quarta-feira, 31 de maio de 2017

lidos em maio

depois de um atraso enorme dos correios recebi click, da samanta flôor. é uma HQ sobre essa menininha que encontra uma câmera guardada no sótão e sai fotografando tudo, sem perceber que o que é vivo vai morrendo e o que é morto vai "despertando". tem também um moço que faz retratos e passa a enxergar apenas caveiras nos rostos das pessoas – ele até que consegue sucesso com isso, mas quando a garota o encontra não dá muito certo. matheus gostou bastante quando leu e saiu fotografando também, apesar de ter ficado apreensivo de que fosse acontecer algo sobrenatural. além disso a samanta mandou três, zine que conta um pouco sobre a infância dela e dos irmãos nos anos 80, e fiquei feliz porque eu queria ele também mas tinha ficado receosa de gastar (ela só escreveu "obrigada, stephanie!" na primeira página de click, então acho que só vale para os realmente comprados).


pelo kindle unlimited li salt, de nayyirah waheed. são poemas curtos e muito impactantes sobre uma variedade de temas, mas principalmente questões negras e a vida das mulheres. são simples e diretos como socos no estômago; penso que na mesma linha dos poemas da rupi kaur, que tem sido popular por esses tempos. gostei de tantos que isso aqui vai ficar imenso, mas vale a pena.

there
are feelings.
you haven't felt yet.
give them time.
they are almost here.
– fresh
when you are struggling
in your
writing (art).
it usually means
you
are hearing one thing.
but
writing (creating) another.
– honest | risk
my heart is in my mind. i think this is why i am an artist.
i don't pay attention to the
world ending.
it has ended for me
many times
and began again in the morning.
[sobre não conseguir se interessar em se inteirar sobre as bostas acontecendo no brasil e no mundo...]
you
see your face.
you
see a flaw.
how. if you are the only one who has this face.
– the beauty construct
we lay
in our country.
love makes us a homeland.
– bed
you travel
to lush looted countries.
parts of earth laying on their sides.
barely breathing.
hot with rust, infection, and tourist anemia.
you and your camera arrive.
start tearing at bodies
with
your lust.
it's harmless.
appreciating culture.
sharing.
honoring clothing.
the way certain skin exists.
oh
you've sold those photographs.
the ones you were so excited about.
the one you 'caught' with children being children.
the one with the woman you thought so 'beautiful.'
you and your camera
eat
as much as one stomach and three sd cards can hold.
get on a plane
and
leave with the belief
that your eyes are
clean.
honest.
artistic.
– photography | the gaze
[essa é um tapaço na cara. pensei até em aldivo e fotos de mendigos na rua.]
my whole life
i have
ate my tongue.
ate my tongue.
ate my tongue.
i am so full of my tongue
you would think speaking is easy.
but it is not.
– for we who keep our lives in our mouths
i will tell you, my daughter
of your worth
not your beauty
every day. (your beauty is a given. every being is born beautiful.)
knowing your worth
can save your life.
raising you on beauty alone
you will be starved.
you will be raw.
you will be weak.
an easy stomach.
always in need of someone telling you how beautiful you are.
– emotional nutrition
getting yourself together.
what about undoing yourself.
– the fix
racism is a translucent skin.
it defends itself
by
attacking itself.
– reverse racism
[porra, perfeito.]
you.
not wanting me.
was
the beginning of me
wanting myself.
thank you.
– the hurt
be insecure
in peace.
allow yourself
lowness.
know that it is
only
a
country
on
the way to who you are.
– travelling
if
we.
are
with child.
and
you believe that fatherhood
begins
when my body pours a baby into your hands.
not before.
you do not deserve this child.
you are a coward.
– you are a father the moment you enter me
i lost a whole continent.
a whole continent from my memory.
unlike all other hyphenated americans
my hyphen is made of blood. feces. bone.
when africa says hello
my mouth is a heartbreak.
because i have nothing in my tongue
to answer her.
i do not know how to say hello to my mother.
– african american ii
[pesado demais.]
i want to see
brown and black folks
photographed
by
brown and black eyes.
– eyes
listen to my poems.
but
do not look for me.
look for you.
– you
and what if i write of you.
is that more love than you can handle.
when i am afraid to speak
is when i speak.
that is when it is most important.
– the freedom in fear
something as simple as
the
sun
asking me
out.
– the perfect date
i do not expect my child's respect.
just because i have given birth to their life.
does not mean they owe me.
anything.
what i want most is to look into my child's eyes
and
see
that i have given birth
to
a
heart.
have
honored.
held and fed.
someone's heart.
from the moment we first met.
and they love me for this.
– first
i loved you
because
it was easier
than
loving myself.
– runaway
[doeu.]
remember.
you were a writer
before
you ever
put
word to paper.
just because you were not writing
externally.
does not mean you were not writing
internally.
– stories
knowing your power
is what creates
humility.
not knowing your power
is what creates
insecurity.
– ego
if i have never seen you cry.
if you do not cry.
if you do not value or respect the needs of your water.
you and i cannot form.
if you cannot allow your own being
to wash over you.
how will mine ever make it past your skin.
– available
[opa, relatable de novo.]
a lie
is
simply a lie.
it draws its strength from belief.
stop believing
in
what hurts you.
– power
do you think
calling me 'angry'
is an insult.
every time you call me 'angry'
i hear your voice salt with guilt
and
i laugh.
look how easy it is to reveal you.
– anger is a healthy and natural response to oppression
it's not about making you uncomfortable.
it's about making me comfortable.
– reparations
[bem simples.]
you ask
your heart
why it is always hurting.
it says
'this is the only thing you will allow me to say to you.
the only feeling you are willing to feel.'
'i love myself.'
the
quietest.
simplest.
most
powerful.
revolution.
ever.
– ism
her love.
was the only medicine.
the only
medicine.
that ever worked. and this is why
she left.
she
wanted yours to work.
too.
– healer
[(suspiro)]
i have lost millions and millions
of words to fear.
tell me that is not violence.
– the deaths
for me
there is no other.
because there is no default.
everyone
is
a variation of life.
– the human being | the human gender | the human sex
[foda.]

