sexta-feira, 30 de junho de 2017

lidos em junho

dia 2 terminei de ler rainer maria rilke, mas por volta de 70% do ebook eu li em maio. singh bean cita esse autor (cartas a um jovem poeta) em život je tady e vi que era um livro disponível no kindle unlimited, por isso peguei pra ler. o ebook tem duas obras, na verdade; a primeira parte é composta basicamente por conselhos a esse franz kappus, jovem que aspira à profissão artística e pede orientação do escritor. ele trata de discorrer sobre a solidão, a tristeza, o amor, deus e, obviamente, a arte; achei muita coisa muito inspiradora e interessante (percebe-se pela quantidade de trechos marcados), embora algumas vezes tenha tido que reler para fazer passar a sensação de "cê tá se achando o sabedor de tudo, não é bem assim" (compreendendo melhor até que concordava com ele). mais tarde percebi que um trecho está também em coral, de taís koshino.

Pois não basta talento ou determinação, é preciso desprendimento.
A obra de arte, ser misterioso, precisa mais de amor do que compreensão para revelar seus segredos.
As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizíveis quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra pisou.
Ninguém o pode aconselhar ou ajudar – ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo.
Utilize, para se exprimir, as coisas de seu ambiente, as imagens de seus sonhos e os objetos de suas lembranças.
Procure soerguer as sensações submersas desse longínquo passado: sua personalidade há de reforçar-se, sua solidão há de alargar-se e transformar-se numa habitação entre lusco e fusco diante da qual o ruído dos outros passa longe, sem nela penetrar.
Também, meu prezado senhor, não lhe posso dar outro conselho fora este: entrar em si e examinar as profundidades de onde jorra a sua vida; na fonte desta é que encontrará a resposta à questão de saber se deve criar.
O criador, com efeito, deve ser um mundo para si mesmo e encontrar tudo em si e nessa natureza a que se aliou.
Afinal de contas, queria apenas sugerir-lhe que se deixasse chegar com discrição e gravidade ao termo de sua evolução. Nada a poderia perturbar mais do que olhar para fora e aguardar de fora respostas a perguntas que talvez somente seu sentimento mais íntimo possa responder na hora mais silenciosa.
Deixar amadurecer inteiramente, no âmago de si, nas trevas do indizível e do inconsciente, do inacessível a seu próprio intelecto, cada impressão e cada germe de sentimento, e aguardar com profunda humildade e paciência a hora do parto de uma nova claridade: só isso é viver artisticamente na compreensão e na criação.
Não busque por enquanto respostas que não lhe podem ser dadas, porque não as poderia viver. Pois trata-se precisamente de viver tudo. Viva por enquanto as perguntas. Talvez depois, aos poucos, sem que o perceba, num dia longínquo, consiga viver a resposta.
Não tendo nenhuma comunhão com os homens, procure ficar perto das coisas, que não o abandonarão. Ainda há as noites e os ventos que passam pelas árvores e percorrem muitos países. No mundo das coisas e dos bichos tudo está ainda cheio de acontecimentos de que o senhor pode participar.
Se Ele é o mais perfeito, não deve ter havido algo menor antes d'Ele para que Ele se pudesse escolher a si mesmo dentro da plenitude e abundância? Não deverá ser Ele o último, para encerrar tudo em si? Que sentido teria a nossa vida se Aquele a que aspiramos já tivesse sido?
É bom estar só, porque a solidão é difícil. O fato de uma coisa ser difícil deve ser um motivo a mais para que seja feita.
O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo em si mesmo, tornar-se um mundo para si, por causa de um outro ser; é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz, uma escolha e um chamado para longe. Do amor que lhes é dado, os jovens deveriam servir-se unicamente como de um convite para trabalhar em si mesmos ("escutar e martelar dia e noite"). A fusão com outro, a entrega de si, toda a espécie de comunhão não são para eles (que deverão durante muito tempo ainda juntar muito, entesourar); são algo de acabado para o qual, talvez, mal chegue atualmente a vida humana.
Mas como podem eles, que já se atiraram uns aos outros e não mais se delimitam nem se distinguem, quer dizer, que nada mais possuem de seu, encontrar uma saída em si mesmos, no fundo de sua solidão já derramada?
Essa humanidade da mulher, levada a termo entre dores e humilhações, há de vir à luz, uma vez despidas, nas transformações de sua situação exterior, as convenções de exclusiva feminilidade. Os homens, que não a sentem vir ainda, serão por ela surpreendidos e derrotados. Um dia (desde já predito, sobretudo nos países nórdicos, por sinais fidedignos) ali estará a moça, ali estará a mulher cujo nome não mais significará apenas uma oposição ao macho nem suscitará a ideia de complemento e de limite, mas sim a de vida, de existência: a mulher-ser-humano. Esse progresso há de transformar radicalmente (muito contra a vontade dos homens a quem tomará a dianteira) a vida amorosa, hoje tão cheia de erros numa relação de ser humano para ser humano, não de macho para fêmea. Esse amor mais humano (que se produzirá de maneira infinitamente atenciosa e discreta, num atar e desatar claro e correto) assemelhar-se-á àquele que nós preparamos lutando fatigosamente, um amor que consiste na mútua proteção, limitação e saudação de duas solidões.
Perigosas e más são apenas as tristezas que levamos por entre os homens para abafar a sua voz. Como as doenças tratadas superficialmente e à toa, elas apenas se escondem e, depois de leve pausa, irrompem muito mais terríveis. Juntam-se no fundo da alma e formam uma vida não vivida, repudiada, perdida, de que se pode até morrer.
São, com efeito, esses os momentos em que algo de novo entra em nós, algo de ignoto: nossos sentimentos emudecem com embaraçosa timidez, tudo em nós recua, levanta-se num silêncio, e a novidade, que ninguém conhece, se ergue aí, calada, no meio.
Parece-me que todas as nossas tristezas são momentos de tensão que consideramos paralisias, porque já não ouvimos viver nossos sentimentos que se nos tornam estranhos; porque estamos a sós com o estrangeiro que nos veio visitar; porque, num relance, todo o sentimento familiar e habitual nos abandonou; porque nos encontramos no meio de uma transição onde não podemos permanecer.
Não podemos dizer quem veio, talvez nunca o venhamos a saber, mas muitos sinais fazem crer que é o futuro que entra em nós dessa maneira para se transformar em nós mesmos, muito antes de vir a acontecer. Por isso é tão importante estar só e atento quando se está triste.
Quanto mais estivermos silenciosos, pacientes e entregues à nossa mágoa, tanto mais profunda e imperturbável entra a novidade em nós, tanto melhor a conquistamos, tanto mais ela se tornará nosso destino e quando, num dia ulterior, vier a "acontecer"  isto é, quando sair de nós para se chegar a outros , senti-la-emos familiar e próxima. Deve ser assim. É preciso  e a nossa evolução, aos poucos, há de processar-se nesse sentido  que nada de estranho nos possa advir, senão o que nos pertence desde há muito.
Seu cérebro deveria inventar alguma mentira enorme para alcançar e esclarecer o estado de seus sentidos. Dessa maneira é que se alteram, para quem se torna solitário, todas as distâncias, todas as medidas. Muitas dessas transformações se verificam repentinamente e, como no homem colocado no cume da montanha, produzem-se então imaginações insólitas e estranhas sensações cujas proporções parecem insuportáveis. Mas é preciso vivermos também isso. Temos que aceitar a nossa existência em toda a plenitude possível; tudo, inclusive o inaudito, deve ficar possível dentro dela. No fundo, só essa coragem nos é exigida: a de sermos corajosos em face do estranho, do maravilhoso e do inexplicável que se nos pode defrontar.
Entretanto, quão mais humana aquela perigosa incerteza que faz os prisioneiros dos contos de Poe apalparem as formas de suas terríveis prisões e não desconhecerem os indizíveis horrores de sua moradia.
Talvez todo horror, em última análise, não passe de um desamparo que implora o nossa auxílio.
Para que perseguir-se a si mesmo com a pergunta: de onde pode vir tudo aquilo e para onde vai? Não sabia estar em transição? Desejava algo melhor do que transformar-se? Se algum ato seu for doentio, lembre-se de que a doença é o meio de que o organismo se serve para se libertar de um corpo estranho; é só ajudá-lo a ficar doente, ter toda a sua doença e deixar a esta o seu curso.
O "grandioso" não foi aquilo que o senhor pensa ter cumprido (embora seu sentimento tenha razão), mas o fato de já ter existido algo que o senhor pôde colocar em lugar daquele engano, algo de real e verdadeiro. Sem isso, o seu triunfo também teria sido apenas uma reação moral, sem significação ampla; com ele, tornou-se uma seção de sua vida.
Sua dúvida por tornar-se uma qualidade se o senhor a educar. Deve-se transformar em saber, em crítica. Cada vez que ela lhe quiser estragar uma coisa, pergunte-lhe por que aquilo é feio. Peça-lhe provas, examine-a; talvez a ache indecisa e embaraçada, talvez revoltada. Mas não ceda, exija argumentos. Ponha-se a agir assim, atenta e consequentemente, cada vez, e dia virá em que, de destruidora, ela se tornará sua melhor colaboradora. talvez a mais sábia de quantas cooperam na construção de sua vida.

a segunda parte chama-se a canção de amor e de morte do porta-estandarte cristóvão rilke. é uma pequena história (ou poema) sobre esse porta-estandarte, nuns tempos do século XV, a serviço de uma cavalaria austríaca, aparentemente. acontecem breves comentários sobre outros homens que o acompanham, entre eles um francês que carrega uma rosa abençoada pela amada que o espera, até que chegam a um castelo e se hospedam nele. o de languenau (a como se refere o protagonista) se envolve com uma condessa depois de um festim e acaba morrendo num incêndio que toma início do lado de fora. também marquei pedaços de que gostei. 

