quinta-feira, 30 de abril de 2020

lidos (18) e assistidos (9) de abril

cowspiracy: the sustainability secret (2014)
tô falando que todo documentário tem um loiro alto de coque samurai e boné apresentando. era o mesmo que o de what the health, mas esse aqui veio antes, né. leonardo dicaprio veio antes de joaquin phoenix, então. gostei mais desse, pareceu mais convincente, realista, não sei. contou melhor as coisas. teve uma (1) analogia com indústria do tabaco, ahush. esse trata mais da sustentabilidade, então a história do cara no começo é que ele sempre se preocupou com reciclagem, usar bicicleta sempre que podia, economizar energia e água, mas só depois de adulto descobriu que o consumo de carne é o grande vilão de tudo (no outro ele conta que sempre prestou atenção no que comia pra ser saudável e descobriu tarde que o consumo de carne fode tudo). voltam a falar do montão de cocô produzido pelo gado de corte e leiteiro, mas aqui tratam mais do oceano e das zonas mortas por causa disso. falam da pesca, que mesmo as que se dizem "sustentáveis" pescam 5kg de peixes que nem são o alvo pra cada 1kg do peixe que eles querem. e que depois de esgotar uma espécie eles passam pra próxima, e nem dá tempo do ecossistema se recuperar, porque obviamente leva tempo pra rolar reprodução e tudo o mais. uma coisa que também apareceu no outro documentário é aquilo das empresas grandes em defesa das florestas e etc não tratarem da dieta – nem o greenpeace faz isso, e a questão é que se tocarem no assunto da carne vão perder um público enorme de apoiadores, porque é uma coisa vista como radical demais. precisam de dinheiro de patrocínio, então não fazem nada que provoque a perda do lucro, mesmo que isso signifique cuidar de problemas mais "superficiais". foda né, velho, como o dinheiro determina como o mundo gira... fiquei pensando em chernobyl e no que tá acontecendo agora, com a pandemia do corona vírus, que também tem a ver com um começo abafado por causa de lucro e apoios, sei lá. tem que acontecer essas merdas gigantescas pra que as coisas mudem de fato. o que faria as pessoas pararem de consumir carne senão algo enorme e gravíssimo? no documentário falam sobre a pecuária extensiva nem ser tão melhor assim, porque por ser mais "natural" o animal vive mais tempo, consome mais recursos, libera mais metano e tudo o mais. e falam do tanto de espaço pra pasto que precisaria ter pra alimentar o que os eua consomem de carne, que já seria a américa do norte inteira até o começo da américa do sul, só pra lá. tipo, por que partir da demanda em vez de fazer menos, fazer o que é sensato e mandar as pessoas se acostumarem a comer menos? o documentário não foi tanto de bad mas eu ainda fico triste pensando que é tão difícil acreditar em mudanças. nem com organizações mundiais de saúde mandando as pessoas ficarem em casa por causa da pandemia as pessoas ficam, sabe, imagina parar de comer carne... dá muito pra imaginar uma história distópica em que o governo precisa inventar uma mentira cabeluda pra que as pessoas tenham medo e aí sigam. enfim, teve uns donos de fábrica e fazenda de laticínios comentando que não é sustentável, que logo serão substituídos por leite de soja, de amêndoas, por sucos mesmo... não tratou tanto da questão de saúde no consumo, mas da sustentabilidade. e isso é massa, acho que vou mais pelo lado de viver de maneira equilibrada no planeta do que pela saúde individual e tal. vou mandar pra minha mãe ver. ah, tem a parte que falam do brasil, de ativistas sendo mortos, de gente que é perseguida e processada pela indústria da carne, que é a mais poderosa do mercado. uma mulher chefe de alguma instituição que não trata da agropecuária quando a pergunta é geral, mas quando o cara parte direto a isso ela fala sobre, assim meio hesitante e triste. vontade de chorar.

os fatos do caso do sr. valdemar (edgar allan poe)
tá ficando melhor, my boy edgar. nesse tem um cara que faz mesmerismo (que parece ter a ver com hipnotismo usado pra cura) que quer testar isso em alguém que esteja "in articulo mortis", que é termo médico pra na hora da morte. ele lembra desse sr. valdemar que ele conhecia e já tinha mesmerizado antes, e que agora tava numa fase terminal da doença. ele entra em contato pedindo pra ele o chamar quando estivesse há 24 horas de morrer, e o sr. valdemar fala pra ele ir na hora porque os médicos deram mais um dia de vida pra ele, apenas. lá o cara só começa os trabalhos quatro horas antes do suposto último momento, o que o senhor diz ser muito tarde, mas acaba que ele consegue ter sucesso em coisa que antes sabia que falhava com o velho. o cara faz umas perguntas pra ele às vezes e as respostas são sempre mórbidas, que ele tá dormindo, morrendo, dormindo. passa do prazo que os médicos deram, todos ficam admirados, mas daí a resposta à pergunta é que ele tá morto, e o cara descreve o som da voz como "áspero, alquebrado e sepulcral", como se viesse de muito longe, além de passar a sensação de um material gelatinoso ao tato (ok né). um estudante que ele chamou pra observar chega a desmair com isso, mas o tempo vai passando e eles mantém o velho assim por seis meses (!). ah, na hora que ele fala esquisito ele também tinha ficado branco e as manchas que tinha haviam sumido, além da boca ter se escancarado mostrando a língua inchada e escura. aí o mesmerizador e os médicos decidem acordar o sr. valdemar depois de tanto lenga-lenga e quando o fazem ele vai recuperando a aparência doentia e dali um minuto se decompõe todo na cama, mortinho da silva. talita achou que foi óbvio demais, que nada aconteceu, mas achei bom – a hipnose segurou o corpo lá, ué, apesar do velho ter morrido, e na hora que o acordaram nem tinha mais corpo pra estar lá, por isso ele se desfaz numa nojeira asquerosa e podre. massa, ashush. pensando agora, no pedido do velho ("pelo amor de Deus! — rápido! — rápido! — ponha-me para dormir — ou, rápido! — acorde-me! — rápido! — afirmo que estou morto!") talvez o acordar queria dizer matá-lo do mesmo jeito, mas meio que assassinando, sem tirar ele do transe.

o coração denunciador (edgar allan poe)
nesse o cara é completamente pirado mesmo. diz que não é louco, que prosseguiu com a maior cautela e precaução, e que foi o olho azul-claro e com catarata do velho que o fez decidir que ia matar o coitado. ele fica olhando o homem dormir de soslaio na porta do quarto por um tempão até atacá-lo e matá-lo de fato, e no processo ouviu a velocidade dos batimentos do velho ir aumentando cada vez mais. aí o cara enterra o velo no chão, classic já esse tipo de coisa, e depois dele terminar vem a polícia inspecionar a casa porque vizinhos ouviram gritos de noite. ficou lá papeando, todo convencido e confiante, até começar a ouvir o barulho do coração do velho de novo. não aguenta e admite o crime. talita comentou uma coisa que é fato: nunca tem o depois das conclusões pra gente ver, nesses contos. dá pra imaginar que naquela época foi surpreendente e marcante sim, mas muita coisa já virou enredo de filme e o escambau hoje em dia. e dá pra ir reconhecendo os padrões, aquilo do narrador se defender, se apresentar mostrando suas qualidades e falando do temperamento, etc. e sempre acaba assim que a coisa acaba de acontecer, puf. não lembrava direito desse, apesar de já ter lido. não é dos melhores.

uma descida no maelström (edgar allan poe)
um velho contando uma história que aconteceu com ele enquanto andam por umas montanhas na noruega. do topo de uma podem ver o mar e as várias ilhas por ali, e tem um redemoinho que surge em intervalos constantes e que determina toda a dinâmica dos pescadores e navegadores que passam por lá. a história é que uma vez o cara tava com os dois irmãos no barco, pescando, e eles iam perto do redemoinho porque conseguiam pegar muito mais peixe em pouco tempo. mas parece que o relógio que usam falha e eles são pegos no redemoinho, que é um negócio absurdo de fundo e veloz, e nessa só o cara contando o episódio sobreviveu. diz que foi assim que os cabelos embranqueceram, todos de uma vez. talvez o sal da água, sei lá. umas coisas de força propulsora ou energia centrípeta, não sei mais, mas ele descobre como se equilibrar enquanto giram e tal. longo, confuso. não curti muito não, mas o desenho é massa. me lembrou esse de paola rodrigues.

ensimesmada (flavushh)
um dos maiores quadrinhos de flavushh, que ela liberou pra ler/baixar de graça recentemente e coloquei no kindle. tem umas frases muito boas e relatable, do tipo "quero arrancar minha pele toda agora depois meus ossos" ou "me esconder para sempre e nunca mais acordar eu não quero estar aqui amanhã eu não quero amanhã". outras frases verdadeiríssimas como "ok vai passar nada é tão ruim quanto parece tem certas coisas na vida que você precisa fazer ok eu estou bem. não estou na verdade mas não importa" (rindo de desespero). essa menina parece ser uma princesa e os pais são grudados feito gêmeos siameses. tá na hora dela passar por esse ritual também, que supostamente é motivo de honra, mas ela não tá feliz nem quer isso. "me dizem que muitas matariam para estar em meu lugar e queria tanto que matassem de fato". ela monta num bicho e passa por um portal, e lá encontra uma menina igualzinha ela mesma. conversam por dias, ficam de romance, brigam; no fim ela mata a outra mas abraça o corpo. questão de se sentir perdida, não se entender. total. gosto muito dos desenhos dela, super simples e com essa estética "feia" que é única, na real. elementos de quadrinho sem quadrinho, uma das maiores inspirações pra mim, com certeza. foi a primeira coisa que li no kindle!

perfeito a trilha ali, a fala e os olharzinhos

speech sounds (octavia e. butler)
conto que faz parte de um projeto da editora morro branco chamado cápsula, em que liberam contos assim pra baixar de graça. tem um outro da ursula le guin lá também que quero ler. mas procurei em inglês porque imaginei que seria fácil de achar, pra aproveitar que era pequeno, e pra usar o kindle. a história se passa num futuro apocalíptico onde as pessoas perderam a linguagem por causa de uma doença tensa. "language was always lost or severely impaired. it was never regained. often there was also paralysis, intellectual impairment, death." e nem a memória ficava intacta, "she had a houseful of books that she could neither read nor bring herself to use as fuel. and she had a memory that would not bring back to her much of what she had read before." a principal da história até podia falar, meio assim sem sentido, mas não podia ler, e o cara que ela encontra podia ler mas não falar. "the illness had played with them, taking away, she suspected, what each valued most." no começo ela tá num ônibus tentando ir pra onde a família do irmão vivia, e começa uma briga que faz tudo parar. "loss of verbal language had spawned a whole new set of obscene gestures." aparece esse cara vestido de policial que resolve as coisas e chama ela pro carro dele. se comunicam com gestos e suposições e logo tão transando felizes. ela até desiste de tentar chegar no irmão pra não ter certeza da morte dele e poder continuar tendo família, já que "the illness had stripped her, killing her children one by one, killing her husband, her sister, her parents". no fim eles vão ajudar uma mulher e duas crianças fugindo de um cara e o homem leva um tiro e morre. mas a protagonista salva as crianças e descobre que elas falam normal, e aí conversam. massa esse fio de esperança no final, que não dá pra saber se foi real mesmo ou só delírio. muito bom uma história de ficção científica envolvendo linguagem, muito interessante! e octavia butler escreve muito bem, pô. gostei que esse foi meu primeiro contato com ela.

now she did not have to go to pasadena. now she could go on having a brother there and two nephews – three right-handed males. now she did not have to find out for certain whether she was as alone as she feared. now she was not alone.

rye glanced at the dead murderer. to her shame, she thought she could understand some of the passions that must have driven him, whomever he was. anger, frustration, hopelessness, insane jealousy... how many more of him where there – people willing to destroy what they could not have?

amoras (emicida)
livrinho infantil gratuito pra baixar na quarentena. sobre emicida mostrar amoras pra filha e dizer que as mais pretinhas são as mais doces, e daí ela fala "que bom, porque eu sou pretinha também". fofinho, pena que no kindle é tudo preto e branco. mas tem uma versão animada que resume bem. tem essa parte legal também de que martin luther king jr. choraria ao ouvir a menina, zumbi dos palmares diria que nada foi em vão... que o pensamento infantil é puro como obatalá, criador do mundo. que a gente chora ao nascer porque se afasta de alá. massa de existir, tão simples.

vampires suck (2010)
vimos twilight pra prestar atenção nuns detalhes, apesar de acelerado umas partes, pra depois ver isso. ideia de talita, julia se juntou e eu só fui. já tinha visto pedaços mas não ligo muito pra esse tipo de filme/humor... umas besteiras e exageros de briga e tudo. não sei nem o que falar sobre. tali gosta de bella (é outro nome, mas não lembro) sai do carro do pai com um vaso de cacto enorme em vez do pequeno do original. pai de jacob cadeirante mas às vezes anda. "um dos jonas brothers" em vez de "vampiro" naquela hora do "eu sei o que você é". ator artificialzão da zorra. a menina é bem bonita, até. patinete de shopping na floresta haush. eles vão até sei lá que filme nesse, não só crepúsculo. no fim os volturi ganham o baile de formatura, cujo tema era vampiros. daqueles filmes que me deixam sentindo que eu podia estar gastando minha vida com outra coisa.