depois li os meninos morenos, do ziraldo. são memórias de sua infância despertadas após uma viagem à guatemala, onde conheceu o poeta de origem maia humberto ak'abal (que tem alguns poemas inseridos no livro também). sua poesia trata de seu pueblo e dos meninos cuja identidade tanto se assemelha aos meninos de ziraldo, além de que são "filhos da mesma floresta". foi uma delícia de leitura: pequenos trechos, desenhos e poemas que puxam um sorrisinho que vem lá da alma. bastante simples e curto mas, como fez salt, dá brecha a vários pensamentos que perduram. a seguir os muitos pedaços que me chamaram atenção.

Eles transferiram as cores de seus pássaros e de suas flores para suas roupas e para seus enfeites. Creio que uma menina cor de terra desses lugares jamais perguntou à sua mãe qual cor combinava com outra. Ali, todas as cores combinam.
Era pouco mais do que um córrego, com belos remansos escondidos entre bambuzais, onde os meninos nadavam escondidos e morriam de esquistossomose, pois achávamos engraçadinhos os caramujos que vinham colados em nossas canelas quando saíamos da água.
[risos de desespero.] 
AQUELA GOTA D'ÁGUA
Aquela gota
que se desprendia do teto
da minha infância -
a única que ficava
depois da chuva -
continua pingando
na minha memória.
Quando nós chegamos na porteira, quem primeiro nos viu foi o Zulu. Ele veio correndo, todo feliz, abanando o rabo, nervoso, pulando sobre a gente, pulando no colo do meu pai, derrubando eu e meu irmão, fazendo a festa de quem não sabe o que é guardar rancor.
Antes dos seis anos de idade, nossa memória não consegue guardar as coisas com muita nitidez. Tudo parece se confundir com os sonhos, são como fotografias fora de foco.
Eu ventava!
A gente precisava conversar muito com os pais e com os avós, fazer perguntas, ir atrás das respostas.
O trem fazia manobras em frente de casa. Ia e vinha, dava apitos curtos, soltava fumaça como se respirasse seu cansaço. Seus ruídos cadenciados ficaram gravados na memória como o tema musical de um filme inesquecível.
Meu segundo irmão havia nascido. Meu avô havia feito o parto. Ele foi o homem mais habilidoso que jamais conheci.
[essa coisa do avô foi bastante pertinente pra mim, já que li num dia em que só tinha a gente na chácara com a vó e o vô. ele fez críticas à reforma da casa do tio joão, comentando como ele sabe o jeito certo e outros acontecidos relacionados.]
Foi cheia de adjetivos inadequados a noite que está na minha memória com todos os seus detalhes: o cerimonial do nascimento do meu segundo irmão. Mesmo assim continuei, por muito tempo, acreditando que as crianças chegavam à vida trazidas no bico de uma cegonha. Até o dia em que, diante de alguém tentando me contar mais uma vez a velha história, ouvi meu estabanado avô berrar: "Que cegonha, coisa nenhuma! Conta a verdade  pro menino! No país que tem passarinho de tudo quanto é jeito voando nessas matas, o povo vem inventar uma desgraça duma ave que nunca voou por aqui!". Eu perguntei, então, que passarinho era o portador dos bebês. O velho ferreiro berrou mais alto: "O passarinho é o que entrou na barriga da sua mãe, sô, um homem dest'amanho!".
Conto isso para lembrar minha mãe explicando para as amigas, com o maior bom humor, o que acontecia com seus meninos morenos quando chegava o verão cheio de sol: "Meus meninos estão tão queimadinhos que dá pra riscar as paredes com eles!". Às vezes ela nem explicava se era parede, muro ou calçada. Dizia apenas: "Eles estão riscando!".
A descoberta é esta: os negros têm a nuca igual a de um número dois. Os árabes, igual a de um número um.
[procurei imagens depois (o que não adiantou muito) e constatei que é verdade, por mais curioso que seja.] 
NA POÇA
Na poça
havia muitas estrelas;
pedi a meu pai
que as tirasse dali.
Ele removeu a água
gota a gota
e pôs as estrelas
nas minhas mãos.
Ao amanhecer
eu queria saber se era verdade
que ele as havia tirado da poça.
E era verdade, na poça
só restava o céu.
O GALO
Este galo já está velho,
amanhã já não o deixaremos cantar.
No dia seguinte
o galo amanheceu morto.
Eu creio que ele escutou
