ele diz se sentir perfeitamente em casa. o grupo é de cachoeira, na bahia... bem bonito as gravações antigas deles, e as de agora, mateus solo. as histórias dos amigos, da família, dos orixás. uma filmagem absurda dele ouvindo um troncão cortado, encostadinho apoiado na bengala. gostei muito de uma parte em que ele fala sobre o invisível, queria lembrar com exatidão como foi, mas algo sobre as coisas que não vemos existirem desde sempre e serem muito maiores e mais reais do que as coisas que vemos. fez tanto sentido naquele momento, ressoou de uma forma potente. filme curtinho, foi o tempo de eu fazer musculação, praticamente. choreizinho.

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howl's moving castle (diana wynne jones)

ai, que coisa mais linda é esse livro. não esperava que seria tão perfeito, apesar do filme do studio ghibli ser o meu favorito! a escrita é uma delícia, levinha e engraçada, voltando pra umas coisas pragmáticas, pontuais. sophie é tão ranzinza e enxerida, o melhor foi howl falando que quebrou o pescoço pra chegar no castelo da bruxa e quando consegue encontra ela lá tidying up já ahsuhsu. eles só comem ovos com bacon e pão com mel! chega fiquei me perguntando se era gostoso esse último. não lembrava mais de muita coisa, e nem pensei que tinha tudo no filme (ainda não reassisti, mas vi uns gifs por acaso e tem uma criancinha sendo michael, um cachorrinho peludo sendo percival... não lembrava mesmo). a coisa toda de ser a irmã mais velha, um fracasso, não pensar antes de agir. e quando howl diz isso ela pensa antes de agir, presta mais atenção... ai, sabe. ela percebendo os efeitos de howl sobre ela hihi. e achando que é de miss angorian que ele gostava! total não esperava que ela seria o fire demon da bruxa. muito esperto toda essa magia, gostei tanto da fantasia aqui! a própria sophie sendo capaz de dar vida às coisas, ajudando o espantalho sem saber. e que loucura a mistura do príncipe justin e do mago suliman! perfeição ela não indo com a cara de miss angorian e se sentindo melhor por isso quando percebe o estranhamento dela com calcifer: she stared at calcifer in a vague, frowning way, as if she was not sure what she was seeing, and calcifer simply stared back without saying a word. this made Sophie feel better about being so very unfriendly. only people who understood calcifer were really welcome in howl's house. a honestidade de howl sobre ser covarde, a investigaçãozinha secreta sobre sophie... era ela quem ele procurava, afinal. a coisa dele não ser capaz de amar ninguém :( não lembrava também dessa coisa da maldição. e as irmãs, tem irmãs no filme? trocando de lugar porque uma queria ser aprendiz de magia, muito bom. o reencontro de todo mundo no final tocou meu coração. tudo arquitetado por howl pra sophie não partir, quem diria! e calcifer que é uma estrela!!!, pensava que ia morrer, howl fazendo acordo e o coraçãozinho dele lá... ahsush quando o fire demon aperta ele e howl desmaia na hora, e calcifer diz que "he's got a really soft heart!" :) justin e suliman sorrindo um pro outro no fim, um deles com o xale de sophie haushu e howl e ela não dando atenção pra nada acontecendo ao redor, sorrindo um pro outro de mãos dadas, ai meu deus!!! fofurinha a coisa da irmã dele e os sobrinhos, também. no fim ele e suliman são de wales, então parece ter uma intersecção com o mundo real aí, né? vi que a autora era de lá, ou morava lá. gostei da palavra "welshman". fui lendo devagar, um capítulo por vez, tudo em voz alta, porque não queria que acabasse. fui escrevendo no livro também, coisa que quero fazer mais (mas pra isso tenho que ter livros meus, né, só leio coisa emprestada ou da biblioteca quase). sinto que vai ser uma história pra qual vou me voltar sempre; foi tão bom esse quentinho no coração que ela deu, tão raro; queria encontrar mais. queria poder ler em edições físicas os que vem depois, apesar de não parecer serem continuações exatas. agora tenho que voltar pra checar o significado das palavras que circulei enquanto lia (foi legal ver o quão mais eu sei agora, comparado a quando comecei esse livro, anos atrás).

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the yellow wallpaper (charlotte perkins gilman)

era um dos audiolivros gratuitos do audible (na verdade, é a primeira história de um audiolivro com várias histórias de charlotte perkins gilman) e coloquei pra ouvir num desses dias desordenados que tô tendo. é contado em primeira pessoa por essa mulher passando pelo que chamavam de colapso nervoso ou algo do tipo, mas que provavelmente é só depressão mesmo ou depressão pós-parto, e que vai passar um tempo numa casa de campo com o marido pra melhorar. ele e o médico a proíbem de escrever, mas ela mantém um diário em segredo e conta da casa e do que tem ao redor dela. o quarto onde fica tem um papel de parede amarelo, velho e descascado, que ela passa a observar cada vez mais obsessivamente. chega a ser meio possessiva, não gostando quando percebe a empregada olhando pra ele, diz que só ela conhece seus detalhes. ela descreve o padrão do papel de parede como confuso, primeiro pareciam olhos, mas também folhas, e um redemoinho, sei lá. ela vê uma mulher presa nele, e aos poucos a mulher escapa, até que no final é ela mesma, louca. achei muito bom, a atmosfera ficando mais tensa, mas não necessariamente sinistra, por causa da expressividade da narradora. foi menos de 40 minutos; me ocupei desenhando e fazendo coisas com as mãos enquanto ouvia. podia tentar fazer isso com mais frequência.

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kika (1993)

o kasal tava com 30 dias de teste de telecine play, porque analuísa precisava ver um filme pra disciplina de movimentos sociais, e resolveram ver filme com pölzl e comigo. um tempão pra escolher e saiu esse no sorteio, "vai ser bom, é almodóvar", "bom de ter uma carreira consolidada é isso, você não tem filme ruim". claro. filme esquisito da zorra, totalmente inesperado, humor negro desconfortável. kika é uma maquiadora, mulher de uns 40 anos meio perua, que conhece o americano nicholas quando o maqueia pra um programa tosquinho em que uma senhorinha o entrevista lendo as perguntas numa folha (no fim diz que não vai ler o livro dele porque não enxerga muito bem, mas que vai recomendar pro filho). kika tá interessada em nicholas e quando ele a chama pra casa dele pensa que é pra transarem, mas era pra ela maquiar o enteado dele, ramón, que supostamente tinha morrido, mas era só um dos acessos de catalepsia dele. dali um tempo ele e kika é que tão juntos, e nicholas é amante dela. no começo a esposa dele se mata e deixa um bilhete pra ramón, tudo meio esquisito, nicholas com um tiro no braço como se ela tivesse ameaçado ele, mas no fim ele é um serial killer. escreve os próprios crimes, afinal; trecho interessante sobre matar ser como cortar as unhas – antes de fazer parece que vai demorar mais do que realmente demora, e depois parece que vai levar tempo até precisar fazer de novo mas quando menos espera já tem que fazer mais uma vez. tem uma personagem muito doida, andrea caracortada, que é ex (?) de ramón e apresentadora de um programa bizarro, "o pior do dia" ou algo assim, em que ela se veste toda macabra. meio elvira e aquelas outras relacionadas. essa andrea vive aparecendo em cima de nicholas ou ramón ou kika vestindo uma roupa de marciana com uma câmera na cabeça, cheia de perguntas, enxerida e cheia dos contatos misteriosos. a empregada de kika e ramón é juana, lesbicona mas bem feminina, e tem um irmão preso que era ator pornô. diz que ele tem problemas na cabeça e que deixava ele abusar dela pra não ir nas vizinhas, que desde pequeno fazia sexo com as cabras e vacas, jesus. ele foge da prisão numa procissão esquisita onde homens mascarados se chicoteiam, e aparece na casa de kika, e a estupra. dois policiais imprestáveis avisados por um voyeur que no fim é ramón, chegam lá e têm dificuldade de tirar o cara de kika, tá lá tentando bater o recorde de gozar 4 vezes sem "tirar". andrea descobre os crimes de nicholas e os dois se matam no final, ramón salvo pela catalepsia, kika chegando nos últimos momentos de nicholas. termina com ela dando carona pra outro bonitão em vez de ir atrás da ambulância de ramón, se livrando dessa galera estranha, pelo menos. bem exaltada ela, aquelas coisas de espanhol falando estridente e super rápido, faladeira, emocionada. tudo doido, nojento, nicholas dublado... podia viver sem essa tranquilo.