tarja branca (2014)
nalu tinha que ver pra uma disciplina e decidimos ver todas juntas. gostei bastante, achei tocante, interessante. mas não perfeito, porque é sobre brincar e tem uma coisa de ressaltar a infância que me deixa um pouco desconfortável. pensando sobre como fui ruim com matheus naquela época de cuidar dele. também é sobre trabalhar com o que a gente gosta, ter coragem de fazer isso, e depois de vermos rendeu uma discussão interessante (aquilo de que trabalho nunca vai ser prazer, que ter uma "paixão" é outra forma do capitalismo te explorar, já que você vai ficar workaholic e render mais). questão de brincar sendo adulto pra poder ser feliz, de como o mundo vai pedindo seriedade em tudo e a gente perde essa essência. teve umas falas boas que eu já esqueci porque tô fazendo essa review em maio... estragando tudo. mas tudo bem porque gostaria de rever, tem no youtube. ah, tarja branca é um remédio proposto por um artista todo doido que aparece, umas pílulas pra se curar do mundo. oposição a tarja preta, né. tudo aquilo de ser criativo, original, e como a sociedade atual massacra isso. uma senhora sentada numa calçada falando coisas boas. sempre a questão da educação como possibilidade de transformação. e eu fiquei mexida porque já tava nos pensamentos de identidade, por que eu sou assim e não assado, como mariana e carol chegaram nos livros que leram, quem passou pela vida delas e as construiu... e o documentário pegou bem nisso. nossa, a música também, cultura popular! gente que dedica a vida a festivais de rua, essas coisas bem tradicionais mesmo. e lembrei também de como foi o carnaval de 2019, o quão forte foi presenciar o maracatu e estar lá junto. massa.

o vilarejo (raphael montes)
uma coleção de contos que se passam nessa vila em algum lugar da europa (não é explícito, mas mencionam 'ir para as américas' e os personagens chamam helga, ivan, mikhail, etc). cada um dos 7 contos corresponde a um dos reis demônios do inferno, um pra cada pecado capital: asmodeus pra luxúria, belzebu pra gula, mammon pra ganância, belphegor pra preguiça, satan pra ira, leviathan pra inveja e lúcifer pra soberba. dá pra ler em qualquer ordem mas tudo se encaixa de alguma forma, com os mesmos personagens e eventos em comum. o autor alega ser só um tradutor de uns cadernos escritos por uma senhora que morreu numa língua que não existe mais, o que é interessante (o prólogo e o posfácio fazendo parte da história também e tal). no fim a velha que morreu era uma moradora da vila que foi embora antes de todos morrerem de frio e fome. já escrevia quando era jovem, junto com a irmã gêmea e uma amiga. no conto que ela aparece ela mata o namorado da irmã mais velha pra ele não ficar com ninguém e faz parecer que a irmã gêmea fez por vingança de supostos abusos, e que se matou em seguida. no primeiro conto uma mãe mata e cozinha os filho tudo e uns moradores pra se alimentar enquanto o marido tá caçando. tem um que uma avó é obcecada por dinheiro e neglicencia a neta pra economizar, e acaba sendo alimentada por ela com moedas e morrendo. em um conto um cara preguiçoso escraviza duas irmãs negras pra fazer seus trabalhos de ferreiro, e em outro o pai delas se vinga da mulher que o acolheu mas foi passando a tratar ele mal. loucura o que um cara estupra uma menina recorrentemente e depois de crescida ela volta e o beija mordendo só pra passar lepra e deixar o cara morrer. no fim satan aparece de fato, como "um homem de muitos nomes", pra dizer que só fez fornecer a possibilidade das coisas, mas que as pessoas eram ruins mesmo e tudo aconteceu por isso. uma leitura sangrenta bacana pra um clima frio, sei lá, mas não gostei tanto do estilo de escrita. uma impressão de coisa meio bobinha, apesar da construção criativa. como se fosse meio prepotente, contando a história e no fim revelando a conclusão chocante, ohh. não sei explicar bem. mas é isso, nada de mais.

bloodchild (octavia e. butler)
conto gratuito pra baixar no kindle, em inglês mesmo. sobre os terrans, que eram habitantes da terra e fugiram pra outro planeta, e vivem entre os tlics. pelas descrições de "muitos membros" e "olhos amarelos" imagino que sejam algo entre uma cobra e uma centopeia, bem grandes. vivem muito mais que humanos, também. e o acordo entre as raças foi de uns humanos hospedarem as larvas dos tlics, que são parasitas, pra eles poderem continuar vivendo e os terrans terem onde viver. coisa sobre escravização na terra, e por ser octavia butler acabo colocando os personagens como negros. because your people arrived, we are relearning what it means to be a healthy, thriving people. and your ancestors, fleeing from their homeworld, from their own kind who would have killed or enslaved them–they survived because of us. we saw them as people and gave them the preserve when they still tried to kill us as worms. todos tomam ovos estéreis pra prolongar a vida, de um tlic meio que ligado à família. às vezes eles são picados, também, mas não machuca, anestesia. o narrador foi prometido pra uma tlic, e a questão é que aparece um n'tlic (que entendi ser um terran desligado do tlic que o implantou por algum motivo) e t'gatoi (a tlic "do" principal) tem que remover as larvas dele, e é super nojento e doloroso. dizem que se fosse a tlic do cara fazendo não seria assim. massa demais que a autora tirou inspiração das larvas parasitas de uma mosca que vive na amazônia pra criar uma história de "gravidez masculina", porque geralmente os hospedeiros são homens (tem algo de mulheres darem tlics melhores, mas eles entenderem que elas já têm a responsabilidade de gerar a própria raça. tem uma provocação de que elas geram a própria raça sim, mas pros tlics usarem seus filhos depois). muito interessante, uma perspectiva de aliens e vida no espaço totalmente nova. questões de escolhas ou a falta delas, retribuição... punkzera, curtindo muito a autora. gosto como ela fala sobre o processo da escrita depois dos contos; fez também em speech soundswhen i have to deal with something that disturbs me as much as the botfly did, i write about it. i sort out my problems by writing about them. se liga nas citações:

one of my earliest memories is of my mother stretched alongside t'gatoi, talking about things i could not understand, picking me up from the floor and laughing as she sat me on one of t'gatoi's segments. she ate her share of eggs then. i wondered when she had stopped, and why.

she had bonesribs, a long spine, a skull, four sets of limb bones per segment. but when she moved that way, twisting, hurling herself into controlled falls, landing running, she seemed not only boneless, but aquaticsomething swimming through air as though it were water.

she found the first grub. it was fat and deep red with his bloodboth inside and out.
at this stage, it would eat any flesh except his mother's.
there was always a grace period between the time the host sickened and the time the grubs began to eat him.

and the thing she held...
it was limbless and boneless at this stage, perhaps fifteen centimeters long and two thick, blind and slimy with blood. it was like a large worm.

i had been told all my life that this was a good and necessary thing tlic and terran did togethera kind of birth. i had believed it until now. i knew birth was painful and bloody, no matter what. but this was something else, something worse. and i wasn't ready to see it. maybe i never would be. yet i couldn't not see it. closing my eyes didn't help.

after that he concentrated on getting his share of every egg that came into the house and on looking out for me in a way that made me all but hate him–a way that clearly said, as long as i was all right, he was safe from the tlic.

"i don't want to be a host animal," i said. "not even yours."

it took her a long time to answer. "we use almost no host animals these days," she said. "you know that."
"you use us."
"we do. we wait long years for you and teach you and join our families to yours." she moved restlessly. "you know you aren't animals to us."

why else had i been given a whole egg to eat while the rest of the family was left to share one? why else had my mother kept looking at me as though i were going away from her, going where she could not follow? did t'gatoi imagine i hadn't known?

"terrans should be protected from seeing."
i didn't like the sound of thatand i doubted that it was possible. "not protected," i said. "shown. shown when we're young kids, and shown more than once. gatoi, no terran ever sees a birth that goes right. all we see is n'tlic—pain and terror and maybe death."


cápsula (amanda miranda, fernanda garcia, grazi fonseca, ing lee, marco sem s, monge man, nicholas steinmetz, puiupo e tais koshino)
comprei porque fizeram promoção de combo, cápsula + aquele calendário do ano do rato + um print de uma das ilustrações dele. esperava que fosse muito maior, tanto a hq quanto o calendário (que é só um quadradinho minúsculo... pena. bonito pelo menos, não tem cara de calendário então dá pra usar como decoração). esses nove artistas contando suas histórias que buscam homenagear akira e se inspiram no mangá de alguma forma. puiupo mesmo chegou fazendo umas moto empinada com gente com cara de logo de posto de gasolina, criticando o governo e a ideologia de "produzir até morrer". achei estranho a frase que ela fez em português com estrutura de inglês, tipo tradução literal de "be supposed to", mas agora tô me perguntando se não foi de propósito. ing lee faz uma narrativa ambientada numa bh futurística, "cápsula" como o nome de um complexo de apartamentos daqueles minúsculos, que só cabe a pessoa deitada pra dormir; bem massa, gostei dos personagens e do humor, enfrentamento de um cuzão de patinete. o defeitinho desse foi gráfico: os três sentados numa ponte e na mesma orientação vistos de trás e de frente. amanda (ex-paschoal) miranda compõe umas imagens grotescas enquanto se passa uma conversa sobre medo de altura (muito bom o "pra mim é mais tipo / tem mais a ver com estar próxima a beiradas / parece que elas me chamam"). legal a parte de tais koshino também, umas coisas de tudo caminhando pra ser uno, conhecimento compartilhado/distribuído (marco sem s fala disso também, retoma akira bastante, e só lembrei aqui essa coisa de "de onde vem o conhecimento" e etc. me intriga bastante); a de d0rts (que eu nunca tinha visto pelo nome, nicholas, e nem conhecia direito além das interações com puiupo); a da menina que fez umas coisas aparentemente abstratas mas que faziam sentido, as bolas e telas se mesclando, virando outra coisa. escolhi pra ser o livro que me faria sorrir pro desafio de maratona, e cheguei a rir com ing lee, pelo menos. apesar de tudo ser meio pesado tava satisfeita de finalmente ter, também.

los once (miguel jiménez, josé luis jiménez & andrés cruz)
sobre os dois dias de cerco do palácio da justiça da colômbia, em bogotá, em novembro de 1985, quando guerrilheiros o ocuparam e foram atacados por forças militares. a história é contada pela perspectiva de uma mãe/avó que cuida da neta e espera o retorno do filho, que trabalha no palácio. todos esses personagens são ratos, morando em buracos e trabalhando sob o palácio. os militares são cachorros ou javalis, algum bichão intimidador misturado. e tem pombas, uma cruz no chapéuzinho. começa o ataque e os ratos do palácio tentam fugir, coisas desabando, esconderijo. pombas chegam e levam pra um lugar melhor, mas logo vem um bichão e mata uma. a avó esperou e esperou, ouviu noticiário e viu coisa na tv de humanos, nada do filho voltar. no fim não tem mais ela, a netinha triste leva uma rosa pra praça do palácio, onde mais um monte de ratos se reúnem. uma inscrição no edifício dizendo com uma mensagem de santander para o povo, "las armas os han dado la independencia, las leyes os darán la libertad". parece que os fatos nunca foram esclarecidos e que existem várias versões, mas os 'onze' do título fazem referência a essas pessoas que desapareceram no incidente e eram só trabalhadores da cafeteria ou visitantes. nessa matéria diz que um senador lá disse ter escrito tudo que aconteceu, mas só podem ler quando ele morrer... pesado essas coisas, um negócio meio ditadura, né, ninguém punido nem esclarecido. massa a estrutura intercalando cenas da avó e dos onze, e forte esse negócio da representação dos personagens como animais, cada um representando uma coisa (que nem maus). os guerrilheiros tinham uma bandeira esquisita de uma pomba com umas armas cruzadas, então acho que pegou referência disso também.

o amanhã não está à venda (ailton krenak)
ensaio do krenak que a companhia das letras lançou como ebook gratuito. bem curtinho, uma reunião de três falas dele pra meios diferentes. sobre a pandemia e a sociedade atualmente, uns retornos aos temas que ele trata em ideias para adiar o fim do mundo e tal. gosto de como ele fala de outras formas de existência no mundo, quando questiona o que chamamos de humanidade, quando diz "eu não percebo que exista algo que não seja natureza. tudo é natureza. o cosmos é natureza. tudo em que eu consigo pensar é natureza". vários destaques, todos os perfis de leitores que tô seguindo postando um trecho diferente. os mais relevantes pra mim foram esses daqui de baixo. ah, e que bom que ele comenta como dizer é fazer! "é uma declaração insensata, não tem sentido que alguém em sã consciência faça uma comunicação pública dizendo "alguns vão morrer". é uma banalização da vida, mas também é uma banalização do poder da palavra. pois alguém que fala isso está pronunciando uma condenação, tanto de alguém em idade avançada, como de seus filhos, netos e de todas as pessoas que têm afeto uns com outros." semântica e pragmática, pô. li em voz alta pra carol de manhã e foi um bom começo de dia.

temos que abandonar o antropocentrismo; há muita vida além da gente, não fazemos falta na biodiversidade. pelo contrário. desde pequenos, aprendemos que há listas de espécies em extinção. enquanto essas listas aumentam, os humanos proliferam, destruindo florestas, rios e animais. somos piores que a covid-19. esse pacote chamado de humanidade vai sendo descolado de maneira absoluta desse organismo que é a terra, vivendo numa abstração civilizatória que suprime a diversidade, nega a pluralidade das formas de vida, de existência e de hábitos.

