sábado, 31 de outubro de 2020

lidos (1) e assistidos (16) em outubro

little women (2019)
frances ha contando a história das irmãs march. toda hora eu achava que tava faltando a quinta, mas isso é coisa de orgulho e preconceito. sempre tem uma irmã que toca piano e adoece e outra jovem rebeldezinha, é muito fácil confundir. parece que a ideia foi contar o que não tinha sido contado, então tem bastante coisa que se passa depois do que tem no livro, ou antes. se me lembro bem tem uma sequência pra história, afinal, mas acho que nunca vi por aí. saoirse ronan é bonita demais, não tem jeito. muito europeia, tho. e o amiguinho timothy chalamet lá com sua grande cara de menino doente. pernas tortas e cara de moleque. gostei muito de amy adulta falando sobre a realidade da mulher naquele tempo, casamento e tal. meio desapontada com ela casando com laurie; ela mesma fala que sempre ficou em segundo plano, depois de jo, e no fim cede à proposta de dele. muito estranho hermione sendo outra pessoa, aliás. ela tem uma cara meio simplona, né. muito bom o acordo com o cara que publica o livro de jo, com ela ficando com um homem no final. a mãe delas é tão legal. que dó da família pobre; elas pareciam morar bem perto deles, e de tudo, afinal. na parte de jo com a irmã doente na praia pausei pra chorar, não tanto pelo filme, mas porque tava mal. pensando que queria poder ter uma vida diferente, recomeçar em outro lugar, me sentir capaz. jo fala disso, de ser capaz de deter as coisas, mudar, transformar. que bonito essa coisa de sempre ter criado histórias. a união da família, as amizades fortes. triste, de certo modo. no geral, um filme ok. acho que esperava me surpreender mais.

elena (2012)
petra costa, diretora de olmo e a gaivota e outras coisas, falando sobre a irmã que se suicidou aos 20 anos. era 13 anos mais velha, morava em nova york pra estudar, era atriz, dançava. foi ficando triste, perdendo o brilho, vendo o quanto ainda era pequena diante dos desafios dessa vida. mexeu muito comigo essa coisa de ter uma irmã pequena, que não compreende pelo que a outra tá passando. pensei muito em como eu chorava e chorava enquanto tinha que cuidar de meu irmão, em como eu não tinha capacidade de tratar ele bem. petra passou um tempo fazendo acompanhamento psicológico, apresentava coisas de transtorno obsessivo compulsivo, dizia que queria morrer e se recusava a falar sobre a irmã. o que motivou o documentário foi ela ter encontrado os escritos de elena na época em que tava deprimida, bem quando estava com a mesma idade que ela tinha quando morreu. diz ter se identificado demais, e tem toda a questão das duas parecerem muito, todo mundo falar, e petra ter essa espécie de expectativa de que ela supere a irmã. "agora você é mais velha que elena", diz a mãe quando ela passa dos 20. a mãe participa também, lembrando e contando. tem também um amigo de elena, última pessoa com quem ela falou... doloroso, sensível. meio bilíngues, elas, com essa coisa de nova york. me tocou também a fala de petra sobre tudo o que ela produz, toda a inspiração dela vir de elena, que vive nela, através dela, ou que petra vive por elena. não sei o que fazer com isso. essa identificação e dor, catarse. enfim, incrível.

der himmel über berlin (1987)
vi com pölzl, que disse que gostava desse filme e sugeriu que assistíssemos juntas. vimos sem legenda, então devo ter entendido menos que 20% das falas, mas o que entendi foi legal. em algumas partes alguém falava francês ou inglês e aparecia a legenda em alemão, o que me pareceu uma boa estratégia de estudo, também. é sobre esses anjos que observam e protegem as pessoas na terra, de forma passiva. muito bom a atmosfera e as músicas, uma coisa meio mundo dos shinigamis de death note. acontece que um dos dois anjos principais se apaixona por uma trapezista de um circo, e fica sonhando com ser humano. ele acaba virando homem, mesmo, e os dois se encontram de um jeito bem bonito, predestinado. ela fala por um tempão sobre o encontro deles, que ela ansiava, apesar de não saber quem ele era. ela deixou o circo, tava com várias inquietações. muitas coisas existencialistas, os pensamentos sendo ouvidos pelos anjos. show de nick cave. coisas melancólicas e esteticamente agradáveis. a perspectiva dos anjos é sempre em preto e branco, e quando o principal se torna humano a primeira coisa que faz é perguntar qual cor é qual. ich weiss jetzt, was kein engel weiss. bonito. vai ser massa rever com legenda pra confirmar hipóteses, mas pölzl brincou de rever quando nosso nível de alemão for melhor e tive essa ideia de rever todo ano, pra acompanhar o progresso. quem sabe.