o que se disse na casa
e, de noite,
morreu de tristeza.
OVELHAS
O céu
é uma grande planura.
Ali, pastam ovelhas
lanosas e gordas,
brancas,
cinzentas,
negras.
Elas caminham sobre o céu,
por isso
não vemos suas patas.
Já o carrapato a gente deixava alguns passeando pelo corpo antes de ir dormir para, depois, ficar com o dedo passando o carrapato, preso ao corpo, pra lá e pra cá, pra lá e pra cá, até achar que era hora de arrancá-lo da pele e ficar com saudade da intimidade perdida.
[risos de desespero².] 
CADA UM COM SUA SOMBRA
Amanhece.
O sol come a neblina
e começa a pintar
caminhos,
árvores,
casinhas,
bichos,
gente...
E pra cada um
faz uma sombra.
NO CHÃO
A lua
busca algum buraquinho
nas casas de pau a pique,
entra
e se senta no chão.
Cada nome pronunciado significava aprovação. Ouvido seu nome, o menino ou a menina abandonava o pátio e subia para a varanda que o circundava. E se postava ali, olhando os náufragos que ainda restavam, boiando perigosamente no mar de tijolos crus do pátio.
Todas as comidas feitas de véspera, as camas desfeitas, a casa sem varrer, nem brincar, nem falar alto, ruído nenhum. Qualquer barulho aumentaria a dor nas chagas de Cristo. Era sexta-feira da Paixão e meu pai, cedinho, nos acordava e, bem baixinho, explicava pra gente como devíamos agir naquele dia e dissertava sobre o que era respeito, e a gente achava sensacional o desafio de ficar quietinho um dia inteiro.
A gente não estudava. Não tinha tempo. A gente brincava. Quando chegava, porém, a época das provas, tome angústia. A noite inteira acordado, o abajur aceso sobre o livro de Ciências, a lista dos pontos, os pés dentro de uma bacia de água para não dormir (como fazia Machado de Assis, coisa que a gente aprendeu lendo e não estudando).
GUARDABARRANCA
Guardabarranca:
teu canto é como
um rolar de pedrinhas
caindo na água do rio.
ÀS VEZES, RIOS
Se tem água
são rios.
Se não,
são caminhos.
Queria fazer um filme com os meus meninos morenos! Em vez de neve, meu filme teria o nevoeiro das manhãs de inverno do vale onde nasceu minha cidade; em vez de febre do feno, a revoada das folhinhas de samambaia da época das queimadas, que se desfaziam em cinzas quando tocadas; em vez de um louco na motocicleta, atravessando a cidade como um bólido, meu filme teria os cavalinhos do João Bobo, com ele montado em pelo e gritando sai da frente, sai da frente, e sumindo no fim da rua. E teria a doida que respondia com pedradas quando os meninos a chamavam de Bodoque de Banda, porque ela andava meio torta; ela no lugar do louco gritando, no alto da árvore, que queria una donna. E botaria no filme, também, um ditador que amava as crianças e as saudava em belos cartazes e que tinha inventado um outro feriado, dois dias antes do Grande Feriado Nacional. Nesse dia todos os meninos morenos marchavam ao sol do meio-dia e desmaiavam na hora dos discursos cívicos. De desnutrição. No Dia da Raça. Finalmente, o cenário seria um quadro que descobri de Portinari (que, ao longo da vida, pintou seu Amarcord).
[alex comentou uma vez sobre fellini, não lembro em que ocasião (pesquisei e foi quando mostrei vídeo de viagem de dani&paulo à itália; comentou que gostava do cara e tinha visto amarcord e um outro filme). ainda não assisti nada dele mas lembro de ter anotado esse aí.] 
O prefixo do jornal da Fox misturava uma quantidade infinita de cenas, todos os assuntos possíveis, rodando freneticamente na tela. Minha mãe dizia que a cabeça do seu filho parecia com aquela cena. "Esse menino tem cabeça de Fox!"
A LUA
A Lua
triste na sua solidão,
a despeito de viver
entre estrelas,
balangando no céu,
deseja
desesperadamente
estar na Terra.
Se deita no fundo
de qualquer poça.
O rádio começou a tocar a Tannenbaum – hoje eu sei que a canção se chamava assim – e era a canção mais linda que eu tinha ouvido até então. Vi os olhos do meu pai brilhando contra a luz da Lua, e ele falou para quem quisesse escutar, ele que era marrom-escuro, muito marrom mesmo, bonito, e estava mais bonito ainda naquele momento, e ele falou: "Esta música me dá uma saudade imensa de uma coisa que eu não vivi".

