segunda-feira, 30 de abril de 2018

lidos/assistidos em abril

the lovely bones (2009)
já tinha visto mas não lembrava de tudo. saoirse ronan é muito perfeitinha, chega a ser estranho. decepcionada com o final que o assassino levou, podia ter sofrido bem mais, nem preso foi. e a menina prefere beijar o garoto que fazer algo contra o cara...? sei lá esse negócio de perdão, viu. mas ok, interessante até. bem irreal as cenas do "céu" e tudo mas não me incomodou, esperava isso mesmo. agoniazinha da situação toda.

otherlife (2017)
droga de pingar no olho que dá experiência de muito tempo em pouco tempo e claro que vira black mirror numa hora. um cara usa uma amostra sem teste e se estrebucha todo, a mulher responsável é "condenada" a viver um ano dentro da coisa. passa o tempo mas recomeça, e aí ela percebe que tá num lugar real isolada. não entendi quando troca de um pra outro. perseguição pra recuperar um negócio que a mulher fez pro irmão que tá em coma; no final ele só queria morrer em paz. me identifico. achei meio filme de larissa.

apocalypse now redux (1979)
explosões e mortes e absurdos. this is the end, my only friend. coronel-tenente ou sei lá doido que pensa em surfar durante batalha e gosta do cheiro de napalm pela manhã, gente se drogando pra suportar, cara enlouquecido no meio de nativos. o coração das trevas só que vietnã. review/comentários relevantes aqui e aqui. nem vou falar muito sobre porque estudar isso em TL e fazer resenha dessas coisas já fez dar o que tinha que dar.

o coração das trevas (joseph conrad)
rt a última frase. resenha aqui.

kimi no na wa (2016)
troca de corpo e incongruência no tempo inesperada. me perguntei mesmo porque não ligaram um pro outro antes, mas entendi. só fica estranho como não perceberam as datas na escola ou nos celulares, sei lá. será que aconteceu de verdade uma queda de meteorito em algum lugar e destruiu gente? não imaginava que faziam um tipo de sakê mastigando e cuspindo o negocinho. só em filme essa coisa de jovens explodindo o lugar que distribui energia e repassando comunicado em postes alto-falantes (ou, pelo menos, difícil de imaginar possibilidade). legal sobre a hora dourada/mágica. emocionei que ele escreveu "te amo" em vez do nome; talita disse que faria muito e eu provavelmente também. já tava angustiada deles não se falarem no final, porque pareceu aquele outro filme japonês que vi. reconheci o intérprete da música tema mas não lembro onde ouvi radwimps antes, talvez trilha sonora de anime mesmo.

la battaglia di algeri (1966)
sobre a guerra de independência da argélia. batalha de alger, a capital, várias estratégias dos "rebeldes", questão da mídia, segregação e outros assuntos. bacana o filme, diretor comunista e tal. li ensaio de edward said sobre ele. parece que um personagem é interpretado pela pessoa real que participou das coisas. resenha aqui.

l'avenir (2016)
chato. professora de filosofia com mãe deprimida que uma hora morre. o marido tem amante e decide ir embora. ela fica com a gata da mãe, visita fazenda onde ex-aluno mora, a gata se aventura pelo mato. o neto nasce e a filha chora.

meursault, contra-investigação (kamel daoud)
livro pra dar identidade e história ao árabe morto por meursault em o estrangeiro. o irmão mais novo vai contando, questionando, provocando. fala da guerra de independência da argélia, de ter matado um francês, da maneira como foi afetado por tudo. interessante e bacana que existe, mas não achei aquelas coisas. li o contraponto antes como sugestão de elena, pra não ir com a ideia de que uma obra depende da outra. umas falas boas.

Anotaste bem? O meu irmão chamava-se Moussa. Tinha um nome. Mas permanecerá o árabe, e para sempre. O último da lista, excluído do inventário do teu Robinson. Estranho, não? Desde há séculos, o colono aumenta a sua fortuna dando nomes àquilo de que se apropria e retirando-os ao que o incomoda.
(...) O último dia da vida de um homem não existe. Fora dos livros que narram, nenhuma salvação, apenas bolas de sabão que rebentam. É o que melhor prova a nossa condição absurda, caro amigo: ninguém tem direito a um último dia, somente a uma interrupção acidental da vida.
(...) Mas não, ele não o nomeou, porque, desse modo, o meu irmão teria colocado um problema de consciência ao assassino: não se mata facilmente um homem quando ele tem um nome.
(...) Para mim, a religião é um transporte coletivo que não utilizo. Gosto de me aproximar desse Deus, se for preciso a pé, mas não em viagem organizada. Detesto as sextas-feiras, creio que desde a Independência. Serei crente? Resolvi a questão do céu através de uma evidência: entre todos aqueles que se entretêm a falar sobre a minha condição – grupos de anjos, de deuses, de diabos ou de livros –, soube, muito jovem, que eu era o único a conhecer a dor, a obrigação da morte, do trabalho e da doença. Sou o único a pagar as facturas de eletricidade e a ser comido pelos vermes no fim. Portanto, rua! Para começar, detesto as religiões e a submissão. Ocorre a alguém correr atrás de um pai que quase nunca pôs o pé na terra e que nunca teve de conhecer a fome ou o esforço para ganhar a vida?

o estrangeiro (albert camus)
já sabia tanto sobre a história que não foi nada inesperado. matou por causa do sol e do sal, foi julgado pela insensibilidade no velório da mãe, ninguém se importou com o árabe. gente em TL dizendo que tem a ver com existencialismo, angústia do ser, nada faz sentido e não importa quem seja; várias coisas a serem analisadas sob a ótica da experiência imperial francesa. vou estudar mais disso então nem vou comentar muito, mas dá certo incômodo de ler, toda hora falando de coisa física e o protagonista indiferente a tudo. talvez proposital. irônico ter que fazer essa leitura bem quando me sinto angustiada em existir.