As altas chamas tremulavam, as vozes estrugiam, confusas canções jorravam dos cristais e das luzes; e finalmente dos ritmos amadurecidos brotou a dança. E a todos arrastou. Era um bater de vagas pela sala – um encontrar-se e um escolher-se, um despedir-se e um reencontrar-se, um embriagar-se de brilho e um cegar-se de luz, e um embalar-se no vento estival que mora nas roupagens das cálidas mulheres.
Não. É somente porque a infância lhe caiu dos ombros – esse suave traje nubloso. Quem lho arrebatou? "Tu?", pergunta com uma voz que nunca tinha ouvido. "Tu!" E agora não há nada por cima dele. E está despido como um santo. Claro e esguio.
A câmara da torre está apagada. Mas eles iluminam seus rostos com sorrisos. Tateiam diante de si como cegos e encontram o outro como uma porta. Quase como crianças assustadas diante da noite, apertam-se um ao outro. No entanto nada temem. Não há nada contra eles: nenhum ontem e nenhum amanhã, pois o tempo se desmoronou. E eles florescem das suas próprias ruínas.

dia 11 terminei mayombe, de pepetela. não sei nem como abordar esse livro, que, por sinal, gostei de forma não proporcional ao tempo que demorei pra ler. a história se desenvolve durante a guerra de independência da angola contra portugal, tendo como personagens os guerrilheiros do mpla (movimento popular de libertação de angola). diferentes narradores tomam frente e todos têm apelidos de acordo com sua personalidade e/ou atitudes: sem medo é o comandante muito valente, mundo novo é bem estudado nas tendências europeias, milagre é o melhor bazukeiro, teoria é o professor do grupo e assim por diante. o livro é muito real, mostrando o cotidiano dos que faziam a luta revolucionária, bem como seus sentimentos, reflexões, contradições e conflitos – coisa que recebeu até críticas na época que foi lançado, já que exibia suas falhas e divisões internas, uma vez que o tribalismo continuava tendo voz. cada pessoa tem sua razão para estar ali e isso fica claro nos trechos onde personagens tomam frente da narrativa, já que através desse recurso inovador conhecemos a origem e as experiências de diferentes elementos do movimento. o que mais se destaca é sem medo, que tece a história com muitos ideais interessantíssimos à medida que conta sua jornada, aconselha seu companheiro comissário e gerencia a frente libertadora. gostei muito de tudo; inclusive acho esse vídeo um complemento ótimo. marquei tanta coisa que tô até envergonhada, mas fazer o quê.