eu pretendia terminar mayombe no primeiro mês do kindle unlimited mas percebe-se a falha catastrófica. pelo menos li coisas bacanas, além de umas histórias daquele livro encantamento – contos de fada, fantasma e magia pro meu irmão e dois contos, a queda da casa de usher (edgar allan poe) e you were perfectly fine (dorothy parker). esse do poe li porque ia ter uma peça de teatro baseada nele na biblioteca municipal; li em voz alta, pois queria que minha mãe também soubesse, e achei muito bom. a eloquência do autor nas palavras e na condução da história me desencorajam a ler os originais em inglês, mas tudo bem – afinal, tenho em casa um livro inteiro me esperando. sobre a peça: era composta por alunos do colégio antares, acho que do 5º ano, e dentre as pessoas que foram assistir nós éramos os únicos sem parentesco com eles. tinha aquilo de vários atores fazendo o mesmo personagem, o que acho massa pra conseguir passar várias nuances; houve uma adaptação pra que durasse uns 10 minutos e não foi lá aquelas coisas, mas dá pra dar um desconto pelo entusiasmo da professora e pela dedicação dos bichinhos. o outro conto eu li porque tava procurando saber sobre a autora, de quem john green citou uma frase ("what the fresh hell is this?") num vídeo do vlogbrothers. aparentemente ela é bem famosa nos estados unidos; li alguns poemas também e percebe-se temas como depressão, amor e etc, além de algum desdém. bacaninha.

terça-feira, 30 de maio de 2017

assistidos em maio

finalmente vi capitu, minissérie da globo de 2006, e gostei bastante; já sei tudo sobre dom casmurro mas me chamou atenção o uso de um só espaço como cenário de praticamente toda a história e a forma extremamente teatral com que tudo é colocado. o ator que faz bentinho jovem continua muito pedrinho pra mim, mas todas as atuações foram incríveis. além de tudo existe uma inserção na contemporaneidade, mostrando o rio de janeiro cheio de tráfego e pixo; usando músicas de black sabbath, jimi hendrix e pink floyd (além de elephant gun do beirut representando o casal muito bem); capitu tem até tatuagem. achei o final perfeito, com o velho casmurro se retratando com pedaços dos tantos personagens que o foram construindo (aqui não chega a mostrar, mas é legal também).

olha a cara desse escobar, sinceramente. acho que é o ator que fez macário em toqéspd (e sim, preciso ~ativar o windows).

esse mês foi o que vi menos longas metragens até agora. acho que se tratando de filmes minha memória é um pouco mais flexível, além de que é bem mais fácil consultar e rever esse tipo de mídia, então não acho que seja necessário me prolongar muito neles. fantastic beasts and where to find them (2016) acabei assistindo por impulso, sem grandes planejamentos, e achei bem gostosinho – aquela vibe de harry potter mas com focos distintos e bastante interessantes, cenário dos twenties norte-americanos e inúmeras referências. única coisa que eu não esperava era ver johnny depp como grindelwald no final (sinceramente, why). já interstellar (2014) eu tava querendo rever há algum tempo, tanto pra tentar captar melhor as coisas quanto simplesmente por prazer, porque né, filmão. pude entender melhor o fim com essa explicação e aqui tem um bom resumo. quanto à anna karenina (2012) foi só um "foda-se, vou assistir antes de ler o livro mesmo", porque não me vejo terminando de ler muito cedo. achei massa, tem aquilo de cenário de teatro igual a capitu, além de ser bastante agitado, completo e bem caracterizado; até o trailer é muito bem feito. potencialmente um filme melhor que pride & prejudice, se eu conseguisse desapegar; só acho engraçado que a keira knightley protagoniza três filmes de sucesso do joe wright, mas ok.

melhor cena, que coisa marlindinha mds.