sábado, 31 de março de 2018

lidos/assistidos em março

vendo vozes (oliver sacks)
tava na lista de quero ler e surpreendentemente foi uma das primeiras leituras solicitadas na faculdade. é sobre surdez, mas vai bem além disso – língua, linguagem, pensamento, aprendizagem, cultura surda, ativismo… muito massa e interessante, aprendi bastante. várias coisas que eu nunca tinha considerado, eventos incríveis através da história, coisas péssimas cuja influência persiste até hoje. lá vai resumão: os surdos receberam maior atenção pela primeira vez no século 18, com um abade francês que se preocupava com a questão de não serem capazes de se confessar nem de ouvir a palavra de deus. ele percebeu que se comunicavam por sinais e se dedicou a ensinar a gramática francesa a essas pessoas, pensando que faltava algo em sua linguagem (o que não era bem verdade), no que chamou de “sinais metódicos”. até então, esses surdos viviam como marginais, pobres andarilhos, cujos direitos humanos fundamentais eram negados; trinta anos depois já existiam 21 escolas para surdos na europa, com muitos alunos se tornando filósofos e educadores. tem aí uma perspectiva iluminista de universalidade, levar o conhecimento para todos e tal. já no século 19, um surdo que havia sido aluno de uma dessas escolas foi para os estados unidos e co-fundou o american asylum for the deaf, que mais tarde se tornaria a primeira instituição de ensino superior para surdos no país, a gallaudet university. a língua de sinais americana derivou-se da francesa, portanto (acho que o mesmo aqui, na verdade, porque quem sugeriu a criação de uma escola para surdos no brasil foi um ex-aluno dos métodos do abade também). lá pra 1870 surge a figura de alexander graham bell, que desfaz o trabalho de um século em poucas décadas – inventor do telefone, popularizou o ensino oralista nos estados unidos e influenciou a decisão tomada em 1880 num congresso de educadores de surdos: abolir o uso da língua de sinais nas escolas. fala-se bastante sobre como o ensino oral significa deterioração no aproveitamento educacional e na instrução de surdos, não só pelo tempo enorme gasto ensinando crianças a falar mas também pela menor exposição ao aprendizado “incidental” que ocorre fora da escola. imensamente importante que crianças surdas tenham língua de sinais como primeira aquisição, já que é sua língua natural – bebês são capazes de fazer o sinal pra “leite” com 4 meses de idade… terríveis consequências quando existe privação de linguagem – (...) ser deficiente na linguagem, para um ser humano, é uma das calamidades mais terríveis, porque é apenas por meio da língua que entramos plenamente em nosso estado e cultura humanos, que nos comunicamos livremente com nossos semelhantes, adquirimos e compartilhamos informações. Se não pudermos fazer isso, ficaremos incapacitados e isolados, de um modo bizarro. (...) E, de fato, podemos ser tão pouco capazes de realizar nossas capacidades intelectuais que pareceremos deficientes mentais. não só isso, mas a língua atua como intermediadora do pensamento abstrato – Falamos não apenas para dizer a outras pessoas o que pensamos, mas para dizer a nós mesmos o que pensamos. A fala é uma parte do pensamento. muitos casos de surdos que levam décadas até receberem abordagens adequadas e adquirirem consciência de seus próprios pensamentos, do conceito de passado e futuro, várias coisas absurdas – a língua transforma a experiência. a influência do fator emocional nessa aprendizagem, a necessidade de transação com outra pessoa para desenvolver linguagem, a existência fantástica de comunidades bilíngues inclusivas, a visão de mundo totalmente diferente que línguas de sinais possibilitam a quem as utiliza, o embate entre deficiência e cultura… só nos anos 60 a língua de sinais foi reconhecida como língua de verdade, estudada por um linguista – o que possibilitou um resgate, mas que tem se dado a passos lentos; tem muitos fonoaudiólogos que proíbem surdos de gesticular, pais que não admitem que os filhos não pertençam a seu mundo, gente que discrimina… tantas questões. muito o que pensar!

uma era de ouro (tahmima anam)
história que se passa durante o período da guerra de independência de bangladesh, que antes era paquistão oriental e eu não sabia (pensava até que bangladesh era cidade indiana). no caso, o paquistão ocidental ocupa o país por 9 meses tentando unificar, apesar de cada um estar de um lado da índia. única parte interessante é isso, na real… narração arrastada, romance desnecessário, protagonista sem graça. umas reações incomuns às coisas, sem tentar agradar – talvez isso seja inovador, mas nada que me tenha feito gostar mais da leitura. ela é viúva, os filhos vão morar com o tio porque não tinha como cuidar deles, ela rouba uma joia de um velho pretendente e constrói uma casa pra alugar, recupera as crianças. os filhos são estudantes, comunistas, apoiam a independência de bangla. tem a questão das línguas, urdu e bengali… os que invadiram o país massacrando tinham preconceito com hindus também. ruinzão as torturas de guerra e tudo o mais, acampamentos de refugiados, cidades abarrotadas de gente, agoniante. nojentinho o breve relacionamento; no final o cara se entrega fingindo ser o filho procurado dela, já que sabia que ela faria qualquer coisa pra não perder os filhos de novo.


Quando me ordenais que cante, meu coraçãoparece se romper de orgulho.Olho vosso rosto e sinto nos lábioso sabor molhado das minhas lágrimas.Minha adoração abre suas asascomo um pássaro alegre a voar sobre os mares.Somente assim, minha voz, é que a vós me entrego.Ébrio da alegria sublime de cantar,esqueço-me a mim mesmo e vos chamo de amante,a vós, que sois senhora de mim.Vós me fizeste parte do que é eterno, porque assim o quiseste.

Ela se lembrou de um verso de Ghalib. Zindagi yun bhi guzar hi jaati. A vida teria seguido seu curso previsível, teria continuado como sempre, não fosse o amor. Tudo nela agora estava diferente.


byōsoku go senchimētoru (2007)
primeiro filme do netflix que baixei pra  ver e que merda, escolhi justamente o que falava de relacionamento à distância e era triste. a chain of short stories about their distance – no primeiro conta como esse casal de amigos se conheceu na escola, crianças, e antes de começar o ensino médio a menina se muda da cidade. trocam cartas e uma hora o menino vai de trem visitá-la, atrasa um monte por causa do clima de neve, senti a angústia junto. fiquei pensando se no japão deixam de verdade adolescentes irem sozinhos buscar amigos nas estações ou ficarem andando na rua deserta tarde da noite. passam poucas horas juntos mas rola romance e começam a namorar. o segundo é quando o menino se muda também, tem uma garota nova que se apaixona por ele; nada acontece, ela percebe que ele tá sempre olhando pra “coisas longínquas”, não pra ela. tão escolhendo carreira (estranho esse processo no japão) e essa menina não quer nada, mas aprende indiretamente com ele a ir fazendo o que der. numa hora diz algo como “você é tão gentil comigo que me dá vontade de chorar”; parece que filmes japoneses tem o costume de dizer umas coisas assim, sei lá, mais reais (pra mim, pelo menos). na última parte já cresceram, ele tá trabalhando muito e o relacionamento já não existe. quer dizer, sei nem se o que ele se refere de ter durado três anos é com a menina do começo ou outra pessoa, porque não reconheci o nome e os detalhes da aparência que mostram. a do começo parece que vai se casar… o cara tá triste e se demite, percebe que a vida não tá fazendo sentido; não por causa do término, mas só isso mesmo. claro que chorei. não entendo por que falam os nomes diferente do que aparece na legenda. e supostamente cinco centímetros por segundo é a velocidade que leva pras pétalas de cerejeira caírem no chão.

suffragette (2015)
filme sobre o movimento da classe operária feminina britânica que lutou pelo voto pras mulheres. absurdo a repressão e o tempo que levou, pior ainda pensar que tem muita coisa pra mudar no mundo ainda. merda o cara dando o garotinho pra adoção porque supostamente não podia ser pai e mãe dele sozinho, sendo que tem tanta mulher que faz isso... não deve ser real essa parte da maud watts mas bem capaz de ter acontecido, triste pensar. me pergunto se seria capaz de fazer greve de fome, se participaria de ativismos assim em outras épocas. bem merda também que acaba sendo uma conquista de uma pequena parcela das mulheres; tem nem personagem negra, por exemplo. apesar disso é massa pensar o que significou, o que temos hoje e devemos às sufragistas. chorei em vários pontos porque sou besta e qualquer coisinha relacionada a minorias me abala forte.