swallow (2019)
sugestão de pölzl; vimos eu, ela, carol e talits. uma mulher chamada hunter (!), toda fofinha, bochechas sempre rosadas, cabelo loiro e franjinha, voz fina, casada com um cara empresário ricão, richie (haha). moram numa casa absurda e fica lá sozinha enquanto ele trabalha. engravida, felicidades, uhul. por algum motivo só tem contato com a família do marido, e parece que enxergam ela como alguém que não tinha habilidade pra ser nada na vida, e que o casamento com richie foi a melhor chance que teve. uma conversa estranha da sogra perguntando se ela era fake it ou tinha make it. um dia ela tá lendo um livro de autoajuda que diz pra todo dia fazer algo de que se orgulha, e adivinha o que ela faz? swallow coisas, claro! quando sai no cocô e ela pega pra guardar fica toda orgulhosa de si mesma, feliz, começa uma coleção. vai ficando pior, engole um negócio pontiagudo, afiado. vai parar no hospital, cirurgia de emergência, e descobrem mais um monte de lixo lá dentro. colocam ela pra fazer terapia e ela diz gostar das texturas na boca, coisa e tal. uma brisa de estar no controle de alguma coisa, pelo menos. pra mim tem a ver com as coisas que ela engole metaforicamente na vida. numa das sessões ela solta que foi concebida quando a mãe foi estuprada, que o pai foi pra cadeia e tudo. diz como se não fosse nada de mais, como se não fosse uma questão pra ela, nem pra mãe. a terapeuta fica chocada, mas a cuzona responde diretamente à família do cara, e hunter pega ele ouvindo isso da mulher e fica malzona, né. na casa deles botaram um cara sírio pra vigiar ela, que no fim acaba sendo a única pessoa que realmente se importa com ela. bonito a cena dele se esgueirando pra baixo da cama junto. ele a ajuda a fugir quando tão levando ela pra uma clínica psiquiátrica. ia ficar lá por 7 meses, então imagino que o bebê ainda tá com 2. ela aborta, depois do marido ligar pra ela e mudar da água pro vinho quando ela diz que não quer voltar. nunca tinha visto aborto tomando pílula. termina com ela indo num banheiro público, a água da privada toda vermelha. quando sai fica filmando lá dentro e talita viu uma mulher roubando a bolsa de outra! entendeu que é pra mostrar o tanto de coisa que a gente não sabe que as pessoas tão passando, as coisas que a gente não sabe que acontecem no banheiro público. antes ainda ela tinha ido confrontar o pai, numa festinha de aniversário dele ainda por cima, pra ouvir dele que ela não tinha culpa de nada nem era igual a ele. que pesado, né. acabei pesquisando sobre esse distúrbio (pica, o nome! que deselegante), que já conhecia, e é até bem comum; muitas crianças tem, afinal. gostei do filme, esses assuntos diferentes e esquisitos. atuação, narração, cenário, tudo muito bem feito. gostei dessa review. 

der traumhafte weg (2006)
um dos filmes da mostra de diretoras alemãs no sesc digital. meio confuso esse, li uma sinopse depois que falava algo que eu nem percebi (que o casal encontra o outro 30 anos depois, sei lá). pouquíssimas falas, tudo bem devagar, todo mundo triste. ativou o modo duolingo em pölzl e eu ahushu ficamos falando o que víamos e sabíamos. alle sind traurig in diesem film. um cara que queria ser ator, na grécia com a namoradinha, mas tem que voltar pra onde a mãe tá porque ela tá mal de saúde. consegue morfina e aplica nela, pra morrer sem dor. que horror deve ser estar em dor constantemente. o pai ficou cego, também. o cara passa a viver na rua com um cachorro. triste. outra mulher é atriz também, diz algo sobre atuar que eu não lembro mais, talvez aquilo de poder viver outras coisas além da própria vida. uma filha muito esportiva, quebra o braço usando uma escada. é adaptação de livro, tenho que pesquisar mais pra entender direito. diferentão, bom que foi assim calmo, raro, né.