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hauru no ugoku shiro (2004)

meu deussssss, meu coração. como que eu só tinha assistido esse filme uma vez na vida??? o studio ghibli é muito especial, capricha em cada detalhezinho que é absurdo. o cachorrinho heen se virando pra voltar a ficar de pé depois que sophie carrega ele escadaria acima, calcifer corando de vergoinha de sophie ter elogiado ele, as estrelinhas caindo, as figuras de sombra dançando de mãos dadas que aparecem com os feitiços, o quarto de howl!!! não lembrava nem um pouco que suliman aqui era uma mulher, não desaparecida como no livro mas feiticeira real, e malvada ainda por cima. muito menos que ela desmagicava a bruxa das terras abandonadas (! tradução) e que sophie trazia ela pra turma! michael criancinha, não quer que ela é embora, fala sobre família... vi em algum lugar uma discussão sobre howl saber que sophie tava amaldiçoada e que na verdade tinha 18 anos, mas não concordo com essa idade não, viu. ela é a mais velha das irmãs, afinal, e howl é descrito como estando nos seus ~late twenties~, então acredito que ela tá por aí também, pelo menos próxima de 25. e encontra uma família prontinha T_T a coisa dela ver a infância de howl e ele ter salvado/feito o pacto com calcifer tão novinho, um coração de criança... não vou reclamar do número bem maior de cenas sugestivamente românticas no filme, aliás. e sophie indo e voltando nas idades, quando dorme, oh! ou será que é só o que howl enxerga? muito louco isso dele se transformar num passarão, show. anti-war bird boy!!! miyasaki pega sempre nisso né, foi uma adaptação muito boa pra história do livro. no original nem é nada de mais, afinal, só a bruxa consumida pelo demônio do fogo dela e ele querendo um novo coração. um pouco otimista demais suliman perceber o que tá fazendo no final e decidir acabar com a guerra assim, de uma hora pra outra. o espantalho quase não apareceu de volta à forma humana, mas encaixou bem nessa de ser príncipe e parar com essa palhaçada também. a questão do beijo do amor verdadeiro não vi necessidade, mas tudo bem. ai, tão doce sophie falando com a "vovó" pra ela devolver o coração de howl, "você o quer tanto assim?" e a resposta certeira. olha esse amor, sabe. me despedaçou. não tinha pensado nisso mas realmente quase que só tem uma música esse filme auhsuh a que eu gosto tanto (aliás, chega chorei com essa interpretação incrível!). essa é bem bonita também. aqui fanny é mãe de sophie mesmo, ou pelo menos é assim que ela a chama, em vez de madrasta. queria que tivesse um pouco mais evidente que sophie também é meio mágica, talvez nos chapéus ou com o espantalho... eles limpando a casa e lavando roupa <3 essa sophie é um pouco menos ranzinza que a do livro, né. howl é apaixonante mesmo uhaush nível gay que eu queria ser, que nem brau. não teve wales ou família de howl no filme também, nem mais de uma irmã pra sophie, nem mrs. fairfax. mas quero rever já. que lindo eles andando voando já logo no comecinho! desde lá sophie já tava dando pala da paixão kkk. bom demais ele de toalhinha na cintura fazendo drama pela cor do cabelo, o rêgo aparecendo quando senta na cadeira, sophie cuidando dele e subindo ele pro banheiro :') é isso, perfeição.

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

lidos (3) e assistidos (2) em agosto

macanudo #2 (liniers)
livro de tirinhas que mariana trouxe já faz tempo. tinha lido um pedaço já, terminei só agora. tem umas engraçadas, criativas, fofas, bobinhas... não é muito consistente, nem todas achei boas sacadas. algumas vezes me perguntei sobre a tradução, já que o original é em espanhol. dava pra fazer um trabalho em cima, hein, qualquer hora vou olhar isso. no geral é uma leitura boa pra passar o tempo, nada de mais. podia botar aqui minhas preferidas mas vai dar um trabalho de achar... mas é fácil de reler, também, então pronto.

rafiki (2018)
aquele filme queniano lésbico que pensei em passar na times, mas desisti porque nem tem tanto inglês assim, falam mais suahíli. vi com talita porque tava disponível no "cinema #emcasacomsesc" (acabei de ver que tem as duas irenes lá! que morgana do literalmente vlogando participou na produção, se não me engano. show). gosto muito das cores, das decorações caprichadas nas casas... sofá, pano que separa cômodos, coberta de oncinha, paredes. me parece uma coisa bem áfrica, né, e acho massa pensar em outras estéticas. a história parte de kena, que mora com a mãe e trabalha na vendinha do pai, que é candidato a algum cargo político na cidade. ela tem dois amigos, blacksta e um outro gratuitamente homofóbico, e eles costumam se reunir na lanchonete de uma senhora fofoqueira. um dia ziki chama a atenção de kena, e elas vão se aproximando apesar da outra ser filha do rival político do pai dela. muito estilosa, essa ziki, viu. gosto de como kena se veste, me identifico. as duas se paqueram e começam a namorar em segredo, nesse romeu e julieta lésbico moderno. foda ouvir o pastor pregando na igreja contra o "homossexualismo" e ziki querendo pegar na mão de kena. elas ficam juntas numa kombi abandonada perto do campo de futebol, bem style, bonito o romance. mas as pessoas começam a estranhar e um dia pegam as duas juntas lá, e as agridem pesadamente. cenas fortes, véi. que horror. acaba que ziki desencanta e trata aquilo tudo como uma brincadeira, impossível de ser real, e é mandada pra londres pra estudar, enquanto kena fica pra se tornar médica. no fim contam pra ela que ziki voltou, anos passados, e a última cena é kena numa colina perto de onde ziki morava, sentindo uma mão no ombro e se virando sorrindo. achei bonito, apesar de muito triste, também. muito doce as partes delas começando a se paquerar, os beijos tímidos, o deslumbramento. fiquei sentida. acho kena bem bonita, também. massa ter filmes assim, quero ver mais. "rafiki" quer dizer "amigas". parece que foi proibido/banido no país :( lá é foda em questão de homofobia, criminalidade.

la importancia de llamarse ernesto (oscar wilde)
um dos livrinhos lá da casa do mato; peguei em algum momento de querer distrair do mundo. é uma peça em três atos, sobre esse tal jack (apelido de john) que diz se chamar ernest pra conquistar a mulher em quem é interessado, e pra outro grupo de conhecidos diz ter um irmão mais novo chamado ernest, que usa como desculpa pra se sair quando der vontade. no primeiro ato ele se declara pra essa tal gwendolen, que por algum motivo diz só poder amar um homem chamado ernest (ele até testa perguntar sobre seu próprio nome, só pra ouvi-la rejeitando totalmente), e conta pro amigo algernon que diz ter um irmão fictício que usa em benefício próprio; algernon também tem uma história dessas, algo sobre "bunbury", pra poder se retirar pro campo (se passa entre londres e o condado de hertfordshire). jack tem uma pupila, cecily, que ama o tal ernest, coitada. no segundo ato algernon aparece na casa dela fingindo ser ele, e os dois trocam declarações e já combinam o casamento (essa menina é meio doida, inventou toda uma história com ernest, um noivado de tempos, uma briguinha pra depois reatarem...); engraçado que jack chega contando que o irmão morreu, todo de luto, só pro amigo se revelar dali a pouco. no terceiro ato tem uma reviravolta ainda maior: gwendolen conhece cecily, ambas revelam estar comprometidas com um tal de ernest, gwendolen não sabia de nada do suposto irmão mais velho dele... quando jack aparece cecily fala que é o tutor dela, e quando algy aparece gwendolen diz que ele é seu primo (assim que jack a conhece, aliás). confessam as mentiras, os dois prestes a serem rebatizados pelo padre ou sei lá do lugar, mas ainda vem coisa: a mãe de gwendolen, lady bracknell, reconhece a governanta de cecily, miss prism, porque 28 anos atrás ela trabalhava pra família dela e saiu com um livro e um bebê, o filho da irmã de lady bracknell, que se perderam (ela inverteu as bolsas, algo besta do tipo). e assim se dão conta de que o bebê era jack, que foi mesmo criado pelo avô ou sei lá de cecily, adotado. ou seja, ele é o irmão mais velho de algernon mesmo, e se chama ernest, por ser primogênito (mesmo nome do pai). ôxe, hein. no fim os casais ficam juntos, só não entendi porque cecily não reclama do nome real de algernon não ser ernest (ela também veio com esse papo). no prólogo explicam mais sobre o título, que faz mais sentido em inglês (the importance of being earnest), pela sonoridade do adjetivo earnest e do nome ernest... uma crítica sobre a sociedade da época (1895, mais ou menos), essa coisa de honestidade, aparências, bobageiras. foi legal, esperava menos.