coraline (2009)
não lembrava se já tinha assistido isso antes e muito capaz que sim, porque é reconhecível muita coisa. bizarrinho, negócio meio pesadeloso, mas ok. coraline chata, irritante como fala e age… me incomodava quando começava a comer alguma coisa e largava um monte. o nome é como inverter as primeiras vogais de caroline mesmo, né? só penso em cora coralina, mas nem sei se é nome real ou inventado.

equals (2015)
achei ruim, mas pelo menos tem kristen. engraçado ela fazer filme de futuro fictício onde humanos não têm emoção, considerando o que falam da falta de expressão dela (na real eu gosto das caras que ela faz). parece tão lésbica, podia muito bem ser casal homossexual os protagonistas. acho besta a cara daquele ator, não sei, talvez por lembrar do filme lá que ele é zumbi... e bem nada a ver e esquisito de pensar essa realidade, mas falando assim pareço meu pai que despreza todo filme que tem coisa impossível. pensei que seria um romeu e julieta distópico, com suicídio e tudo, desperdício aí. em vários momentos quis mandar gente ir se f*der. como ninguém percebeu que de noite ela ia pro apartamento dele? e queria saber de onde vinha as comidas, pra quem ficava esse trabalho. doido pensar na tensão sexual e ninguém tendo ideia de como funciona isso. bem desumanizador esse negócio de não ter sentimentos, né.

13th (2016)
documentário sobre o encarceramento em massa nos estados unidos desde os anos 70 e sua ligação histórica com a escravidão e a exclusão da comunidade negra. 2 milhões de detentos nos eua, 25% da população carcerária do mundo inteiro – como pode? não imaginava que existia uma emenda na lei americana que coloca prisioneiros no nível de escravos, nem que sentenças são determinadas previamente e que quase não tem julgamentos; absurdo demais. isso de prenderem ex-escravos por qualquer coisinha após a abolição, segregação racial, crack, guerra às drogas, stand your ground, 3 strikes, campanhas políticas, policiais assassinos, véi! tanta coisa colocando negros como o alvo, genocídio mesmo, além de outras poc e imigrantes. muita merda no mundo, angústia no peito e lágrimas nos olhos. muita coisa pra ser arrumada. mostra o black lives matter, pelo menos uma esperançazinha no final.

the black panthers: vanguard of the revolution (2015)
documentário que conta a história de um dos movimentos mais relevantes do século 20, os panteras negras. vi logo em seguida desse último então algumas coisas já sabia, certas figuras que são estatística dessa política criminal horrível… na verdade esses dois filmes passaram em sessões de cinema no iel, mas eu não quis ficar até de tarde pra assistir lá. legal saber melhor como isso funcionou – essa questão de policiais abusarem de violência nas capturas motivou um grupo de negros a sair armado pra ficar por perto quando alguém era detido, só pra supervisionar que nada passasse dos limites (e pra intimidar também). foi ganhando popularidade e se espalhou pelos eua inteiro, criou um programa de sobrevivência que dava café da manhã pra crianças, vendeu jornais pra caramba, mais tarde registrou muita gente pra votar. vários símbolos e líderes; bacana o nome huey e os dentes desse cara. bem merda a violência, mortes, injustiça e tudo. show por ter ido contra o governo americano, ter unido tanta gente, pela resistência, reafirmação e tal. gente estilosa. power to the people… mesmo tendo se dividido e depois acabado, as lutas continuam atuais e necessárias. parafraseando, pode-se prender revolucionários mas não pode-se deter uma revolução.

into the wild (2007)
massa. filme que a gente assiste em dia triste e fala umas coisas que dá vontade de chorar. vontade de ir viver sozinha também, longe desse negócio todo de carreira e família, pensamentos de nada fazer sentido e impossível ficar bom. não sabia que tinha kristen. me pergunto se dá pra fazer esse tipo de coisa e se manter vegano; deve ser complicado em lugares tipo alaska e tal. dá pra arrumar empregos sem identidade e tudo? trabalhar quando precisa juntar dinheiro e ir fazendo o que dá, parece bom. não lembrava que era daí a frase happiness only real when shared. essa necessidade do outro… pra validar tudo, poder afirmar que a gente existe. meio desesperador. ficava sempre pensando como seria se fosse mulher fazendo isso tudo, apesar de ter uma ideia pelo filme wild que vi ano passado com talita. o senhorzinho do monte da salvação parecia real, não ator; será? enfim, gostei e alguma hora vou querer voltar e rever, ou então ler.

the butterflies of zagorsk (1990)
documentário sobre os surdocegos da escola fundada por lev vygostky, na rússia. absurdo e incrível; o método foi pioneiro nos anos 70, em um contexto de união soviética que procurava valorizar a todos e não ver ninguém como incapaz (apesar de os estudos desse psicólogo levarem o nome de defectologia). pra quem perde a visão e/ou a audição na infância ou adolescência ainda dá pra compreender como se dá o aprendizado de novas formas de comunicação, mas e quem nasce assim? aquilo de surdez pré-linguística e pós-linguística de que oliver sacks fala em vendo vozes… vi sobre helen keller e haben girma também, e a última oraliza perfeitamente pois tem audição residual, diferente de helen, que tem “sotaque de surdo” (e haben fala high-pitched porque provavelmente consegue ouvir melhor nessa frequência, o que a permite controlar sua fala). os sinais ensinados em zagorsk são o alfabeto manual soletrado, o que me parece bem complicado de fazer, mas entendível já que se usa apenas uma mão… impressionante a rapidez em que gesticulam. inacreditável tudo; eleonora se emociona e disse que chora o filme todo. legal de existir.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

lidos/assistidos em fevereiro

laranja mecânica (anthony burgess)
massa, nada muito diferente do filme de stanley kubrick – mas este é baseado na edição americana que omite o último capítulo, no qual alex tá "crescendo" e começando a pensar sobre família (coisa que achei bem estranho, mas ok). não lembrava do final do filme, se tem isso de ele ser curado depois da tentativa de suicídio. muitos extras na edição especial de 50 anos; colocam ao lado de admirável mundo novo e 1984 como distopia. "laranja mecânica" por causa da condição de automatizar o orgânico, "o casamento forçado de um organismo e um mecanismo". bastante ênfase na questão da perda da escolha, Será que Deus quer bondade ou a escolha da bondade? Será que um homem que escolhe o mal é talvez melhor do que um homem que teve o bem imposto a si? muito nadsat misturando palavras russas e linguajar da classe operária britânica, fico pensando assim, às vezes. parece que o autor falou numa entrevista que alex se torna um grande compositor depois dos eventos descritos no livro, coisa reforçada pela aparência semelhante à beethoven, e a técnica ludovico tem esse nome por causa de ludwig também, não tinha percebido. bacana os textos do autor no final (talvez um pouco desnecessário o tal de os russos humanos), pensamentos sobre submissão social e etc – trabalhadores têm pouquíssimo espaço para o individualismo, dá pra entender a submissão como férias da necessidade de escolha; estamos mais acostumados a ser instruídos a não fazer o mal do que estimulados a fazer o bem... trechos também dos extras: rei james na bíblia diz "no amor não há medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo; porque o medo envolve castigo; e quem tem medo não é perfeito no amor" (1 joão 4:18) e goethe "cuidado ao desejar qualquer coisa na juventude, pois você a terá na meia-idade".

