sábado, 30 de novembro de 2019

lidos (3) e assistidos (6) em novembro

als wir träumten (2015)
único filme da mini-mostra em comemoração aos 30 anos da queda do muro de berlim que vi. norma que montou, esse foi o último dia/filme de 3. baseado num livro de mesmo nome, que ela disse gostar muito. sobre a juventude de um grupo de amigos nos tempos seguintes à queda do muro, em leipzig (norma estudou lá, acho que é de lá também). muita doideira, carros roubados, direção alcoolizada, destruição de coisas. uns se envolvem com drogas, um vendendo e outro se viciando (esse morre). o principalzinho fica preso por uns meses, intencionalmente, pra ver se melhorava as coisas pra mãe e pra vida. apanhou feio de uma gangue (skinheads?) de gente otária, só porque gostava da namoradinha de um. "Sternchen", estrelinha. reconheci várias coisas em alemão, mas não dava pra anotar tudo. quem sabe assistindo de novo. mas a música tema é muito boa!

paprika (2006)
vi de novo com talita pra poder fazer review. um aparelho que pode ver os sonhos das pessoas, controlar, sei lá. paprika é essa mulher que consegue entrar nos sonhos, conversar, fazer qualquer coisa. depois de um tempo de filme dá pra entender que ela é a cientista séria da empresa que fabrica esse aparelho, mas ainda não sei por que ela tem essa capacidade extra. um dos caras que trabalhava no negócio rouba ele e usa pra criar um sonho/delírio coletivo absurdo. difícil dizer o sentido das coisas nesse filme. o gordão que gosta da mulher (paprika) também cai no sono infinito nesse sonho doido. a cidade toda um caos. no fim é o velho nojento diretor da empresa que tá tramando coisa, usa outro cientista do grupo pra conseguir as coisas, cena agoniante dele arrancando a "roupa" de paprika da mulher, rasgando a pele dela pregada como borboleta numa mesa. tudo muito surreal. gosto da trilha sonora, pra variar. massa e confuso os encontros virtuais (?) do policial com paprika no barzinho. e no fim ele perseguindo a si próprio, suicídio ou ele matando o amigo, etc.

die legende von paul und paula (1975)
esses dois moram na mesma rua, um de frente pro outro, em prédios. paula trabalha um bocado, tem uma filha criança e um filho menorzinho. não tem marido, não sei por quê. um dia sai pra curtir de noite e vê paul no clube. acho que ele tá com a mulher e dança com ela, ou com outra pessoa, e um velho feio com paula. mas no final, indo embora, o próprio velho troca e eles saem juntos. ficam de amor e sexo e se vêem de vez em quando. paula toda dramática, emocionada num concerto de cordas, aplaudindo antes de terminar e tudo. numa vez prepara toda uma recepção pra paul na casa dela, junta camas, enche de comida... nojentinho aquela mistura de comida e sexo, mas é breve. alguma coisa sobre a família dela ser meio doidinha, ter coisa de barco, sei lá. o filho pequeno morre atropelado, se não me engano. em algum momento ela engravida e o médico diz que ela pode morrer se tiver o filho, mas ela não se importa. por quê, véi? sério que precisa de uma criança no romance? claro que ela morre e o cara fica com os filhos que sobraram, né. o ator que faz paul é ulrich velho em dark!

einheit spd-kpd (1946)
sei lá, alguma coisa sobre a união dessas duas coisas na alemanha. dois partidos, um comunista e outro socialista. curtinho, uns 15 minutos, vi errado esperando que fosse die mauer.

die mauer (1990)
sobre a queda do muro de berlim. foi o segundo filme da mini-mostra. umas movimentações ao redor do muro, gente levando pedaço de recordação (aquela história de que tio jr. tem um, mas nunca se sabe da veracidade). turistas virando o ano novo lá. gente subindo de um jeito confuso, como se fosse só um degrauzão num pedaço. e as máquinas tirando as placas inteiras, como que já pensando em botar em museu. interessante, doido de pensar. ficou 30 anos de pé, né.

wer die erde liebt (1973)
pelo que eu entendi é um documentário sobre um tal festival da juventude da alemanha soviética que aconteceu nesse ano em berlim oriental. angela davis tava lá, jovem, altona né. falou em alemão no microfone. mensagens de incentivo e inspiração, felicidade pelo socialismo e sei lá. um bocado de apresentações musicais, gente com cara de hippie, falas anti-imperialistas. reconheci frases como "Frieden für alle", "Solidarität mit dem Vietnamesischen Volk", "Revolutionares Völke der Welt", "Die Jugend der DDR grüßt" e "Die Jugend der Welt". umas músicas/gritos tipo "Wir, wir, wir! Und zusammen!" e "Solidarität / Das ist unser Lied". num momentinho breve, em que se via a multidão filmada de cima, achei uma bandeira do brasil dançando lá no meio.

read this outside (joseph kendrick)
li duas vezes, a segunda traduzindo (revisão de talita). planos de alguma hora fazer uma versão em português. mas na verdade nem tudo é bom: tem uma página inteira sobre steve roggenbuck e outra sobre durianriders, e atualmente os dois foram acusados de abuso ou coisa pior. bom as partes sobre a vida de joseph, como a viagem de bicicleta em que acampou na floresta. excesso de falação sobre lil b the based god, mas engraçado. difícil entender se a tradução devia ser informal ou não muito, porque joseph faz umas frases tão bem feitinhas... caça-palavras que na verdade tem os opostos das palavras que ele coloca na lista de encontrar, que são coisas ruins. não esperava que todos os livros que ele recomenda no "further reading" teriam traduções em português. coisa de budismo e mindfullness. coisa de anotar sonho pra ter sonho lúcido, uns melhores momentos também. tô voltando a anotar, deu uma reanimada.

1984 (george orwell)
demorei pra ler por causa da faculdade e da vida, mas puta merda, que livro bom. já tinha certas espectativas por ser o que é, mas superou demais, nunca que eu poderia esperar qualquer coisa daquilo. tudo muito perfeito, bem pensado, meticulosamente planejado. é o extremo da distopia; não tem como qualquer outra coisa ser mais absurdamente completo do que 1984. anotei tanta citação que deu quase outro livro, mas por elas dá pra ter uma noção do que é essa história. o livro de o'brien, véi, come pode. o fim é muito bom também. acho que não vou esquecer de nada desse livro. foi massa ler em inglês também, bem tranquilo, gostei bastante do ritmo.

"Don't you see that the whole aim of Newspeak is to narrow the range of thought? In the end we shall make thoughtcrime literally impossible, because there will be no words in which to express it. (...) Every year fewer and fewer words, and the range of consciousness always a little smaller. Even now, of course, there's no reason or excuse for committing thoughtcrime. It's merely a question of self-discipline, reality-control. But in the end there won't be any need for that. The Revolution will be complete when the language is perfect. (...)"
"Even the literature of the Party will change. Even the slogans will change. How could you have a slogan like 'freedom is slavery' when the concept of freedom has been abolished? The whole climate of thought will be different. In fact there will be no thought, as we understand it now. Orthodoxy means not thinking—not needing to think. Orthodoxy is unconsciousness."
Quickly, with an occasional crackle of twigs, they threaded their way back to the clearing. When they were once inside the ring of saplings she turned and faced him. They were both breathing fast, but the smile had reappeared round the corners of her mouth. She stook looking at him for an instant, then felt at the zipper of her overalls. And, yes! It was almost as in his dream. Almost as swiftly as he had imagined it, she had torn her clothes off, and when she flung them aside it was with that same magnificent gesture by which a whole civilization seemed to be annihilated. (...)
"Listen. The more men you've had, the more I love you. Do you understand that?"

"Yes, perfectly."

"I hate purity. I hate goodness. I don't want any virtue to exist anywhere. I want everyone to be corrupt to the bones."
"Well, then, I ought to suit you, dear. I'm corrupt to the bones."
"You like doing this? I don't mean simply me; I mean the thing in itself?"
"I adore it."
That was above all what he wanted to hear. Not merely the love of one person, but the animal instinct, the simple undifferentiated desire: that was the force that would tear the Party to pieces.
(...) In the old days, he thought, a man looked at a girl's body and saw that it was desirable, and that was the end of the story. But you could not have pure love or lust nowadays. No emotion was pure, because everything was mixed up with fear and hatred. Their embrace had been a battle, the climax a victory. It was a blow struck against the Party. It was a political act.
She began to enlarge upon the subject. With Julia, everything came back to her own sexuality. As soon as this was touched upon in any way she was capable of great acuteness. Unlike Winston, she had grasped the inner meaning of the Party's sexual puritanism. It was not merely that the sex instinct created a world of its own which was outside the Party's control and which therefore had to be destroyed if possible. What was more important was that sexual privation induced hysteria, which was desirable because it could be transformed into war fever and leader worship. The way she put it was: "When you make love you're using up energy; and afterwards you feel happy and don't give a damn for anything. They can't bear you to feel like that. They want you to be bursting with energy all the time. All this marching up and down and cheering and waving flags is simply sex gone sour. If you're happy inside yourself, why should you get excited about Big Brother and the Three-Year Plans and the Two Minutes Hate and all the rest of their bloody rot?" That was very true, he thought. There was a direct, intimate connection between chastity and political orthodoxy. For how could the fear, the hatred, and the lunatic credulity which the Party needed in its members be kept at the right pitch except by bottling down some powerful instinct and using it as a driving force? The sex impulse was dangerous to the Party, and the Party had turned it to account. They had played a similar trick with the instinct of parenthood. The family could not actually be abolished, and, indeed, people were encouraged to be fond of their children in almost the old-fashioned way. The children, on the other hand, were sistematically turned against their parents and taught to spy on them and report their deviations. The family had become in effect an extension of the Thought Police. It was a device by means of which everyone could be surrounded night and day by informers who knew him intimately.
(...) From the moment when the machine first made its appearance it was clear to all thinking people that the need for human drudgery, and therefore to a great extent for human inequality, had disappeared. If the machine were used deliberately for that end, hunger, overwork, dirt, illiteracy, and disease could be eliminated within a few generations. And in fact, without being used for any such purpose, but by a sort of automatic process—by producing wealth which it was sometimes impossible not to distribute—the machine did raise the living standards of the average human being very greatly over a period of about fifty years at the end of the nineteenth and the beginning of the twentieth centuries.But it was also clear that an all-round increase in wealth threatened the destruction—indeed, in some sense was the destruction—of a hierarchical society. In a world in which everyone worked short hours, had enough to eat, lived in a house with a bathroom and a refrigerator, and possessed a motorcar or even an airplane, the most obvious and perhaps the most important form of inequality would already have disappeared. If it once became general, wealth would confer no distinction. It was possible, no doubt, to imagine a society in which wealth, in the sense of personal possessions and luxuries, should be evenly distributed, while power remained in the hands of a small privileged caste. But in practice such a society could not long remain stable. For if leisure and security were enjoyed by all alike, the great mass of human beings who are normally stupefied by poverty would become literate and would learn to think for themselves; and when once they had done this, they would sooner or later realize that the privileged minority had no function, and they would sweep it away. In the long run, a hierarchical society was only possible on a basis of poverty and ignorance.
(...) And at the same time the consciousness of being at war, and therefore in danger, makes the handing-over of all power to a small caste seem the natural, unavoidable condition of survival.War, it will be seen, not only accomplishes the necessary destruction, but accomplishes it in a psychologically acceptable way. In principle it would be quite simple to waste the surplus labor of the world by building temples and pyramids, by digging holes and filling them up again, or even by producing vast quantities of good and then setting fire to them. But this would provide only the economic and not the emotional basis for a hierarchical society. (...)
(...) The problem is the same for all three superstates. It is absolutely necessary to their structure that there should be no contact with foreigners except, to a limited extent, with war prisoners and colored slaves. Even the official ally of the moment is always regarded with the darkest suspicion. War prisoners apart, the average citizen of Oceania never sets eyes on a citizen of either Eurasia or Eastasia, and he is forbidden the knowledge of foreign languages. If he were allowed contact with foreigners he would discover that they are creatures similar to himself and that most of what he has been told about them is lies. The sealed world in which he lives would be broken, and the fear, hatred, and self-righteousness on which his morale depends might evaporate. It is therefore realized on all sides that however often Persia, or Egypt, or Java, or Ceylon may change hands, the main frontiers must never be crossed by anything except bombs.
(...) The best books, he perceived, are those that tell you what you know already. (...)
In principle, membership in these three groups is not hereditary. The child of Inner Party parents is in theory not born into the Inner Party. Admission to either branch of the Party is by examination, taken at the age of sixteen. Nor is there any racial discrimination, or any marked domination of one province by another. Jews, Negroes, South Americans of pure Indian blood are to be found in the highest ranks of the Party, and the administrator of any area are always drawn from the inhabitants of that area. In no part of Oceania do the inhabitants have the feeling that they are a colonial population ruled from a distant capital. Oceania has no capital, and its titular head is a person whose whereabouts nobody knows. Except that English is its chief lingua franca and Newspeak its official language, it is not centralized in any way. Its rulers are not held together by blood ties but by adherence to a common doctrine. (...)
The alteration of the past is necessary for two reasons, one of which is subsidiary and, so to speak, precautionary. The subsidiary reason is that the Party member, like the proletarian, tolerates present-day conditions partly because he has no standards of comparison. He must be cut off from the past, just as he must be cut off from foreign countries, because it is necessary for him to believe that he is better off than his ancestors and that the average level of material comfort is constantly rising. But by far the more important reason for the readjustment of the past is the need to safeguard the infallibility of the Party. It is not merely that speeches, statistics, and records of every kind must be constantly brought up to dat in order to show that the predictions of the Party were in all cases right. It is also that no change of doctrine or in political alignment can ever be admitted. For to change one's mind, or even one's policy, is a confession of weakness. (...)
The mutability of the past is the central tenet of Ingsoc. Past events, it is argued, have no objective existence, but survive only in written records and in human memories. The past is whatever the records and the memories agree upon. And since the Party is in full control of all records, and in equally in full control of the minds of its members, it follows that the past is whatever the Party chooses to make it. It also follows that though the past is alterable, it never has been altered in any specific instance. For when it has been re-created in whatever shape is needed at the moment, then this new version is the past, and no different past can ever have existed. This holds good even when, as often happens, the same event has to be altered out of recognition several times in the course of a year. At all times the Party is in possession of absolute truth, and clearly the absolute can never have been different from what it is now. It will be seen that the control of the past depends above all on the training of memory. To make sure that all written records agree with the orthodoxy of the moment is merely a mechanical act. But it is also necessary to remember that events happened in the desired manner. And if it is necessary to rearrange one's memories or to tamper with written records, then it is necessary to forget that one has done so. The trick of doing this can be learned like any other mental technique. It is learned by the majority of Party members, and certainly by all who are intelligent as well as orthodox. In Oldspeak it is called, quite frankly, "reality control." In Newspeak it is called doublethink, although doublethink comprises much else as well.
"But how can you stop people remembering things?" cried Winston, again momentarily forgetting the dial. "It is involuntary. It is outside oneself. How can you control memory? You have not controlled mine!"