Talvez é não para quem quer ouvir sim e significa sim para quem espera ouvir não.
— (...) Há vezes em que um homem precisa de sofrer, precisa de saber que está a sofrer e precisa ultrapassar o sofrimento. Para que, por quê? Às vezes, por nada. Outras vezes, por muita coisa que não sabe, não pode ou não quer explicar.
(...) os rótulos só servem os ignorantes que não veem pela coloração qual o líquido encerrado no frasco.
Como é dramático ter sempre de escolher, preferir um caminho a outro, o sim ou o não! Por que no Mundo não há lugar para o talvez?
O silêncio pesado que se seguiu a afirmação de Sem Medo não foi afastado para trás, como as lianas que nos batem na cara. O silêncio era o Mayombe, sempre ele, presente, por muitas lianas que se afastassem para trás.
Os guerrilheiros encavalitaram-se num enorme tronco caído. Deixara de respirar, monstro decepado, e os ramos cortados juncavam o solo. Depois de a serra lhe cortar o fluxo vital, os machados tinham vindo separar as pernas, os braços, os pelos; ali estava, lívido na sua pele branca, o gigante que antes travava o vento e enviava desafios às nuvens. Imóvel mas digno. Na sua agonia, arrastara os rebentos, os arbustos, as lianas, e seu ronco de morte fizera tremer o Mayombe, fizera calar os gorilas e os leopardos.
— (...) O que é que o patrão faz para ganhar esse dinheiro? Nada, nada. Mas é ele que ganha. E o machado com que vocês trabalham nem sequer é dele. É vosso, que o compram na cantina por setenta escudos. E a catana é dele? Não, vocês compram-na por cinquenta escudos. Quer dizer, nem os instrumentos com que vocês trabalham pertencem ao patrão. Vocês são obrigados a comprá-los, são descontados do vosso salário no fim do mês. As árvores são do patrão? Não. São vossas, são nossas, porque estão na terra angolana. Os machados e as catanas são do patrão? Não, são vossos. O suor do trabalho é do patrão? Não, é vosso, pois são vocês que trabalham. Então, como é que ele ganha muitos contos por dia e a vocês dá vinte escudos? Com que direito? Isso é exploração colonialista.
— (...) Ou negava, ou matava o que me perseguia, ou endoidecia de medo. Matei Deus, matei o Inferno e matei o medo do Inferno. Aí aprendi que se devem enfrentar os inimigos, é a única maneira de se encontrar a paz interior.
— (...) A partir daí compreendi que não são os golpes sofridos que doem, é o sentimento da derrota ou de que se foi covarde.
— (...) Guardar para si não dá, só quando se é escritor. Aí um tipo põe tudo num papel, na boca dos outros. Mas, quando se não é escritor, é preciso desabafar, falando. A ação é outra espécie de desabafo, muitos de nós utilizam esse método, outros batem na mulher ou embebedam-se. Mas a ação como desabafo perde para mim todo o seu valor, tornando-se selvática, irracional. As outras formas são uma covardia. Só há a conversa franca que me parece o melhor, a mim que não sou escritor.
— (...) Deve ser horrível morrer com a sensação de que os últimos instantes de vida destruíram toda a ideia que se tem de si próprio, toda a ideia que se levou uma vida inteira a forjar de si próprio.
— De vez em quando mexe os braços e as pernas — disse Sem Medo ao Comissário. — Senão podem ficar fixos ao chão, pois o clima aqui é tão fértil que, com a chuva, se criam raízes dum dia para o outro. Boa noite, sonhos cor-de-rosa!
— (...) Um erro é menor, se há razões anteriores que levam as pessoas a cometerem esses erros.
E os guerrilheiros perceberam então que o deus-Mayombe lhes indicava assim que ali estava o seu tributo à coragem dos que o desafiavam: Zeus vergado a Prometeu, Zeus preocupado com a salvaguarda de Prometeu, arrependido de o ter agrilhoado, enviando agora a águia, não para lhe furar o fígado, mas para o socorrer.
— (...) As pessoas devem estudar, pois é a única maneira de poderem pensar sobre tudo com a sua cabeça e não com a cabeça dos outros. O homem tem de saber muito, sempre mais e mais, para poder conquistar a sua liberdade, para saber julgar. Se não percebes as palavras que eu pronuncio, como podes saber se estou a falar bem ou não? Terás de perguntar a outro. Dependes sempre de outro, não és livre. Por isso toda a gente deve estudar, o objetivo principal duma verdadeira Revolução é fazer toda a gente estudar.