gräns (2018)
comecei aqui a missão de assistir filmes que me interessam logo após ter visto alguém falar sobre ou qualquer coisa do tipo. nesse caso foi puiupo que tweetou sobre filmes com os designs favoritos de monstros/criaturas dela, e por pouco não via border (o título em inglês), mas lembrei que tinha na plataforma do sesc onde vimos rafiki. filme sueco categorizado como romance e fantasia, mas só fui ver isso depois de ter começado a assistir (faz sentido) (esse pôster é tão bonito). a protagonista é tina, que trabalha supervisionando as pessoas que chegam em um porto na suécia. ela tem uma espécie de sexto sentido que a permite farejar emoções nas pessoas, e a partir disso aponta quem está transportando algo ilegal. o que ela sabe é que foi atingida por um raio quando criança, e por isso tem essa habilidade, mas além de tudo ela tem uma aparência que a wikipédia descreve como "neanderthal"; numa hora ela diz que é uma deformidade cromossômica (acho que já vi ou li sobre). quando ela pega um cara com um cartão de memória com pornografia infantil as autoridades pedem ajuda dela pra prosseguir a investigação. um dia passa um cara na fronteira que a intriga demais, mas não acham nada de anormal com ele. ele sorri de um jeito tenso e parece muito com ela, fisicamente. em outro momento ela pede pra revistá-lo por completo, e descobrem que ele tem genitália feminina e uma cicatriz no cóccix, o que deixa tina constrangida. ela também tem uma cicatriz assim, porque caiu numa pedra quando criança, segundo o pai. ela acaba indo atrás dele e eles se aproximam, porque ela se sente diferente e atraída; ela até o convida a ficar na casa de hóspedes que tem junto à dela (tina mora com um cara que tem cachorras de competição, mas não se interessa em se envolver sexualmente com ele, porque a machuca). os dois tem medo de tempestade, e numa conversa depois de um beijo vore diz que o que eles têm não é uma deformidade, que ela não deveria escutar os humanos. eles transam e tina o penetra, surpresa em ter um pênis ereto (parece um clitóris comprido), e vore diz que ela é um troll. só que aí ela encontra um bebê na geladeira dele (ele sempre tá com uma barrigona e numa noite deu à luz!) e fica sabendo que aquilo é um hiisi, um embrião não fertilizado que morre em pouco tempo e é fisicamente maleável. turns out que vore é o traficante de bebês ligado ao caso de pornografia infantil, porque ele tem essa ideia de estimular a maldade e o corrompimento moral entre os humanos como vingança pelo que fizeram com os trolls (o que ele faz é trocar bebês humanos por esses hiisi, que saem dele regularmente). what! tina discorda com isso e o denuncia pra polícia, certamente omitindo as partes fantásticas, mas ele pula no mar, de algemas, e desaparece. ela põe o pai na parede e ele revela que a adotou depois que seus pais morreram no hospital psiquiátrico onde faziam torturas e experimentos neles. what!! o nome real de tina é reva, que ela acha lindo (concordo). revolta. termina com ela recebendo uma caixona onde tem um bebê troll e um cartão postal da finlândia, onde vore disse haver uma colônia de trolls em segredo. what!!! achei esse filme incrível, inesperadíssimo e muito diferente. vi com talita e carol, que ficou meio estranhada, mas acho que curtiram. palavras suecas que lembro e reconheci: helvete e flicka.

por que eu não converso mais com pessoas brancas sobre raça (reni eddo-lodge)
tava lendo esse há alguns meses, já. demorei porque por um tempo fiquei mal demais pra pegar em leituras pesadas. quando voltei li alguns trechos pra talita, sobre feminismo negro e outras partes que me chamaram a atenção. cada capítulo foca num âmbito, contando histórias, falando sobre o sistema, sobre privilégio branco, sobre feminismo e sobre raça e classe. muito completo e bem escrito, com alguns relatos pessoais e mais pontuais, já que a escritora é jornalista. ela fala da grã-bretanha e usa muitos detalhes históricos, mas tudo reverbera aqui no brasil e no mundo também (interessante pensar as diferenças e semelhanças entre esse livro e pequeno manual antirracista). o único problema foram as inúmeras vezes em que tinha algo errado com a tradução/edição: vários trechos esquisitos, erros de escrita e etc, uma pena. quem escreve o prefácio é a gabi do canal de pretas, gosto dela. "Eu parei de falar sobre raça com pessoas brancas porque eu não acredito que desistir é um sinal de fraqueza. Às vezes é sobre autopreservação." muito doloroso, mas absurdamente importante e necessário. massa que ficou esses dias gratuito pra baixar, porque conversa com muita coisa que vem acontecendo agora, que vem sido falado nas manifestações. aprendi e refleti sobre muita coisa, mas sei que ainda tenho muito o que pensar e voltar e fazer. alguns dos destaques que eu fiz:

A jornada para entender o racismo estrutural ainda exige que as pessoas de cor priorizem os sentimentos brancos. Mesmo que eles consigam te ouvir, eles não estão realmente escutando. (...) Quem realmente gostaria de ser alertado sobre um sistema estrutural que o beneficia à custa de outros?

Eu não posso ter uma conversa com as pessoas sobre detalhes de um problema se elas sequer reconhecem que o problema existe. Pior ainda é a pessoa branca que pode estar disposta a considerar a possibilidade do racismo dito, mas que pensa que entramos nessa conversa como iguais. Nós não entramos.

Diante de um esquecimento coletivo, precisamos lutar para lembrar.

uma definição para racismo institucional:

(...) racismo institucional, explicou o relatório, é “o fracasso coletivo de uma organização em fornecer um serviço adequado e profissional às pessoas por causa de sua cor, cultura ou origem étnica. Pode ser visto ou detectado em processos, atitudes e comportamentos que resultam em discriminação por preconceito inconsciente, ignorância, falta de pensamento e estereotipagem racistas que prejudicam as minorias étnicas.”

Dizemos a nós mesmos que pessoas boas não podem ser racistas. Parece que pensamos que o verdadeiro racismo só existe nos corações das pessoas más. Dizemos a nós mesmos que o racismo é sobre valores morais, quando, em vez disso, é sobre a estratégia de sobrevivência do poder sistêmico.

É muito provável que homens brancos altamente qualificados e bem remunerados sejam patrões, chefes, CEOs, professores-chefes ou vice-reitores em universidades. Eles são quase certamente pessoas em posições que influenciam a vida de outras. Eles são quase certamente o tipo de pessoas que estabelecem culturas organizacionais. É improvável que eles se gabem de suas políticas com colegas ou conhecidos por causa do estigma social de estarem associados a visões racistas. Porém, o racismo deles é encoberto.

sobre não ver raça e sobre o padrão ser branco:

Não ver raça pouco faz para desconstruir estruturas racistas ou melhorar materialmente as condições às quais as pessoas de cor estão sujeitas diariamente. Para desmantelar estruturas injustas e racistas, precisamos ver raça. Precisamos ver quem se beneficia de sua raça, quem é desproporcionalmente impactado por estereótipos negativos sobre sua raça e a quem o poder e o privilégio são concedidos – merecidos ou não – por causa de sua raça, sua classe e seu gênero. Ver raça é essencial para mudar o sistema.

O neutro é branco. O padrão é branco. Porque nós nascemos em um roteiro já escrito que nos diz o que esperar de estranhos devido à sua cor de pele, sotaques e status social, toda a humanidade é codificada como branca. A negritude, no entanto, é considerada a “outra” e, portanto, de se suspeitar. Aqueles que são codificados como uma ameaça em nossa representação coletiva da humanidade não são brancos.