twilight (2008)
não tinha reparado das últimas vezes, mas agora que tenho a referência do livro fresca vejo que edward e bella passam tempo juntos batendo papo muito mais no filme do que no livro, e gosto disso, porque deixa a coisa toda da dependência um do outro um pouco mais plausível (ainda não justificável, mas menos súbita do que o livro faz parecer). sinto que vi o primeiro filme muito mais vezes que os outros, e é o pior, né, véi... tudo muito azul e artificial ahsuhu aquela sobrancelha definida de edward. que chato que fizeram a cena de jacob dando o recado de billy pra bella diferente; super podia ter deixado pacífico do jeito do livro em vez de edward chegar e tirar ela todo possessivo e escroto. agora que fico vendo memes de crepúsculo o tempo todo fico preenchendo tudo com coisa engraçada; na cena do baile victoria tava bem à vista e edward não captou o pensamento dela, claro... muito bom bella apontando os peitos de jessica e elogiando o vestido ahushsau meme de que kristen sempre foi claramente gay porque essa é a cena em que ela parece mais confortável, tru. fiquei pensando, depois de ler lua nova também, que a história é sim interessante, a proposta é sim legal, e que dava pra ser um filme menos vergonha alheia (senti tantas!) se tivesse tentado um pouco mais, até o livro dava pra ser melhorzinho. a cena do pescador sendo atacado pelo bando de james, ruinzinha né haushu. fiquei dando replay em várias coisinhas, o filme vai passando rápido demais pra se atentar pros detalhes. alice perfeita jogando baseball, essas coisas. sabe que acho robert pattinson bem bonito? fico querendo ser ele, sei lá. emo king (meme) ele vestido pro jogo hauhsu. bella dá buongiorno pra esme, né! até rosalie ri dela falando sobre virar a refeição. edward nem pra desamassar a van de tyler na hora lá do salvamento. e depois no hospital conversando audivelmente com carlisle e rosalie sobre expor a família... tenho visto que as pessoas acham os adolescentes desse filme muito accurate, mike e eric tosquinhos brincando com minhoca, "how you likin' the rain, gurl?", surfar na internet, ~la push~ haushu, e real também. as informações que bella consegue de jacob na praia nem são muito úteis, comparado ao livro, e acho muito nada a ver como bella pesquisa sobre os quileute, acha um livro de histórias do povo, vai na livraria independente comprar (isso é legal), dá só uma olhadinha e acha "os frios" lá, e aí volta pro computador pra pesquisar isso ahushsuhsus. james ameaçando a mãe de mentira também, por que a menina não liga pra mãe pra confirmar primeiro, gente? e ela foge no hotel, nem tem nada de aeroporto, né. alice e jasper lesaram aí, hein. meio desconexa a cena de edward de óculos escuros chegando na escola com bella, todo pimpolho, e eles nem tinham feito nada além de conversar bizarramente na clareira. a reação dela sabendo que a caminhonete era dela, muito kristen! não lembrava que quando stephenie meyer aparece na lanchonete chegam até a falar o nome dela entregando o ~garden burguer~ dela (hayley williams chama hambúrguer vegetariano disso numa conversa aleatória velhíssima com robert pattinson). adoro como bella é mais atenta do que edward espera. "it's the fluorescents" é bem mais engraçado em inglês haha.

anne+ season 1 (2018)
série holandesa de graça no youtube. sobre anne, estudante de letras barra jornalista que mora em amsterdã. poucos episódios de poucos minutos, mas muito legaizinhos e com legenda em tudo que é língua. cada episódio conta a história dela com alguma ex, até chegar à situação atual dela solteira. primeiro a namorada do ensino médio que se também mudou pra amsterdã pra estudar, depois uma nóia que dá um pé na bunda dela por não querer se drogar com ela e ir pra balada, depois uma sara que queria uma one-time thing e partiu o coração dela, depois a chefe que se apaixonou por ela, depois uma perfeita mas não assumida, depois a primeira revisitando e virando algo. muito bom ela conversando com a amiga e falando alguma coisa de kristen stewart. ela tem um pôster de carol e em alguma hora menciona orphan black, que aparentemente também é cultura lésbica. bonitinha essa anne, viu. ver isso tudo me deixou pensando na experiência que eu não tenho, e em como relacionamentos podem ser essa coisa banal. a musiquinha de abertura (e as fotos que aparecem nela, também) é massa, animadinha. tem essa amiga legal e um amigo fiel, também, gosto de ver isso barra queria ter. parece que a segunda temporada saiu só na tv, mas qualquer hora procuro pra piratear. gostosinho de ver, de maratonar. não consigo achar essa língua bonita, muito estranho a mistura de coisas que parecem alemão e o retroflexo forte...

toprak (2020)
primeiro filme da mostra internacional de cinema de são paulo que vimos! pölzl e eu, no caso. diz que é produção de alemanha e turquia, mas a gente tá tendo azar com filme em língua alemã, viu. mas massa ser em turco. é sobre burak, adolescente que perdeu os pais num acidente quando criança, e então mora com a avó e o tio cemil numa vilazinha. eles têm uma plantação de romãs e vendem numa banquinha na estrada, solitários. no começo para um cara procurando flores, e burak faz um buquê bonito com galhos com folhas e umas romãs. vão juntos à mesquita, que tem um lugar com torneiras pra lavar os pés, braços e rosto antes de entrar; não conhecia, legal. burak tá estudando pras provas, com a intenção de ir pra universidade, mas o tio fica desencorajando e insistindo pra que ele continue vivendo ali, fazendo o de sempre. uma hora a avó adoece e descobrem que tá com câncer, mas não têm dinheiro pra operação. na hora do susto ligam pra um conhecido que tem carro, que chega em dois segundos. louco que nessas comunidades deve ser assim mesmo, uma pessoa que tem os meios de ajudar outras e tal. cemil fala com um cara que empresta dinheiro pros outros e combina que vai vender um rim pra pagar a cirurgia da mãe, véi. mas claro que ela morre, de qualquer forma, e ele fica todo mal com dores e a ferida sangrando errado. se entrega à bebida, não vai mais à mesquita (tô achando que é outro nome que eles usam), nem vender romãs. burak recebe uma carta dizendo que ele foi admitido na universidade, mas esconde do tio. no dia que levaram a vó pro hospital ele logo em seguida limpou a casa toda, ficou os dias lá sozinho, cuidando de tudo. tem uma hora que ele queima o lixo, porque um cara vem notificar que o caminhão do lixo não vai mais passar. pölzl ficou vendo simbologias, a questão da fruta ser a romã, essa coisa da limpeza... o próprio fogo, né (esse foi eu que pensei). uma hora sozinho em casa, o tio acorda em meio às bebidas, sentado à mesa de onde não sai mais, e vai se banhar, mas cai e morre. que horrível, a expressão dele ali numa poça d'água, de cueca, com a atadura bem visível. bem triste os enterros, o cara do carro e mais outros cavando a cova. e aí vem burak saindo da casa com as coisas dele num saco e deixando o portão aberto, !!!!! isso me chocou de um tanto. podia ter acabado aí, mas tem uma cena pequena dele numa biblioteca, feliz, e o último take é ele sorrindo pra câmera. não achei que precisava disso, destoa de tudo que vem antes, do ambiente e a energia. a gente já sabia que ele ia estudar agora, afinal. achei um filme muito bom, muita coisa pra pensar, né? dá pra entender a solidão do tio, também, imagina ver todo mundo indo embora, não entender o que tem pra além dessa vida que ele conhece. uma hora ele fala da mãe de burak, que ela lia muito, tudo, e ele não entendia o que tinha de interessante naquilo. tem uma menina da idade de burak, também, que quer ir embora mas o pai não permite. ia se casar com um cara que achava bonito, mas era mentira; no fim vão casá-la com um homem da idade de cemil. triste. burak dá pra trás em ajudar ela; uma perspectiva bem outra, né, ser mulher no meio disso tudo. linda a paisagem, o silêncio, a simplicidade.