a clockwork orange (1971)
reassisti pra comparar com o livro e também porque não lembrava de tudo. gostei menos do que antes e prefiro o livro mesmo... não pensei que o escritor lá que provocou a tentativa de suicídio de alex, porque no livro os colegas com interesses políticos parecem genuínos (apesar de que o cara pode ter ido visitar o quarto ao lado de onde hospedaram alex quando o reconheceu também). os ex-druguis dele não fazem quase nada com alex no filme comparado à "ultraviolência" original, grande coisa bater com aquele cacetete. lembrei da música, aquele "tontontontonton", mas a respeito do tratamento só mencionam a nona sinfonia. no livro o que segura os olhos dele abertos são coisas puxando a testa, o que me parece cumprir o propósito de um jeito menos angustiante que aqueles ferrinhos nas pálpebras, mas bom que pensaram na coisa de lubrificar os olhos. não lembrava que ele fica arrotando quando passa mal. no mais é bem fiel à narrativa... e mais cinematográfico acabar na cura mesmo. ruim que na história geral alex nem passa muito tempo sofrendo com os efeitos do negócio. e nem falam muito sobre a hipnopedia que o trouxe de volta, né.

língua: vidas em português (2001)
documentário que passaram na primeira semana de introdução aos estudos da linguagem. fala basicamente sobre isso, aspectos linguísticos do português – falamos a mesma língua, mas ela não é falada da mesma maneira(...) não há uma língua portuguesa, há línguas em português. se passa na índia, em portugal, moçambique, brasil, japão e frança. pensamentos sobre a identidade do idioma, sobre portugal ter dado à luz um filho maior que o pai, sobre a língua ter ficado "sem dono" e "se sujado" e se transformado em cada lugar que ficou (falas de mia couto). legal de ver, certa emoção de falar português e estar na faculdade de linguística.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

lidos em janeiro

os big noses e os insanos - corporation of the insanos (quadrinhos de talita dias aka TMS)
acho massa demais a criatividade que talita tem desde sempre (são de 2006), muita coisa engraçada e bem feita. nunca que eu teria noção de desenho pra fazer a família dos big noses com 12 anos de idade (não tenho até hoje, né). gosto do final do primeiro dos big noses, uma fotografia... o primeiro volume dos insanos é "estilo mangá"; tem muita luta, fusões, "bora ver" e nomes ótimos – principal, tudo, nunca, quem, do mal, tudo principal do mal d'flash – além de capítulos dando spoiler – o hulk, o ataque do hulk, a morte do hulk haushshu muito bom!

the yolo pages (adefisayo adeyeye, beach sloth, gabby bess, liz bowen, melissa broder, jos charles, richard chiem, santino dela, brian ecklund, pancho espinosa, joshua espinoza, catalina gallagher, cean gamalinda, james ganas, cassandra gillig, amelia gillis, lara glenum, philip gordon, tom hank, michael hessel-mial, @horse_ebooks, brett elizabeth jenkins, raymond johnson, kenji khozoei, ji yoon lee, tao lin, cayla lockwood, patricia lockwood, carrie lorig, sharon mesmer, stephen michael mcdowell, luna miguel, k. silem mohammad, moon temple, ashley opheim, anthony peregrine, @postcrunk, john rogers, amy saul-zerby, bob schofield, lk shaw, angela shier, bianca shipton, alexandra simone, andrew w.k., sara woods, dylan york, joseph kendrick, steve roggenbuck, e.e. scott, rachel younghans & charlie the dog emeritus)
livro massa cheio de alt-lit, o preferido de talita e talvez a antologia mais completa (não sei se teve mais coisa assim desde 2014, o ano que foi lançado). bastante motivacional, talvez todo mundo vegano, vários LGBTs, show. única coisa que não gostei tanto foi flarf poetry. anotei vários poemas que curti aqui e aqui e os poetas que mais gostei foram os seguintes (deixando aqui pra pesquisar mais depois): adefisayo adeyeye, beach sloth, joshua espinoza, catalina gallagher, tom hank, kenji khozoei, cayla lockwood, luna miguel, moon temple, ashley opheim, john rogers, amy saul-zerby, bob schofield, lk shaw, bianca shipton, alexandra simone (alli simone defeo), andrew w.k., russ woods, joseph kendrick, steve roggenbuck e e.e. scott. cadastrei o livro no skoob!

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

assistidos em janeiro

the hitchhiker's guide to the galaxy (2005)
bem bostinha. poucas coisas engraçadas de verdade, ênfase desnecessária nos golfinhos no começo (com direito a música), desvio total pra criar romance com trillian... marvin não era quadrado e cinza como imaginava, zaphod parecia o cara de nickelback. não tem enredo nenhum, é só um amontoado de coisas nonsense jogadas de qualquer jeito. já sabia das críticas mas esperava mais.

another (2012)
o live-action é do mesmo ano que o anime e cada mídia consegue modificar as coisas de um jeito. não lembro mais como é no mangá mas sei que prefiro o final original, apesar de ainda gostar do anime. achei o filme ruinzinho e fraco, malfeito, uns efeitos bizarros. a primeira morte, do guarda-chuva, chega a ser engraçada porque dá pra perceber claramente que usaram um robô esquisito. alteraram como as mortes aconteciam também, encurtaram pedaços e inventaram umas coisas. só quem conhece a história vai se interessar, acho. esperava mais (2).

