sexta-feira, 30 de abril de 2021

assistidos em abril (10)

chung hing sam lam (1994)

finalmente vi chungking express; não lembro como descobri, talvez através de ing lee, que gosta do diretor (wong kar-wai). me apaixonei pela personagem de faye desde a primeira vez que vi algo com ela, talvez essa thumbnail (queria TANTO que meu cabelo ficasse assim espetadinho nesse comprimento). já tinha ouvido essa música, sem ver o clipe pro filme continuar surpresa; boa demais – e faye que canta!

ai, fala sério, não sei se quero ser ela ou beijar ela :~

essa é uma das personagens de destaque, mas o filme tem dois núcleos diferentes, então não tem bem um principal. nos dois tem um policial e é sobre romance; primeiro um mais jovem (e bonito) que levou um fora recentemente e tá no processo de aceitar isso, comprando latas de abacaxi com vencimento pra 1º de maio, o aniversário dele. determina que se até lá a ex não retornar vai ser a data de vencimento do amor deles. quando não encontra mais latas sendo vendidas ele come todas de uma vez, fiquei só pensando intoxicação alimentar que eu teria se fizesse isso. ele costuma sair pra correr quando tá triste pra gastar líquido no suor e não sobrar pras lágrimas; é assim meio bobinho. encontra uma mulher misteriosa no bar tarde da noite, que usa óculos escuros e peruca e tá envolvida em algum lance de contrabando com uns caras indianos, e ela dorme num quarto de hotel enquanto ele passa a noite se empanturrando de comida (me identifiquei). depois ela telefona pra desejar feliz aniversário, bem quando ele tinha perdido as esperanças de ser lembrado :) ele frequenta uma lanchonete em que a tal faye começa a trabalhar, cruza com ela e assim o foco troca. outro policial sempre vai lá e faye se interessa nele, mas o cara tem namorada, uma aeromoça. ele sempre leva o mesmo lanche pra ela, e um dia decide ouvir a sugestão do dono de levar algo diferente, mas depois de um tempo leva um fora também. nisso tudo faye só de olho, atenta a tudo, toda distraidinha e espontânea, sua coisinha linda do caramba. e música torando no rádio. um dia a ex aparece e deixa uma carta pro cara, que todo mundo da lanchonete lê antes dele (técnicas de abrir envelope sem estragar o papel que eu nem conhecia). ela deixa uma chave também e faye começa a ir no apartamento do cara quando descobre o endereço, fica mexendo nas coisas, arrumando e passando tempo como se não houvesse amanhã. um dia dá de cara com ele quando tá prestes a entrar, desculpas esfarrapadas e vergonhinha. na rua se trombam várias vezes, uma loucura essa cidade, aliás (hong kong). no fim ele chama ela pra um encontro, mas em vez de ir pro bar califórnia ela vai pra cidade, que já tinha dito que queria visitar. acaba com ela voltando depois de um ano, aeromoça (já???), o cara comandando a lanchonete, esperando por ela. ai meu deussss. adorei essa forma de contar história, de falar de romance. tão divertidinho também, a coisa de mexer na casa, o jeito que o policial conversa com os panos de limpeza e os bichos de pelúcia, o apartamento chorando... nossa, muito bom. parece que esse diretor é bem falado mesmo, preciso ver os outros filmes dele :)

star wars: episode iv - a new hope (1977)

qual não foi minha surpresa ao ouvir, lá em dezembro, minha mãe dizer espontaneamente que tinha vontade de ver todos os filmes de star wars! surgia assim uma faísca de um desejo em comum que nos uniria. tive que pesquisar qual a ordem em que devia assistir os filmes; aparentemente a de lançamento é a recomendada pra quem não tem nenhum contato com a série, já que é como ela foi pretendida para ser vista, e também pra não estragar as surpresas. empolgante aquela música dramática e o texto correndo no início, show ver isso pela primeira vez assim de verdade, sem ser referência ou recorte. c-3po e r2d2 conduzindo a história, não imaginei que eles não iam ser parte da galera desde sempre; princesa leia que despacha os dois da nave dos rebeldes em segredo quando darth vader e o império a invadem. já começa assim capturada, pô, tamo mal hein. explodem o planeta dela a sangue frio mesmo ela supostamente revelando onde a base da rebelião tava localizada, putz. o oficial lá da nave parece um cadáver, me lembrou os memes do príncipe philip. luke criado pelos tios, curiosidade pela mensagem de leia em r2d2 e a missão pra ben kenobi, morte cruel da família (os corpos ali torrados!) e olha aí a jornada do herói bem na cara. a ~força~ abrindo os caminhos, energia que flui em tudo, não sabia que tinha um cunho meio religioso e que só sobrava darth vader como praticante conhecido. a musiquinha no bar, super reconhecível! star wars é de um nível que nem dá pra mapear a extensão das referências, né, vai saber de onde conheço. e ninguém dando a mínima pro braço amputado ou pro sujeito morto, só mais um dia normal ahhushu. chewbacca aparecendo primeiro, co-piloto de indiana jones – então é ele o tal han solo... a millenium falcon também super reconhecível, gosto do puxão no brilho das estrelas quando ativa a velocidade da luz. ai meu deus a tensão sexual entre os caras e leia, why... uma perseguiçãozinha básica dentro da nave inimiga pra resgatar ela, um lixão com uma serpente na água que afoga luke just because, geral com uma mira ruim do caramba kkk. morte de obi-wan e explosões com som no espaço hehe. gostosa a ideia de uma base rebelde, planos comunistas, colegas pilotando naves. ataque certeiro à estrela da morte, claro que seria luke quem conseguiria! e claro que darth vader ia estar fora dela quando a destruíssem... final feliz com medalhinhas, uhul. no fundo tava me preparando pra achar entediante ou geek demais pro meu gosto mas achei realmente bom, super dá vontade de acompanhar e saber mais. nem tinha me dado conta que esses filmes são da década que minha mãe nasceu, deve ter sido bem massa gostar de ficção científica desde essa época. eu confundi stormtroopers com jedis na primeira vez que apareceram e meu irmão me corrigiu, dá pra acreditar?

star wars: episode v - the empire strikes back (1980)

uma ótima continuação! terminou e eu tava suspeitando que tinha visto que esse era um dos favoritos dos fãs e acho que é mesmo, dá pra entender porquê. já começa com luke apanhando de um bichão e precisando ser resgatado; achei estranho que não tava reconhecendo ele, chega fui olhar se tinham trocado de ator (acabei de ir procurar fotos pra dizer que nunca mais achei ele bonitinho como no primeiro filme e vi que o cara fraturou o rosto num acidente de carro... me sinto mal agora ahushu mas concordo que veio a calhar pra dar uma aparência mais experiente e madura).
parece que usaram cartilagem da orelha dele pra reconstruir o nariz :|
daí vem um drama idiota de han pressionando leia a "admitir" que gosta dele e por isso não quer que ele vá embora (porque, esqueci de mencionar, no filme anterior ele já tinha partido quando os rebeldes começam a atacar a estrela da morte, mas volta no último momento pra dar uma força – bem previsível, afinal)... beijo em luke só pra provocar, whyyyy. são atacados pelo império com uns veículos que parecem um bichão pernudo, vi aqui que chamam "all terain armored transport" (at-at), e depois de resolver isso luke parte pro planeta que o espírito de obi-wan falou pra ele ir. é aqui que aparece yoda! muito bom a sintaxe toda doida dele, me faz pensar em como deve ter ficado em diferentes línguas (nota mental: olhar a versão alemã). gostei do "try not. do or do not. there is no try" enquanto eles treinam; parece que é uma citação popular dele. confesso que xinguei luke de burro várias vezes por causa da impaciência e das decisões precipitadas dele; tem certeza que não é melhor ouvir a criaturinha verde de 900 anos de idade, meu filho??? é claro que ia ter uma armadilha esperando onde ele viu os amigos precisando de ajuda!!! esperto eles terem se alojado dentro de um asteroide antes, numa tempestade de meteoritos, e depois escapado com o lixo da nave do império heuhe. personagem novo, lando calrissian, amigo massa de han! mas teve que trair ele por causa da ameaça do império :/ pobre c-3po desmantelado sendo carregado nas costas de chewbacca. enfim a luta de luke e vader, o menino tá se superestimando como iniciado na força, eita um braço decepado! sempre a expectativa do maior spoiler da história do cinema, fiquei chocada que minha mãe não sabia huahsush. o coitado fica na fossa depois dessa, né, mas óbvio que iam reconstruir o braço facilmente, pelo menos. ah, o pessoal do mal testa o congelamento em han solo, muito a cara dele responder "eu sei" pro "eu te amo" desolado de leia se despedindo, né. essa review no letterboxd kkk
muito bom um universo em que a preocupação com a atmosfera dos planetas ter ar respirável simplesmente não existe, aliás. e acho interessante como r2d2 consegue andar tranquilamente em qualquer superfície huehue. queria ser fluente em mais de 6 milhões de formas de comunicação que nem c-3po.