— Penso que é como a religião — disse Sem Medo. — Há uns que necessitam dela. Há uns que precisam crer na generosidade abstrata da humanidade abstrata, para poderem prosseguir um caminho duro como é o caminho revolucionário. Considero que ou são fracos ou são espíritos jovens, que ainda não viram verdadeiramente a vida. Os fracos abandonam só porque o seu ideal cai por terra, ao verem um dirigente enganar um militante. Os outros temperam-se, tornando-se mais relativos, menos exigentes. Ou então mantêm a fé acesa. Estes morrem felizes embora talvez inúteis. Mas há homens que não precisam ter uma fé para suportarem os sacrifícios; são aqueles que, racionalmente, em perfeita independência, escolheram esse caminho, sabendo bem que o objetivo só será atingido em metade, mas que isso já significa um progresso imenso. É evidente que estes têm também um ideal, todos o têm, mas nestes o ideal não é abstrato nem irreal. Eu sei, por exemplo, que todos temos bem no fundo de nós um lado egoísta que pretendemos esconder. Assim é o homem, pelo menos o homem atual. Para que serviram séculos ou milénios de economia individual, senão para construir homens egoístas? Negá-lo é fugir à verdade dura, mas real. Enfim, sei que o homem atual é egoísta. Por isso, é necessário mostrar-lhe sempre que o pouco conquistado não chega e que se deve prosseguir. Isso impedir-me-á de continuar? Por quê? Se eu sei isso, a frio, e mesmo assim me decido a lutar, se pretendo ajudar esses pequenos egoístas contra os grandes egoístas que tudo açambarcaram, então não vejo por que haveria de desistir quando outros continuam. Só pararei, e aí racionalmente, quando vir que a minha ação é inútil, que é gratuita, isto é, se a Revolução for desviada dos seus objetivos fundamentais.
Para que o progresso se faça, é necessário que um elemento crie o seu contrário, o qual entrará em contradição com ele para o negar.
Não há que lamentar divisões entre os responsáveis: elas são uma necessidade histórica.
— (...) O organismo vivo, verdadeiramente vivo, é aquele que é capaz de se negar para renascer de forma diferente, ou melhor, para dar origem a outro.
— (...) O problema é esse. É que, nos nossos países, tudo repousa num núcleo restrito, porque há falta de quadros, por vezes num só homem. Como contestar no interior dum grupo restrito? Porque é demagogia dizer que o proletariado tomará o poder. Quem toma o poder é um pequeno grupo de homens, na melhor das hipóteses, representando o proletariado ou querendo representá-lo. A mentira começa quando se diz que o proletariado tomou o poder. Para fazer parte da equipa dirigente, é preciso ter uma razoável formação política e cultural. O operário que a isso acede passou muitos anos ou na organização ou estudando. Deixa de ser proletário, é um intelectual. Mas nós todos temos medo de chamar as coisas pelos seus nomes e, sobretudo, esse nome de intelectual.
O brilho do diamante são as lágrimas dos trabalhadores da Companhia. A dureza do diamante é a ilusão: não é mais que gotas de suor esmagadas pelas toneladas de terra que o cobrem.
A imensidão do mar que nada pode modificar ensinou-me a paciência. O mar une, o mar estreita, o mar liga. Nós também temos o nosso mar interior, que não é o Kuanza, nem o Loje, nem o Kunene. O nosso mar, feito de gotas-diamante, suores e lágrimas esmagados, o nosso mar é o brilho da arma bem oleada que faísca no meio da verdura do Mayombe, lançando fulgurações de diamante ao sol da Lunda.
— (...) Não digas pois que te sujeitarias à opinião da massa, se sabes perfeitamente que podes influenciar essa massa.
O Comissário olhou Sem Medo. Olhar puro, de criança, embaciado pelas lágrimas. É assim que te vais tornando homem, pensou Sem Medo. Tornar-se homem é criar uma casca à volta, cheia de picos que protejam, uma casca cada vez mais dura, impenetrável. Ela endurece com os golpes sofridos.
— Compreendi, em primeiro lugar, que o verdadeiro homem, aquele que não pode ser dominado, é o que pode calar a paixão para seguir friamente um plano. Todo o sentimento irracionaliza e, por isso, incapacita para a ação. Que todo o dominador é em parte dominado, é essa a relação dialética entre o escravo e o senhor de escravos. Que as relações humanas são sempre contraditórias e que as não há perfeitas. Que a sorte sorri a quem procura, arriscando. Que não há atos gratuitos e que não existe coragem gratuita, ela deve estar sempre ligada à procura dum objetivo. E que, quando alguém quer fazer uma asneira, deves deixá-lo fazer a asneira. Cada um parte a cabeça como quiser! Depois de ter a cabeça partida, aceitará melhor um conselho. Só se pode provar que um plano é mau, quando ele não atingir o objetivo proposto.
— O amor é assim. Se se torna igual, a paixão desaparece. É preciso reavivar a paixão constantemente. Eu não o sabia ainda, deixei-me convencer pela vida sem histórias que levávamos.
— O contrário da vida é o imobilismo — disse Sem Medo. — No amor é a mesma coisa. Se uma pessoa se mostra toda ao outro, o interesse da descoberta desaparece. O que conta no amor é a descoberta do outro, dos seus pecadilhos, das suas taras, dos seus vícios, das suas grandezas, os seus pontos sensíveis, tudo o que constitui o outro. O amante que se quer fazer amar deve dosear essa descoberta. Nem só querer tudo saber num momento, nem tudo querer revelar. Tem de ser ao conta-gotas. E a alma humana é tão rica, tão complexa, que essa descoberta pode levar uma vida.
— (...) a que chamas tu ser dogmático?
— Ser dogmático? Sabes tão bem como eu.
— Depende, as palavras são relativas.
Sem Medo sorriu.