black mirror S04 (2017)
gostei bastante dessa temporada. uss callister tem a atriz que faz a mãe de how i met your mother como principal; massa eles pilotando em direção ao buraco de minhoca/atualização dizendo "espero que a gente morra", mas pensei que se excluiriam mesmo em vez de ficar no jogo pela nuvem, meio ruim pensar na eternidade dos coitados. arkangel é previsível nas possibilidades de dar merda, muito azar a mãe olhando justo nas piores horas. tenso que o implante não é removível; imaginei como seria isso de transmitir o que uma pessoa vê e que seria diferente, 3Dzão talvez, e seria show se desse pra fotografar. me pergunto se não dava pro menino avisar ela que a mãe tinha ameaçado e vigiava ainda; se fosse eu, tentava. não esperava a violência no final e fiquei pensando se a menina organizava as próprias coisas o bastante pra saber as prioridades do que levar pra fugir de casa. um pouco de medo de carona com caminhão mas ok. crocodile eu não entendi porque tem esse nome mas dá pra ficar pensando. show que foi na islândia e reconheci logo; o cabelo da mulher parecia o meu mal-cortado. absurdo que ela escolhe fazer toda aquela carnificina em vez de deixar o cara mandar uma carta; show que pegaram pelo bichinho que ela esqueceu. hang the dj achei muito bom, não esperava nem um pouco o jeito que terminou, raro um final feliz. bizarro o personagem do ator que faz athelstan em vikings e inesperado ter a música de the smiths depois. talita tinha percebido que não faziam nada no lugar, que todos eram magros porque no tempo livre faziam exercícios e etc, mas não pensei em simulações e coisas virtuais tipo o primeiro episódio. bacana que pelo menos um dos relacionamentos foi lésbico; triste pensar nessas coisas de quanto tempo duram. metalhead não tem explicação nenhuma e pouquíssimas falas, parece que foi tentativa de fazer um episódio assim mesmo e trabalhado no terror. interessante o aspecto do monocromático, a musiquinha agoniante; me lembrava lars von trier de alguma forma. não achei ruim mas fico sem entender aquilo tudo. essas coisas de gente sobrevivendo a coisas perigosonas me fazem pensar que eu jamais iria longe num mundo assim. black museum foi show, pesadíssimo, praticamente três episódios em um e cheio de referências à própria série. o nome do museu me fez pensar em gente negra, mas era mais a questão de black mirror mesmo (apesar de não deixar de ter a ver com o primeiro). angustiante demais todas as situações, o ponto em que as coisas chegaram. não sei se seria permitido acontecer isso de usar a pessoa virtual e tudo, acho que teriam noção de que são capazes de sentir igual... pareceu um bom final de série. melhor parte foi assistir com talita e poder parar pra conversar e pensar sobre cada episódio.

vips (2010)
é sobre esse cara que é piloto e vai assumindo umas identidades diferentes toda hora. baseado em história real, mas não sei se o estelionatário também perdia a noção do que era invenção da mente dele ou não; coisa de transtorno de personalidade mesmo. wagner moura jovem emo... bem irreal. vários pedaços difíceis de entender com criminosos falando espanhol. não achei grande coisa mas não lembrava disso das personalidades tão fortes, apesar de ter lido sinopse um tempo atrás. bacana a coisa de pilotar, me pergunto como ele sabia tanto mesmo com um pai piloto inventado (o que dá sentido à roupinha e chapéu constantes). triste pelo coqueiro que arrancaram só por causa que tava na frente da placa da gol.

kaze tachinu (2013)
menino míope que não pode ser piloto decide construir aeronaves. sonha sempre com esse engenheiro italiano, caproni, que o motiva a ir em frente (diz que "aviões são lindos sonhos amaldiçoados, esperando que o céu os engula"). repete algumas vezes a frase "le vent se lève, il faut tenter de vivre" – que é parte de um poema de um filósofo francês. filmes do studio ghibli têm sempre umas texturas brilhosas, as coisas volumosas de um jeito específico, as mulheres principais com a mesma cara. acho massa a animação de um pedaço onde o protagonista (jiro) trabalha numa daquelas escrivaninhas inclinadas, meio mal sentado na cadeira, os olhos com zoom pelo óculos. jiro tá construindo coisas pra usarem na segunda guerra mundial, ao lado da alemanha; é sobre uma pessoa real mesmo, embora baseado numa biografia ficcionalizada. caproni diz que um artista é criativo por 10 anos apenas. tem romance também, com uma menina que ajudou depois de um terremoto (o grande sismo de kantou) e jamais esqueceu, depois se reencontram mas ela tá morrendo de tuberculose.  uma hora ele vai pra casa e fica trabalhando numa mesinha do lado dela, que tá deitada pra dormir, e ficam de mãos dadas... bonitinho, faria muito. demorei pra terminar, não dava muita vontade de ver direto nem foi o melhor deles que vi, mas bacana.
mosquiteirão da zorra.
earthlings (2007)
documentário sobre a dependência humana nos animais, dividido em tópicos como pets, comida, roupas, testes... dificílimo de assistir, chorei bastante e mantive as mãos cobrindo o rosto na maior parte do tempo. tenho certeza que se as pessoas assistissem repensariam tudo e passariam pro vegetarianismo/veganismo; mal consegui olhar pra carne que minha mãe trouxe do mercado no outro dia. é narrado pelo joaquin phoenix, de signs e her, que é vegano há muito tempo – "virei vegano aos três anos, quando vi uns pescadores destriparem peixes e perguntei à minha mãe, chorando, por que ela não tinha me contado de onde vinha a carne". até na questão da religião e gente que usa o argumento de que "deus deu entendimento pro homem então temos o direito de fazer isso", não consigo conceber um criador que tá de boa com essa situação; em outros tempos, quando as próprias pessoas cuidavam da produção de sua comida e tudo era mais próximo, até ok, mas hoje em dia... f*da. me parece um documentário que chamariam de sensacionalista ou exagerado, mas mesmo que não seja tudo igual é mostrado não dá pra negar que essas coisas acontecem. mas é tanto absurdo, não faz sentido que tão pouca gente pare pra refletir seus comportamentos; espero muito que isso continue mudando. tem umas falas bem boas no filme, como de que na questão dos animais todos os homens são nazistas (abaixo) e de que testes em animais só mostram resultados válidos pra animais, que é uma ofensa à ciência verdadeira. essas partes que copiei são da introdução.

Nobel Prize winner Isaac Bashevis Singer wrote in his bestselling novel 'Enemies, A Love Story’ the following: “As often has Herman had witnessed the slaughter of animals and fish, he always had the same thought: in their behavior toward creatures, all men were Nazis. The smugness with which man could do with other species as he pleased exemplified the most extreme racist theories, the principle that might is right”.
The comparison here to the holocaust is both intentional and obvious: one group of living beings anguishes beneath the hands of another. Though some will argue the suffering of animals cannot possibly compare with that of former Jews or slaves, there is, in fact, a parallel. And for the prisoners and victims of this mass murder, their holocaust is far from over.
In his book ‘The Outermost House’ author Henry Beston wrote: “We need another and a wiser and perhaps a more mystical concept of animals. Remote from universal nature, and living by complicated artifice, man in civilization surveys the creatures through the glass of his knowledge and sees thereby a feather magnified and the whole image in distortion. We patronize them for their incompleteness, for their tragic fate of having taken form so far below ourselves. And therein we err, and greatly err. For the animal shall not be measured by man. In a world older and more complete than ours they move finished and complete, gifted with extensions of the senses we have lost or never attained, living by voices we shall never hear. They are not brethren; they are not underlings; they are other nations, caught with ourselves in the net of life and time, fellow prisoners of the splendor and travail of the earth”.