quarta-feira, 31 de março de 2021

assistidos (8) em março

m-8: quando a morte socorre a vida (2019)

tinha visto o trailer um tempo atrás e achado incrível, carol também, e surpreendentemente foi colocado no netflix, então assistimos. o protagonista é maurício, garoto que entra na faculdade de medicina e percebe que mais corpos negros passam por lá como objetos de estudo em anatomia do que como alunos, e que ele tem mais a ver com esses corpos do que com os colegas de classe. a solidão nesse sentimento é profunda e pega muito pesado, especialmente quando ele conecta os pontos e começa a suspeitar que um corpo do laboratório (identificado como “m-8”) pode ser de um dos jovens desaparecidos buscados por mães fazendo protestos nas ruas da cidade. pior ainda quando ele vivencia situações de racismo, tanto na rua quanto na “escola” (como diz a mãe dele), que mostram que pra um negro estar ali existem muitas mais camadas a atravessar do que pra qualquer outra pessoa. cida, a mãe, é auxiliar de enfermeira e criou ele sozinha – facilmente a personagem mais foda do filme –, e quando maurício volta pra casa ferido e começa a faltar nas aulas ela dá um sermão de abalar as estruturas, lembrando ele de como ela nunca abaixou a cabeça diante dos obstáculos da vida e sempre se esforçou muito pra dar uma vida digna ao filho. ela frequenta um terreiro de umbanda e estar lá vendo o m-8 querendo falar com ele ajuda maurício a ter coragem de fazer algo pelos mortos. ele descobre que o corpo foi dado como indigente e que chegou no hospital com hematomas internos, o que pode ser considerado morte suspeita, mas claro que foi registrado como morte acidental. o protocolo da universidade diz que depois das aulas do semestre os corpos são encaminhados pra uma vala comum da prefeitura, mas com a ajuda de funcionários negros ele consegue tirar o m-8 de lá e fazer um funeral simbólico pra essas mães. cena sensível demais. e é isso, não foi tão uau como o trailer prometia mas gostei. muitas reviews falando sobre a resistência do cinema brasileiro em deixar o formalismo de lado, dos diálogos e atuações engessadas, das situações estereotipadas forçando um didatismo, mas acho que tem sentido nisso também, fazer o quê. que bom que tá no mainstream, numa plataforma tão acessível e acessada, pelo menos. baseado num livro que eu pensei que era de augusto cury por causa de algum comentário no youtube (é não!).

my octopus teacher (2020)

tinha começado a ver com carol lá em janeiro, mas continuamos/terminamos só agora. um cara volta pra onde cresceu, na áfrica do sul, e descobre um polvinho quando passa a mergulhar perto de casa. de alguma forma ele reconhece o polvo sempre que vai lá e meio que se tornam amigos, se acostumam à presença um do outro, e assim ele vai acompanhando o bichinho durante quase um ano. cê tem noção do que é mergulhar todo santo dia? ele fala do frio, aquela coisa louca da temperatura eletrizante, mas não deixo de ficar chocada com a habilidade de usar aquele coiso de sugar oxigênio da superfície. só isso e os pés de pato, é tudo que o cara usa pra passear debaixo d'água. ele é fotógrafo, se não me engano, e a máquina fotográfica dele é um negócio absurdo. a melhor parte desse documentário são as imagens, as cores, as formas, as criaturas! o oceano é incomparável, não tem jeito, uma beleza imensa. engraçado às vezes o aparente exagero do cara nas metáforas sobre a própria vida que via no polvo, mas no fim ele aprendeu muita coisa e se reconectou com várias outras também, então massa. aprendi que a diferença entre polvos e polvas é mais simples do que eu imaginava, e várias outras coisas interessantes sobre polvos também, aqui (muito boa a energia dessa mulher). curioso e válido assistir se houver a oportunidade de aproveitar o hd 4k.

toc toc (2017)

a aluna bruna, lá atrás, tinha me indicado esse filme por causa do assunto de transtorno obsessivo compulsivo, que ela tinha muito forte na época de enfermeira. já tinha ele na minha lista mas não sabia que era sobre isso antes dela me falar, apesar do título. é sobre várias pessoas, com diferentes obsessões, que marcam consulta com um doutor aparentemente muito prestigiado, mas quando chegam no consultório se dão conta de que tão todas designadas pro mesmo horário e ainda por cima o cara não chega nunca, então acaba virando uma terapia em grupo que resolvem fazer entre si. me arrependi de ter demorado tanto pra ver! cada vez que assisto um filme em espanhol eu fico querendo ver mais e mais; é muito bom, muito singular o jeito que as coisas funcionam, o humor, a atuação. o final me pegou muito de surpresa, em nenhum momento suspeitei que o doutor sempre esteve entre eles! achei que a representação de tourette's talvez tenha ficado meio torta, com base no que eu conheço, mas quem sou eu pra falar alguma coisa. não acho que seja considerado um transtorno obsessivo compulsivo mas faz algum sentido (também não pesquisei pra confirmar nada). além do velho reconheci a mulher religiosa, ela faz a lésbica de kika! bem diferente aqui, muitos anos depois, né. o cara das linhas achei bem galã, não vou mentir, e muito bom ele e a menina das repetições sendo casal! fofa demais ela também. não sabia da existência da aritmomania, que loucura. a recepcionista sendo só uma atriz, hehe. as loucuras da mulher germofóbica no banheiro! naquela parte em que todo mundo se desespera pra acudir a velha vi que o bonitinho pisou numa linha e achei que tinha sido erro, daí me surpreendi quando apontaram que tinha acontecido hehe. legal a conclusão deles esquecerem das obsessões quando tão envolvidos em outra coisa. e a amizade que se forma, o grupo no whats haushus e o nome!!! genial. ecolalia, né, aparece isso em tics também. parece ter boas críticas, mas gostaria de ver alguma review de alguém com toc pra saber se foi respeitoso. eu gostei bastante.

love on the spectrum (2019)

minissérie documental que acompanha diferentes pessoas no espectro autista que querem se relacionar amorosamente. vi com carol e gostava de como ela vibrava nos encontros, a gente ficava triste de verdade quando parecia uma coisa e no final era outra. os pais parecem ser firmeza e a especialista que ajuda eles é interessante; tinha achado bom as canetinhas coloridas e os esqueminhas que ela desenha pra falar das coisas mas depois de procurar reviews own-voice me toquei que é bem infantilização de pessoas no espectro... real a complexidade que é se relacionar, muito fácil take for granted (apesar de eu estar no grupo de gente que acha dificílimo também), mas entendi que é problemático essa representação de autistas como seres assexuais que precisam decorar regrinhas sociais pra se relacionem de maneira convencional. algumas dicas até são relevantes, como manter o encontro num 50/50, não sufocar de perguntas e virar entrevistador, não dar respostas definitivas que não dão margem pra conversa se desenvolver... gostei bastante de olivia, o senso de humor dela e a personalidade! achei tão daora o carinha que ela conhece e faz cerâmica, não esperava que fosse ficar na amizade mas bom também, afinal. michael tem muitas certezas, meio desesperador hushs mas ele é bem doce, mesmo. maddi é muito gente boa e engraçada e mark a coisa mais carinhosa, muito sensível, pô... lotus e o date no campo de girassois, mdsss, muito linda ela, toda nervosa hihi. massa ver como cada pessoa é única, como é mesmo um espectro :)) bom de ouvir os sotaques australianos (a "especialista" tinha o mais louco!), e que linda a cidade. o casal perfeito do primeiro episódiooo, e o outro do final mais fofinho ainda, ah! indiquei pra minha mãe. carol e eu gostamos do jeito de mostrar os gostos e desgostos dos pretendentes (referência a amélie poulain que só percebi revendo o filme) mas vi uma crítica falando que é meio nada a ver mencionar coisas/barulhos que eles não gostam e mostrar/tocar mesmo assim; verdade. pelo menos foi melhor que terrace house, que abandonei agora que não tenho a companhia de pölzl pra saber de tsubasa e shion.

back to the future (1985)

sabe que eu acho que nunca tinha assistido? quis ver com a família e fiquei incomodada do começo ser maçante demais pra uma criança de 10 anos. desnecessário a flertação toda, claro que ia ter uma nojeira da mãe tendo crush no filho, né... e ela pensando que o nome dele era calvin klein por causa da cueca kkk fiquei pensando nas minhas/de talita com as variações absurdas. feliz pelo ator principal ser tão baixinho, 165cm hehe. no começo eu tava achando o pai e a mãe muito esquisitos e logo suspeitei que era maquiagem pra aparentarem mais velhos porque com a viagem no tempo iam aparecer como jovens, dito e feito. gosto da cara e do estilo do pai de marty jovem, aquelas belezas estranhas notáveis, mas vendo ele atualmente percebo o potencial de pinta de vilão ou personagem esquisitão (ele faz o valete em alice in wonderland!). muito bom o ator que faz o professor, a melhor caracterização é sem dúvida a dele. aquele final dando brecha pro próximo filme, não esperava. não tem um negócio de 2019 nesse universo? tenho a impressão de ter visto algo assim um tempo atrás, mas pode ser de outro filme clássico. não achei muito bom não, mas interessante ver a evolução das histórias de viagem no tempo. sempre tô dentro. ah, massa também descobrir que mcfly é um sobrenome possível ahushu. que sorte voltar pro presente com um upgrade, hein. muito bom o estilo dos anos 80.