— Tens razão, as palavras são relativas. Ele é demasiado rígido na sua conceção da disciplina, não vê as condições existentes, quer aplicar o esquema tal qual o aprendeu. A isso eu chamo dogmático, penso que é a verdadeira aceção da palavra. A sua verdade é absoluta e toda feita, recusa-se a pô-la em dúvida, mesmo que fosse para a discutir e a reforçar em seguida, com os dados da prática. Como os católicos que recusam pôr em dúvida a existência de Deus, porque isso poderia perturbá-los.
— E tu, Sem Medo? As tuas ideias não são absolutas?
— Todo o homem tende para isso, sobretudo se teve uma educação religiosa. Muitas vezes tenho de fazer um esforço para evitar de engolir como verdade universal qualquer constatação particular. Uma pessoa está habituada a não discutir, a não pôr em questão uma série de ensinamentos que lhe vieram da infância. É preciso uma atenção constante para não cair na facilidade, não atirar com um rótulo para a frente e assim fugir a uma análise profunda do facto. Porque o esquematismo, o rotulismo, são o resultado duma preguiça intelectual. Preguiça intelectual ou falta de cultura. Mas é a primeira que é grave. Claro que também é uma covardia.
— Por enquanto a tua ação é ainda aqui — cortou o dirigente.
— O que não impedirá de sonhar com esse futuro.
— Desde que o sonho te não tire faculdades para o presente, isso não é proibido.
— Não tirará. Não sou um sonhador passivo. O sonho leva-me a criar o futuro.
É o cigarro alimentando o vício, aquele que se diz ser o último. Por que não deixar de fumar de vez? Medo do salto no abismo. Agarramo-nos desesperadamente a raízes frágeis, atrasando apenas o inevitável. Salta, João, larga a raiz e salta no abismo. No fundo pode haver água que te amorteça a queda. Não tenhas medo do risco, João.
Lenine teve razão ao inventar a autocrítica. Que boa coisa é a autocrítica! Há uns burros que sempre a recusam. Ainda não descobriram o furo. Quando estiveres em maus lençóis, faz a tua autocrítica. Todos os ataques pararão imediatamente. E a teoria da ação e da reação: uma força que faz uma ação e provoca uma reação, precisa que haja uma reação para se exercer. Se tu eliminas a reação, que no caso seria a tua defesa, que acontece? A ação deixará de se exercer. É simples como água. Faço logo de começo a minha autocrítica, aí os ataques serão só para a forma, já terão perdido toda a força da raiva. Quem pode atacar um homem que não se defende?
— Ora! Nunca foi ofensa quebrar um mito. Ele é que se criou um mito sobre mim, agora apercebe-se que estava enganado. Talvez eu o tenha ajudado a criar esse mito, quem sabe? Não era a minha intenção, mas posso ter contribuído. Ele apercebeu-se por si próprio e agora, pelo caminho, a cada passada, vai desmoronando a estátua que construíra. Não há razão nenhuma para estar preocupado ou ofendido. A partir de agora, ele não precisará de mitos para viver, vai tornar-se um homem livre. Devemos mesmo estar contentes.
— (...) Isso é que me enraivece. Queremos transformar o mundo e somos incapazes de nos transformar a nós próprios. Queremos ser livres, fazer a nossa vontade, e a todo momento arranjamos desculpas para reprimir os nosso desejos. E o pior é que nos convencemos com as nossas próprias desculpas, deixamos de ser lúcidos. Só covardia. É medo de nos enfrentarmos, é um medo que nos ficou dos tempos em que temíamos Deus, ou o pai ou o professor, é sempre o mesmo agente repressivo. Somos uns alienados. O escravo era totalmente alienado. Nós somos piores, porque nos alienamos a nós próprios. Há correntes que já se quebraram mas continuamos a transportá-las connosco, por medo de as deitarmos fora e depois nos sentirmos nus.
A amoreira gigante à sua frente. O tronco destaca-se do sincretismo da mata, mas se eu percorrer com os olhos o tronco para cima, a folhagem dele mistura-se à folhagem geral e é de novo o sincretismo. Só o tronco se destaca, se individualiza. Tal é o Mayombe, os gigantes só o são em parte, ao nível do tronco, o resto confunde-se na massa. Tal o homem. As impressões visuais são menos nítidas e a mancha verde predominante faz esbater progressivamente a claridade do tronco da amoreira gigante. As manchas verdes são cada vez mais sobrepostas, mas num sobressalto, o tronco da amoreira ainda se afirma, debatendo-se. Tal é a vida.
Os olhos de Sem Medo ficaram abertos, contemplando o tronco já invisível do gigante que para sempre desaparecera no seu elemento verde.
Do coração do Bié, a mil quilómetros do Mayombe, depois de uma marcha de um mês, rodeado de amigos novos, onde vim ocupar o lugar que ele não ocupou, contemplo o passado e o futuro. E vejo quão irrisória é a existência do indivíduo. É, no entanto, ela que marca o avanço no tempo. Penso, como ele, que a fronteira da verdade e a mentira é um caminho no deserto. Os homens dividem-se dos dois lados da fronteira. Quantos há que sabem onde se encontra esse caminho de areia no meio da areia? Existem, no entanto, e eu sou um deles.