"filho, silêncio". a terra está falando isso para a humanidade. e ela é tão maravilhosa que não dá uma ordem. ela simplesmente está pedindo: "silêncio". esse é também o significado do recolhimento.

governos burros acham que a economia não pode parar. mas a economia é uma atividade que os humanos inventaram e que depende de nós. se os humanos estão em risco, qualquer atividade humana deixa de ter importância. dizer que a economia é mais importante é como dizer que o navio importa mais que a tripulação.

em artigo que li sobre a pandemia, o sociólogo italiano domenico de masi cita a obra profética a peste, de albert camus: a peste pode vir e ir embora sem que o coração do homem seja modificado. (...) tomara que não voltemos à normalidade, pois, se voltarmos, é porque não valeu nada a morte de milhares pessoas no mundo todo.


carta a francisco (ana paula tavares)
não peguei muito bem, bastante poético. ela se dirige ao pai e fala de um deserto, de esperar as flores que explodem com o mínimo de água. ela fala de uma "gente do norte" que fragmentou o sul, mudou o curso dos rios, levou o sal, não se importou com "princípios cristãos e humanitários". diz que é uma carta de guerra. "dizem-me, pai, que és bom e atento e que sem romperes com o passado e a tradição andas à procura de todas as verdades, as que existem para lá das autoridades dos príncipes e das palavras dos homens. (...) dizem-me os mais-velhos que a tua voz é maior que o vento, é uma voz do infinito e consegue articular as coisas mais difíceis de dizer para que perdure eco dos ecos nas montanhas e nos desertos." antes da carta tem duas citações pesadonas, uma de um general alemão falando que acreditava que a tribo herero devia ser exterminada e outra de um chefe herero dizendo que viaja para o céu num carro de bois. lembrei agora do que emicida fala no filme invisível, amarelo, sobre princesas puxando carros de bois... coisas que a escravidão fez. ela fala mesmo de "tropas imperiais, anjos da morte e da desgraça saíram de berlim para condenar ao deserto e à agua envenenada todos os herero e os nama" e depois pede ao pai, "associa campo de concentração e morte lenta pela fome e a corda." nossa. fortíssimo. a escritora é angolana, tá numa agenda de carol com a proposta de 'literatura africana em movimento', da tag. tem ele todo aqui, é bem curtinho, fui relendo pra entender melhor e agora já senti tudo. uma denúncia e chamada pro não esquecimento. triste, profundo e importante.

o prémio (ungulani ba ka khosa)
outro da agenda da tag de carol. começa com uma descrição de uma mulher suando numa cama, as pernas abertas, gemidos, e já pensei que era sexo. mas o marido entra no quarto pra falar com ela, então é parto, na verdade. ele pergunta se ela já quer ir pro hospital mas ela sempre recusa, perguntando as horas. na primeira vez era dezessete e trinta, depois vinte e duas... no fim ela concorda e levam um tempo pra descer os dois andares até a rua, ela vomita algumas vezes. o quarto era descrito como inundado de suor, o chão como um lago, ilhotas onde pisar. ela tem o bebê e a primeira coisa que quer saber quando recobra a consciência é onde tá o prêmio, que aparentemente era um enxoval. mas a enfermeira responde que valia só pros bebês nascidos nas primeiras horas do dia tal, e ela deu à luz às vinte e três e cinquenta e cinco. véi. que pesado. a mulher até volta a desmair depois dessa. que horror, deve acontecer de fato, né? ungulani ba ka khosa é de moçambique. massa isso do suor inundando, os delírios da mulher observando as paredes. baratas fornicando, aranhas. triste.

taare zameen par (2007)
filme que carol tinha que ver pro estágio. indiano, "como estrelas na terra". sobre esse menino de uns 8 ou 9 anos de idade, ishaan, que leva muita reclamação na escola porque não aprende, repete erros, tem dificuldade. a cabeça nas nuvens, todo imaginativo e distraído; desenha e pinta bastante, constrói coisas e tal. quando a escola diz que ele vai repetir o 3º ano (acho que pela segunda vez) o pai manda ele pra um internato, e isso destrói o bichinho total. fica totalmente apático, muito depressivo, não dá atenção pra nada e tá sempre assustado em interações. e no internato os professores são ruins igual a escola, rígidos e inflexíveis, até aparecer um substituto de artes, que já chega num número musical vestido de palhaço e tocando flauta. ah, a gente não esperava que o filme fosse ser um musical, mas talvez seja bem comum em filmes da índia mesmo. e o professor fica muito tocado, chora o tempo todo, fica pensativo contemplando as coisas e os alunos de uma escola especial em que trabalha. ele olha os cadernos de ishaan, cheios de correções em vermelho e comentários de "ruim", e visita os pais dele pra mostrar os padrões dos "erros", de uma forma bem linguística, inclusive. vê as pinturas e tudo o que ele costumava fazer e se impressiona demais com a capacidade intelectual e criativa do menino, e diz pros pais que pelo que dá pra ver ishaan tem dislexia. muito boa a cena do professor dando a caixa de brinquedo em japonês pro pai ler e repreendendo ele, num paralelo ao que ishaan sofre. horrível as atitudes do pai, que acha que se importa; o professor acaba com ele falando de um povo que dirige insultos a uma árvore quando precisa que ela morra. e dá uma aula falando dos grandes nomes que foram crianças/jovens com problemas de aprendizado tradicional, e começa a ajudar ishaan de um jeito ótimo. fonética na associação de letras e fonemas, arte na caligrafia, escadas na matemática, várias coisas. e no fim faz um festival de arte em que todo mundo participa, até os professores ranzinzas, e claro que ishaan ganha e chora emocionado abraçando o professor. lindo fim com ele sorrindo e correndo pra um abraço, voando. no começo senti que era meio brega, essa coisa de músicas e ser super demorado (tem quase 3h), mas fez todo o sentido pra se sensibilizar e resolver depois. aquela coisa de questionar o quanto a gente tá viciado em um esquema de contar histórias no cinema, moldado pelo eixo eua-europa. muito bom! chega chorei. essa representação de um homem sensível, também, massa demais. o jeito que ele aborda os pais e até o diretor da escola pra tratar o assunto... premiado, parece. vi aqui que o ator do professor de artes é diretor do filme.

a máquina do tempo (h.g. wells)
planejei terminar os livros que comecei e tô empacada e o primeiro foi esse. devo ter começado em janeiro ou até antes de viajar, não lembro. não sei se fui com muita expectativa, mas logo no começo já desanimei e tava achando chato, por isso fui postergando. no começo tem esse grupo de homens de várias profissões juntos (um médico, um psicólogo, um jornalista), e um deles (o jornalista?) tá narrando. eles tinham o costume de se reunir com esse inventor ou sei lá que passa a ser chamado de "viajante do tempo" quando aparece esbaforido, sujo e ferido, e começa a relatar sua viagem depois de um banho e uma refeição. acontece que ele vai pro ano 800 mil e tanto, o que já é absurdo demais pra uma viagenzinha primeira, e lembrando que é de 1800 e pouco esse livro. lá os supostos decendentes dos humanos são pálidos, pequenos, magros, bestas. não fazem nada além de se entreter com bobeirinha, perdem o interesse rápido, dormem juntos num abrigo, temem o escuro. e no escuro tem outras criaturas humanóides, que primeiro o cara compara a gorilas na aparência, mas são branco-doente e tem olhões pra ver no escuro. o viajante faz uams teorias péssimas e não esclaresce nada, o que é o pior ainda; teve oportunidade de descobrir mais mas voltou pra trás que nem um idiota. ficou com uma namoradinha ou sei lá, carrapato, visitou um museu decadente e recuperou a máquina do tempo por sorte. em vez de voltar foi mais pro futuro ainda, viu uns caranguejo gigante, viu o sol morrendo, quase morreu também por ser trouxa. zero simpatia por esse personagem. prepotente e a zorra. várias coisas não respondidas, a única coisa que eu gostei foi que h.g. wells admite, num prefácio de uma edição antiga, que deixou a desejar mesmo, porque na época ainda era amador.

vó, a senhora é lésbica? (2018)
primeiro curta do festival online de curtas sapatão do clube lesbos, que mari se inscreveu pra vermos todas. baseado no conto de natalia borges polesso, autora daquele livro de contos lésbicos chamado amora. começa com uma criança fazendo essa pergunta durante o jantar, e só volta pra mesma cena no final. mostra a neta joana com 10 anos vendo a avó recebendo uma mulher sempre, e ela olhando meio confusa. no jantar joana tá lá com 18 anos, e nessa idade ela comeceu a namorar uma menina da faculdade. ceninha delas na biblioteca, mãozinha dada, beijo entre as prateleiras. agonia leve, até, mas pesada na cena delas juntas rindo no gramado. no fim ela fala que quer apresentar uma pessoa pra avó depois daquilo no jantar, e diz que é a namorada. sorriem. bacana pensar outras histórias assim, mulheres adultas e idosas. esperança, né.

o som e a fúria (william faulkner)
comecei isso em, o quê, dezembro?, e só terminei agora. e falhando ainda, porque tinha feito uma daquelas listinhas de tantas páginas por dia pra acabar até tal dia e não segui, só sentei pra terminar mesmo porque queria ficar livre desses livros começados pra participar da asian readathon em maio. o pior é o começo, porque é benjy que narra, e ele tem alguma deficiência intelectual que deixa tudo extremamente confuso. nessa época fui fazendo anotações dos personagens que apareciam, mas só fui rever quando acabei o livro, e lá tinha até o cara da gravata vermelha do circo com quem quentin foge. isso de o quentin e a quentin também só dá pra entender na terceira parte, com jason narrando. a segunda é do quentin e também tem muito fluxo de consciência, mas gostei bastante das coisas que ele fala. acho que tatiana feltrin ou esse cara diz que é de onde as pessoas tiram as citações bonitas mesmo, como aquela do pai dando o relógio esperando que ajude quentin a esquecer do tempo. a confirmação do suicídio dele só vem em alguma outra parte, também, porque ele só planeja com os ferros de passar e fica um tempão com a menininha italiana. a parte do jason só passei raiva, claro, porque ele é um idiota gigantesco. racista e machista pra caramba, paranóico e só ruim, mesmo. a última parte é com um narrador em terceira pessoa, o que ajuda a clarificar várias coisas. mas sei lá, vi essas duas reviews que eu mencionei e mais essa e não sinto tanto que o livro é difícil como eles falam, só diferente, incomum. talita comentou que jamais daria o som e a fúria como uma recomendação casual, mas concordamos que cai muito bem pra quem esteja procurando algo desafiador pra ler. no final foi massa conectar as partes e encaixar os pedaços, apesar de eu achar exagerado o que essas pessoas dizem de ser incrivelmente recompensador e sei lá o quê, vale a pena o custo-benefício. fiquei é com vontade de começar a reler na mesma hora, pra ver com olhos diferentes a doideira de benji e de quentin, pelo menos. jason não releria não. queria ter riscado o livro antes, também. e no fim ainda tem um apêndice falando da família, do passado e do futuro. com o cara empolgadão com o livro fiquei sabendo que o autor usou esse universo em outros livros, interessante. pensei no título como os gritos de benji e tem isso mesmo, tirado de shakespeare, coisa sobre a vida ser só "uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria". comparando com a máquina do tempo, que era o outro livro começado há anos que eu tava lendo, e com o vilarejo, que eu senti fraco no jeito de narrar, o som e a fúria é bem especial na escrita também. e serviu pra proposta, né. enfim, ok, concordo que é único e gostei de ter lido, blá blá blá. fim!

eu sou a próxima (2017)
dessa vez o curta foi documentário. lançado um ano após a morte de luana barbosa, lésbica violentada por policiais que morreu cinco dias depois em decorrência do espancamento. feita pelo coletiva (no feminino) luana barbosa, com mulheres dando voz à histórias de mulheres que foram expulsas de casa, violentadas, abusadas ou mortas por esse sistema bizarro. muito visceral, elas todas nuas ou de sutiã, preto e branco, falando olhando pra câmera. a transmissão tava com o áudio atrasado, mas isso não diminuiu o impacto. no final elas revelam as identidades reais, e uma delas era uma professora de história que contou a história de uma aluna de 14 anos que faltava à escola porque morava na rua e se prostituía. falam sobre não querer ser homem, sobre nem existir nas estatísticas. foda demais. me emocionei e pensei sobre os privilégios que a gente tem. "eu sou a próxima" é um título tão forte quanto o documentário.