food choices (2016)
esse documentário traz várias questões relacionadas à alimentação e saúde, defendendo uma dieta à base de plantas. acho interessante que comentaram, já que não é muito discutido, isso de que ao longo da história o ser humano se comportava como caçador-coletor, mas que esses coletores eram mulheres – o que liga essa questão ao machismo, já que quem caçava recebia a glória em vez de quem providenciava a base feita de vegetais e etc. bastante coisa que eu já sei, mas interessante ver especialistas falando sobre: as pessoas comem proteína em excesso, o que sobrecarrega órgãos e promove o risco de doenças; a proporção de ômega 3 e 6 tá muito acima do recomendado e pílulas de ômega 3 são tentativas de diminuir essa anormalidade obtendo lucros; a pecuária extensiva pode dar uma criação mais "humana" mas não muda o fato de que as mortes continuam inumanas (além de que o gado alimentado por grama produz mais metano que aquele alimentado por grãos, e obviamente exige mais espaço)... tem uma mulher que conta que tinha depressão, tentou suicídio, e depois conheceu o veganismo e decidiu nunca mais colocar dentro do corpo dela o sofrimento de outros animais, massa. falam de veganos acima do peso e que o que faz diferença de verdade é cortar "calorias vazias", que seriam os óleos vegetais, gorduras, açúcares e comidas processadas; que se continuar do jeito que tá, em 2048 os peixes comerciais estarão todos extintos; que precisamos parar de ser tão egoístas e olhar como nossas escolhas afetam aqueles ao nosso redor e principalmente as gerações futuras. e é isso, véi.

mudando a vida de geral que vê, né...
GAWI (2015)
curta bem curto sobre "uma menina presa em um estado de paralisia do sono (que) mergulha nas texturas dos sonhos". bacana os barulhos e o traço/animação mas nada de mais. a pessoa que postou chama de "student film", na verdade. deu um pouco de medinho, ainda mais se tratando de paralisia do sono, mas não tem susto.

e cabelo massa.
the true cost (2015)
esse é sobre a indústria da moda, bem bom. "roupas são a pele que a gente escolhe". falam que as pessoas pensam em comer alimentos orgânicos para não ingerir tantos químicos mas não param pra pensar que é a mesma coisa com roupas, que a pele é o maior órgão do corpo, etc. que a indústria têxtil é a segunda mais poluente, só atrás do petróleo; que só olham para o produto final, sem ver o custo verdadeiro que essa produção envolve; mostram as péssimas condições de trabalho e vida de indianos e cambojanos (em sua maior parte, mulheres) empregados de fábricas de tecido, gente que não tem escolha a não ser trabalhar nisso recebendo pouquíssimo... horrível. é absolutamente necessário que o sistema mude como um todo. tô ficando triste vendo esses documentários, meio que perdendo a pouca esperança no mundo; certo medo de continuar vivendo e do que vou ver no futuro.

janghwa, hongryeon (2003)
a tale of two sisters, em inglês, é um filme coreano de drama/suspense. já começa com a menina mais velha parecendo olhar direto pra câmera e dando disfarçadinha. na verdade começa com ela num hospital psiquiátrico, um médico pedindo pra ela contar sobre "aquele dia"... não entendi de primeira quem era a pessoa porque tava de cabeça abaixada, cabelo escorrido na cara. ela vive protegendo a irmã mais nova, que parece até infantil demais. têm uma madrasta que detestam, as trata mal e questiona se estão loucas mais de uma vez. a mãe morreu... vão vendo umas assombrações e não sei quem é a pessoa com distúrbios, primeiro parecia a irmã mais nova, depois a madrasta, depois a tia que vai jantar lá, depois o pai; no final é a garota mais velha mesmo. a mais nova morreu e a madrasta nem tá na casa com ela e o pai, ela que tem alucinações e personifica as outras duas. tenso, tinha apreensão de olhar pra tela nos pedaços que tinha possível susto. termina com a menina sendo levada à clínica, lembrando do que aconteceu pra mãe e a irmã morrerem – o pai aparentemente se casa com a mulher lá, a mãe deprimida se enforca dentro do armário, a menina mais nova encontra o corpo, fica chacoalhando tentando revivê-la e acaba fazendo o armário cair em cima dela. todo mundo na casa ouve o barulho mas ninguém vai olhar, ninguém tá com pressa, absurdo a filmagem de todo mundo virando o rosto mas ficando imóvel. quase o filme inteiro sem entender nada, mas interessante, e não me lembro de ter visto um filme coreano antes.

domingo, 31 de dezembro de 2017

assistidos em dezembro

em dezembro terminei a season 3 (2015) de vikings. segue o resumão: no começo ragnar leva seu povo a wessex de novo pra solidificar acordos feitos com o rei ecbert. lagertha toma frente no estabelecimento de uma colônia de agricultura enquanto ragnar leva guerreiros para retomar terras pertencentes ao rei, que ficam para kwenthrith (princesa meio doida que depois mata envenenado o amado irmão). melhor parte desse pedaço pós-batalha é rollo chapado incomodado com o ângulo de uma perna. em wessex acontece de athelstan se envolver um judith, nora do rei, que engravida e perde uma orelha sendo condenada por adultério mais tarde. em kattegat, aparece um andarilho que se apresenta como harbard, com quem helga, siggy e aslaug sonharam igualzinho. ele é o único capaz de acalentar o filho aleijado de aslaug e se envolve sexualmente com ela também. em um momento ele salva os filhos dela após caírem no lago congelado, e siggy morre tentando ajudar. mais tarde floki fica sabendo e diz que era na verdade odin que as visitara, e que coisas boas viriam apesar da perda de siggy. não demora muito para que os saxões massacrem a colônia dos norse men, notícia que chega até ragnar através de um único camponês e que é reprimida para não causar revolta. o condado de lagertha fora usurpado por seu braço direito enquanto estavam na inglaterra e ragnar a convence a deixar as coisas como estão, convidando o novo earl para sua próxima incursão – paris. floki desaprova muito a união de ragnar com os cristãos, criticando principalmente a intimidade com athelstan, e acaba assassinando o priest (que tinha acabado de "receber um sinal de deus" e renascer como cristão). é lamentável a falta que ele faz para ragnar, de uma maneira quase que muito afetuosa. em paris ele encarrega floki de liderar a invasão, mas mesmo com toda sua engenharia eles não são capazes de fazê-lo de primeira e muitos guerreiros são perdidos. ragnar se fere e fica extremamente fraco, pedindo que os franceses o batizem no cristianismo como parte do acordo para irem embora, além de muitos tesouros. seus companheiros começam a censurá-lo e desconfiar dele e pra piorar ragnar pede que seja feita uma missa antes de seu enterro. floki constrói um caixão bem bonito, seus amigos mais próximos fazem confissões sobre ele com ragnar dentro, dado como morto, e alguns homens levam-no para a igreja da cidade pra ocasião da missa – lá ele salta do caixão, até que bem vivo, mata o bispo e declara ter vencido, indo embora com mais tesouros ainda e deixando rollo e outros guerreiros para preparar a próxima incursão. tudo isso por causa de uma profecia do seer que ele lembrou bem no final: I can see that not the living, but the dead will conquer Paris. na profecia também tinha coisa sobre um urso conquistando uma princesa, coisa que não seria bom pra ragnar, e isso é rollo recebendo a mão da princesa francesa irritante em casamento e o título de lorde (ou sei lá o que) em troca de lutar contra o irmão quando ele voltasse. a temporada acaba com ragnar falando pra floki que sabe que ele matou athelstan. gostei do cabelo e tatuagens de ragnar nessa temporada, e de þórunn guerreira também (mas achei desnecessária a partida dela depois de ter uma filha com björn).