mononoke hime (1997)

não tem muitos filmes do studio ghibli dublados no netflix, queria assistir com mãe e irmão e percebi isso (já tá na hora de se acostumarem com legenda, mas né). coloquei princesa mononoke mas não lembrava que era tão longo, ainda bem que eu pedi pausa pra xixi na metade. muito bem feito o comentário sobre exploração de recursos naturais, desmatamento, desequilíbrio entre homem e natureza, etc. a metáfora da raiva, mágoa, fúria é muito boa!... uma contaminação mesmo, ashitaka resistindo, lutando contra, tentando agir como ponte, pacifista. a questão de gênero e deficiência na cidade de lady eboshi (mais sobre isso na wikipedia). o deus da floresta, como é bonito o florescer a cada passo... gosto dessas histórias que têm romance mas esse não é o tema central, que nem howl's moving castle. e é tão importante ver histórias em que o bem e o mal não estão bem divididos e solidificados, em que os personagens não são moralmente determinados... acho que esse é um dos meus favoritos, mesmo. não lembrava nem um pouco que a princesa não se chamava mononoke e sim san – the term mononoke is not a name, but a japanese word for supernatural, shape-shifting beings that possess people and cause suffering, disease, or death. não me conformo nunca em como é possível existirem trilhas sonoras tão potentes, que trazem tantas emoções à tona. moved me to tearsss. esse filme é muito maravilhoso, que bom que existe. sempre fico tensa quando percebo que as coisas que chamo minha mãe pra assistir falam de demônios e coisas do tipo. ainda bem que os kodamas ficam fofinhas depois de parecerem macabros hehe. eu lembro que fiz um desenho de san uma vez, na época do cv, talvez só da máscara. algum dia tiro foto pra deixar aqui.

loving vincent (2017)

na primeira aula de interpretação usamos van gogh como exemplo pra falar de como o quanto que a gente sabe do autor influencia na interpretação da obra – primeiro vimos só as pinturas, depois trechos de cartas dele pro irmão theo, depois a música (que eu não lembrava mas já tinha ouvido antes, a julgar pelo like nesse vídeo), o episódio de doctor who, uma audiodescrição... por fim ficou o filme como recomendação. teve um tempo que ele tava no netflix, né? não tava mais, baixei mesmo. que loucura fazer uma animação em que cada frame é pintado a mão, com tinta a óleo. mais de 63 mil frames! parece que o ator que interpreta vincent é polonês e mal fala inglês, escolheram pela semelhança de aparência e tiveram que dublar as falas dele. bonitinho o ator/personagem que conduz o filme, naquele terninho amarelo com o chapéuzinho. conta sobre as últimas semanas de vida de van gogh, depois dele sair da instituição onde se internou quando mutilou a própria orelha. não sei até que ponto é real a coisa do tiro na barriga, os amigos festeiros, o médico aspirante a artista obcecado por van gogh. quanta tristeza, quanta doçura também. isso de vincent querer ser visto como alguém que sentia muito... em doctor who falam bem. mais de 800 pinturas em uma década é muita coisa, putz. li as partes dele naquele livro tudo sobre arte, show o que ele fez e as inspirações que tinha, o legado que deixou. gostei da mocinha sorridente da hospedaria; não esperava saoirse ronan como romancezinho. muito bom as partes em que as pinturas dele viram parte da realidade! espero que a produção tenha sido boa pros artistas, sem muita pressão e condições ruins de trabalho... me emocionei com o filme, foi gostosinho de ver. acho que gosto mais de van gogh agora, tenho mais interesse. quero ler essas cartas dele, são publicadas pela l&pm aqui, pelo que eu vi.

quanto vale ou é por quilo? (2015)

paralelos entre os séculos xviii e xxi, estruturas de escravidão que não parecem ter mudado tanto assim de lá pra cá. filantropia e projetos de caridade mascarando um mercado de lucro e exploração capitalista. vítimas e reféns desse sistema de merda do caralho. corpos negros e periféricos na mão de brancos ricos corrompidos. as mesmas atrizes representando personagens diferentes, uma senhora de escravos que fazia tudo visando lucro e uma mulher com um projeto de ajudar os necessitados, uma escrava fugida arrastada de volta pro dono mesmo grávida e uma professora batendo de frente contra os empresários super faturando o laboratório de informática na periferia. angry black woman e macho branco estúpido. ainda bem que perde uma orelha e uns dedos. a "amiga" da mulher da ong se vendo sem saída nos acordos, oferecendo uma menina "limpinha e quietinha" pra ficar no lugar dela, negra, claro. o crime, sequestros, captação de recursos x redistribuição de renda. muita coisa aqui, a narrativa é bem única, chega a ser documental. e esse título... forte. não conhecia. tem a ver com um conto de machado de assis e umas crônicas retiradas de relatos factuais. incômodo, importante. final ambíguo.

segunda-feira, 29 de março de 2021

lidos (4) em março

vizinho, vizinha (roger mello)

livrinho infantil que peguei gratuito na pandemia, pena não dar pra ver as cores no kindle (usei o aplicativo do pc pra isso). um cara e uma mulher que moram um de frente ao outro num prédio, mas só se dão bom dia e comentam sobre o tempo. excêntricos do jeito deles, mas desconhecidos um pro outro. um dia a sobrinha do cara e o neto da mulher abrem as portas e brincam juntos enquanto eles não estão, misturam as casas, tchururu. depois que vão embora fica estranho o silêncio, e termina na expectativa de um falar com o outro. bonitinho, achei legal a proposta de cada ilustrador fazer um apartamento, e o autor o corredor. quem ilustra o cara é mariana massarani e quem ilustra a mulher é graça lima; gostei dessa última que parece colagem e a outra me lembra aqueles livrinhos de mini larousse coloridinhos que eu tenho (olhei aqui e ela ilustra um deles mesmo! o da amazônia). muito bom o jeito diferente de falar as horas aqui:

eu sou malala: a história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo talibã
(malala yousafzai com christina lamb)

quase um ano lendo – comecei na asian readathon de maio... não tem jeito, biografia não é um gênero que me segura, não importa de quem seja. gostei de saber mais sobre malala, com certeza foi valioso, mas tive que persistir; corri pra terminar antes de sair da casa, já que tava emprestando de carol. acho que foi pölzl quem fez a comparação dela com marjane satrapi, de persépolis, no sentido de que as duas tinham pais ativistas e vinham desde cedo com essa atitude de defender certas coisas e tal. não lembro mais muito de persépolis e agora me pergunto se foi isso mesmo, mas acho que faz sentido ter apoio familiar de alguma forma, né. loucura como existem situações e existências que a gente nem imagina, por não fazer parte da nossa realidade. mesmo com ameaças e mortes e bombardeios ela tava lá, resistindo, não sozinha, mas com uma coragem sem comparação. que tenso os relatos depois dos tiros, a questão da infraestrutura hospitalar, ainda tem tudo isso, né... e a tristeza de ficar longe do vale do swat depois do refúgio na inglaterra, bem bonito mesmo. parece que no paquistão ela é uma figura polêmica, tem a questão do talibã vê-la como veículo de propaganda do ocidente e tal. antes do ataque ela já fazia umas coisas grandes, tinha escrito um blog pra bbc com um pseudônimo, sido documentada mostrando a rotina de viver e estudar em mingora... não conhecia nada sobre os pachtuns, interessante também (aqui ela fala pachto e urdu!). essa galera que estuda muito e se preocupa em ser o primeiro da sala, hein. há um tempo atrás vi ela comemorando no twitter por ter terminado a faculdade, pandemia já. ela é só dois anos mais velha que eu :~ ah, o alquimista é um dos livros favoritos dela hauhah

the year of the witching (alexis henderson)

tinha começado lá em outubro, porque era um dos livros que teriam discussões ao vivo durante a fortnight frights de seji, mas só li um pouquinho e não voltei mais. na época não me prendeu muito, acho que desanimei com o cenário envolvendo religião e séculos passados, e foi justo quando comecei a releitura de crepúsculo também... mas voltei a ler agora e até cheguei a ter aquele sentimento (infelizmente em falta) de querer saber o que ia acontecer, aproveitava pra ler sempre que podia e tal. imanuelle é a protagonista, fruto da união entre miriam e daniel, um rapaz dos outskirts, que é a periferia onde habitam as pessoas de pele escura. o pai foi queimado na fogueira e a mãe morreu quando dava à luz a ela, depois de ter passado meses dentro da darkwood, a floresta proibida, e desde então a família perdeu o prestígio que tinha em bethel. lá pelos 17 anos de idade imanuelle entra na floresta em busca do bode que tinha que vender e recebe de duas mulheres fantasmagóricas o diário da mãe, e assim ela começa a entender melhor o lance da bruxaria envolvendo seu passado e sua identidade. quando pestes começam a atingir o povoado ela assume a missão de resolver as coisas com as bruxas da floresta e, com uma ajuda do filho do profeta, ela parte pra desafiar as bizarrices todas de uma doutrina opressiva e impiedosa. aliás, só porque eu acho ezra miller um puta cara bonito (e gosto muito do nome também) me aparece um personagem perfeito com esse nome... bom que assim eu posso vibrar por ele instead, já que o ator aparentemente é um escroto, né. queria tanto achar fanart mas até agora nada. falar a verdade que eu só me intriguei com a leitura quando imanuelle vê as lovers na floresta; tava esperando sexo lésbico não! interessante ter isso dentre as quatro bruxas, bem boa a caracterização macabra de cada uma delas. ah, e a avó mãe de daniel sapatona convicta!!! "men cut clothes" and shit heheh. mas pô, muito pouco tempo com ela e a companheira, deu nem tempo de conhecer melhor... até gostei de não ter muito romance com ezra, só no final fica mais direto, mas já que imanuelle tem várias vezes o desejo de "mais" e de se aproximar dele bem que podia ter um sexual awakening. esse negócio de bethel ser meio isolada do resto do mundo me lembrou as muralhas de shingeki no kyojin, mas talvez só tô viciada demais. que bosta essas fés extremamente machistas, os caras super velhos casando com jovens, várias esposas, violência... no geral foi ok mas fiquei sentindo falta de certas coisas, explorar mais a fundo os aspectos que envolvem raça e gênero (apesar de imanuelle ter ficado feministona a partir de algum momento), dar espaço pra alguns desenvolvimentos, etc. e não é um horror muito forte, podia até ser mais, ter mais explicações pro coven de lilith, pra magia na família ward, etc. acho que o mais pesado foram as práticas da própria igreja, na real. os personagens são bons, isso de ezra ser um homem firmeza, o avó abram dando apoio na hora que ela precisava, as bruxas!... que caos aquela cena apocalíptica na igreja, hein. e acabam oferecendo piedade ao escroto do profeta, bem que lilith podia ter cuidado dessa parte. a discussão com seji e convidadas foi legal, fiquei sabendo que vai ter um segundo livro, quem sabe nele isso tudo melhora. gostei de ler uma autora negra desse gênero relativamente novo pra mim, mas que com certeza quero explorar mais.