ano passado eu vi a primeira temporada de vikings, seriado do history. resolvi assistir à segunda só agora e já tava meio esquecida das coisas; depois vi que a wikipedia tinha um resumo bem bom e por isso vou me apoiar nele pra escrever sobre:
• season 1 (2013) - ragnar lothbrok é um escandinavo que anseia viajar pelos mares para descobrir novos territórios e civilizações, mas pra isso precisa da permissão do governante de seu povoado, kattegat. graças a seu amigo floki (melhor personagem) ele consegue uma embarcação capaz de servir seus propósitos, e depois de receber apoio de outros homens (incluindo seu irmão rollo, que cobiça lagertha, sua esposa e guerreira fodona) sai a navegar. acho que ele usa alguma coisa meio inovadora pra se orientar, tipo aquilo da bacia com água e etc, mas não tenho certeza. de qualquer forma, eles chegam à nortúmbria, ao noroeste da inglaterra, destroem um mosteiro e saqueiam o povoado, além de levar um monge com eles, o coitado do athelstan. tô lembrando aqui que em algum momento eles conversam com o rei de lá e tal, rollo até aceita ser batizado no cristianismo pra "fazer valer" o acordo deles. acho que é quando retornam à escandinávia que ragnar entra em conflito com o earl haraldson – eles lutam até a morte (de haraldson) e ragnar toma seu posto. depois eles vão à uppsala, um tempo onde clãs se reúnem anualmente para cultuar seus deuses (com muito sangue e ebriedade, inclusive), e ragnar jura lealdade ao rei dinamarquês horik. por causa disso, ele atua como seu representante nas negociações da posse de terras de jarl borg, governante godo, e nessa incursão conhece a princesa aslaug, com quem se envolve. enquanto isso, em kattegat, uma praga dizima grande parte da aldeia, incluindo sua jovem filha, gyda. rollo, que já tinha se aproximado da esposa do falecido earl (siggy) e tido inflamados seus pensamentos de ambição e amargura de viver à sombra do irmão, é manipulado pelo jarl para se aliar a ele contra ragnar.
• season 2 (2014) - rollo luta ao lado de jarl borg mas quando confronta seu irmão se recusa a lutar e se rende (eu realmente esperava que ele tivesse uma coragem menos frágil, apesar da situação – medo da claridade dos olhos do travis fimmel e floki quase morre nessa bobeira, eita). ragnar acaba convencendo os dois governantes a entrarem em acordo a respeito do território e se unirem para empreender novas expedições marítimas com ele. quando retornam rollo é julgado pelo representante das leis local, que o poupa da morte ao receber suborno de ragnar. aslaug aparece em kattegat grávida de ragnar e lagertha o abandona, humilhada por isso e por sua sugestão de tomar a princesa como segunda esposa (considerando que lagertha tinha tido apenas um filho, björn). passam-se quatro anos e haja filhote de ragnar – o rei horik o pressiona a respeito de novas incursões à inglaterra e começam então a se preparar para isso. rollo, que se tornou autodestrutivo e miserável, pede o perdão do irmão e sua permissão para ir na expedição, embora só obtenha sucesso no primeiro. ragnar exclui jarl borg da viagem à pedido do rei, o que resulta na invasão e domínio de kattegat por ele enquanto os outros atingem wessex. avisado sobre a tirania de jarl borg, ragnar retorna às pressas e acaba recebendo o apoio de lagertha (e björn, já crescido) para retomar seu povoado. ela, que tinha se casado novamente, torna-se earl ingstad depois de matar seu abusivo marido e reúne muitos guerreiros para se unir a lothbrok. mais tarde voltam à inglaterra, onde conseguem concessões de terras e acordos como mercenários após uma violenta batalha, que quase leva à morte de rollo (que dessa vez pôde ir, já que tinha ajudado a família do irmão a fugir e se esconder). athelstan, que tinha "voltado a ser monge" ao ser capturado e ficar sob os cuidados do rei ecbert (de wessex), se encontra atordoado pela sobreposição das duas religiões com que teve contato, mas acaba retornando à escandinávia com os vikings. outro conflito ocorre, dessa vez cultivado pelo próprio rei horik – ele tenta convencer floki a ajudá-lo a se rebelar contra ragnar, além de encarregar siggy de assassinar os filhos do earl, mas os dois revelam seus planos e ele é executado ferozmente por ragnar, que portanto se torna rei. (parece que acontece coisa demais nessa temporada, ôxe. ou é por que eu lembro de mais detalhes por estar mais fresco?)

rei ragnar sobre a montanha.

notas: olhando coisas relacionadas li que vikings é a denominação daqueles que saíam para invadir, por isso chamo ragnar de escandinavo no começo do resumo; sempre tenho a impressão de que o ator que faz rollo me lembra alguém e não sei quem – já considerei até o kristoff de frozen mas não faz muito sentido; o cara que faz o floki (acho ele muito bonito, sério) é filho daquele ator sueco stellan skarsgård que faz nymphomaniac e the girl with the dragon tattoo, e irmão do menino de simple simon (tem mais um irmão cujo rosto também reconheço mas não vi filme com ele), absurdo; outra coisa que descobri é que berserker significa "bare skin", designando guerreiros que lutam sem escudo ou defesas para se honrar perante os deuses (rollo é um deles); aparentemente essa música viking foi popular o bastante pra sobreviver até notas musicais serem inventadas para que fosse registrada.

acho que até amanhã não vou ver mais nada, então é isso. [edit: vi pedaços de gladiator (2000) no tnt mas não prestei tanta atenção nem me interessei o suficiente pra procurar o começo pra ver por completo.]

quinta-feira, 11 de maio de 2017

leituras deste ano até aqui (parte 1)

será que tá liberado escrever de qualquer jeito nesse blog? a eu de agora não liga nada pra isso mas antigamente eu usava maiúsculas e acentuação direitinho... parece mais natural pra mim escrever assim, me sinto menos prepotente, de alguma forma. (pra citar sylvia plath: "pensei que o começo com letra minúscula significava que nada jamais começava pra valer, mas apenas fluía do que acontecera antes.") enfim, acho que não tenho escolha a não ser começar de trás pra frente isso aqui; primeiro o que é mais recente, indo até onde eu alcançar. dia 27 do mês passado eu escrevi sobre tudo o que vi e li até então, mas não desenvolvi muito nenhuma coisa. vou pegar o que já anotei e ir reformulando e completando.

a primeira coisa que li esse ano foi claro enigma, de carlos drummond de andrade. eu gostei bastante dos poemas, vira e mexe tinha algum que se destacava ou alguns versos que me chamavam a atenção em especial. não sou de entender poesia com naturalidade e não captei tanto a proposta de "busca do equilíbrio entre o passado e o presente através da retomada de formas clássicas" (até porque não fico analisando estrutura de poema e etc), mas percebo e aprecio a nostalgia e o lirismo contido no livro. não li com pressa nem nada, até reli algumas coisas, mas tenho a impressão de que podia ter me dedicado mais – ou talvez seja a pressão de ter a exigência dessa leitura para o vestibular da USP. (a seguir: pedaços de poemas)