o tempo todo se autodepreciando por causa do ferimento/cicatriz no rosto sendo que nem ficou feia e nem faz diferença...

assisti alguns filmes com talita e o primeiro foi xxy (2007), que é sobre alex, jovem intersex tentando existir de seu próprio jeito e começando a entender sua sexualidade. a atriz que interpreta alex fez medianeras também. gostei bastante, achei bem sensível e dá pra pensar sobre muita coisa. deve ser bem raro ter pais que não permitem nenhuma intervenção médica logo após o nascimento, como os do filme... seria legal que essa discussão ganhasse espaço e houvesse mais conhecimento e menos tabus pra lidar com tudo. (acho massa a iniciativa de pigeon.)

depois vimos 3 generations (2015), que trata dessa família composta por um aborrecente trans, sua mãe solteira e sua avó lésbica. tem uma reviravolta enorme envolvendo os "pais" de ray, vários conflitos entre as mulheres, a questão de assinarem o negócio permitindo que ele comece a tomar testosterona... não gostei muito, mas sempre choro um pouquinho pensando em transexualidade e família.

vimos também um documentário, project nim (2011), sobre um experimento linguístico que fizeram na década de 70 com um chimpanzé, ensinando linguagem de sinais. começou sendo criado como um bebê numa família grande, depois foi pra uma mansão dos pesquisadores e, quando cresceu e ficou violento, acabou sendo levado pra um lugar tipo aquele de planet of the apes (tava só esperando começar uma revolução). no final o chefe do projeto constatou que nim só tinha aprendido a pedir coisas, não a se comunicar de fato. o chimpanzé viveu por um bom tempo num santuário destinado a equinos, mais tarde recebendo outros de sua espécie, e morreu de ataque cardíaco em 2000, com 26 anos.

por último teve mommy (2014), que achei massa. bom demais a coisa de enquadramento e as mudanças, pedaços em câmera lenta com música bonita, a amizade dos três personagens, tenso a coisa meio incestuosa de mommy, triste demais steve tentando se matar, o final quase assustando com born to die do nada e o menino saindo correndo, pena dele com camisa de força e da mãe chorando com tudo, final sugestivo correndo pra janela. bem bonito as cores, artístico, show. gente falando francês muito rápido, "nous deux", "mutuelle!"... gostei de ver com liu.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

lidos em dezembro

depois de séculos consegui terminar família schürmann - um mundo de aventuras, de heloisa schürmann, sobre a viagem de dois anos e meio que fizeram em seu veleiro seguindo a rota de fernão de magalhães, português pioneiro em circum-navegar o globo terrestre. aprendi várias coisas, por exemplo, que tem um lago num país da micronésia onde existem águas-vivas inofensivas, que aliá é como se chama a fêmea do elefante e que ovos de avestruz aguentam até 600kg sobre eles. pesquisei bastante sobre o que falavam, os lugares e culturas, e foi legal de conhecer um pouquinho de tanto. heloisa me lembra muito nazira, a professora de química do colégio, e era engraçado imaginar as reações dela dentro das diversas situações relatadas no livro. também pude enxergar na escrita um humorzinho bem parecido com o meu no começo do blog. mencionou várias vezes pigafetta, cronista oficial da esquadra de magalhães, comparando-se a ele e fazendo correspondência entre seu laptop e a pena e tinta dele... na época da viagem apareciam no fantástico. teve uma hora que estavam numa reserva na áfrica do sul e dei risada do que escreveu: Passamos por um Kraal (vila tradicional dos habitantes nativos da área, os Zulus). Os moradores da vila mostraram algumas tradições de sua cultura. O curandeiro da tribo fumava seu comprido cachimbo com um estranho fumo: maconha. 

desde que terminei a lista de leitura da unicamp tenho lido apenas as coisas paradas comigo, e neste mês comecei por um leão em família, de luiz puntel (daquela coleção vagalume). é sobre um menino que encontra um leão que supostamente caiu de um vagão de trem e leva-o pra casa, mais tarde tendo que fugir porque alguém parecia querer matá-lo e não sei o que mais. não gostei nadinha, achei muito besta e ordinário. qualquer pessoa escreveria de um jeito mais agradável.

depois li vito grandam - uma história de vôos, do ziraldo, e me surpreendi demais. é sobre um menino de 17 anos que começa a analisar sua relação com o tio três anos mais velho, victor, e alguns detalhes de sua vida que o conduziram até o primeiro plano da narrativa. ele fala sobre sua escrita enquanto faz isso e achei bastante original, bonito mesmo. vito grandam é como ele escrevera "victor grandão" quando criança, sendo depois o nome usado pelo tio ao voar de asa-delta – e é assim mesmo que meu irmão trocava o aumentativo nas palavras quando tava começando a escrever... gostei de ter lido e esqueci de marcar trechos, mas tudo bem porque é curtinho e posso reler em breve.

li os melhores poemas de mário quintana, que encontrei uma vez no ponto de ônibus em frente ao poli e tá todo destruído (mas com todas as páginas). não gostei muito da poesia de mário quintana não, nada de especial. só anotei alguns melhorzinhos: noturno, presença, sempre, operação alma e envelhecer.

aí li macunaíma, de mário de andrade, e até que me diverti. é bem bizarro e nonsense (vi em algum lugar uma comparação com o guia do mochileiro das galáxias, mas sem a ficção científica), cheio de bagunça e brincadeiras – tanto no sentido que tô acostumada quanto como sinônimo de sexo, usado no livro inteiro. várias vezes macunaíma foge pelos estados do brasil como se corresse por um mapa estendido no chão, coisa que contribui pra não-regionalização da história, presente também na utilização de trocentos nomes de frutas, peixes e tudo quanto é coisa. também tem uns mitos e origens de expressões inventadas (talvez nem tanto), como "vá tomar banho" pros europeus que não estavam acostumados com o compromisso diário de quem vive nos trópicos...

li então o livro do riso e do esquecimento, de milan kundera. É um romance que se refere ao riso e ao esquecimento, que diz respeito ao esquecimento e a Praga, que fala de Praga e anjos. tem várias narrativas sobre situações diversas – um homem envergonhado por seu passado com uma mulher feia perseguido pelo estado repressor; um casal que tem sua liberdade reconquistada após uma visita de mamãe e da amiga entusiasta de 3-ways; duas estudantes que engendram a discussão do riso diabólico e angelical; uma viúva que tenta recuperar cartas e diários abandonados em praga, de onde fugiu; um estudante que se envolve com uma mulher casada do interior, admira poetas nacionais e carrega sua litost (estado atormentador nascido do espetáculo de nossa própria miséria repentinamente descoberta); a retomada da personagem da viúva numa busca de livrar-se do peso que carrega; um homem que encontra harmonia na incompreensão de sua "parceira" e pensa sobre no começo da vida erótica do homem há excitação sem prazer, e no final há prazer sem excitação. tem várias partes onde o autor descreve experiências próprias após a invasão russa da república tcheca, além de falar bastante sobre as coisas que está criando ao escrever. achei bom, meio filosófico como a insustentável leveza do ser (ele até menciona essa ideia na segunda parte de tamina). e percebo que anoto umas coisas que posso querer pensar sobre depois, não necessariamente que me impressionam.