pai contra mãe (machado de assis)

quanto vale ou é por quilo? é baseado nesse conto e em crônicas de nireu cavalcanti sobre a escravidão do arquivo nacional do rio de janeiro. aqui candinho é um homem que não para em emprego nenhum, mas que se vê na necessidade de trazer dinheiro pra casa se não quiser ter de entregar o filho recém-nascido à roda dos enjeitados. clara, a esposa, costura pra fora junto com a tia, mônica, e já tinham sido despejados da casa por deixarem de pagar três alugueis. quando o filho nasce estão de favor na casa de uma senhora rica, coisa que a tia arrumou, mas sabem que uma quarta boca vai ser mais do que podem dar conta de sustentar. candinho já vinha trabalhando em pegar escravo fugido e tava numa onda de não conseguir competir com os concorrentes quando se depara com o anúncio de arminda, oferecendo 100 mil réis. ele cruza com ela no caminho de levar o filho pra roda, deixa o bebê com o farmacêutico e captura a mulher, que tava grávida. ela aborta e cândido nem quer isso na mente, só volta feliz pra família. "nem todas as crianças vingam", é sua fala final. por causa do filme eu tava imaginando ele negro, mas percebi que no conto não tem caracterização; fiquei pensando nesses nomes todos aludindo à brancura, cândido, neves, clara... e na luta de um pai contra uma mãe, não surpreende quem ganha. a descrição da máscara de folha de flandres que tem no filme vem desse conto – "era grotesca tal máscara, mas a ordem social e humana nem sempre se alcança sem o grotesco, e alguma vez o cruel". machado é outra coisa mesmo, o jeito que conversa com o leitor, a narrativa... "não davam que comer, mas davam que rir, e o riso digeria-se sem esforço", etc. leitura pra disciplina de interpretação.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

assistidos (8) em fevereiro

boy (2010)

oh!! gostei muito! não procurei se é meio autobiográfico ou não, mas o protagonista é um menino maori ("boy") criado pela vó porque o pai tava preso e é irresponsável. taika interpreta o pai, que surge com dois amigos e vão ficando na casa enquanto a vó tá em outra cidade ajudando algum parente. dão um monte de presentes com cara de roubo (tv, microondas, casacos...), um bocado de criança lá, boy cuidando, fazendo comida simples. também existe um irmão menor, quietinho, magia no olhar, desenhinhos. a mãe morreu no parto e ele se sente culpado. não se aproxima muito do pai, até porque foi depois da morte da mulher que ele sumiu, mas boy o vê como um ídolo e modelo a ser seguido. uma coisa engraçada de gostar de michael jackson, thriller tinha acabado de sair, e o pai com os amigos se chamam de "crazy horses". numa hora pede pra que boy o chame de shogun, uma brisa com samurais e um livro com esse nome. faz um corte de cabelo em boy que mirou no mullet de michael jackson mas saiu uma coisa quase buzzcut cheia de falhas, coitado. ficam fazendo buracos num campo onde ele escondeu uma quantia grande de dinheiro, mas quando boy encontra leva pra um lugar onde fica o bode de estimação dele e o bode destrói tudo. ficava levando maconha pro pai, pegando de uma plantação que o pai de uma amiga tem no meio de um canavial, e no desespero o pai pega tudo pra vender e se dá mal. a amiga aparece de olho roxo também, tadinha. e ela olhava pra boy com carinho, apesar dele gostar de uma menina popularzinha... no final se reaproximam. que gostoso uma hora dos amigos todos brincando em volta de uma casa quebrada, correndo livres, usando a imaginação. foi uma surpresa agradável, resolvemos ver sem planejar muito e todo mundo juntou e gostou. trilha sonora muito boa! e no final thriller com dança haka!!! acho muito legal a existência disso, as caretas :) e a representatividade, né, manda bem demais. tão lindo o atorzinho, também...

nomadland (2020)

essa véia (ok, nem tanto) de three billboards outside ebbing, missouri é muito barra pesada, pô. a cara da dureza. grande potencial sapatão. nesse filme ela mora na própria van, isolada da família e vista como esquisita. trabalha na amazon no fim de ano pra ganhar dinheiro, vai procurando bicos temporários pra ir se mantendo. se chama fern e pölzl e eu escolhemos interpretar pelo alemão, no sentido de distância, mais do que a planta em inglês. amizades muito boas, uma senhora de uns 70 anos que conta que quase se matou, mas percebeu que podia viver viajando e foi morar na estrada. outra senhora pra quem os médicos deram pouco tempo de vida e se despede de um jeito tocante. ver lugares lindos, animais, paisagens. massa que nos créditos várias dessas pessoas interpretam a si mesmas, então acho que tem um pouco de histórias reais. uma coisa muito latente sobre liberdade. tem até um cara que gosta de fern e quer que ela fique com ele na casa do filho, paciente e calmo o jeito que ele age com ela mas no fim ela parte. fica em aberto, na verdade, porque ela volta pra cidade onde viveu com o marido falecido e se desfaz do galpão onde guarda os pertences, visita a casa onde morava, sai pelo portão que dá pro terreno aberto... muita solidão, independência, mas muito legal a parte de ter uma comunidade que se apoia. parece que ela era professora; uma menina lembra de uma poesia que ela falava, fern compartilha com um jovem viajante os versos que jurou pro marido. muito amor e imensidão. gostei. e a trilha sonora, tão certeira... mariana ficou reparando.

hunt for the wilderpeople (2016)

boy subiu as expectativas de todo mundo com taika waititi e fez a gente quebrar a cara aqui. tem a desculpa de que esse não é roteiro original, mas adaptado de um livro infantil... serve? é sobre ricky baker, menino adotado por um casal que mora nas montanhas. a agente que cuidava dele dizia que ele era mal comportado e já tinha passado por várias adoções, mas com essa mulher dá certo, bonitinho até. bolsa térmica pra esquentar a cama, musiquinha de parabéns, cachorro de presente. mas do nada ela morre e ricky decide se meter na floresta depois que o viúvo diz que não pretende continuar com ele. o cara vai tirar ele de lá mas quebra o pé e acabam passando um tempão sumidos. nessa a agente já constrói um negócio absurdo dele ter sequestrado ricky e ser criminoso. um desentendido com caçadores, meses despistando polícia, uma garota bonita, um cara pirado, uma perseguição cuiuda. vai virando uma bobeira de proporções absurdas... no fim eles se reúnem de novo, apesar de ricky ter sido escroto e botado o cara na prisão, e vão morar com a garota e o pai dela (?). poucos momentos engraçados e o que tem de bacana não vale a pena.

the twilight saga: breaking dawn - part 1 (2011)

por acaso tem samba o ano inteiro no rio de janeiro? que esquisito ver gente se beijando na rua e dançando e eles decidindo fazer igual. tava tão prevendo uma vergonha alheia com edward falando português que me surpreendi quando ele conversou com kaure de um jeito aceitável (mas ainda formal, "ajudá-la", "eu a amo" heueh). bella fica horrível grávida, né... muito estranho parar pra pensar que na real a menina tem 18 ou 19 anos e tá ali encantada num bebê assassino. no parto jacob fica parecendo que olha pra renesmee, mas hora que tem o imprinting mesmo é a cena mais tosca, daquelas de lembrar falas do passado e flashbacks e flashforwards até, why!!! podia ter tido os pesadelos dela com a criança imortal. o tempo todo ela achando que ia ser um menino, não foi de verdade porque jacob não podia ser gay, é? não tem muita explicação pra essa parte. o cabelo de bella podia estar mais ajeitadinho no casamento, achei. os discursos no microfone kkk até bella ri da mãe cantando a lullaby. foi mudando a iluminação ao longo dos filmes, né. acho que nunca vi eles tão bem quanto nas cenas na ilha.