(...) privilégio branco é a ausência das consequências negativas do racismo. Uma ausência de discriminação estrutural, uma ausência da sua raça sendo vista como um problema em primeiro lugar, uma ausência de “menos chances de sucesso por causa da minha raça”. É uma ausência de olhares engraçados direcionados a você porque acredita-se que você esteja no lugar errado; uma ausência de expectativas culturais; uma ausência da violência promulgada em seus antepassados por causa da cor de suas peles; uma ausência de uma vida inteira de marginalização sutil e divisória – exclusão da narrativa de ser humano.

a diferença entre racismo e preconceito (muito massa pra se entender por que não existe racismo reverso):

Existe uma diferença entre racismo e preconceito. Existe uma definição não-atribuída de racismo que o define como preconceito mais poder. Os desfavorecidos pelo racismo podem certamente ser cruéis, vingativos e preconceituosos. Todo mundo tem a capacidade de ser desagradável com outras pessoas, de julgá-las antes de conhecê-las. Entretanto, simplesmente não há pessoas negras o suficiente em posições de poder para promulgar o racismo contra pessoas brancas no tipo de grande escala que atualmente opera contra pessoas negras. Os negros estão super-representados nos lugares e espaços onde o preconceito poderia realmente ter efeito? A resposta é quase sempre não.

essa fala famosa de martin luther king jr. que me faz pensar em performative allyship e etc:

Martin Luther King Jr. também refletiu: “Primeiro, devo confessar que, nos últimos anos, tenho sido gravemente desapontado com os moderados brancos. Cheguei quase à lamentável conclusão de que o grande obstáculo dos negros no caminho da liberdade não é o Conselheiro do Cidadão Branco ou o Ku Klux Klanner, mas o moderado branco que se dedica mais à ‘ordem’ do que à justiça; que prefere uma paz negativa, que é a ausência de tensão, à uma paz positiva que é a presença da justiça; que constantemente diz: ‘Eu concordo com você no objetivo que você procura, mas não posso concordar com seus métodos diretos’; que, paternalisticamente, sente que pode definir o tempo de liberdade de outro homem; que vive pelo mito do tempo e que constantemente aconselha o negro a esperar até uma ‘estação mais conveniente’.” (...) “A compreensão superficial das pessoas de boa vontade é mais frustrante do que a incompreensão absoluta das pessoas de má vontade. A aceitação indiferente é muito mais desconcertante do que a rejeição total.”

sobre relacionamentos inter-raciais e adoção transracial! putz:

Agora, quando vejo um casal inter-racial, me sinto desconfortável, embora esteja em um relacionamento interracial. Quando vejo um pai branco com um mestiço, penso: ‘Esse filho vai ter o que precisa?’. Porque não tive o que eu precisava. Acho que, para pessoas brancas que estão em relacionamentos inter-raciais, ou que têm filhos mestiços, ou que adotam transracialmente, a única maneira de isso funcionar é se eles realmente se comprometerem em ser antirracistas. Ser humilde e aprender que eles são racistas, mesmo quando pensam que não são.” (...) pais brancos que adotam filhos de cor assumem uma nova responsabilidade de serem conscientes em relação à raça. Eles embarcam em uma jornada muito nova de autodescoberta e têm o dever de não mais se comprometer com as políticas limitantes da neutralidade racial. Eles têm esse dever porque uma criança negra não pode ser sobrecarregada com a responsabilidade de enfrentar os preconceitos do mundo por conta própria. Nem todos os pais brancos dedicam tempo para aprender.

sobre monumentos históricos! foda:

Um debate nacional sobre se a estátua deveria cair se seguiu. Os estudantes negros que se manifestaram foram acusados de serem antidemocráticos. “Cecil Rhodes era um racista”, dizia uma manchete, “mas você não pode apagá-lo da história.” Essa foi uma conclusão estranha a ser tirada, porque fazer campanha para derrubar uma estátua não é o mesmo que deletar o nome de Cecil Rhodes dos livros de história. A campanha Rhodes Must Fall não queria que Rhodes fosse apagado da história. Em vez disso, eles estavam questionando se ele deveria ser tão abertamente celebrado. Os oponentes da campanha – que incluíam Lord Patten, o chanceler da Universidade de Oxford – disseram que, ao exercer seu direito democrático de protestar, os estudantes estavam na verdade interferindo na liberdade de expressão. Ao fazer um barulho, interrompendo o cotidiano e apontando o problema, eles se tornaram o problema. De alguma forma, não era crível que Lorde Patten simplesmente quisesse um debate livre e justo e uma troca saudável de ideias em seu campus. Parecia que ele só queria o silêncio, o tipo de paz forçada que fervia de ressentimento, do tipo que requer que alguns sofram para que outros se sintam confortáveis.

sobre vitimização branca:

Para as pessoas que se opõem ao antirracismo com base na liberdade de expressão, a oposição a disparidades raciais grosseiras é uma questão de “ofensa”, em vez das condições materiais altamente desiguais que as pessoas afetadas por ela carregam como fardo. Estar em uma posição em que suas vidas são tão confortáveis que eles realmente não têm nada material para se opor, os falsos defensores do “discurso livre” gastam todo seu tempo livre injuriando contra a “cultura ofensiva”. Quando focam em ofensas, ao invés de sua própria cumplicidade em um sistema drasticamente injusto, eles transferem, com sucesso, a responsabilidade de consertar o sistema dos beneficiados por ele para aqueles mais inclinados a perder por causa dele. Combater o racismo passa de conversas sobre justiça para conversas sobre sensibilidade. Aqueles que são repetidamente atingidos pelas tendências do racismo de impedir suas chances de vida são aconselhados a endurecer e a ficarem mais fortes.

sobre personagens negros, véi! é isso:

É no cinema, na televisão e nos livros que vemos as manifestações mais potentes do branco como a suposição padrão. Um personagem não pode simplesmente ser negro sem um aviso prévio para um assumido público branco. Personagens negros como protagonistas são considerados como não-identificáveis (com exceção de um punhado de estrelas hollywoodianas notáveis). Quando o casting para filmes e para a TV dá um passo fora da branquitude, fãs repetidamente revelam seu lado obscuro, expressando sua irritação, desgosto e decepção. O medo de personagens negros é o medo de um planeta negro.

(...) As pessoas brancas estão tão acostumadas a ver um reflexo de si mesmas em todas as representações da humanidade, em todos os momentos, que só percebem quando isso é tirado delas.

sobre minoria modelo! véi. hermione:

Hermione, negra ou mestiça, suportando insultos cuspidos de “sangue-ruim” de seus colegas, afastada de seus pais, dita que é especial e parte de uma raça completamente diferente, pode estar muito interessada em assimilar, em ser aceita. Não é de se admirar que ela tenha tentado tanto. Não é de admirar que ela tenha feito o dever de casa de seus amigos e tenha sido a primeira a levantar a mão na aula. Ela era a minoria-modelo. Uma Hermione negra ou mestiça movimentando-se para libertar elfos domésticos, depois de seis ou sete anos sofrendo insultos raciais, pode não ter coragem de desafiar seus colegas, e em vez disso poderia ter se agarrado a algo que ela sentia que realmente poderia mudar.

sobre a tarefa de educar:

Um século depois, em 1984, a feminista negra, ativista e poeta Audre Lorde escreveu em Sister Outsider: Essays and Speeches: “As mulheres de hoje ainda estão sendo convocadas a atravessar a lacuna da ignorância masculina e educar os homens quanto à nossa existência e nossa necessidades. Essa é uma ferramenta antiga e primária de todos os opressores para manter os oprimidos ocupados com as preocupações do mestre. Agora ouvimos dizer que é tarefa das mulheres de cor educar as mulheres brancas – diante de uma tremenda resistência – em relação à nossa existência, nossas diferenças, nossos papéis relativos à nossa sobrevivência conjunta. Isto é um desvio de energias e uma repetição trágica do pensamento patriarcal racista.”

sobre a necessidade do feminismo negro:

bell hooks se apresentou em 1981, escrevendo em Ain’t I a Woman: Black Women and Feminism: “O processo começa com a aceitação da mulher individual de que… as mulheres, sem exceção, são socializadas para serem racistas, classistas e sexistas, em graus variados, e nos rotular de feministas não muda o fato de que devemos conscientemente trabalhar para nos livrar do legado da socialização negativa. É óbvio que muitas mulheres se apropriaram do feminismo para servir a seus próprios fins, especialmente aquelas mulheres brancas que estiveram na vanguarda do movimento; mas, em vez de me resignar a essa apropriação, escolho reapropriar o termo ‘feminismo’, para me concentrar no fato de que ser ‘feminista’, em qualquer sentido autêntico do termo, é querer, para todas as pessoas, mulher e homem, a libertação do machismo, padrões de gênero, dominação e opressão.”