o barril de amontillado (edgar allan poe)
na minha cabeça o barril de amontillado ia ser um lugar onde o cara ia meter o amigo. não lembrava que era mais um conto de gente emparedada, apesar de nesse ser um pouco diferente – o cara fecha o acesso a uma câmarazinha e o amigo fica lá dentro preso por correntes. bêbados os dois, tudo doido, isso de descer infinitamente até chegar num depósito de bebidas. nada de mais, mas curto. simples.

yacunã tuxá - mulher indígena e artista em salvador (2019)
sobre essa menina yacunã tuxá, estudante de letras na ufba, indígena da etnia tuxá do interior da bahia, sapatão e artista/ilustradora. diz que esse nome foi dado pelos encantados (massa esse título) e significa algo como "vinda da terra". ela fala sobre como a arte foi o lugar que ela achou pra se expressar e se colocar no mundo, onde ela podia encontrar a cara dela representada, e que é isso que ela busca com o que produz. aparece bastante o instagram dela. fala do processo de se assumir lésbica, de ter tentado namorar homens, e que os encantados a aceitam como ela é. questões de ser referência pros outros, e lembrei de como eu me sentia sendo professora de tanta gente, mostrando que todo espaço pode ser ocupado por pessoas lgbt e não conformistas de gênero. legal a estrutura dela falando e umas fotos passando, ela por onde passei com talita na ufba, o gramado onde fumam maconha uahsu, ela com outras mulheres pregando um lambe-lambe de noite. "em cima do medo, coragem", uma frase da vó dela. a vó e a mãe indígenas, no finalzinho a mãe cantando com um chocalho mais animada que ela. massa, tão sorridente, boas energias. dá pra assistir aqui por enquanto.

julieta paredes encontra pavio - uma breve introdução ao feminismo comunitário (2017)
essa julieta paredes, que foi uma das fundadoras do movimento feminista comunitário na bolívia, explicando suas visões e conceitos numa vinda ao brasil. faz todo o sentido o feminismo ter essa carga política, sei lá, acho que é aquilo de tudo estar integrado, feminismo e racismo e veganismo, por exemplo, as lutas contra inúmeras opressões. ela fala sobre o patriarcado não oprimir só mulheres mas homens e a natureza também, sobre como os homens deveriam apoiar as mulheres e cuidar das coisas pra que elas pudessem se reunir pra discutir o ativismo. que o machismo é uma atitude individual, mas que o patriarcado é o sistema. que não dá pra só exigir do estado as políticas públicas pra lutar contra o sistema, e que é por isso que muitas mulheres pisam na universidade. sobre o problema que é o capitalismo, sobre a luta contra o colonialismo ser a chave de tudo. bem massa. queria que as meninas ficassem imitando e zoando menos o espanhol.

úrsula (maria firmina dos reis)
bem romantismo mesmo, né, essa coisa super dramática nas falas, pensamentos trágicos, extremismo suicida, geral morrendo. "agora, decidireis da minha sorte,: feliz, ou desgraçado, úrsula, só vós sereis o meu amor". trágico, hein. o cara pedindo pra ela jurar que é dele, dizer que o ama, negócio manipulador e dependente da zorra. "depois de tão longo e apurado sofrimento, depois de ter esgotado até as fezes o meu cálix de amargura, votei ódio àquela que me fora tão cara" ahush até as fezes, véi, apareceu duas vezes essa expressão. umas perguntas que a gente já sabe responder, do tipo "mas em quem empregar esse amor, que devia ser puro como a luz do dia, ardente como o fogo de madeira resinosa?!", e coisas de não falar quem é que faz ou sente tal coisa, usar "alguém" e depois "era fulano, como o leitor perspicaz tê-lo-á já adivinhado" aushs. triste as partes de túlio e susana sobre a escravidão, como quando ele "obteve pois por dinheiro aquilo que deus lhe dera, como a todos os viventes" (e problemático a gratidão eterna que ele sente pelo cara que deu o dinheiro a ele, né). susana conta como era a vida dela antes de a levarem da família, descreve as atrocidades nos navios negreiros: "para caber a mercadoria humana no porão, fomos amarrados em pé e para que não houvesse receio de revolta, acorrentados como os animais ferozes das nossas matas". a alma nas prisões do corpo, o narrador mesmo se perguntando quando os homens amarão o próximo como a si mesmos... umas coisas de deus na natureza, amor à solidão porque "aí despe-se-nos o coração do orgulho da sociedade, que o embota, que o apodrece". e o tio  fernando terrível, que assassinou o pai de úrsula, abreviou a vida já nas últimas da mãe dela, torturou susana e deixou ela morrer, atirou em túlio e matou tancredo, pra depois úrsula morrer de loucura também. "úrsula sorria, afagando invisível sombra, mas esse sorriso era débil e vaporoso – era o derradeiro esforço de uma alma, que está prestes a quebrar as prisões do corpo". que é isso. esses posicionamentos de vírgula me fez pensar se tem algo a ver com aquilo de separar oração principal e subordinada do alemão. no fim fernando se arrepende no mosteiro, mas merece não. exigiu as coisas como se o mundo todo fosse dele, "mulher altiva, hás de pertencer-me ou então o inferno, a desesperação, a morte serão o resultado da intensa paixão que ateaste em meu peito". o narrador diz que ele era otelo em seu ciúme, preciso ler alguma hora, já que baixei um bocado de coisa de shakespeare que a l&pm botou de graça. "as almas generosas são sempre irmãs."

a máscara da morte vermelha (edgar allan poe)
esse é muito corona vírus. uma doença que faz com que a pessoa sangre pelos poros e morra em meia hora, avassaladora, e um príncipe que chama mil amigos pra fortaleza dele e isola tudo. chama músicos e "bufões" pra entretê-los, etc e tal. passa seis ou sete meses e tem um baile de máscaras, que se espalha por sete salões, cada um de uma cor por causa dos vitrais através dos quais a luz do fogo entra. um salão de veludo negro cujas janelas são de vidro vermelho, e ninguém se atreve a pisar lá porque é muito tenebroso. lá dentro um relógio tenso cujas badaladas silenciam até à música a cada hora anunciada. quando dá meia-noite as pessoas notam alguém que não reconheciam, de fantasia vermelha como sangue, e máscara parecia o rosto de um cadáver. todo mundo chocado e amedrontado de chegar perto, mas o príncipe corre atrás do indivíduo com uma adaga, só pra cair morto assim que se encontram. era a morte vermelha em si. aí todo mundo começa a morrer horrivelmente, "e as trevas e a dissolução e a morte vermelha estenderam seus ilimitados domínios sobre eles todos". tenso pensar o quanto isso pode se aplicar ao que a gente tá vivendo. bem curto, bom que é terceira pessoa. novidades entre os que já lemos. e eu confundi o coração denunciador com esse porque misturava, imaginava o barulho do relógio como as batidas do coração, alguém mascarado de vermelho auhshs.

o segredo dos lírios (2012)
três mães falando sobre a descoberta da sexualidade das filhas lésbicas. uma reagiu mal e mostra se arrepender, e fala que de lá pra cá mudou e aprendeu muito; outra toda tranquila, tratando com normalidade e pedindo que a filha compartilhasse tudo com ela; outra aparentemente bem jovem, que diz que desde que a filha era bebê já sabia que ela seria lésbica (como???). massa essa perspectiva, e três experiências diferentes também. tranquilinho, foi pouca coisa pra um dia de curta mas bom o sentimento que deixou. termina com as filhas aparecendo pra dar abraço nas mães. dá pra assistir aqui. ah, esse título me fez esperar algo completamente diferente do curta, também; super cara de que vai ser ficção e dar agonia haush. mas não, ok. não explicam o porquê desse título também.

terça-feira, 31 de março de 2020

lidos (3) e assistidos (10) em março

whiplash (2014)
tava na minha lista de filmes do letterboxd de puiupo (além da dos filmes que talita já viu) e gabriel escolheu esse pra gente ver junto. sabia que era de bateria, mas não muito mais. logo talita já falou que tinha uma cena "famosa" em que o baterista sangrava de tanto praticar, caia na caixa clara (fingindo que eu tenho noção do que é o quê) e tal. o menino estuda numa faculdade de música, parece, que é a melhor do país, e tem um maestro ou sei lá que é o bonzão e ele quer fazer parte da banda dele. o cara é um ridículo, fica humilhando toda e qualquer pessoa, manipula o garoto com as informações que consegue fingindo se importar. um nojo. e o moleque é meio idiota também, dispensa uma menina bonitona que trabalhava no cinema onde ia com o pai regularmente só porque precisa se dedicar aos estudos. chega a dizer que já sabe como vai ser, que ele vai dar pouca atenção a ela, eles vão brigar, ela vai se sentir mal, então prefere nem começar. tem uma parte terrível em que o velho escroto não tá satisfeito com nenhum dos três bateristas, incluindo o protagonista, e ele faz eles tocarem revezando por horas e horas até ele achar que ficou bom. isso tudo com o resto da banda tendo que ficar na escola esperando, madrugada adentro, e os três músicos morrendo de dor e suor e sangue. como se não bastasse, num dia que iam ter uma competição importante o ônibus que o menino tava quebra, ele sai correndo pra um lugar de alugar carro, esquece as baquetas lá, chega já atrasado e tem que voltar pra pegar elas, corre que nem doido no carro e é atropelado por um caminhão ou sei lá, sai do carro sangrando morrendo mas pega as baquetas e corre pro lugar da competição... mano. depois dessa tiraram ele da banda, uma advogada foi pedir testemunho dos abusos do professor (ele tinha contado de um aluno que morreu, chorou até, mas a real é que o menino se matou pelas pressões dele), ele saiu da escola e o pai ficou cuidando... no fim ele encontra o velho estúpido tocando num restaurante, demitido já, e ainda vai num negócio de música que ele tá organizando. mas o velho quer se vingar, e toca uma música diferente da que tinha passado pro menino. daí ele toca loucamente, recebe uma iluminação divina, e a última cena é o olhar feliz do velho idiota que tinha dito que nunca conseguiu que um aluno se tornasse um gênio como os que haviam antes (segundo ele o método cruel era que tinha criado os sucessos do jazz de antigamente). que merda esses ambientes. cisne negro da música esse filme. agoniante, disparou ansiedade de julia até. a música é boa, mas tem a coisa de superioridade.

the l word: generation q season 1 (2019)
uhuu, massa demais ver uma série lésbica retornando depois de incríveis 10 anos (e massa demais ela ter existido há 10 anos atrás). começou sem graça, talvez porque precisavam apresentar um monte de personagem novo, mas depois do terceiro ou quarto episódio (quando teve um threesome...) ficou bastante bom, divertido e bons assuntos. quem tá das originais é bette, shane e alice, e tina se contar a aparição pequena dela. angie tá com 15 anos, fugindo da escola pra fumar maconha com a amiga jordi, por quem ela tem crush. bette tá concorrendo a prefeita de los angeles, bastante contundente sobre a questão de fármacos que causam vícios e de gente em situação de rua. ficam falando que é um tópico particular dela e já comecei a suspeitar, e mais pra frente falam que kit porter morreu depois de ter recaída por causa de medicamento inadequado :/ shane tá voltando pra cidade e recebendo papeis de divórcio, apesar de trocar mensagens de "i miss you" – a esposa quiara é modelo ou sei lá famosa e quer ter filhos, mas shane não. ela acaba aparecendo na festa surpresa de aniversário que montam pra shane no bar que ela compra (pra transformar em bar lésbico) e ficam juntas de novo, quiara já grávida, mas vai embora quando shane mostra alívio depois dela perder o bebê. antes o bar era de tess, que namorava lena, que dá em cima de shane antes de quiara voltar e claro que a idiota não resiste. palhaçada isso. não fala na história mas a atriz que interpreta tess é trans, uma famosa que fez sense8. ela tava sóbria há meses mas bebe que nem doida quando terminam, e fica com finley, que é a melhor personagem nova. estilinho mais próximo do que talita e eu somos, humor bestinha e reações que eu consigo imaginar em pessoas reais. percebi que a cara dela lembra muito a de ariel bissett! a boquinha meio pra fora quando fala e tal. ela trabalha no programa de tv (ui, dá licença) de alice como faz-tudo, e chega a morar de favor na casa de shane um pouco. quem também trabalha lá é sophie, que namora dani, ambas latinas. no começo dani trabalhava na fábrica de remédios do pai, mas vai trabalhar pra bette depois dela arregaçar com ela. mas é workaholic demais, nem dá bola pra sophie, sendo que acabou de pedir ela em casamento. no começo o pai critica e depois aparece oferecendo salão chique e o escambau, mas com umas condições ridículas do tipo se sophie tiver filhos eles não terão direito à fortuna da família de dani. sophie foi irritante numa hora pressionando dani a conversar logo após o desentendimento com o pai, mas dani nunca queria conversar também (aperto no peito demais, me identificando). quando a vó de sophie vai parar no hospital quem dá apoio é finley, dani mal aparece, e nessa as duas começam a criar uma paixãozinha. o fim da temporada é finley, dani e sophie no aeroporto, finley indo pra casa dos pais pro casamento da irmã (a família nem avisou ela, parece que não a aceitam) e dani pro havaí onde combinaram se casar, mas não mostra pra qual das duas sophie foi. alice tá com nat, que tem duas crianças pequenas, e é engraçado ela tentando cuidar deles toda sem jeito. alice tenta reaproximar nat e a ex-mulher dela/outra mãe deles, gigi (hotzona), e acaba que as três viram um trisal depois do ménage na festa de shane. maravilhosa a cena delas dando a mão na peça de angie e jordi, e bette e as outras arregalando os olhos admiradas uashuh. pena que dá errado :( nat volta com alice durante um programa dela, ao vivo. mas já é um exemplo das coisas ~novas~ que tão tratando direito agora. tem vários trans também, micah que mora com sophie e começa a namorar o vizinho bonitinho (no final aparece o marido do cara na exposição dele, clássico), o gerente de campanha de bette... tina aparece porque tão caindo em cima de bette por ela ter empurrado um cara escada abaixo depois da peça de teatro, apesar de ter sido pra proteger angie que ele derrubou também. o cara é (ex-)marido de uma tal felicity, com quem bette teve um caso, e tudo isso é parte dos ataques também. mas tina vem nessa de dar apoio e conversa com angie sobre se descobrir, que ela fez isso no tempo errado porque desde nova esteve com bette e ficaram juntas por muito tempo... de novo o aperto no peito. ah, esse sentimento com finley falando de coisa de religião também! porque no começo ela tá de romance com uma pastora. enfim, já falei muito, tá massa e espero que as próximas temporadas façam muito sucesso.