the twilight saga: breaking dawn - part 2 (2012)

putz, a vergonha alheia com esse nem se compara. quem achou que era uma boa ideia usar cgi na cara de um bebê??? quem se importaria se pegassem crianças diferentes pra ir fazendo as fases de renesmee? ugh. não sei se é porque assisti tudo interrompido, lendo o livro e depois voltando pro filme, mas senti que tudo era meio corrido ou enfiado uma coisa atrás da outra, tipo, não tem nem um momentinho de calmaria ou contemplação... os efeitos parecem tão medíocres, o jeito que eles pulam voando às vezes, a maquiagem!!! até a maquiagem tava ruim, dakota fanning tava toda esquisita, coitada. e as músicas deixaram de ser boas em eclipse, mesmo. edward tocando o piano pra chamar renesmee achei a coisa mais fofa. bem pouco dos ~shape-shifters~ (não lembrava dessa correção engraçada), super simplificado a coisa de receberem o recado de alice quando ela vai embora, o encontro com j. jenks também... e charlie indo ver bella dois segundos depois dela virar vampira, quase nada falado sobre a dificuldade de estar perto dele, aff. a "névoa" do poder de alec muito tosca, meu deus... o discurso daora que era de garrett claro que enfiaram em edward, né, além de deslocar total (na real nem sei se foi isso, porque teve uma conversa sobre lutar na casa)... aliás, lee pace! <3 sinceramente um dos melhores vampiros visualmente e etc, os cullen me dão agonia demais (e os volturi pior ainda, né). o final com bella abaixando o escudo dos pensamentos dela foi uma ótima desculpa pra fazer retrospectiva da saga. enfim livre!

ssa-i-bo-geu-ji-man-gwen-chan-a (2006)

...ou i'm a cyborg, but that's ok. conheci por causa de lily wilke, parece que ela gosta bastante. young-goon é uma jovem tipo susanna de garota interrompida que é internada numa instituição psiquiátrica depois de quase morrer cortando o próprio pulso pra se ligar a fios elétricos. a avó tinha sido internada porque só comia rabanete e cuidava de ratos como se fossem filhos, mas young-goon ficou com a dentadura dela e a usa pra conversar com a máquina de venda, com as luzes ou com o relógio. ela não se alimenta porque tá convencida de que vai quebrar se ingerir comida, mas por isso a bateria dela tá sempre baixa (tem que iluminar até o dedão do pé, mas só a unha do dedinho acende..). nesse lugar tem vários pacientes peculiares: uma mentirosa compulsiva, uma viciada em produtos de beleza que come a comida de young-goon, uma menina que só olha as coisas pelo espelho, um cara que se acha culpado por tudo e só anda pra trás, e park il-sun, um cleptomaníaco que usa máscara de coelho e acaba ajudando young-goon nas coisas dela. a missão dela é matar os médicos, e pra isso ela não pode ter simpatia, nem gratidão ou hesitação, então faz um acordo com il-sun pra ele tomar a simpatia dela. muito fofo ele fingindo instalar um conversor de calorias em energia pra convencer ela a comer, e depois todo mundo comemorando quando ela consegue engolir uma colher de arroz :') ela chora de um jeito bom de ver, bem criança mas bonito. ela é muito bonita, na verdade. ficou com as sobrancelhas descoloridas depois do incidente com os fios no pulso... cabelo volumosão, azul na raiz hehe. il-sun beija ela de um jeito bom também, carinhoso. ele tem uma coisa com desaparecer, os dentes sumirem, ficar pequeno. no final decifram o que a avó diz ser o propósito da vida de young-goon, que é exterminar o mundo, e ficam no topo de um morro no meio da chuva esperando um raio pra carregar ela com um bocadão de volts. massa! esquisitinho e fofo e engraçado e triste. quero ver mais filmes coreanos e mais filmes na vibe de god help the girl, que também conheci por lily. reconheci a palavra pra avó por causa de um quadrinho do monge han, "halmoni".

poster redesign por @lou2209

a ghost story (2017)

o tempo todo que olhava pra cara do ator principal eu pensava que ele chamava casey (e chama mesmo, irmão de ben affleck). não sei se a voz dele é feia mesmo ou só parece muito velha. rooney mara é a esposa, sabe, pô. moram numa casa simplezinha que dá medo nela porque faz uns barulhos. o cara morre num acidente de carro bem em frente da casa, e daí em diante é um fantasma coberto por lençol branco. na casa vizinha tem um fantasma também, que dá oi pra ele e diz estar esperando alguém que não lembra mais. distorção do tempo massa; "i just had it tuned" pro piano quando ainda tava vivo e a esposa dizendo que "that was a year ago". escreve uma música e mostra pra ela, quando começou achei ruinzinha mas a letra conversa mais com o fantasma do que qualquer outra coisa. futuro e passado, uma família latina, uma festinha com um cara chato niihilista, conglomerado futurístico, demolição, brancos pioneiros mortos por indígenas. por algum motivo o cara gostava da casa, queria ficar nela, e a esposa não entendia. o barulho no piano foi o fantasma desolado quando ele cedeu e disse que podiam ir. ela se mudou muito na vida e deixava recados escondidos pra caso um dia voltasse; o tempo todo o fantasma tentando arrancar o papelzinho de onde ela enfiou no batente da porta. no final, fechando o ciclo, ele consegue tirar, e assim que abre, puf. bem melancólico e devagar, foi bom de ver. rooney mara cinco minutos comendo uma torta, doido essa coisa de dar comida de consolo pra viúvos, né. não vou mentir, fiquei desejando uma torta dessas. gostei bastante da grandeza dessa música.

i care a lot (2020)

what? rosamund pike interpretando uma sapatão golpista do caralho. velhinhos, sabe, tipo, quem faz isso??? maldade destilada real. uma parceria com médicos que exageram diagnósticos pra dizer que não são mais capazes de se cuidarem sozinhos e aí serem cuidados pelo estado e mandados pra um asilo. marla é curadora e assume o controle das fortunas e administra os gastos, lucrando ao máximo porque sonha em ser podre de rica. mas então ela mexe com uma senhora cujas aparências enganam – jennifer usa uma identidade falsa há décadas e na verdade tem um negócio criminoso misterioso com o filho tyrion lannister. aí vem as ameaças, tentativas de homicídio, fugas improváveis, habilidades cuiudas e assim por diante. claro que o chefão percebe que essa doida é especialmente talentosa e propõe que se juntem pra ter um negócio gigantesco envolvendo desde curadores até remédios, e logo ela tá subindo na vida e toda toda. o fim é um cara lá do começo, que ela tinha proibido de visitar a mãe porque supostamente a estressava, dando um tiro nela pra dar o troco, e assim ela morre. kkk véi. assim, surpreendente, de um jeito estranho, mas foi interessante de ver, me entreteu depois de um jantar com as meninas. construindo uma imagem de que lésbicas também podem ser gente ruim, né, importante. bem netflix, mas é aquilo de ter filme com protagonista LGBT em diferentes gêneros... só que ainda extremamente branco, pra variar.

sábado, 27 de fevereiro de 2021

lidos (3) em fevereiro

breaking dawn (stephenie meyer)

sabe que eu gostei mais da parte de jacob? a ironia e humor dele caíram bem, bella é chatinha narrando mesmo. os títulos dos capítulos eram o melhor. não lembrava nem um pouco de nahuel no final! e a cena da batalha na visão de alice só podia ser coisa do filme mesmo, nunca tem ação real nessa merda. e o super autocontrole de bella, que improvável... tinha que ser com ela, né, claro. o escudo era bem óbvio pelo jeito, massa a possibilidade de expandir. e o poder de alec que nunca foi mencionado sendo que é o mais cartada final de todos??? dá aquela sensação de que a autora foi fazendo as coisas de última hora, do jeito que precisava que fosse. muito bom o discurso de garrett no final! coragem, hein, meu filho. e o "i’ll follow you anywhere, woman" kkk. os poderes de avatar de benjamin não fazem sentido nenhum, né... e como diabos uma pessoa manifestaria sinais de uma habilidade dessas enquanto humana? a descrição de siobhan só me fez pensar na lady dimitrescu (esse nome é engraçado, né) do novo resident evil, corpulenta e com uma puta presença. me pergunto se esses vampiros não atrapalhariam a fauna com essas grandes caças deles.não gosto de como bella imediatamente é tomada por um sentimento maternal quando percebe que tá grávida, dessa fala dela de não saber que queria/gostava de algo até fazer; muita cara de coisa mórmon sendo enfiada na história. e ah, sim, por causa de renesmee que bella ficava tão feliz recebendo jacob, ótimo motivo! tudo errado esse negócio de imprinting e romance, viu. mas a parte de leah escolher ficar na alcateia de jacob e oferecer apoio achei sensível. gosto dela. seth também, queridinho, até engraçado às vezes. cruel mesmo a falta de infantilidade/infância de renesmee. risos do fandom chamando ela de "resume" heuhe. massa jacob sendo mais amigável com edward e os vampiros, também; o respeito por carlisle... não lembrava tanto de j. jenks também. ah, bem merda bella chamando a língua indígena de kaure (que edward magicamente sabe falar) de "alien tongue", aff. e a coisa de recorrer ao espanhol pra entender português, "espero que jacob tenha ao menos estudado espanhol na escola" pensando na possível fuga pro brasil -.- aiai. fazia muito tempo que não lia um livro tão grosso. fim dessa releitura de conforto que nem valeu tanto a pena... vi um vídeo sobre ler livros "neutros", que a gente já leu e conhece a história, como uma maneira de nos sentirmos seguros durante esse período de instabilidade bizarro em que o mundo tá, e faz total sentido. mas da próxima vou escolher melhor, viu.

