vendo vozes (oliver sacks)
tava na lista de quero ler e surpreendentemente foi uma das primeiras leituras solicitadas na faculdade. é sobre surdez, mas vai bem além disso – língua, linguagem, pensamento, aprendizagem, cultura surda, ativismo… muito massa e interessante, aprendi bastante. várias coisas que eu nunca tinha considerado, eventos incríveis através da história, coisas péssimas cuja influência persiste até hoje. lá vai resumão: os surdos receberam maior atenção pela primeira vez no século 18, com um abade francês que se preocupava com a questão de não serem capazes de se confessar nem de ouvir a palavra de deus. ele percebeu que se comunicavam por sinais e se dedicou a ensinar a gramática francesa a essas pessoas, pensando que faltava algo em sua linguagem (o que não era bem verdade), no que chamou de “sinais metódicos”. até então, esses surdos viviam como marginais, pobres andarilhos, cujos direitos humanos fundamentais eram negados; trinta anos depois já existiam 21 escolas para surdos na europa, com muitos alunos se tornando filósofos e educadores. tem aí uma perspectiva iluminista de universalidade, levar o conhecimento para todos e tal. já no século 19, um surdo que havia sido aluno de uma dessas escolas foi para os estados unidos e co-fundou o american asylum for the deaf, que mais tarde se tornaria a primeira instituição de ensino superior para surdos no país, a gallaudet university. a língua de sinais americana derivou-se da francesa, portanto (acho que o mesmo aqui, na verdade, porque quem sugeriu a criação de uma escola para surdos no brasil foi um ex-aluno dos métodos do abade também). lá pra 1870 surge a figura de alexander graham bell, que desfaz o trabalho de um século em poucas décadas – inventor do telefone, popularizou o ensino oralista nos estados unidos e influenciou a decisão tomada em 1880 num congresso de educadores de surdos: abolir o uso da língua de sinais nas escolas. fala-se bastante sobre como o ensino oral significa deterioração no aproveitamento educacional e na instrução de surdos, não só pelo tempo enorme gasto ensinando crianças a falar mas também pela menor exposição ao aprendizado “incidental” que ocorre fora da escola. imensamente importante que crianças surdas tenham língua de sinais como primeira aquisição, já que é sua língua natural – bebês são capazes de fazer o sinal pra “leite” com 4 meses de idade… terríveis consequências quando existe privação de linguagem – (...) ser deficiente na linguagem, para um ser humano, é uma das calamidades mais terríveis, porque é apenas por meio da língua que entramos plenamente em nosso estado e cultura humanos, que nos comunicamos livremente com nossos semelhantes, adquirimos e compartilhamos informações. Se não pudermos fazer isso, ficaremos incapacitados e isolados, de um modo bizarro. (...) E, de fato, podemos ser tão pouco capazes de realizar nossas capacidades intelectuais que pareceremos deficientes mentais. não só isso, mas a língua atua como intermediadora do pensamento abstrato – Falamos não apenas para dizer a outras pessoas o que pensamos, mas para dizer a nós mesmos o que pensamos. A fala é uma parte do pensamento. muitos casos de surdos que levam décadas até receberem abordagens adequadas e adquirirem consciência de seus próprios pensamentos, do conceito de passado e futuro, várias coisas absurdas – a língua transforma a experiência. a influência do fator emocional nessa aprendizagem, a necessidade de transação com outra pessoa para desenvolver linguagem, a existência fantástica de comunidades bilíngues inclusivas, a visão de mundo totalmente diferente que línguas de sinais possibilitam a quem as utiliza, o embate entre deficiência e cultura… só nos anos 60 a língua de sinais foi reconhecida como língua de verdade, estudada por um linguista – o que possibilitou um resgate, mas que tem se dado a passos lentos; tem muitos fonoaudiólogos que proíbem surdos de gesticular, pais que não admitem que os filhos não pertençam a seu mundo, gente que discrimina… tantas questões. muito o que pensar!