O feminismo branco em si não é particularmente ameaçador. Torna-se um problema quando suas ideias dominam – representadas como universais, para serem aplicadas a todas as mulheres. É um problema porque consideramos a humanidade através do prisma da branquitude. É inevitável que o feminismo não ficasse imune a isso. Consequentemente, o feminismo branco reforça sua posição quando aqueles que o desafiam são considerados causadores de problemas. Quando escrevo sobre o feminismo branco, não estou reduzindo as mulheres brancas à cor de sua pele. A branquitude é uma posição política, e desafiá-la em espaços feministas não é um olho por olho porque o preconceito precisa de poder para ser eficaz. (...) Quando as feministas brancas ignoram a raça, elas inicialmente não estão vindo de um lugar de malícia – embora a oposição delas possa muito rapidamente evoluir ao ponto de espumar quando suas políticas são desafiadas. Em vez disso, aprendi que elas vêm de um lugar muito parecido com o meu. Nós todos crescemos em um mundo dominado por brancos. Este é o contexto no qual as feministas brancas estão trabalhando, beneficiando e reproduzindo um sistema que elas mal percebem. No entanto, suas habilidades de análise crítica são muito boas em identificar sistemas exclusivos, como gênero, dos quais elas não se beneficiam.

sobre o que o feminismo deve ser:

O feminismo não é sobre igualdade e, certamente, não é sobre deslizar silenciosamente para um mundo de trabalho criado por e para os homens. O feminismo, no seu melhor, é um movimento que trabalha para libertar todas as pessoas que foram marginalizadas econômica, social e culturalmente por um sistema ideológico que foi projetado para que elas fracassem. Isso significa pessoas com deficiência, negros, trans, mulheres e pessoas não-binárias, pessoas LGB e pessoas da classe trabalhadora. (...) Além das exigências óbvias – o fim da violência sexual, o fim do hiato salarial – o feminismo deve estar consciente da classe e ciente da cultura limitante da binariedade de gênero. É necessário que ele reconheça que as pessoas com deficiência não são inerentemente defeituosas, mas sim que as pessoas sem deficiência falharam na criação de um mundo físico que serve a todos. O feminismo precisa exigir moradias acessíveis, decentes e seguras e uma renda básica universal. Ele deve exigir pagamento para mães em tempo integral e creches gratuitas para mães que trabalham fora. Deve reconhecer que vivemos em um mundo em que as mulheres são constantemente instigadas a serem cobiçadas, mas punem as profissionais do sexo por usarem essa situação para ganhar a vida. O feminismo precisa reconhecer completamente que a sexualidade é fluida, e precisamos sonhar com um mundo onde as pessoas não sejam violentamente policiadas por transgredirem os rígidos papéis sociais de gênero. O feminismo precisa reivindicar um mundo no qual a história racista é reconhecida e explicada, na qual as reparações são distribuídas, nas quais a raça é completamente desconstruída.

A igualdade é boa como uma demanda transitória, mas é desonesto não reconhecê-la pelo que é – o caminho mais fácil. Há uma diferença entre dizer “queremos ser incluídas” e dizer “queremos reconstruir seu sistema exclusivo”. A primeira é mais prontamente aceita no mainstream.

sobre mulheres negras raivosas e emasculação (!):

Que mulheres negras raivosas parecem emascular homens é sexista porque faz suposições sobre as
características dos homens que inevitavelmente limitam o escopo de sua humanidade. Para acreditar na emasculação, você tem que acreditar que a masculinidade é sobre poder, força e domínio. Esses traços supostamente deveriam ser grandes nos homens, mas são muito pouco atraentes nas mulheres. Especialmente nas negras raivosas.

sobre mobilidade social:

Mudar de classe exige um mínimo de sucesso e, se você não é branco, o sucesso é uma faca de dois gumes. Mesmo se você trabalhar muito e se ver no seu melhor, haverá um debate sobre se isso aconteceu por causa de sua raça, ou apesar disso.

e por fim, sobre o papel de cada um na luta antirracista:

O trabalho antirracista – a logística, a estratégia, a organização – precisa ser liderado por aqueles no cume da injustiça. Entretanto, também acredito que os brancos que reconhecem o racismo têm um papel extremamente importante. Essa parte não pode ser feita enquanto sentem culpa deliberadamente. (...) Pessoas brancas, vocês precisam falar com outras pessoas brancas sobre raça. Sim, vocês podem ser taxados como radicais, mas têm muito menos a perder. Conversem com outras pessoas brancas que confiam em você. Conversem com pessoas brancas nas áreas de sua vida nas quais você tem influência. Se vocês se sentirem sobrecarregados por seu privilégio não merecido, tentem usá-lo para algo e usem-no onde for necessário. Mas não sejam antirracistas em prol de uma audiência. Ser branco e antirracista em sua vida privada ou profissional, onde há muito poucos elogios a serem encontrados, é muito mais difícil, mas, em última análise, mais significativo.

Se você está enojado com o que vê, e sente o fogo correndo em suas veias, então depende de você. Você não precisa ser o líder de um movimento global ou um nome de peso. Pode ser tão em pequena escala quanto diminuir as relações de poder distorcidas em seu local de trabalho. Pode ser transmitindo conhecimento e habilidades para aqueles que não teriam acesso a eles de outra forma. Pode ser de forma criativa. Pode ser informal. Pode ser o seu trabalho. Não importa o que seja, contanto que você esteja fazendo alguma coisa.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

lidos (7) e assistidos (11) em julho

dark season 3 (2020)
ok... depois de duas temporadas incríveis, as expectativas tavam enormes, né, e a terceira temporada não esteve bem à altura das outras. só de vir com isso de outro mundo já fiquei meio cabreira porque podia virar cringe. analisando enquanto assistia com as meninas entendi o problema: o jeito de contar a história e revelar os mistérios não foi igual antes, e por isso ficou tão destoante do que a gente conhecia. fiquei lembrando de um vídeo sobre como j.k. rowling escreve histórias de mistério em harry potter, em contraste com a série sherlock: no primeiro a gente vai descobrindo as coisas gradualmente, tendo pistas pra poder juntar e formular hipóteses como se estivéssemos participando de tudo, acompanhando os personagens, enquanto na outra tudo é jogado na cara sem que haja tempo pra gente pensar sozinho, porque sherlock pensa em tudo e já vai dando as respostas. e foi isso que fizeram nessa temporada, sendo que antes era do outro jeito; se tivessem mudado a ordem das revelações em vez de ficar repetindo as mesmas falas de adam com eva podia ter sido melhor. mas os três últimos episódios foram bons, e gostei do final – achei bem coerente, a coisa de ser três dimensões e não duas sempre esteve na nossa cara (tem o meio além do começo e do fim, tem 2019, 1986 e 1953...), afinal. e putz, os personagens!!! silja filha de HANNAH COM EGON, meia irmã tanto de jonas quanto de claudia, então. hannah dando o colarzinho do padroeiro dos viajantes pra mãe de katharina, que depois MATA katharina, puta merda. silja e bartosz virando casal e TENDO NOAH, jesus. e um meio termo entre jonas adulto e adam, tenso demais, chega a matar hannah. queria ter visto mais da convivência de elisabeth e noah no futuro, de como ela se tornou aquela líder fodona. MEU DEUS o pai dela morrendo,  aquela faca entrando no pescoço em câmera lenta, logo depois dela quase ser estuprada. jovenzinha e se vingou do cara brutalmente, hein. que dó, mano. melhor personagem ela, afinal, mas fiquei chateada de ver que ela não é surda de verdade. no segundo mudo quem é surda é franziska, bartosz é esquisitão e o namoradinho de martha é irmão do erik que desaparece. uma das coisas que mais me incomodou foi como essa martha chorava o tempo inteiro; muito ruim essa caracterização. meio confuso as inúmeras marthas, cinco minutos de diferença entre elas, sei lá. e que vergoinha tocar what a wonderful world enquanto todo mundo desaparece da existência ashuhs. massa o jantar dos colegas, tiraram uma com a cara dos fãs quase falando do olho de wöller, ainda por cima.

killing eve season 1 (2018)
comecei sem planejar muito e foi uma surpresa agradável. sandra oh showzona como eve polastri, uma detetive que vê e quer mais do que o emprego permite. um assassinato feio e ela tem certeza que é uma mulher; tem juntado informações sobre outros crimes que ela acha ter algo em comum. a criminosa é vilanelle, russa que mora na frança e responde a konstantin, quem dá os serviços pra ela. muito talentosa e inteligente, psicopata também, meio attention-seeker. cruza com eve logo antes de ir matar a testemunha do último crime e se atrai por ela, diz pra usar o cabelo solto. um massacre traumático e nessa eve é demitida, mas é recrutada como parte de um grupo secreto que investiga esses mesmos casos em busca da tal assassina. logo cai a ficha de eve sobre a "enfermeira" que falou com ela no banheiro e a partir daí vira uma dupla obsessão (esse é o título da série em português, aliás), vilanelle provocando eve e mandando coisas pra ela, eve tentando encontrá-la e não parando de pensar nela. a doida chega a invadir a casa de eve, véi, pede pra jantar junto, conversam. várias coisas, viagens, vilanelle mata brutalmente o parceiro de eve, no meio da balada, porque ele percebeu que ela tava atrás de eve e ficou seguindo ela. o marido de eve é polonês, acho, por isso o sobrenome; chegou até a ajudar numa tradução lá no começo antes da testemunha ser morta. mas ele começa a ficar cabreiro com o trabalho dela, muitos riscos, ela mudando, só trabalha, esquece dos compromissos com ele e os amigos. enfim, a chefe da investigação é uma tal de carolyn, toda fodona e com experiência de décadas, mas estranhamente ela conhece konstantin (tiveram um casinho no passado) e fala diretamente com vilanelle quando ela tá na cadeia num dos trabalhos dela. eve passa a desconfiar e fazer coisas sozinha, acha a casa de vilanelle e aparece lá quebrando tudo. a ota chega, elas conversam, se deitam na cama e eve esfaqueia ela. mas logo em seguida se desespera, tenta ajudar, quase se matam, e a ota foge. kkkk véi. já tinham se aproximado de novo antes, quando vilanelle tá perseguindo um carinha que tinha sido chefe de eve na polícia e que tá fazendo coisa pra organização potentona pra quem vilanelle trabalha. ela passa com o carro por cima da ex-namorada, jesus, e nem mata. por isso vai pra cadeia, pra terminar de matar a coitada. enfim, várias coisas, tô curtindo. 3 temporadas.