viagem em volta de uma ervilha (sofia nestrovski & deborah salles)

ah, que gostosinho de ler! acompanhava sofia nestrovski e deborah salles no instagram por um tempo antes delas lançarem essa hq juntas, vi vários stories da gata de sofia e tal, dela com o braço engessado (!), das montanhas de livros no apartamento, de sofia fazendo kung fu... queria esse quadrinho mas empurrei pra analuísa na festa do livro da usp porque não tava podendo gastar (que bom que ela pode hehe); tinha mostrado pra ela por causa da gata chamar ervilha. pituca, pipoca, princesa ervilha – ela cita o poema de t.s. elliot que eu gosto, the naming of cats :) vi um vídeo delas no papo zine e parece que elas se tornaram amigas fazendo esse livro, muito massa terem se achado assim porque parecem conversar muito bem uma com a outra. sofia escreve bem mesmo, aliás; deborah fala do talento dela em não deixar as coisas pedantes falando de literatura, filtrar a bagagem e ser precisa. verdade. hamlet, irmãs brontë, harry potter, wordsworth... que levada a gatinha! muito bom o preto e o pink. trechos bonitos ou de destaque:

anna karenina (leo tolstoy)

ouvi inteiro com o audible! único livro que consegui ler no mês de amostra grátis. narrado pela irmã do ator de donnie darko, maggie gyllenhaal. voice acting-wise gostei de perceber as sutilezas de mudança na voz, às vezes macia e suave, transbordando sentimento, às vezes cortante e estrondosa... gostaria de fazer algo assim :) mais de 30 horas mas cheguei a colocar na velocidade 1.8 durante um bom tempo; comecei a entender por que tem gente que acelera tanto, mas ainda não vejo como é possível seguir absorvendo bem de 2 pra cima. da primeira vez que comecei esse livro li um bom tanto, e sinceramente não senti que perdi muita coisa, viu. é que vi o filme e sabia o final por causa de a insustentável leveza do ser, né... não lembrava detalhes, mas que droga a questão de anna e vronsky ficarem mal vivendo juntos, esse negócio de anna achar que vronsky parou de amá-la, a estranheza com a filha dele... aliás, estranho não saber bem como se escreve os nomes dos personagens, já que não tô lendo com os olhos, hehe. stepan arkadyevich, por exemplo, fiquei um bom tempo imaginando stepaniard, por algum motivo. o jeito que levin se reaproxima de kitty e pede a mão dela de novo foi bem parecido com o filme, e é massa porque essa é minha cena favorita lá; eles passam a noite inteira juntos, conversando, e antes de irem embora se comunicam com giz e uma lousa, escrevendo as iniciais das palavras. bem mais complicado de decifrar, o tamanho das frases que fazem, mas tão tão sintonizados que entendem tudo. "oh, so it's not time to die yet?" e levin bobo de amor sentindo que podia voar :) mas pô, as picuinhas de vida de casado, viu, até eles. muita falação de política e sentido da vida, tô de boa. não sinto que prestei tanta atenção quanto seria uma leitura normal, mas não me importei (eclipse foi obviamente mais tranquilo).

domingo, 31 de janeiro de 2021

assistidos (17) em janeiro

mars S02 (2018)

não sei se tem muito mais coisa pra dizer além do que eu já disse sobre a S01. a maior diferença dessa é que chega uns caras de uma empresa chamada lukrum (só com esse nome já dá pra imaginar as merdas, né) que só faz causar conflito. eles tão lá pra extrair coisa do solo e abusam da boa vontade da galera das antigas pra ter água, energia, etc. a doutora francesa descobre que tá grávida do galã espanhol (carol gosta muito dele) justo quando ela tinha avisado que ia voltar pra terra, sem chance agora. as loucuras da extração de petróleo no oceano aqui na terra, como pode existir aquelas plataformas monstruosas? e os derramamentos, puta que pariu. ativistas do greenpeace e afins, gente muito comprometida e disposta a arriscar a própria liberdade pra defender causas ambientais. pior que é urgente de verdade, né, véi. a irmã de hana morre de câncer :( tinha saído da presidência (não é bem esse o cargo né, mas enfim) pra poder viajar mas não aguenta chegar em marte, ninguém sabia de nada. que pesado que deve ser perder um irmão gêmeo. tempestade solar! contágio que se resolve da maneira mais simples! relações entre países rivaizinhos! termina com a esperança pro futuro, a bebê nascida, que loucura criar uma criança em MARTE. coitada, né, crescendo sem nenhuma companhia da idade dela, sem poder ir pra terra também porque o corpo não vai ser adaptado pra isso, já dá pra pensar nela aborrecente putona com os pais por deixarem ela existir. marsquakes em vez de earthquakes heuhue muito bom. hana e a colega da imsf sendo mais espertas que o escroto corporativo, in your face, bitch. a gente só fez passar stress com essa série, falar a verdade, viu. interessante mas nunca que eu reveria igual carol fez.

j'ai perdu mon corps (2019)

depois de um tempão pensando em que filme assistir e de 10 minutos gastos num filme em espanhol extremamente idiota, sobrou só carol, pölzl e eu e concordamos em ver uma animação potencialmente triste. queria ver essa há algum tempo, só não tinha acontecido ainda. começa com um cara no chão, choque no rosto, sangue e a mão decepada caída ao lado dele. mais tarde a mão escapa de uma geladeira de partes do corpo (onde diabos é isso? muitos olhos!), foge pela janela, enfrenta uma pomba, é atacada por ratos... fica intercalando com a história do cara, naoufel. tem uma pintinha na mão, perto da base dos dedos de fazer paz e amor. quando criança ele gravava os sons das coisas naqueles aparelinhos pra colocar fita cassete e ouvir com fones, muito show. a mãe era violoncelista, ele aprendia piano. queria ser pianista e astronauta. os pais morrem num acidente de carro e ele tava gravando, putz! triste os sonhos sendo esquecidos e a vida ficando miserável. ele adulto trabalha de entregador de pizza, sempre se atrasando, desanimado e ainda tendo que dar os trocados que ganha pro parente em cujo apartamento mora. numa noite de chuva em que ele se acidenta conhece gabrielle, mas só pelo interfone do prédio onde ela mora no 35º andar. conversa profunda e prolongada, massa. depois ele procura por ela na lista telefônica e descobre a oficina de marcenaria do tio dela, e consegue virar aprendiz dele e se mudar pra um quartinho super massa no lugar. ele gosta do que faz, mas quando passa um tempo e ele conta pra menina que a seguiu e por isso achou o tio e etc ela não gosta, óbvio. fez um iglu de madeira legal no telhado, mas poxa. desconta numa briga com um cara aleatório, volta pra casa com um soco, se distrai tentando capturar uma mosca igual fazia quando o pai ainda era vivo e o orientava sobre como conseguir isso, e pimba, relógio preso na máquina de serrar, mão brutalmente decepada. que agonia deve ser. no final a mão o encontra dormindo no quartinho, mas não se conecta de volta no pulso. termina com gabrielle encontrando a fita cassete no aparelho, o som de naoufel saltando do prédio, susto de ser suicídio, mas era pra pular num guindaste ali em frente. grito de vitória. neve caindo, suspiro. parece que tudo vai ficar bem. que bonito. gostei muito. fico com essa vontade de ir pra outro lugar e ter outra vida, fazer essas coisas diferentes, sei lá. trabalhar numa biblioteca que nem a menina, gravar sons como naoufel, escalar prédios em busca do horizonte. poder respirar e ter calma.

sib (1998)

documentário sobre duas irmãs iranianas de 13 anos de idade que há 11 anos viviam trancadas em casa. a mãe é cega e o pai fazia tudo, então quando saía deixava elas dentro de casa porque a mulher não podia tomar conta de outro jeito, e porque tinha medo por serem garotas. muito muito humilde tudo, o cara nem emprego tem, vive de dinheiro e comidas que dão pra ele. triste como em certas culturas as pessoas com deficiência são simplesmente inválidas, né. a mãe só aparece cobrindo o corpo todo, nem o rosto mostra. as irmãs parecem ter um retardo mental, mas pode ser por causa da privação de socialização; parece que os pais mal falavam com elas também. falam murmurando, fazendo barulhos só, ou usam palavras chave, frases prontas. o pai parece ter alguma coisinha também, meio velho ele. gêmeas não-idênticas, fiquei pensando naquilo de pra que ser gêmeo se for pra não ser idêntico haushu. os vizinhos que fizeram um abaixo assinado, uma assistente social levou elas mas depois devolveram sob a promessa de que os pais mudariam algumas coisas. muito louco o método dessa assistente social, tem uma hora que ela simplesmente aparece e tranca o cara pra dentro da casa, leva a chave, põe as irmãs pra fora de casa e manda elas irem fazer amigos, dá um serrote pro cara cortar as barras do portão e diz que se não fizer isso vai levar as meninas. elas ganham espelhos da assistente, bonitinho elas sorrindo e brincando com água. roubam picolés de um meninho que vende, uma vizinha paga, até uma cabra toma junto. querem comprar maçãs, depois conhecem duas meninas brincando de amarelinha, uma tagarela pra cacete. termina com elas indo buscar o pai pra comprar um relógio pra elas igual uma das meninas tem, depois da assistente dar a chave na mão delas pra tirarem o pai de lá se conseguissem. pesado tudo. carol que tinha que ver pra uma disciplina.