uma era de ouro (tahmima anam)
história que se passa durante o período da guerra de independência de bangladesh, que antes era paquistão oriental e eu não sabia (pensava até que bangladesh era cidade indiana). no caso, o paquistão ocidental ocupa o país por 9 meses tentando unificar, apesar de cada um estar de um lado da índia. única parte interessante é isso, na real… narração arrastada, romance desnecessário, protagonista sem graça. umas reações incomuns às coisas, sem tentar agradar – talvez isso seja inovador, mas nada que me tenha feito gostar mais da leitura. ela é viúva, os filhos vão morar com o tio porque não tinha como cuidar deles, ela rouba uma joia de um velho pretendente e constrói uma casa pra alugar, recupera as crianças. os filhos são estudantes, comunistas, apoiam a independência de bangla. tem a questão das línguas, urdu e bengali… os que invadiram o país massacrando tinham preconceito com hindus também. ruinzão as torturas de guerra e tudo o mais, acampamentos de refugiados, cidades abarrotadas de gente, agoniante. nojentinho o breve relacionamento; no final o cara se entrega fingindo ser o filho procurado dela, já que sabia que ela faria qualquer coisa pra não perder os filhos de novo.
tava na lista de quero ler e surpreendentemente foi uma das primeiras leituras solicitadas na faculdade. é sobre surdez, mas vai bem além disso – língua, linguagem, pensamento, aprendizagem, cultura surda, ativismo… muito massa e interessante, aprendi bastante. várias coisas que eu nunca tinha considerado, eventos incríveis através da história, coisas péssimas cuja influência persiste até hoje. lá vai resumão: os surdos receberam maior atenção pela primeira vez no século 18, com um abade francês que se preocupava com a questão de não serem capazes de se confessar nem de ouvir a palavra de deus. ele percebeu que se comunicavam por sinais e se dedicou a ensinar a gramática francesa a essas pessoas, pensando que faltava algo em sua linguagem (o que não era bem verdade), no que chamou de “sinais metódicos”. até então, esses surdos viviam como marginais, pobres andarilhos, cujos direitos humanos fundamentais eram negados; trinta anos depois já existiam 21 escolas para surdos na europa, com muitos alunos se tornando filósofos e educadores. tem aí uma perspectiva iluminista de universalidade, levar o conhecimento para todos e tal. já no século 19, um surdo que havia sido aluno de uma dessas escolas foi para os estados unidos e co-fundou o american asylum for the deaf, que mais tarde se tornaria a primeira instituição de ensino superior para surdos no país, a gallaudet university. a língua de sinais americana derivou-se da francesa, portanto (acho que o mesmo aqui, na verdade, porque quem sugeriu a criação de uma escola para surdos no brasil foi um ex-aluno dos métodos do abade também). lá pra 1870 surge a figura de alexander graham bell, que desfaz o trabalho de um século em poucas décadas – inventor do telefone, popularizou o ensino oralista nos estados unidos e influenciou a decisão tomada em 1880 num congresso de educadores de surdos: abolir o uso da língua de sinais nas escolas. fala-se bastante sobre como o ensino oral significa deterioração no aproveitamento educacional e na instrução de surdos, não só pelo tempo enorme gasto ensinando crianças a falar mas também pela menor exposição ao aprendizado “incidental” que ocorre fora da escola. imensamente importante que crianças surdas tenham língua de sinais como primeira aquisição, já que é sua língua natural – bebês são capazes de fazer o sinal