between heaven and earth (2019)
filme de palestina, luxemburgo e islândia, da mostra internacional de cinema também. salma e o marido, tamer, vão para israel para se divorciar, a desejo dela, mas não conseguem por causa de uma incongruência entre o que tamer fala e o que consta nos documentos oficiais (ele diz que o pai morreu em beirute, mas no sistema tem outra cidade). parece que o pai dele era um intelectual e revolucionário famoso. eles têm só umas 70 horas em israel pra fazer tudo, e vão atrás de uma tal hagar, que também foi revolucionária, e que tem um filho chamado tamir. não entendi bem esses emaranhados todos; no final tamer visita ela num asilo e entende que foi ela quem mandou matar os pais dele, coisa que ele lembra de quando era pequenininho. não entendi se ele foi adotado pelo cara famoso ou era pai mesmo e morreu aí. mas a questão maior é a separação, salma mostrando pra ele porque precisa disso, os conflitos de visão que os dois têm. numa hora em que se perdem (porque tamer não sabe hebraico) eles encontram uma mulher armada que mora na beira da estrada, massa. quando tão indo embora ela conta uma história sobre uma noiva que caiu no mar por onde vão passar, que não teve tempo de desfrutar da felicidade que sentia em se casar. diz que quando nos apaixonamos damos início a um ciclo de vidas e mortes. várias coisas poéticas nesse filme, que eu gostei bastante. quando discutem sobre o divórcio ela diz que sempre tentou fazer ele feliz pra se sentir amada, que foi se perdendo pouco a pouco nesse processo, e que no fim não sabia mais quem era... ela abortou, também, e fala sobre como nem nessa hora, quando mais precisava de apoio, sentiu que ele tava lá por ela. "não podia ter me feito um café da manhã, pelo menos?"...putz. eu me vendo nas coisas, um frio na barriga. meu deus, e quando visitam os pais de salma e depois ela tá falando sobre a dificuldade que tem de lidar com o pai? tamer vira e diz que pelo menos ela tem um pai, e ela responde uma coisa que me tocou demais: algo como "eu tô compartilhando uma experiência minha e você fica me trazendo pro seu mundo!"... é isso, sabe. numa hora dão carona pra um carinha, não sei se muçulmano ou budista, apesar de israelense, e ele fala sobre como essa espiritualidade o preenche, dá sentido pra vida dele. que ele só viu isso quando o coração dele tava quebrado, mas que precisa estar quebrado pra luz entrar, mesmo. salma acaba acompanhando ele pra festinha pra onde ele tá indo, pra ver os amigos tocarem, e lá eles dançam e ele diz que dança e música levam ao êxtase, e não pude deixar de pensar no kasal como complementares perfeitas. "se for de coração, é mágico". diz pra ela colocar a mão no coração, ouvi-lo, girar e se soltar. tão bonito. enquanto isso tamer tá sendo paquerado, e tudo bem. igual toprak, o final decepciona de leve: ela e tamer sentados esperando serem chamados pra se divorciar, e o número deles sendo repetido três vezes sem que eles saiam do lugar. puff. mas gostei, ainda assim. também deram carona pra um casal judeu francês, todo briguento mas que começam a se beijar quando o cara diz que tá lá porque queria se aventurar com a esposa, e quando deixam eles no ponto de ônibus dá pra ver que continuaram abraçados apaixonadamente. risos. nessa hora mariana acordou e disse "quanta carona né" kkkk. ela se esforçou pra não dormir dessa vez, mas nem assim, coitada.