no finzinho de maio comprei numa dada situação, de francis alÿs, e li na madrugada do dia 20, sob aromas de incenso. eu tinha colocado na wishlist da amazon porque parecia interessante, mas na verdade nem sabia muito sobre o trabalho do artista. [olhando agora o livro custa R$46,80 (o preço de capa é R$117) e consegui pagar só R$27,80.] valeu muito a pena porque é extremamente artístico e poético; trata-se de vários elementos do processo criativo de seu filme tornado, feito após dez anos de perseguições de furacões nos planaltos da cidade do méxico. além de pinturas e stills de vídeos o livro contém várias frases e trechos de obras que tocam no assunto do pó, da espiral, do caos – tudo super inspirador, gostei muito da experiência.


na tarde do mesmo dia recebi úlcera, de puiupo & adonis pantazopoulos. comprei, também, numa espécie de promoção: puiupo tava vendendo por R$20 as últimas unidades que ela tinha. além de imagens ocasionais do quadrinho nos perfis dela não tinha muita informação sobre o conteúdo; achei massa, meio perturbador, demandando certa calma pra digerir. úlcera é o nome de uma das protagonistas, esta tendo sua parte da história ilustrada por puiupo, enquanto a outra é mirra, narrada por adonis. ambas inserem-se nesse lugar chamado de "a torre": úlcera uma humana que abandonou um reformatório periférico e mirra uma afrodite pertencente ao príncipe ambidestro. os sites onde a hq é vendida a descrevem como uma headtrip de ficção científica visceral, e acho uma boa forma de descrevê-la – o tipo de história que não seria a mesma se não fosse pelo estilo dos dois artistas, que comunicam tanto de um jeito muito próprio. também dizem que úlcera está na veia de jodorowsky misturado a masaaki yuasa, e pesquisando sobre ambos fiquei bem curiosa em explorar suas obras mais profundamente.