o cheiro do ralo (2006)
não imaginei que ia ter umas perversões idiotas. o cara trabalha num lugar estranho que é tipo um galpão, e o que ele faz é comprar coisas que ele acha interessante. não mostra ele vendendo, mas numa parte aparece onde tudo fica guardado. a maioria das pessoas vai lá porque precisa do dinheiro, tipo uma magrela estilosa que quando não tem nada mostra o corpo pro cara e ele se masturba :( achava ela tão bonitinha. tem uma parte que ela tira a roupa e acusa ele de abusar ela, e todo mundo que tava na sala de espera cai em cima, a polícia se envolve e o escambau. no final ela que aparece com um revólver e atira nele. mas voltando, o cara frequenta uma lanchonete ruim só porque tá obcecado com a bunda da atendente. nem mostra o nome dela, quando ela fala fica mudo – ele diz que era um nome impronunciável, feio demais ou algo assim. ela tá toda felizinha com o cara mas ele dá uma bola fora (fala que daria qualquer coisa pra ver a bunda dela) e ela manda ele embora xingando, dizendo que teria ficado nua pra ele de graça se não fosse essa merda toda. ela aparece onde ele trabalha depois, sei lá pra quê, e ele enfia a cara na bunda dela. véi. o nome do filme é porque tem um banheirinho na salona do cara que tem um ralo fedido, e ele sempre avisava pras pessoas que era de lá que vinha o cheiro. com o tempo ele fica fascinado por isso também, depois de mil tentativas de tapar o buraco, tudo dando errado porque ele não queria gastar dinheiro com reforma. no fim, depois do tiro da menina, ele se arrasta pra lá pra morrer com a cara no ralo. doido total. ficou pra lá e pra cá com um olho de vidro que comprou, dizendo pros outros que foi do pai.

zoom (2015)
filme indicado por alan, umas coisas misturando desenho e realidade. atriz que é a baterista do sex bob-omb, gael garcía bernal e mariana ximenes (pois é). a primeira (emma) trabalha numa fábrica bizarra de bonecas sexuais, o segundo (edward) é diretor de cinema e a terceira (michelle) é modelo. emma faz quadrinhos onde inventa histórias pra edward, que só existe lá, e no fim tá dirigindo a atuação de michelle num filme ruim, enquanto michelle escreve a história de emma. aqueles filmes de ideia legal mas execução peba. agonia de mariana ximenes falando inglês, "i'm in it" mas pronunciado "i mean it". ela morava no canadá com um cara chato que não acredita no potencial de escritora dela, e então volta pro brasil e vai pra um povoado pequeno (é claro) onde os pais se conheceram e a conceberam. uma brisa dela na praia vendo um casal fazendo sexo nas pedras e depois uma boneca (de criança, dessa vez), que segundo as meninas é ela (e o casal os pais). nesse lugar ela se pega com a dona do bar onde caiu de bêbada, também. o namorado aparece falando que precisam fugir, tem gente atrás dela, perseguição, helicóptero, explosão. tudo porque um outro cara assumiu a direção do filme e tá lá controlando michelle. emma se desenha com peitões, bota silicone, se arrepende, entra num negócio de tráfico de cocaína dentro duma boneca sexual pra poder ter dinheiro pra des-cirurgia... a boneca vai pro lugar errado, cara que mandou fazer igual a ex-mulher, bizarrice. tiroteio e silicones estourados vazando no papel onde ela desenhou edward, e lá vai todo mundo do mundinho do cinema ficar borrado e esquisito. antes edward era o bonzão, pintudo, mulheres, e pra descontar as frustrações emma diminiu o pênis dele. ele vai atrás de mil coisas, compra uma prótese mágica que as mulheres adoram (apesar dele só ficar de boa sentindo nada), mas pifa o negócio indo nadar na praia. um lance de karma, emma precisou devolver o tamanho do pinto dele pra que as coisas começassem a melhorar. michelle avisando um, que avisa o outro e etc. filme doido da zorra. meio cômico numas horas, sei lá. não gostei muito.

kubo and the two strings (2016)
que linda a música do final, regina spektor (!) cantando while my guitar gently weeps (!), aquele instrumento japonês de corda tocado com casco de tartaruga (shamisen!!) que acho muito massa. a história segue kubo em busca de uns elementos que faziam parte da armadura do pai, que lutou contra o sogro pra poder ficar com a mãe de kubo. no começo ela parece doente, apática e com a mente enevoada, mas na hora do perigo ela usa os poderes pra ajudar o filho a escapar. ela é filha da lua, se me lembro bem, e se voltou contra o pai porque ele queria espalhar a escuridão no mundo. coisa de maldade, também, e eles não podem ser vistos de noite. e o pai de kubo era um guerreiro samurai com muitas façanhas heróicas, e que mostrou pra ela as coisas boas da terra. kubo tem uns poderes também, consegue manipular papel pra fazer origamis que atuam nas histórias que toca e canta, tão bonitinho. vai nessa jornada com uma macaca que era brinquedo dele mas ganhou vida, pra protegê-lo, e logo um guerreiro que diz ter sido seguidor do pai dele se junta. ele foi transformado num inseto pelos ruins e perdeu a memória. acaba que a macaca era a mãe e o guerreiro era o pai, de um jeito meio espiritual, como guias do menino, mas eles são mortos pelas irmãs ainda malvadas. kubo arrebenta as três cordas do shamisen dele e usa um fio de cabelo da mãe, a corda do arco do pai e um fio do próprio cabelo pra tocá-lo e derrotar o avô, que tinha virado um bichão. ele perde os poderes e vira um velhinho esquecido, e kubo e a vila toda o recebe de braços abertos, bonito. umas questões envolvendo memória sempre, e uma mensagem de que elas são a magia mais poderosa de todas e não podem nunca ser destruídas. muito gostosinho a história, a animação incrível também... já tinha visto esse vídeo no passado e só fui ver o filme porque julia animou de rever.

i am not okay with this S01 (2020)
mais uma série bem netflix. menina sydney com poderes que não controla, que só fazem destruir as coisas ao redor dela quando saem (que é geralmente quando ela tá com muita raiva). ela vai conversando, narrando, porque escreve num diário. fim inesperadíssimo dela explodindo a cabeça do cara idiota que pegou o diário dela e que namorava a melhor amiga, em quem tem crush. syd beijou a amiga mas ela ficou confusa, meio na defensiva de que syd tinha entendido algo errado. o irmão mais novo de syd sofre bullying, tem um porco-espinho que morre talvez pelos poderes doidos dela. fazem um funeral pro bichinho e ela fala coisas bonitas, que parecem ser mais direcionadas ao pai deles, que se matou. também tinha poderes, aparentemente (ela descobre coisa dele no sótão, assim bem dark). na rua dela mora stanley, bobinho mas traficante de maconha, afim dela. amigos e uma hora transam. okzinho de ver, nada surpreendente, rapidinho e esperado.

como falar com garotas em festas (neil gaiman, fábio moon & gabriel bá)
é um conto do neil gaiman que os irmãos brasileiros fizeram em hq, ilustrado e tal. dois amigos em londres, acho, de quinze anos só mas com umas caras de homem adulto chato. enn é quem a gente acompanha, mas o amigo vic é quem leva ele pra festa. só tem garotas, todas estonteantes e misteriosas. enn se interessou pela que abriu a porta mas vic, galã, já domina a atenção. a primeira com quem enn conversa é a mais esquisita: diz que é uma "segunda", que não pode procriar e tem que contar tudo à progenitora dela. umas coisas de viajar e retornar com as impressões dos lugares por onde esteve, e as outras também tem coisa disso. a segunda é meio triste, fala sobre nadar em piscinas de fogo solar com baleias, que o pai a mandou pra "mundo" apesar dela querer ficar em "sol". a última é massa, diz que é uma forma de poema (ou um padrão, ou uma raça cujo mundo foi engolido pelo mar), tem uma aparência de máscara de teatro. ela beija enn e começa a sussurrar no ouvido dele, contando a história do povo dela, e wow. mas aí ele tem que fugir com vic porque ele fez algo errado com stella, tavam no andar de cima transando ou sei lá. e vem uma ira absurda, "você não gostaria de deixar um universo bravo". poético. quero ler de novo, revisitar. vou acabar ficando com ele por muito tempo por causa da suspensão das atividades da faculdade.

spider-man: far from home (2019)
poxa, fraquinho demais. esse vilão que começa parecendo bom e na real é só um monte de gente que trabalhava pro stark botando efeitos visuais em tudo. donnie darko é o tal mysterio. fury chama peter pra ajudar, de todos os heróis que prestam mais, ok. recebe um óculos de tony stark, um sistema tipo o da armadura que tinha, e quase que peter mata o rivalzinho. peter dá o óculos pra mysterio porque acha ele mais merecedor, mas logo depois descobre coisas com mary jane e tentam arrumar. se beijam! ela suspeitava que ele era o homem-aranha, duh. ned do nada começa a namorar a loirinha irritante na viagem pra itália, mas terminam como dois adultos maduros haushs. e no final fury era um metamorfo daqueles de capitã marvel, oxe. acaba com mysterio liberando um vídeo revelando que peter é o homem-aranha.

william wilson (edgar allan poe)
dá pra resumir o conto em poucas frases, como fez tatiana feltrin aqui, mas é tão socado de detalhamento e prolixismo que o negócio fica com mais de 20 páginas. lembrava do final, em que os dois caras se encontram numa sala com um espelho, e na real é só o primeiro cara vendo o próprio reflexo. apesar de demorado é interessante, todos os detalhes de como o sósia ia absorvendo as características do outro, na escola e quando reaparecia. tenso, essa coisa das histórias de poe de deixar um mistério pairando mesmo depois que o negócio acontece, assim meio inexplicável e sinistro. chega a ser engraçado as partes em que a narração era tão rebuscada que a gente lê e não entende bulhufas.

waking life (2001)
o quão besta foi reassistir esse filme justamente pra conseguir fazer review mas deixar passar dois meses de atraso? vou ter que ver de novo, né. tantas coisas que chamam a atenção que mal dá pra acompanhar, refletir sobre. mas deve ser pra dar a sensação de sonho, do monte de informação que a gente recebe e só vai descendo pela mente sem dar tempo de processar. igual as mudanças constantes no estilo de desenho, cores e efeitos, coisa derretendo, como um sonho bem doido. aquela cena da mulher com quem ele tromba, o assunto das formigas, deve ser o que é mais citado por aí como sendo waking life. revi com talita mas fiquei lembrando de como foi ver com aldivo, bem a cara dele, ser todo cheio de ideias e filosofias a ponto de ser difícil de tirar um sentido uniforme.

o poço e o pêndulo (edgar allan poe)
resenha decente aqui. um dos contos que eu lembrava de já ter lido, mas ainda me surpreendi com alguns detalhes. um cara aprisionado pela inquisição espanhola, parece, num lugar escuro e subsolo feito pra torturar gente fisica e psicologicamente. interessante que ele tenta construir uma imagem mental da cela caminhando e contando, mas quando consegue enxergar vê que tava tudo errado. um poço onde ele não caiu por pouco, ratos em busca da comida dele, e logo ele fica amarrado numa espécie de cama. acima dele um pêndulo com uma lâmina na ponta, indo e vindo que nem aquelas armadilhas de filme de terrorzão. será que poe que deu essa ideia? conforme o tempo passa mais baixo o pêndulo fico, até que no último instante o cara usa os ratos pra roerem as fivelas de couro que o seguram na cama, e então consegue escapar com vida. alguém aparece pra tirá-lo dali, também, talvez porque acabou o período tenso que tava acontecendo. massa esse, a atmosfera que a narração passa e tudo.