klaus (2019)

carol queria ver uma animação e nalu falou dessa no netflix. um cara folgado, que estudava pra ser carteiro mas tem pai rico, é mandado pra uma ilha no fim do mundo como punição. só pode sair de lá depois de mandar 3 mil cartas, se não me engano, mas o problema é que geral se odeia nesse lugar. as crianças não vão pra escola, só tem briga e más intenções, mas um dia o cara descobre um morador isolado com um depósito cheio de brinquedos e convence as crianças a mandarem cartas pra ele se quisessem ganhar brinquedos. nessa a escola é reativada (a professora tinha começado a vender peixe), a coisa toda de se comportar é inventada, e o lugar vai melhorando, estruturalmente e nos relacionamentos interpessoais também. as duas famílias inimigas que centralizam os desentendimentos querem acabar com isso e planejam um jeito de atrapalhar tudo, mas klaus (o cara isolado que fez os brinquedos) é mais esperto. acolhem o carteiro, apesar de descobrirem o acordo dele com o pai e por que ele tava ali, e no fim todos estão felizes e ele com a professora e klaus morre em paz depois de alguns anos (os brinquedos eram pros filhos que não chegaram a nascer, e depois a mulher morreu). okzinho, gostei da criatividade pra inventar os costumes natalinos (vão expandindo o megócio pra outras vilas e tal). ah, tem uma menininha indígena do povo sámi, margu, que habita o que hoje é a noruega. inesperadíssimo! fofinha demais, muito massa que não fizeram ela falando inglês :)

sábado, 30 de janeiro de 2021

lidos (4) em janeiro

ein toter zu viel: wiener walzer - wiener blut (roland dittrich & natascha römer)

esse foi o livro que escolhi ler pro trabalho final de alemão, então vou só colar aqui meu resumo/review, com letra maiúscula nos substantivos e tudo (meine erste Buchrezension auf Deutsch! eigentlich habe ich schon eine gemacht, als ich Anisha über Sophie im Schloss des Zauberers geschreiben habe, aber sie war nicht fertig):

    In dem Buch „Ein Toter zu viel: Wiener Walzer - Wiener Blut“ geht es um Liebe, Eifersucht, Tod und Freundschaft. Die Geschichte beginnt in Deutschland aber spielt in Österreich: Elisabeth, die eine eigene Detektei in Köln hat, ist von ihrer Freundin Isabel zu ihrer Verlobung mit Bruno nach Wien eingeladen. Wenn sie dort ankommt, entdeckt sie, dass Isabel eigentlich nicht mehr heiraten will, weil sie einen neuen Mann kennengelernt hat: Schauspieler, Tanzlehrer und Fremdenführer Stephan – das Gegenteil von Bruno, der Ingenieur und Leiter von einer Baufirma ist. Der Konflikt tritt auf, wenn Bruno ihm droht und Stephan hält sich nicht von Isabel fern – Bruno geht in Kapuzinerkirche, wo Stephan eine Gruppe von Touristen in die Kaisergruft führt, und wenn sie allein sind, schlägt er Stephan mit der Hand ins Gesicht und läuft weg. Wenn die Museumsangestellten seinen Körper finden, fängt Elisabeth ihre eigene Untersucht an, und bald findet sie die Wahrheit heraus. Bruno wird von der Polizei verhaftet, während die zwei Freundinnen sich nach den furchtbaren Ereignissen unterstützen.
    Am Anfang der Geschichte war mir nicht klar, warum sie „Ein Toter zu viel“ heißt, weil es keinen Toter gab und deshalb hat es keinen Sinn gemacht, noch einen zu haben. Als Stephan über die Kaisergruft gesprochen hat, habe ich gar nicht gedacht, dass der Tod dort passieren könnte, aber nachdem Bruno ihn geschlagen hat, hat es mich nicht überrascht, dass Stephan daran sterben würde. Ich denke, es ist eine Übertreibung, an einem Schlag zu sterben, aber natürlich muss alles dramatisch sein... Obwohl Bruno Stephan vielleicht nicht wirklich töten wollte, habe ich mich über seine Verhaftung gefreut, weil er für die Unfälle auf der Baustelle verantwortlich gemacht werden sollte. 
    Ehrlich gesagt, ich verstehe nicht, warum Isabel mit Bruno noch eine Beziehung hat, wenn sie nicht verliebt ist. Trotzdem er Ingenieur und Leiter von einer Baufirma ist, sollte sie ihn nicht heiraten, nur weil er das Haus von ihren Eltern reformieren kann. Sie könnte es selbst tun – sie hat doch ihren Beruf und ist ein freier Mensch, wie Elisabeth sagt. Ich wünschte, Isabel hätte mehr Platz in der Geschichte und wir wüssten mehr darüber, was sie beruflich macht.
    Die Präsenz von Musik in der ganzen Geschichte gefällt mir – der Wiener Walzer, der die Musik zu „2001: Odyssee im Weltraum“ war (das wusste ich nicht!); die Ahnung von „Der Tod, das muss ein Wiener sein“; die Volksmusik im Weindorf Grinzing; das Ende mit einem traurigen Lied... Man kann merken, dies ist ein wirklich wichtiger Teil von der Wiener Kultur, und das interessiert mich sehr. Insgesamt bin ich froh, dass ich ein längeres Buch auf Deutsch lesen konnte, und ich freue mich darauf, immer mehr lesen zu können.

boa noite punpun (inio asano)

eu devia ter escrito essa review depois de ter lido, mas óbvio que não fiz isso e até já devolvi pra biblioteca. conhecia fazia um bom tempo e me intrigava a representação dos personagens como pássaros, uma coisa meio dark, né, misteriosa. só a família de punpun é assim, já dá pra imaginar o porquê. começa com ele criança ainda, os pais discutindo muito em casa, o pai sem emprego e bêbado, agride a mãe e diz que foram ladrões que entraram em casa. bem na cara que não, e acho que punpun sabe. a mãe passa um tempo no hospital, tenta se matar, não quer voltar pra casa. numa hora diz até que se arrepende de ter tido filho, dessa vida sem saída de adulta. parece que quando mais jovem a mãe era aventureira (esqueci como falava essa palavra por um momento), o pai queria ser astronauta, mas tudo saiu dos trilhos por causa da realidade cruel da vida. o tio, irmão da mãe, aparece pra morar com eles depois que o pai sai de casa, e punpun assume o sobrenome dele, da família da mãe... estranho esse tio, solteirão de 30 anos meio nerd, sei lá. o pai tinha dado um telescópio pra punpun e ele enxergava um planeta só dele. solitário, triste. ele gosta da colega de classe nova, aiko, cuja família – não sei se nesse ou no segundo volume – ele descobre que é de um culto esquisito, ficam indo de porta em porta pra falar sobre e tal. eles brigam porque punpun mente o bairro onde mora e ela passa lá. promessas de viajar até um lugar lonjão juntos, a menina diz que se punpun não aparecer ela o mata, claro que não rola e fica tenso. amigos viciados em ver revista pornográfica, acham uma fita que tem uma mensagem de um cara no meio do pornô, dizendo que matou a família toda e deixou muito dinheiro numa fábrica abandonada. desafio pra irem pegar, vão todos juntos (até asako) e tem umas doideiras de ver espíritos, o amigo sofrer com fantasmas do passado e do pai decadente, criança que já fuma, explosão. tem um amigo que vê deus, uma figura meio alienígena. vê outras coisas também, bem perdido nas fantasias o coitado, nariz permanentemente escorrendo. punpun também vê um deus esquisito, que o tio falou que existe quando ele precisava de ajuda, uma falazinha pra invocar. quando ele aparece é uma imagem realista de um cara cabeludo sorrindo ou fazendo careta. com a paixão por aiko e essas coisas de pornô ele descobre masturbação pela primeira vez, umas imagens trippy com aiko no meio, vergonha. (acho que dei uma misturada nos volumes...) enfim, é assim meio perturbado, não gostei tanto quanto tava com expectativa mas tenho vontade de ver no que vai dar. interessante essa representação despersonalizada e a narrativa, a atmosfera. esse autor é o mesmo de solanin! faz sentido.