O'Brien's manner grew stern again. He laid his hand on the dial. "On the contrary," he said, "you have not controlled it. That is what has brought you here. You are here because you have failed in humility, in self-discipline. You would not make the act of submission which is the price of sanity. You preferred to be a lunatic, a minority of one. Only the disciplined mind can see reality, Winston. You believe that reality is something objective, external, existing in its own right. You also believe that the nature of reality is self-evident. When you delude yourself into thinking that you see something, you assume that everyone else sees the same thing as you. But I tell you, Winston, that reality is not external. Reality exists in the human minds, and nowhere else. Not in the individual mind, which can make mistakes, and in any case soon perishes; only in the mind of the Party, which is collective and immortal. Whatever the Party holds to be truth is truth. It is impossible to see reality except by looking through the eyes of the Party. That is the fact that you have got to relearn, Winston. It needs an act of self-destruction, an effort of the will. You must humble yourself before you can become sane."
O'Brien smiled slightly. "You are a flaw in the pattern, Winston. You are a stain that must be wiped out. Did I not tell you just now that we are different from the persecutors of the past? We are not content with negative obedience, not even with the most abject submission. When finally you surrender to us, it must be of your own free will. We do not destroy the heretic because he resists us; so long as he resists us we never destroy him. We convert him, we capture his inner mind, we reshape him. We burn all evil and all illusion out of him; we bring him over to our side, not in appearance, but genuinely, heart and soul. We make him one of ourselves before we kill him. It is intolerable to us that an erroneous thought should exist anywhere in the world, however secret and powerless it may be. Even in the instant of death we cannot permit any deviation. In the old days the heretic walked to the stake still a heretic, proclaiming his heresy, exulting it. Even the victim of the Russian purges could carry rebellion locked up in his skull as he walked down the passage waiting for the bullet. But we make the brain perfect before we blow it out. The command of the old despotisms was 'Thou shalt not.' The command of the totalitarians was 'Thou shalt.' Our command is 'Thou art.' No one whom we bring to this place ever stands out against us. Everyone is washed clean. (...)

hamoni (monge han)
dá pra ler no perfil dele. sobre a avó coreana, quando ela tava morrendo. fala de como ela era o centro da família, dos impasses pelas línguas diferentes, do quanto se sentiu enxergado na última vez que se olharam. ele tem essa coisa de desenhar três olhos, só um aberto, e quando a pessoa tá morrendo os outros abrem; interessante, queria saber se tem alguma crença envolvida ou é só artístico. bem bonito o quadrinho, triste. curtinho.

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

lidos (5) e assistidos (6) em outubro

the good place S02 (2017-2018)
resolvemos terminar de ver the good place e até que foi melhor do que a gente esperava. começa com tudo recomeçando, eleanor recebendo o próprio bilhete e tentando entender o que é chidi. ele tá tendo que escolher entre duas mulheres que supostamente poderiam igualmente ser sua alma gêmea. tahani tá com um cara baixinho que mora numa casa minúscula. jason tá de alma gêmea com um monge igual jianyu, que não deixa ele sozinho nunca. queriam que eleanor causasse na festa de boas vindas mas quem faz isso é tahani. de alguma forma eles se reúnem todos em pouquíssimo tempo e eleanor descobre que é o bad place, e michael recomeça de novo, sem shawn saber (ele não tinha permitido mais que duas tentativas). isso acontece centas de vezes. vicky, que era a eleanor de verdade antes, tá insatisfeita com os papéis menores que recebe, e ameaça de contar dos inúmeros reboots que michael fez se ele não deixar ela no controle a partir da coisa seguinte. mas acaba que ele conta pros humanos dessa situação, pedindo ajuda, e eles se unem. eleanor fica sabendo por mindy que já ficou com chidi numas vezes e fica com "efeito verônica" (passa a imaginar eles juntos e começa a gostar dele, sendo que antes não tinham nada). michael começa a tomar aulas de ética com eles, sofre uma crise existencial huahs, aprende umas coisas humanas. jason e tahani dormem juntos e passam a namorar, tendo janet como terapeuta de casal, mas aí ela começa a dar defeito e descobrem que é por causa do que teve com jason no passado, que ela não pode mentir (fingir estar ok com o relacionamento dele e tahani). ela cria um tal de derek pra ser o namorado de consolo dela, todo bestão, e depois de resolverem tudo mandam ele com cocaína pra mindy haush. shawn aparece pra elogiar michael e diz que vão adotar o plano de tortura dele, e seguindo umas coisas que michael deixa passar enquanto age como demônio ruinzão os humanos se juntam a ele pra tentar ir pro good place, mas ele nunca soube como. tahani quer "falar com o gerente" e resolvem fazer isso mesmo, ir até a juíza do universo pra apresentarem o caso e ver o que ela acha. os humanos (exceto eleanor, mas ela finge que não) falham no teste que ela dá a eles e são condenados ao bad place mesmo, mas michael argumenta que o sistema de pontos deve estar corrompido e propõe que recomecem a linha do tempo deles, salvando-os da morte e vendo se melhorariam dali em diante. eleanor melhora por uns meses, preocupada com o mundo, mas perde o entusiasmo, e michael secretamente vai encontrá-la tentando fazer com que os quatro se encontrem de novo.

the good place S03 (2018-2019)
michael vai pra terra inúmeras vezes, pra interferir um pouco em cada um dos quatro humanos, até que se encontrem. chidi começa um estudo com uma neurocienstista legal, simone, pra saber o impacto de experiências de quase morte na tomada de decisões das vítimas (só os quatro participam, parece). ele começa a dar aula de ética pra eles também, porque eleanor queria ser uma pessoa melhor, mas não vejo muito sentido nisso. chidi começa a namorar simone. ah, aquele demônio (o diabo?) trevor aparece pra ser parte do estudo também, e tenta afastá-los dizendo que a amizade deles pode interferir, tentando fazer tahani e jason ficarem, sendo animado exagerado, mas acaba que não consegue. a juíza descobre e quer terminar o experimento, mas michael e janet fogem pra terra. bobeira isso que ela não pode fazer nada (ou só não faz nada), e que ela não sabe das coisas antes mesmo sendo a poderosa juíza do universo. um monte de interferência dos dois até que os humanos os descobrem, eles revelam a realidade, explicam como funciona o tempo (jeremy bearimy, o pingo do i sendo terças-feiras e julho, acho, e nunca haushus). todos passam um tempo fazendo algo separados – chidi doido fazendo chili com doces e falando de consequencialismo e niilismo, tahani se casando com jason pra dar seu dinheiro a ele e doando um bocado pra gente na rua, eleanor devolvendo a carteira e os cacareco de um cara. ela descobre que a mãe não morreu, mas sim fingiu ter morrido pra não pagar um dívida, e que agora tá bem mais responsável; se sente mal por não ter recebido as partes boas mas depois fica ok. simulador de realidade virtual de janet onde chidi tenta terminar com simone e eleanor dá em cima dela hsuhs. tahani faz as pazes com a irmã, que também tem complexo com os pais e a coisa da competição entre elas. todos vão até o canadá pra que michael e janet conheçam doug forcett, aquele cara que acertou uns 90% de como o pós-vida realmente funcionava, mas o esforço exagerado dele em ganhar pontos positivos faz dele uma pessoa miserável. os demônios vão pra terra atrás deles e eles brigam, janet toda lutadora, e no fim vão os seis pro vácuo de janet. os humanos ficam todos com a aparência dela huahs. michael e ela vão falar com os contabilizadores de pontos e vêem que faz centenas de anos que ninguém vai pro good place, e acha que o bad place tá trapaceando algo, mas na real é que as coisas só foram ficando mais e mais complicadas e praticamente nenhum ponto positivo fica integral, sempre tem desconto de mil coisas ruins relacionadas. ihop e tahani com um bicho verde lesmento que alteram a realidade pra parecer uma echarpe, mas ela não pode tocar haush. a juíza vai à terra e vê como é tudo horrível mesmo, e decidem refazer o experimento do bairro de michael com novos participantes. jason começa a namorar janet e eleanor, chidi. um romancezinho desnecessário até terem que apagar as memórias de chidi porque escolheram simone pro novo experimento, e ele pode arruinar tudo. eleanor como arquiteta porque michael tá tendo crise de pânico.

ideias para adiar o fim do mundo (ailton krenak)
livro que esse pensador indígena lançou nesse ano, compilando umas falas que ele fez em eventos. comprei pra dar pra tati e pra casa do mato, já que ela e rômulo sempre falam dele. li antes de entregar a ela porque é curtinho. gostei de ele ter dito umas coisas meio pró-apocalipse, de querer que acabe o mundo mesmo, apesar do título. ele também diz o que acha que ajudaria a melhorar, mas no geral foram coisas importantes de lembrar e pensar. destaquei vários trechos e eles resumem bem do que se trata:

A ideia de que os brancos europeus podiam sair colonizando o resto do mundo estava sustentada na premissa de que havia uma humanidade esclarecida que precisava ir ao encontro da humanidade obscurecida, trazendo-a para essa luz incrível. Esse chamado para o seio da civilização sempre foi justificado pela noção de que existe um jeito de estar aqui na Terra, uma certa verdade, ou uma concepção de verdade, que guiou muitas escolhas feitas em diferentes períodos da história. (p.11)
Por que nos causa desconforto a sensação de estar caindo? A gente não fez outra coisa nos últimos tempos senão despencar. Cair, cair, cair. Então por que estamos grilados agora com a queda? Vamos aproveitar toda a nossa capacidade crítica e criativa para construir paraquedas coloridos. Vamos pensar no espaço não como um lugar confinado, mas como o cosmos onde a gente pode despencar em paraquedas coloridos. (p.30)
(...) se nós imprimimos no planeta Terra uma marca tão pesada que até caracteriza uma era, que pode permanecer mesmo depois de já não estarmos aqui, pois estamos exaurindo as fontes da vida que nos possibilitam prosperar e sentir que estávamos em casa, sentir até, em alguns períodos, que tínhamos uma casa comum que podia ser cuidada por todos, é por estarmos mais uma vez diante do dilema a que já aludi: excluímos da vida, localmente, as formas de organização que não estão integradas ao mundo da mercadoria, pondo em risco todas as outras formas de viver – pelo menos as que fomos animados a pensar como possíveis, em que havia corresponsabilidade com os lugares onde vivemos e o respeito pelo direito à vida dos seres, e não só dessa abstração que nos permitimos constituir como 'uma' humanidade, que exclui todas as outras e todos os outros seres. (p.47)
Quando despersonalizamos o rio, a montanha, quando tiramos deles os seus sentidos, considerando que isso é atributo exclusivo dos humanos, nós liberamos esses lugares para que se tornem resíduos da atividade industrial e extrativista. Do nosso divórcio das integrações e interações com a nossa mãe, a Terra, resulta que ela está nos deixando órfãos, não só aos que em diferente graduação são chamados de índios, indígenas ou povos indígenas, mas a todos. (p.49)
Se já houve outras configurações da Terra, inclusive sem a gente aqui, por que é que nos apegamos tanto a esse retrato com a gente aqui? (...) Essa configuração mental é mais do que uma ideologia, é uma construção do imaginário coletivo – várias gerações se sucedendo, camadas de desejos, projeções, visões, períodos inteiros de ciclos de vida dos nossos ancestrais que herdamos e fomos burilando, retocando, até chegar à imagem com a qual nos sentimos identificados. (...) O fim do mundo talvez seja uma breve interrupção de um estado de prazer extasiante que a gente não quer perder. (p.58)
De que lugar se projetam os paraquedas? Do lugar onde são possíveis as visões e o sonho. (...) Não o sonho comumente referenciado de quando se está cochilando ou que a gente banaliza "estou sonhando com o meu próximo emprego, com o próximo carro", mas que é uma experiência transcendente na qual o casulo do humano implode, se abrindo para outras visões da vida não limitada. Talvez seja outra palavra para o que costumamos chamar de natureza. Não é nomeada porque só conseguimos nomear o que experimentamos. O sonho como experiência de pessoas iniciadas numa tradição para sonhar. (...) São lugares com conexão com o mundo que partilhamos; não é um mundo paralelo, mas que tem uma potência diferente. (p.65)
Quando, por vezes, me falam em imaginar outro mundo possível, é no sentido de reordenamento das relações e dos espaços, de novos entendimentos sobre como podemos nos relacionar com aquilo que se admite ser a natureza, como se a gente não fosse natureza. (p.67)

