quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

lidos/assistidos em fevereiro

laranja mecânica (anthony burgess)
massa, nada muito diferente do filme de stanley kubrick – mas este é baseado na edição americana que omite o último capítulo, no qual alex tá "crescendo" e começando a pensar sobre família (coisa que achei bem estranho, mas ok). não lembrava do final do filme, se tem isso de ele ser curado depois da tentativa de suicídio. muitos extras na edição especial de 50 anos; colocam ao lado de admirável mundo novo e 1984 como distopia. "laranja mecânica" por causa da condição de automatizar o orgânico, "o casamento forçado de um organismo e um mecanismo". bastante ênfase na questão da perda da escolha, Será que Deus quer bondade ou a escolha da bondade? Será que um homem que escolhe o mal é talvez melhor do que um homem que teve o bem imposto a si? muito nadsat misturando palavras russas e linguajar da classe operária britânica, fico pensando assim, às vezes. parece que o autor falou numa entrevista que alex se torna um grande compositor depois dos eventos descritos no livro, coisa reforçada pela aparência semelhante à beethoven, e a técnica ludovico tem esse nome por causa de ludwig também, não tinha percebido. bacana os textos do autor no final (talvez um pouco desnecessário o tal de os russos humanos), pensamentos sobre submissão social e etc – trabalhadores têm pouquíssimo espaço para o individualismo, dá pra entender a submissão como férias da necessidade de escolha; estamos mais acostumados a ser instruídos a não fazer o mal do que estimulados a fazer o bem... trechos também dos extras: rei james na bíblia diz "no amor não há medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo; porque o medo envolve castigo; e quem tem medo não é perfeito no amor" (1 joão 4:18) e goethe "cuidado ao desejar qualquer coisa na juventude, pois você a terá na meia-idade".

a clockwork orange (1971)
reassisti pra comparar com o livro e também porque não lembrava de tudo. gostei menos do que antes e prefiro o livro mesmo... não pensei que o escritor lá que provocou a tentativa de suicídio de alex, porque no livro os colegas com interesses políticos parecem genuínos (apesar de que o cara pode ter ido visitar o quarto ao lado de onde hospedaram alex quando o reconheceu também). os ex-druguis dele não fazem quase nada com alex no filme comparado à "ultraviolência" original, grande coisa bater com aquele cacetete. lembrei da música, aquele "tontontontonton", mas a respeito do tratamento só mencionam a nona sinfonia. no livro o que segura os olhos dele abertos são coisas puxando a testa, o que me parece cumprir o propósito de um jeito menos angustiante que aqueles ferrinhos nas pálpebras, mas bom que pensaram na coisa de lubrificar os olhos. não lembrava que ele fica arrotando quando passa mal. no mais é bem fiel à narrativa... e mais cinematográfico acabar na cura mesmo. ruim que na história geral alex nem passa muito tempo sofrendo com os efeitos do negócio. e nem falam muito sobre a hipnopedia que o trouxe de volta, né.

língua: vidas em português (2001)
documentário que passaram na primeira semana de introdução aos estudos da linguagem. fala basicamente sobre isso, aspectos linguísticos do português – falamos a mesma língua, mas ela não é falada da mesma maneira(...) não há uma língua portuguesa, há línguas em português. se passa na índia, em portugal, moçambique, brasil, japão e frança. pensamentos sobre a identidade do idioma, sobre portugal ter dado à luz um filho maior que o pai, sobre a língua ter ficado "sem dono" e "se sujado" e se transformado em cada lugar que ficou (falas de mia couto). legal de ver, certa emoção de falar português e estar na faculdade de linguística.

Nenhum comentário:

Postar um comentário