pra “leite” com 4 meses de idade… terríveis consequências quando existe privação de linguagem – (...) ser deficiente na linguagem, para um ser humano, é uma das calamidades mais terríveis, porque é apenas por meio da língua que entramos plenamente em nosso estado e cultura humanos, que nos comunicamos livremente com nossos semelhantes, adquirimos e compartilhamos informações. Se não pudermos fazer isso, ficaremos incapacitados e isolados, de um modo bizarro. (...) E, de fato, podemos ser tão pouco capazes de realizar nossas capacidades intelectuais que pareceremos deficientes mentais. não só isso, mas a língua atua como intermediadora do pensamento abstrato – Falamos não apenas para dizer a outras pessoas o que pensamos, mas para dizer a nós mesmos o que pensamos. A fala é uma parte do pensamento. muitos casos de surdos que levam décadas até receberem abordagens adequadas e adquirirem consciência de seus próprios pensamentos, do conceito de passado e futuro, várias coisas absurdas – a língua transforma a experiência. a influência do fator emocional nessa aprendizagem, a necessidade de transação com outra pessoa para desenvolver linguagem, a existência fantástica de comunidades bilíngues inclusivas, a visão de mundo totalmente diferente que línguas de sinais possibilitam a quem as utiliza, o embate entre deficiência e cultura… só nos anos 60 a língua de sinais foi reconhecida como língua de verdade, estudada por um linguista – o que possibilitou um resgate, mas que tem se dado a passos lentos; tem muitos fonoaudiólogos que proíbem surdos de gesticular, pais que não admitem que os filhos não pertençam a seu mundo, gente que discrimina… tantas questões. muito o que pensar!
uma era de ouro (tahmima anam)
história que se passa durante o período da guerra de independência de bangladesh, que antes era paquistão oriental e eu não sabia (pensava até que bangladesh era cidade indiana). no caso, o paquistão ocidental ocupa o país por 9 meses tentando unificar, apesar de cada um estar de um lado da índia. única parte interessante é isso, na real… narração arrastada, romance desnecessário, protagonista sem graça. umas reações incomuns às coisas, sem tentar agradar – talvez isso seja inovador, mas nada que me tenha feito gostar mais da leitura. ela é viúva, os filhos vão morar com o tio porque não tinha como cuidar deles, ela rouba uma joia de um velho pretendente e constrói uma casa pra alugar, recupera as crianças. os filhos são estudantes, comunistas, apoiam a independência de bangla. tem a questão das línguas, urdu e bengali… os que invadiram o país massacrando tinham preconceito com hindus também. ruinzão as torturas de guerra e tudo o mais, acampamentos de refugiados, cidades abarrotadas de gente, agoniante. nojentinho o breve relacionamento; no final o cara se entrega fingindo ser o filho procurado dela, já que sabia que ela faria qualquer coisa pra não perder os filhos de novo.
Quando me ordenais que cante, meu coraçãoparece se romper de orgulho.Olho vosso rosto e sinto nos lábioso sabor molhado das minhas lágrimas.Minha adoração abre suas asascomo um pássaro alegre a voar sobre os mares.Somente assim, minha voz, é que a vós me entrego.Ébrio da alegria sublime de cantar,esqueço-me a mim mesmo e vos chamo de amante,a vós, que sois senhora de mim.Vós me fizeste parte do que é eterno, porque assim o quiseste.
Ela se lembrou de um verso de Ghalib. Zindagi yun bhi guzar hi jaati. A vida teria seguido seu curso previsível, teria continuado como sempre, não fosse o amor. Tudo nela agora estava diferente.