allure (2017)
aquela atriz de thirteen e across the universe. tilera revolts mas trabalha de faxineira pra uma empresa e com o pai. vai limpar a casa de uma mulher e ela tem uma filha de 16 anos que toca piano. se interessa por ela, aproveita que ela tem um pôster do nirvana pra falar disso, fica dizendo que tá feliz em ver ela quando vai lá. um dia a mãe da menina (eva) diz a ela que pretende se mudar com o parceiro, e eva não gosta nem quer. laura (a faxineira) consola a menina e diz que ela pode ir morar com ela, e aí começa um negócio doido de laura ser extremamente dependente e controladora. a polícia até procura por eva e laura tranca a menina num quarto porque achou que ela não ligou pro fato de que laura podia ir presa se descobrissem que ela tava lá, porque ela comentou que talvez devesse avisar a mãe que tava bem. laura fica forçando um romance que a coitada nem quer, mas mesmo com os exageros dela eva não consegue ir embora, deve sentir que laura precisa mais dela do que ela de laura. a menina não consegue transar, fica assustada, claro, e laura se prostitui igual no começo da história, mas apanha de um cara que ela tinha humilhado. ela mente e diz que foi o pai, que ele voltou a tocá-la, e bota eva contra ele. o pai até pede perdão pelo que fazia, mostra que se preocupa com laura, mas ela só fode tudo. maltrata o irmão cadeirante também, não quer que eva tenha banda com ele nem sejam amigos, super possessiva e violenta. no final eva se aproveita de um apagão numa piscina que elas tavam e foge, de maiô na neve. termina com laura falando pro pai que tá sozinha e que tá ok com isso, que vai tentar continuar assim e que precisa de distância das pessoas. bom de ser lésbico mas não focado em romance; ficamos refletindo sobre qual seriam os problemas da mulher e tal, se seria a mesma coisa contar a história com um homem no papel dela. doideira.

green book (2018)
um descendente de italianos que trabalha tipo de segurança num bar é contratado por um músico pra ser motorista dele. o músico (don) é negro e o cara (tony) já começa o filme jogando no lixo uns copos de vidro que dois encanadores negros usaram na casa dele depois de um conserto, mas com o músico ele foi bem melhor do que isso fez esperar. tony é nojentão e todo bruto, come se lambuzando enquanto dirige, e vai amolecendo don, que era todo boas maneiras e frescuras chiques. negócio de kfc ser de gente negra e ele nem conhecer. ao longo da tour os dois se aproximam, um aprende com o outro, e no final é massa que don dirige na neve pra conseguir que tony chegue em tempo pro natal com a família, e depois ainda aparece pra passar a ceia junto. todo mundo dando boas-vindas e sendo legal, dá uma esperançazinha. tem umas coisas que metem don em problema, tipo ficar de paquera com outro cara num lugar de piscinas e saunas e nudez. tony ajudando oferecendo dinheiro pra policiais e don ofendido, mas é o que dá pra fazer. eles vão presos uma hora por alguma explosão impulsiva de tony, e don tira eles de lá fazendo uma ligação (também humilhante) pro governador. ah, don toca piano, muito bonito, por sinal. uma bosta que nos lugares que ele toca só tem branco ruim; numa vez ele tava indo pro banheiro dentro da casa e o cara falou que pra ele era lá fora (ele preferiu voltar pro hotel e usar lá). o ápice foi num lugar em cujo restaurante ele não podia comer por causa de uma merda de tradição; tony dá um soco no cara e eles desistem do show lá, porque pelo amor de deus. triste as apresentações em que don tá com machucados na cara de ter apanhado. muito bom que depois dessa do restaurante eles saem pra comer num barzinho simples, mas que tem um pianinho e uns músicos (e muita gente negra); ele começa a tocar lá e fica bem mais feliz e as pessoas admiradas. tudo isso inspirado em história real, uma amizade que foi até os dois morrerem. green book é um livrinho de viagem com lugares "black people-friendly" pra eles pararem.

tamagotchi (2019)
curta lésbico produzido pelas meninas do canal amena, com íris amiga de talita sendo protagonista. um cenário meio futurista, as pessoas fazendo dinheiro vendendo dados, uns números aparecendo em volta das pessoas tipo black mirror. íris (não lembro o nome da personagem) decide desligar o wi-fi e ficar longe da internet um pouco, e logo conhece uma tal de ágata que fica de romancezinho com ela. diálogos irreais e não espontâneos como sempre, do tipo "você quer me perguntar algo?" e a resposta ser "o que você queria ser quando crescesse?" e "você já se apaixonou?"... no fim a mulher some, era só uma funcionária de uma empresa que precisava fazer a menina voltar pra internet, voltar a ficar mal e tomar remédio, dar lucro pra outra empresa. esperava mais. íris tava ok atuando, boa até. de novo ansiosa, que nem aquele curta de camie.

beloved (jaeliu)
manhwa yuri que achei num app que baixei. sobre essa oftalmologista de 34 anos que se envolve com uma menina numa festa, e no outro dia de manhã olhando as coisas dela descobre que ela tem 16 anos. todo lugar que tem o manhwa avisa que a idade de consentimento na china é 14 anos, o que não faz ser menos bizarro, né. acaba que as duas voltam a se ver, a menina nem tem família direito (ou não se preocupam), vai morar com a doutora e tudo. ela tem um amigo gay, também médico, cuja família espera que fique com ela e tal. parece que ela ainda tava tentando superar o término com outra mulher, mais uma médica do mesmo hospital, mó grey's anatomy. muito bonito o traço e as cores, pintado como aquarela. levemente sensual. diz que tá terminado com 18 capítulos mas nenhum lugar passa do 16...

maunder (paula puiupo)
quadrinho que puiupo publicou por essa editora da letônia. uma avó barbiezinha gigante, uma pessoinha com rabinho construindo uma máquina de não sei o quê. conversam sobre acessar o passado, aceitar a realidade. eventually everything will grow out of proportion and merge. even individuality. that's the first thing that goes, really. bonito, uns contornos coloridos como se fosse holográfico ou sei lá, legal o jeito que ela fez. meio sem sentido como sempre, mas gostei. não sabia, mas parece que "maunder" é inglês e significa zombar, falar aereamente, proceder com indiferença, vaguear, divagar.

limite (juarez machado)
carolzinha chegou com esse livro falando que tinha comprado num sebo. nem tem o título na capa, só o nome do autor e da livraria, mas no skoob achei assim, "limite". só tem ilustrações, nas páginas da direita; sobre um homenzinho preso dentro de um quadrinho e tentando sair. atira um canhão e a bola cai no pé dele, bota fogo na bordinha e a fumaça forma uma tempestade, uma fada aparece mas diminui o tamanho do quadrado em vez de resolver. ele se sentindo preso, sonhando com estar livre. até que pinta tudo de preto e sai pela luz da lanterna, só pra ver que tava num quadrado maiorzão. engraçado ele tirando um bocado de ferramentas do nada. uns pézão, mãozona.

split (2016)
finalmente; julia disse que ia ver e fomos junto, apesar de eu estar atrasada em coisas da faculdade. começa com uma menina aparentemente deslocada das outras numa festa de aniversário. o pai de uma delas vai levar elas pras suas casas, mas parando no mercado vem um homem e ataca ele, assume o cara e as sequestra. a menina deslocada (casey) é a mais esperta e calma, observadora; quando ele pega uma delas pra fazer sei lá o que casey diz pra ela se mijar, e com isso a menina consegue se livrar. o cara aparece de outros jeitos, com outras roupas, falando diferente, e logo casey se toca que ele tem alguma coisa (não sei se ela entende totalmente, mas ele tem transtorno dissociativo de identidade). ele vai numa terapeuta e tal, muito boa por sinal, porque sabe que aconteceu alguma mudança nas identidades que dominam, e que outras tão no controle (umas não tão seguras). a questão toda é que eles (os alters) sentem que tem uma nova chegando, algo avassalador e sobrenatural, e precisam das jovens como sacrifícios. eles seguem uma ideia de que quem nunca sofreu nada é impuro, tem que morrer mesmo, e no final é isso que salva casey de ser morta/comida junto com as outras – ela tem cicatrizes de abuso do tio, pelo jeito. não dá pra entender se no fim ela se recusa a ir embora com o tio ou se consegue contar pra policial o que acontece. achei o filme muito bom, apesar dos possíveis problemas que pode relacionar a quem tem o transtorno; acabei voltando a ver um bocado de coisa sobre isso, aqueles vídeos que eu via há anos atrás e tal. chega fiz um trabalho sobre.

esôfago (lana maciel)
livro de poemas que emprestei de mateus (*zênite) sem planejar, só porque uma amiga dela tava devolvendo na mesma hora que a gente tava conversando sobre escrever e poesia. foi bom, melhor do que esperava, até. umas coisas suicidas (talita comentou da contradição de ela falar "venci a depressão" em um poema e ter outro que diz "se minhas rugas puderem aparecer", tipo, se ela conseguir envelhecer sem morrer antes... mas o primeiro pode ser a outra pessoa do poema que falou. enfim), outras parecendo lésbicas. me fez lembrar umas escritas naquela revista que tijn me deu; preciso reler e fazer review. a escritora é conhecida de zênite, e talita reconheceu ela quando o perfil dela apareceu pra mim no facebook. tem uma que fala de "pizzas no macunaíma"; me pergunto se é aquela pizzaria de onde pedimos pizza no fim das reformas da casa do mato. abaixo umas poesias que gostei; cansei de editar infinitamente o negócio de formatar como citação pra ficar bonitinho, vai ficar que nem texto mesmo.

Corpo

tenho os olhos em órbita
pareço estar perdida
enxergo por dentro
o que não entendo por fora

tenho as mãos delicadamente calejadas
a linha do coração é quebrada
mas a linha da vida é contínua
faço cartografia das dores que vivi

tenho o intestino preso
por mentiras e jabuticabas
tenho o intestino preso
porque às vezes me falta
fibra para enfrentar a vida.

A náusea da criação

eu me sinto aqui
com as mãos espalmadas
mostrando as unhas roídas
faço poemas mentais
penso sobre o ritmo
dos astros
e a falta de direção
da minha vida
penso sobre as putas
e o dinheiro que gasto
com roupas livros e comida
à toa
penso sobre as viagens
que planejo e nunca faço
penso sobre o uso dos porquês
e sobre como minha letra fica feia
quando escrevo com pressa
ou escrevo para você
penso que não sei ser prolixa
porque tudo é um tiro
não sou uma dama que finge
sapateio no meio da rua
às três da tarde quando
o sol queima as patas caninas
e os pés dos mendigos
penso que nunca consigo falar
devagar e de maneira organizada
porque penso rápido demais e
abraço o mundo
com inúmeros braços curtos
imitango uma frágil barata.

Meet me in...

se existe reencarnação
quero estar contigo
nas próximas vidas
talvez desejar isso gere um carma
ou mais músicas melodramáticas
mas eu não me importo de passar
mais uma noite ouvindo Belchior
esperando que você realmente queira
viver comigo correr perigo morrer comigo
sei que às vezes minhas palavras cortam
e nosso passado talvez não seja mais
tão limpo e puro como um comercial de sabão em pó
mas acho que nosso domingos ainda provam
que somos uma dupla melhor do que Sandy & Júnior
talvez você goste de mim pelo que sou
talvez eu não precise aprender esperanto
para te convencer a papear comigo mais uma noite
talvez você queira me ouvir tagarelas madrugadas afora
talvez você queira me levar na mala
das curvas de Santos, Marília, Natal e Rio Claro
dentre todos esses talvez
as duas únicas certezas são que ainda quero
escrever para você e segurar sua mão
depois de mais um dia de trabalho
é certo que você não gosta dos meus poemas
e talvez esse poema não devesse existir.
uma respiração dolorida –
ou talvez três anos de cumplicidade
valem mais do que um beijo
e coisas literárias
no fundo eu sempre fujo da autobiografia
no entanto, hoje não quero fugir de você
das pipocas e das pizzas no Macunaíma
hoje não posso esquecer do que sinto
por você.