Foi como um despertador que a tirasse de um sonho. E, nesse momento, como ela se abraçasse com Eva (assim como quem dorme, ao ser acordado, se abraça ao travesseiro, para esconder-se da luz perturbadora do dia), Eva perguntou-lhe: Combinado? E ela assentiu, com um gesto que indicava que estava de acordo, e apertou seus lábios contra os de Eva. Sempre a amara, porém, pela primeira vez, amava-a com todos os sentidos, por ela mesma, por seu corpo e por sua pele, e embriagava-se com esse amor carnal como se fosse uma revelação súbita.
Ela quer ter esses diários para que a frágil estrutura dos acontecimentos, tal como a construiu em seu diário, possa receber paredes e tornar-se a casa onde ela poderá morar. Porque, se o edifício vacilante das lembranças cai como uma tenda mal levantada, não vai sobrar nada de Tamina a não ser o presente, esse ponto invisível, esse nada que avança lentamente em direção à morte.
Eles iniciaram uma conversa. O que intrigava Tamina eram as suas perguntas. Não o conteúdo delas, mas o simples fato de ele as fazer. Meu Deus, havia tanto tempo que não lhe perguntavam nada! Tinha a impressão de que havia uma eternidade! Só seu marido lhe fazia perguntas sem cessar, porque o amor é uma interrogação contínua. É, não conheço definição melhor do amor.
(...) No barro úmido sem mato e sem árvores, acossados por baixo pela cor ocre e amarela e, do alto, por nuvens cinza e pesadas, eles caminhavam lado a lado, calçados com botas de borracha que afundavam na lama e deslizavam. Estavam sós no mundo, cheios de angústia, de amor e de inquietação desesperada um pelo outro.
A mulher que ele mais amou no mundo (ele tinha na época trinta anos) lhe dizia (ele ficava quase desesperado quando ouvia isto) que ela só se prendia à vida por um fio muito fino. Sim, ela queria viver, a vida lhe proporcionava uma alegria imensa, mas ela sabia ao mesmo tempo que esse quero viver era tecido com fios de teia de aranha. Bastava tão pouco, tão infinitamente pouco, para se encontrar do outro lado da fronteira além da qual nada mais tinha sentido: o amor, as convicções, a fé, a História. Todo o mistério da vida humana consistia no fato de que ela se desenrola em proximidade imediata e mesmo em contato direto com essa fronteira, que ela não fica separada desta por quilômetros, mas apenas por um milímetro.
O olhar do homem já foi descrito muitas vezes. Ele pousa friamente sobre a mulher, ao que parece, como se a medisse, a pesasse, a avaliasse, a escolhesse, ou seja, como se a transformasse em coisa.
O que não se sabe tão bem é que a mulher não está inteiramente desarmada contra esse olhar. Se ela é transformada em coisa, então ela observa o homem com o olhar de uma coisa. É como se o martelo tivesse de repente olhos e observasse fixamente o pedreiro que se serve dele para fixar um prego. O pedreiro vê o olhar mau do martelo, perde a segurança e dá uma martelada no próprio dedo.
O pedreiro é o senhor do martelo, porém é o martelo que leva vantagem sobre o pedreiro, porque a ferramenta sabe exatamente como deve ser manejada, enquanto aquele que a maneja só pode sabê-lo mais ou menos.
O poder de olhar transforma o martelo em ser vivo, mas o bravo pedreiro tem de sustentar seu olhar insolente e, com a mão firme, transformá-lo novamente em coisa. Dizem que a mulher vive assim um movimento cósmico para cima e para baixo: a elevação da coisa tornada criatura e a queda da criatura tornada coisa.

comecei a ler elogio da loucura também, que felipe me deu, mas tava chatão e acho que vou abandonar.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

lidos/assistidos em novembro

nesse mês terminei de ler o cortiço, de aluísio azevedo, coisa que nem pretendia... mas fiquei olhando a lista de leitura da unicamp, faltando só esse unzinho, e aproveitei que tinha tempo ainda (mentira, foi só uma desculpa pra não estudar sem deixar de estudar). tive que renovar duas vezes o empréstimo na biblioteca, mas não achei tão ruim – nem lembrava de bertoleza se matando com a faca de peixe, que aconteceu literalmente na última página. enfim, aquilo tudo que já ouvi mil vezes: o cortiço sendo o real protagonista, o meio determinando como as pessoas agiam, a galera sendo corrompida, tudo bem escrachado e animalizado. teve sexo lésbico e não lembrava de gláucia contando... tinha outra descrição que me chamou atenção antes mas esqueci de anotar. a seguinte é só um exemplo.

E com um arranco de besta-fera caíram ambos prostrados, arquejando. Ela tinha a boca aberta, a língua fora, os braços duros, os dedos inteiriçados, e o corpo todo a tremer-lhe da cabeça aos pés, continuamente, como se estivesse morrendo; ao passo que ele, de súbito arremessado longe da vida por aquela explosão inesperada dos seus sentidos, deixava-se mergulhar numa embriaguez deliciosa, através da qual o mundo inteiro e todo o seu passado fugiam como sombras fátuas. E, sem consciência de nada que o cercava, nem memória de si próprio, sem olhos, sem tino, sem ouvidos, apenas conservava em todo o seu ser uma impressão bem clara, viva, inextinguível: o atrito daquela carne quente e palpitante, que ele em delírio apertou contra o corpo, e que ele ainda sentia latejar-lhe debaixo das mãos, e que ele continuava a comprimir maquinalmente, como a criança que, já dormindo, afaga ainda as tetas em que matou ao mesmo tempo a fome e a sede com que veio ao mundo.

assisti bem sem atenção um filme ruim que larissa colocou no netflix, chamado sacrifice (2016). bizarrinho.

vi män som hattar kvinnor (2009), porque decidi que vou assistir os filmes que tenho baixados antes de outros... e gostei da versão sueca, me pareceu mais explicada e entendível – apesar de preferir a lisbeth de rooney mara à de noomi rapace (que, inclusive, faz as irmãs gêmeas de um filme que larissa gostou e sobre o qual falei há um tempo atrás).

li alguns livros curtos: um conto de natal (charles dickens), amores diversos (vários autores), olhar de descoberta (vários autores) e histórias para ler sem pressa (mamede mustafa jarouche). o primeiro achei bacana, história conhecidíssima, massa a narrativa de dickens mas nada encantador, sei lá. os dois seguintes são parte da uma coleçãozinha, larissa deixou comigo porque eu queria ler numa época, mas achei bem dispensáveis (o primeiro é de poemas e o outro de contos/crônicas). só gostei mesmo desse poema e o primeiro conto de olhar de descoberta é sobre amizade mas tem muita cara de amor homossexual. o último obtive na feira de troca de livros da biblioteca, peguei por serem histórias árabes... mas esperava mais, achei bem rasas. continuo preferindo malba tahan.

avancei na leitura de família schürmann mas só termino em dezembro, então deixa pra lá.