O mundo não tem sentido.
O mundo e suas canções
de timbre mais comovido
estão calados, e a fala
que de uma para outra sala
ouvimos em certo instante
é silêncio que faz eco
e que volta a ser silêncio
no negrume circundante.
– 
O amor não nos explica. E nada basta,
nada é de natureza assim tão casta
que não macule ou perca sua essência
ao contato furioso da existência.
Nem existir é mais que um exercício
de pesquisar de vida um vago indício,
a provar a nós mesmos que, vivendo,
estamos para doer, estamos doendo.
– 
Pois ele sou eu. Repara:
tenho todos os defeitos
que não farejei em ti,
e nem os tenho que tinhas,
quanto mais as qualidades.
Não importa: sou teu filho
como ser uma negativa
maneira de te afirmar.
– 
e o menino crescerá sombrio, e os antepassados no cemitério
se rirão se rirão porque os mortos não choram.

depois li a solidão dos números primos, de paolo giordano. tinha visto esse livro há muito tempo, não sei nem onde, mas tinha me interessado só por causa do título e da capa. é sobre um casal de colegas, mattia e alice, cada um tendo algum tipo de trauma que acaba levando-os a compartilhar uma espécie de solidão provocada pela inadequação. mattia tinha uma irmã gêmea supostamente autista (do jeito que ela é descrita parece muito mais algum retardo mental) e, num dia que tinham sido convidados pra uma festa de aniversário de um colega de classe, deixa-a sozinha numa praça por ter vergonha dela. a menina desaparece e ele se culpa pro resto da vida, adquirindo um costume de automutilação e indiferença que se tornam parte dele. alice sofreu um acidente envolvendo ski, que só fazia por pressão do pai, e por isso uma das pernas é debilitada; tem transtornos alimentares e sofre bullying na escola, além de ser distante dos pais. os dois se aproximam quando vão estudar na mesma escola, mais tarde, e criam um afeto romântico que acaba não sendo desenvolvido – mattia escolhe estudar fora a persistir em alice e ela fica com um médico do hospital onde a mãe é internada depois de adoecer. o fim é alice visitando o parque onde a irmã de mattia foi deixada, observando a água do rio e o céu... a história tem uma atmosfera meio suspensa, sólida, e não gostei muito, esperava mais. (trechos do livro abaixo)


Detestava a ideia de que toda atitude sua parecesse sempre tão irremediável, tão definitiva. Na sua cabeça, chamava isso de o peso das consequências, e tinha certeza de que aquilo era mais um dos aspectos obstrutores do pai que, em todos esses anos, enraizara-se em seu cérebro. Ela desejava, com avidez, possuir a despreocupação das meninas da sua idade, o sentimento vazio de imortalidade. Desejava toda a leveza dos seus quinze anos, mas, na busca por alcançá-la, despertava a fúria com que o tempo de que dispunha se esvaía. Assim, o peso das consequências tornava-se, na verdade, insuportável, e os seus pensamentos se punham a girar cada vez mais velozes, em círculos cada vez mais apertados.
Os números primos são divisíveis apenas por um e por si mesmos. Estão em seus lugares na série infinita dos números naturais, comprimidos entre dois, como todos, mas um passo adiante em relação aos outros. São números suspeitos e solitários, e por isso Mattia os achava maravilhosos. Algumas vezes pensava que naquela sequência houvesse finitos, que, por engano, tivessem ficado presos, como pequeninas pérolas enfiadas num colar. Outras vezes, no entanto, suspeitava que eles também gostariam de ser como todos, apenas números quaisquer, mas que, por algum motivo, não tinham sido capazes. Este segundo pensamento lhe ocorria sobretudo à noite, no emaranhado caótico de imagens que precede o sono, quando a pente está demasiado debilitada para contar mentiras a si mesma. Em um curso do primeiro ano, Mattia tinha estudado que entre os números primos existem alguns ainda mais especiais. Os matemáticos os chamam de primos gêmeos: são casais de números primos que estão lado a lado, ou melhor, quase próximos, porque entre eles sempre há um número par, que os impede de tocar-se verdadeiramente. (...) Mattia achava que ele e Alice eram assim, dois primos gêmeos sós e perdidos, próximos mas não o bastante para se tocar de verdade. Ele nunca dissera isso a ela. Quando imaginava confessar-lhe essas coisas, a sutil camada de suor das suas mãos evaporava completamente, e durante longos dez minutos não era mais capaz de tocar nenhum objeto.