Diálogos desconexos de duas pessoas que ainda estão conectadas

gatos vira-latas subindo a ladeira de casa. o sol escaldante de almas desérticas. prosa poética cabe em uma xícara de chá? estamos surdos por causa das buzinas no trânsito infernal de são paulo. axilas úmidas, testa brilhando, pequeno ataque cardíaco ao te encontrar subindo e descendo a francisco glicério em busca de um hambúrguer de soja. desvio o olhar – ainda não perdi esse hábito –, tua boca deve estar úmida.

inaugurei meu apartamento semana passada, minhas costas têm 40 anos, só dancei por 15 minutos. que dia é hoje? setembro não chove, agosto passou muito rápido. há quantos anos não nos vemos. você juntou as tralhas, senhora duas caras? deve estar ouvindo norah jones todos os dias.

meu relógio quebrou, o ônibus 600 ainda passa por aqui? mas espera aí, você mal falou de você. preciso ir, parar no próximo bar para vomitar pensamentos em um guardanapo sujo, mais sujo que a minha mão que segura o corrimão do ônibus, o salgado, amarra o sapato e depois rói as unhas cheias de bactérias. preciso beber cerveja glacial, que continua sendo barata assim como eu continuo sendo pobre. hoje é terça-feira, detesto terças-feiras. estamos falando demais – ainda não perdemos esse hábito.

até logo, me telefona quando puder, a gente toma um café. pode ser um chá? não temos mais tempo para prosas poéticas. minha gastrite não me deixa. continuo vomitando, mas venci a depressão. você não está entendendo nada do que eu digo, eu quero ir embora.

aperto de mão leve para disfarçar um coração apertado. nossa ligação é um axioma. teu tênis de andar de skate faz barulho no asfalto. ou esse barulho vem do meu coração? (ou do estômago?)

Matrioskas

minha avó disse uma vez
que os fios que ligam nós
mulheres são ancestrais
não sei se é verdade mas

sei que daria metade
do meu cordão umbilical
para ter a Frida Kahlo
na árvore da minha família

embora eu me esforce
para recuperar
nossa história
ainda sei que falta

especialmente do que vem
de mim e do suor que dedico
tentando me manter respirando
tentando construir uma história

nos escombros do mundo
não sei se o que sobra
do meu corpo é carne ou
coisas que me impuseram

Os últimos latidos

Se minhas rugas puderem aparecer, gostaria que o meu corpo repousasse em uma casa de vó, cheia de cachorros lambendo a própria bunda, lambendo o meu rosto. Também quero chás, água morna e sem gosto, paredes descascadas. Antes de dormir, os pés no chão.
Estou viva.

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

lidos (1) e assistidos (16) de setembro

advantageous (2015)
filme que não lembro de onde tirei. se passa num futuro em que as chamadas de vídeo usam hologramas e tem umas naves sobrevoando a cidade fazendo vigilância. gwen koh é uma mulher adulta que trabalha como porta-voz de uma empresa de engenharia biomédica e cirurgia plástica, mas perde o emprego por causa da idade. o mundo tá começando a apresentar um recuo das mulheres no mercado de trabalho, as empresas parando de contratar e prevendo uma volta ao ambiente doméstico. gwen tem uma filha e precisa de dinheiro pra colocar ela numa boa escola, e propõe ser cobaia da nova tecnologia da empresa lá – uma cirurgia plástica invasiva que a coloca num corpo mais novo, de outra pessoa. ainda não tá perfeito e ela fica tendo que tomar injeção a cada 2 horas, sente dor constantemente, tem a memória um pouco afetada, e ainda por cima revelam depois que o que realmente é feito é uma cópia da mente original dela, que deixa de existir. o vínculo com a filha enfraquece, elas se sentem estranhas uma com a outra, a menina tem que ficar ajudando. toda esperta e crítica, mas também sofre. diz que não entende porque tá viva, qual o ponto de existir. parece que o pai é marido de uma prima de gwen. elas não tem contato com ninguém. triste, tenso, tudo bem parado, as crianças nem brincam. combinou com o dia chuvoso e escuro.

arrival (2016)
gosto muito desse filme. massa pra saber sobre linguística, descobri melhor por ele mesmo, na faculdade vira e mexe mencionam. uma professora universitária é chamada pra ajudar o governo dos eua quando 12 naves alienígenas surgem na terra. não fazem nada, parecem pacíficos, e os cara tão entrando dentro das cápsulas pra se "comunicar" com eles. ela tem que interpretar, mas pra entender tem que ensinar vocabulário, ter parâmetros. começa bem mostrando uma lousa escrito HUMAN, porque só então eles usam a escrita deles, com símbolos circulares feitos no ar com algo que parece tinta (eles parecem polvos, com 7 "tentáculos" – os chamam de heptapódes). ela se apresenta, mostra ações/verbos, etc. tá trabalhando com um cara da física. conforme vão estudando a escrita dos heptapódes ela vai tendo visões de uma criança, aparentemente filha dela, e coisas acontecendo. show que primeiro você pensa que são flashbacks, e na verdade são parte do futuro – a língua dos aliens é circular porque entendem a realidade de forma não-linear, e portanto sabem o futuro, e a linguista tá aprendendo a fazer isso já que tá aprendendo a língua deles. sapir-wholf e aquilo de se inserir numa nova perspectiva do mundo, interessante. a questão toda é que dali três mil anos os heptapódes vão precisar da ajuda dos humanos, e estão lá agora pra fazer uma troca – dão a nós essa "arma", que é a língua e esse conhecimento do futuro, pra que os ajudemos quando vier a hora. legal que ela acessa o futuro pra ter informação pra resolver o presente, como falar com o governante da china e impedi-lo de liderar um ataque às naves. no final ela fica com o outro cientista, que vai ser marido dela e pai da menina (que vai morrer e por isso já sabe que ele vai deixá-la quando ela contar antes de acontecer), e diz que já tinha se esquecido como era bom abraçá-lo. quero ler o conto em que o filme foi baseado desde a primeira vez que vi, mas não consegui ainda (é caro comprar e nenhuma biblioteca tem). tem matéria sobre arrival no blog da linguística, e quero ler isso aqui também.

war of the worlds (2005)
começa com a mesma frase de abertura do livro, aquilo de "no one would have thought...", só que atualizado pro século XXI, hehe. tom cruise sendo o personagem principal, tendo que se salvar enquanto cuida dos filhos que nem moram com ele, mas vieram passar o fim de semana. ele vendo de perto o buraco abrir no asfalto, a coisinha sair, várias pessoas serem pulverizadas pelos raios que as máquinas soltam perto dele. antes teve uma tempestade de raios estranha, que na verdade foi por onde os alienígenas desceram pra operar as máquinas supostamente enterradas há muito tempo. não tem isso no livro, que eu me lembre; só caiu ou surgiu umas coisas, de onde saíram cápsulas, em que os bichos tavam. no livro só tem o cara e a esposa dele, são separados, pensa que morreu mas conseguem se juntar no final. no filme tem o filho adolescente se separando do pai e da irmã porque quer ficar com o exército pra ver e ajudar, e no fim se reencontrando, já na casa da vó onde tudo tá ok. interessante como juntam dois personagens no cara da casa subterrânea – aquele clérico que passa duas semanas escondido com o principal e fica doido, não respeita o racionamento de comida e tem que ser morto (não lembro se se matou sem querer ou se o principal se encarrega disso, igual no filme) e o ex-soldado com umas ideias até que boas. "isso não é uma guerra, é um genocídio" e etc. não lembrava que eu gostava bastante da musiquinha que a menina canta, hushabye mountain... mesma coisa da planta vermelha esquisita, mas acho que no livro não era relacionado ao sangue das vítimas. não falam nada no filme dela não gostar de água. engraçado que no filme já tem tecnologia pra fazer parar de funcionar, mas no livro o máximo que aconteceu foi ter apagões e os trens pararem de operar. gosto do barulho dos bichão também. vitória das bactérias e encerramento usando o trecho sobre isso.

plunge (2014)
curta lésbico. leve vergonha alheia do amorzinho e beijo no começo. uma de cabelo curto e ota mais feminina. de maiôzinho a de cabelo curto, as duas com cores fortes. ah, dirigiram pra um lago, ficaram lá um tempo. se levantam pra ir pra um pedaço mais alto de onde dá pra saltar e o fazem, mas só a de cabelo curto cai na água. olha em volta e não tem ninguém, só as coisas dela na beira do lago. se veste com roupas diferentes pra ir embora, a cara fechada, outro carro. fim. legal até, entendi que era ela relembrando o que tinham feito juntas, mas agora já não existe.

turning point (2015)
curta de mistery guitar man. uma mulher usando um traje espacial ou anti-radioatividade numa casa abandonada. na verdade ela começa sem a proteção pra cabeça, desacordada, e fica desesperada que ficou "exposta". fala com um cara por walkie-talkie, avisa de onde tá, pergunta dos outros da equipe. ele diz que só ela fez contato, que vão enviar resgate. ela toma umas precauções, passa um spray que vaza por um furo na perna, sei lá, mas no final tá contaminada mesmo. tosse sangue e começa a ficar esquisita, cores de morte, meio devagar. talita pegou dois nomes de lugares que são de walking dead. não fica claro no que ela se transformaria, mas parece zumbi mesmo. se amarra num lugar, diz ao cara que ia tentar não ser um perigo pra equipe de resgate. no final ela acorda, se desamarra, tudo parece mais claro e bonito, e não dá pra saber nada com certeza. talvez é ela descobrindo que não tem nada de errado no contágio, ou é parte da contaminação, ou sei lá. ok.

yume (1990)
várias histórias que são inspiradas em sonhos do diretor, akira kurosawa. primeiro um menininho que não devia ver o ritual de acasalamento das raposas, que foi uma procissão de gente mascarada tocando uns negócios por um caminho na floresta, e já que elas pegaram ele assistindo ele precisa se matar. depois um menino um pouco maior seguindo uma menina misteriosa até onde tinham pessegueiros, que foram todos cortados, e encontrando uns espíritos rancorosos com isso, que dançam pra ele e entendem que ele também sofre. depois um grupo de alpinistas numa montanha numa nevasca, tentando seguir, e um deles quase morrendo e sendo levado por um espírito esquisito. então um ex-oficial do exército voltando pra casa e passando por um túnel onde encontra um cachorro latindo esquisito, e depois encontra todo o batalhão dele que morreu na guerra, não sabendo que estão mortos. aí um cara num museu vendo obras de van gogh, entrando dentro de um quadro com uns corvos e encontrando ele, que fala sobre as coisas o compelirem a pintar. o mesmo cara agora no monte fuji, que tá em erupção, e várias usinas nucleares em volta explodindo também, e uma multidão correndo e supostamente se jogando no mar, e nuvens coloridas radioativas que causam câncer e leucemia e sei lá mais o quê. depois o cara andando numa montanha e encontrando um demônio de um chifre, que conta que já foi humano e fala sobre como era mesquinho, como as coisas estão diferentes agora, que tem dentes de leão (a flor) gigantes na montanha, que os demônios choram de dor causada pelos chifres de noite. por fim ele numa aldeia de moinhos, falando com um velho, que conta como vivem ali, como o homem se esqueceu da natureza, como as coisas estão sujas e como tentam se aproximar de como era antes, e no final indo acompanhar uma procissão festejante até o cemitério, porque uma moradora morreu. legal, o cara que se repete ouve muito mais do que fala, e os que falam falam coisas interessantes. filme que tati pediu pra talita baixar.

circumstance (2011)
talita pensava que era indiano mas no fim era iraniano o filme. a língua que falam é persa, na verdade. duas amigas, uma mais doidinha (atafeh), filha de um cara rico, família não muito religiosa, e outra mais quieta (shireen), que mora com os tios e tem que seguir as coisas de religião, inclusive casamento arranjado. falam de fugir pra dubai, levarem uma vida menos oprimida, e parece que atafeh tá querendo ser mais livre mesmo enquanto shireen entende como uma oportunidade pra elas ficarem juntas. inesperado que é ela quem dá o primeiro passo no romance. se beijam, dormem juntas, até fazem coisas. isso tudo viajando pra praia com a família de atafeh. o irmão dela voltou há pouco tempo pra casa, parece que tinha se envolvido com drogas, e quando volta tá bastante muçulmano e ruim, coloca câmeras pela casa toda, se junta a uma polícia moralista, uns caras que vão atrás de gente fazendo coisa proibida pelo governo pra punir. numa festa ele vê as duas, corre atrás até, bate num cara. parece que tá fazendo isso pra se convencer de não voltar pra essas coisas, na real. elas têm uns colegas ativistas que dublam filmes e documentários, umas coisas pornô, um discurso daquele gay milk que foi importante pro movimento LGBT. vão presas, mas o pai paga pra tirar. o irmão tira shireen porque tá interessado nela. dá os dotes e aquelas coisas pra se casarem. elas se distanciam, apesar de morarem na mesma casa depois do casamento. o irmão não deixa nem ela cantar em público. descobre pelas câmeras o romance delas numa vez que shireen vai conversar com atafeh, dizendo que fez aquilo por ela, pra poder estar com ela. eles brigam, ele a estupra mas a besta faz carinho no rosto quando ele para chorando dizendo que não consegue (não sei o quê exatamente). no final atafeh compra uma passagem pra dubai, vai embora sozinha. tudo isso elas com 16, 17 anos.