vozes negras (amanda condasi, flor, priscila, isa souza, maria ferreira e pétala souza)
dos 4 contos, gostei mais do segundo e do terceiro: "carimbos e memórias", de flor, priscila, e "não existem sinônimos suficientes para futuro", de isa souza e pétala souza. nesse primeiro a história é sobre essa menina chamada glorinha, que quando mais jovem ajudou numa pesquisa com a comunidade pra nomear a biblioteca da escola, e através disso conheceu carolina maria de jesus, de quem a tia do sorvete tinha sido vizinha no passado. a menina cresce, sempre gostando de escrever; vence um concurso de poesia da TV (o poema dela cita noémia de souza, carolina maria de jesus, maya angelou e a própria mãe; bem bonito) e começa a pensar que quer ter uma profissão onde pode escrever e viajar o mundo. no final ela tá num avião em direção a mais uma reportagem, de muitas, e dá a entender que ela é a glória maria. ela fala sobre ser um símbolo para outras meninas negras e tal. a outra história é mais ficção científica, bizarramente próxima do contexto atual de isolamento e pandemia. um tal de omega vírus que mata muita gente, uma doença que tem a ver com compatibilidade genética. passam muitos anos, duas gerações ou mais, e todo esse tempo as pessoas viveram em isolamentos familiares. agora tem projetos de reinserção na sociedade, jovens "trangênicos" que não provocam novos surtos, uma festa pra dar início ao convívio não-digital. mas aleduma vem de um quilombo, um refúgio onde a vida continuou sem isolamento, e a missão dela é levar enyin pra lá, mas contrariando as expectativas ela quer ficar, fazer a mudança de dentro. não sei se gosto do fim, porque foi só uma insistência a mais de aleduma e a outra se viu desmotivada e foi junto, pronto. mas a história em si foi massa, trechos bonitos, uma coisa sobre espelhos e verdade. bem escrito. os outros contos não me chamaram muito a atenção: o primeiro é daquela maria do canal/instagram impressões de maria, e fala de um relacionamento que deu errado, ida dela de salvador pra são paulo pra estudar letras, o cara negro não conseguia ficar com uma negra por causa da pressão que sofreria no ambiente de trabalho e contatos. meio sem sal, não cativou em nada, pareceu muito relato pessoal. o último é até ok, uma menina que encontra sapatilhas de balé quando ajudava a mãe no lixão, alimenta o sonho e faz aulas em ONGs até ser convocada pela companhia de dança do harlem. um indício de romance que não leva pra nada, duas amigas, festa de aniversário e bebidas, uma delas sapatão. não consigo deixar de ler esses livros e ver os erros de escrita, as letras comidas ou invertidas, a falta de ou falha na revisão. também não gosto da indecisão sobre que linguagem usar, umas coisas do tipo "ai, amiga, eu a vi no instagram" no meio de uma conversa coloquial, sabe. queria histórias que usam a linguagem do dia-a-dia mesmo, sem tentar se aproximar do literário, porque fica esse estranhamento, não parece natural. no mais, ilustrações massa. no final tem referências de livros, autores e obras.

dois garotos num navio (slaeff)
curtinho, de ler em uma sentada. referências ao passado, aparentemente recente, de quando o pai de um deles viu os dois se beijando. parece ter sido um problema, o cara reagiu mal, o filho pede desculpas pro outro. atmosfera de sonho, não querendo abrir os olhos. primeiro estão numa rua, bastante gente em volta, mas através de um beijo se transportam pro titanic. noite fria, jantam juntos, precisam correr pra ir embora porque sabem o que vai acontecer em seguida. e no fim a mãe do menino narrando o acorda, e ele vai pro velório do outro garoto. "naufrágio de um de nós". interessante a construção, foi o melhor desses young adults que tô lendo esses tempos. melancolia, né. ainda vejo defeitinhos, erros de digitação e coisa e tal, mas a composição em si foi tranquila.

onheama, a infância de um guerreiro (pequeno teatro do mundo, 2020)
uma ópera de marionetes transmitida pelo "em casa com o sesc" que analuísa chamou pra ver. sobre um eclipse – uma onça monstrona que engoliu o sol e a única esperança de trazê-lo de volta é uma criança. no caminho ele encontra yara e o boto cor-de-rosa, que se juntam a ele pra ajudar (ou atrapalhar, no caso do boto). o jeito é mandar uma flecha no focinho da onça, pra ela espirrar e vomitar o sol... ahushs, show. ela é toda robótica futurista. difícil de entender a letra às vezes, principalmente na voz da mulher, por ser agudo. podia ter legenda ou uma transcrição em algum lugar. foi divertido, bem bonito, as marionetes e tal. parece que eles mesmos que fazem, deve ser massa demais.

jeanne dielman, 23 quai du commerce, 1080 bruxelles (1975)
quanto tempo levei pra assistir esse filme de três horas? foram muitos almoços observando jeanne viver. muito louco essa abordagem, a revolução que isso foi lá atrás. tudo acontece quando nada acontece, né. eu já sabia que ela ia matar um cara, mas foi massa ir vendo as pistas. ela abre o presente e deixa a tesoura ali na penteadeira, já imaginei que seria a arma do crime. antes ela teve vários momentos de ficar com o olhar perdido, derrubar e quebrar coisas, fazer coisa errado. aquele bebê da vizinha, véi, fiquei tensa pensando que ela ia fazer algo com ele. não parava de chorar. o filho é meio tosco, né, não é capaz nem de tirar os próprios pratos. bem bosta isso da mãe/mulher cuidar da casa toda, da comida, da roupa, tudo. e ainda é uma realidade. foi bom assistir, devia ser mais conhecido. parece que a amanda miranda aqui de sbo curte muito essa diretora. se liga nas minhas anotações enquanto assistia:
- super empoeirado o cobertor na cama, viu. ela bate pra limpar e sai uma fumaça.
- então é assim que se usa uma banheira. tinha aquecedor no banheiro, então deve ser mais tranquilo no frio. e ela limpou depois de tomar banho, olha lá.
- aquela cortina pertíssimo do fogão, medo. por que as panelas tavam pra fora? talvez a geladeira seja só o clima do lado de fora mesmo. esquentou rapidinho até jantarem.
- eles nem mastigam direito, só vão engolindo. aposto que aquela comida toda no prato dele foi pro lixo, pena.
- ela lê a carta quase sem respirar. o menino nem fala nada, que bosta.
- só saíram de noite pra botar a coisa pra fora e dar uma volta?
- ele não tem quarto, então. toda noite tem que afastar os móveis e fazer isso
- abriu a janela mas tá tão cedo que nem iluminou
- ligou o aquecedorzinho... trocou toda a roupa do cara. até engraxou o sapato
- agora tem duas cadeiras na cozinha!
- que rápido esse café
- haha isso de deixar a roupa de dormir debaixo do travesseiro
- dois segundos de bebê
- a velhinha ali só de enfeite
- que escuro esse lugar que ela toma café. vontade de acender o lustre acima dela
- a hora do cara estranho!!! dois segundos e já saem, mas ela tá de cabelo bagunçado. o cara da dinheiro e diz "até quinta-feira"... sabia que ia acontecer coisa desde de manhã que ela botou aquele paninho na cama. eca
- perspectiva diferente da cozinha! será que ela percebeu que deixou a panela no fogo? parece meio atordoada, levando a panela pra lá e pra cá. só mais uma batata, é isso? vai sair pra comprar ou emprestar?
- coitada. terceira vez que vai na rua no mesmo dia
- essas batata marronzona. aí tem que descascar mesmo. olhar vazio, perdida em pensamentos
- sempre mandando ele parar de ler e comer
- aff ele parado depois de terminar. ela já pega os pratos e leva pra cozinha...
- a entrada é sempre uma sopa, então
- "un petit minute"
- nem conversam eles, ele nem responde o que ela diz
- que negócio é esse que ele faz e tem prova de natação?
- esse corte confuso, bem quando ele afasta o livro muda pra ela segurando um e depois fechando, ele escrevendo no caderno
- "não vamos ligar o rádio hoje?" por que você mesmo não faz, véi?
- o "sair" deles é dar uma volta no quarteirão? sempre esse escuro que não dá pra ver nada, só ouvir o saltinho dela
- que papo doido é esse, menino. o membro masculino é uma espada que machuca, uhum. idade de se interessar por mulheres, ele diz, com essa cara de vinte e poucos
- ela sempre abotoa todo o negócio azul que veste
- todo dia engraxar sapato, véi
- os mesmos gestos, até. o jornal debaixo do braço, o sapato em cima do lixo...
- ele apontou o botão aberto... wow
- tinha achado estranho ela colocar o prato ensaboado no escorredor e ela percebe, fica confusa! show
- tem uma bacia que fica sempre na pia. interessante
- nossa, super fino esse "colchão" onde o cara dorme né
- todo dia ela faz tudo sempre igual...
- derrubou um talher, tinha derrubado a escova de engraxar... olha só
- não entendo esse lugar que ela vai. bureau, ingang... ela que saiu cedo demais, foi?
- esqueceu a sacola...
- o número 23 esquisito fechado? que lugar é esse?
- que trabalho infinito essa carne...
- olha a sacada!!!
- que é isso que ela tirou da panela?
- nossa, jogou o leite com café todo fora??? chega pensei que era o leite estragado
- queria menos café será? esses cubinhos de açúcar, jamais vi
- de novo!!!!!! por quê? tá ruim o café?
- chaleira engraçada, uma rosquinha
- tá na bad hoje, né, minha filha. i feel you
- arrumar/limpar a casa pra ver se se apruma
- eita, vai receber gente. é agora
- sempre teve essas poltronas e a mesinha? não tô lembrando
- só bonjour e nada mais, que seco né
- que choro gritado horrível
- pega, senta, repete... que agonia
- essa porta nunca é trancada né
- cenário novo! escadas rolantes
- já tinha gente onde ela senta...
- não vai tomar? pô
- o marido morreu então
- antes as roupas vinham com papel assim mesmo, né? lembro
- a tesoura ficou ali.............
- o cara sem reação aí em cima dela... não entendi se ela tava querendo tirar ele porque tava desagradável ou porque ela tava gostando. a cara que ela faz, se esconde no cobertor...
- wow hein. e todo esse tempo contemplativa. uma expressão de felicidade?
- FIM