eclipse (stephenie meyer)

esse foi uma encheção de saco, hein. que porra ela ~percebendo~ que está in love com jacob depois do beijo escolhido??? precisava disso, sério? não tem explicação pra galera toda atraída por ela, nem kristen stewart ela é de verdade, tlgd. e jacob falando que com nuvens pode competir, mas não consegue lutar contra um eclipse, blablabla. uma merda ele também, violento e forçando as coisas, macho chato que não entende um não e fica pegando na mão e agindo de um jeito escroto se aproveitando das coisas. edward é muito decente mesmo, todo educado e sensato na maioria das coisas, mas outra bosta a exigência do casamento e as besteiras de não deixar bella ir pra la push. bella também só faz as coisas pelos outros né, nem se ajuda a coitada. não lembrava da coisa dos vampiros ficarem meio que "frozen" no jeito que eram quando foram transformados, só vi nas páginas de meme mas edward comenta aqui. que não acontecem grande mudanças na (pós)vida deles mas que bella transformou tudo. interessante ele não ter tido essa gana de relacionamento em um século, os cullen que são afobados e tão tudo comprometido, né. não precisava ser assim, é tão massa ter histórias de amizades fortes também... cada vez mais vou percebendo stephenie meyer mórmon. esses livros que descrevem dia após dia, primeira pessoa, em forks fica tudo tão arrastado. nem com um exército de recém-criados tem muita ação na coisa; o filme é bem melhor nesse sentido, de mostrar essa parte e tal. riley é bem jovem do jeito que descrevem, papel pequeníssimo, só pra morrer. victoria também, que fracote, quando finalmente acontece alguma coisa não é nada de mais. bella dando uma de third wife mas nem chegou a ter que ser socorrida. massa as histórias dos quileute; me pergunto se tem algum fundo de verdade, se a autora trabalhou com o que já existia (provavelmente não)... e charlie descrevendo os uivos e billy atento e dando desculpas, tudo vai fazer sentido quando jake se revelar pra ele daqui a pouco. ah, ouvi o audiolivro no youtube, gostei da experiência! poder fazer outras coisas enquanto leio, vi vantagem. mas acho que se fosse um livro com que me importo mais eu não conseguiria, ia sentir que poderia facilmente perder coisas importantes.

boa noite punpun v.2 (inio asano)

nesse já passou um tempo, punpun cresceu, tá bem mais deprimido. bem pesado aqui, na verdade; a mãe e o tio notam, mas tão perdidos nas próprias coisas também. aprofundamento na história do tio quando aparece uma menina interessada nele, ele conta um episódio bizarro do passado em que uma menina tentou matar a própria mãe na escola onde ele dava aula de cerâmica, foi com ele pra casa e assistiu ele transando com a namorada escondida no armário. traumas, traumas. tentativa de se matar na linha do trem mas "nem pra isso tem coragem", a menina nova acolhendo. passa a viver na casa com os onodera, a mãe gosta que ela cozinhe. até tenta mexer com punpun mas o coitado tá cada vez mais distante, sempre silencioso. aiko não fala mais com ele desde o incidente da fábrica, se não me engano, e agora ela namora o veterano bom no tênis. uma espécie de competição por ela, aposta em cima do jogo que tinha, fode o pé e perde mas punpun empurra aiko pra ele de qualquer forma. todo mundo mal, né... esse fiquei lendo no sofá da vó de analuísa nas noites de extrema ansiedade em que não conseguia dormir, variando entre ler o mangá e assistir elvira e gilson se matando de brincadeira. loucura nos rabiscos também. essa review parece legal pra depois que eu terminar tudo, ainda tem vários volumes... na biblioteca só tem mais o terceiro, pena. achei esse vídeo massa desses dois primeiros volumes!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

lidos (2) e assistidos (3) em dezembro

judy moody: judy de bom humor, judy de mau humor, sempre judy moody (megan mcdonald)

menininha mau humorada, melhor amigo rocky, preconceito com um colega de sala nerd que depois ela descobre que tem tudo a ver com ela, irmão mais novo, gatinha ratinha, clube do sapo... li com matheus enquanto tava na casa dos pais, começou sendo um capítulo por dia mas logo ele animou e acabamos lendo pelo menos dois. outra coisa ler pra criança, né, colocar emoção e surpresa na narração e se investir na história. foi uma experiência boa que nunca tinha conseguido com ele, talvez porque não era a hora certa ainda. dessa vez ele sentia minha falta e tá mais velho. o melhor de tudo foi fazer nossas próprias colagens "quem sou eu", igual judy moody fez pra escola! pedi pra minha mãe continuar a série com ele; até onde eu sei tá acontecendo. essa esperança de ser uma influência boa e uma inspiração pro irmão mais novo...

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aschenputtel (rosemarie künzler-behncke, markus zöller)

achei no sebo! a cinderela em alemão hahah. feliz de conseguir ler, afinal a indicação é de 2 anos de idade pra cima... linguagem simples, verbos que eu conheço, etc. bonitinho o jeito de contar, as ilustrações também :) e agora que pölzl tá com uma impressora posso escanear pros colegas lerem.

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soul (2020)

mal comecei a ver propagandas do filme novo da pixar e nalu perguntou se eu conseguia baixar, e assistimos um dia depois de ter sido lançado (a legenda tinha vários defeitos, inclusive). antes de assistir vi comentários no twitter sobre a disney não conseguir deixar um personagem negro com pele negra por um filme inteiro e sobre essa representação sempre burocrática do além-vida, em vez de retratar a perspectiva de outras culturas. enfim, joe gardner é o protagonista, músico que dá aula numa escola de ensino fundamental e não quer aceitar o contrato full-time porque tem esperanças de conseguir fazer o que realmente o cativa (tocar!). a mãe tem uma loja de roupa social e desaprova essas incertezas da vida do filho. e aí joe consegue ser chamado pra tocar com uma saxofonista foda e fica super feliz, mas cai num buraco e morre... no processo de passar adiante ele não se conforma, vira uma espécie de orientador de almas que ainda vão nascer, assume o posto de outra pessoa e fica com uma tal 22 conhecida por nunca ter sido convencida a nascer, mesmo com inúmeros mestres, famosos até. acabam se unindo num acordo de que ele ia nascer no lugar dela e ela ia morrer no lugar dele, mas acabam indo pra terra precipidamente, e joe cai num gato e 22 no corpo de joe. acaba que ela curte estar viva, observa as folhas, se diverte com os pequenos detalhes, mas joe age mal falando que isso não é paixão, é só viver. umas mensagens de que você não é seu talento, de que nossa missão é só viver, e não fazer coisas. joe aprende isso de certa forma, mas magoa a coitada bastante. tem um lugar onde as almas perdidas ficam, não só mortas mas de gente que se aliena pra conseguir seguir... foda. enfim, chorei muito me identificando com 22, apesar de no geral não ter me cativado muito. carol disse que esperava mais, analuísa ficou muito mal porque tem medo de morrer, e no fim ninguém conversou sobre (eu queria, mas tudo bem).

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happiest season (2020)

aff, concordo que abby devia ter ficado com riley no final em vez de perdoado harper. amando ver kristen atuar como ela mesma kkk as meninas admiraram muito ela, inclusive, tiraram até foto do momento em que ela se apoia no balcão durante o natal, encarando harper de longe, chateada. não fui com a cara dessa namorada em nenhum momento, mas bonitinho como kristen é baixinha perto dela. riley foi bem mais legal e mais interessante, compartilhou que se identificava em ser deixada de lado igual quando namorou harper e foi exposta por ela pra escola inteira sozinha. pesado, né. muito bom o amigo gay fada sensata indo resgatar abby daquela casa e dando um sermão tocante sobre o processo de cada pessoa com sair do armário. achei importante de existir pra outras gerações e tal; sempre bom ter mais representatividade em gêneros clichês, afinal. mas nada de mais o filme. foi legalzinho de assistir, passar tempo, dar sorrisinho. umas besteiras que só em comédia romântica, o amigo substituindo o peixe haushu. e o final podia ser outro, não vejo sentido nesse perdão depois de tanta mágoa. fiquei firme o tempo todo. ressignificando datas, né.

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mars season 1 (2016)

carol maratonou essa série inteira nuns dias de férias que deu a si mesma e foi engraçado o tanto que ela se envolveu e vibrou com o que acontecia. todo mundo assistiu pedaços enquanto isso e quando pölzl voltou do natal com os pais ela quis ver também, então resolvemos ver direto (carol embarcou junto pra rever). mistura ficção com documentário, gente falando de ir pra marte e tudo que isso envolve, possíveis problemas, avanços tecnológicos necessários, etc, e tudo sendo ilustrado na historinha. desde estudiosos e escritores até elon musk falando (cuja empresa spacex, por sinal, tem esse nome tosco). negócio de tentarem fazer foguetes reutilizáveis pra ter a capacidade de investir em viagens pra marte. a loucura que é considerar ir pra outro planeta enquanto a terra tá longe de ter os problemas resolvidos. strong female protagonist que ainda por cima gives off lesbian vibes e tem uma irmã gêmea correspondente na terra. problema na aterrissagem (amartissagem?) e caminhada básica de 70km até a base improvisada. segunda leva de gente com um botânico esquisitão que se mata num delírio levando mais 6 pessoas e a estufa toda. o problema da água e das tempestades de areia, gente fazendo coisa em lugares remotos na terra também. efeitos psicológicosss. descoberta de formas primitivas de vida. fiquei pensando em como o ser humano se acha o centro do universo e a última bolacha do pacote, né. se houver vida em outros planetas, qual a probabilidade de se desenvolver igual a gente? ou sequer de se desenvolver, na real, porque tem tudo aquilo de degraus evolutivos. e os milhões e bilhões de anos pra de fato observar alguma coisa...? o tanto de merda que pode acontecer, véi, não dá pra ter esperança. a conclusão é que não tem sentido ir pra marte se não for pra explorar, e que merda.