em uns três dias li viagem solitária, de joão w. nery, que eu nem esperava que tivesse disponível no kindle unlimited. é uma autobiografia do primeiro homem trans brasileiro de que se teve notícia, narrando as angústias presentes desde a infância pela incompatibilidade que sua mente encontrava em seu corpo. ele percorre por todos os pontos que construíram sua jornada – o bullying, a depressão, os relacionamentos, a autoafirmação, as cirurgias, o recomeço, a paternidade –, bem como vários nomes que tiveram algum impacto em sua vida. pelo que parece é uma espécie de atualização/complemento de sua primeira obra, erro de pessoa: joana ou joão?, publicada em 1984. pra citar simone ávila, que no final do livro fala um pouco sobre o autor: Ele se pergunta: "em que grupo existente eu me enquadraria?". Ou, dito de outro modo, "quem inventou essa coisa de que temos de nos enquadrar no que já existe?!? Por que não podemos simplesmente ser o que queremos ou quisermos?!? Por que eu tenho de seguir normas que não são minhas?!?" é muito sensível e pesado. pensar no tanto de pessoas incompreendidas que precisaram encarar tanto sofrimento numa época de repressão onde ainda faltava muito avanço é doloroso; pensar que ainda há um longo caminho a se percorrer nos dias de hoje demanda muita coragem.

Somos seres únicos, a diferença e a diversidade entre os indivíduos são condição essencial da natureza humana.
João considera Darcy seu mentor intelectual, quem lhe mostrou um jeito de habitar um mundo que não o compreendia. "Ou você fica rico para calar a boca das pessoas, ou vira um intelectual", postulava ao jovem.
"Você nasce e morre dentro de caixas. Caixa da família, da escola, do casamento e depois vai para o caixão. Ponha o pé para fora disso e você já é estigmatizado. Tem que ter muita estrutura para segurar a peteca da marginalidade."
Era como se quisesse dizer a todas as pessoas que o meu físico não era aquele, ou melhor, fazê-las entender que meu corpo mentia contra mim.
Quando sentia medo, pelo menos pressupunha um objeto, uma ameaça, algo que eu pudesse de algum modo contornar ou dele fugir. Porém, nessa angústia nada me ameaçava claramente. Não havia um objeto a ser enfrentado para prosseguir minha estranha caminhada existencial. Percebi, então, que o "sem sentido" e o "sem valor" da minha angústia me tornavam um estrangeiro nesse mundo tão cheio de categorias. A ironia era precisar de um rótulo, do que todos tentam fugir.
Minha alma não se conformava de ter de se expressar por meio daquele monte de carne, sobre o qual não tinha podido decidir nada. Foi-me imposto sem pedir licença, para a forma, para o conteúdo e todos os papéis que, obrigatoriamente, carregava junto. Não conseguiria me submeter a esta sociedade pronta e chauvinista. Não sou isto!
Dizem que as pessoas tendem a esquecer os traumas, por defesa do ego. Creio que os preservei ao máximo na memória, a fim de evitar que outros se repetissem.
Pensou em suicídio? Um jeito de se livrar deste sofrimento? Vamos, diga em voz alta, sua babaca, o visgo que tem pela vida: "Meus pais chorarão", não é isso que está pensando? Fica mais estúpido ainda ter remorso antecipado! De que adianta saber-se amado depois de morto? O que te segura é que, no fundo, ainda tem esperança de que as coisas mudem.
Percebi, subitamente, que o fundo do poço não estava na morte, mas na vida. Na minha vida.
Quando o drama estiver insuportável, torne-se subitamente a plateia, para se ver atuando no palco. Verá a comédia que todo drama contém, como agora, e se fortalecerá. Não adianta mais ter ódio nem pena de si mesmo. Sobretudo, é preciso ter humor. Procure a essência do absurdo. Mas não se torne um alienado, antes, um inconformado. Se, num dado momento, a dor for insuportável, não racionalize a fim de obter a pseudotranquilidade. Consuma-se sem defesa até o fim. Esprema a dor e respire fundo.
— Não quero ter uma relação falsa com você. Sei que sua visão é outra. Foi educada numa época diferente. Não a estou obrigando a me aceitar. Não tenho esse direito. Desejo somente partilhar aspectos importantes da minha vida.
Quando pequeno, diziam que carregava o pecado portal por não ter sido batizado, e sem entender vivia um medo-mistério. Com oito anos, perguntei à mamãe:
— Por que as pessoas vão à igreja aos domingos?
Surpresa, parou a correção das provas.
— Ora, vão para ouvir do padre que devem ser boas.
Diante dessa explicação, só tive uma conclusão:
— Mas, mãe, será que são tão más assim que necessitam ouvir toda semana a mesma coisa?
Depois, perguntei ao Matheus por que nunca tinha comentado minha história com a mulher. Foi sucinto:
— Essa história é sua, e não minha. Você é que tinha de contar, se quisesse.
Mais uma lição que aprendi com meu amigo – sua noção gigantesca de respeito pelo outro.
Aparecia e desaparecia como miragem e foi na força de sua ausência que descobri sua presença.
Embora houvesse essa noção forte de individualidade, havia inevitavelmente um "nós" que curtíamos, cuidando, porém, que não nos engolisse. Abdicarmos em nome do amor em questões vitais nos levaria à anulação como pessoas. Cedíamos, mas o suficiente para não nos violentarmos.
A reação dos meninos foi uma lição para os adultos. Enquanto estes tinham mil dificuldades sobre como me tratar, sem saber como me explicar aos conhecidos, os garotos pareciam ver tudo mais claro, sem complicar o óbvio. Era como se a minha figura anterior é que fosse a confusa e estranha. A atual era definida, mais bem entendida e aceita. Anteriormente, os meninos me viam com certa reserva, ressabiados, como olhando para algo estranho. Agora, podiam compreender Amanda como minha mulher e como sua tia.
Mas, de todas as histórias, a melhor frase ainda foi a do Djalma, chefe dos motoristas, que, diante das exibições de quem comia mais e melhor, disse bem alto para todos ouvirem:
— Macho bom não é o que goza várias vezes, mas é o que faz a mulher gozar várias vezes.
Só a noite aparecia,
Iluminando o silêncio das coisas sem nome.
Não carregava o retrato da filha na carteira porque não queria se promover por intermédio dela.
Na última conversa que tivemos, falou-me sobre a tragédia. Não a grega, mas a de Nietzsche. Resumia-me, dizendo que só há tragédia quando não se acredita na vida pós-morte.
"Todo o mundo nasce nu, o resto é drag".
Quando nos referimos ao papel do homem ou da mulher, estamos falando de "gênero" ou papéis de gênero, e não de sexo.
Li um artigo enviado por uma amiga, de Beatriz Preciado, que dizia: "A sexopolítica é uma das formas dominantes da ação biopolítica no capitalismo contemporâneo".
Maitê, a atriz, foi mais sucinta: "Tenho medo do que foi criado nessa sociedade para manter as algemas e grilhões que nos impõem, retardando mesmo a descoberta do que somos de verdade. Acredito num mundo sem gêneros e sem fronteiras, como forma de acabar com estes sofrimentos".
Depois de lhe contar a última com meus amigos trans, sobre o homem grávido, perguntei a opinião dele. Respondeu sem pestanejar:
— Acho que precisamos ser mais tolerantes.