what the health (2017)
documentário com produção de joaquin phoenix. de novo um cara bem americano, loiro e alto, de cabelo comprido num boné ainda por cima, conduzindo a discussão e as buscas. muito chato ele, o tempo todo fazendo analogias desnecessárias com tabaco, do tipo "a associação do coração recebendo dinheiro da indústria da carne, blá blá blá, isso é como se a associação dos pulmões recebesse dinheiro da indústria do cigarro!"... amigo, eu entendi sozinha. os médicos e gentes entrevistadas pareciam estar atuando, sei lá; tipo o doutor que mandou um "meu deus, odeio quando me perguntam isso" assim pro ladinho quando o cara questionou sobre deficiência proteica se não comer carne ou algo assim, ou o velho duma instituição relacionada a diabetes que se recusou a falar sobre dieta e pediu pro cara ir embora porque tava perdendo o tempo dele. o cara olhava uns sites de associações grandes de saúde e criticava que tinha receita gordurosa e com carne, ou que não avisava sobre o consumo de leite (acho) dar mais chance de ter câncer de mama em mulheres que já tiveram, ou que não sugeria dieta vegetariana estrita... esse do câncer de mama o cara foi na sede questionar, véi, negócio de mulher lá e ele todo bam-bam-bam. tem umas coisas sobre a diabetes ser causada pela gordura, na verdade, que atrapalha a absorção de açúcar (que serve de energia e não tem tanto problema consumir mais do que precisa, já que ficaria acumulado) e aí causa a doença. não sabia. ah, outra coisa estranhíssima é que ele fala com uma mulher de 60 anos, de aparência jovem até, que usa andador e toma uma dezena de remédios pra dor e doença, com outra acima do peso que não conseguia respirar direito e podia ter ataque cardíaco a qualquer hora... e supostamente duas semanas depois, com elas tendo adotado uma alimentação vegetariana estrita, já tão muito melhores e não precisando de remédios. peraí, isso é possível? e aquela coiseira de gente que melhorou muito a vida comendo assim, etc, uma iluminação quase. eu entendo que nesses casos o que mostram é gente que tava com a saúde bem debilitada, ou então atletas que devem conhecer bem os corpos e seu rendimento físico, que dai´tem essa mudança espiritual com o veganismo. talita critica falando que não é tudo isso e eu também não vi tantos resultados no meu corpo, apesar de com certeza enxergar a coisa energética de não consumir bicho morto, mas acho que é porque começamos muito jovens e não temos essa dependência tão grande do corpo pras coisas, né. enfim, sei lá.

i love you phillip morris (2009)
filme de jim carrey que tava na lista de johnny ripper de talita. ele (steven) começa falando sobre como sempre se esforçou pra ser uma pessoa boa, depois dos pais terem contado que ele era adotado. policial, tocava na igreja e tudo. tão improvável uma pessoa real ter tantas expressões quanto esse cara, véi... ninguém tem essa cara. enfim, casado, uma filha, a esposa levando um tempão rezando agradecendo por tudo antes de dormirem. no meio do sexo ele puxa assunto de ter obtido resultados de uma procura que ele fez pela mãe biológica. nem deu bola quando ele bateu na porta dela no meio de uma festa de aniversário de outro filho. ele sofre um acidente de carro e quase morre, e daí decide que vai viver de forma mais verdadeira. se assume gay abertamente (ele já tinha casos enquanto casado), rodrigo santoro namoradinho que morre de aids, cachorrinhos de madame e etc. ele leva a vida sendo vigarista, tendo mil cartões, trapaçeando as coisas tudo. logo vai preso, depois de tentativas dramáticas de se matar e/ou quebrar todo. passa um tempo e ele encontra phillip morris, que é ewan mcgregor loirinho viadinho, e trocam cartas o tempo todo (phillip tava sendo transferido de ala). com sua influência e contatos steven consegue ir dividir cela com ele, e vivem um romancezinho por um tempo, até steven ser mudado de cadeia. quando saem vão viver juntos, steven continuando nos crimes pra agradar o outro, mansão e tal, mas trabalhando demais. phillip o confronta sobre mentiras e steven desconversa, mas logo descobrem as fraudes dele na empresa e levam ele preso, com phillip de possível cúmplice. discutem e terminam, pra no fim steven dar o golpe-mor que é se passar por aidético e "morrer" pra voltar e tirar phillip da cadeia. promete que vai parar, o outro não tem garantia nenhuma, e claro que acaba com ele sendo pego mais uma vez. não achei nada de mais, podia não ter assistido tranquilamente. umas coisinhas engraçadas, rodrigo santoro inesperado, a coisa toda de gay também, afinal. música irritante do caramba.

manuscrito encontrado numa garrafa (edgar allan poe)
achei bastante bom e com boas palavras, e bem curto perto dos outros. um cara vai viajar de navio e tem uma tempestade pesadona, que mata toda a tripulação menos ele e um velho sueco. eles ficam à deriva, comendo o resto de um tal de açúcar chamado jagra, até que no sexto dia surge um navio novo. tudo escuro e tenebroso, uma onda gigantesca com esse barco preto todo estranho no topo, e quando ele desce o precipício o cara voa de onde tava e cai lá de um jeito impossível. ele vai percebendo que os tripulantes nem enxergam ele (menciona mais de uma vez que "não prestaram a menor atenção" nele), que todos são velhos e doentes. um monte de instrumento de matemática e navegação abandonada. em todos esses contos os narradores são os próprios protagonistas, e sempre descrevem a personalidade que tinham no começo – esse aqui tinha pouca imaginação, forte apego à verdade, intelecto árido... tudo pra dizer que o que aconteceu não poderia ter sido história dele. parece que a madeira do navio cresce como um corpo, que a embarcação vai velejando sozinha, que tem algo de ancestral nisso tudo; a tripulação condenada a "continuar flutuando no limiar da eternidade, sem nunca dar esse derradeiro mergulho no abismo". tudo é noite e escuridão, tempestade e queda, gelo pra todo lado, até ele terminar falando que "os círculos rapidamente ficam cada vez menores — mergulhamos desvairadamente nas garras da voragem — e em meio aos rugidos, aos clamores, aos estrondos do oceano e da tempestade, o navio estremece — ai, Deus! — e —— desce!" gosto como a repetição dá esse clima de entorpecimento da viagem, do mar turbulento. tem uma nota falando que anos depois descobriram umas cartas em que representavam o oceano como uma correnteza pra dentro das entranhas da terra.

daredevil (2003)
Elektra morta pelo Mercenáriooutros filmes da marvel que não fazem parte dos vingadores. talita dizendo que era legal, o cara é cego, sente tudo ao redor, massa. nem tava com expectativa alta porque aprendi com a marvel toda, mas caramba, hein. demolidor até tudo bem, ben afflect e happy, advogados de hell's kitchen (isso é um lugar? é, bairro de nova york. por que esse nome?), "cegos" porque pegam casos de gente humilde, pro bono. matt murdock sente quando o réu tá falando a verdade, que é quando o coração não acelera (será mesmo que qualquer mentira altera batimentos cardíacos em qualquer pessoa?), e assim escolhe quem vai defender. ficou cego porque caiu um líquido radioativo na cara dele quando foi procurar o pai nas docas, algum transporte estranho e inexplicado. o pai tinha sido boxeador, jack "the devil" murdock, e na época tava beberrão e trabalhando pra algum cara do crime (o que matt descobriu nessa ida pra onde o pai era pra estar trabalhando honestamente). o pai volta pra luta e não obedece o chefão do crime que manda ele perder uma luta, e na saída matam ele. deixam uma rosa no corpo, esse é o sinal. um dia ele espertinho vai dar em cima de elektra e tem que persistir porque ela não dá bola, e dali dois minutos tão os dois lutando (sensual e) cuiudamente num parquinho de crianças. ela é filha de um ricasso da cidade, de sobrenome natchios (é grego, não doritos). numa noite de chuva  (em que, supostamente, ele consegue enxergar muito bem porque os pingos e o barulho permitem que ele perceba tudo ao redor, inclusive a ~beleza~ de elektra) eles se beijam, mas ele vai embora pra impedir bullseye (horrível e ridículo demais) de matar o pai dela. só que aí o cara pega o nunchaku/bengala de matt e manda no coração do véio, e elektra quer se vingar de demolidor, que até pouco tempo era lenda urbana. eles chegam a lutar e ela enfia a faquinha nele, e chora arrependida quando tira a máscara dele e entende a história. nessa bullseye "mata" ela (aspas porque tem filme dela depois, não sei se morreu mesmo) igualzinho essa imagem aí embaixo, esticando a roupa e tudo. e deixa uma rosa no corpo, o que faz com que matt ligue os pontos e vá atrás do kingpin (que nome bosta pra "rei do crime"), depois de uma luta mentirosíssima na igreja aumentada contra bullseye. não mata o chefão de propósito, blá blá blá. o jornalista protege a identidade dele no fim. umas músicas dramáticas, evanescence haushs e talita lésbica por elektra... matt numas roupas de couro, dormindo num negócio de interstellar. aiai.

o gato preto (edgar allan poe)
muito bom esse também. talita disse que foi o mais claro de todos, verdade. sem muita firula na escrita, direto ao ponto. esse já tem uma pegada de crime, pra além do mistério. o narrador/protagonista começa, igual aos outros, contando que desde criança tinha sido muito terno, e nutria um grande afeto por animais de estimação. tinha alguns bichos e dentre eles um gato preto chamado pluto (que inesperado). só que o cara foi mudando, ficando irritável demais, maldoso. se alcolizava também. foi começando a descontar nos bichos. até que numa noite arrancou um dos olhos de pluto só porque o gato deu uma mordidinha na mão dele. e a frase na ecobag que carol ganhou da tag: "coro, enrubesço, estremeço conforme descrevo a abominável atrocidade". foi ficando pior, sentindo uma perversidade, uma maldade por si só: "foi esse inescrutável anseio da alma de atormentar a si mesma — de violentar sua própria natureza — de cometer o mal em nome do mal simplesmente — que me impeliu a continuar e finalmente consumar o agravo que já infligira à inofensiva criatura". então ele pega e enforca o gato no galho de uma árvore no quintal, simplesmente. acontece que na noite desse dia a casa dele pega foto e ele perde tudo, e vê que na única parede que fica de pé tem a figura de um gatão igualzinho pluto, com corda no pescoço e tudo. um tempo depois o cara tá bebendo num bar e vê um gato muito parecido com pluto, exceto por uma mancha branca que depois ele percebe ter o formato de um patíbulo, aquele negócio antigo de enforcar condenados. chega a ser um pouco engraçado o jeito dramático como ele descreve isso: "era agora a representação de um objeto que tremo em nomear — e por isso, acima de tudo, nutria ódio, e pavor, e teria me livrado do monstro caso ousasse — era agora, afirmo, a imagem de uma coisa hedionda — de uma coisa macabra — do PATÍBULO! — ah, pesaroso e terrível maquinismo de Horror e de Crime — de Agonia e de Morte!" no fim ele fica mais doido ainda, mete um machado na cabeça da esposa quando ela defende o gato de ser atingido, o cara coloca o corpo na parede e sem perceber bota o gato junto, que mia e o denuncia quando a polícia visita sua casa. massa a relação toda com paredes e enforcamentos.

safety of objects (2001)
kristen stewart novinha e parecendo tanto um menino que a história até faz uso disso. talita falou que parecia muito ela criança, e eu fiquei querendo ter sido assim. quatro famílias vizinhas que se conectam de algum jeito: kristen tem uma irmã autista, talvez, e é amiguinha de uma menina loirinha que mora ali do lado; a mãe da loirinha faz uns negócios meio yoga-terapia ("eu não me arrependo dos meus atos") e fica controlando as coisas dela falando que ela cresceu; um menino que às vezes vai brincar com elas é namorado de uma boneca que ele vê falando e vivendo, e chega até a beijar e fazer safadeza com ela, até ficar duro com um boneco e aí parar (ele mostra pra loirinha, que fala pra ele voltar quando tiver descido); o pai dele é advogado e se chateia por ser só promovido, enquanto outro funcionário vira sócio do escritório, e para de ir trabalhar mentindo pros outros que teve ameaça de bomba; uma mulher cuida do filho acamado em coma (?) e decide competir num negócio de resistência pra ganhar um carro pra filha adolescente chateada e o advogado assume o compromisso de motivar e ajudar ela... o jardinheiro da galera, um jovem-adulto musculosão de cabelo médio liso, leva kristen pra casa dele alegando que a mãe dela queria tirar um tempo sozinha, bem quando o pai divorciado dela aparece pra visitar depois de três meses e briga com a mãe, e aí faz parecer que ele levou ela pra viajar pro méxico, então a mãe só descobre depois de dias. tudo porque o cara perdeu o irmãozinho no acidente que deixou o outro menino acamado (tavam junto, o menino atrás sem cinto, os amigos bebendo cerveja) e não tinha superado, ficou fingindo que kristen era "johnny". a irmã do cara acidentado tava de namorinho com o irmão mais velho da loirinha, e eles tavam no carro que quase trombou com o do irmão dela, que capotou e causou isso tudo. a mãe do acamado faz o negócio de resistência e sai falando que se acontecer algo não é culpa dela, depois diz pro advogado ter cuidado com o que pede a deus, porque pode receber exatamente aquilo... dá pra ver que ela se arrepende de ter desejado que o filho vivesse, porque o jeito que ele tá agora não é melhor que a morte. tá meio que torcendo que ele morra nesses dias dela ausente, e quando volta pra casa depois de ter soltado a mão com um susto e perdido ela sufoca ele chorando. enfim, tudo interligado e triste, gente incerta e sem "closure", precisando de apoio e sentido na vida... no fim a filha dessa mulher canta uma musiquinha bonita com a guitarra que era do irmão (ele tinha uma banda). "and you are all i need... lift me up, i'm crying". bem melhor que eu esperava o filme, interessante e tal, as histórias e tudo.