new moon (stephenie meyer)
bem mais legal que twilight. quanta cena morna nesses contrastes livro-filme! lá com os volturi não acontece nada de mais, não tem aquela luta com edward massa em que ele trinca o rosto, pena. aro beija jane nos lábios, véi. não tô lembrando de detalhes sobre a idade dela e do irmão, mas naqueles curtas e nos memes parece que eram crianças, uns 12 anos ou menos. gosto dos momentos em que dá pra ver a personalidade de bella, o senso de humor dela (acho até bom). muito massa a brincadeira da idade baseada em experiências haushu. jacob sendo best friend! pô, ela surpresa de estar rindo e se divertindo de verdade... tão saudável, olha isso em comparação com o absurdo de não poder nem mesmo pensar no nome do ex-namorado. i mean, ela diz i was like a lost moonmy planet destroyed in some cataclysmic, disaster-movie scenario of desolation―that continued, nevertheless, to circle in a tight little orbit around the empty space left behind, ignoring the laws of gravity. jacob também respeita ela, diz que é porque presta atenção!!!, sabe. ele fica chatinho depois de virar lobo e de alice voltar, né, poxa. o fandom falando de como a autora estragou ele, tudo aquilo do imprinting também. ah, ainda tem o jeito que ela fala dos quileute, "superstições", desprezando as crenças do povo... que merda. e ele não podendo contar o segredo que não é dele, bella descobrindo chocada, tranquilona lá entre os montros. vampire girl e wolf girl, hehe. mas aff ela achando que eles são mais monstros que os vampiros, antes de entender tudo... de novo aquilo do livro dar todas as pistas pras coisas que vão acontecer, e pra gente que já sabe tudo é bem óbvio (pensando no bando de sam e etc). não lembrava do encontro na clareira com laurent e os lobos aparecendo, woof... o cinema com mike kkk coitado, todo cagado. deve ser massa pular de um penhasco, hein. e a paz de aceitar que vai morrer. as alucinações dela nunca foram visuais, então! é só o filme. que estranho isso, na real. coisas de heaven and hell na visão e edward. fico pensando nos memes (ou não) de que vampiros ficam presos no estado em que são transformados, então ele é pra sempre um angsty teenager hsuhu. os meses que passam só com os nomes, que nem no filme... pesadíssimo quando charlie conta pra alice como foi em detalhes. forbidden to remember, terrified to forget; it was a hard line to walk. dorzinha de se ver em bella às vezes. e essa coisa dela se perguntar se devia se contentar com jacob, deixar que ele a amasse romanticamente, etc... é uma coisa a se pensar, realmente. quando edward volta eles têm aquela conversa atrás da casa, jacob parece que tá terminando a amizade. até achei que edward foi tranquilo, aposto que no filme é mais um enfrentamento. não sabia que a refeição dos volturi vinha de outro lugar, sei lá, não podem caçar em volterra ("a cidade mais segura de ataques de vampiros, portanto", irônico). tô ansiosa pra ver o filme, lembro de ser um grande avanço em comparação com o primeiro. e a trilha sonora!!! aiai.

1986 (2019)
mostra de novo. se passa na bielorússia, apesar de ser coprodução alemã; tô vendo que pölzl e eu não vamos conseguir ver nada em alemão nesse festival. o pai de lena tá na prisão, por causa de algo a ver com sonegar impostos, acho, mas também tinha um negócio ilegal de venda de metal da área isolada por causa de chernobyl. ela insiste em continuar isso e dirige o caminhão dele e tudo, faz uns trabalhos ainda. numa vez que tinha que cruzar alguma fronteira ela leva o namorado, viktor, e por causa disso o cara que tá designando trabalhos pra ela perde a confiança nela e decide que não vai mais contratá-la. ela estuda em outra cidade, aparentemente, e tem mais de 20 anos, apesar da cara de adolescente. o namorado parece meio velho pra ela, tipo 25 pra cima, mas talvez seja pelas covas de espinha no rosto. ele é asiático. lena pede dinheiro emprestado pra um cara no começo desses trabalhos dela, e o cara beija ela e dá em cima de um jeito nojento. tem um momento que viktor tá viajando com uma amiga na suécia e ela fica paranóica porque ele diz ter perdido o celular e não se falam por alguns dias. quando ele volta ela o confronta e parece que ele traiu ela mesmo. sai revoltada, até se machuca batendo a mão em alguma coisa que corta, mas noutra hora diz que estão quites porque também o traiu. não sei se ela tava considerando o beijo no cara uma traição. eles continuam juntos mas ela não tá muito bem, fica sempre achando que tem algo com ele e mulheres em volta, trata ele super mal. acaba que ele termina com ela. não acontece muita coisa nesse filme, muitas cenas de estrada, trem, carro. uma atmosfera triste. a fala do diretor apresentando o filme caiu melhor depois de ter assistido; tem coisa acontecendo hoje na bielorússia que eu não sabia, também, ditadura e manifestações. na escola de lena tem uma aula falando sobre como é o país mais rico dos ex-soviéticos, que é o que mais investe em saúde, mas tem problemas também, né. fui ler review e achei uma que diz que o contato de lena com o lugar do desastre nuclear cria uma coisa de "sedução do mal mais profundo", o que termina com ela se rendendo à floresta, na última viagem que faz, sozinha. acho que construi expectativas demais pra esse filme, mas entendo essa coisa de chernobyl pairando sobre tudo, ela presa a esse trabalho porque precisa do dinheiro, deprimida, sei lá.