crickets (2020)
curta de kristen stewart nessa série da netflix "feito em casa". talita correu assistir assim que carol avisou que tinha ela. uns pensamentos de isolamento, insônia, delírios. very relatable. massa que ela fez sozinha com a namorada, aparece no final (e também os nomes de quem editou e tratou a imagem). los angeles, parece, né. é isso, tá todo mundo na merda.

12 years a slave (2013)
mano, que história pesada. solomon northup existiu mesmo, e depois daquilo tudo se tornou um grande antiescravagista, atuando nos eua todo. ele vivia com a esposa e os dois filhos numa casa própria e era um violinista bem sucedido, mas numa viagem com uns caras do circo foi capturado e mandado para o sul como escravo. teve que fingir ser analfabeto, foi traído quando tentou mandar uma carta pra família e por isso desistiu, sofreu muita dor e humilhação. a personagem de lupita nyong'o, meu deus do céu, que horror. ela pedindo que solomon a matasse, o ciúme da esposa do senhor, os castigos, as feridas... o prêmio que ganhou pelo papel foi mais que merecido. quanto branco de merda, até os mais gentis não tinham coragem de peitar o sistema perverso. brad pitt aparece pra questionar isso e por fim ajuda solomon, que até outro nome tinha recebido. muito triste ele ser levado embora enquanto os outros negros que conheceu ficam pra trás. tem essa matéria sobre luiz gama, "nosso solomon northup", que quero ler ainda.

killing eve season 2 (2019)
a primeira terminou assim que eve esfaqueia vilanelle e essa termina quando vilanelle atira em eve. não entendo essas coisas de série em que a polícia acha o criminoso e faz acordos com ele, usam ele pra resolver outra coisa. é o que acontece aqui, vilanelle participando do interrogatório de uma assassina fodona que nem ela, depois fingindo ser amiga da irmã de um steve jobs escroto pra se aproximar dele e descobrir com o que tava envolvido. claro que no fim ela o mata, numa cena em que eve pensou que vilanelle ia se virar contra ela, mas carolyn tinha isso dentro das expectativas e não tá nem aí. foi à gota d'água pra eve; combinou de fugir com vilanelle e por um momento tava tudo lindo, lésbicas nas ruínas de roma, meu deus se beijem, mas ela amarela e toma um tiro de raiva de oksana. essa temporada foi massa, as coisas se intensificando; o que foi aquela cena de oksana transando com eve pela escuta? e o boy tosco da investigação junto, usado por eve, coitado. quase morre, eve deixa ele pra ir salvar oksana, véi, o amor. e ela com o machado no cara dos twelve!!! puta merda. é nessa temporada que ela quase empurra um cara na linha do metrô, né? porque ele passou trombando nela sem nenhuma educação. acho que tô curtindo mulheres assassinas, hein. oksana mandando a real na terapia com a irmã do cara lá, falando sobre estar sempre entediada e não saber por que faz o que faz, o que quer, etc. tô misturando um pouco a segunda e a terceira temporadas porque emendei uma na outra, mas gostei de ambas igualmente.

killing eve season 3 (2020)
no começo oksana tá se casando mas nunca mais tocou no assunto, não entendi a necessidade. aparece uma russa dinossaura que foi a professora dela, ginasta. aí ela decide voltar pros twelve e tentar subir de nível, mas perde a paciência com o aprendiz e o mata, véi. o menino era gay também, fez a maior patchotcheira matando a vítima na festinha de criança. eles vestidos de palhaço ahushs. roupas de oksana sempre on point, adoro a lesbian energy dos terninhos. e woooah o beijo dela e eve no ônibus!!! uma luta toda doida e depois isso, aiai. antes ela nem sabia que eve tinha sobrevivido, coitada. eve tá mal, vivendo num apartamento minúsculo, trabalhando num restaurante de comida coreana com conhecidos da família. carolyn surge pra avisar que vilanelle voltou à ativa. kenny morre, pô!!! brutal demais, caído do prédio. e claro que konstantin tá no meio de tudo. a filha dele, aliás, não falei dela antes, mas what a little lesbian! gosto de como é andrógina e irritantemente inteligente. a coitada mata o padrasto, parece influenciada por vilanelle, no fim tem que ficar numa instituição por causa dos sinais de psicopatia. adorei o final! ela e eve se perguntando sobre o que viria depois, oksana falando pra andarem cada um pra um lado e não olharem mais pra trás, e depois de uns metros as duas olham pra trás *------* asuhsuh. nossa, o marido de eve quase morre nas mãos daquela véia ginasta, lá na polônia (teve PTSD depois de oksana matar a paquerinha dele e deixou eve – "fuck off forever" haush). oksana visita a família, mãe doida, mata ela explodindo a casa toda. deixa dinheiro pro menininho fã de elton john, só deixou ele e outro irmão vivos. tem várias coisas bobinhas, tipo isso de konstantin voltar toda hora ou outras repetições nada surpreendentes, mas o humor e a narrativa são muito únicas. não resolveu tanta coisa assim, mas acho que foi um bom final. ou pensei que ia ser, né, mas esses dias vi na internet que as filmagens da quarta foram adiadas por causa do corona. não acho que precisa, mas MANDA.

struwwelpeter (heinrich hoffmann)
umas historinhas bizarras sobre crianças malcriadas que sofrem consequências absurdas, pra ensinar pelo medo o que não fazer. anisha deu uma história chamada die geschichte vom suppen-kaspar, em alemão (super punk e tenso esse vídeo), e reconheci as ilustrações; era desse livro que era de rômulo, acho. li as outras rapidinho, são em forma de poema, com rimas e tal. interessante de pensar como era isso, ou se sempre foi humor mesmo. é de 1840 mais ou menos.