as meninas, de lygia fagundes telles, foi o que se seguiu. voltei a ter dificuldade em manter um ritmo de leitura; eu não sei por que isso acontece tanto, até quando eu tô gostando da história... mas, de qualquer forma, a narrativa me atraiu bastante: é sobre essas três meninas que moram num pensionato na época da ditadura militar e suas narrações vão se alternando e mostrando diferentes perspectivas. lorena é de família rica, estuda direito e vive num mundinho de devaneios dentro de seu quarto, fantasiando seu romance com um homem casado ("m.n.") e ajudando as amigas de todas as formas; lia tem mãe baiana e pai alemão (ex-nazista), é estudante de ciências sociais e militante comunista, muito envolvida em suas causas e o tempo todo reiterando seus ideais; ana clara teve uma infância/adolescência terrível, permeada de abusos e dificuldades (perdeu a mãe, com quem vivia, de forma trágica), é namorada de um traficante e viciada em drogas – os capítulos dela são um fluxo de (in)consciência absurdo e achei muito incrível a maneira que se conduzem. vi algum vídeo há pouco tempo onde alguém falava do plano dos militantes de trocar o namorado de lia (preso político) por algum embaixador, mas não captei isso, não... sei que os dois se envolvem de alguma forma mas não percebi isso. no final lia tá às vésperas de se mudar pra armênia quando ana "turva" aparece no pensionato totalmente dopada depois de um estupro e, apesar dos cuidados de lorena, acaba morrendo na cama da amiga. ela, muito calma, prepara o corpo da falecida e propõe que o deixem numa praça, para não prejudicar as coisas no pensionato, e lia acaba acatando o plano, apesar de muito sensibilizada. fiquei muito chocada mas é muito lygia fagundes telles um final desses, pensando bem. (na sequência: trechos de ana, lorena e lia)

— Uma dose adamada pra Coelha e outra pra mim, ahn? Com isso engrena.
Ela puxou o lençol até o pescoço. "Engrena nada. Se ao menos engrenasse mesmo e eu subisse pelas paredes de tanto engrenar e a cabeça deixasse roque-roque de pensar só coisas chatas. Mas por que minha cabeça tem que ser minha inimiga pomba. Só penso pensamento que me faz sofrer. Por que esta droga de cabeça tem tanto ódio de mim? Isso nenhum analista me explicou isso da cabeça. Só de porre me deixa em paz essa sacana. E aquele besta me esperando enquanto descasca seu pãozinho descasca o pãozinho com a unha até ficar só o miolo feito rato. É minha cabeça que ele descasca roque-roque. Bastardo."
— Hoje não posso demorar muito, amor — digo.
Ele apanha no chão os copos vazios, pisca um olho e vai para a cozinha levando os copos e o balde de gelo. Abriu a geladeira. Abraço o travesseiro. Dormir dormir. Dormir até rachar de dormir sem nenhum sonho só serve pra encher o saco. Tem uns bons. Aqueles. Por que nunca posso dormir o quanto quero? Por que tem sempre alguém me cutucando vamos fazer um amorzinho vamos fazer um amorzinho? Mas que amorzinho que nada. Max eu te amo. Eu te amo mas não sinto nada nem com você nem com ninguém. Faz tempo que já não sinto nada. Travada. Tinha outra palavra que ele gostava de dizer qual era mesmo? Esse Hachibe. Como vou sentir prazer com aquele escamoso se com esse daqui que eu amo? Já está lá sentadinho com o pãozinho na mão tem sempre um me cutucando pra fazer amor e outro me esperando em alguma mesa. Vou da cama pra mesa e da mesa pra cama. Bloqueada agora lembro bloqueada. "É só comigo que você é assim fria?", ele perguntou. Aquele escamoso. Anão pretensioso. É que sou virgem meu bem. Me desculpe mas sou virgem e virgem não pode vibrar como. Ele então me olhou com aquele olho indecente e riu. Tudo pivô pomba. Pensa que só eu. Também ele com dinheiro e tudo entrou bem em matéria de dente. Infância pobre ombro pobre cabelo pobre. Tenho um metro e setenta e sete. Sou modelo. Uma beleza de modelo. O que mais você quer? Bastardo. Se esta cabeça me desse uma folga pomba. Queria ter uma abóbora em lugar da cabeça mas uma abóbora bem grande e amarelona. Contente.
Ana Clara fazendo amor. Lião fazendo comício. Mãezinha fazendo análise. As freirinhas estão fazendo doce, sinto daqui o cheiro quente de doce de abóbora. Faço filosofia. Ser ou estar. Não, não é ser ou não ser, essa já existe, não confundir com a minha que acabei de inventar agora. Originalíssima. Se eu sou, não estou porque para que eu seja é preciso que eu não esteja. Mas não esteja onde? Muito boa a pergunta; não esteja onde. Fora de mim, é lógico. Para que eu seja assim inteira (essencial e essência) é preciso que não esteja em outro lugar senão em mim. Não me desintegro na natureza porque ela me toma e me devolve na íntegra: não há competição mas identificação dos elementos. Apenas isso. Na cidade me desintegro porque na cidade eu não sou, eu estou: estou competindo e como dentro das regras do jogo (milhares de regras) preciso competir bem, tenho consequentemente de estar bem para competir o melhor possível. Para competir o melhor possível acabo sacrificando o ser (próprio ou alheio, o que vem a dar no mesmo). Ora, se sacrifico o ser para apenas estar, acabo me desintegrando (essencial e essência) até a pulverização total. Vaidade das vaidades. Apenas vaidade. A conclusão é bíblica mas responde a todas as perguntas deste mundo desintegrado e confuso. Os loucos reinando sobre os vivos e mortos. Dominarão os poucos que conseguirem segurar as rédeas da loucura, quais? Pulmões e mentes poluídas. Importante papel está reservado aos psiquiatras. Aos profetas, acredito ainda mais nos profetas. Acho que eu seria mais útil se estudasse medicina, de que vão adiantar no futuro as leis se agora já são o que se sabe. Uma psiquiatra maravilhosa. O chato é que quando leio um livro sobre doenças mentais, descubro em mim os sintomas de quase todas, uma psiquiatra por dentro demais da loucura. Salva pelo amor. Ai meu pai.
— Mas quem é que disse que estou contestando? Não estou contestando nada, Loreninha. Nem isso. Contestar é tomar atitude. Quem é que quer tomar atitude? Quero fazer só as coisas que me dão alegria, minha florzinha. Leio, converso, ouço música, faço música, faço amor. Tudo bem simples. Aprendi a pensar, essa uma descoberta importante. Pensar.
— Não quero ser rude, mãezinha, mas acho completamente absurdo se preocupar com isso. A senhora falou em crueldade mental. Olha aí a crueldade máxima, a mãe ficar se preocupando se o filho ou filha é ou não homossexual. Entendo que se aflija com droga e etcétera, mas com o sexo do próximo? Cuide do seu próprio e já faz muito, me desculpe, mas fico uma vara com qualquer intromissão na zona sul do outro, Lorena chama de zona sul. A norte já é tão atingida, tão bombardeada, mas por que as pessoas não se libertam e deixam as outras libres? Um preconceito tão odiento quanto o racial ou religioso. A gente tem que amar o próximo como ele é e não como gostaríamos que ele fosse. 
e aqui um pedaço da própria autora sobre si mesma e seu trabalho, que achei bacana:


daí veio a promoção do kindle unlimited, que me deixou ter três meses por R$1,99 – não resisti e já fui emprestando várias coisas, apesar de não ir muito com a cara de ebooks. li desenhos, composto por cartas e ilustrações de sylvia plath; acho bem característico a forma que ela escreve e me pergunto como são originalmente (um ponto ruim do kindle unlimited é não ter variedade de livros em outros idiomas nem poder emprestar títulos no original, já que só se aplica ao .com.br)... eu não conhecia muito a parte artística dela e gostei bastante de seu estilo (ao lado um exemplo). tenho vontade de ler seus poemas, que compõem grande parte de sua fama também.

Uma coisa é certa, seguramente eu prefiro estar só; evito as pessoas como veneno; simplesmente não as quero; me sento e respondo às infinitas perguntas das novas garotas na mesa; me pego sendo engraçada e fazendo-as rir com descrições de pessoas & acontecimentos, e imagino que possa agir de forma tão mecânica, com tão pouco sentimento, e ainda assim mantendo os hábitos de uma pessoa sã, sem ser descoberta.

depois fiquei vendo vídeos de um cara que maria comentou no twitter e cheguei em um muito massa sobre despedidas, onde ele comenta de um livro de contos feito por ele e várias outras pessoas. custa pouquíssimo mas dá pra ler pelo kindle unlimited então foi o que fiz – todos os contos são sobre o tema que dá nome ao livro (destino), alguns mais sucintos e outros se desenvolvendo por páginas e páginas, indo até realismo fantástico. eu gostei mais dos primeiros, que não se prolongavam tanto, e anotei trechos também. não vou saber falar sobre todos mas achei bacana a ideia; foi uma leitura leve.

A queda é a melhor parte da morte. (...) Subiram até não haver mais nada embaixo. 
Seu peito estava cheio e o mundo parecia cada vez maior. Pela primeira vez em muito tempo não lutava por nada. 
A verdade é que talvez, mas só talvez, haja milhões de maneiras certas e esses fios vermelhos estejam nos amarrando a todos e a qualquer um. 
Minha dor não é e nunca foi inútil. (...) talvez, pela minha própria dor, eu possa ter encontrado um pedacinho do meu ser.

acho que um pouco antes dos ebooks emprestei entrevista com o vampiro (da anne rice), mas já tava saturada desse assunto e não tive vontade de continuar depois das primeiras páginas. também tinha pego os trabalhadores do mar (de victor hugo) da minha estante porque tava empolgada pra ler o que tá me esperando aqui há tempos, mas agora sinto que devia estar aproveitando os ebooks da amazon em vez de livros físicos que posso ter acesso mais tarde. outra coisa que me aflige é a lista de leitura pros vestibulares que pretendo fazer, ô jesus. ok, vou ficar por aqui mesmo.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

memoria rota

ok, é isso. a única pessoa pra quem pretendo escrever aqui sou eu mesma – isso vai ser uma tentativa de fixar melhor as coisas que leio e assisto, por isso vou registrar detalhes de mais pra alguém que poderia querer acompanhar sem receber spoilers. queria começar a escrever sobre tudo e ia fazer isso num caderninho/sketchbook, mas pensei melhor e acho que eu acabaria postergando por causa do esforço de escrever à mão o tempo todo. num blog é mais prático e mais fácil de encontrar as coisas, afinal. e já dizia (mais ou menos) algum escritor que vi no listography (ou talvez outra rede) de alguém e não consigo encontrar agora, "writing makes you a better reader, reading makes you a better writer".