a'e mimiu haw - a história dos cantos (2019)
um cantor guajajara da aldeia maçaranduba, tribo indígena caru, no maranhão, contando como seu povo aprendeu seus cantos sagrados com os pássaros, as rãs, todos os animais. massa como às vezes tem coisa em português no meio da língua dele (tenetehara, suponho, se for como tô aprendendo com ricardo em morfologia); "como foi", "aconteceu", "de onde", "a toa"... achei os cantos dele tão lindos, tão bons de ouvir; queria achar fora do filme pra poder reouvir sempre. como deve ser incrível aprender com a natureza assim, conhecer a mata. em morfologia a'e significa ele e haw é um nominalizador.

a arca dos zo'e (1993)
wilmar passou na aula de 28/10. um indígena waiãpi, do amapá, voa até a aldeia dos zo'é, no norte do pará, pra conhecê-los e documentá-los. isso é do projeto vídeo nas aldeias desse tal vincent carelli, que também produziu a'e mimiu haw, afinal. no começo parece ter alguma dificuldade de comunicação em razão das línguas que falam, mas depois conversam tranquilamente, discutem as diferenças entre os dois povos, o que os brancos já mudaram pros waiãpi e tal. acham bonito a tanga dele, pedem pra trazer da próxima vez que visitar. matam macaco e anta pra comer juntos, que bocadão de carne! tem partes do primeiro indígena mostrando as filmagens dos zo'é pra seu povo, explicando como vivem, comparando. diz ter ficado com vergonha no início, porque eles andam todos nus, mas que depois se acostumou de novo. bonito o encontro, e triste pensar no quanto os brancos arruinaram. wilmar falou de uma freira que conheceu no início da vida dele de indigenista, e que ela dizia visitar uma aldeia uma vez por mês pra dar banho nas crianças, que não se higienizavam direito. uma maneira de se colocar no lugar do outro de toda distorcida, né, "consertando" o que não te agradaria se fosse você no lugar do outro. que merda. mas o filme é legal! ficar com esse sentimento.

el paraiso de la serpiente (2019)
mais um da mostra, dessa vez a história se passando no méxico. o diretor diz, na apresentação do filme, ter inserido várias ideias de lao-tsé no filme, mas acho que não conheço nada que consiga reconhecer. filmes de poucas falas, contemplativos. massa ser preto branco, bonito. tem essa frase recorrente, "todo lo creíble es una imagen de la verdad", mas quando pesquisei caiu em william blake. pode ser que ele tenha mencionado esse autor, também. começa com sky e o avô (bem jovem, afinal) resgatando um homem da estrada, de perto de um carro capotado. ele não se lembra de nada, nem de quem é. por uns dias ele fica sendo meio que prisioneiro, porque o mantém preso, mas acaba que o avô conclui que ele não serve pra nada e manda sky deixá-lo no deserto. lá uma menininha cega o encontra e fala que vai presenteá-lo com a fala, e ele volta pro povoado como um profeta, curando o menino que não pode andar, o velho ficando cego, e até o padre quando ele adoece. sky pede pra abençoar o galo de rinha dele e eles ganham a briga, reestabelecendo as pazes entre as famílias. nessa hora o profeta diz pro avô um negócio que achei massa: olhos de fogo, nariz de ar, boca de água, barba de terra. fiquei chateada por não poder ter a terra. tem um menino, coroinha, que ajuda sempre o padre e tem uma rivalidadezinha com sky, porque eles gostam da mesma menina. essa menina pede pro profeta ensiná-la a fazer milagres também, e tem uma hora massa em que ela, sky e o cara meditam juntos, guiados por ele. se vêem mergulhando num rio, em paz. tem uma peste rolando nesse povoado, também, algumas pessoas morrendo. conflito entre a religião e esse cara desconhecido que chega do nada fazendo milagre. tem duas velhas fazendo umas coisas por fora também, mas parece que se comunicam com esse padre. elas fazem uma maldição pro cara e ele termina esfaqueado, mas não mostra por quem. sky tá por perto e encontra o corpo, e o coroinha tá por lá também, com uma faca... eles lutam e podiam ter se matado, mas sky o poupa. no final tá ele e a menina nadando num rio, coisa mais linda, e essa cena é colorida. uma serpente passa por eles, mas nada de mal acontece. achei esse menino sky bonito de um jeito que eu acho massa, e o coroinha também. fico querendo ser menino. o profeta tem aquelas caras fundas nas bochechas, uma boca bem marcada. muitos traços indígenas no méxico, né. e esse misticismo misterioso, o deserto. sky também quer deixar o povoado, mas o avô não permite, tipo toprak. quantas vidas. ahh, super erro de sequência numa hora que sky aparece de cabelo cortado pra "expulsar" o coroinha de perto da menina enquanto ela ordena uma cabra, mas depois tá de cabelo grande ainda quando fala com o profeta e no fim tá cortado de novo quando enfrenta o menino!