além disso, no começo de cada capítulo tinha trechinhos com alguma poesia ou citação. gostei de vários:

É na angústia que se anuncia o estado do qual se deseja sair, e é a angústia que proclama não bastar o desejo para que daí se saia. (S. Kierkegaard)
Amamos a vida não porque estejamos habituados à vida, mas ao amor. (F. Nietzsche)
Quando perdemos o medo de perder, acabamos descobrindo a imensa alegria de achar. (Thomas J. Burke)
O homem começa não apenas quando é concebido, mas quando se determina a fazer alguma coisa, quando se realiza após esse impulso para a existência. (Sartre)
Amadurecer é a transcendência do suporte ambiental ao autossuporte. (F. Perls)
Se não falas, vou encher o meu coração
Com o teu silêncio, e aguentá-lo.
Ficarei quieto, esperando como a noite
Em sua vigília estrelada.
(Rabindranath Tagore)
Mude, mas comece devagar, porque a  direção é mais importante que a velocidade. (Clarice Lispector)
Hoje entendo bem meu pai. Um homem precisa viajar. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto [...] para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. (Amyr Klink)
Pessoa "trans" é aquela que está em permanente "trans-formação", disposta a "trans-por" todos os obstáculos. É aquela pessoa que "trans-gride" regras e padrões de conduta, "trans-mitindo" à sociedade, de forma absolutamente "trans-parente", novas ou inexploradas possibilidades de realização. Pessoa "trans" é aquela que "trans-cende" a si mesma, tentando expressar ao mundo a pessoa que ela realmente é, em vez da pessoa que o mundo acha que ela deveria ser. (Letícia Lanz)
Estes percorreres por aí à balda,
nestes saudosos antigos eus.
Qual deles deixei no meio da estrada
e em que sombra,
me perseguem até onde sou?
(Do poema "Corte em Mim", do autor)
Os espelhos fariam bem em refletir um pouco mais antes de devolver imagens. (Jean Cocteau)

era pra eu ter lido coisas da lista de leitura de algum vestibular mas, pra variar, fui inútil. tô me preocupando em arrumar emprego e cursinho agora. seja o que deus quiser.

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