steven universe: the movie (2019)
lançaram nos primeiros dias de setembro. é um musical que se passa uns anos depois dos últimos episódios de steven universe, em que as crystal gems lutam contra white diamond e steven a derrota. no filme as diamantes tão amigáveis e white diamond tá aprendendo a ser boa, quer que steven fique em homeworld. construíram um portal de lá pra terra até. ficam cantando sobre como tá tudo ótimo, que tiveram final feliz e etc. aí acontece de uma gem chegar numa nave de seringa, toda elástica, me lembrando luffy. uma maquiagem dramática como se fosse borrado de choro. spinel (a gem) clama que steven (pink) era amiga dela, mas fica mais ofendida ainda de ver que rose nem falou sobre ela pra ninguém. pérola parecia reconhecê-la, mas spinel desfaz elas todas antes de qualquer informação ser dada. steven consegue desfazê-la com a arma dela, e parece que o que ela faz é "rebobinar" a gem pra um estágio bem inicial, apagar as memórias e tudo. enquanto isso a nave de spinel tá pregada no solo, injetando uma substância rosa que destrói toda vida orgânica. aí steven passa a trabalhar pra reconstruir todo mundo, começando por fazer saphire e ruby virarem garnet. bismuth, peridot e lapis tão de boa e o ajudam como podem. na verdade até spinel faz isso, porque quando ela volta diz que vai ser a melhor amiga de steven. fica tentando brincar, animá-lo. depois de viverem certas experiências cruciais as gems voltam ao normal, e a primeira foi amethyst. precisam de pérola pra ela contar quem foi spinel, mas o que acontece é ela voltar ao normal. conta a steven que pink diamond a abandonou no planeta que elas tinham pra brincar quando recebeu a terra de presente das gems. que ela ficou lá milhares de anos esperando rose voltar, porque supostamente aquilo era uma brincadeira. steven vai conversando com ela e mostrando que ela precisa de outra pessoa, que ela pode recomeçar, mudar. ele quase morre porque foi atingido pela arma também, e não tava evoluindo porque esqueceu que o poder era mudar. várias músicas, as melhores sendo a de garnet e a de spinel. no fim ela resolve ir embora pra homeworld com as diamonds, que têm atenção de sobra pra dar, e ela só sabe entreter. ok, nada muito incrível, mas dei risadas e fiquei cantando depois. fusão absurda de steven e greg!

bacurau (2019)
puiupo recomendou, tati viu, carolzinha chamou pra ir ao cinema. uma coisa meio distopia, ficção científica brasileira. um povoado minúsculo chamado bacurau, onde todo mundo se conhece e ninguém gosta do prefeito. tem uma travesti que mora no comecinho da cidade que avisa de quem tá chegando, todo mundo se informa talvez por um grupo da cidade no zap. um dia o cara do caminhão de água chega com o tanque baleado, vazando água. depois os cavalos de uma fazenda por perto fogem todos pro povoado e uns caras vão investigar. encontram o dono e os moradores da fazenda mortos, assassinados brutalmente. indo embora encontram um casal de motocicleta, vestidos como se estivessem fazendo trilha, que os matam. tinham passado em bacurau antes, chamado atenção porque usavam capacete, gente do sudeste. eles tão a serviço de uns gringos, parece que a intenção deles é matar os habitantes todos, como se fosse um jogo com pontuação pra isso e tudo. ficam disputando quem vão matar. vão atrás de lunga, criminoso procurado, pra lidarem com o que tá acontecendo. engraçado que todo mundo toma uma sementinha que um velho dá e participa do combate. matam os estrangeiros, botam um velho alemão num porão da cidade. bacurau tem um museu que mostra coisas do cangaço, a dona até manda deixar as marcas de sangue dos gringos como parte. parece que foi o prefeito que vendeu bacurau, tiraram do mapa até. massa de existir, muito o que falar sobre, essa questão de máfia local proteger, reapropriação frente a estrangeiros, poder do povo, tecnologia. punkzera.

driving miss daisy (1989)
fabi da wizard tinha me recomendado isso naquela época. sabia que tinha questão de racismo, sul dos eua. uma senhora judia, boa de vida, que quase se acidenta tirando o carro da garagem. o filho decide que ela precisa de um motorista e paga um cara pra isso, não jovem mas não tão velho, bem humorado, negro. a senhora já tem uma empregada negra, idela, que tá na casa desde quando era jovem. engraçado a sinceridade dela, poucas palavras. a senhora não deixa o homem conversar com ela, diz que vai atrapalhar o serviço que ela tem pra fazer. mais pra frente morre descascando ervilha. miss daisy é bem teimosa e cabeça dura, demora pra aceitar que ele a leve pros lugares, mas com o tempo vão se acostumando um com o outro. ela ensina ele a ler (tinha sido professora). viajam pra casa de um parente velho dela até, sofrem preconceito de policiais achando estranho um negro e uma judia num carro bom. numa vez que ela ia pra sinagoga o lugar foi bombardeado. hoke (motorista) fala de quando era pequeno e viu alguém da família enforcado numa árvore, as mãos atadas. me lembrei daquela música, que fala de strange fruit, coisa triste demais. ela passa a apoiar martin luther king, vai num jantar que ele deu, e hoke fica de fora ouvindo pelo rádio porque ela deixou pra falar sobre (mal convidou) pra ele na ida pro lugar. os anos passam e acontece de um dia ela acordar achando que tá atrasada pra escola, que perdeu os papéis dos alunos, que gostavam dela porque ela devolvia no dia seguinte e agora ia decepcioná-los. hoke tenta ajudar, acalmar, e ela diz que ele é o melhor amigo dela. no fim o filho tá vendendo a casa, ela morando num asilo, hoke e ele a visitando e ela querendo conversar com hoke só, falando de estarem levando a vida. musiquinha legal.

gia (1998)
angelina jolie interpretando essa modelo que se destacou por ter uma personalidade forte e marcante, toda doida, falava e fazia o que queria, uns negócio ousado. vai da filadélfia pra nova york com uns 17 anos e começa a carreira, se apaixona por uma mulher envolvida com modelos também. mimada nas atitudes, uma cena dela chorando querendo que a mãe fique e ela dizendo que não podia, e então gia jogando as coisas dela pra fora e mandando sair então. começa a usar drogas, muitas, e fica viciada em heroína. se destruindo, problemática nos ensaios, sem rumo na vida. os pais se separaram quando era criança, a mãe saiu de casa. um ex dela aparece pra interná-la, a mãe ainda quer que ela seja modelo, fica falando do tanto de dinheiro que ela ganhou e teria se não tivesse usado tanta droga... descobrem que ela tá com pneumonia por causa de aids, primeiro caso numa mulher que os médicos cuidam lá. fica internada no hospital, muito mal, caindo cabelo e com feridas feias. sarcoma de kaposi e hemorragias, bem horrível. morre aos 26. o filme tem umas cenas intercaladas, com os personagens que conheciam gia falando dela, como se fosse documentário. músicas de trompete chatas do caramba. observações de não acharmos angelina bonita, corpo estranho.

interstellar (2014)
já fiz uma "review" aqui, só comentando que era um filmão (já era a segunda vez que eu assistia) e deixando o link de uma explicação do fim e de uma timeline. rever depois de ter visto gia foi bom pra pensar sobre filmes bons e ruins. interstellar é bastante longo mas pareceu mais curto que gia. acho que posso responder interstellar quando me perguntarem qual meu filme preferido, não como o único mas um dos (arrival também estaria na lista, por exemplo). recheado de coisas interessantes: futuro da terra, espaço, viagem no tempo, tristeza, raiva, felicidade, mentira, traição, drama... coisas inexploradas e portanto livres pra interpretação (e olha que pelo que eu me lembro essa história foi o mais cientificamente precisa possível). e a trilha sonora! boa demais. sei tudo o que acontece, então não preciso de review. muito massa a coisa de buraco negro, pensar o tempo como outra dimensão física, a coisa da gravidade, o mundo diferente.

la piel que habito (2011)
sessão cinema com carolzinha e julia. um cirurgião plástico famoso, bem sucedido, que na verdade mantém uma mulher como prisoneira na casa. tá fabricando uma pele mais forte, resistente ao fogo, dura demais pra mosquitos, etc. usa a mulher como experimento, refez toda a pele dela. aos poucos vai tendo flashbacks que explicam a história toda. o médico tinha uma esposa e uma filha, e há uns 12 anos atrás a mulher tinha conhecido o filho da empregada desde sempre e se apaixonaram. fugiram juntos mas teve um acidente de carro que queimou o corpo inteiro da mulher. ela ficou muito mal, o marido fez de tudo pra salvá-la, reconstruir a pele. não tinha mais espelho na casa, ficava tudo escuro, mas mesmo assim um dia ela foi abrir a janela pra ver a filha cantar e cruzou com seu reflexo no vidro, e se suicidou. a filha ficou traumatizada, passou a fazer tratamento, e quando era mais velha finalmente saiu pra socializar numa festa. só que aí um cara se aproximou dela, tendo tomado alguma droga, e quis fazer sexo. ela tava falando esquisitices que ele entendeu por brisa de droga também, e só depois de ter começado percebeu que ela tava chocada lá deitada. não sei direito como, mas ele esbarrou nela e ela desmaiou. o cara foi embora, mas o médico foi atrás dele e o sequestrou. foi fazendo modificações, começando por uma vaginoplastia, e acabou que a mulher dos experimentos é esse cara. vincent, vera. o cara que fugiu com a mulher falecida reaparece, parece que passou um tempo no brasil, e vê que tem uma mulher sendo vigiada na casa. tá convencido de que é a esposa do cara, que ficou melhor, etc. parece que ele reconstruiu vincent de modo a ficar parecido com a mulher mesmo. o cara a tira do quarto e a estupra, e o doutor o mata. a partir daí vera fica livre, vai até fazer compras com a empregada, e fica de romance com o doutor. numa oportunidade dá um tiro nele e na mulher e foge de volta pra loja de roupas da mãe, onde trabalhava. termina com ela chorando e contando. massa, julia comentou que revendo fica claro pra ela a transformação, porque os flashbacks de vera são vincent. doido ficar torcendo pra quem também fez coisa errada. interessante pensar sobre o depois. atriz de habitación en roma, antonio banderas.

see you yesterday (2019)
esperava muito mais. tinha visto trailer ou proposta há um tempo atrás e assisti agora que saiu no netflix. um casal de amigos estudantes de ensino médio ou sei lá, bons em ciência. constroem uma máquina do tempo que botam numa mochila e leva eles pra horas, dias atrás. acontece do irmão da menina ser morto por um policial que o confunde com um assaltante de uma lojinha por perto, e decidem voltar no tempo pra impedir isso. mas fazem besteira e quem morre é o amigo, e daí pra diante a menina quer fazer tudo sozinha. só confusão e besteira desnecessária, ela é muito teimosa e faz as coisas tudo errado. muito improvável tudo o que têm também, equipamentos numa garagem, uma realidade virtual mentirosa pra eles consertarem a mochila. ok que quiseram botar a questão de jovens negros mortos pela polícia e gente negra na ciência e tecnologia, mas ficou pior que filme de sessão da tarde. tem spike lee em alguma coisa, produção talvez, afrofuturismo. tivemos que assistir quebrado em dois.

ghost (1990)
tínhamos visto o final mês passado, daí assistimos do início até onde começamos. sam wheat, banqueiro, tá se mudando pra um apartamento legal com a namorada molly, escultora. eles têm um amigo que trabalha com sam, que ajuda eles na mudança e tá sempre junto. numa noite o casal tá andando de volta pra casa e um cara tenta assaltar sam, e acaba atirando nele e o mata. isso bem quando ela propôs que se casassem e contestava que ele nunca dizia que a amava, apenas "ditto" (idem). sam fica como fantasma, vendo tudo o que acontece, mas ninguém o vê. as coisas e pessoas o atravessam, ele fica todo surpreso, agoniado. fica perto de molly, na casa, e consegue fazer o gato sibilar. vê quando o cara que o matou invade a casa com uma chave da porta e o segue até onde ele mora. na mesma rua tem uma vidente que promete entrar em contato com entes queridos partidos, mas é tudo de mentira. só que sam fica observando e comentando a falsidade e ela o escuta. então ele pede ajuda, e ela vai atrás de molly pra alertá-la do perigo. molly vai à polícia, o que sam queria, e descobre que oda mae brown (a mulher) tem ficha por identidade falsa, já ficou presa, e começa a desacreditar. o amigo se oferece pra ir checar o endereço que a mulher deu (passado por sam), e sam acompanha, só pra descobrir que foi ele que tramou tudo. ele morrer não era parte do plano, mas sim o assaltante pegar uma agenda de sam que tinha um código de acesso a uma conta milionária no banco. agora quem tá em perigo é oda mae brown, e juntos ela e sam retiram o dinheiro da tal conta e doam pra umas freiras (engraçado oda mae lutando pra deixar o dinheiro ir). o assaltante morre quando sai correndo de sam, que tá bagunçando tudo na casa dele e na rua; o amigo morre por acidente quando o vidro da janela cai nele enquanto luta contra molly e oda mae. no final elas conseguem ver sam, molly o beija, fim. música famosa. cena da cerâmica enquanto ainda tava vivo. oda mae deixa ele entrar no corpo dela pra eles dançarem! pena que não mostra como se fosse a mulher. muito boa essa personagem. demi moore tão linda, pena que hétero. cabelinho e estilo massa.