crisálida 1ª  temporada (2019)
a série em libras e português que entrou no netflix recentemente! se passa em santa catarina, em volta da ufsc, onde tem o curso de libras que une os personagens principais. quatro episódios só, infelizmente, mas descobri que tem um curta que veio antes. tem várias cenas em que os atores tão bem mais jovens, diferentes, então deve ser por isso, daí. no primeiro tem morgana sendo atropelada na bicicleta e jaks tentando ajudar e descobrindo que ela era surda e sem libras ficava foda. ele decide fazer o curso, então, e acaba encontrando ela de novo. começam a namorar, mas ele fica insistindo pra transarem, pelo que eu entendi, e ela tá indo mais devagar com isso. tudo acaba quando ele a leva pra comer na casa dos pais, que ficam visivelmente chocados e a tratam meio mal, falando em "doença" e agindo como se ela não estivesse ali. foda isso, né. a sinopse desse episódio diz que são um casal muito diferente, "ela é branca e surda, e ele é negro", mas na real ela é amarela, pô. quiseram colocar como se a família de jaks estivesse sendo preconceituosa apesar do que passam pela cor da pele, mas faltou considerar isso também. o segundo episódio é sobre valentina e alan, casal surdo que tem uma filha ouvinte, e as dificuldades que isso apresenta na vida deles. a menina rouba uma boneca de uma loja porque quer alguém pra conversar (em português, apesar de saber libras) em casa; pede pra mãe fingir que é o pai, de quem ela parece gostar mais, porque ele tá viajando... ela se perde num parque, porque valentina cochilou, e quando a irmã ouvinte chega pra ajudar ela não diz o que o dono do parque realmente falou pra valentina, o que também causa um atrito. essa irmã dela tá pela faculdade também, e é paquerinha de rubens, cuja mãe tá aprendendo libras também, mas cujo pai acha que ele tem que usar aparelho e falar. o pai prefere gastar dinheiro com isso em vez de pagar uma intérprete pra ele na escola (ele tá no nono ano apesar de ter 17 anos, inclusive). quando finalmente conseguem a intérprete, aliás, ela pergunta à mãe se ela já considerou colocar rubens numa escola bilíngue... até o bigode atrapalha, mas depois de um tempo ele tira e entende. o professor de libras parece se interessar pela mãe, que tá meio baqueada por isso tudo também, pelo marido ser difícil. parece que rubens ficou surdo porque caiu da banheira quando bebê, num momento em que ela saiu pra pegar a toalha que esqueceu. foda. não sei bem em qual episódio teve o que, mas o intérprete da faculdade, que tá trabalhando num processo em que o réu é surdo, é uma drag queen chamada hanna diva. o advogado do caso tá meio em cima dela, também, e a namorada começa a desconfiar que tá sendo traída depois de achar um batom no banheiro dele, de ver ele ensinando "você quer jantar comigo?" pra uma fonoaudióloga bonitona aluna do curso de libras, e porque ele nunca vai nas festas com ela (porque vai de hanna diva, e ninguém sabe que é ele). ele mora com gustavo, que desenvolve um projeto super massa de uma pulseira cartão de crédito pra festas, mas o cara da empresa pra quem ele tá tentando vender não quer mais saber de nada quando descobre que ele é surdo. porra. enfim, várias histórias massa, se entrelaçando porque todos interagem. a segunda temporada tá confirmada, parece, mas tem essa complicação de pandemia agora. muito bom que entrou pra uma plataforma popularzona, que pode dar uma visibilidade necessária pra esse assunto. polzl mesmo me viu assistindo e disse que tem 0 contato com a cultura surda... espero que isso mude.