byōsoku go senchimētoru (2007)
primeiro filme do netflix que baixei pra ver e que merda, escolhi justamente o que falava de relacionamento à distância e era triste. a chain of short stories about their distance – no primeiro conta como esse casal de amigos se conheceu na escola, crianças, e antes de começar o ensino médio a menina se muda da cidade. trocam cartas e uma hora o menino vai de trem visitá-la, atrasa um monte por causa do clima de neve, senti a angústia junto. fiquei pensando se no japão deixam de verdade adolescentes irem sozinhos buscar amigos nas estações ou ficarem andando na rua deserta tarde da noite. passam poucas horas juntos mas rola romance e começam a namorar. o segundo é quando o menino se muda também, tem uma garota nova que se apaixona por ele; nada acontece, ela percebe que ele tá sempre olhando pra “coisas longínquas”, não pra ela. tão escolhendo carreira (estranho esse processo no japão) e essa menina não quer nada, mas aprende indiretamente com ele a ir fazendo o que der. numa hora diz algo como “você é tão gentil comigo que me dá vontade de chorar”; parece que filmes japoneses tem o costume de dizer umas coisas assim, sei lá, mais reais (pra mim, pelo menos). na última parte já cresceram, ele tá trabalhando muito e o relacionamento já não existe. quer dizer, sei nem se o que ele se refere de ter durado três anos é com a menina do começo ou outra pessoa, porque não reconheci o nome e os detalhes da aparência que mostram. a do começo parece que vai se casar… o cara tá triste e se demite, percebe que a vida não tá fazendo sentido; não por causa do término, mas só isso mesmo. claro que chorei. não entendo por que falam os nomes diferente do que aparece na legenda. e supostamente cinco centímetros por segundo é a velocidade que leva pras pétalas de cerejeira caírem no chão.
suffragette (2015)
filme sobre o movimento da classe operária feminina britânica que lutou pelo voto pras mulheres. absurdo a repressão e o tempo que levou, pior ainda pensar que tem muita coisa pra mudar no mundo ainda. merda o cara dando o garotinho pra adoção porque supostamente não podia ser pai e mãe dele sozinho, sendo que tem tanta mulher que faz isso... não deve ser real essa parte da maud watts mas bem capaz de ter acontecido, triste pensar. me pergunto se seria capaz de fazer greve de fome, se participaria de ativismos assim em outras épocas. bem merda também que acaba sendo uma conquista de uma pequena parcela das mulheres; tem nem personagem negra, por exemplo. apesar disso é massa pensar o que significou, o que temos hoje e devemos às sufragistas. chorei em vários pontos porque sou besta e qualquer coisinha relacionada a minorias me abala forte.
coraline (2009)
não lembrava se já tinha assistido isso antes e muito capaz que sim, porque é reconhecível muita coisa. bizarrinho, negócio meio pesadeloso, mas ok. coraline chata, irritante como fala e age… me incomodava quando começava a comer alguma coisa e largava um monte. o nome é como inverter as primeiras vogais de caroline mesmo, né? só penso em cora coralina, mas nem sei se é nome real ou inventado.
equals (2015)
achei ruim, mas pelo menos tem kristen. engraçado ela fazer filme de futuro fictício onde humanos não têm emoção, considerando o que falam da falta de expressão dela (na real eu gosto das caras que ela faz). parece tão lésbica, podia muito bem ser casal homossexual os protagonistas. acho besta a cara daquele ator, não sei, talvez por lembrar do filme lá que ele é zumbi... e bem nada a ver e esquisito de pensar essa realidade, mas falando assim pareço meu pai que despreza todo filme que tem coisa impossível. pensei que seria um romeu e julieta distópico, com suicídio e tudo, desperdício aí. em vários momentos quis mandar gente ir se f*der. como ninguém percebeu que de noite ela ia pro apartamento dele? e queria saber de onde vinha as comidas, pra quem ficava esse trabalho. doido pensar na tensão sexual e ninguém tendo ideia de como funciona isso. bem desumanizador esse negócio de não ter sentimentos, né.