wo die grünen ameisen träumen (1984)
era um dos filmes que talita baixou há um tempão pra tati, e como já vimos yume pensei que ia ser do mesmo diretor. é daquele werner herzog, alemão, apesar de só o título e os créditos estarem em alemão no filme todo (o arquivo tava salvo como "where the green ants dream"). tem uma empresa de mineração na áustralia querendo usar um território que os aborígenes dizem ser onde as formigas verdes sonham, e que se cavarem a terra elas vão morrer e vai ser a destruição do mundo. o geólogo liderando a exploração (ainda nem sabem se vai ser possível usar aquele espaço) começa a ir atrás de pessoas pra entender o que pode ser feito, o que já têm feito, etc. num supermercado tem um pedaço de um corredor onde aborígenes se sentam em cículos pra sonhar suas crianças, segundo um empregado. diz que tinha uma árvore grande lá antes, que tiraram pra construir, e já que não pararam de ir lá botaram os produtos menos procurados naquela seção. o geólogo ouve os aborígenes também, conversa, leva pra falar com o chefe da empresa. nessa o elevador pifa duas vezes. compram roupas e relógios pra eles, comem num restaurante, tudo pra agradar. enquanto comem o geólogo ri falando que eles ainda tão no elevador presos, que é tudo um sonho coletivo. um dos anciões pede um avião verde, que eles dão depois de construir uma pista decente, e tem um aborígene que fica bebendo e se exibindo sobre ser piloto que decola o negócio com um dos velhos juntos. parece que caíram nas montanhas, uns outros viram "grandes asas verdes". isso relacionado às formigas, que um cientista ou sei lá meio doido explica que são insetos parentes da barata, na verdade, que vivem lá e voam pras montanhas quando precisam criar uma nova rainha pra ficar dando a luz à população toda. acaba que no tribunal a empresa ganha, pelos aborígenes não terem evidência dos problemas que alegam e por causa de uma lei de terras bizarra que os britânicos inventaram na colonização. uma das coisas mais tristes foi um aborígene que chamavam de "mudo" porque era o último sobrevivente de uma nação cuja língua era diferente dos líderes, então ele não podia falar com ninguém. o geólogo parece estar com um filtro de esticar a cara o tempo todo de tão magro e alto. triste o filme, assim quieto, uma música nativa bem boa.

gone (2012)
filme da cinegrafia de shane. ela é uma policial, haush, descabelada e com aquela cara de sempre. trabalha com uns bonitões, ator namoradinho de miranda bailey e oto que faz aquele doido da barba legal em jogos vorazes. amanda seyfred no papel principal, que é essa menina jill que mora com a irmã e trabalha numa lanchonete de noite. faz um ano que jill foi encontrada perdida no meio de um parque que tem na cidade (portland, aliás. só acontece coisa ruim, já sabemos por crepúsculo – quase certeza que tô confundido as cidades na real asuhsu), toda morrendo, supostamente fugida de um cara que a raptou e manteve num buraco onde ela viu ossos de vítimas anteriores. mas parece que a investigação da polícia não achou nada, e os caras da delegacia não acreditam muito nela porque teve algum histórico de psicose, ficou até internada numa instituição psiquiátrica. só que aí acontece dela voltar pra casa de manhã e a irmã ter sumido, sendo que era dia de prova importante dela, e nessa jill começa a investigar a zorra toda. descobre com um vizinho creepy que apareceu uma van de madrugada, ameaça com um revólver um cara pra saber o nome de quem tava com a van, vai numa loja de ferramentas onde o balconista dá informação demais sobre quem comprou x coisa, chega num colega de classe da irmã, invade o apartamento abandonado do suspeito... tudo isso inventando uma história pra cada pessoa, primeiro a vó, depois o vô, a mãe, sei lá. vai fazendo parecer que ela pode estar só paranóica mesmo, com esse tanto de imaginação. mas no fim ela consegue o telefone do cara e ele a conduz pra floresta. doideira isso de ter que ir até o fim numa coisa que não sai da sua cabeça. e ela acha fotos de outras mulheres mesmo, cai no buraco de novo, mas dessa vez (da outra ela meteu um osso no ombro dele pra fugir) ela dá uns tiros e ainda taca querosene e fogo nele. a irmã tinha sido presa embaixo da própria casa, só, porque o que ele queria era mesmo ela. jill volta fingindo que não encontrou nada mas termina com ela mandando as fotos e um mapa pra polícia – será que esperou os vestígios do assassinato irem embora? bem tenso, instigante como filme desse estilo mesmo, tava dando menos pra ele.

sábado, 29 de fevereiro de 2020

lidos (8) e assistidos (6) de fevereiro

neon genesis evangelion (1995)
ah, sei lá, né. "parabains" no final por shinji ter entendido no último momento que todas as merdas que aconteceram com ele o moldam, que ele pode escolher o que fazer com tudo. insatisfatório porque queria que falassem mais dos EVAs, o que são, porque tem cheiro de sangue o plug, monstros, anjos. uns vídeos falando que não é esse o foco da história, que tudo gira em torno dos personagens, e eu entendo, é verdade, mas poxa. esperava mais, menos conceito, talvez. no começo surpreendeu (gostei) por ter tanta depressão de shinji, vários segundos de nada acontecendo, tudo parado, ele confrontando a questão toda de ter 14 anos e receber a função de pilotar uma máquina de matar alienígenas. pai usando ele total, tudo planejado, arquitetado. tava do outro lado. mas também pouco explicado o que são anjos, o tal de adam, lilith, que é isso. ayanami rei muito deprimida também, não se importa de existir ou morrer, faz o que deve fazer. ama o pai de shinji e faz parecer que é a mãe dele renascida. e aquilo tudo de cópias dela? não entendi muito bem. tinha uns episódios que a gente terminava e se olhava com cara de interrogação total. umas tecnologias e cálculos e escarcéus. um monte de ataque de anjo, combates meio que esperados, apesar das estratégias mudando. asuka chata demais, pelo amor de deus. ela falando alemão, "hallo", "guten morgen" e "wie geht's" auhsh. aiai, tem filme pra agradar os fãs que caíram em cima dos dois últimos episódios terminados no fim do orçamento, e mais outro pra resumir a história, talvez, nem sei. um dia a gente dá continuidade pra encerrar essa coiseirada. boa a música da abertura, sticky total.

zhazira (lovelove6)
sobre zhazira zhapparkul, halterofilista do cazaquistão, medalhista olímpica. sobre inspirar, mostrar a força da mulher, a não-conformidade de gênero na aparência e tal. legal o formato da zine, papelzinho dobrado, pequeno.

as pessoas são frágeis e ignorantes (lovelove6)
várias histórias curtas, já tinha visto a maioria no issuu da autora, eu acho. críticas ao estado, à sociedade machista, racista, heteronormativa, reducionista. "uma mulher não, qual!"; lembrava dessa frase. alguma sobre aborto, também. desenho legal. aquela coisa de querer fazer coisa assim.

fortona (lovelove6)
mais de lovelove6 animadona com mulheres halterofilistas, fortes, independentes, intimidadoras. "você tem medo de sangue? eu sangro todo mês." não sei se todas são reais e/ou personagens, tem uma que parece brianne de game of thrones. "venha comigo, conheço um lugar cheio de mina foda!" cores massa, risografia, se não tô errada. curtinho.

sheiloca (lovelove6)
não esperava que sheiloca fosse ser tão chata, pelo menos no início. toda bully com fedora, só por causa da vagina perto do umbigo. nem sei porque o nome da hq foi esse em vez de amapô perigosa, por exemplo, que é mais centro da história... ou até fedora, as manas, não sei. o que acontece é que belly descobre que os ovos de onde vem as manas tão acabando, que elas vão se extinguir, e no fim acaba apoiando sheiloca embaraçada pra ter uma filhote, mesmo a cultura delas colocando isso como selvagem. loucura isso, talvez por precisar de um macho, e já que a sociedade toda é só de minas... mas claro que amapô, com esse nome, ia ser do vale. trans, parece, sem peitos, rejeitada pela própria comuna. fedora dá atenção, se apaixona, tempo passa e amapô até cria barba. vive nas árvores, onde se encontram, e um dia fedora aparece embaraçada. sheiloca faz as misturas pra ela abortar depois de levar broncona de fedora, que diz pra ela fazer o que quiser (no caso, ter o filho) se um dia estiver nessa situação, mas pra não se meter na decisão dela. strike pra defesa do direito ao aborto. quando vai ajudar ela a fugir sheiloca pede sêmen pra amapô e depois fica lá com as pernas pro alto, com isso na vulva. parece ter gozado quando dava a luz, tinha mesmo falado que se dedos ~lá~ já são bons, imagine um filhote... eita, hein. as doulas de alargador e pinturas legais no corpo, as divas velhonas tossindo. mana de soror sendo tipo uma parceira estabelecida, arranjada, não parece ter romance. difícil imaginar uma sociedade matriarcal com esse tipo de problema, mas massa o enredo da história e o rumo tomado. não sei por que gi não entendeu.

sonhei com quando vivíamos sobre as árvores (lovelove6)
isso tá em topografias, então já tinha lido. a autora disse que foi o começo de sheiloca, inspirações e tal. bonito, mulheres juntas, uma impedindo a outra de se deitar com um homem. questionamentos sobre a origem do ciúme. "amor é coisa do futuro".

grey's anatomy season 8 (2011-2012)
é aqui que tem o acidente de avião, não esperava. até cristina fala sobre tudo de ruim acontecer com eles, que quer se mandar de seattle; a própria série incrédula com a forçação de barra nisso. mas entendo que não dá pra ficar introduzindo personagem o tempo todo só pra outras pessoas morrerem. e tudo acontece em seattle, né, casos raros e tragédias insanas. ok, enfim, lexie morre, não lembrava :( tão bonita e legalzinha. mark também, mais tarde, sai falando epifanias no surto de energia logo antes de ficar pior. 30 dias sem melhora, então desligam os aparelhos, conforme o testamento de última hora. também não lembrava que cristina ficava malzão de novo, sem falar por muito tempo, não dormiu nos 4 dias na floresta, ouviu animais disputando o corpo de lexie. de novo derek quase perdendo as funções da mão, acidente clássico demais pra cirurgiões, viu. arizona foi no lugar de karev e aconteceu tudo isso, callie amputou a perna porque não tinha mais o que fazer, ela tá brigadona com os dois. kepner transa com avery, perde jesus, reprova nos exames, é demitida. todo mundo planejando ir pra outros programas, outras cidades; quero só ver se vão mesmo. grey como atendente ganha apelido de medusa, e bailey de booty call bailey por causa da paixãozinha com o anestesista. cristina e owen caindo aos pedaços, ele traindo ela com alguém qualquer, ela querendo saber de todos os detalhes e chorando copiosamente, depois rindo por estar perdendo tempo com um garoto quando deveria estar estudando pro exame decisivo dos médicos tudo. menina fugida de um cativeiro de muitos anos, dificuldade de lidar com gente, se liga a meredith, diz sentir falta do cara às vezes, teve bebê até. gêmeas siamesas de pais jovens, mulher com um leão de estimação, conferência nerd e um hobbit apaixonado por kepner. resumão: derek furioso com meredith por ela estragar o experimento, ela afastada da neurologia e indecisa sobre em que área se especializar (fica com bailey em cirurgia geral), eles ficando sem zola um tempão por causa dos conflitos mas depois recuperando, a mãe de avery toda flertosa e gente tentando impressionar ela, a irmã de tahani espiando avery e depois ficando com ele, o marido de teddy morrendo com yang operando sem saber que era ele, um tempão de teddy brava mandando ela dar detalhes sobre tudo o que aconteceu, webber sendo interrompido na cirurgia número 10000 porque a esposa com alzheimer tá descontrolada, ela indo pra uma casa de repouso e arranjando um namoradinho lá. a coisa de sempre dos pacientes trazerem questões e/ou levarem mensagens que são totalmente pros médicos atendendo eles, como lexie ajudando a escritora e discutindo que a personagem devia ficar com um cara e não o outro (confrontando o amor por mark e o conforto com avery) e yang mandando um cara aceitar que o marido foi morrendo gradualmente e que teria sido melhor se tivesse sido de uma vez, pra que ele não tivesse dúvidas.