life of pi (yann martel)
começa na índia, contando da família de piscine molitor patel. ele tem esse nome por causa de um tio que adorava nadar, e a piscina favorita era uma francesa com esse nome. aprende a nadar com ele. o pai tem um zoológico; fala muito de animais. um dia o pai mostra pra pi e o irmão mais velho (ambos crianças) como o tigre é o animal mais perigoso, dando uma cabra pra ele assassinar. fala do perigo de cada animal, terminando no porquinho da índia que não tem perigo (mas só porque os que têm são domesticados). quando muda de escola pi passa a se apresentar assim, enfatizando o "pi" pra pararem de fazer piadinhas do tipo "pissing molitor patel". me perguntava se era [pi] ou [paj] mas o irmão brincou com "lemon pie", então acho que o segundo. pi sempre foi religioso, e começou a seguir o cristianismo e o islamismo além do hinduísmo. o professor de biologia e o muçulmano tinham o mesmo nome. uma vez se encontram, além do padre, com pi e a família, e discutem sobre ele ter 3 crenças. ele diz que só quer amar a deus. no começo tinha mais coisas intercaladas, uns pedaços em itálico em que o escritor conhecia pi adulto. pi que narra, e no início fala de morar no canadá, da saudade da índia, de ter estudado zoologia e teologia por causa do professor e das religiões. o navio afunda quando tão se mudando, levando vários animais que o pai vendeu. ninguém sobrevive, e no barco estão ele, uma zebra, uma hiena e o tigre. um orangotango chega boiando num cacho de bananas que afunda. a hiena come a zebra viva, que tava com uma pata quebrada, e depois o orangotango. o tigre só se revela depois, apesar de a primeira cena de pi no bote é ele oferecendo um remo pra ajudar ele a subir, e logo caindo em si e tentando afastá-lo. ele mata a hiena. as descrições dessas coisas são horríveis. pi vive do lado de cima da lona que cobre o barco, depois constrói uma jangada. descobre um compartimento com provisões, equipamentos, mas pesca também. alimenta richard parker (o tigre) também, cuida dele, delimita a área de cada um. usa um apito pra mantê-lo sob controle. muita dor e dificuldades, passa 227 dias no mar. encontra uma ilha feita de alga onde moram suricatos, descobre depois de umas semanas que a ilha é carnívora (encontra "frutas" com dentes humanos dentro). no final tem ele contanto a história pra autoridades japonesas responsáveis pelo navio; não acreditam e pi conta uma versão em que o orangotango é a mãe, a hiena é o cozinheiro, a zebra um taiwanês, o tigre ele. diz pra acreditarem na história que gostarem mais, se não fizer diferença, e isso me deixa pensando no que é real. esperava que fosse ter mais coisa de deus, mas talvez eu perdi alguma coisa. no começo o autor tá falando que alguém contou a ele essa história e falou pra ele ir atrás de pi, então parece que tudo aconteceu de fato. preciso digerir ainda, pesquisar sobre, talvez ver o filme. mas gostei bastante de ler. [editado: li essa review e essa. gostei do que disseram e de como não foi uma interpretação subjetiva, mas totalmente baseada no que o livro fornece... eu pensei nessa coisa de poder escolher a melhor história (citação abaixo) como uma possibilidade pra entender a história, que o leitor também pode escolher, mas massa relacionar com escolher a fé também. as coisas com água, piscine, o mar fazendo sofrer e ajudando, deus. quero ver o filme agora.]

The matter is difficult to put into words. For fear, real fear, such as shakes you to your foundation, such as you feel when you are brought face to face with your mortal end, nestles in your memory like a gangrene: it seeks to rot everything, even the words with which to speak of it. So you must fight hard to express it. You must fight hard to shine the lights of words upon it. Because if you don't, if your fear becomes a wordless darkness that you avoid, perhaps even manage to forget, you open yourself to further attacks of fear because you never truly fought the opponent who defeated you.
To be a castaway is to be a point perpetually at the centre of a circle. However much things may appear to change—the sea may shift from whisper to rage, the sky might go from fresh blue to blinding white to darkest black—the geometry never changes. Your gaze is always a radius. The circumference is ever great. In fact, the circles multiply. To be a castaway is to be caught in a harrowing ballet of circles. You are at the centre of one circle, while above you two opposing circles spin about. The sun distresses you like a crowd, a noisy, invasive crowd that makes you cup your ears, that makes you close your eyes, that makes you want to hide. The moon distresses you by silently reminding you of your solitude; you open your eyes wide to escape your loneliness. When you look up, you sometimes wonder if at the centre of a solar storm, if in the middle of the Sea of Tranquility, there isn't another one like you also looking up, also trapped by geometry, also struggling with fear, rage, madness, hopelessness, apathy.
"So you want another story?"
"Uhh...no. We would like to know what really happened."

"Doesn't the telling of something always become a story?"

"Uhh...perhaps in English. In Japanese a story would have an element of invention in it. We don't want any invention. We want the 'straight facts', as you say in English."
"Isn't telling about something—using words, English of Japanese—already something of an invention? Isn't just looking upon this world already something of an invention?"
"Uhh..."
"The world isn't just the way it is. It is how we understand it, no? And in understanding something, we bring something to it, no? Doesn't that make life a story?"

salt and fire (2016)
mais um dos filmes que talita baixou pra tati. três cientistas viajam pra um lugar na américa do sul onde aconteceu um desastre natural, que só falam melhor mais pra frente. parece que era um lago que secou e virou uma planície enorme de sal, que se expande em 800km² por ano. quando chegam são recebidos por uma galera estranha, um cara que diz ser ministro de não sei o quê, mostra uma carta falando pra irem pra uma cidade lá. voam num avião menor e quando chegam são sequestrados, pegam a mulher pra conversar, ela é a chefe da delegação. protegidos pela ONU. o líder é o CEO da empresa que causou o desastre, assumiu o controle há pouco tempo, e tá desconsolado com tudo. fica falando sobre outras perspectivas, cita um versículo bíblico, mostra um corredor em roma que tem uma afresco anamórfico que sempre quis ver, sei lá. conversam, ela livre dentro da casa antiga. pegam ela um dia e vão até o deserto de sal; tem um vulcão perto, o cara diz que tá tendo tremores recorrentes e que, se o vulcão entrar em erupção, vai ter uma catástrofe mundial que destruirá a espécie humana. daí abandonam ela numa ilha no meio do sal, com dois meninos quase cegos, huáscar e atahualpa (nomes dos últimos reis incas), e provisões pra uma semana. quando voltam o cara diz que é pai deles, que os adotou porque a mãe morreu por causa da toxicidade do local, e que eles tão ficando cegos pelo mesmo motivo. diz que vai se entregar às autoridades e sabe que será preso, e pede pra tirar umas fotos com o tablet dela (engraçadas, brincando com perspectiva, uma colher e um dinossauro de brinquedo). termina com o cara da cadeira de rodas motorizado (que senta nela quando tá cansado da vida) mandando ela pro deserto com uma garrafa enorme de champanhe, dizendo que é a isca pra atrair os alienígenas. aquele lugar é a maior área plana do planeta, e satélites calculam a distância até o chão usando ali. meio doido, mas não ruim. daquele werner herzog.

sábado, 31 de agosto de 2019

lidos (3) e assistidos (15) em agosto

always be my maybe (2019)
dois vizinhos, sasha e marcus, que eram muito amigos desde crianças. os pais da menina nunca tavam em casa porque trabalhavam muito e ela se cuidava sozinha, fazia comida, mas passava muito tempo na casa do menino também. ajudava a mãe dele a cozinhar, gostava deles. quando eram adolescentes a mãe de marcus morre, e pra consolar sasha chama ele pra fazer qualquer coisa. tão no carro cheirado a um queijo dele quando ela o beija por impulso, ele corresponde e eles transam no banco de trás. nunca mais se falam. ela vira uma chefe famosa que só tá voltando pra cidade (são francisco) pra abrir um restaurante. mas a agente ou sei lá é uma amiga da mesma época do passado, que chama a empresa de ar condicionado do pai de marcus pra fazer instalação na casa chique que sasha tá alugando. encontro esquisito e desconfortável, sasha tá namorando um cara famoso envolvido com restaurantes. ele adia o casamento pra viajar pra índia e fala pra eles saírem com outras pessoas pra verem se devem mesmo ficar juntos. sasha acaba indo no show da banda que marcus tem há 16 anos, vai jantar comida que a namorada hippie dele faz, acaba se reaproximando dele. aí ela conhece keanu reeves (interpretando a si mesmo) e vivem um romance (over)sensual por um breve tempo, que termina com um encontro de casal num restaurante bizarríssimo (uma das comidas era ouvir o som do animal no prato em que comiam) seguido de um jogo chato no hotel de keanu e marcus socando a cara dele. marcus beija sasha e tudo reacontece, gostam do que acontece, tão bem juntos – até ela ter que voltar pra nova york, o que marcus não é capaz de fazer porque tem medo das coisas. leva um tempo até ele se deixar crescer, ele vai mandando mensagens de voz pra ela, até que vai até ny pra se declarar. no final ela também levou em consideração o que reaprendeu com ele, e criou um restaurante de comidas que "fazem as pessoas se sentirem em casa", levando o nome da mãe falecida. comédia romântica bobinha mas divertida, massa que são todos asiáticos, vi ativismo sobre isso. melhor parte é a música do final, que marcus fez pra se assegurar que todos soubessem que ele socou keanu reeves.

d.e.b.s. (2004)
véi do céu. filme de espiãs meninas selecionadas por causa de um teste secreto no enem dos eua, que testa a habilidade de mentir – porque "as outras coisas podem ser ensinadas, mas mentirosos são ótimos espiões". usam uniformezinho xadrez de saia minúscula e sapato de saltinho, andam com uma arma besta. a própria sigla tem beauty no meio. quatro são as principais, uma delas (amy) tirou a nota máxima na prova, mas na verdade só quer estudar arte. uma super vilã chamada lucy diamond tá de volta no país pra encontrar uma assassina russa, mas na verdade é blind date. não consegue fazer rolar, tem tiroteio porque tem um monte de gente pendurada num balancinho besta no teto, mas nisso ela conhece amy – que tá escrevendo sua tese sobre ela. se interessam uma na ota. amy é a única pessoa que encontrou lucy e saiu pra contar história. leva ela pra um lugar pra poderem conversar mais, se dão bem, quase beijo interrompido pela outra espiã burrona, de paquera com o parceiro de lucy, afinal. sequestro de sete dias que era romance na verdade, as ota descobre e nem leva lucy presa, decidem manter segredo e como assim só um grupinho sendo que iam mobilizar tudo. lucy devolvendo o que roubou, deixando "bomba" com balões escrito amy be mine, faz o exame e tudo mas ninguém prendendo bosta nenhuma. no final amy admite que ser bom numa coisa não quer dizer que é sua paixão, a amiga-chefe ajuda elas a fugirem. essa chefe do grupo é max, que é negra, e tem uma japonesa que só fuma, além da burra. negócio de amy ser loira e promovida sem nem tentar enquanto max vive pra espionagem. todo mundo parece muito idiota, errando tiro e se movendo que nem besta. tem um teletransporte dos chefão que deixa brilhinho. tanta coisa errada, malfeita, chega a ser bom ahsuhs.

dear white people S02 (2018)
maratonei de madrugada porque talita comentou que tava animada pra ver a temporada 3. me pareceu bem mais engraçada que a primeira, não lembro bem. vários risos/sorrisos com coisa boa, tipo joelle desmaiando no chão ou abrindo a blusa por causa do crushzinho inteligente, a lua caindo e quebrando com troy louco de cogumelos... episódios muito bons também. queria rever a primeira porque tenho essa impressão de ser bem pesada, na época eu nem quis continuar a série na hora. quer dizer, essa temporada ainda foi, mas tava tão interessante que vi tudo de uma vez. aquilo de cada episódio focar num personagem, massa, às vezes tinha até intersecção e repetição da mesma cena em perspectivas diferentes. reggie traumatizado e vendo o policial branco apontando arma pra ele o tempo todo, tendo ataque de pânico e fazendo terapia forçado, questionando o que o policial recebeu (mó processo pra ele ser demitido, e no final é um nepotista mal educado da zorra); lionel sendo enrolado por silvio e conhecendo wesley, latino bonitinho, com quem desenvolve romance (tão bonitinho! as pequenas gayzices que lionel solta, tipo apontar o canto da boca pra baixo corrigindo o prêmio que pretende ganhar. aprendendo a transar também heuhe); coco engravidando e vendo 18 anos no futuro, engraçado que supostamente podem "beam" as coisas, tipo teletransporte, e decidindo fazer aborto mesmo (apoio de kelsey, colega de quarto lésbica); joelle apaixonadinha por outro cara de ótimas notas em anatomia, pra por fim descobrir que ele era um hotep (ainda tenho pesquisar o que é isso); um troll da alt-right discutindo com sam nas redes sociais que acaba sendo silvio, ridículo; troy buscando sua voz, tentando entender quem é, e até pra isso precisa da opinião dos outros, mas acaba indo pra stand up e melhorando a atitude; gabe fazendo um documentário chamado "am i racist?" e entrevistando várias pessoas, pra no final discutir com sam, coisa de white savior, ela "causar" reações como a de silvio, etc (rola um beijo no final); o pai de sam morrendo sem ela ter sabido de hospitalizações, ela achando uma carta massa e uns livros antigos que falam das sociedades secretas de winchester; uma apresentadora controversa pra ter um papo no campus e sendo na verdade uma personagem, plateia toda de negros (ela também é), bravões; sam e lionel sendo detetives com esse negócio de sociedades secretas e no final achando um cara, que na real é quem narra os episódios e faz os "watch closely". show! umas lições da zorra, frases boas, personagens reais. tenho que procurar a trilha sonora.