13th (2016)
documentário sobre o encarceramento em massa nos estados unidos desde os anos 70 e sua ligação histórica com a escravidão e a exclusão da comunidade negra. 2 milhões de detentos nos eua, 25% da população carcerária do mundo inteiro – como pode? não imaginava que existia uma emenda na lei americana que coloca prisioneiros no nível de escravos, nem que sentenças são determinadas previamente e que quase não tem julgamentos; absurdo demais. isso de prenderem ex-escravos por qualquer coisinha após a abolição, segregação racial, crack, guerra às drogas, stand your ground, 3 strikes, campanhas políticas, policiais assassinos, véi! tanta coisa colocando negros como o alvo, genocídio mesmo, além de outras poc e imigrantes. muita merda no mundo, angústia no peito e lágrimas nos olhos. muita coisa pra ser arrumada. mostra o black lives matter, pelo menos uma esperançazinha no final.
the black panthers: vanguard of the revolution (2015)
documentário que conta a história de um dos movimentos mais relevantes do século 20, os panteras negras. vi logo em seguida desse último então algumas coisas já sabia, certas figuras que são estatística dessa política criminal horrível… na verdade esses dois filmes passaram em sessões de cinema no iel, mas eu não quis ficar até de tarde pra assistir lá. legal saber melhor como isso funcionou – essa questão de policiais abusarem de violência nas capturas motivou um grupo de negros a sair armado pra ficar por perto quando alguém era detido, só pra supervisionar que nada passasse dos limites (e pra intimidar também). foi ganhando popularidade e se espalhou pelos eua inteiro, criou um programa de sobrevivência que dava café da manhã pra crianças, vendeu jornais pra caramba, mais tarde registrou muita gente pra votar. vários símbolos e líderes; bacana o nome huey e os dentes desse cara. bem merda a violência, mortes, injustiça e tudo. show por ter ido contra o governo americano, ter unido tanta gente, pela resistência, reafirmação e tal. gente estilosa. power to the people… mesmo tendo se dividido e depois acabado, as lutas continuam atuais e necessárias. parafraseando, pode-se prender revolucionários mas não pode-se deter uma revolução.
into the wild (2007)
massa. filme que a gente assiste em dia triste e fala umas coisas que dá vontade de chorar. vontade de ir viver sozinha também, longe desse negócio todo de carreira e família, pensamentos de nada fazer sentido e impossível ficar bom. não sabia que tinha kristen. me pergunto se dá pra fazer esse tipo de coisa e se manter vegano; deve ser complicado em lugares tipo alaska e tal. dá pra arrumar empregos sem identidade e tudo? trabalhar quando precisa juntar dinheiro e ir fazendo o que dá, parece bom. não lembrava que era daí a frase happiness only real when shared. essa necessidade do outro… pra validar tudo, poder afirmar que a gente existe. meio desesperador. ficava sempre pensando como seria se fosse mulher fazendo isso tudo, apesar de ter uma ideia pelo filme wild que vi ano passado com talita. o senhorzinho do monte da salvação parecia real, não ator; será? enfim, gostei e alguma hora vou querer voltar e rever, ou então ler.
the butterflies of zagorsk (1990)
documentário sobre os surdocegos da escola fundada por lev vygostky, na rússia. absurdo e incrível; o método foi pioneiro nos anos 70, em um contexto de união soviética que procurava valorizar a todos e não ver ninguém como incapaz (apesar de os estudos desse psicólogo levarem o nome de defectologia). pra quem perde a visão e/ou a audição na infância ou adolescência ainda dá pra compreender como se dá o aprendizado de novas formas de comunicação, mas e quem nasce assim? aquilo de surdez pré-linguística e pós-linguística de que oliver sacks fala em vendo vozes… vi sobre helen keller e haben girma também, e a última oraliza perfeitamente pois tem audição residual, diferente de helen, que tem “sotaque de surdo” (e haben fala high-pitched porque provavelmente consegue ouvir melhor nessa frequência, o que a permite controlar sua fala). os sinais ensinados em zagorsk são o alfabeto manual soletrado, o que me parece bem complicado de fazer, mas entendível já que se usa apenas uma mão… impressionante a rapidez em que gesticulam. inacreditável tudo; eleonora se emociona e disse que chora o filme todo. legal de existir.
Nenhum comentário:
Postar um comentário