angola janga (marcelo d'salete)
li cumbe na casa de thiago e peguei angola janga na biblioteca antes da pandemia estragar tudo. fui ler só agora, na pretatona, mas pelo menos deu certo de eu ter um quadrinho de um autor negro pra preencher uma das categorias. massa como ele enfatiza que essa é uma história de palmares, não a história, porque tem tantas possíveis. aqui zumbi foi criado como livre, tendo sido tomado pelos portugueses quando bebê, porque os pais foram mortos num ataque a um quilombo. era instruído e protegido por um padre, e num dia em que outro menino ameaça machucá-lo com instrumentos de tortura de escravos ele foge pela serra da barriga. mas o quadrinho vem desde antes, acompanhando um escravo fugido chamado soares, que depois vai ser a mão direita de zumbi. no final é quem entrega seu paradeiro, também, sob a promessa de liberdade dos bandeirantes. um antagonista que eu não conhecia era zumba, que foi ganga de um quilombo também, mas que fez um acordo de paz com os portugueses pra viver em cucaú. zona era quem o influenciava, mais que tudo, e esse tinha sido homem de zumbi antes de discordar com ele e partir caminhos. a história mostra isso tudo, o massacre de indígenas no recrutamento pra guerra, a guerra em si. o uso de canhões foi decisivo na vitória dos portugueses. muita destruição e dor na construção dessa terra, né. mas é isso, olhar pra perspectiva não hegemônica, ouvir as vozes negras contando sua própria história. muitas referências, mapas e dados no final; 11 anos de dedicação... foda. espero que teja circulando bem, nas escolas e tal. uma leitura bem importante.

the ones who walk away from omelas (ursula k. le guin)
que conto incrível. o narrador vai descrevendo esse lugar chamado omelas, que parece utópico, e numa hora ele até provoca dizendo que aquilo não era nada irreal. que as pessoas eram complexas e educadas como qualquer um de nós, que a ausência de problemas e maldades não se explicava por nenhuma simplicidade. sem guerras, doenças, tristeza. massa como o narrador às vezes diz pro leitor imaginar o que quiser, que não se importa. e aí ele conta a que custo omelas é assim: em algum lugar de omelas há uma criança, sozinha, trancada perpetuamente num armário de vassouras, vivendo sobre o próprio excremento, demente. alguns habitantes vão vê-la, outros voltam a vê-la, mas todos prosseguem com suas vidas. nessa já entendi porque existiam aqueles que abandonam omelas, e é por isso mesmo. aqueles que não conseguem continuar fazendo parte daquilo sabendo o que o sustenta. pequeno e impactante, gostei de começar a ler ursula le guin por aqui. muitos pensamentos reverberando, por muito tempo, com certeza. quero fazer as meninas lerem a tradução do projeto cápsula pra gente conversar sobre.

pequeno manual antirracista (djamila ribeiro)
bem curtinho, vários capítulos pra tratar os diferentes âmbitos atravessados pelo racismo e orientações de como assumir atitudes antirracistas diante disso. achei conciso mas completo, discussões bem amarradas, bastante didáticas. é mesmo o que se propõe, um manual. fiquei desejando dar pra minha mãe ler, minha família. quem sabe. muitas referências pra consultar, também; muitos escritores negros e trabalhos importantes. não cheguei a anotar porque já reuni umas coisas (que vão me consumir por um bom tempo), e também porque sei que posso pegar sempre, já que é de carol, mas penso em ter esse livro um dia.

what we do in the shadows (2014)
vimos sob o uso de cannabis e foi absurdamente bom, mas já queremos rever porque tem referência demais pra pegar em só uma assistida. feliz que toparam ver taika waititi em vez de qualquer filme americano, e já baixei mais um monte de coisas dele porque gosto do humor e do estilo que ele tem e coloca nas histórias que conta. muito bom a coisa de vampiros serem gatos e lobisomens cachorros!!! a velhinha dizendo que já conheceu um lobisomem, que era muito gentil ahushus. sempre bonzinhos e preocupados em serem justos. se acorrentando pra lua cheia huash, até o camera man é atingido... e a surpresa do colega humano reaparecendo ahsuhs véi. muito tosco o vampiro mais novo, nick, né? e the beast sendo a ex-namorada de vlad haushus. coitado do nosferatu. talita disse que na cena do baile teve um espelho em que só o humano aparecia haushs muito boa essa parte! todo mundo chocado e tentando entender o que ele era kkkk. julia já tinha recomendado, apesar de eu conhecer antes disso e ter visto no letterboxd de puiupo também, e na hora sugeri que a gente visse com ela ou esperasse ela voltar pra vermos juntas. agora tá uma bosta, né, tudo arruinado e esquisito. mas foi bom, espero que dê pra contar pra ela o que achamos, sei lá.

hibisco roxo (chimamanda ngozi adichie)
não sabia nada sobre, e confesso que acho as edições da companhia das letras meio feias. não as ilustrações ou as cores (apesar de eu não gostar mesmo do roxo da capa desse ou da combinação roxo e vermelho), mas as fontes, véi... essa do título e a que sempre botam o nome da autora. enfim, já comecei me interessando pelo que a orelha propõe, dizendo que o leitor brasileiro poderia se reconhecer nos temas abordados, colonialismo e cristianismo. mas não esperava que fosse tão forte, sensível e bonito. primeira vez que leio chimamanda escrevendo literatura, e que talento, viu. umas coisas sutis mas absurdamente potentes; as diferenças entre a família de kambili e da tia ifeoma, como o pai pedia pra deus salvar a alma do avô "pagão" enquanto a tia pedia por sua saúde, como ela rezava pelo riso e confiava nos filhos pra fazer os saltos que ela esperava deles. a mudança no tratamento que a prima amaka dava a ela, como vão se tornando irmãs. jaja incorporando a rebeldia, sempre protegendo a irmã e a mãe. a língua dos olhos que tinham. e a mãe, meu deus, as descrições dela com o olho da cor de abacate muito maduro, ela envenenando eugene!!! não esperava por isso. que horror as agressões que elas sofriam, beatrice perdendo o bebê, kambili quase morrendo. e o romance platônico com o padre amadi, não imaginei que teria, também. mas foi tão doce, triste. o hibisco roxo, experimento da amiga da tia, como símbolo da mudança. tudo isso no meio de uma crise nacional, ainda por cima; golpe, paralizações, subornos, desigualdade. muita dor nesse livro, tão profundo essa coisa de religião e colonialismo e vida. kambili não sabia conversar, sabe, nunca sorria. corria assim que terminava a aula na escola porque senão apanhava por tomar tempo do motorista da família. o breve contato com papa-nnukwu, a pureza de ser "pagão", a conexão dele e amaka. a pintura, o enterro. nossa, que livro. daquelas histórias que marcam mesmo, que eu sei que releria um dia. que bom que é tão conhecido.

the half of it (2020)
filminho romance de netflix que você já sabe o que esperar. quando ellie e aster tão conversando na água fiquei prevendo as falas, "lonely" pra não acreditar em deus, etc. e que tosquinho a menina falando de se casar com o namorado idiota, você não tem nenhum senso de autonomia, não? imaginei ellie reagindo àquilo do jeito que falou do filme em que o cara corre atrás do trem, "morons". quais as chances de alguém ter teorias tão assertivas sobre o amor e relacionamentos? isso de alguém conquistar uma garota através da escrita ou planejamento de outra pessoa... previsível, né. essas coisas de filme adolescente em que as pessoas fazem arte juntas, criam uma coisa toda nova e inusitada, que jamais aconteceria na vida real. fiquei pensando nos produtores arquitetando isso, algo irreal mas faz parecer romântico. (elas grafitam uma parede juntas, "pincelada" por "pincelada", enquanto deixam recados sobre arte e blábláblá.) a voz da atriz que faz ellie é muito boa de ouvir, que é isso... mas também não é uma voz rara, né, dá pra imaginar um nome pra como essa voz é conhecida, até. meio rouca ou garganta raspando, madura, lésbica. e o menino apaixonado por aster, que feio, putz. enfim, filme okzinho, chorei fazendo paralelos com a minha vida medíocre. "have you ever loved someone so much you don't want them to change anything?"

black is king (2020)
no mesmo dia que lançou carol já recebeu link pra baixar em torrent e assistimos em 1080p, com legenda e tudo (loucura a pirataria). eu nem ia assistir, mas ela e analuísa ficaram enroladas esperando mariana (que no fim nem viu) e aí deu pra eu pegar tudo. analuísa disse que ficou arrepiada desde o começo, o que foi uma sensação ruim de ficar ligadona por tanto tempo... mas todo mundo ficou sem palavras. chorei algumas vezes, mas na maior parte do tempo estive com os olhos arregalados tentando não perder nenhum detalhe. sinto beyoncé como um messias, sei lá, alguém que chama e guia uma multidão. e é isso mesmo, né? as partes em que ela fala, sem cantar, umas coisas potentes e grandiosas... afrofuturismo no deserto. a filhinha junto atuando e dançando, orgulhosa do "this bloodline" na música do they'll never take my power. wow. feliz em ver isso. carol chamou a gente pra ver o lemonade qualquer dia, e topam rever black is king também; vou aproveitar as oportunidades.