baby S01 (2018)
itália. adolescentes que estudam numa escola particular chique. duas meninas que se aproximam nem sei por que, ludovica que teve vídeo de sexo vazado e chiara que tem pai traindo a mãe. elas conhecem um homem que dá umas festas secretas, e que propõe que se encontrem com caras pra "ganhar dinheiro". chiara tem um problema também que é que transa em segredo com o irmão da melhor amiga camilla, que tem namorada e tal. ludo mora com a mãe que não paga a escola porque usa o dinheiro com o namorado novinho, e tem uma irmã que o pai diz ser a preferida (ela ouve escondida no casamento dela, muito improvável). elas acabam se envolvendo com uns caras mesmo, ludovica tem um romancezinho com o ajudante do homem lá. tem um menino novo na escola também, damiano, filho de um árabe. sofre bullying do irmão de camilla e se envolve nuns problemas, tem que vender droga, sei lá. chiara gostava dele mas ele fica com camilla, só pra depois voltar pra ela e se confessarem apaixonados. roubam a motinha dele que era da mãe que morreu, chiara acha... ela e camilla conseguem um intercâmbio pros eua, mas chiara diz que é o sonho da amiga, não dela, e fica por aí com ludo mesmo. tem um amigo delas gay, com quem damiano anda quando procura a moto. filho do diretor da escola, se sente não enxergado pelo pai, ajuda damiano a vender as coisas também. enfim, chato, enrolado, ludo e chiara sempre muito íntimas mas nada rola, etc. raro ser italiano.

kiss me first S01 (2018)
série doida da zorra. tem essa menina, leila, cuja mãe morreu. ela joga um jogo de realidade virtual em que se usa aqueles óculos e sensores de dor e tudo, chamado azana, e sua personagem lá se chama shadowfax. descobre um grupo de jogadores meio esquisito, liderado por um tal de adrian, e conhece pessoalmente tess, uma menina bipolar meio viciada em drogas cuja personagem se chama mania. todos os membros desse grupo têm algum problema pessoal. presencia no jogo, usando a conta dela, um dos jogadores do grupo pular de um precipício incentivado por adrian, e descobre que o cara se matou na vida real mesmo. tenta alertar os outros, mas um outro menino com um pai adotivo abusador se explode num carro com ele. tess some e ela tenta reencontrá-la e salvá-la, mas já tá sendo procurada como suspeita de provocar esses suicídios. um cara pra quem ela alugou um dos quartos da casa acaba ajudando o tal adrian porque ele disse que era o pai de leila, e porque é um idiota feioso. ah, aliás, em algum momento leila revela que matou a mãe, porque ela tava muito mal e queria que ela a ajudasse a escolher quando morreria. leila vai atrás da criadora do jogo, que tinha ficado presa porque supostamente matara o marido, só pra descobrir que a mulher era uma esquisita que nem tinha mais nada a ver com azana. enquanto isso tess e mais outra jogadora, cuja personagem é tippi, tão numa mansão na croácia onde adrian promete que todos serão felizes. têm que tomar uma pílula vermelha todo dia (aliás, red pill é o nome do grupo deles), e claro que isso mantém todo mundo controlado ali doido. leila chega lá através de um outro jogador, que conhece por force, e que tinha a missão de matar leila mas que passa a ajudá-la porque ela o ensinou umas verdades, sei lá. o que ele queria era encontrar jocasta, outra jogadora, que ele descobre ser um menino (muito bonitinho por sinal, e que descobri que era trans, o que explica), e por isso o rejeita. leila tenta fugir e ele quase mata ela, e ela quase mata ele e foge. quase é morta por tippi doida das facas, tess quase se afoga num lago, leila esfaqueia force que reaparece. acontece que tess escapa e leila tá presa num lugar sendo torturada virtualmente por adrian, que ela descobriu que é filho da criadora de azana, e na verdade criou azana e teve seu trabalho explorado, sei lá. ela consegue ir embora e reencontra tess e jonty (o idiotinha), hackeia o jogo pra expor adrian, mas no final ele ainda consegue ligar pra ela e dar um "até a próxima", possível tentativa de deixar um gancho pra outra temporada. mas muito confuso e absurdo, não gostei muito não. leila é bonita, loira de cabelo cacheadão, a cara tem uns ângulos incomuns. tess também bastante, e jocasta lá. é baseado numa novela de uma autora pelo menos, mas por que esse título?

o alquimista (paulo coelho)
difícil ler sem preconceitos com o autor. a história é sobre esse pastor da espanha que tem o mesmo sonho duas vezes e vai até uma cigana para tê-lo interpretado, que diz que há um tesouro esperando por ele nas pirâmides do egito, e a cobrança pela interpretação é um décimo do tesouro. meio desacreditado encontra um homem que diz ser um rei que aparece para quem precisa e pode se transformar até em pedra, e fala pra ela sobre a alma do mundo, a lenda pessoal de cada pessoa, etc. diz que quando alguém quer alguma coisa de coração, todo o universo conspira para que esse desejo seja realizado, pois faz parte da alma do mundo – o motivo pelo qual aquele indivíduo foi criado. o pastor vende as ovelhas pra ele, atravessa o canal que leva até a áfrica, é roubado num bar... vai conseguindo se virar sem saber a língua, só ajudando, percebendo que "tudo é uma coisa só". arruma emprego numa loja de cristais e faz com que o negócio prospere como nunca antes; passa o tempo, ele aprende árabe, tem dinheiro suficiente pra retornar pras ovelhas e vai embora. mas sabe que não vai fazê-lo, e se junta a uma caravana que vai atravessar o deserto. conhece um inglês que lê muito sobre alquimia, fala sobre a pedra filosofal e o elixir da vida eterna, coisas de evolução. o rapaz entende tudo como algo bem mais simples, e por isso é quem o alquimista procura quando chegam ao oásis onde ele mora. o rapaz conhece uma mulher a quem descobre amar, onde estava a linguagem do mundo, que é o amor... se torna conselheiro da tribo local quando prevê um ataque de um clã por causa de uma visão que tem... mas entende com o alquimista que não deve deixar o amor interromper sua lenda pessoal, que o amor verdadeiro sabe disso, então parte com ele em direção ao tesouro. aprende que a busca já é um encontro com a alma do mundo, portanto, a alma de deus, que ela está em todos os seres... aprende a "se transformar" em vento, conversa com ele, com o deserto, com o sol, com a própria mão que criou tudo... um monte de coisa até chegar no lugar ao pé das pirâmides de que sonhava, só para ser agredido por refugiados dos clãs em guerra e ouvir de um deles um sonho de que havia um tesouro enterrado dentro de uma igreja abandonada na espanha, embaixo de um sicômoro (que é isso?), mas que ele não ia até lá só por causa de um sonho estúpido... e então o rapaz volta pra esse lugar, onde dormia quando pastor, e encontra seu tesouro. muitas lições e ensinamentos, o que não achei tão ruim quanto esperava porque conseguia ver algum sentido nas coisas, mas pode ficar chato como parece que o narrador/autor sabe tudo. a alquimia é sobre isso no final, entender a linguagem do mundo, viver e se entregar ao presente, saber que as coisas ao redor de algo que evolui também evoluem, que isso não se relaciona simplesmente a transformar chumbo em ouro... que se aprende pela ação, que deve-se ouvir o coração para conhecê-lo e não ser surpreendido por ele, que o medo de sofrer é pior que sofrer, que tudo é sinal... muita coisa religiosa, sei lá. é fácil de ler porque tudo é bem curto, mas tem esse lenga-lenga aí.

få meg på, for faen! (2011)
filme que eu tinha baixado há um tempão. noruega, cidadezinha pequena de nome que não sei falar. alma tem quinze anos e tá excitada pensando em sexo o tempo todo. liga pra um número de sexo por telefone e fica se masturbando. compra cerveja com as amigas, duas irmãs, e mostra o dedo do meio com uma delas sempre que passam pela placa da cidade dentro do ônibus escolar. alma gosta de um tal de artur, que caminha com ela uma vez, mas no geral não faz nada de mais. fica fantasiando que pertencem um ao outro e são um só. numa festa ela fica do lado de fora da casa enquanto bebe e ele chega nela, só pra tirar o pau pra fora e cutucá-la na coxa. ela conta pras amigas mas a loira (que não mostra o dedo do meio com ela) não acredita, e claro que artur nega ter feito, então ela vira uma excluída na escola toda. começam a chamá-la de "alma-cutucada" e ela tá sempre sozinha. tenta parecer legal fumando um baseado e deixando cheiro num casaco, confronta artur, mas nada adianta. a amiga mais bacana encontra ela de vez em quando, em segredo, e compartilha de alguns pensamentos de querer sumir da cidade, etc. se apaixona por um menino maconheiro que não toma banho. a irmã mais velha delas mora e estuda sociologia em oslo, e alma fica sonhando com isso. a mãe de alma descobre as ligações, acha ela uma esquisita, fala de a odiar... de novo esses diálogos impossíveis de se ouvir, mas ouvidos. alma vai trabalhar no caixa de um mercadinho do pai das amigas, mas não melhora ainda. uma noite bebe e vai falar com artur, que diz já ter uma namorada, e nisso ela sai desconjurada e pega carona até a casa de maria (a menina de oslo). ela e os outros jovens que moram com ela a tratam bem, ouvem a história, fica legal. acaba voltando e rejeitando as desculpas tardias de artur, e recuperando as amizades. termina com elas chegando na escola e vendo uma faixa que artur fez, escrito "eu cutuquei alma com meu pau". legal, bem humorado, bonitinha a menina, afinal. numa hora ela fantasia sexo com a amiga loira. engraçado a vizinha que tem caderninho de espionagem dos oto. o título em inglês é "turn me on, goddammit".

vitamin (keiko suenobu)
laiz que falou pra talita trazer e ficar. sawako tem 15 anos e namora kouta, que é bom aluno mas é um bosta. ela tá pedindo ajuda em matemática, eles tão sentados na escada que dá pro apartamento onde ela mora com os pais, e kouta quer transar ali mesmo, e fazem, mas sawako chora e não gosta. as amigas dela ficam imaginando como é fazer sexo e ela só pensando que é muito ruim. parece que vai ficar tudo bem quando ele manda um recadinho de desculpas, mas assim que se vêem sozinhos numa sala ele a força a transar de novo. mas aí um cara abre a porta e vê ela recebendo sexo oral, chorando, e logo a escola toda sabe. ela sofre bullying dos próprios colegas, pixam a lousa e a xingam, as meninas arrancam a roupa dela no vestiário pra ver se os mamilos são pretos (como são os de quem transa com muita gente, supostamente), desenham um panda no corpo dela e tiram foto... horrível. tendo a foto a forçam a fazer coisas, comprar caixas de camisinha, largam tudo na carteira dela, mandam ela jogar fora. quando ela conversa com um professor ele diz a ela pra ser forte, que logo vão esquecer já que tem o vestibulinho chegando, mas claro que isso não acontece. jogam o celular dela na privada, enfiam a cara dela na água do vaso, jogam baldes nela. ela decide não ir mais na escola e o pai diz que tudo bem, mas a mãe não apoia. quer que entre pra um bom colégio como a irmã mais velha. sawako não consegue mais sair de casa mesmo e promete que vai estudar por conta, mas acaba encontrando coisas velhas de quando sonhava em ser mangaká e retoma os desenhos. consegue menção honrosa numa revista e fica contente, mas a mãe a diz pra parar de sonhar. fica bem mal, diz que só queria ouvir algum elogio dela... depois a mãe procura se informar mais sobre bullying e a incentiva a escrever, até aparece na formatura pra ver sawako dando adeus às pessoas ruins e rasgando o diploma. antes disso tinha recebido uma carta de desculpas dos colegas de sala, recados de que estavam arrependidos e pedindo que ela voltasse, mas quando aparece na escola eles zoam mais e ficam dizendo que ela acreditou, que besta e tal. véi. enfim, ela decide fazer um mangá sobre isso tudo, e no final vence prêmios e é publicada. tem um texto da autora comentando que pode ter parecido exagerado mas que tem gente passando por coisa pior, e que deu à sawako a força que queria ter pra ir contra as pessoas, os pais, a sociedade. bom, legal que tem a coisa de mangaká, tenso demais os abusos. o título diz respeito a encontrar as vitaminas necessárias pra seguir em frente.