se escuchan aullidos (2019)
que filme inesperado! também é da mostra, no caso. bem improvisado, muito cara de feito em casa, por amadores. indie, né. até a apresentação do diretor foi assim, ele gravando em formato de celular, se dirigindo à filha, falando como ia ser o filme e que ela mesma ia atuar, que não sei quem ia fazer o papel de vários personagens, etc e tal. é isso mesmo: uma menina, fabiana, sozinha por aí com a espingarda herdada do avô, tentando fugir dos limites que a mãe coloca, querendo tomar chuva e andar de bicicleta. várias histórias do pai, sussuradas no ouvido dela por ele mesmo, que nunca mostra o rosto. massa ela repetindo o que ele vai ditando, sorrindo genuinamente com as coisas engraçadas. muito bom isso de uma pessoa fazer vários personagens, acho que nunca vi um filme que tenha isso. numa hora ele é o cara de uma pulqueria cujos muros os amigos do pai de fabiana picham (não sei se reais ou também na cabeça dela), e aí ele discute com o cara encarregado de olhar ela no bairro ou condomínio. cada hora ia pra um lado dela e mudava um pouco a camisa, trocando de personagem ahsuh. como é bom de ouvir esse espanhol, as expressões e o jeito de falar. as falas de fabiana quando tava triste ou sofrendo são ótimas, também, a voz comunica muito. o que ela quer fazer é buscar o lago texcoco, que era muito grande no passado mas foi drenado pra construção daquele povoado. ela diz que o pai nadava nele quando mais jovem, e agora só tem uma poça de concreto, e outra pior ainda no leito pedregoso e isolado. umas reflexões massa sobre isso, pessoas locais entrevistadas que nem documentário. um deles canta em náhuatl, que língua linda, também... às vezes o rei poeta, nezahualcóyotl, que é um personagem importante do méxico, segue fabiana (atrás do cantor duas pessoas seguram um quadro dele, um agave ao fundo e tal). ela diz que ele sempre escapava, fugia, se curava de ferimentos. esse cara que cantou conta um pouco das histórias sobre "neza" (como fabiana às vezes se refere a ele), que ele tinha uma plantação de ervas medicinais na montanha, que tinha conhecimentos avançados de hidráulica e fez um sistema de irrigação que ia até as ervas dele. gostei muito de tudo, desse jeito pitoresco de tudo, das músicas, do cenário, de fabiana. me lembra muito gabriella, o formato do rosto, a cor da pele, as expressões. que bonito essa coisa da infância/juventude efervilhante, curiosa, inquieta. ela fala que não gosta de números, que prefere ler, que queria poder brincar com os meninos na educação física, que quer ser ela mesma, que não sabe o que quer ser (o pai queria ser ladrão ou espião). tem alguma lenda, também, de uma mulher lobo, e numa hora ela chama uma amiga pra ir com ela até o restinho do lago, pra conseguir passar pelo guarda que não deixa ele avançar. é uma mulher toda coberta de pelos, mas não sei se é real (no caso, aquele distúrbio chamado hipertricose ou hirsutismo) ou não. me deu vontade de viver outra vida, falar espanhol, sair sem rumo pra descobrir coisas. quero aprender mais sobre astecas, também, e ver mais filmes desse diretor. mais coisa pra ler aqui.

under the tuscan sun (2003)
filme escolhido por pölzl pra vermos no dia em que mariana foi viajar e analuísa tava triste. sobre frances, crítica literária e escritora que descobre que seu marido tem um caso pesado e se divorcia, e que acaba indo pra toscana num tour gay que era pra ser do casal de amigas lésbicas. sandra oh é uma delas! a grávida (por isso não puderam mais viajar)! e a outra é a atriz que faz addison irmã-de-derek em grey's anatomy (!), puta casal hein. mas ver esse gif me fez pensar que elas não são lésbicas muito convincentes, também. acho que nunca vi sandra oh tão jovem, fiquei deslumbrada com ela... frances compra uma casa na toscana porque decide se arriscar a ~ir pelos caminhos inusitados do destino~ e começa uma reforma, contratando um grupo engraçado de caras poloneses. um deles é jovenzinho e paquera a filha do vizinho que tem um pomarzão de oliveiras, outro só faz tremer e olhar pra ela paralisado, outro é um professor de literatura caladão. casa de 300 anos que só conseguiu ficar porque uma pomba cagou na cabeça dela e esse foi o sinal pra velhinha que tava vendendo. uma torneira numa parede aleatória, um bocado de jornal velho amontoado, vários móveis que vieram junto. tem uma loira, também não-italiana mas acho que inglesa em vez de estadunidense, que é quase uma entidade em tudo quanto é lugar dessa cidade. parece que era atriz, e agora vive desfrutando do que pode, toda chique e cheia de si. o corretor de imóveis consola frances uma hora em que ela tá se achando doida por ter uma casa pra uma vida que ainda não tem dizendo que construiram uma ferrovia num dos pontos mais altos dos alpes antes mesmo de ter um trem pra fazer aquela viagem... também faz um comentário péssimo nessa hora, que ela não pode ficar triste porque senão vai ser obrigado a fazer amor com ela e sempre foi um marido fiel... af. queria que tivesse menos romance. primeiro ela tem um caso com um tal marcello, que ela esbarra e finge que é marido dela pra se livrar de uns caras que começam a importunar ela na rua sem sentido. mas as coisas vão acontecendo, a amiga grávida (chama patti) vai visitar ela, e passa um tempão sem se ver, e no final claro que ele já partiu pra outra. patti, coitada, foi abandonada pela outra, que disse que não queria mais ser mãe, véi. foda. tão linda nas roupinhas massa que usa. ficam lá morando juntas, no final o bebê nasce, o casal adolescente se casa na casa dela (nossa que frase foi essa), e pronto, taí as coisas que ela queria ter na vida. termina com um tal ed chegando nela perguntando de uma crítica que fez pra ele, com ares de romance. why. foi legalzinho de ver com as meninas, levinho, mas nada de mais também. se não fosse sandra oh... e a itália é bonita mesmo, hein, não tem jeito. essas coisas todas de pedra, velhas, os campos verdes, o mar.

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