girl, interrupted (1999)
não lembrava que o diagnóstico dela era de borderline. filme massa. ambivalente, escolher entre o diagnóstico de louca ou a vontade de ser sã. angelina jolie punkzera controladora, horrível a cena dela falando "verdades" pra daisy e na manhã seguinte a outra achar ela enforcada no banheiro. sei lá a coisa dos frangos embaixo da cama dela. não lembrava de whoopi goldberg e muito menos da principal sendo racista com ela enquanto dá uma de lisa. não lembrava que o namoradinho era jared leto, af. e muito menos que a menina da cara queimada era a atriz de handmaid's tale! legal a menina que faz a mentirosa patológica, mas parece que nunca tá em nada. e tão bonitinha susanna, o cabelinho, estilo. mas é, perto do que poderia ter sido, aquela instituição era muito tranquila. a terapeuta, também... doido pensar nessas situações e nas amizades, me faz lembrar de um passado conturbado em que eu imaginava ser susanna, praticamente. a gente sabe tão pouco de tudo. escrever pensamentos, mesmo que sejam ruins e a gente saiba que são, só pra tirar de si (bem cruel a cena de lisa lendo o que susanna escreveu sobre as outras meninas pra elas). "i'm going to write". deep. é aqui que a personagem fala de ter um joguinho em que fica pensando "live" ou "die" de acordo com o sucesso com as coisas simples da vida? porque muito real.

the good place season 4 (2019-2020)
eleanor fica no controle do experimento, fingindo ser arquiteta, e tem uma bobeirinha de ~só ela ser capaz de fazer isso tudo, sendo humana, tendo melhorado tanto e tal. passam um bom tempo tentando descobrir mais sobre os quatro humanos-alvo, que são um cara idiotíssimo machista racista rico convencido de que é melhor que todo mundo, um gayzão fofoqueiro, aquela neurocientista australiana massa e chidi. simone (a neurocientista) acha que é tudo brisa do cérebro dela pós-morte, no começo, e fica toda doida. os humanos novos descobrem que jianyu é jason, simone tem uma teoria perfeita de que estão sendo observados e testados, eleanor e michael usam o último recurso clássico de dar risada maligna e confirmar que "esse é o bad place". acaba que três dos quatro humanos do experimento novo melhoraram, exceto o cara idiotão, e a juíza concorda que michael tá certo sobre o sistema ser falho, mas declara que vai reiniciar a humanidade pra começar tudo de novo, direito. todas as janets se unem e escondem o aparelhinho de exterminar humanos pra dar tempo de bolarem um plano, e sugerem uma prova que as pessoas tomam ao morrer, podendo acessar as memórias e sabendo onde erraram, pra que todos tenham a mesma chance de escolher se tornar melhores ou não. arquitetos do bad place designam as provas, colocando desafios morais pra cada dificuldade da pessoa e atuando na coisa toda. vicky é a melhor nisso, porque passou um tempão tentando ~entrar na mente~ de michael com o traje de michael que fizeram pra sabotar o experimento. no fim os quatro vão pro good place por terem salvo a humanidade, mas ao chegar lá descobrem que todos estão apáticos e meio lesados porque têm a eternidade pra terem todos seus desejos satisfeitos, então nada mais tem graça. dura pouco esse problema porque eleanor logo se dá conta de que o que faz a vida ser especial é o fato de que ela acaba, assim como férias e etc, e aí eles (janet) inventam essa porta que supostamente te dá grande paz e te devolve ao universo. passam diferentes números de jeremy bearimys e os quatro vão indo, primeiro jason (que acaba esperando na floresta como um monge até janet reaparecer pra dar o colar que fez pra ela nunca esquecer dele), depois tahani só que não (ela resolve aprender a ser uma arquiteta), chidi ("mandaram bem, budistas" – a onda retornando ao oceano) e por último eleanor. michael queria e não conseguia, então transformaram ele em humano e ele foi viver na terra pra um dia poder morrer. um bom final. na real não vi muita vantagem pro povo do bad place, porque a maioria dos humanos tava passando o teste; eles vão ficar só nessa de fazer a prova mesmo, sem ganhar uma boa quantia de gente pra torturar? quer dizer, ótimo, mas parece que eles também se tornaram melhorzinhos.

joker (2019)
tão triste e sombrio. música incrível, compositora (mulher!) islandesa (!). arthur é bastante deprimido, constantemente humilhado, tem aquela doença mental que faz a pessoa rir do nada sem controle (uma opinião boa aqui). mora com a mãe e cuida dela, sempre checando a correspondência porque ela espera receber resposta de um tal wayne, ricão da cidade de gotham (batman/bruce é filho dele, aparece criança). um outro palhaço que trabalha com arthur dá um revólver a ele, e uma noite no trem quando três caras começam a bater nele, ele os mata a sangue frio. a mãe diz que só wayne pode ajudar com os problemas deles e da cidade, que tá numa greve de coleta de lixo e tendo serviços sociais cortados, mas arthur abre uma carta e vê a mãe falando que ele é filho do cara. mais tarde descobre que foi adotado, que a mãe tinha psicose e distúrbio nascisista, que sofreu maus tratos dela quando criança. ele percebe que fantasiou sobre um romancezinho com a vizinha, também, e vai criando uma raivona. depois do assassinatos no metrô começou a ter movimentos na cidade protestando contra os ricos, geral usando máscara de palhaço, e ele vai se sentindo mais confiante. um apresentador de tv que ele sempre assiste passa um vídeo dele fazendo um stand up e rindo sem controle, faz piada, e putz, véi, que bosta. depois chamam ele pro programa e lá ele confessa o crime, começa a falar da negligência das autoridades pra com as pessoas humildes, que se ele tivesse morto na sargeta iam passar por cima sem nem olhar. piadas suicidas, do tipo "i hope my death makes more cents than my life". e então "what do you get when you cross a mentally ill loner with a society that abandons him and treats him like trash? you get what you fucking deserve." e bang no apresentador, um tiro na cabeça. tudo muito chocante e forte. no final alguém mata os pais de bruce na rua, tiram arthur do carro de polícia e o aplaudem. bom filme.

jojo rabbit (2020)
criancinha nazistinha indo pra um acampamento infantil que educa sobre o nazismo e as técnicas de guerra. não sei se existiu de verdade um negócio desses. o capitão ou sei lá é aquele ator que faz o policial idiota em three billboards outside ebbing, missouri, e desde lá nunca mais consego olhar pra ele sem ter raiva. perdeu a visão de um dos olhos na guerra e tá ali porque não serve mais. bebe o tempo todo. jojo vira jojo rabbit porque não consegue quebrar o pescoço de um coelho que deram na mão dele. tem hitler como amigo imaginário, que é o próprio diretor, taika waititi. que dirigiu thor ragnarok, aquela doideira toda. ele é indígena neozelandês e faz um humor legal, pelo menos. mas enfim, esse hitler incentiva jojo a aproveitar as qualidades do coelho, e acaba que ele se taca numa granada e se fere todo. fica com uns negócios na cara e não anda mais perfeitamente, mas nada a ponto de justificar ele ficar se chamando de aberração. a mãe é scarlett johansson, toda animadinha e criativa, secretamente da resistência contra a guerra. o pai supostamente tá lutando por hitler, mas depois tudo se explica, ele também faz coisas contra (mas tá em outro país). por causa dos ferimentos jojo fica em casa e descobre que tem uma menina escondida na parede, que era amiga da irmã mais velha dele (que morreu). judia, claro. primeiro ele a ameaça, ficam em conflito, jojo maquinando as coisas com o hitler dele, fazendo um livro sobre judeus (dormirem como morcegos, virem do centro da terra, um monte de besteira). mas eles vão se tornando amigos, e jojo até tem uma quedinha por ela (bem bonita mesmo). triste quando ele percebe a mãe enforcada junto com traidores, em praça pública. só mostra os sapatinhos que ela sempre usava. no final os americanos invadem a cidade, o capitão xinga ele de judeu pra que fique livre (parece gay com um soldadinho assistente), o amigo gordinho levando canhão admite que não é um bom momento pra ser nazista... e a judia dança, como prometido quando a guerra acabasse. bem bonito, outro jeito de se contar essa história. quero ver mais do cara agora. preciso pesquisar as músicas alemãs da trilha sonora também.

harry potter and the sorcerer's stone (j.k. rowling)
reli pra acompanhar talita, mas usei o kindle de julia pra ser em inglês. ótimo que dá pra ver dicionário só pressionando sobre uma palavra desconhecida, então não tive muitos problemas (e a maioria das coisas já sabia, por causa da internet e do fandom mesmo). massa a coisa de ler sabendo o que esperar e, portanto, sabendo onde notar os detalhes da "realidade". lembrava mais do que imaginei, mas ainda me peguei surpresa com snape salvando harry de quirrell no quadribol, e não amaldiçoando, por exemplo. não esperava que hagrid fosse ter um jeito de falar diferente (que, se eu tiver entendido direito, é cockney, um dialeto da classe operária de londres); na tradução não fizeram nada especial e não me recordo de nada na legenda do filme também. quero rever logo também. ah, isso de ler junto é interessante também pra ir comparando a tradução, pensando nas equivalências. não gosto muito de mudarem nomes: will pra gui – eu sei que william/willhelm é guilherme em português –, charles pra carlinhos, ficarem chamando hagrid de rúbeo – entendível, não costumamos usar sobrenome pra chamar os outros, mas né –, dean pra dino – esse é até engraçado... se o livro fala claramente que se passa em londres, deixa as coisa acontecer sem localização (como termo da tradução, aqui). de qualquer forma, é um livro pra criança e adolescente, então quem sabe. não lembrava de hermione demorando pra se tornar colega, tava esperando aquilo do filme dela entrar no vagão se metendo na conversa... meu deus, eu era muito ela, véi. estudiosa pra caramba e toda espertinha. que tios horríveis harry tinha, viu. muito bom ele libertando a jiboia (boa constrictor) e ela dando um "thankssss, amigo" depois de "brazil, here i come"! às vezes tudo que a gente precisa é reler livros que dão um quentinho, em que as coisas vão pra frente sem enrolação, a escrita é fluida e a história interessante sempre. talita comentou da falta de sentido nas armadilhas até a pedra, já que três alunos do primeiro ano conseguiram passar por tudo... e falando que esse era a câmara secreta ahushu.

how to sell drugs online (fast) (2019)
comecei a ver pra estudar alemão, mas até que é boazinha. muita coisa moderninha de conversa aparecer na tela, bem como coisa da internet e sei lá mais o quê... história sendo contada rápida, coisa acontecendo enquanto fala, pá, pum. sons legais, cada vez gosto mais de ouvir alemão. felizona de entender frases inteiras ou captar o sentido das estruturas que não estudei. um dia vou falar rápido assim. e todas as escolas tem aquela arquitetura moderna, daqui e de dark? uau. mas a história: moritz namorava lisa, que ficou um tempão nos eua de intercâmbio e voltou diferente, usando drogas, não querendo mais namoro. um tal de dan tá sempre com ela, bonitinho da escola, e moritz nerdzão hackeia a conta dela no facebook pra ficar apagando respostas dele. ela descobre, usa o microfone de anúncios da escola pra dar uma lição, ok. moritz e o amigo lenny se envolvem com um traficante, buba, que fornecia coisa pra dan, que repassava. ficam devendo um monte, o cara vai preso, acha que foi eles que denunciaram, quando é solto pega eles e quase mata mas acaba estourando os miolos testando a arma feita em impressora 3d que lenny tinha. tinham começado um site na darknet pra vender ecstasy, botam na cleanweb e mudam de fornecedor. no fim acabam tendo que se juntar a dan pra dar continuidade ao site. parece que tão contando a história da prisão ou sei lá, gente gravando, lenny de barba no finzinho... câmera e tudo. lenny é massa, tem alguma doença, precisa usar cadeira de roda, vai morrer em breve e parece que a mãe tá vendo coisa de adoção pra depois (supostamente). lisa beija dan uma hora, na festa da amiga, que overdosa de droga comprada no site deles... ah, acaba com lisa vendo drogas com moritz. músicas legais também.

charlie's angels (2019)
já tinha visto vários vídeos no youtube de kristen e as outras duas jogando alguma coisa e falando sobre bem por cima, então fui ver sem esperar nada de mais, só que seria pra rir, leve, que nem kristen disse. talita achou pior que d.e.b.s. porque, segundo ela, "debs pelo menos não tava tentando pagar de não esculhambado". não concordo, mas tipo, bem, beeem raso, né. começou horrivelmente com kristen em missão no brasil, falando um português que não dava pra defender nem vindo dela, porque o que custava ver como o tradutor reproduziria aquela fala, gente. professor xavier sendo aposentado, cientista/inventora de uma empresa sendo oprimida por macho que não escuta a razão, negócio de inteligência artificial que mexe com energia sendo uma arma em potencial e caindo nas mãos erradas, obviamente. acaba se metendo com as espiãs pra resolver a coisa toda, ir atrás do comprador e recuperar o negócio, e quando a chefe some faz parecer que ela era parte da trama toda. mas claro que é o professor xavier, malvado. o dono da empresa é aquele de me before you, mas o personagem é tão tosqueira... na festa que ele dá o atirador fodão acaba morto caindo numa escultura de gelo e sendo perfurado, que é isso, do nada uma brutalidade dessas. inesperado. e as mulheres todas da festa eram angels... claro... aiai, mais um filme só pra olhar pra kristen. e foi massa ver ela fazendo uma personagem toda diferente, animada, engraçadinha. só não peguei muito onde tava o "assumidamente lésbica" que vi em algum lugar que ela tinha exigido que a personagem fosse.