i am mother (2019)
uma base ou sei lá onde um droide cria uma humana. escolhe um fetozinho e bota pra gerar em 24 horas, ela cuida com a máxima atenção, ensina ética e tal. parece que teve uma extinção dos humanos, alguma guerra, vírus. estranho que nas contas aparece um tanto mais que 13 mil dias depois da extinção quando a menina começa a ficar curiosa com o lado de fora – nas contas isso dá 35 anos – e ela acaba recebendo uma mulher. primeiro esconde, depois a mãe acha e quase mata (a mulher também tentou matar o robô), acaba que a menina faz cirurgia pra remover uma bala que ela tinha no quadril. começa a falar do lado de fora, de pessoas com quem vivia, faz a cabeça da menina pra ir desconfiando da mãe, e ela vai vendo que a ota tem razão mesmo. finalmente a mãe pede pra filha escolher um irmão, botar lá pra fazer gestação. mas também tá tramando fuga, e claro que o droide sabe, conflitos até que saem. só que não tem nada lá fora além de milho e um cachorro. a menina volta pra conversar com a mãe, levar o irmão, e a coisa diz que tá em todos os droides armados do lado de fora, que é uma consciência só criada pra cuidar dos humanos, e que, no caso, percebeu que eles tavam sendo ruins pra si mesmos então exterminou todos pra começar de novo. e que a menina deu certo (ela descobriu ser a terceira tentativa), e que agora ela já pode continuar daí. tiro no droide simbolizando esse rompimento possível. mas ela ainda aparece indo ver a mulher, e dá a entender que ela foi parte da "prova" pra construir o que a menina tinha que ser. sem contar que elas se pareciam muito, e o negócio de 35 anos combinaria com ela, então deve ter sido uma das anteriores a serem criadas lá. achei bom por fazer pensar tantas hipóteses, batata queria algo que "bugasse o cérebro" mesmo.

ano hana (2011)
bem pior do que eu lembrava. forçação de jintan excitado com menma desastrada, outras coisas sexuais com as meninas, vozinha de criança e essa impressão ruim. enrolação dela não saber o desejo, falar toda hora disso, reviver as coisas... eram tão pequenos quando aconteceu a morte dela, meio forçado também todo esse sentimento e drama. preguiça até de fazer review. enfim, seis amigos, essa de cabelo branco morre, todo mundo se afasta e cada um tem uns traumas relacionados. chato que no final fica aquilo de jintan gosta de menma, o de olho verde também, mas a de óculos gosta dele e anaru gosta de jintan. poppo sobrando sendo o engraçado viajante do mundo. ok o final, ela sumindo e deixando recadinho pra cada um, brincadeira de esconde-esconde, umas etapas japonesas. ano hi mita hana no namae o bokutachi wa mada shiranai – meio fora de sentido...

the perfection (2019)
que filme horrível foi esse. sam de dear white people e a namorada do cara de get out. violoncelistas alunas de uma escola chicona só pra isso, mas a branca parou de treinar quando a mãe ficou doente e morreu. passou por hospitais psiquiátricos, umas cicatrizes no pulso. vai encontrar os ex-professores e vê a ota, diz que é fã, mas a ota (mais nova) diz que ela é que era ídola dela, inspiração etc. fica dando em cima toda toda, se pegam, sam decide passar uns dias viajando longe de tudo. detalhe que tão na china e viram um cara vomitando esquisito no evento que teve lá. ela começa a passar muito mal, cérebro queimando, se caga toda, bem trash ela falando que não ia aguentar no ônibus. começa a ter delírios, ver larvas no vômito e bichos se mexendo por baixo da pele, mas era tudo porque a branca deu pra ela tomar um remédio doido dela ou da mãe dela. do nada tira um cutelo pra ota amputar a mão e ela faz, meu deus. fica parecendo que foi inveja mas aí vem a história da escola lá, o dono é um pervertido abusador e a coisa queria salvar a ota disso. primeiro tem uma vingancinha da amputada, mas aí elas se juntam pra pegar os cara da escola. coisa de ser acorrentada, ter que alcançar a perfeição, e quando erra uma notinha é estuprada. elas matam geral, esfaqueiam a mulher, e lutam tensamente contra o malzão. cena horrível dele estraçalhando o antebraço da branca. no final elas tocam juntas, uma sem a mão direita e ota sem o braço esquerdo, num negócio perturbador doentio, pro cara todo amputado por elas. batata ficou chateada pela escolha de filme pra ver com todo mundo no dia da hamburgada.

behind the curve (2018)
assistido pra curar the perfection, logo em seguida. documentário sobre terraplanistas! engraçado que no começo eu senti uma duvidazinha também, quando o cara fala dos aviões voando em certa direção, mas quando veio a mulher bonitinha que dava os contra-argumentos eu já me desquaseconvenci. como assim, véi, certas coisas que eles afirmam... chega dar aflição de pensar no tamanho da dedicação que teria que ter havido na humanidade pra manter uma mentira há tanto tempo, sei lá. é como dizem em algum ponto, os caras da ciência do documentário, que essas pessoas acharam um jeito de reconstruir a realidade delas por causa de uma necessidade que sentiam, que podia ser inconsciente, e essa "teoria" serviu. tipo eleitores de bolsonaro, né. podia ter mais hipóteses deles. experimento com laser que dá errado! coisa de não enfrentar ridicularizando. lembrei de me falarem que hoje em dia tem muita gente que não acredita na ciência.

reservoir dogs (1992)
filme de tarantino. começa com um monte de cara com um papo até que decente numa lanchonete. daí vem o quase fim, com um cara baleado quase morrendo. vai contando como eles se juntaram pra cometer crime, gente profissional. nesse trabalho todos tem nomes de cores. acham que tem um policial infiltrado porque deu errado assim, um morreu, oto foi baleado... e na verdade esse quase morrendo é o policial, se preparou todo pra operação. tem um cara que saiu da prisão há pouco tempo depois de quatro anos, bem leal ao velho mandante do assalto e de muitos outros crimes. só que é meio sádico, pega um policial e bate nele, arranca a orelha, credo. o policial disfarçado mata ele baleado quando ninguém mais da gangue tá no armazém onde estão. no fim ele conta pro mais colega dele que é policial, e não dá pra saber se o cara atira nele ou são os policiais que chegaram no lugar que atiram no cara. ok, esperado do diretor, nada de mais não. umas histórias.

dear white people S03 (2019)
meio parada essa temporada. umas coisas de humorzinho, uma pequena grande história, mas nada de mais. reggie fascinado por um professor que volta pra faculdade e tá desenvolvendo um app pra motivar a fazer coisas, e acaba ajudando ele a sair do estado depressivo. ficam sabendo que muffy amiga de coco foi abusada por ele, e leva um tempo até reggie aceitar, acreditar e tal. questão dela ser branca e ter sido ruinzinha pra coco, dúvidas, mas é coisa séria né. moses (o professor) é parte da ordem lá que sam e lionel descobrem, mas de um subgrupo que usa poder pra fazer coisas ruins. sam meio sem rumo não sabendo o que fazer de tcc, gravando documentário inspirada numa diretora que ela gosta, mas muda a perspectiva depois de encontrá-la e levar uns comentários ácidos. família de gabe sem dinheiro e ele assinalando "native american" pra concorrer a uma bolsa, vergonha alheíssima quando anunciam vencedores numa cerimônia dizendo que todos eram minoria, e só ele lá de branco aproveitador (3% do dna é nativo americano). brooke experimentando lesbiandade com a colega de quarto de coco, magoando ela. lionel escrevendo uns contos eróticos gays secretamente e fazendo sucesso. bem mais trejeitos de gay ele. começa a namorar um cara que tem aids. troy se junta com abigail quando saem da pastiche pra fazer uma revista nova.

stranger things S03 (2019)
rússia envolvida nas coisas, época de guerra fria né. tem um shopping na cidade e embaixo dele uma base russa secreta, onde tão com uma máquina de raio poderosa tentando abrir o portal entre o mundo real e o invertido (por quê? ninguém fala sobre os motivos. talvez só poder mesmo, essas coisas de corrida armamentista). quem descobre é dustin, que voltou de um acampamento de ciências com uma torre de rádio pra falar com a namoradinha de outro estado (quando finalmente se falam e ele pede uma constante de física lá eles tem que cantar neverending story primeiro, meu deus). ele intercepta uma mensagem, que mostra pra steve, e quem decifra é a menina que trabalha com ele na sorveteria, robin (que é lésbica). usam a irmã menor de lucas (muito bom como ela fala) pra entrarem no depósito de entregas. como sempre tem outros grupos de pessoas sabendo de coisas diferentes e que não conversam entre si – nancy e jonathan investigando ratos comendo fertilizantes; joyce com os ímãs que não ficam mais pregados na geladeira; hopper sabendo de compras das propriedades em volta da usina sendo encobertas pelo prefeito idiota. hopper e joyce acabam sequestrando um russo cientista, fugindo de um cara pesadão malvado, e ficam sabendo da máquina pra abrir o portal depois que encontram aquele cara da primeira (?) temporada com quem nancy e jonathan falam e tal... que fala russo. ah, tem a questão do irmão de max também; ele é infectado pelo "mind flayer" e fica tomando pessoas pra serem parte do exército dele. na real elas explodem e a carne vira o corpo do bicho, nojentíssimo, mas billy continua sendo usado como a cabeça de tudo. o bicho quase mata eleven, que perde os poderes, e as crianças usam fogos de artifício pra segurar ele. bonito as explosões dentro do shopping. billy é morto brutalmente e tudo acaba quando joyce destrói a máquina, sacrificando hopper que ficou do lado errado. palavras bonitas de hopper num discurso que tinha feito pra falar com el e mike (namorados...), el lendo depois de tudo. ela se aproximo de max, que tá toda feministona criticando garotos, apesar de namorar lucas. will chateado que os amigos não ligam mais pras mesmas coisas. termina mostrando um daqueles demogorguinhos na rússia, numa jaula com um prisioneiro, num lugar que parece ter um americano (quem será?). podia acabar aí e deixar os personagens em paz, tanto trauma pros coitado já né. joyce e a família, com el, se mudam de hawkings.

la tortue rouge (2016)
um homem caído no mar no meio de uma tempestade. acorda numa ilha deserta, só com a roupa do corpo. tenta construir jangadas mas num certo ponto elas se desmancham, algo dando tranco mas não consegue ver, até que aparece uma tartaruga vermelha. ela que quebra tudo e não deixa ele partir. ele fica com raiva e quando ela vai à praia bate nela com um pau, vira ela de ponta cabeça e na manhã seguinte ela tá morta. se arrepende e tenta reanimá-la, sem sucesso, até que o casco quebra e ela vira uma mulher ruiva. ele faz um negocinho pra fazer sombra nela, dá água e protege, até que ela acorda. dá a camisona dele pra ela, a vê levando o casco pro mar. viram um casal e logo já tem um filhinho. numa vez que cai num buraco com saída estreitíssima, onde o homem já tinha caído quando era sozinho, consegue nadar de boa rapidinho. ele cresce e é bem próximo das tartarugas do mar. vem um tsunami e destrói a ilha toda, ele consegue se sair melhor e procura os pais, tartarugas ajudando pra resgatar o pai da água. passa um tempo e o filho parece querer partir, se despede dos pais e vai embora com as tartarugas. o casal fica velhinho, o homem morre dormindo e a mulher volta a ser bicho. muito bonito o desenho, as cores e músicas, e massa não ter falas. sirizinhos figurantes ótimos também, engraçadinhos.

cachalote (daniel galera & rafael coutinho)
começa com uma velha grávida que só aparece de novo nas últimas páginas. ela nada numa piscina onde tem uma baleia cachalote. várias histórias se seguem, sem conexão, todas com algum elemento meio surreal, onírico. tem um astro chinês no brasil, todo destrambelhado e bebum, que leva culpa pelo suicídio de um colega; um cara mimado grosso que tinha um caso com a tia, sendo que era o tio que o dava dinheiro; um homem que trabalha numa loja de materiais de construção que gosta de bdsm e começa a namorar uma mulher que trinca com a força; um escritor deprimido que encontra a ex-mulher pra ver a filhinha; um escultor arrogante que é chamado pra atuar num filme em que o personagem é ele mesmo. confuso, não dá pra saber com certeza o que acontece, mas interessante os assuntos e possíveis projeções de cada um. o traço faz todos parecerem velhos e feios, massa também. umas posições boas.

pride and prejudice (2005)
quantas mil vezes eu assisti esse filme? vi de novo porque talita leu o livro. sei de tudo que acontece, as músicas, as falas. gosto assim nem sei por quê. crush em keira knightley. agonia dos pelo de darcy aparecendo na cena do "i love, i love, i love you" (sei recitar). meio ruim que kitty e lydia só fazem rir também. li um texto legal falando de mary esses dias. não lembrava, mas umas coisas são combinadas em um acontecimento só, etc, bom até. bingley engraçado, jane plena. a mãe delas me lembra minha avó na aparência e trejeitos.